quarta-feira, janeiro 25, 2006

Noites de vendaval e bandeira de Portugal

Já vai longe o tempo em que procurei um «sítio» como este para poder partilhar com os cidadãos da terra de Loulé uma pequena inquietação (a determinada altura chamei-lhe de problema, mas com o passar do tempo foi fazendo parte da minha vida de todos os dias e agora passou ao estado de “pequena inquietação”....). Sem mas nem porquê, num dia como qualquer outro, olho para o castelo e lá está ela... formosa mas não segura.... a bandeira de Portugal no topo do Castelo de Loulé!
Pois é, para alguns pode ser apenas um dos símbolos do patriotismo dos louletanos, outros associam-na com certeza a uma manifestação colectiva de apoio permanente à Selecção Portuguesa... eventualmente haverá pessoas que acham que foi colocada como manifestação de conquista do Algarve aos muçulmanos.... mas, para outros poucos, que «co-habitam» com a mesma... deixou de ser uma mera bandeira portuguesa para passar a ser um elemento perturbador de sono e tranquilidade do lar! Pois é, tentem passar no silêncio da madrugada perto da dita bandeira e escutem o som estridente que a mesma emite em noites de vendaval....

segunda-feira, janeiro 23, 2006

Problemas da cidade de Loulé 5: Manuel Alegre e os Movimentos Civicos Independentes

No rescaldo destas eleições parece-me importante reflectir sobre alguns factos políticos da vida política nacional.

1. Um primeiro aspecto que um Louletano atento aos factos históricos não pode deixar escapar, é que é do concelho de Loulé o homem que vai ficar na História como Primeiro Ministro de Portugal durante 2 mandatos seguidos e agora como Presidente da República, com elevada probabilidade, de segundo a tradição, cumprir dois mandatos eleitorais. A História do Algarve e da Cidade de Loulé é assim central na História de Portugal.

2. Mário Soares (de quem a primeira dama é algarvia)não percebeu que o tempo tem tempos que só o tempo compreende.
O "air du temps",como diriam os franceses, não lhe foi claramente favorável.
Para além de uma sociedade cada vez mais pragmática e vazia ideologicamente, a "velhice" é socialmente considerada uma "morte social".
Soares tem o explendido mérito de tentar recuperar a ideologia (no sentido em que também as ideias condicionam os factos históricos) e de "provar" que ser velho não é sinónimo de inutilidade. Soares só por este facto voltou a escrever história.

3. Manuel Alegre adoptou uma causa que é mais do que legitima, desde que não venha dum homem com perto de trinta anos de vida partidária.
Criou uma ilusão de óptica, buscando legitimidade nos movimentos apartidários, agarrando uma causa que nunca foi sua toda a vida.
Para todos os efeitos é um homem do aparelho do partido socialista.

4. Francisco Louça, o mais esclarecido dos candidatos, aquele que apresenta mais consistência política, sofre do problema ideológico.
Se o seu discurso atinge as classes sociais mais jovens da "nova pequena burguesia" urbana, não passa na velhas classes médias e nas classes médias poucos escolarizadas e mais perto do campo económico da vida social.
O seu partido para já não tem base social de crescimento.

5. Jerónimo, figura muito mais carismática que Carlos Carvalhas consegue criar a ilusão do renascimento do partido comunista. O problema destes lideres carismáticos, é que quando os mesmos saiem do partido, fica um vazio social há sua volta.
Max Weber sociólogo brilhante do século XIX, já assinalava que a substituição de um líder carismático corre o risco de trazer dificuldades aos novos líderes na sua busca de legitimidade.

6. Da candidatura de Garcia Pereira, fica a visibilidade do "défice democrático" existente no nosso país (é uma espécie de democracia quanto baste) e da visibilidade social do excessívo poder dos media nas sociedades de modernidade avançada.
Numa era em que só quem aparece nos media é que tem existência social, um candidato presidencial a quem lhe seja negado o acesso ao mundo mediatico é um candidato inexistente socialmente.
Os media revelaram no seu esplendor como estão subordinados quase à lógica meramente económica.

7. Por fim...e o mais importante para a cidade de Loulé...a crise de legitimidade da democracia representativa sob a forma de "partidocracia".

Reflectindo com os meus botões, não pude deixar de pensar porque designei este espaço de MOVIMENTO APARTIDÁRIO DA CIDADE DE LOULÉ uns dias antes da votação de Alegre...reparem antes...e não depois...

Todos os estudos sociológicos do mundo dito ocidental apontam para os mesmos resultados:

- Crise de legitimidade da democracia representativa.

- Elevadas taxas de abstenção, em algumas eleições chegando aos 50%.

- Elevada desconfiança dos cidadãos face aos políticos.

- Em Portugal, elevada desconfiança face o Estado como pessoa de bem.

