sexta-feira, dezembro 31, 2010

Feliz Ano Novo



O blogue macloule deseja a todos os que aqui espreitam de vez em quando um feliz Ano Novo com votos de muitos momentos de felicidade, muita saúde e muito carinho humano!

quinta-feira, dezembro 30, 2010

Memórias de Fim de Ano



1. No momento em que escrevo estas palavras, o capitalismo atravessa uma das maiores crises cíclicas da sua História. Em resultado de politicas económicas desastrosas para uma boa parte da população mundial, inspiradas desde há algumas décadas pela ideologia neoliberal, o desemprego graça, a miséria alastra, as classes médias empobrecem e o nível de vida das populações entra numa escalada recessiva de difícil inversão no curto prazo à escala ocidental. Na sequência dos desvarios dos mercados financeiros, politicamente incentivados nas últimas décadas, no sentido da sua desregulação, o capital financeiro acumulou lucros como nunca foi capaz historicamente de o fazer, ao mesmo tempo que a economia real se afundava e que a sociedade degradava a sua capacidade de fazer futuro. A resposta à crise, assente em políticas austeritárias, é, entretanto, levada a cabo pelos mesmo actores que mais contribuiram para a produção da crise e com as respostas do mesmo tipo das que nos conduziram até aqui. O tempo é fértil para o triunfo de uma das ideologias legitimadoras da dominação mais potentes dos tempos actuais. A transformação da vitíma em culpado. Como os neoliberais acham sempre que a solução "é fazer mais com menos" e que é preciso "cortar", "emagrecer", "deixar de viver acima das possibilidades", "baixar salários", "poupar no estado social" e promover a "ideologia meritocratica" na qual "cada cidadão deve dar o melhor de si", a incapacidade dos indivíduos resolverem os problemas da sua vida só pode ser coisa da sua "responsabilidade". Está desempregado devia ter apostado na sua formação. Está doente, devia ter apostado na prevenção. Tem insucesso escolar, os seus pais deviam ter cuidado da sua educação. A substituição da ideologia da responsabilidade pela ideologia da responsabilização é um dos mais poderosos mecanismos de dominação social das sociedades contemporaneas. O contexto está aí para a reforçar. Para além deste mecanismo temo que a insegurança social resultante do medo e da incerteza face ao futuro acentue aquilo que alguns estudiosos do social têm vindo a alertar. A substituição do estado social pelo apelo a mais estado penal. Se não se resolve o problema da pobreza e dos pobres então que se prendam os pobres. É assim que já se faz nos EUA.

2. Mas os tempos actuais levantam também desafios inéditos aos governos à escala mundial, nacional, regional e local. Como referiu em tempos Daniel Bell, os Estados nacionais tornaram-se demasiado pequenos para fazer face aos grandes problemas do mundo e ao mesmo tempo eles são demasiado grandes para fazer face aos pequenos problemas diários com que se defronta a vida quotidiana das pessoas. E os desafios são enormes. Não é só a crise económica e financeira. Mas é o gigantesco problema que colocam as alterações climáticas com reflexos directos ou indirectos na capacidade de fazer desenvolvimento, na pobreza, nas desigualdades sociais e na degradação ecológica progressiva do nosso planeta. É a gigantesca questão social que coloca ao ocidente o envelhecimento progressivo da sua população. É um modelo de sociedade com um modelo de desenvolvimento económico assente no desemprego estrutural e na precarização estrutural do trabalho que coarta a capacidade de fazer futuro, pois que está assente numa lógica de curto prazo. São as novas doenças civilizatórias assentes no modo de vida ocidental. É o risco de falência do Estado Providência tal como o conhecemos até há muito pouco tempo sem se vislumbrar ainda que novas formas de solidariedade societal o poderão substituir. É o risco de novas guerras de forte dimensão resultantes da escassez relativa um pouco por todo o mundo. É a corrosão da democracia pelo capitalismo financeiro. A lista de desafios com que nos defrontamos é infindável. Trata-se de fazer e refazer o mundo com o mundo que temos debaixo dos nossos pés. Uma condição essencial para isso é a refundação do político. Não só do funcionamento dos partidos políticos mas também da relação dos cidadãos à democracia. É preciso portanto democratizar a democracia. A política não pode de maneira nenhuma ficar prisioneira dos grandes poderes económicos. Sob pena de debaixo do chavão democracia passarmos a viver outra coisa qualquer. É sempre bom relembrar que à porta de Auschwitz estava lá escrito "O trabalho liberta".

quarta-feira, dezembro 29, 2010

Continuando a Caminhada Para o Abismo

As medidas convergem (quase) todas na mesma direcção. Agora é o ataque aos trabalhadores independentes através do exponencial aumento dos pagamentos para a (in) segurança social. Os desempregados e os reformados que recebem uma miséria a pagarem taxas moderadoras na saúde e os pequenos comerciantes a serem taxados a níveis incomportáveis. O governo de Sócrates é "corajoso". Ele sabe bem onde espezinhar.

A Vida da Rede

Judicializar a crítica do consumidor a partir da rede na era das interconexões é estar a gerir as empresas como na era da minha avó. É não perceber nada do mundo tal qual ele funciona hoje. No mínimo é um atestado de incompetência gestionária passado a si próprio. E era só um telemóvel. Um tiro no pé, portanto.

Nacionalizar as Agências de Rating

Não percebo como é que poderes não democráticos que têm a capacidade de dizimar a vida de milhões de pessoas e de levar Estados inteiros à bancarrota de um momento para o outro, são deixados de rédeas à solta pelos poderes políticos que nos governam (?). A política não deveria servir para alguma coisa?

terça-feira, dezembro 28, 2010

Cancro

Ontem vi uma excelente reportagem, numa televisão portuguesa, sobre o problema dos doentes oncológicos, centrada sobre as questões do cancro do intestino. Senti um misto de medo, com impotência e vulnerabilidade total. Estas são as situações em que a condição humana se defronta e se afronta com a sua vulnerabilidade máxima. Uma política nacional de rastreio é fundamental. Aqui no Algarve também...

Elevar o Gosto

Feelin' Good - Nina Simone

segunda-feira, dezembro 27, 2010

Os Partidos

O melhor contributo que os partidos políticos em Portugal poderiam ter dado à democracia foi mesmo este desta semana de serem os contribuintes sob a forma do "Estado" a pagarem os abusos e as trafulhices dos seus líderes. Era mesmo disto que a democracia portuguesa estava a precisar. Não precisamos discutir sequer a lei do financiamento partidário. Os gastos abusivos dos líderes partidários pagos pelo esforço do trabalho da minha pessoa. Volta modo de produção esclavagista. Estás perdoado.

Calem-se Porra!

Os "mercados" estão por todo o lado. Eles podem ouvir. Caladinhos, que assim é que a democracia funciona bem e é disso que os "mercados" gostam. Oiçam o presidente Silva, que ele é que sabe como é bom uma "imprensa suave", um povo sossegadinho e boas donas de casa como forma de se ser mulher exemplar. Faço uma declaração de interesse. Eu não privo com este homem.

domingo, dezembro 26, 2010

Do Pessimismo Irrealista ao Optimismo Deslumbrante

1. O pessimista irrealista pode ser encarnado na pessoa do ex-ministro Medina Carreira. Por muito que alguém lhe tente explicar que o sistema educativo português teve uma melhoria significativa nas últimas décadas na sociedade portuguesa, ele vai sempre dizer que a educação é uma desgraça e que no seu tempo é que era, pois agora ninguém sabe fazer contas. O dr. Medina Carreira é o protótipo dos profetas da desgraça. Um bom representante da espécie que acha sempre que "no seu tempo é que era". Mesmo que esse tempo tivesse sido o da educação salazarista.

2. O pessimista realista é o tipo que vê as coisas negras como elas efectivamente são e não lhes vislumbra saída. O pessimista realista será o tipo que receia a entrada do FMI pois é possível que tal aconteça e não augura nada de bom com a chegada de tão ilustre visitante. O pessimista realista normalmente é um tipo que não é encarado como boa companhia. As pessoas detestam ouvi-lo.

3. O optimista realista é um tipo interessante. Ela não nega a realidade. Sabe inclusive que as coisas estão pretas. Mas sabe também que o mundo é feito todos os dias de múltiplas formas das pequenas e grandes coisas da vida. O optimista realista não é o típico crente na ideologia do progresso. Ele é mais aquele que sabe que são os homens e as mulheres que fazem a História embora muitas vezes não saibam a história que estão em vias de fazer. É o tipo que acredita que a partir do mundo que temos outros mundos são possíveís.

4. O optimista deslumbrado pode ser encarnado na personagem de José Sócrates. O mundo pode estar a desabar à sua volta por todos os lados, que haverá sempre um indicador estatístico ou um qualquer carro eléctrico que o faz transbordar de optimismo. Este tipo de optimista é o optimista perigoso. É aquele que consegue convencer uma boa parte dos que o rodeiam a jogarem-se para o abismo.

5. O tempo precisa urgentemente da espécie optimista realista e de utopias criadoras. Sem as quais a cacofonia da vida quotidiana fica com dificuldade em ganhar sentido. Mas não estou a falar de homens providênciais é claro. Essa foi uma espécie que foi nefasta de mais à história humana. O homem providêncial tem uma adoração especial por "ismos". E isso é tudo o que agora não nos faz falta.

