quinta-feira, julho 30, 2009

(Re) Leitura para férias...

Sinopse

Este livro, largamente baseado na experiência pessoal e na observação de um dos maiores historiadores da actualidade, é de incontornável importância para a compreensão do nosso século e daquilo que podemos esperar em relação ao futuro. Dividida em três grandes partes - 'A Era da Catástrofe', 'A Era do Ouro', 'A Derrocada' - «A Era dos Extremos» constitui um balanço da época que decorreu entre o início da Primeira Guerra Mundial e a Queda do Muro de Berlim, que balizam este "século breve". Escrito do ponto de vista de quem acredita nas potencialidades da razão e da ciência, este ensaio de grande fôlego constitui uma análise incisiva e multifacetada de questões tão amplas e profundas como a Guerra Fria, o Terceiro mundo, as vicissitudes da economia, a falência das ideologias, a crise das artes entre outros temas de capital interesse. A obra culmina com uma antevisão do que será o século XXI, baseada numa argumentação solidamente fundamentada.

Sinopse copiada daqui: http://www.wook.pt/ficha/a-era-dos-extremos/a/id/46324

Um livro fundamental para quem quiser compreender o século XX e que nos ajuda a perspectivar as dinâmicas dos futuros possíveis da humanidade.



(Re) Leitura para férias...

No livro conta-se a história de Winston, um apagado funcionário do Ministério da Verdade da Oceania e de como ele parte da indiferença perante a sociedade totalitária em que vive e passa à revolta, levado pelo amor por Júlia e incentivado por O'Brien, um membro do Partido Interno com quem Winston simpatiza; e de como acaba por descobrir que a própria revolta é fomentada pelo Partido no poder. E também de como, no Quarto 101, o chamado "pior lugar do mundo", todo homem tem os seus limites.
A trama passa-se na Pista nº. 1, o nome da
Inglaterra sob o regime totalitário do Grande Irmão (no original, Big Brother) e sua ideologia IngSoc (socialismo inglês), e conta a história de Winston Smith, funcionário do Ministério da Verdade, um órgão que cuida da informação pública do governo. Diariamente, os cidadãos devem parar o trabalho por dois minutos e dedicar-se a atacar histericamente o traidor foragido Emmanuel Goldstein e, em seguida, adorar a figura do Grande Irmão. Smith não tem muita memória de sua infância ou dos anos anteriores à mudança política e, ironicamente, trabalha no serviço de rectificação de notícias já publicadas, publicando versões retroactivas de edições históricas do jornal The Times. Estranhamente, ele começa a interessar-se pela sua colega de trabalho Julia, num ambiente em que sexo, senão para procriação, é considerado crime. Ao mesmo tempo, Winston é cooptado por O'Brien, um burocrata do círculo interno do IngSoc que tenta cooptá-lo a não abandonar a fé no Grande Irmão.
De fato, Mil Novecentos e Oitenta e Quatro é uma
metáfora sobre o poder e as sociedades modernas. George Orwell escreveu-o animado de um sentido de urgência, para avisar os seus contemporâneos e as gerações futuras do perigo que corriam, e lutou desesperadamente contra a morte - sofria de tuberculose - para poder acabá-lo. Ele foi um dos primeiros simpatizantes ocidentais da esquerda que percebeu para onde o stalinismo caminhava e é aí que ele vai buscar a inspiração - lendo Mil Novecentos e Oitenta e Quatro percebe-se que o Grande Irmão é baseado na visão de Orwell sobre os totalitarismos de vária índole que dominavam a Europa e Ásia na época. Stalin, também Hitler e Churchill foram algumas das figuras que inspiraram Orwell a escrever o romance.
O Estado controlava o pensamento dos cidadãos, entre muitos outros meios, pela manipulação da língua. Os especialistas do Ministério da Verdade criaram a
Novilíngua, uma língua ainda em construção, que quando estivesse finalmente completa impediria a expressão de qualquer opinião contrária ao regime. Uma das mais curiosas palavras da Novilíngua é a palavra duplipensar que corresponde a um conceito segundo no qual é possível o indivíduo conviver simultaneamente com duas crenças diametralmente opostas e aceitar a ambas. Os nomes dos Ministérios em 1984 são exemplos do duplipensar. O Ministério da Verdade, ao rectificar as notícias, na verdade estava mentindo. Porém, para o Partido, aquela era a verdade. Assim, o conceito de duplipensar é plausível a um cidadão da Oceania.
Outra palavra da Novilíngua era
Teletela, nome dado a um dispositivo através do qual o Estado vigiava cada cidadão. A Teletela era como que um televisor bidirecional, isto é, que permitia tanto ver quanto ser visto. Nele, o "papel de parede" (ou seja, quando nenhum programa estava sendo exibido) era a figura inanimada do líder máximo, o Grande Irmão.
No livro, Orwell expõe uma teoria da Guerra. Segundo ele, o objectivo da guerra não é vencer o inimigo nem lutar por uma causa. O objetivo da guerra é manter o poder das classes altas, limitando o acesso à educação, à cultura e aos bens materiais das classes baixas. A guerra serve para destruir os bens materiais produzidos pelos pobres e para impedir que eles acumulem cultura e riqueza e se tornem uma ameaça aos poderosos. Assim, um dos lemas do Partido, "guerra é paz", é explicado no livro de Emmanuel Goldstein: "Uma paz verdadeiramente permanente seria o mesmo que a guerra permanente".

Ver aqui: http://pt.wikipedia.org/wiki/1984_(livro)

terça-feira, julho 28, 2009

Caminhando...


Caminante, son tus huellas
el camino, y nada más;
caminante, no hay camino,
se hace camino al andar.
Al andar se hace camino,
y al volver la vista atrás
se ve la senda que nunca
se ha de volver a pisar.
Caminante, no hay camino,
sino estelas en la mar.

António Machado - Poeta sevilhano

Internet e Escolaridade

Existe uma clara relação entre mais escolaridade e utilização da internet. Os usos e utilizações do Magalhães parecem assim estar dependentes do capital cultural e escolar dos indivíduos e suas famílias.

Ver mais aqui: http://observatorio-das-desigualdades.cies.iscte.pt/index.jsp?page=indicators&lang=pt&id=36

Fazer do combate à pobreza uma prioridade política

Vale a pena ler tudo o que o João Rodrigues escreve. Mais um artigo no "i":

Pobreza e escolhas políticas

Os últimos dados do INE sobre os níveis de pobreza ilustram as consequências das escolhas políticas. Comecemos com as boas notícias. Registou-se um decréscimo dos níveis de pobreza entre os reformados. Mesmo assim, mais de um quinto vive na pobreza. O complemento solidário de idosos terá contribuído para os resultados positivos, mas modestos, num país onde cerca de 80% dos reformados da Segurança Social não ganham o equivalente ao salário mínimo. Passemos às más notícias. A taxa de pobreza aumentou entre os que trabalham e entre os que estão desempregados, o que faz com que globalmente se mantenha nos 18% em 2007, último ano do inquérito do INE.

Isto quer dizer que antes de a crise do capitalismo global fazer sentir todos os seus efeitos nefastos, os níveis de pobreza permaneciam elevados. Não se pode esperar que uma política social de generosidade limitada possa compensar a complacência face ao crescimento do desemprego e do trabalho precário, reflexo de um capitalismo cada vez mais medíocre em que não se toca. A crise estará à vista de todos nas próximas estatísticas da pobreza, agora que o desemprego roça os dois dígitos.

Ainda por cima, as alterações realizadas pelo governo em 2006, ancoradas numa política populista do "vai trabalhar malandro", reduziram a percentagem de desempregados com acesso ao subsídio. Isto atingiu sobretudo os trabalhadores precários, que auferem salários mais baixos e que são os primeiros a conhecer o desemprego. Hoje temos mais de duzentos mil desempregados sem qualquer apoio. Estas escolhas, por acção e omissão, são coerentes com um código do trabalho liberalizador e traduzem uma recusa política em fixar regras mais exigentes para os mais fortes. Regras que deveriam assegurar um maior equilíbrio nas relações laborais, favorecer a negociação colectiva centralizada e gerar incentivos para a modernização da estrutura produtiva e para o aumento das qualificações.