- Alheamento da vida política partidária e indiferença face à vida partidária por parte da maioria dos cidadãos.

- Vontade crescente de formas de participação social e política fora da vida partidária.

Por tudo isto Manuel alegre está cheio de razão, o problema é apenas, que a razão está com o homem errado nas causas certas.

É por isso que criei este espaço...para que seja um primeiro passo na reunião dos cidadãos que não tendo voz na participação política da vida da polis, pelo menos que tenham ao nível da reflexão...é também nisto que as novas tecnologias podem contribuir para o regenerar da vida democrática...a democracia tem que caminhar para formas de democracia participativa...sob pena de o deixar de ser um dia...

Abraços para todo o pessoal e um apelo...participem...participem...

sábado, janeiro 21, 2006

Problemas da Cidade de Loulé 4: Globalização, neoliberalismo e o Idalécio das Ovelhas

Três da tarde de Sábado na cidade de Loulé.A rotina habitual.
Fui buscar o jornal Expresso, jornal que nem sei porque compro. Aproveito e peço o público, jornal que verdadeiramente aprecio. E lá vou comer uns deliciosos carapaus assados no restaurante "O Beco".
Bom peixe grelhado, muita simpatia de quem atende, mas como não consigo estar muito tempo no mesmo lugar, terminado o almoço, vou até ao Avenida beber o cafézinho da praxe e por as minhas leituras em dia.
Loulé é admirável para quem quer disfrutar da tranquilidade do fim de semana.
Do Beco ao café Avenida, trajecto curto mas de boa digestão, deparo-me com o encontro habitual:
-O Idalécio das ovelhas. Vejo-o a vir na minha direcção e as contradições aparecem na minha memória. Oh não,lá vem o gajo pedir-me a moedinha habitual.
Mais um euro que vai à vida. Pode ser que o tipo não me veja.
Isto de dar todos os dias uma moedinha saí caro ao fim do mês, no fim do ano se calhar até ia de férias ao Brasil.
Mas enfim, c'est la misère du monde como diria Bourdieu e a moedinha de um euro lá sai da algibeira do João para o bolso do Idalécio.
E a história repete-se até ao infinito sempre que encontro o Idalécio das Ovelhas.

Poderia ser um episódio isolado mas não é de forma alguma. Mais uma vez estamos perante um problema social de contornos estruturais.

Com o processo de globalização hegemónico "incentivado" pelas doutrinas capitalistas neoliberais as desigualdades sociais e a exclusão social têm-se vindo a agravar progressivamente.

O último relatório de Desenvolvimento da ONU constatava o aumento das desigualdades sociais à escala mundial entre países ricos e países pobres, assim como o aumento das desigualdades e das disparidades de rendimento no interior dos países mais ricos.

Em Portugal a diferença dos 20% dos cidadãos mais ricos e os 20% mais pobres também evoluiu no sentido de uma maior disparidade social. A pobreza no nosso país entre a absoluta e a considerada relativa anda há volta dos 2 milhões de pobres o que significa 20% da nossa população.

O fenómeno é constante em quase toda a parte do globo terrestre com algumas honrosas excepções.

Criamos também o "quarto mundo" dentro dos paises ditos mais desenvolvidos e assistimos a processos crescentes de "desafiliação" social tal com refere o sociólogo francês Robert Castel.

Se o capitalismo industrial do século XIX provocou nas palavras e Karl Marx uma geral "pauperização" social com o afastamento do trabalho das fábricas a quem ele não acedia, os chamados indigentes, vagabundos e marginais; as sociedades globalizadas de hoje com a metarmorfose da questão social fracionaram o tecido social entre os que estão "in" e que pertencem às classes medias e altas e têm emprego fixo, protecção social, vivendas com videoviligância e segurança social efectiva (apesar de serem estes os que por vezes mais se sentem inseguros).

Do outro lado os que estão fora e à margem da sociedade, os Idalécios das ovelhas, os que estão "OUT", sem emprego ou com empregos precários, sem habitação minimamente condigna, vivendo nos bairros "problemáticos" como os designam jornalistas e políticos e pior que tudo excluídos das condições minímas de acesso à cidadania e de uma identidade pessoal e social condigna.

É por isto que entro em dissonânica cognitiva cada vez que vejo o Idalécio.

Por um lado penso...bolas...menos uma moedinha...era mais um brinquedo que comprava para o Pedro...

Por outro...são estas as principais vítimas de um sistema que serve cada vez mais a cada vez menos (os que mais beneficiam com o sistema claro) actores do sistema social global.

Tenho também que referir que os casos de risco de exclusão social visíveis em Loulé também não me parecem tantos quanto isso e que a intervenção da autarquia e dos organismos competentes, assim como de grupos de cidadãos que resultem do que Boaventura Sousa Santos designa de "sociedade providencia" poderiam ajudar a resolver alguns destes casos.