Massagem de Natal

Estava eu tranquilamente a jantar em família, numa saudável confraternização, quando aparece no ecran da tv, o chefe do Socralismo, para mais uma massagem de Natal. Mudei de canal é óbvio. Em dia de Natal devia ser proibido.

sexta-feira, dezembro 24, 2010

Feliz Noite de Natal

1. Começo pelas prendas. A maior dificuldade é sempre a prenda para a esposa. Tenho dificuldade com a escolha dos tamanhos de roupa. Não tenho perícia na escolha do perfurme certo. Não tenho dinheiro para fios de ouro e relógios de prata. Tenho falta daquela intuição e inteligência que é muito feminina. A escolha da prenda para a mulher põe em evidência todas as minhas desastrosas incapacidades. Poderia dizer que isto é assim para todo o universo feminino que me rodeia. Mas não é. Para a sogra vai uma moldura para pôr a fotografia dos netos. Para a mãe um album de fotografias e para a irmã um livro sobre o amor e as relações amorosas no regime de Salazar. A prenda da esposa leva-me todos os anos ao desespero. Nunca consigo estar à altura das expectativas.

2. Comprei a maior parte das prendas no centro de Loulé. Contra todas as más políticas do doutor Emídio sou um consumidor resistente. Tomo pequeno almoço no Avenida e pago parquímetro. Vou comprar jornal à banca e pago parquímetro. Vou almoçar ao Império e pago parquímetro. Vou à loja dos chineses e pago parquímetro. Vou à livraria Caravana e pago parquímetro. Dou uma moeda de um euro ao desfavorecido do costume e pago parquímetro. Resta-me respirar o oxigénio que por enquanto ainda não é sujeito ao pagamento de parquímetro. O cerco à cidade é total. Foi de todo o interesse público a criação dessa empresa semi-privada que gere os parquímetros de Loulé. Pelo menos, para essa espécie de interesse "público" das multinacionais privadas da cidade, levanto a hipótese de ter sido óptimo.

3. Como bom ateu adoro o espírito de Natal. A gente passa pelos amigos, pelos conhecidos e até pelos desconhecidos e tem um enorme prazer em desejar-lhes um "Feliz Natal". Não tenho qualquer dúvida sobre o assunto. Sejamos ateus, agnósticos, judeus, ou Testemunhas de Jeová, o espírito de natal é uma coisa boa. E a noite de Natal em família ainda é coisa que muito prezo. É um gosto ver a criançada feliz com a imaginação criadora dos brinquedos. Uma óptima noite de Natal para todos!

quinta-feira, dezembro 23, 2010

A Boa Imprensa do Dr. Cavaco

Imagine que um homem próximo de José Sócrates estava envolvido na gestão criminosa de um banco e que isso custava cinco mil milhões ao Estado. Imagine que um outro homem ainda mais próximo de Sócrates (Armando Vara, por exemplo) também estava envolvido no caso. E que Sócrates, como primeiro-ministro, vinha a publicamente defender a sua permanência num cargo político.

Imagine que se suspeitava que o banco em causa, quase exclusivamente composto por pessoas do círculo político próximo de José Sócrates, tinha contribuído financeiramente para a sua campanha anterior. Imagine que Sócrates e familiares seus tinham comprado acções desse grupo financeiro e vendido a tempo. Imagine que, sabendo-se tudo isto, Sócrates apoiava a nacionalização dos prejuízos deste banco. E imagine que essa nacionalização ajudaria a explicar a situação calamitosa do país.

Imagina o que se escreveria sobre o assunto? A quantidade de vezes que o primeiro-ministro teria de explicar as suas ligações ao banco? Os esclarecimentos que teria de dar? As declarações que teria de fazer ao País? Como tudo seria investigado até ao mais ínfimo pormenor? Como todos os documentos seriam vasculhados? Não foi assim nos casos da licenciatura, das casas projectadas, da Face Oculta, do Freeport, da TVI? E muito bem.

Não se percebe porque é que, num caso muitíssimo mais grave nas suas consequências para o país, parece dispensar-se qualquer tipo de vigilâcia democrática quando a pessoa que está em causa é, em vez do primeiro-ministro, o Presidente da República.

Original aqui:
http://arrastao.org/2116269.html

quarta-feira, dezembro 22, 2010

Vai a Democracia Resistir ao Capitalismo?

Itália novamente...

Mais Um Protesto da Comissão de Utentes da Via do Infante

Ver aqui a notícia da TSF:
http://tsf.sapo.pt/PaginaInicial/Vida/Interior.aspx?content_id=1740768

Vestidos com batas, capacetes, óculos e auriculares usados nas obras, os representantes da Comissão de Utentes da Via do Infante quiseram entregar à governadora civil de Faro um presente de Natal.

Os representantes levavam na mão uma caixa com uma caveira desenhada, que, segundo revelaram, continha um chip para andar na via do Infante.

Num tom humorístico, António Almeida, um dos representantes da Comissão de Utentes, disse tratar-se de um «chip explosivo».

No dia 5 de Janeiro, a Comissão de Utentes tem uma audiência marcada com o presidente da Assembleia da República para entregar as cerca de 15 mil assinaturas contra as portagens que garantem ter conseguido.

Carta ao Pai Natal

Querido Pai Natal,

A minha tia Eugénia tem uns terrenos classificados como RAN que gostaria muito que o senhor os transformasse numa outra coisa qualquer, desde que eu pudesse lá construir umas casitas. Sei que nos tempos de hoje essa coisa não deve ser assim tão difícil, pois tenho conhecimento, de que nem é preciso ser o Pai Natal para que de REN e RAN se faça ouro alquímico. Tenho também razões ponderosas para que isso se faça, pois apesar dos terrenos agrícolas serem da minha tia ela já me disse que eu sou o seu sobrinho preferido. Como não tenho casa própria e o meu sonho era muito ter uma casinha, eu gostava muito que o Pai Natal tivesse este pedido em consideração. Prometo também ao Pai Natal que se este pedido me fôr satisfeito distribuirei muitas prendinhas por todos aqueles que ajudaram o Pai Natal a ajudar-me a mim.

Obrigado Pai Natal.

terça-feira, dezembro 21, 2010

No Tempo da Velha Senhora

"O sogro casou em segundas nupcias com Maria Mendes Vieira com quem reside e com quem o declarante não priva."

Aqui:
http://multimedia.iol.pt/backoffice/oratvi/multimedia/doc/id/13362623//9

E parece que vão mais 500 milhões para o BPN.

Pôr as coisas nos devidos lugares

Estou farto de carpideiras fingidas, uns fazem as leis que colocam as pessoas a passar fome, outros aprovam-nas, depois uns e outros aparecem em público a manifestar compaixão pelos pobrezinhos, como se não tivessem culpa de nada. O senhor Presidente até diz que o país devia ter vergonha de haver tantos famintos no país. Pois eu digo-lhe que está enganado snr.Presidente, os políticos é que deviam ter vergonha pela situação em que colocaram o país e o país devia ter vergonha dos políticos que tem.

O comentário é de um tal de Mamarracho no blogue Calçadão de Quarteira
https://www.blogger.com/comment.g?blogID=7429496093022848826&postID=3555267992459145222

PS: Como não sou o Miguel de Sousa Tavares sinto-me autorizado a reproduzir o comentário.

segunda-feira, dezembro 20, 2010

Feliz Natal



O blogue macloule deseja a todos os que nos visitam um Feliz Natal com muito amor, carinho e recheado de partilha de atenção humana.

Feliz Natal para todos é o que este ateu de meia idade vos deseja!

domingo, dezembro 19, 2010

Os Pórticos da Via do Infante

É sabido que o governo Socralista quer introduzir à sucapa dez pórticos na Via do Infante. De preferência rapidamente e em força antes que a contestação social cresça. Face ao trabalho de pressão da Comissão de Utentes da Via do Infante, o engenheiro Macário Correia apelou à desobediência civil dos algarvios para que não paguem portagens. Penso que este grito do ipiranga, ao contrário do que inicialmente pode parecer, em nada vai ajudar à pressão social que é necessária que os algarvios façam, de modo a não virem a estar destinados ao horror da rua 125. É bem possível que este apelo feito por Macário Correia, a mais não sirva a não ser para que o próprio fique bem na fotografia e demonstre a sua vontade em estar do lado das "populações" uma vez que esta sua posição pode até ter o efeito perverso de desmobilizar os protestos e os protestantes. A desobediência civil não é solução para coisa nenhuma. A única solução passa por os algarvios continuarem a mostrar o seu desagrado de modo a que as portagens não cheguem a ser introduzidas. Se os pórticos forem construídos e se a cobrança for iniciada, a "desobediência civil" só servirá para criminalizar os "contestatários". Perante o que disse o socralista que veio passear cá pelo Algarve e fazer uma espécie de relatório à boa maneira da PIDE do tempo de Salazar, em que afirma que apenas há por aí meia dúzia de "insatisfeitos", isso é mais do que sinal de que o governo de Sócrates nem sequer vai passar cartão aos algarvios. Se mais de cem mil "insatisfeitos" no Terreiro do Paço não passou de uma picadela de mosquito governamental, não vejo como poderia o governo de Sócrates voltar para trás na sua decisão, quando o protesto regional ainda tem uma minúscula dimensão. É a Comissão de Utentes que deve pensar no assunto. Um dos presidentes de Câmara a Barlavento já avisou, a posição do presidente da AMAL não representa a voz dos autarcas.