As políticas públicas devem enviar um sinal claro aos sectores mais retrógrados do patronato: não podem continuar a sobreviver e prosperar através da transferência sistemática de custos e de riscos para os trabalhadores sob a forma de salários de pobreza ou da insegurança da precariedade. Esta estrutura económica é uma máquina de gerar pobreza. Repartir melhor direitos e obrigações pode ajudar a destruir esta máquina. No entanto, propostas sensatas, facilitando o acesso ao subsídio de desemprego ou limitando severamente o alcance e a duração dos contratos a prazo, foram recusadas pelo PS. Recusas que não ajudam a combater a pobreza.

Economista e co-autor do blogue Ladrões de Bicicletas

Ver aqui na fonte: http://www.ionline.pt/conteudo/15180-pobreza-e-escolhas-politicas

segunda-feira, julho 27, 2009

Jagunçocracia

Em Loulé ameaças de morte nos cartazes eleitorais. No Chão da Lagoa, a democracia é abatida a tiro. Saltamos da partidocracia para a jagunçocracia. Esperemos ficar por estes dois tristes episódios. Isto promete.

Ver aqui: http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1318399&seccao=Madeira

Para saber mais sobre a definição de jagunço ver aqui: http://pt.wikipedia.org/wiki/Jagun%C3%A7o

domingo, julho 26, 2009

Música...colorida...

Martinho da Vila - Mulheres



Em Faro, Quarta-feira, dia 29 de Julho. Martinho da Vila e Gilberto Gil.

Boa semana de trabalho!

Do engodo à esquerda ou a pesca à linha do governo PS

É triste que agora nos ameacem com o bicho papão. Escolher entre Manuela e José. É melhor votar José senão vem aí Manuela. Eu não voto José. Ponto final. Sei que depois do José, se vai a Manuela. Pode ser que depois surja uma alternativa em vez de uma mera alternância. E isto não é forma de colocar as coisas. Já bastava o dr. Soares a acenar com o bicho papão da "ingorvernabilidade". Felicidades ao Professor Vale de Almeida.

Ver aqui o post do João Rodrigues do Ladrões de Bicicletas: http://ladroesdebicicletas.blogspot.com/2009/07/os-tempos-ainda-correm.html

É também assim que as “reformas” actuais se impõem: primeiro gera-se o medo do futuro, com previsões catastrofistas matraqueadas todos os dias. Perante o medo as pessoas apenas desejam que não sejam elas as visadas pelas “reformas” e calam-se. Multiplicado por todas as pessoas, esta atitude leva a uma desmoralização generalizada, que redunda numa self-fulfiling prophecy: a ideia de que já ninguém está para isso e de que o mundo é mesmo assim, sem escolhas, sem alternativas, sem sequer se perguntar se é mesmo assim (…) Na Europa, infelizmente, Portugal parece ser um exemplo de vanguarda. Do governo às empresas, passando pelas universidades. Um “bom” político hoje já não é a criatura vagamente populista que promete coisas boas, mesmo que incumpríveis; é antes a criatura que sabe assustar. Já repararam como o optimismo - ou sequer a promessa de que depois de alguns sacrifícios virá a compensação - desapareceu completamente do discurso político (uma vez mais, a todos os níveis) português?».

Miguel Vale de Almeida nos Tempos que Correm. Agora parece que os tempos deixaram de correr. Simplex. Afinal de contas, o que Miguel Vale de Almeida nos propõe para justificar a sua eleição como deputado do PS de Sócrates, de cujas políticas foi um dos mais argutos críticos, é a nova conjuntura política criada pela vitória do PSD nas europeias. A política do voto útil é apenas uma das faces da desmobilizadora política do medo. Uma política que ajudará à imposição das “reformas” que MVA tão bem criticou. Como MVA descobrirá se o seu apelo à maioria de Sócrates, que perpetua uma correlação de forças conservadora, for bem sucedido. Espero que não seja. Não há boas razões para que seja. A coerência não é para aqui chamada. As razões das escolhas, sim. Leiam com atenção o que Francisco Oneto e Nuno Teles escreveram. Quem é que à esquerda, mesmo sendo «liberal», pode querer mais quatro anos deste plano inclinado? Quatro anos de neoliberalização da provisão pública, quatro anos de política que trucida funionários, quatro anos de austeridade assimétrica, quatro anos de consolidação do Estado predador, quatro anos de amputação da segurança social pública, quatro anos de código de trabalho empresarialmente correcto, quatro anos de aumento da precariedade. A memória é uma arma. Contra o medo. Esperança assente em políticas socialistas alternativas.

Entre o E Pluribus Unum e o Dura Lex Sed Lex

Vilarinho ao seu melhor nível...



Nasci em 1970. A costela que tradicionalmente Deus concede a Eva, concedeu-me a mim o privilégio de ser benfiquista. Não há cultura que resista. Foi o genes que predeterminou o facto de eu ser benfiquista. Desculpem lá contrariar toda a teoria das ciências sociais (levem estas palavras na brincadeira). Foi a combinação genética e pronto. Ou, se quiserem, Deus e a genética, fizeram de mim, o ser do benfica. Os meus filhos também. Podem escolher género, religião, profissão, tudo o que quiserem. Deus e a genética fizeram deles benfiquistas. A cultura foi derrotada (a brincar novamente). Mas há limites para tudo. E um homem não pode mudar de clube por desgosto. Nem confundir a grandiosidade do clube com os seus actuais dirigentes. Depois chegou a censura. A TVI foi proibida de entrar numa conferência de imprensa. Pela voz do senhor Gabriel, jornalista de há muitos anos. Nada como alguém do meio para fazer o que nunca aceitaria que lhe fizessem a si. Não tenho dúvidas. Entre o "E pluribus unum" e o "Dura lex sed lex" que venha este último. É que nem "isto" pode ser uma República das Bananas, nem o futebol pode ser um Estado acima do Estado. Não pode, mas pelos vistos ainda é. Agora não estou a brincar. Levem isto muito a sério.

sábado, julho 25, 2009

Desenvolvimento Sustentável?

Loulé - Algarve - Portugal

Praia das Marias - Dunas Douradas


Para a História Política do Concelho de Loulé

Conferência de Imprensa de Joaquim Vairinhos



E a respectiva Nota de Imprensa:

A liberdade de expressão e informação e o direito de participação na vida pública constituem dois princípios constitucionais em que assenta a estrutura fundamental do regime democrático que vivemos em Portugal, há 34 anos.

Os partidos políticos, à semelhança de qualquer cidadão, têm o direito de poder expressar livremente o seu pensamento pela palavra, pela imagem ou por qualquer outro meio.

Os cidadãos são detentores do direito alienável de participar na vida política e na direcção dos assuntos públicos do país, no qual se inclui necessariamente o Município de Loulé, participando em quaisquer actividades de natureza política, cívica ou mesmo social, de acordo com a sua motivação para o exercício da cidadania.

A maioria PSD, actualmente responsável pela gestão do concelho de Loulé, desde há muito que tem vindo a adoptar uma prática política inibidora e condicionante do exercício de tais direitos, intimando e condicionando os cidadãos, que não partilham a sua linha de pensamento e de acção, a condicionarem a sua vida pública e até profissional ou empresarial, prática que se agravou de uma forma bem marcante neste período pré-eleitoral.

As práticas pidescas de sistemático controlo e recriminação da vida social das pessoas, questionando-as sobre os gestos mais simples do seu dia-a-dia, como seja o de conviver socialmente, as relações profissionais ou mesmo empresariais, induzem um clima de medo e de suspeição e estimulam práticas reprováveis de coação sobre a actividade política na área do Município de Loulé.