Abraços e espero pelos vossos comentários e de iniciativas quem sabe...

João Martins

segunda-feira, janeiro 16, 2006

A saga dos infantários



Num domingo igual a tantos outros, pelas três horas da tarde fui beber café num desses poucos estabelecimentos que estão abertos em Loulé.
Conversa para cá, conversa para lá e a páginas tantas estava um homem a comentar que era o número quinze da fila... da fila, pensei.... mas que fila? Uma fila numa tarde de Inverno de domingo em Loulé???.... Bilhetes para os U2 não era com certeza, e para o Mundial também é um pouco cedo....
Há medida que a conversa avançava, o senhor falou em dormir, saco cama, passar a noite.... A minha inquietação aumentou.... Descobri momentos depois que o senhor que bebia café estava na fila de uma creche / infantário para inscrever a sua criança no infantário!!!
Não pode ser! (pensei).
Como Loulé é uma terra pequena, hoje encontrei um amigo que foi pai de uma criança há bem pouco tempo. Perguntei como estava o seu pequeno rebento e ele rapidamente começou a contar-me: olha, desde Sábado ao fim da tarde que estive na fila (do dito infantário) para a inscrever. No Sábado ia lá só para deixar o carro, pensando que a tarefa árdua da espera seria no Domingo... mas quando lá chegou por volta das 20h já estavam pessoas nessa fantástica fila! Lá ficou.... (a criança ficou inscrita, mas a vaga não é garantida).
Parece-me a mim que há qualquer coisa de estranho em todo este aparato...a escassez de um serviço que deveria de estar disponível para todos faz com que pais corajosos esperem dois dias e duas noites para poderem inscrever (como já referi em cima, sem qualquer garantia) os seus rebentos numa instituição....Peço desculpa pela indignação, mas não poderia deixar de a partilhar convosco

domingo, janeiro 15, 2006

Sem comentários...


Esta é o que se afigura ser a próxima paisagem da costa algarvia! Segundo o Jornal Expresso de ontem, a plataforma mais próxima fica a 10 km da terra. És tu que vais para esta praia? E dar um mergulho?

Problemas da cidade de Loulé 3: Petróleo e Turismo não combinam

Volto novamente ao problema dois porque me parece que este é o mais grave problema que o Algarve e a cidade de loulé têm para resolver das últimas dezenas de anos.

Senhores políticos da região do Algarve e senhor presidente da Câmara Municipal de Loulé, por amor de Deus, eu que não sou católico, mexam-se para impedir este negócio.

Petróleo, turismo e ambiente é como juntar o Paulo Portas, a Odete Santos e o Cavaco e Silva no Big Brother. Não combinam, não combinam de forma nenhuma.

Ponto 1: O Algarve vive essencialmente do turismo de sol e praia. Não é de qualquer outro tipo de turismo, é de sol e praia que falamos e para isso precisamos de praias de qualidade em termos ambientais.

Ponto dois: Instalações petroliferas no Sotavento Algarvio é um atentado ecológico de graves proporções para todo o sistema ecológico existente nesta zona.

Ponto 3: Isto significa risco de poluição pela própria extracção do petróleo, aumento do tráfego de petroleiros para cargas e descargas, aumento do risco de acidentes com petroleiros e ainda poluição da qualidade do ar pelo permanente funcionamento das instalções de extracção petrolifera.
Pelo menos estes os que me ocorrem de imediato e que não são já poucos.

Ponto 4: Qualquer desastre ambiental na costa será o descalabro para a actividade turistica da região.

Ponto 5: Ninguém vai querer frequentar praias de costas onde se faz extracção petrolifera.

Ponto 6: É o caminho inverso que o Algarve deve levar, de que é um excelente exemplo a certificação de qualidade ambiental da praia de Vilamoura.

Ponto 7: Se o negócio se concretizar não tenho dúvida que só com corrupção politica é que uma coisa destas é possível e que se este negócio vai engordar meia duzia de industriais do petróleo e de governantes nacionais e quem sabe locais, os autarcas Algarvios não podem deixar de ser responsabilizados pela sua omissão a uma decisão que afecta milhares de pessoas.

Ponto 8: A política energética nacional não passa no futuro pelo petróleo, nem sequer pela energia nuclear, mas por uma aposta forte nas energias alternativas , mas aí os nossos políticos ainda não estão para aí virados.
O futuro aos olhos destes senhores em termos de energia ainda passa pelo "ouro negro" e pouco mais.

Passem a palavra aos vossos amigos e conhecidos para que contestem este vergonhoso negócio feito à revelia dos cidadãos.

Em prole de uma região sustentável do pondo de vista económico e ambiental.