A Decadência Moral Do Ocidente

sábado, dezembro 18, 2010

Alegre Esquizofrenia

Acabo de ver na televisão o debate entre Manuel Alegre, candidato presidencial apoiado por Francisco Louçã, do Bloco de Esquerda, e por José Sócrates, do Socralismo e Francisco Lopes, candidato apoiado pelo PCP. Alegre acabou o debate com uma mensagem final dizendo-se muito preocupado com o futuro dos jovens. Não se pode congelar o futuro da juventude. Estas foram as suas últimas palavras do debate. Sócrates, onde quer que estivesse a assistir deve ter dito "Muito bem". E Louçã, por sua vez, deve ter dito "Muito bem". E eu fiquei a pensar que talvez seja a primeira vez que vou votar nos comunistas. É que houve muita gente a lutar para que nós podessemos votar e não ir às urnas era da minha parte a recusa da democracia. Votar em branco só resulta nas utopias de Saramago. Nulo também não tem grande significado. Ainda pensei, vou lá, ponho o meu nome com uma caneta e espeto-lhe com uma cruz em frente. Mas depois pensei que por uma questão de mérito (parece que é uma justificação política que anda na moda) o meu voto devia ir para o PCP. Vou pensar no caso.

sexta-feira, dezembro 17, 2010

Agora Acontece

Carlos Pinto Coelho levava a cultura à casa do comum do cidadãos como poucos o fizeram em Portugal. Lembro-me de ter ficado perplexo e chocado com a decisão tomada na RTP da altura em decidir retirar o Acontece do ar invocando-se a lógica das audiências. Se a existência da RTP só se justifica pelo serviço público que presta aos cidadãos, Carlos Pinto Coelho prestou um verdadeiro serviço público ao país no sentido de uma verdadeira difusão democrática da cultura. Agora acontece. Carlos Pinto Coelho - 1944-2010.

quinta-feira, dezembro 16, 2010

Socralismo e Capitalismo Yo Yo

Reza hoje assim na primeira página do Público: "O Governo vai impor um tecto máximo às indeminizações pagas aos trabalhadores em caso de despedimento e facilitar o ajustamento das empresas às flutuações da procura". Nós já sabiamos que o capitalismo yo yo funciona como uma mola flexível que torna "dispensáveis" e "descartáveis" os "colaboradores" de que os "mercados" num dado momento do tempo consideram um empecilho da geração de mais valias. O que passa a ser novo na legislação portuguesa é o decreto da precariedade institucionalizada como forma de gestão da mão de obra por parte do capital. O Socralismo é assim. Depois dos contribuintes "salvarem" os bancos (veja-se o escandalo que é o buraco do BPN), depois do brutal corte nos salários da função pública, depois dos cortes nos subsídios de desemprego, depois da retirada dos abonos de família a uma boa parte das famílias portuguesas, depois do aumento do IRS, depois do aumento do IRC, depois dos cortes nas deduções com despesas de saúde e de educação (e todas as outras medidas de retirada de direitos sociais de que já nem me lembro...), chegou a "resolução" dos problemas associados à "crise". Pasme-se. A forma encontrada pelo Socralismo para combater a taxa mais elevada de sempre da história do desemprego em Portugal, é, qual alquimista encartado, um decreto que procura facilitar os despedimentos e baixar as indeminizações aos desempregados. O Socralismo está bem vivo, mas o socialismo já morreu. Bem pode bradar Manuel Alegre, qual Dom Quixote lutando bravamente contra moinhos de vento, que Cavaco Silva quer destruir o Estado Social. É que ninguem o leva a sério. Percebe-se porquê, não é. Uma última nota para João Proença e para a UGT. Esta organização sindical já tinha, pela força das circunstâncias, sido "obrigada" a aderir à greve geral. Ontem foi penoso ver tão triste figura ao lado de Sócrates a anunciar a retirada de direitos aos desempregados. Com o sentido político que as coisas continuam a levar não tenho a mínima dúvida de que tempos turbulentos estão aí a chegar. As elites políticas que se cuidem.

quarta-feira, dezembro 15, 2010

Vai a Democracia Resistir ao Capitalismo?

Grécia - Atenas, 15 de Dezembro de 2010

Vai a Democracia Resistir ao Capitalismo?

Protestos em Roma contra o governo de Berlusconi



Acho muito bem que os media nacionais e internacionais continuem a ignorar a dimensão dos protestos um pouco por toda a Europa. É que isto não está a acontecer. Não acontece na Grécia, na França, na Inglaterra, na Itália. Isto não é a recusa de um determinado estado de coisas. Nada disso.

E a função dos media não é informar, debater, contextualizar, ouvir as partes envolvidas, confrontar pontos de vista, dar voz a quem não tem voz autorizada. Depois não se queixem do Wikileaks. Felizmente para os cidadãos e para a democracia existe a Blogosfera e o Facebook e o Orkut e o Twitter e o YouTube e os outros todos. O jornalismo, definitivamente, está a necessitar urgentemente de se repensar a si próprio.

segunda-feira, dezembro 13, 2010

Homo Pluridimensional



Vou à deita que se faz tarde. E amanhã, toca a levantar de madrugada, para ser "produtivo", "competitivo", "performativo", "competente", "atingir os objectivos", manter o "nível de excelência", ser "responsável" e essas merdas todas que nos impedem de viver a vida como ela merecia ser vivida. Com dignidade. Só. Sair daquele colete de forças imposto pela lógica do capitalismo que tudo invade e que Marcuse designou de Homo Unidimensional. A felicidade, portanto.

Boa semana para todos!

sábado, dezembro 11, 2010

Wikilikeando

1. Não resisto de cada vez que vou à banca dos jornais comprar a Voz de Loulé, em brincar com quem vende os jornais, perguntando se me pode vender a Voz da Câmara de Loulé. Não que tenha alguma convicção politico-ideológica contra o jornal, mas é por demais evidente a sua colagem a uma determinada tendência partidária. Desta vez é uma pergunta serodia do "jornalista" que entrevista Aníbal Cavaco Silva. Já não falo da habilidade que foi entrevistar esse tal de Miguel Freitas uns dias antes de se fazer a entrevista ao candidato Silva, como se, mesmo que inconscientemente, houvesse a necessidade de antecipar a prevenção da crítica. Falo mesmo de uma pergunta que é todo um programa político ideológico implicado. A determinada altura da entrevista na página 17, do jornal da Voz de Loulé, o "jornalista" Luís Guerreiro pergunta assim: "Constitui para os Louletanos uma especial honra ter um Presidente da República da sua terra. Este ano, uma exposição biográfica do professor Cavaco Silva, em Loulé, bateu todos os recordes em termos de visitantes. Pensa que a exposição serviu para estimular o gosto pela política e um exemplo de dedicação à causa pública para os mais novos?" Ora, para quem como eu, pensa que o senhor Silva, que nos governa há dezenas de anos, é um dos grandes responsáveis pelo estado a que isto chegou, uma pergunta como esta, não deixa de ser uma verdadeira afronta, à cidadania louletana. É assim como se, em Santa Comba Dão, todos tivessem que ser Salazaristas.

2. Mas se a imprensa local anda pelas ruas da amargura, a imprensa nacional também já conheceu melhores dias. Um estudo encomendado pelo Expresso à Eurosondagem, divulgado na página oito, do dito cujo, revela hoje, para meu espanto, que 47,1% dos portugueses acham que se deve pedir "ajuda" (as aspas são minhas) ao FMI. Ora antes de se perguntar se Portugal deve pedir "ajuda" ao FMI, era bom que se perguntasse aos mesmos portugueses se sabem o que é o "FMI" e se sabem o que costuma ser a intervenção do FMI. Jornalisticamente falando, em vez de se divulgar sondagens de forma acrítica e correndo o risco de as mesmas serem altamente manipuladoras da opinião pública, era do maior interesse, em nome do serviço público, os jornalistas informarem as populações sobre o que é o FMI e quais têm sido as consequências das suas intervenções ("ajudas") um pouco por todo o mundo.

3. O jornalismo "preguiçoso" que se faz hoje um pouco por todo o lado, baseado numa grande parte no que as fontes ditas oficiais colocam na agenda e numas poucas agencias noticiosas fáceis de controlar, reagiu enfurecido contra o jornalismo de investigação que se apoia no Wikileaks. Esta reacção corporativa de uma parte significativa do corpo jornalistico ao "perigo" da transparência total da informação do que acontece pelo mundo, diz muito sobre uma determinada forma de fazer jornalismo hoje em dia. É que o pouco de bom jornalismo que se vai fazendo ainda por aí, não tem culpa dos sofás confortáveis a partir de onde se faz a produção de notícias do mundo actual. O jornalismo de investigação foi substituido pelo "jornalismo de sofá". E este último é muito mais confortável. Até porque não incomoda quase nada.

quinta-feira, dezembro 09, 2010

Vai a Democracia Resistir ao Capitalismo?



Milhares de estudantes um pouco por toda a Europa protestam contra a mercadorização da educação. Controladores aéreos em Espanha vão ser presos pelo protesto massivo contra a retirada de direitos sociais. Ameaças de morte ao mentor do Wikileaks por ter divulgado factos abusivos por parte dos Estados ocidentais que atentam contra a democracia e os direitos humanos. Há um traço comum a todos estes factos aparentemente fragmentados e dispersos um pouco por todo o lado. O capital, carente da sua legitimidade democrática, une-se à escala transnacional, concertando estratégias de manutenção do poder. O protesto massivo das populações aparentemente não dá em nada e é a corrosão da democracia a opção última dos governos conservadores (de esquerda e de direita) que nos desgovernam um pouco em toda a Europa. Temo que esta estratégia não dê bons resultados. A repressão social vai certamente crescer e o que vai resultar destes focos de explosão social um pouco por todo o lado é aquilo que esperamos ainda estar cá para ver. Se não for a democracia a saída, a coisa vai ser dura.

quarta-feira, dezembro 08, 2010

O IKEA, a Democracia e a Pequena Burguesia Política Local Anestesiada

A vinda do IKEA para o Parque das Cidades merece o estatuto de case study das dinamicas actuais do capitalismo global em toda a sua complexidade e da sua relação com uma certa corrosão da democracia e dos valores democráticos.