Os actos de vandalismo perpetrados sobre um outdoor da campanha eleitoral e as mensagens de apelo à violência nele inscritas, são uma consequência directa dessa constante e sistemática prática política

O Partido Socialista e o seu candidato ao cargo de presidente da Câmara Municipal não podem deixar de recriminar a prática política ostentada pela maioria no poder e repudiar os actos de vandalismo praticados sobre o seu material de campanha, denunciando-os às autoridades competentes mediante a apresentação de uma queixa-crime contra desconhecidos.

A Direcção de Campanha apela ao sentido cívico de todos os cidadãos, convidando-os a reflectir sobre o estado da vida democrática no concelho de Loulé.

Não, à política sem ética! Não há política sem ética!


Ver aqui a fonte: http://vairinhos2009.blogspot.com/2009/07/conferencia-de-imprensa-sobre.html

sexta-feira, julho 24, 2009

Elevar o Gosto

Charles Aznavour - La Bohème



Para todos um excelente fim de semana!

Política, Negócios e Transparência (?) da Vida Pública


O on-line «Observatório do Algarve», na sua edição de hoje, dá conta de que “há duas localizações na mesa para a instalação do IKEA em Loulé”. Tendo ouvido Seruca Emídio, este órgão informativo esclarece que o presidente da autarquia louletana adiantou que a escolha será “só depois das eleições” e implica a alteração do Plano Director Municipal. Mas o autarca revela que, no entanto, está já feito o projecto para o alargamento da via entre o sitio da Alfarrobeira, a Goncinha e Loulé, próximo do qual, uma sociedade, de que são sócios cinco dos advogados do escritório de Miguel Júdice, anda a comprar terrenos… com cláusulas de sigilo. Ora é aqui que bate o ponto. Porque isto é só revelar uma ponta de uma já complexa história que tem muitas pontas soltas, muitos segredos para desvendar.

Vamos ver se conseguimos contar algumas coisas que não couberam na notícia do «Observatório do Algarve».
Mal se soube de «eventual» intenção do gigante sueco se instalar no sul da Península, apontando-se duas localizações prováveis (Huelva e Loulé), logo Reinaldo Teixeira, empresário sedeado em Quarteira, pressentiu a sua grande oportunidade. Numa sociedade com outro empresário amigo, J. Apolónia, e, ao que se diz (e nem sempre tudo o que se diz corresponde a toda a verdade) com o «apoio moral» de José Graça, vice-presidente da Câmara de Loulé e seu conterrâneo de Salir, Teixeira desatou a adquirir os terrenos das antigas instalações da fábrica de cerveja, na Franqueada, e nas áreas envolventes da mesma. Fala-se que as aquisições se alargaram até próximo da futura área de implantação do aeródromo de Loulé.

Quem não terá gostado nada da «gracinha», terá sido Seruca Emídio, ultrapassado nesta questão pelo seu “vice”. Tanto mais que, entretanto, Seruca se teria comprometido com o seu confrade, o advogado social-democrata Miguel Júdice, apontando para a área a norte do Parque das Cidades, junto ao nó da Via do Infante que liga Loulé a Faro. Sabe-se que o “escritório” do advogado, apesar de a quase totalidade dos terrenos se situar dentro da actual Reserva Agrícola Nacional, já terá adquirido, com cláusulas de sigilo, mais de 30 hectares de prédios rústicos, nesse local, desde Dezembro de 2008, ou seja, na altura em que foi anunciado o projecto de turismo mineiro, na mina de sal-gema de Loulé, e foi assinado um “protocolo de intenções” (palavras de Seruca Emídio) que seria o ponto de partida para um foco de interesse e atracção turística. Júdice sempre presente neste «ponto de partida»…

A verdade é que, neste momento, a especulação cresce, no nó da Via do Infante que liga Loulé a Faro, apesar de a instalação da IKEA no concelho de Loulé ainda não estar em fase de compromisso. É ainda o «Observatório do Algarve» que revela, por exemplo, que um prédio rústico no sítio da Alfarrobeira, de seis hectares, foi comprado, em Abril, pelos advogados, por 1,8 milhões de euros.Sabe-se (e compreende-se) que o presidente da Câmara de Faro, José Apolinário, pretenderia que as eventuais (?) futuras instalações da IKEA se situassem na envolvência do Parque das Cidades, sim, mas a sul, mais próximo do nó do aeroporto. É uma pretensão (seria uma terceira hipótese de localização) que parece cada vez mais afastada.

Quanto aos terrenos adquiridos por Reinaldo Teixeira, cria-se-lhe agora uma nova esperança: a eventual e muito pouco provável instalação de um projecto, apresentado pelo Grupo Auchan, para instalação de um centro comercial, que necessitaria de uma área de 40 hectares, importaria em cerca de 400 milhões de euros e que poderia vir a ser implantado, ou na zona sugerida pelo autarca de Faro, ou, mais provavelmente, nos terrenos de Teixeira. As «más-línguas», porém, dizem que esta eventualidade… é apenas para manter o empresário quarteirense «quieto e calado». Será?
Vai ainda correr muita água por baixo das pontes até se saberem os meandros das maquinações entre o ex-bastonário dos advogados e a Câmara de Loulé…

Post copiado do blogue Calçadão de Quarteira http://calcadaodequarteira.blogspot.com/2009/07/ikea-loule-sim-nao-talvez.html

quinta-feira, julho 23, 2009

Do Ciberactivismo

Postado por Elísio Estanque, Professor da Universidade de Coimbra no blogue http://boasociedade.blogspot.com/

Política e ciberactivismo

Nos últimos tempos diversos movimentos de revolta ganharam relevo político, colocando no centro da acção o papel da net, dos blogues e das comunicaçoes por satélite. Os protestos estudantis na Grécia em finais do ano passado, a contestação ao modelo de Bolonha nas universidades da Catalunha, as greves e acções de rebelião na USP, em São Paulo, e mais recentemente, as grandes manifestações no Irão; ou, em Portugal, o caso dos FERVE (Fartos d’ Estes Recibos Verdes), os Precários Inflexíveis ou o movimento MayDay, podem ser apontados como alguns dos exemplos de novos activismos apoiados pelos novos meios informáticos e comunicacionais.
Importa por isso aprofundar a reflexão sobre as suas potencialidades (e os riscos, porventura) na revitalização da política em geral. De facto, as redes virtuais e as ligações por satélite estão a transformar a natureza do conflito social e político do nosso tempo, obrigando a repensar conceitos como os de esfera pública, cidadania ou até a oposição esquerda-direita.
As multidões que em Teerão vieram para a rua desafiar o poder sabiam que a censura e o controle da informação pelo governo local não seriam suficientes para esconder os acontecimentos. Mesmo expulsando todos os jornalistas internacionais, no dia, na hora ou no minuto seguinte a mais um acto repressivo já as imagens – captadas por um simples telemovel – circulam pelo mundo através das cadeias televisivas internacionais, da web e do YouTube, com toda a força simbólica e factual que uma imagem pode ter. E isso faz toda a diferença. Por sua vez a visibilidade global de um dado fenómeno local é, quase automaticamente, devolvido ao cenário onde ocorre a acção, revigorando a mobilização e comprovando (ou ampliando) a sua força política. É uma corrente dinâmica e multifacetada, ao mesmo tempo local e global, virtual e real, que permite à comunidade em luta ganhar visibilidade e agigantar-se, numa espécie de efeito boomrang, em que o reforço da identidade do sujeito colectivo é o resultado da sua identidade projectada para o exterior.
Os protestos estudantis na Grécia, em Barcelona ou na USP apoiaram-se amplamente no lado “virtual” da participação. E quer no Irão quer agora na China as ondas de violência colectiva dos últimos tempos transportam uma lógica de reinvenção do activismo, que passa pelo uso das novas comunicações em rede. Não se trata de substituir, de modo nenhum, a interação, o debate presencial, o face-a-face, mas de introduzir um novo ingrediente que canaliza e estimula novas formas de mobilização. Se “as massas” sempre foram um conceito controverso (mesmo nos tempos áureos do marxismo e do trotsquismo), hoje, estas redes e debates à distância, mesmo estruturados em comunidades “fictícias”, não só são decisivos no acesso à informação como na denúncia e na tomada de consciência. O sentido da intervenção pública da juventude está a mudar drasticamente. Já nada tem a ver com o modelo dos sixties. É verdade que os mesmos meios servem igualmente de suporte a actividades ilícitas e criminosas, mas no plano político assumem-se como uma componente extremamente inovadora.
Apesar da tão denunciada apatia política dos jovens, é importante não exagerar nesse diagnóstico, pois, embora a intervenção no “ciberespaço” seja menos visível, ela vem crescendo nos interstícios da suposta indiferença. Por exemplo no mundo universitário, os sectores mais politizados da juventude informam-se na net, sabem dos acontecimentos pelo Twitter ou por sms, discutem os assuntos nos blogues e intervêm nos fora virtuais, antes de comparecerem nos encontros académicos (quando comparecem), de responder às convocatórias de núcleo, do partido, da associação de estudantes, etc. Através da intervenção nas redes informáticas, mais até do que pela via presencial, a opinião individual ganha solidez, visto que está mais resguardada da manipulação. No silêncio do quarto de cada um, todas as inibições, complexos e estigmas se esbatem numa identidade ficcionada e “hiperreal”, mas com consequências práticas inquestionáveis. Daí que, paradoxalmente, talvez a democracia “virtual” seja mais democrática (e real) do que a democracia “real” (representativa ou participativa).
É claro que haverá sempre quem insista nos velhos pesadelos tais como um possível cenário de totalitarismo orlweliano, de uma sociedade vigiada com base nas novas tecnologias informáticas. Pessoalmente prefiro ver o lado positivo. Estou convicto que o ciberactivismo pode travar os entraves e perversões ao exercício de uma efectiva cidadania democrática. Será, provavelmente, o elemento-chave para reinventar a democracia do século XXI.