Abraços

quinta-feira, janeiro 12, 2006

Problemas da cidade de Loulé 2: O princípio do fim do Algarve

Caros concidadãos, alguns dias atrás encontrei perdida num cantinho do jornal Público, uma noticia sobre a morte futura do Algarve.
Era daquelas notícias que ao contrário dos golos do Simão não abre as páginas dos telejornais, nem vem nas primeiras páginas dos jornais locais e nacionais mas que diz respeito à vida de milhares de pessoas.

O que era esta morte futura do Algarve?

Se o lobbie do triângulo construtores civis, autarquias municipais e clubes de futebol contribuiu (e continua a contribuir) grandemente para o desordenamento do território Algarvio, arrumando com o Algarve como destino turistico paradisiaco e originou a campanha do "Vamos para fora cá dentro" a que alguns denominam, com um ethos burguês, de "Turismo de pé descalço", o lobbie do petróleo e do gás natural em conjunto com outros lobbis misteriosos da Assembleia da república vão por fim ao Algarve como destino turistico e dar cabo do que ainda resta e faz desta região uma região fortemente dinâmica.
Pois é, a notícia dizia respeito ao negócio "secreto" do petróleo e do gás natural ao largo da costa Algarvia, que para pasmo de um modesto cidadão como eu, estaria em vias de concretização sem o conhecimento dos autarcas do algarve.

Andarão estes senhores distraídos?

Não terão percebido ainda que petróleo, gás e turismo não combinam?
Ou será que estarão a pensar inventar uma nova forma de turismo, do género turismo petrolifero?

Caros cidadãos da cidade de Loulé se este negócio se concretizar é inevitavelmente o fim do Algarve como região turistica.

É essecial desde já, cidadãos, autarcas, empresários do turismo, associações ambientais mobilizarem-se para aquilo que é um interesse vital para a região do Algarve.

A alternativa é centenas de petroleiros e outros navios de grande porte a transportar produtos tóxicos ao largo da nossa costa. As industrias instaladas a poluirem diariamente a qualidade das águas e tendo como consequência a passagem do turismo de sol e mar para a emigração dos algarvios para outras zonas do globo à procura de um "lugar ao sol".

Mobilizemo-nos meus amigos, mobilizemo-nos...
Ergam as vossas vozes bem alto nos sítios em que ela se faça ouvir.

Espero contributos

Um abraço

terça-feira, janeiro 10, 2006

Problemas da cidade de Loulé 1: Sobre crianças e infantários

Caros concidadãos da cidade de Loulé hoje gostava de partilhar um problema pessoal que tenho a certeza que é essencialmente social.
Gostava de vos dizer que há muito pouco tempo tive uma das maiores alegrias da minha vida, fui pai do bébé mais bonito do mundo.
Começei assim uma nova aventura social assumindo um novo papel social que esperaria eu desempenhar da melhor maneira.
Não sendo filho de milionários e tendo que trabalhar duro na selva do mercado capitalista global, tal como a minha esposa, para sobreviver, dei por mim à procura de infantários no concelho desta bela cidade para poder colocar o meu filho procurando assim manter os empregos do pessoal lá de casa.
Depois de ter feito a volta ao infantário no concelho de Loulé, qual Lisboa-Dakar, e de ter feito inscrições em todos aqueles que a aceitaram, acabei por encontrar a melhor solução para o meu rebento.
Ficou responsável pelo rebento a avô materna, que de resto foi a melhor educadora que ele poderia encontrar. Isto porque nenhum guarda crianças pode/quis ficar com o mais lindo bébé do mundo.
Tudo isto não seria dramático se a mesma para cuidar do bébé não tivesse que deixar de trabalhar, diminuindo assim o rendimento disponivel do conjunto do agregado familiar.
Caros concidadãos, depois não nos admiremos que estejamos em recessão demográfica, que os jovens casais adiem os planos do casamento, que adiem os planos face ao futuro e que quando optam por ter filhos muitos tenham que se despedir para que possam educar os seus filhos. A isto chama-se políticas de fomento de igualdade de oportunidades, tal e qual como refere a nossa constituição

Como cidadão da cidade de Loulé considero inadmíssivel que em troca de infantários, se construam estádios de Futebol, com o dinheiro dos contribuintes, que dão um prejuizo enorme às autarquias, não contribuem para o desenvolvimento económico e social das populações e em que os jogos desportivos que lá decorrem têm uma audiência de meia dúzia de gatos pingados.

Onde está o sentido das prioridades meus senhores, onde está o sentido das prioridades?

Proponho a solução de se fazer uma adaptação e construir infantários aproveitando as superinstalações do estádio do Algarve e que da relva do campo de futebol se faça um jardim para crianças...para que os nossos bébes de hoje não se tornem os adultos tristonhos do amanhã.
Fico à espera dos vossos comentários.

Um abraço para todo o pessoal do concelho deste indigena nascido em Louroé.