Face a uma das maiores crises da história do capitalismo global, os políticos locais, ansiosos pela atracção de "investimento externo" (?), encostam a democracia à parede, e convertem-se hipocritamente em actores centrais da gestão do "mercado". Nada de problemático haveria na defesa da sociedade de mercado, se isso não significasse, como significou aqui em Loulé, um verdadeiro atropelo à democracia e um desvirtuar claro das regras do mercado.

Recordemos os factos. O IKEA como actor transnacional da economia global estudou o mercado e concluiu que aqui havia potencial de acumulação de mais valia. O que quer dizer que a centralidade "exigida" é aquela que lhe permite chegar a um maior número de consumidores. Até aqui nada de anormal, se considerarmos que funcionamos num mercado livre (será?) pelo facto de pertencermos ao espaço económico da União Europeia. As empresas existem e são para gerar lucro e criar riqueza. Quem pensar o contrário ainda não percebeu o mundo em que vivemos. É, portanto, legitimo que assim seja.

Os atropelos à democracia começam quando o IKEA compra terrenos agrícolas (e este é o verdadeiro problema e não vale a pena desvalorizar a questão a dizer que lá só se podiam plantar nabos) e espera que a autarquia Louletana, pela mão do Dr. Emídio, autorize a respectiva urbanização de terrenos não urbanizáveis. Duas coisas atropelam a democracia aqui e não sei mesmo até que ponto não atropelam a legalidade democrática. Primeiro, nenhum actor económico gasta milhões de euros em terrenos agrícolas não urbanizáveis sem saber quantos euros vai lá colher. Em segundo lugar, o dr. Emídio, para evitar problemas legais, comprometeu-se a alterar o PDM, como o próprio assumiu publicamente, para que o problema dos "terrenos agrícolas" pudesse ser "ultrapassado". Assim ninguém corre o risco de ser acusado de favorecimento político. As leis da República já tiveram melhores dias. A democracia portuguesa também.

Para meu espanto, como reagiu a burguesia política local do centrão? Foi à missa do negócio. Há uma vereadora, que agora é independente do partido socialista, que rezou o pai nosso ao dr. Emídio. O ex-candidato de São Sebastião, do PS, de quem muito gosto, também independente, realçou a "coragem" do sr. Presidente do Concelho e ouve gentinha do PS que ficou ofendidíssima por o negócio não ter ido para outro lado. A Quercus de início fez barulho e ali para os lados de um dos principais dirigentes da Almargem ficámos a saber que o ambiente é um bom negócio. Vai sobrando, para nossa sanidade mental, como quase sempre, um deputado do Bloco de Esquerda. E assim o capitalismo vai corroendo a democracia. E não tinha que necessariamente ser assim.

Adenda final: Adoro as bandeirinhas da cidade de Loulé ao lado das bandeirinhas do Modelo e do Continente, no espaços comerciais do Modelo e do Continente. Evidente sinal dos tempos.

terça-feira, dezembro 07, 2010

Dois mil empregos ou oito mil desempregados?

"A Associação Comercial da Região do Algarve (ACRAL) vê com “preocupação” a construção de mais uma grande superfície e alerta que a criação de emprego pelo grupo Ikea fará oito mil desempregados no comércio tradicional regional (...) a criação de uma nova grande superfície no Algarve preocupa a ACRAL.

“Acredito que os dois mil postos de trabalho que o Ikea diz que vai criar no Algarve terá um impacto de oito mil desempregados no comércio tradicional da região para além dos 24 mil desempregados que já existem”, disse João Rosado, em entrevista à Lusa. João Rosado cita um estudo feito pela Universidade Católica, a pedido da Confederação do Comércio Português em 2004, que indica que por cada posto de trabalho criado numa nova grande superfície são extintos quatro no comércio local”. O presidente da ACRAL refere,por exemplo, que muitas Pequenas e Médias Empresas de Loulé que se dedicam ao setor do móvel, nomeadamente em Almancil e Boliqueime, vão ressentir-se com a nova grande superfície.

Para sustentar a preocupação da ACRAL sobre o nascimento de mais uma nova grande superfície, João Rosado recorda um outro estudo, realizado pela Direção Regional de Economia do Algarve, a dar conta de “um excesso de grandes superfícies no Algarve” desde 2006/2008. (...) Também em Loulé, mas no eixo Loulé/Quarteira, está equacionado um projecto da Auchan, denominado "Alegro Algarve", representando um investimento de 400 milhões de investimento e quatro mil postos de trabalho direto numa área total de 40 hectares."

Ver original aqui:
http://www.regiao-sul.pt/noticia.php?refnoticia=110799

Para ver como a crise económica nos torna a todos mais submissos ver aqui:
http://ssebastiao.wordpress.com/2010/12/07/meu-caro-dr-seruca-emidio/

As boas mentes dirão logo: Submissos não...responsáveis...

segunda-feira, dezembro 06, 2010

Perspectivas Sobre as Portagens na Via do Infante

"Já a 9 de Setembro, o secretário de Estado das Obras Públicas, Paulo Campos, veio ao Algarve dizer que "a população dos municípios do Algarve vai beneficiar destas isenções e descontos" para as populações num raio que ascende aos 20 quilómetros” (coitados dos que moram em Aljezur, Alcoutim ou Cachopo).

E fê-lo em resposta clara a algumas atitudes do PS regional de contestação à introdução de portagens na Via do Infante. Estava clara a determinação do Governo e não compreender isso é ingenuidade. O líder do PSD também ousou protestar Algarve, apelando a 3 de Outubro às forças vivas algarvias para se "concertarem urgentemente” e definirem uma plataforma de luta contra a introdução de portagens na Via do Infante à semelhança daquela que foi criada em 2004. Todavia, de imediato, um dos seus líderes, Miguel Relvas, veio ao Algarve dizer de viva voz para se calarem, em sintonia com o PS. Pronunciaram-se contra de modo claro o Bloco de Esquerda e o PCP. A Assembleia da AMAL compreendeu a questão e também declarou a sua recusa em aceitar a medida do governo. Também movimento independente “Cidadãos com Faro no Coração” (CFC), liderado pelo ex-presidente da câmara de Faro, José Vitorino, anunciou a adesão à indignação contra a introdução de portagens na Via do Infante, considerando que “com esta acção de protesto, é dada expressão positiva ao sentimento da revolta dos algarvios”, acrescentando que as portagens “seriam desastrosas” numa região com a economia debilitada e enorme desemprego”, repudiando “a condenável subordinação da comissão executiva da AMAL – Comunidade Intermunicipal do Algarve aos poderes do Terreiro do Paço” e denunciando que “eram contra as portagens e agora aceitam-nas, mas fazem ainda pior: procuram boicotar acções de pressão e luta perfeitamente legais, como são os buzinões, marchas lentas e outras formas de sensibilização”,

O PS alinhou com a posição do governo, contra a AMAL e tem vindo a propor em diversas Assembleias Municipais a aceitação da medida do governo. O presidente da AMAL, Macário Correia, contrariamente ao que a própria Assembleia havia deliberado, conciliou, ou procurou manobrar entre os pingos da chuva, mas agora vem a terreno numa posição de firme recusa de que se aceite o pagamento das portagens. Perdemos tempo, mas mais vale tarde do que nunca. Saúdo a sua tomada de posição e apelo a que, em consonância com a própria posição da Assembleia da AMAL, se junte à Comissão de Utentes, que se afirma aberta, ou de algum outro modo contribua para engrossar a onda de protestos e reforce com a sua influência um movimento popular de recusa da introdução de portagens. Também ao PCP, que decidiu fazer a luta no campo parlamentar, apresentando um projeto lei contra a introdução das portagens, que sabia de antemão que ia ser derrotado pelos “votos da aliança PS, PSD e CDS-PP”, se apela ao reforço da unidade popular, engrossando o movimento e se junte aos resistentes da Comissão de Utentes. Aqui é que está verdadeiramente a frente da luta. Tudo o resto é inconsequente! "

* Militante do BE

José Manuel do Carmo *
00:18 sábado, 04 dezembro 2010

Ver o original aqui:
http://www.regiao-sul.pt/noticia.php?refnoticia=110855

Sem Eira Nem Beira

Crise Económica, Crise da Democracia

Por André Freire, no Jornal Público de 29 de Novembro

Clique aí em cima: Boa leitura ...

http://www.ste.org.pt/actualidade/2010/11/Publico29Nov2010_2.pdf

sábado, dezembro 04, 2010

Os Mercados

Os "mercados" devem ser uns tipos obtusos (falo de tipos e não de tipas porque levanto a hipótese dos "mercados" serem hegemonicamente masculinos) com um humor inversamente proporcional aquele bom humor que nos faz rir das coisas mais simples da vida. É que segundo as principais mentes económicas que controlam a tribuna mediática, os mercados "reagem". E nos últimos tempos deu para perceber que eles "reagem" por tudo e por nada. Esta semana ouvia num canal de TV um desses novos profetas da economia a "explicar" que os "mercados" observam o que se passa nos Açores de Carlos César e não "gostam do que vêem". Os "mercados" são uns tipos espertos. Eles gostam de ver os "outros" na miséria mais completa. Os "mercados" devem ter lido Sartre. Eles sabem que "o problema são os outros". Os "mercados" devem também ter lido o poeta Aleixo pois eles fazem das horas amargas lições de filosofia. O Governo dos Açores decide atribuir um subsídio aos funcionários públicos da região para que estes não baixem o seu nível de vida? Os "mercados" reagem. Um qualquer governo da Europa não corta nos salários dos trabalhadores? Os "mercados" reagem. Um qualquer governo nacional hesita na retirada de subsídios de desemprego aos mais miseráveis dos miseráveis? Os "mercados" reagem. As populações fazem greve e exercem os seus direitos consagrados constitucionalmente nos Estados democráticos? Os "mercados" reagem. Um qualquer governo não põe em prática as receitas do FMI e não corta os subsídios de Natal e o décimo terceiro mês? Os "mercados" reagem. As classes médias não reduziram o seu nível de vida e vivem "acima das suas possibilidades"? Os "mercados" reagem. As populações ainda não estão na mais completa miséria e expropriadas dos seus mais elementares direitos sociais? Os "mercados" reagem. A concentração de riqueza nas mãos de uns poucos ainda não atingiu um ponto em que todos os outros estão próximo da geral pauperização? Os "mercados" reagem. Em breve, esse dia, o da proximidade à situação de pauperização geral das condições de vida vai estar próximo e quando o geral empobrecimento das populações permitir um estado de total submissão aos "mercados", os "mercados" deixarão de reagir. Nesse dia seremos todos felizes.

sexta-feira, dezembro 03, 2010

Os Mercados Reagem: As Pessoas Também

Aeroportos Espanhóis parados. Pessoal do controlo aéreo meteu baixa em quantidades próximas dos 70% em reacção a mais medidas austeritárias (autoritárias) do governo espanhol. Eu estou do lado das pessoas. Que se lixem os "mercados".

quinta-feira, dezembro 02, 2010

O Grande Saque Explicado às Crianças

Por Michel Chossudovsky



Alguém por aí se voluntaria para traduzir?