terça-feira, julho 21, 2009

Os Erros de Sócrates: O Ambiente

A política ambiental de José Sócrates, à imagem da sua política cultural, foi um apêndice, das suas prioridades políticas. Mais grave ainda. Se a política cultural primou pela sua inexistência, a política ambiental primou pela sua instrumentalização ao serviço da legitimação dos grandes projectos económicos. Sócrates inventou esta nova categoria burocrático-administrativa que se designa de PIN. Estes designados Projectos de Potencial Interesse Nacional mais não foram do que uma forma habilidosa, tão à maneira de José Sócrates, é preciso dizê-lo, de contornar a REN e a RAN e de autorizar a construção de projectos ditos estruturantes, que são, ao fim e ao cabo, uma forma que o grande capital, com a ajuda do poder político, "descobriu" de delapidar as zonas mas sensíveis (e apetecíveis) do território nacional. A coisa é muito simples, ou as zonas de Reserva Agrícola Nacional e as zonas de Reserva Ecológica Nacional são fulcrais ao ordenamento do território português, ou não são e pura e simplesmente, não devem ser consideradas como tais. Aquilo que nunca poderia ter acontecido, é a invenção por Sócrates, desta norma de excepção que se mede pelo número de milhões de euros, ou de dólares, envolvidos nos projectos. Se um grande hotel é por si um Projecto de Potencial Interesse Nacional, então podemos dizer, simplesmente, que o interesse nacional, anda pelas ruas da amargura. E quase todos os PIN's limitam-se a unidades hoteleiras que querem construir em zonas territoriais onde o interesse público é mais lezado. Ao instituir este regime de excepção que se espalha, qual gripe A, por todo o território, Sócrates pôs o ambiente aos serviço dos grandes grupos económicos e hipotecou o desenvolvimento sustentável de um país que, já é, uma lástima, do ponto de vista do ordenamento do território. Depois Sócrates, quer queiramos, quer não, esteve envolvido politicamente no caso Freeport. E digo politicamente, porque não me interessa a discussão do caso jurídico. Mas ao autorizar o licenciamento do Freeport, numa zona altamente sensível ecologicamente, no estuário do Tejo, Sócrates, digam lá o que disserem, desprezou por completo a dimensão ambiental e social do desenvolvimento sustentável em detrimento da sua vertente económica. Mais uma vez, sobrevalorizando a dimensão económica e subalternizando a dimensão ambiental e até a dimensão simbólica, pelo que significa autorizar uma construção daquele género no estuário do Tejo, Sócrates, desprezou por completo uma verdadeira política ambiental. Sócrates, exalta também, a sua política energética, em torno da construção de barragens. Aqui a ignorância alia-se à propaganda e mais uma vez a dimensão económica se sobrepõe às dimensões ambientais e sociais do desenvolvimento. Alguém devia explicar ao primeiro ministro os impactos ambientais e sociais da construção de uma barragem. Claro que dependerá do tamanho e da forma como a mesma é construída. Alqueva, cujos impactos ambientais e sociais ainda estão verdadeiramente por conhecer, não serviu de exemplo para nada. Era bom que se fizessem estudos de impacto ambiental e social em torno da barragem do Alqueva. Parece que a população da Aldeia da Luz não ficou nada satisfeita. Mas o fracasso da política do ambiente de Sócrates, mede-se também, pela quase inexistência do Ministro Nunes Correia, que em demasiadas situações, quando saiu da sua invisibilidade, foi para defender os interesses económicos, legitimando-os nos seus atropelos ambientais. Resta a aposta nas renováveis. Mais uma vez com muita propaganda à mistura. A realidade, essa, é que somos o país da União Europeia com maior ineficiência energética. É triste, mas é assim mesmo. Entretanto, numa das suas últimas medidas ambientais, o governo de Sócrates, decidiu baixar as coimas ambientais para quem polui o ambiente. Significativo das prioridades políticas.

Sócrates

Voltou à carga. A realidade a preto e branco. Quem não adora o governo e as suas desastrosas políticas é "maledicente" e só sabe fazer "crítica destrutiva". Salazar não faria melhor. A anulação e a não aceitação da critica política não é próprio de um regime democrático. Já não posso ouvir o homem. Põe-me profundamente mal disposto. Vou começar a desligar a televisão. Pelo menos até final de Setembro.

Higienização

O dr. Emídio começou a sua higienização. O "bom" homem, que jurou perante Hipócrates, não se inibe quanto ao que toca ao ataque pessoal. O dr. Emídio, para além de "bom" homem, não gosta de vidas "coloridas". Salazar também não gostava. Se o deixarem, o dr. Emídio, em nome dos bons valores católicos e da conquista e da manutenção do poder, transforma-se numa máquina de higienização política capaz de envergonhar o rei Alberto João. Onde está a discussão política e a estratégia para o concelho, no comunicado do PSD, destinado apenas a denegrir a imagem de Joaquim Vairinhos? Não fará o dr. Emídio, nesse triste comunicado, a mesma coisa de que se autoriza a criticar?

Ver aqui:
http://www.seruca2009.org/politica-do-passado.html

Do Liberalismo: Chegou à minha caixa do correio

Vindo daqui: http://blog.miguelvaledealmeida.net/?p=962

Artigo de João Cardoso Rosas publicado no "i" de 16 de Julho de 2009

O liberalismo é de esquerda

O liberalismo foi a reacção histórica ao absolutismo, tem uma visão igualitária da sociedade e defende a liberdade individual e as minorias

"Na linguagem corrente, o liberalismo é associado à direita. Quando dizemos que alguém é liberal situamo-lo, quase sempre, no lado direito do espectro político. Mas isso é um erro de três pontos de vista: histórico, doutrinal e político.

De um ponto de vista histórico, o liberalismo afirmou-se como a alternativa de esquerda a um conservadorismo mais ou menos reaccionário, mais ou menos saudoso da monarquia absoluta e do Antigo Regime. Durante o século 19, antes do triunfo do socialismo, ser de esquerda ou ser liberal era a mesma coisa. Note-se que este carácter progressista do liberalismo está ainda hoje presente em alguns países, sobretudo na América. Como aí nunca tiveram sucesso as ideias socialistas, ser de esquerda é ser liberal. Obama, por exemplo, é um liberal no sentido americano, ainda que moderado.

De um ponto de vista doutrinal, o liberalismo é de esquerda na medida em que transmite uma visão profundamente igualitária. Aquilo que separa a esquerda da direita - qualquer tipo de esquerda de qualquer tipo de direita - é precisamente a diferença das posições em relação à promoção da igualdade. O liberalismo bate-se pelas liberdades iguais para todos os cidadãos e pelo tratamento não discriminatório de grupos historicamente discriminados: as mulheres, as minorias religiosas, étnicas ou sexuais. Mas o liberalismo defende também, desde o século 19 e até aos nossos dias, uma maior igualdade em termos de oportunidades e da distribuição da riqueza. Foi assim com John Stuart Mill, no século 19, e assim continuou com John Rawls, no final do século 20.

De um ponto de vista político-partidário, em Portugal e não só, o liberalismo mantém-se à esquerda. Isto não quer dizer que pelo menos uma parte dos partidos da direita não defenda o mercado livre. Mas preconizar o mercado livre não faz de ninguém um liberal. Se assim fosse, Pinochet e as autoridades chinesas seriam liberais distintos. Na direita portuguesa, os que aderiram ao que chamam "liberalismo clássico" na economia são, em boa verdade, conservadores e não liberais. São-no sempre em matérias de costumes e de bioética. Nunca se preocupam muito com a defesa das liberdades individuais. Desconsideram as minorias. A sua adesão ao mercado livre deriva apenas da oposição à política igualitária da esquerda. Defendem o mercado contra o Estado social e distributivo, não a favor da liberdade.

Dito isto, não nego que possa existir, em tese, também um liberalismo de direita. No entanto, para ser consequente, esse liberalismo tem de defender a liberdade de cada um de fazer o que quiser consigo mesmo e com a sua propriedade, contra um Estado igualitarista, mas também contra um Estado conservador. É o que podemos encontrar, por exemplo, num autor como Robert Nozick. Porém, os movimentos políticos que dele se reivindicam são negligenciáveis e, em Portugal, não existem de forma nenhuma. Decididamente, o liberalismo é de esquerda. "

segunda-feira, julho 20, 2009

Para mais tarde recordar

Quarteira, ano 2009

Avenida Francisco Sá Carneiro


O dr. Emídio não ficando satisfeito com o abate de árvores na Avenida José da Costa Mealha, em Loulé, avançou para o abate de árvores na Avenida Francisco Sá Carneiro, em Quarteira. Os anos de 2008 e 2009, ficarão para a história ambiental do Concelho de Loulé, pelos piores motivos.

Porque incomoda tanto a blogosfera?

Post do Pedro Santos, do Blogue Sombra Verde.
Ver aqui: http://sombra-verde.blogspot.com/2009/07/obviamente-nao-me-deixo-intimidar-pela.html

Obviamente não me deixo intimidar pela cobardia do anonimato

"Em Março passado, escrevi o texto "O assassinato de uma ribeira" sobre as obras numa linha de água que atravessa o perímetro urbano de Albufeira. Criticava, e critico, o encanamento de mais uma linha de água numa zona tão sensível a cheias; criticava a poda violenta feita a diversas árvores nas margens da ribeira e criticava a Câmara Municipal de Albufeira (CMA) por ter autorizado o início das obras sem o devido licenciamento.

Esta situação levou a que a Administração da Região Hidrográfica (ARH) do Algarve embargasse a obra, de acordo com a edição do jornal "Público" de 4 de Março último. Ainda de acordo com a referida notícia, a ARH exigia que fosse tornado público o estudo que demonstrasse que estas obras não teriam impactos no aumento do risco de cheias no centro antigo de Albufeira.

Desconheço o que aconteceu, no decurso destes meses, entre a ARH e a CMA em relação a este caso e se a CMA entregou o referido estudo. Sei apenas, o que é visível para todos os que passam no local, que as obras prosseguem a bom ritmo. Mas eis quando o texto que escrevi em Março passado começa a suscitar novo interesse, talvez pelo nervosismo próprio deste período pré-eleitoral que se aproxima.

Deste modo, após uma troca interessante de argumentos com os estimados e simpáticos amigos do "Ecogrupo", recebo um primeiro comentário anónimo, no Sábado de manhã, no referido texto: "não liguem a professores frustados (sic) e grupos de ambientalistas."

Posteriormente, no Sábado à noite entre as 22:07 e as 22:26, qual pandemia, foram deixados vários comentários anónimos na "sombra verde". O estimado anónimo, responsável pelas mesmos, fez questão de usar diversos nomes, alguns dos quais bem sugestivos (como "ultra levure"), e de deixar esses comentários em textos diferentes.

O objectivo foi claro, ou seja, querer dar-me a entender que tinham sido feitos por mais do que uma pessoa. Como se fosse plausível que surgissem, num blogue que raramente tem comentários anónimos, qual milagre da multiplicação, seis anónimos no espaço de 19 minutos! Ainda por cima, para azar deste anónimo, o meu contador de visitas registou um número muito escasso de visitas entre as 10 e as 11 da noite...Nesse espaço de tempo, porém, houve um visitante recorrente que o meu contador de visitas localizou na zona de Portimão.

Apesar de não ter autorizado a publicação destes comentários, por serem de manifesto mau gosto, não resisto a partilhar os que foram deixados no referido texto: Sábado às 22:07, por "ultra levure": "Quando por aqui passei e vi isto não podia de deixar de escrever. Sombra de uns caganeiras. "Sábado às 22:26 por "Cidadão de Albuhera": "Mas afinal quem é a personagem que vem falar mal de ALBUFEIRA ??????? Quem é esta personagem, que titulo traz nessa boca mal cheirosa ????? O que pretende,uma presidencia ou uma casa de xadrex ????????????????" Mas ontem, Domingo pelas 22:46, surgiu, em nome da "Camara Mucipal (sic) de Albufeira" o mais curioso dos comentários: "Em nome da Camara de Albufeira será V.Exª, notificado pelas suas afirmações proferidas colocando a integridade do Presidente deste Municipio."

Reparem no zelo do funcionalismo público português capaz de enviar notificações às 11 da noite de um Domingo! Só se lamentam os erros ortográficos e o recorrente anonimato que ofende tão nobre instituição. O que diriam os juristas da CMA se soubessem que alguém anda a escrever mensagens intimidatórias da liberdade de expressão, utilizando o nome da referida instituição? Uma coisa é certa. Irei continuar a escrever, independentemente de quem se sinta incomodado e independentemente de quem continua a aproveitar-se do anonimato para destilar o seu ódio pela liberdade de pensamento e de expressão."

O Desenvolvimento do Dr. Emídio

Loulé - Algarve - Portugal

Praia das Marias - Dunas Douradas


Eu gostava de perguntar ao Dr. Emídio, se não acha, que ao permitir que se construa desta maneira a uns escassos metros das dunas e da praia, higieniza o desenvolvimento sustentável do Concelho de Loulé? Mobilizava também a oposição socialista para a discussão e perguntava se concorda com este conceito de desenvolvimento, ou se vamos todos fingir que nada se passa, assobiamos para o lado, e seguimos felizes em frente?

Com os melhores cumprimentos
João Martins

domingo, julho 19, 2009

Há 40 anos atrás: um pequeno passo para o Homem

20 de Julho de 1969



Há 40 anos atrás. Alguns meses antes de vir eu ao mundo e no contexto da Guerra Fria e do final da Era de Ouro do Ocidente, para utilizar a terminologia do historiador Eric Hobsbawm, Neil Armstrong acabava de pisar pela primeira vez a Lua. Um pequeno passo para o Homem. Um grande passo para a Humanidade.