Anular a Crítica



Do "não discutimos...tudo" salazarista, passamos ao "deixem-nos trabalhar" dos anos 80 e 90 Cavaquista, até ao "bota-abaixismo" e à "maledicência" do novo milénio no reino socratino, e chegamos esta semana, na Voz de Loulé , ao "populismo de criticar a classe política" do presidente Cavaco. Uma elite que se procura desesperadamente preservar a si própria anulando a crítica política. Os consensualismos que esta gente nos quer impingir é a melhor maneira de preservar os poderes que fazem de Portugal um dos países mais desiguais da Europa.

quarta-feira, dezembro 01, 2010

Criticar por Criticar a Classe Política

Detesto a classe política que se julga imune à crítica política. A essência da democracia é a crítica política. Ponto final. São estes consensualismos serôdios que nos têm trazido até aqui. Esta é ainda uma das principais heranças do Salazarismo. Está entranhada nas mentes e nos corpos. O Presidente de Boliqueime é o tipo por excelência dessa deplorável espécie. Já não bastava Sócrates e a salazarenta "maledicência". Há, sim, é verdade, um problema grave de qualidade da democracia. Mas isso tem que ver com um dos maiores "déficits" da sociedade portuguesa, o "déficit" de cidadania. Houvesse mais cidadania e não haveria tanto espaço para a mediocridade política. Mas Cavaco não é parte da solução, ele é parte do problema. A má moeda não deixou espaço para a boa moeda também ali para os lados do Palácio de Belém. E eu em mais de quarenta anos de vida vou ter que levar com isso na maior parte da minha já longa existência. Esse é o drama.

Ver mais aqui:
http://sic.sapo.pt/online/noticias/pais/especiais/presidenciais2011/

O Grito do Ipiranga

Traz Outro Amigo Também



As razões invocadas pela Comissão de Utentes da Via do Infante para que as populações residentes no Algarve não sejam empurradas para a EN 125 começam a ser levadas a sério e aí estão os primeiros resultados de uma luta que ainda está no seu começo. A AMAL, pela voz do seu representante máximo Macário Correia apela à mobilização colectiva dos cidadãos do Algarve no manifesto da sua indignação. É da acção colectiva que podem resultar os efeitos práticos de uma maior qualidade de vida na região do Algarve. O Zeca tem razão. Traz outro amigo também. Bom sinal, a escassas horas de se festejar o dia da Restauração da Independência. Isto não tem nada a ver com instrumentalização partidária. E é bom que os partidos se juntem à causa.

Ver mais aqui: http://adefesadefaro.blogspot.com/2010/12/macario-apela-recusa-coletiva-de.html

terça-feira, novembro 30, 2010

As Portagens da AMAL, os Autarcas NIM e a Imprensa Local Assim Assim

Ver aqui a excelente intervenção do Almeida:
http://www.digitalmaistv.com/index.html?id=1459

Os autarcas "nim" estão ofendidos com o autocrático governo de Sócrates por este não discutir com os mesmos a localização dos pórticos a introduzir na Via do Infante e os jornalistas "assim assim" recusam-se, com raras excepções, a dar visibilidade às reindivicações da Comissão de Utentes da Via do Infante. Para além da boa reportagem da Digital Mais TV, o Observatório do Algarve fez o que lhe compete e questionou os decisores sobre as suas opções. Não precisamos que o jornalismo chegue aos calcanhares da Wikileaks, mas também não queremos um jornalismo que se limite a reproduzir a voz dos poderosos. Ficamos a saber que o presidente da AMAL, Macário Correia é muito "responsável" e não se junta aos "protestos de rua" pois estes são "manipulados" pelo Bloco de Esquerda. O presidente da AMAL exige que o governo discuta a localização dos pórticos de pagamento das portagens da Via do Infante. Estamos destinados a ir todos entupir a estrada Nacional 125. Com os autarcas a defenderem o interesse dos partidos, nem podia ser de outra maneira.

Ver mais aqui:
http://contrasensus.blogspot.com/2010/11/finalmente-uma-televisao.html

E aqui:
http://ssebastiao.wordpress.com/2010/11/30/opiniao-sobre-as-portagens/

segunda-feira, novembro 29, 2010

Do Arboricídio Citadino e Da Demência Humana



Mais palavras para quê...

Exmos. Srs.

Vimos pelo presente prestar os esclarecimentos que consideramos necessários, relativamente às podas que realizámos no Largo Manuel Teixeira Gomes e que têm provocado comentários, contraditórios, no vosso Blog, assim:

Efectivamente não é prática da Fagar, EM, efectuar as podas denominadas de atarraque. No entanto em situações em que a arvore promove o conflito aéreo, com marquises, com varandas, com redes viárias e denuncia alguma podridão e fragilidade mecânica dos ramos, como era o caso, teremos que adoptar este tipo de poda.

Relativamente à poda executada, do referido local era muito difícil fazer outro tipo de poda devido às lesões que as mesmas apresentavam e a má manutenção que durante anos não tiveram…

Ponto 1: Ramadas superiores muito podres, e completamente secas (falta de podas anuais);

Ponto 2: Todas as árvores apresentavam zonas com fungos nas ramagens superiores (falta de tratamento adequado);

Ponto 3: As árvores apresentavam também graves problemas de orientação e estabilidade para o local (trata se de uma zona residencial e de passagem de muitas viaturas ), estão a menos de 1 metro da faixa de rodagem onde as viaturas pesadas também contribuíram para o seu mau crescimento e lesões ,desta forma vamos proporcionar um crescimento muito mais saudável e uma orientação adequada para o local;

Ponto 4: Caso não fossem limpas desta forma não teriam muitos mais anos de vida atendendo ao seu estado elevado de lesões, foi feita a sua cicatrização a nível da poda ,e tratamento para os fungos que todas apresentavam;

Ponto 5: Com a chegada da primavera vão ficar muito mais saudáveis e com muito mais longevidade;

PONTO 6: Estas amoreiras negras de folha pequena são árvores que em media nas cidades podem ter um crescimento controlado entre os 4 e os 10 metros e tem uma duração media de vida cerca de 100 anos (estas árvores devem ter cerca de 60 anos mais ou menos).

Estamos certos que agora a nossa acção, nomeadamente, as razões que nos levaram a tomar tão drástica medida, está esclarecida e justificada.

David Santos
Presidente Conselho de Administração
e-mail: presidente@fagar.pt

Ver mais aqui:
http://adefesadefaro.blogspot.com/2010/11/foram-se-as-arvores-do-largo-manuel_29.html

Valer a Pena

Mar Português

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma nao é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.

Fernando Pessoa, in Mensagem

domingo, novembro 28, 2010

O Acordo do IKEA com o Dr. Emídio

Não sei se foi o dr. Emídio que chegou a acordo com o IKEA, se foi o IKEA que chegou a acordo com o dr. Emídio. O que ficamos a saber é que o IKEA vem para a zona do Parque das Cidades. Sendo a atracção de investimento externo uma coisa hipoteticamente boa (ficou por fazer a relação entre a capacidade de criação de riqueza e de emprego e a capacidade de destruição de riqueza e de emprego que um empreendimento deste pode ter associado a si); o processo conduzido pelo dr. Emídio foi tudo menos transparente. Falta saber como é possível que o IKEA tenha comprado os terrenos antes da decisão pública estar tomada e como é possível que se altere o PDM para "meter lá dentro" terrenos agrícolas que de outra forma não podiam ser objecto de área de construção. Onde é que eu já vi uma estória deste tipo?

Ver mais aqui:
http://calcadaodequarteira.blogspot.com/2010/11/nunca-ha-fumo-sem-fogo.html

sábado, novembro 27, 2010

Os Algarvios Descontentes e Os Políticos Que Não Cumprem as Promessas

1. Dizia ontem na TSF um dos algarvios que protestava face à introdução de portagens na Via do Infante que "os algarvios estão descontentes" e que "os políticos não estão a cumprir a palavra dada". Não podia ter mais razão. O outdoor em cima, colocado há dias, pelo Almeida, no blogue Sebastião, ilustra a posição do partido socialista, há algum tempo atrás, sobre a introdução de portagens na Via do Infante. Nós sabemos que para o actual primeiro ministro e para este governo "associalista" o mundo pode mudar várias vezes por dia e quase ao minuto. Mas as populações estão fartas dos políticos recorrerem à mentira como estratégia de manipulação das massas e de serem ignoradas nas suas reinvindicações em prole do direito à existência condigna.