Ver mais aqui:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Neil_Armstrong

sábado, julho 18, 2009

O Dr. Emídio

O Dr. Emídio quer higienizar a política. O Dr. Emídio tem o ego tão cheio de si, que o seu reflexo no espelho é igualzinho a si mesmo. O Dr. Emídio põe-se, qual Dr. Cavaco, do lado da "boa moeda" e acha-se autorizado a expulsar aquela que considera a "má moeda". Acontece que o Dr. Emídio faz parte da "má moeda" e ao propor a higienização da política (não sei se o Dr. Emídio está consciente da gravidade do termo) o Dr. Emídio devia ter consciência que se anula a si mesmo.

O Dr. Emídio devia pensar que quando a cidade de Loulé encolheu uma centena e meia de metros, depois de um dos presidentes de Junta de Freguesia do seu partido ter sido multado pela brigada de trânsito à entrada da cidade, o seu silêncio cúmplice, ou a sua intervenção passiva e desculpabilizadora, higienizaram a democracia na cidade de Loulé.

O Dr. Emídio devia pensar que quando não permitiu a exposição de duas obras de arte, numa galeria louletana, em nome dos seus princípios católicos, higienizou a democracia na cidade de Loulé.

O Dr. Emídio devia ter pensado que quando levou a cabo os abates de árvores em Quarteira e Loulé, sem passar qualquer cartão aos cidadãos do concelho, higienizou o desenvolvimento sustentável do concelho de Loulé.

O Dr. Emídio devia pensar que quando permite a construção nas Dunas Douradas, a escassos metros das dunas, higieniza o mais precioso bem dos cidadãos: Os seus recursos públicos.

O Dr. Emídio devia pensar que quando evoca nas Quintas do Algarve, os seus princípios católicos, higieniza de certa forma a liberdade religiosa pois subalterniza a importância das minorias religiosas e dos ateus que vivem no concelho de Loulé.

O Dr. Emídio devia saber que na política não há santos homens e que vir agora higienizar a política a partir dos "bons" e "maus" protagonistas, é um mau serviço que presta à democracia Louletana.

Aos poucos, aos poucos, vamos sabendo melhor, o que significa, o Dr. Emídio, ser igual a si mesmo: Um homem "bom", que se o deixarem, higieniza os seus adversários políticos.

Parabéns!

Amy Winehouse "Free Nelson Mandela"



Um dos últimos ícones da História do Século XX e da liberdade faz hoje 91 anos.

"Democracia com fome, sem educação e saúde para a maioria, é uma concha vazia."
Nelson Mandela

Elevar o Gosto

My Way

Higienização

Manuela Ferreira Leite quer suspender a democracia por seis meses. Alberto João, o rei da Madeira, quer proibir o comunismo. E o Dr. Emídio, em Loulé, quer higienizar a política. Para que raio se fez então a democracia?

O PS dos Negócios

Se quiser saber o que é o Socialismo de Direita é consultar aqui:

http://www.esquerda.net/index.php?option=com_content&task=view&id=12777&Itemid=28

sexta-feira, julho 17, 2009

O Desenvolvimento do Dr. Emídio

Quarteira, 2009

Avenida Francisco Sá Carneiro

A betanização da Avenida Francisco Sá Carneiro em Quarteira enquadra-se no conceito de desenvolvimento sustentável? Isto é, leva em conta o equilíbrio entre as dimensões económica, ambiental e social do desenvolvimento e o interesse das gerações futuras?

Agradece-se esclarecimentos.
Em nome da "higienização" política e da dignidade dos "políticos profissionais" que recusam os "profissionais da política".

Nota: Sobre esta coisa da "higienização" política ver aqui: http://www.correiomanha.pt/noticia.aspx?contentid=7AFBFE08-1073-4673-A0CA-809E4B163EE5&channelid=00000093-0000-0000-0000-000000000093

Será qualquer coisa como os políticos "puros" e os "impuros" imagino eu. Os "puros" já se percebeu quem são. Falta descobrir quem são os "impuros". A conclusão lógica parece ser que os políticos "impuros" são uma espécie a erradicar. Quem define esse critério?

A Ignorância Aliada ao Poder é um Comportamento de Alto Risco

É consensual na comunidade científica: Não há grupos de risco, mas sim comportamentos de risco. Não é ser homossexual que é condição de risco, mas sim, ser homossexual, ou heterossexual, ou o que quer que seja, com práticas sexuais (ou outras) de risco. O risco advém das práticas e dos comportamentos e não da pertença ao grupo A, B, ou C. O Ministério da Saúde institucionalizou a discriminação baseada na condição sexual. A ignorância no poder e o poder aliado à ignorância é um comportamento de alto risco para a democracia. Proteja-se da ignorância.

Ver aqui: http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=1310130

e aqui: http://blog.miguelvaledealmeida.net/?p=967

É a causa ambiental, estúpido!

Fernando Ruas, não é propriamente, o Zé Ninguém, que manda uns piropos sobre as coisas da política, no café da esquina de todos os dias ou no blogue da Dona Joaquina. Fernando Ruas é "só" o Presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses. Há uns poucos anos atrás revelou no seu inconsciente profundo aquilo que pensam uma boa parte dos autarcas do nosso país, que o mesmo representa, sobre as coisas do ambiente e do desenvolvimento. Incitava então o iluminado autarca para que se "se corresse com os fiscais do ambiente à paulada". Esta semana, os tribunais, mais uma vez introduziram uma lufada de ar fresco na democracia portuguesa. Fernando Ruas foi condenado a 100 dias de multa à taxa de diária de 20 euros. Como se pode ler no jornal Público: "No julgamento estiveram em causa declarações feitas na Assembleia Municipal de 26 de Junho de 2006, onde o presidente da Junta de Freguesia de Silgueiros fez queixas dos vigilantes da natureza, o que levou Fernando Ruas a afirmar: "Arranjem lá um grupo e corram-nos à pedrada. A sério, nós queremos gente que nos ajude e não que obstaculize o desenvolvimento. Estou a medir muito bem o que estou a dizer". Saí a justiça dignificada e a democracia valorizada. O desenvolvimento que se quer verdadeiramente sustentável agradece. E se se fizesse o mesmo para quem quer suspender a democracia e proibir o comunismo?

Ver aqui: http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1391575&idCanal=59

e aqui: http://macloule.blogspot.com/2006/07/o-ethos-ambiental-dos-nossos-autarcas.html

Elevar o Gosto

Montserrat Caballé canta el Padre Nuestro



"Só elevando o gosto, se pode democratizar o gosto."
João Martins

Bom fim de semana para todos!

quinta-feira, julho 16, 2009

Concurso Macloulé

Assinale a resposta correcta:

1. O último álbum de Tony Carreira intitula-se:

a) Igual a si mesmo

b) O homem que sou

c) Eu sou igual a todos vocês

Nota: Quem acertar na resposta certa tem direito a uma entrada grátis no próximo concerto do Tony Carreira na cidade de Loulé.

Gripe A

Não. Esta não é uma simples gripe como as outras. Para os profissionais de saúde, a convivência com a doença e a morte poderia fazer com que levassem a encarar esta gripe como uma qualquer outra. Afinal, sempre ocorre uma mortandade, mais ou menos significativa, todos os anos derivado da gripe dita "normal". Vale a pena dizer que a ministra Ana Jorge e Ministério da Saúde, têm tido uma actuação exemplar, na sua relação com os cidadãos, nesta questão da Gripe A. Sem alarmismos, mas sem simplismos e sem desvalorizar o risco para a saúde pública que uma pandemia deste género implica, o Ministério da Saúde, saiu da toca da burocracia, para fazer, o que tinha que fazer. Para além do que já fez e pode sempre fazer mais e melhor, resta-nos a todos rezar (mesmo os não religiosos como eu) para que a mortalidade se mantenha em valores nulos ou residuais.

Vale a pena ler a opinião do Nuno Teles no blogue Ladrões de Bicicletas com a qual concordo plenamente. Desvalorizar o possível impacto desta pandemia é não perceber nada do que é uma pandemia.

Ver aqui a opinião do Nuno Teles: http://ladroesdebicicletas.blogspot.com/2009/07/economia-politica-da-gripe-ii.html

Elevar o Gosto

Maria Callas - Casta Diva

quarta-feira, julho 15, 2009

Em Defesa Do Pontal

Movimento de Defesa do Pontal

Frente pelo ambiente

A cidadania está cada vez mais activa no Algarve. Após um interregno de quatro anos, o «Movimento de Defesa do Pontal» está de novo em acção. Assume-se como um grupo aberto a todos os cidadãos, associações ambientalistas e organizações, e até a partidos políticos interessados numa causa comum. Querem encontrar soluções para que a mata do Pontal - uma zona florestal localizada no Parque Natural da Ria Formosa, entre Faro e Loulé – seja mais verde e um espaço aberto a toda a comunidade. Recentemente, caminhámos com este grupo até à linha da frente.

“O
Parque Natural da Ria Formosa está permanentemente ameaçado. Uma legislação permissiva, baseada em Projectos de Interesse Nacional (PIN), facilita que novos projectos turísticos e imobiliários sejam apresentados para esta área protegida”.
É este o principal argumento que está na origem do
«Movimento de Defesa do Pontal», uma plataforma aberta à sociedade civil que defende um novo modelo de gestão ambiental para esta área sensível, entre Faro e Loulé.

O Movimento voltou ao activo na sequência da notícia do interesse de investidores russos em aqui edificar um hotel, 120 moradias e 409 apartamentos (2502 camas), ao abrigo da classificação de Projecto de Interesse Nacional (PIN).

Desta vez, o cimento não chegou a ir à betoneira. O estato PIN foi negado pelas autoridades e o plano inviabilizado. Mas isso, por si, não é motivo para cruzar os braços. O Movimento entende que toda esta zona está cada vez mais degradada e que nunca prestou qualquer serviço às populações vizinhas.

“A nossa ideia é mudar o rumo das coisas, e sobretudo aquilo que o Estado entende como actividade possível das pessoas nos Parques Naturais”, explica o professor universitário Patrício Serendero, ligado ao Bloco de Esquerda.

Actualmente, o Pontal (também conhecido como Ludo) pertence quase na totalidade a privados. “Os proprietários não podem construir aqui, e o Estado também não pode investir porque não é dono dos terrenos. Isso cria uma situação de impasse absoluto”, diz. Este dilema jurídico-legal impede a utilização de forma sustentável e ecológica pelo público em geral, situação que o Movimento ambiciona mudar.

“Nós defendemos um conceito de utilização recreativa, no sentido das pessoas poderem utilizar a Natureza e o que ela oferece. Da mesma forma que vão a um museu para ver a criação humana que ali é preservada e pagam pelo serviço de educação e cultura que recebem, achamos que deveria acontecer o mesmo com as áreas naturais”, considera.

Assim, “basicamente com um montante que ronda os 2 milhões de euros”, seria possível fazer estruturas como um parque de merendas, um parque de campismo, reabilitar trilhos para caminhadas a pé, passeios de bicicleta e equestres. E ainda implementar um importante projecto de reflorestação para recriar a floresta original que aqui existia.

“Isso seria uma das contrapartidas a oferecer aos proprietários dos terrenos, para que as pessoas os pudessem utilizar”, explica João Brandão, também professor da Universidade do Algarve. No fundo, seria criar zonas de livre utilização da mata e manter o espaço ordenado, limpo e futuramente livre da ameaça do betão desenfreado.

Os responsáveis consideram que um dos melhores exemplos de correcta utilização e gestão naquela zona acontece há já vários anos. O Motoclube de Faro utiliza um terreno daquela mancha verde onde realiza a sua concentração internacional de motas (que este ano decorre de 16 a 19 de Julho).

Actualmente, o movimento está também a lançar o debate e a discussão pública sobre a melhor forma de implementar estes projectos. Se quiser participar, fazer sugestões, ou simplesmente acompanhar o progresso, consulte o blog defesadopontal.blogspot.com/

Ler mais aqui: http://www.algarve123.com/pt/Artigos/3-313/Frente_pelo_ambiente

terça-feira, julho 14, 2009

Joaquim Vairinhos: Uma Personalidade De Peso



Aconteceu no Nera este fim de semana a apresentação do candidato Joaquim Vairinhos em Loulé. Independentemente do resultado eleitoral que vier a acontecer nas próximas eleições autárquicas, não é possível ficar indiferente à obra realizada por este ilustre Louletano. Num vídeo extremamente bem concebido, os eleitores podem visualizar a obra realizada por Vairinhos durante os anos em que governou a autarquia louletana. Este é um homem que marca pela positiva a história do concelho de Loulé. Na saúde, na educação, nas infra-estruturas rodoviárias, na habitação social, no desporto, no apoio ao movimento associativo. Este video é um exemplo, de que, sem cair na demagogia, se pode prestar contas ao eleitorado pela obra realizada. Impossível ficar indiferente. Um personagem marcante da História do Concelho. Loulé está de parabéns por apresentar uma oposição digna. É a política que sai dignificada. A medalha de ouro da cidade de Loulé, entregue pelo dr. Emídio, ao ministro Pinho, teria assentado como uma luva ao professor Joaquim Vairinhos.

Excertos De Uma Entrevista

Manuel Villaverde Cabral no "i"

Como é que um intelectual de esquerda, historiador, sociólogo e bom observador da política, viu o que saiu das eleições europeias? Um mero sobressalto, um forte abalo, o fim de um ciclo?

Um pouco de tudo isso. O falhanço objectivo das tentativas do PS e do eng. Sócrates para introduzir reformas agravou a governabilidade do país. E o efeito de feedback negativo desse falhanço - seguramente agravado pela crise mundial, já que sem ela alguns resultados poderiam ter sido obtidos - veio dificultar a governabilidade. Estamos condenados, em Outubro, a não termos um governo com hegemonia.

Sublinha então o falhanço das reformas?

Sublinho.

Mais que a soma de algumas trapalhadas?

Tudo isso ajuda, sim. Mas se as reformas tivessem sido mais inteligentes, melhor orientadas, não necessitariam daquele autoritarismo de pacotilha que no fim não ajudou - embora parecesse ao princípio que ajudava. Se tudo tivesse sido mais discutido, mais participado - e o caso dos professores é absolutamente manifesto...

E mais à frente...

E se ele ficar à frente nas eleições?

Enquanto não for removido, o eng. Sócrates é hoje parte integral do problema da governabilidade portuguesa. E só pode sê-lo por dentro, pelo próprio Partido Socialista.

Se ganhar, ninguém obviamente o removerá. Ou já nem sequer considera que ele ganhe?

Se ganhar, nem que seja por um voto, estamos muito, muito mal. Espero que isso não aconteça. Por mim, há muitos anos que não voto no PS! É ele o responsável principal por esta situação e numa distribuição equitativa entre PS e PSD, acho que o responsável pela situação em que Portugal se encontra hoje é no mínimo 51%, o PS: mais corrupto e mais incompetente como partido do que o PSD. E como eu considero que o outro lado da nossa ingovernabilidade são a corrupção e a incompetência sistémicas dos dois partidos - até por causa do rotativismo que lhes permite passarem as culpas um para o outro - tenho pensado, e até apelado a uma intervenção maior do Presidente da República. Dentro da Constituição, com certeza. Como? Chamando os partidos...

E mais abaixo...

Que seria concretamente refazer o PSD?

Não sou um homem de partido - no que sou acompanhado por 95% dos portugueses! - e quero é que eles se danem pelo que nos têm tramado. Pode publicar isto...

E a terminar...

E você, para além de tudo isto? É vice-reitor da Universidade de Lisboa, investiga, escreve, publica, comenta. E que mais?

Neste momento estou um bocado preocupado com isso. Tenho muitas solicitações, o que é bom e lisonjeiro, mas acabei por ficar sem tempo para "não fazer nada", que é uma coisa essencial não só para uma vida com prazer, mas até para reflectir melhor!