2. No actual contexto político, o protesto em massa possuíndo um efeito simbólico poderoso, é completamente ignorado pelos poderes instituídos, que usam o pretexto da "ditadura dos mercados" e a ideologia das "inevitabilidades" para fazerem ouvidos de mercador e abrem apenas os tímpanos aos interesses dos poderosos que efectivamente contam. A indecorosa excepção aberta ao corte macabro dos salários da função publica está aí para o demonstrar. Temo que na fase final do protesto, as populações partam para a desobediência civil, havendo muita gente que vai optar pelo não pagamento das portagens. Nessa altura o Estado "Austeritário" e Securitário (a compra dos blindados não é inocente) que aí está em risco de surgir, passará a levar a tribunal os "desordeiros" e a transformar em "criminosos" cidadãos de corpo inteiro.

3. Se isso vier a acontecer os autarcas "nim" vão ter que assumir a sua cota parte de responsabilidade nesta triste história. A imprensa local "assim assim", com raríssimas excepções, também pouco mais tem passado do que a "transmissão" das informações que os poderes oficiais lhes fazem passar (não poucas vezes de forma interesseira e habilidosa). Mas esta questão da imprensa regional e a sua relação com os poderes instítuidos é uma questão que teremos todo o gosto em aqui abordar em post futuro. Com autarcas "nim" e uma imprensa local "assim assim" é o interesse dos cidadãos do Algarve que vai ficando para trás.

Ver mais sobre a Marcha da Indignação aqui:

http://contrasensus.blogspot.com/2010/11/balanco-da-marcha-contra-as-portagens.html

E aqui: http://ssebastiao.wordpress.com/2010/11/27/rescaldo-da-marcha-da-indignacao/

Sobre o que passou na TSF ver aqui:
http://tsf.sapo.pt/PaginaInicial/Vida/Interior.aspx?content_id=1721328&tag=Faro


quinta-feira, novembro 25, 2010

A Indignação Já Está em Marcha

A Rua 125 não é requalificável. Fazer dezenas de rotundas umas a seguir às outras, não gera uma alternativa. É preciso que os autarcas Algarvios percebam isso. É já amanhã, a marcha da indignação. Leve uma VUVUZELA porque "eles" não ouvem!

Está tudo muito bem explicadinho aqui:

http://ssebastiao.wordpress.com/2010/11/25/indignacao-e-precisa/


quarta-feira, novembro 24, 2010

Notas de Um Dia de Greve

1. Ao nível nacional - A greve geral foi a maior de sempre da História da Sociedade Portuguesa. Nunca até aos dias de ontem tinha havido uma greve com esta dimensão em Portugal. Como sempre, apareceram alguns membros do governo a centrarem a questão na "guerra dos números" e a desvalorizarem a dimensão do protesto. No actual contexto político a maior parte dos membros do governo só ouve aquilo que quer e entende, o que a maior parte das vezes, é nada. A cada português uma vuvuzela é a única solução para o governo de Sócrates. A mensagem subjacente na dimensão da greve, essa já ninguém a tira.

2. A nível local - Positivo 1: O artigo de opinião do socialista Vitor Aleixo no jornal O Louletano justificando a sua adesão à greve. Totalmente de acordo com a opinião expressa no artigo. Afinal ainda há por cá Socialistas. Positivo 2: Ricardo Tomás e o Clube de Quarteira Socialista de discussão política. Pertinente a ideia, necessária mais do que nunca a discussão política, excelente a iniciativa, boa escolha dos dois primeiros temas. Vamos ver se este sinal de abertura, não é mais um fecho partidário, em torno agora, de outras personagens do partido. Se não fôr apenas isso, o caminho é mesmo esse.

2.1. A nível local - Negativo 1 - O último artigo do dr. Emídio nas (faço esta ressalva entre parenteses porque não encontro adjectivação para tão ilustre recanto jornalístico) colunas reservadas para autarcas no Correio da Manhã. A sua crença nos indivíduos e nas suas capacidades, é o neoliberalismo na sua versão mais pura. Tanta inconsciência de teoria política deveria ser interdita na política. Ficava-lhe muito bem a medicina. Negativo 2 - As afirmações do dr. Emídio que abrem a página do jornal O Louletano: "É preciso fazer mais com menos". Acredito que sim, mas assim eu também era governante de qualquer coisa. Passar a responsabilidade social e política para quem tem que resolver os problemas no terreno e justificar ideologicamente a escassez de recursos, lavando daí as suas mãos como Pilatos o fez perante a condenação à morte de Jesus Cristo, é uma boa forma de acabar com qualquer mínimo de responsabilidade colectiva. O mais ultraliberal dos autarcas do Algarve é o dr. Emídio. E aposto que ele nem sabe disso.

3. A nível internacional - O plano de austeridade do governo Irlandês prevê uma redução do défice público de 32% para 3% em quatro anos. Vai haver sangue, suor, lágrimas e explosão social na Irlanda e a seguir, mesmo já a seguir, é a vez de Portugal. A greve geral foi só o início da luta gigantesca que aí se adivinha. Como já aqui referi, Marx tinha razão. Hoje partilho de uma parte da sua profecia. Isto só lá vai não só com muita agitação, mas com a revolução. Não quero de forma alguma dizer com isto, venha daí o sistema comunista, mas os neoconservadores neoliberais que aqui nos conduziram e que agora nos vendem o "austeritarismo" para sair da crise, têm que por qualquer meio, ser destítuidos dos cargos de poder, ou pelo menos deixarem de "mandar" em quem está em posições de "poder", sob pena de qualquer dia a globalização da miséria deixar o zé povinho sem capacidade de reagir . Um dos caminhos é a luta política; mas já não sei (tenho dúvidas) se no actual estado de coisas, ela chegará, só por si, para isso.

4. Aos quarenta anos de idade, o actual contexto político fez de mim um mini Che Guevara do Algarve. Nunca imaginei que isso acontecesse e muito menos perante a governação de um governo socialista (associalista é talvez o termo mais correcto). É já Sexta-feira a Marcha da Indignação. Faça como eu, mexa-se e proteste, que os autarcas do Algarve, andam por cá, a fazer turismo.

Ver mais aqui:
http://viadoinfante2010.blogspot.com/

PS: A foto foi copiada do blogue Comissão de Utentes da Via do Infante. Volto a colocá-la, porque a escolha da foto não é feita ao acaso. É que ela é uma excelente metáfora.

Este Blogue Hoje Está Em Greve

Por motivos de grande desencanto, de um sério descontentamento com a situação económica e social do país e de um enorme repúdio por quem gere actualmente o país, o dono deste blogue está verdadeiramente zangado...volto amanhã...

segunda-feira, novembro 22, 2010

Uma Vereadora Atenta à Blogosfera

1. Quem não se sente não é filho de boa gente. Hortense Morgado, a vereadora recentemente vítima de "saneamento" (não sei se deva pôr aspas) político por parte do PS Loulé, sentiu-se da crítica a algumas afirmações suas expressas no seu blogue e feitas neste espaço pela minha pessoa. Confesso a minha satisfação pelo acompanhamento de alguns dos principais responsáveis políticos louletanos do que se vai passando aqui na blogosfera. Ao contrário do que se poderia pensar, a blogosfera mais não é do que mais um veículo entre muitos outros, que num tempo recente, veio permitir a explosão da palavra pública através da voz dos cidadãos. É muito positivo que a senhora vereadora valorize o que se passa na blogosfera.

2. Tendo sido talvez duro na crítica, devo dizer que simpatizo bastante com alguns dos aspectos da trajectória política de Hortense Morgado. Do acompanhamento distanciado que faço da política partidária apraz-me dizer que criei a ideia de estar perante uma mulher de convicções políticas. Foi assim a quando da sua posição contra o devastador abate arbóreo levado a cabo pela governação do dr. Emídio em Quarteira. Foi assim a quando perante um feroz ataque da masculinidade hegemónica dos homens de topo do partido, resistiu como poucos o saberiam fazer à luta interna partidária. Foi assim quando se assumiu como vereadora de corpo inteiro na Câmara Municipal de Loulé. O mesmo já não posso dizer de alguns dos consensualismos em "prole do desenvolvimento do concelho de Loulé" que vem manifestando nos últimos tempos como vereadora. Gostei mais da Hortense Morgado que luta pelas suas posições para conquistar posições (legítimas) no partido, do que a Hortense Morgado que "colabora" com o dr. Emídio na "salvação da Nação".

3. A reacção sentida da vereadora da Câmara de Loulé, deve-se à minha crítica à sua posição crítica, de a mesma defender que não basta que os movimentos de cidadãos assumam uma posição crítica face à governação, mas é preciso que os mesmos ajudem a encontrar alternativas e soluções políticas. Ora este é um ponto onde contínuo a exercer a minha postura crítica. Se é certo que não posso estar mais de acordo com a ideia de que cada cidadão deve dar o melhor de si (dentro das suas possibilidades muito desigualmente repartidas consoante os recursos económicos e culturais que dispõe) na construção colectiva da coisa pública, também é certo que a crítica política da crítica, com forte intensidade desde o governo de José Sócrates, mais não tem sido do que o exercer de uma forte pressão política para a anulação da crítica política.

4. É neste sentido que referi que Sócrates fez escola. Se alguns, com o exercício da crítica ao "bota baixismo" o fazem de forma plenamente consciente, sabendo bem o que estão a fazer, acredito, que este seja um discurso, que se compra e que se vende, muitas vezes, de forma mais ou menos inconsciente. Não sei se será o caso da senhora vereadora. Mas o contexto político mais vasto da crítica à "maledicência" deveria levar a uma reflexão do que é afinal a democracia. Esta disputa crítica com Hortense Morgado faz-me levar para uma reflexão que desde à algum tempo para aqui queria trazer. Sejamos claros. Se o discurso político governativo actual recorre à crítica da crítica, para desvalorizar a crítica política, é necessário relembrar com todas as letras que a critica é algo que percorreu toda a história das sociedades modernas, mesmo nos regimes de onde ela aparentemente poderia ser eliminada. Ao contrário do que algumas mentes maniqueístas nos querem fazer crer, o próprio lugar da crítica, tem no seu oposto, inevitavelmente, uma alternativa política.

5. Quanto alguém critica o devastador abate de árvores em frente à Câmara Municipal de Loulé, à Assembleia Municipal de Loulé e à sede do Partido Socialista, esse alguém, está a propor como alternativa social e política que a cidade deve manter as suas árvores, deve manter os seus espaços verdes e assim cultivar a ideia de desenvolvimento sustentável. Quando alguém critica a introdução do pagamento da derrama para os pequenos e médios empresários, está a propor a alternativa social e política de que, face à brutal crise económica, não é mais possível penalizar os pequenos e médios empresários sob pena de os sufocar economicamente. Quando alguém crítica a introdução de portagens na Via do Infante, está a propor a alternativa de não penalizar mais a economia da região e a dizer que não está disposto a correr o risco do aumento da sinistralidade rodoviária na Estrada Nacional 125.

6. Quando alguém crítica, é preciso procurar captar os fundamentos da crítica. Só a brutal incapacidade de escutar a voz dos cidadãos, o mesmo é dizer, a voz do povo, por parte do poder político, pode conseguir transformar a crítica política, no mais vulgar "bota abaixismo". Foi assim que se conseguiu o verdadeiro milagre de juntar mais de cem mil professores contra Sócrates e a sua Ministra da Educação.

7. Recorre Hortense Morgado a uma conhecida citação de Kennedy, para invocar a sua escola democrática. Certo dia, numa prova de exame, nos meus tempos de aluno da universidade, emoldurei a resposta a uma das perguntas colocadas com essa mesma citação: "Não perguntes o que pode o teu país fazer por ti, pergunta antes o que podes tu fazer pelo teu país". Até hoje estou convencido que a mesma professora que me dava sempre boas notas, desta vez utilizou esta passagem para que a nota ficasse por ali. Hoje, à distância, não posso deixar de pensar que esta afirmação de J. F. Kennedy, centrada sobre a valorização do individualismo meritocrático, mais não é, do que uma forma rebuscada de ideologia neoliberal. Em nome da responsabilização individual de cada um, o Estado e a colectividade podem desta forma aligeirar as suas responsabilidades. É esse o centro nevrálgico da ideologia neoliberal. Pior mesmo, depois de Kennedy, só o que que viria a defender Margaret Tacher nos anos 1980: Não existe sociedade, só existem os indivíduos. O descalabro está aí à vista.

8. Por fim, uma pequena observação. O argumento de Hortense Morgado que remete para o "uso da chupeta" não tem validade política. Equivale no espaço da ciência ao argumento "autoridade científica" baseado apenas e só no mero estatuto já conquistado pelo investigador veterano da ciência. Se o argumento "uso da chupeta" tiver valor, Salazar era um modelo perfeito a seguir. Stalin seria um excelente guia ideológico e Hitler um político às direitas. Felizmente o argumento "uso da chupeta" não conta. O que conta em democracia é mesmo o debate e o valor das ideias. Prezo muito que Hortense Morgado acompanhe o que se vai passando na blogosfera. Penso que é um exemplo a seguir pelos outros políticos. Com escuta activa, de preferência.

Ver a resposta de Hortense Morgado à minha crítica aqui:
http://hortense-morgado.blogs.sapo.pt/21383.html

domingo, novembro 21, 2010

Protesto Surpresa Contra As Portagens da Via do Infante

Helder Raimundo entrega uma mensagem de protesto contra a introdução de portagens na Via do Infante ao Presidente da Câmara Municipal de Faro, Macário Correia, no Dia da Memória, junto da Capela da Mãe Soberana. A Comissão de Utentes da Via do Infante considera que a Rua 125 não é alternativa, que não se pode requalificar uma coisa que não é requalificável e que para além dos danos económicos e sociais para a região do Algarve, o potencial aumento de sinistralidade rodoviária resultante do exponencial aumento de circulação na estrada nacional 125 é uma realidade muito provável. O Dia da Memória é também um dia que exige uma responsabilidade acrescida de todos!

Ver mais aqui:
http://viadoinfante2010.blogspot.com/

sábado, novembro 20, 2010

Uma Manhã de Protesto Junto à Casa da Mãe Soberana


Em solidariedade com a Comissão de Utentes da Via do Infante fui este Sábado de manhã participar numa acção de protesto contra a introdução de portagens na Via do Infante. Desde que Sócrates chegou ao governo, que algum do tempo do meu fim de semana que dedico habitualmente a "avançar" no trabalho, se "perde", em acções de cidadania, que as almas mais conservadoras e retrógadas rotulariam de "subversão" da ordem social. Nunca ao longo da minha vida um governo me deu tanto prejuízo pessoal.

Dez e quarenta e cinco da manhã estou a tomar o pequeno almoço no histórico café Cavaco. Em frente, no jardim de São Francisco, um grupo de crianças que não chegavam aos seus dez anos, acompanhados por um grupo de adultos, despertava consciências para a importância das questões ambientais.

Chego ao lugar do encontro, no Convento de Santo António e algumas impressões me percorrem a alma. A primeira diz respeito ao estado de degradação da zona exterior ao convento. Para quem quer fazer do mesmo, um cartão turístico de visita, era bom que se pensasse a requalificação do seu espaço exterior.

Em frente, aprendi nesta mesma manhã que estava a funcionar o mercado que é conhecido pelo "mercado dos ciganos". Sou confrontado, no imediato, com uma das mais poderosas marcas de segregação espacial, social e "étnica" dos territórios contemporâneos. O chão de terra batida está enlameado devido à chuva dos últimos tempos. Os ciganos são decididamente gente que toda a gente quer bem longe de si.

Dirijo-me então com os meus colegas de manifestação à casa da Mãe Soberana. Subo a mítica ladeira que dá acesso à capela e penso imediatamente nos bravos Homens do Andor que na grande festa da Mãe Soberana têm a coragem de a levar por ali acima aos ombros. Com quase cem quilos de peso, corro atrás do meu parceiro de faixa de protesto, pensando que a causa vale o esforço. Chegamos quase ao mesmo tempo da comitiva oficial.

Agarro num extremo da faixa com a mensagem de protesto e fico ali, firme e hirto, sabendo que a faixa falará por si própria. Comigo está gente de meia idade, gente responsável que exerce as suas profissões e que acha que a causa merece o seu tempo e esforço no investimento da cidadania em prole da região do Algarve.

Tudo a decorrer com a maior serenidade quando, de repente, vindo não se sabe de onde, um adjunto do governo civil se dirige a um dos elementos do grupo, que segura numa faixa de protesto e se empolga numa veemente contestação ao acto de cidadania que ali estava a ter lugar. O clima sereno do protesto por momentos pareceu entrar em ruptura. A acesa troca de palavras por pouco não gerava um desnecessário "incidente" de pancadaria. Não fica nada bem a um adjunto do governo civil a manifestação de um acto de cultura não democrática perante os cidadãos do Algarve.

O protesto, tal como a greve, é um direito consagrado constitucionalmente na República Portuguesa. Que o senhor adjunto do governo civil tenha outra opinião sobre as portagens na Via do Infante, está em todo o seu direito em tê-la. Não pode, até em função do cargo que representa, medir a democracia portuguesa, pela sua concepção reduzida de democracia, sob pena de qualquer dia, esta deixar de o ser. Afinal de contas, aquilo que verdadeiramente interessa aqui, é que todos os cidadãos defendam os interesses do Algarve e dos algarvios. A "estrada da morte", lembram-se?

PS: A foto em cima retrata um dos membros da Comissão de Utentes da Via do Infante no momento do protesto.

sexta-feira, novembro 19, 2010

Cidadãos Substituem Os Políticos Na Defesa Dos Interesses Do Algarve

"A Comissão de Utentes da Via do Infante vai realizar a sua 1ª 'acção-surpresa' contra as portagens na Via do Infante, amanhã, sábado, dia 20, em Loulé, com concentração pelas 11h00, junto do Convento de S. António (na base da Igreja da Mãe Soberana). A acção de protesto insere-se nas comemorações do Dia da Memória, organizado pelo Governo Civil de Faro e que pretende homenagear as vítimas de sinistralidade rodoviária. Para não acrescentar mais mortes à morte na EN125, com a introdução de portagens injustas e penalizadoras na Via do Infante, o protesto será feito junto da senhora governadora civil e da comitiva que se deslocará de Faro a Loulé (Igreja da Mãe Soberana). Contamos com o contributo de todos/as."

Ver aqui: http://loule2009.blogspot.com/2010/11/accao-surpresa-contra-as-portagens-na.html

e aqui: http://ssebastiao.wordpress.com/2010/11/19/dia-da-memoria/

quinta-feira, novembro 18, 2010

Do Operariado ao Precariado

Das metamorfoses da luta de classes

Das Regressões Sociais Associalistas

"Sim. É para sempre. É um corte para sempre." A declaração é do ministro de Estado e das Finanças, Teixeira dos Santos, ontem, no Parlamento, sobre os cortes salariais na Função Pública a vigorar em Janeiro de 2011.

http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/nacional/politica/reducao-salarial-e-para-sempre131928777

O Povo do Poceirão Anda Preocupado

"O povo do Poceirão anda preocupado. É lá que, segundo garante quem manda, no primeiro trimestre do próximo ano arrancam as obras da alta velocidade, mas as incertezas são muitas entre aquela gente que vive quase toda do cultivo da terra. Haverá mesmo uma estação na aldeia? Além do desenvolvimento, o que mais vem com os comboios novos? Mais crime? Mais imigrantes à procura de trabalho e que depois engrossam as fileiras dos desempregados? As perguntas são muitas e as respostas, dizem, poucas. É que "já se disse de tudo e o seu contrário", lembram alguns. O PÚBLICO foi conhecer "a terra mais falada na televisão, mas que poucos sabem onde fica", como afirma o presidente da junta de freguesia. Bem-vindos ao Poceirão, terra de vinhos, que "cumpre a tradição" e que vai ligar Portugal à Europa da alta velocidade. Pelo menos para já."

in http://economia.publico.pt/Noticia/o-tgv-ainda-nao-deu-nada-ao-poceirao_1459233

E do Poceirão a Lisboa a malta vai de burro ou de taxi...sei lá...logo se vê quando lá se chegar...

quarta-feira, novembro 17, 2010

Este indicador estatístico conta?

A taxa de desemprego foi de 10,9% no 3º trimestre de 2010

A taxa de desemprego estimada para o 3º trimestre de 2010 foi de 10,9%. Este valor é superior em 1,1 pontos percentuais (p.p.) ao observado no período homólogo de 2009 e em 0,3 p.p. ao observado no trimestre anterior. A população desempregada foi estimada em 609,4 mil indivíduos, verificando-se um acréscimo de 11,3% face ao trimestre homólogo e um acréscimo de 3,3% em relação ao trimestre anterior. O número de empregados diminuiu 1,1% quando comparado com o do mesmo trimestre de 2009 e 0,6% relativamente ao trimestre anterior.

Fonte: www.ine.pt

terça-feira, novembro 16, 2010

António Aleixo

Quem só veste o que lhe dão,
Vive sempre no inferno:
Traz sobretudo no v’rão
E anda em camisa no inverno.

domingo, novembro 14, 2010

Blogosfera Louletana em Destaque

O primeiro, o blogue do António Almeida, sobre os desvarios do Dr. Emídio;
http://ssebastiao.wordpress.com/2010/11/14/loule-a-cidade-fechada/

O segundo, do Helder Raimundo, que nos lembra, através de uma foto do blogue do António Almeida, como a memória dos líderes partidários locais é curta (e despida de coluna vertical!);
http://contrasensus.blogspot.com/2010/11/luta-contra-as-portagens-na-via-do.html

O terceiro, o da ex-vereadora socialista, agora já mais independente, que convida à pratica da democracia, mas com muito respeitinho, pois os movimentos reivindicativos, passo a citar: "devem fazer mais do que criticar. É preciso ajudar a realizar, ao invés de só reclamar". Sócrates fez escola;
http://hortense-morgado.blogs.sapo.pt/20908.html

sábado, novembro 13, 2010

Agitar as Massas



Bom fim de semana! Ter um puto de cinco anos em casa é uma aprendizagem fabulosa...

Novo Surto de Imbecilidade Política

Acabo de ver o Jornal da SIC Notícias das 24 horas. Os media, Sócrates, o aparelho político corporativo que gira em torno de Sócrates, e Pedro Passos Coelho reagiram em massa, qual reflexo condicionado pavloviano, a uma ligeira subida de um indicador económico bem selecionado entre muitos outros de sinal contrário, para nos vender novamente um optimismo agora já não só irrealista, mas imbecilizado. Quando a bancarrota se anuncia, quando o silêncio político cobarde em torno dos direitos humanos na China a quando da visita do grande ditador (é assim não é?) teve contornos de humilhação semelhante ao Ultimatum de 1890 e quando se espera a todo o momento a chegada do FMI, os nossos governantes viram, num efeito miraculoso de ilusão de óptica, a salvação da nação, na capacidade de exportação do aparelho produtivo português. Não há pachorra.

quinta-feira, novembro 11, 2010

Desempregados@hotmail.com

Na mesma semana que a ministra do Trabalho e da Solidariedade dizia publicamente nos media nacionais que "ninguém vai ser abandonado" e do que se trata é de "fazer mais com menos" (por onde andas, oh socialismo!) a Groundforce despedia por email centenas de trabalhadores no Algarve, região esta com a taxa de desemprego actualmente mais alta do país. É todo o sistema capitalista na sua forma selvagem de funcionar que é necessário questionar. Se o "poder" (?) político não regular democraticamente as "forças do mercado" neoliberal e continuar a actuar políticamente no sentido progressivo do enfraquecimento do seu próprio poder (isto é, o político) esta história não vai ter um final feliz para o ainda rico mundo dito ocidental. O compromisso entre capitalismo e democracia vai acabar por colapsar. A luta social tem que ser levada a cabo nas mais variadas frentes. Ao nível local, regional, nacional e internacional. Marx tinha razão. Trabalhadores e desempregados de todo o mundo, uni-vos!

Ver mais aqui:

terça-feira, novembro 09, 2010

Elevar o Gosto

Felizmente Ainda há Quem Não Coma e Cale: É que Abril Não é Apenas uma Data, é Todo um Ethos, Uma Maneira de Estar na Vida

"Tem sido dito, e com verdade, que a Via do Infante não tem comparação possível com as auto-estradas do Norte e do Centro e que, em algumas áreas são um enxame. Além disso, também foi já dito que a velha EN 125 não tem possibilidades de “requalificação” e se nesta se insistiu levando-a avante, foi no interesse exclusivo de empresas projetistas e construtoras, para ganharem algum com umas rotundas aqui, umas voltas ou reviravoltas acolá, mais uns troços que destroçam além ainda mais o que destroçado está. A 125 está praticamente toda urbanizada e ocupada, como estrada só existe no mapa pois no terreno é uma grande rua com travessas, alguns becos e milhentos enfiamentos inomináveis para urbanizações de casinhotos. É certo que a 125 liga terra a terra ou localidade a localidade, mas a cada ligação dessas corresponde uma ratoeira à entrada e outra à saída, além das armadilhas pelo meio, e tanto assim é que já tiveram que colocar em extensas áreas, separadores que nem nas auto-estradas existem, verdadeiramente uns muros de Berlim separando populações, interesses, vizinhanças e serviços e que nem acessos novos em redor e na proximidade evitaram e evitam... Requalificar a 125 como estrada é deitar dinheiro à rua, como estão a deitar, e o resto se verá – cada câmara isoladamente agradece tal requalificação (sempre é mais uma obra) mas numa perspetiva de região, a requalificação é um desastre."

Ver aqui o original por Carlos Albino:
http://smsjornaldoalgarve.blogspot.com/2010/09/sms-381-instalada-confusao.html

domingo, novembro 07, 2010

Ter o Bolo ou Comer o Bolo

1. Antes do jogo Porto-Benfica, disse em jeito de brincadeira que o Benfica levaria uma abada tão grande quanto a abada que Manuel Alegre vai levar de Cavaco e Silva nas próximas eleições. O Porto do ano passado tinha Hulk e o Benfica tinha Ramirez e Di Maria. Hulk quase dava para os dois, mas eles sempre eram dois. O Benfica deste ano não tem Ramirez e Di Maria e o Porto tem Hulk. Não se pode ter tudo. Querer ter o bolo e ao mesmo tempo comê-lo nunca deu bom resultado. Hulk é neste momento um dos melhores do mundo. O Porto de Hulk volta a ser a melhor equipa portuguesa.

2. Manuel Alegre é a favor da greve geral contra o governo de Sócrates (João Proença diz que não é nada disto) e é por sua vez apoiado pelo governo de Sócrates que gerou a greve geral que leva Alegre a contestar as políticas de Sócrates. Não se pode ter o bolo e comê-lo. As nossas escolhas, queiramos, ou não, têm consequências e as consequências para Alegre das suas escolhas é ser goleado eleitoralmente por Cavaco. Por seu lado, o partido que se diz socialista vai entrar em processo de sportinguização. Ter o bolo ou comer o bolo. Essa era a questão.

Do Empobrecimento das Classes Medias

Título do jornal Público de hoje: Classes "médias" recorrem à sopa dos pobres. A crise a provocar mobilidade social descendente. Sabendo nós que a experiência de regressão social é muito mais dolorosa do que a não ascenção social, o tempo é explosivo do ponto de vista das frustrações relativas e dos ressentimentos sociais. Como diz Boaventura de Sousa Santos é a democracia a caminhar para o seu suicídio.

Ver aqui o original: http://www.publico.clix.pt/Sociedade/a-classe-media-esta-a-chegar-a-sopa-dos-pobres_1464718?all=1

sábado, novembro 06, 2010

Das Filas do Desemprego

Notícia de primeira página no Correio da Manhã: Desempregados fazem fila de madrugada. Um dia destes saia eu de casa para o emprego, sete da manhã e já os desempregados faziam fila à porta do Centro de Emprego. O exército de reserva atinge em Portugal e em particular no Algarve proporções inéditas para os números a que estavamos habituados. As políticas de emprego têm que ser uma prioridade, sob pena de naturalizarmos aquilo que não tem que ser uma inevitabilidade.

quarta-feira, novembro 03, 2010

Quadros de Um País



http://observatorio-das-desigualdades.cies.iscte.pt/index.jsp?page=news&id=131

Aqueles 72% de população adulta dita activa, que tem o 9º ano ou menos, são fundamentais para perceber o país que somos ou não conseguimos ser. Na economia, na cidadania, na exigência face à qualidade dos poderes públicos, no prazer da chico espertice que há em cada um de nós quando nos vangloriamos de "enganar o Estado", etc, etc, etc...Um drama nacional...e não, não somos um país de doutores.