Pode ler toda entrevista aqui: http://www.ionline.pt/conteudo/12583-manuel-villaverde-cabral-se-ha-alguem-pensar-portugal-e-cavaco

segunda-feira, julho 13, 2009

Um eleitor em depressão

Está fora de causa votar em Sócrates depois do desastre da sua governação e depois do mesmo ter inventado uma nova forma de "socialismo" ainda com expressão histórica por definir. Socialismo pragmático, socialismo tecnocrático, socialismo neoliberal, socialismo paliativo, são algumas possíveis sugestões interessantes para o rotular. O PSD de Manuela e vale a pena dizê-lo, de Cavaco, não me restam quaisquer dúvidas, que vai prosseguir as políticas de direita de Sócrates, encostando-as ainda mais há direita e trazendo consigo a fúria destrutiva do interesse público em nome do Deus mercado. Manuela traz consigo a destruição do Serviço Nacional de Saúde enquanto serviço público. A privatização da educação agora sem hesitações. A precarização geral do trabalho vai ser intensificada. O autoritarismo de Sócrates é muito provável que se sinta envergonhado face ao modus de governo que não acha mal que se "suspenda a democracia" para salvar a economia. O país vai ficar, ainda, mais desigual. A pobreza vai aumentar. E as políticas paliativas de cariz caritativo levadas a cabo pelo governo de Sócrates vão ser assumidas sem a timídez e a vergonha dos que se dizem e julgam socialistas. O Partido Comunista Português já não é solução para ninguém pois continua a apregoar pelos amanhãs que cantam e sonha ainda com a ditadura do proletariado, a abolição do Estado e a instauração de uma sociedade sem classes. O CDS/PP espera pela coligação com o PSD para ser "solução de governabilidade" e para governar a favor dos poucos ricos que existem no nosso país. Resta o Bloco de Esquerda, que é a solução que encontro para não entrar em depressão. Não sendo igual a mim mesmo, nem igual a todos os outros, resta construir-me todos os dias na direcção dos que apregoam e defendem um mundo com mais justiça social. Vem aí o pântano. Mas talvez o pântano seja necessário para definir e clarificar fronteiras políticas e ideológicas em prole do futuro do país.

Entre o Estado Social e o Estado Penal

Por João Rodrigues, do Ladrões de Bicicletas, no "i"

Ver aqui http://www.ionline.pt/conteudo/12911-entre-o-estado-penal-e-o-estado-social

A escolha nunca inteiramente confessada do neoliberalismo é dirigir recursos para os mais ricos e repressão para os mais pobres

A crise económica alimenta o espectro do aumento da criminalidade e reforça perigosas derivas securitárias no nosso país. Pode estar criado o caldo de cultura, feito da enésima reinvenção do tema das "classes perigosas", agora com uma dimensão espacial acentuada: "os bairros perigosos". Em sociedades desiguais como a portuguesa tudo se conjuga para transformar as fracturas socioeconómicas num problema de caridade, essa administração ineficiente de paliativos que fomenta todas as distorções, e sobretudo num problema de polícia.

A investigação empírica em economia política comparada confirma esta intuição e ajuda-nos a clarificar as escolhas sociais com que estamos confrontados. Sabemos que o incremento das desigualdades socioeconómicas e da exclusão social está associado à afectação de cada vez mais recursos públicos e privados às improdutivas áreas da segurança, vigilância e repressão. Sabemos também que quanto maior é a desigualdade, maior é o peso da população prisional.

O reverso desta medalha também é claro: um Estado Social robusto e de acesso universal, e os correspondentes baixos níveis de desigualdade de rendimentos gerados, nutrem relações de confiança entre os cidadãos e são o melhor antídoto contra todas as formas de violência social - da criminalidade ao encarceramento. Ao contrário do que pensam todos os que ainda se entretêm com romances de mercado, o debate público relevante nos países desenvolvidos não é sobre o peso do Estado, mas sim sobre aquilo que o Estado deve fazer.

Simplificando um pouco, mas não demasiado, a escolha pode ser colocada nos termos descritos pelo sociólogo Loïc Wacquant: Estado Penal ou Estado Social. Os desiguais EUA com uma população prisional de 750 por cada cem mil habitantes, ou a igualitária Dinamarca com uma população prisional de 67 por cada cem mil habitantes? A escolha nunca inteiramente confessada do neoliberalismo fica clara: estruturação política das instituições por forma a dirigir recursos para os mais ricos e repressão para os mais pobres.


Portugal, país semiperiférico, ainda hesita. No entanto, a fragilização deliberada do nosso Estado Social e das instituições que o suportam - caso dos sindicatos e da negociação colectiva - parece ter como contrapartida o aumento do número de polícias, já muito acima da média europeia, a prosperidade da indústria de segurança privada e a facilidade com que os problemas sociais são transformados em problemas de repressão. Seria bom que o debate eleitoral ajudasse a clarificar esta escolha implícita.

Economista e co-autor do blogue Ladrões de Bicicletas

O Desenvolvimento do Dr. Emídio

Quarteira, 2009 - Loulé Velho

Nota: Clique em cima da imagem

...M'ESPANTO ÀS VEZES, OUTRAS M'AVERGONHO ...
(Sá de Miranda)



domingo, julho 12, 2009

Elevar o Gosto

Barbara Hendricks - Ave Maria



Para todos, votos, que a próxima, seja uma excelente semana!

sábado, julho 11, 2009

Os Erros de Sócrates: A Cultura

Não há povo sem cultura. A cultura é a alma de um povo. Sem verdadeiramente cuidar da sua reprodução cultural, a identidade cultural de um povo acabará em qualquer coisa de muito hibrído e fragmentado. A cultura artística, na sua diversidade de manifestações: música, teatro, pintura, escultura, literatura, poesia e todas as outras formas de arte, seja erudita ou popular, é crucial para que um povo se reproduza e se produza como nação.

Politicamente, a cultura sempre foi tratada com desprezo por quase todos os governos nacionais. Existiu nos últimos anos uma excepção: Manuel Maria Carrilho foi o ministro que demonstrou perceber a importância do investimento cultural no desenvolvimento económico (sim, económico) social e cultural do nosso país.

Com a eleição de José Sócrates a cultura foi decretada um apêndice no orçamento de Estado. O desinvestimento na cultura durante a governação de Sócrates foi uma evidência indesmentível. Isabel Pires de Lima saiu, depois da sua inexistência ministerial, após ter "faltado" às comemorações oficiais dos 100 anos de nascimento de Miguel Torga.

O seu sucessor, Pinto Ribeiro, advogado e docente na área do Direito Comercial, mais não fez do que legitimar a invisibilidade do Ministério da Cultura. Com o olhar da gestão económica, olhou para a cultura como um custo e não como um investimento. A haver investimento, este tem que ser reprodutível. O mesmo é dizer que Mozart morreu. O discurso foi, mais uma vez, predominantemente neoliberal. É possível fazer mais com menos. O dogma da racionalidade gestionária neoliberal aplicado à gestão cultural.

Sócrates, criticado recentemente sobre o esquecimento da Cultura, respondeu com o advérbio talvez: Talvez a cultura, talvez. Esta semana, o Ministro da Cultura, o tal que procura "fazer mais com menos", respondia na Rádio Renascença à "deserção" da melhor pianista portuguesa, nome de reconhecimento internacional, Maria João Pires, a propósito de Belgais e dizia: Sim. Maria João Pires é singular. Mas em Portugal aos olhos do Estado somos todos diferentes, todos iguais. O Zé Cabra ficou feliz.

Restou o Allgarve. Mas o ministro da Economia e da Inovação já não faz férias no Algarve. Ou se as faz, já não é ministro da Economia e da Inovação. Um par de cornos, no Parlamento, não faz parte da tradição cultural portuguesa. Hoje, Sócrates reuniu com 50 personalidades da cultura. As eleições estão à porta.

Talvez a Cultura...Talvez

Curiosa concepção de singularidade...

Oiça na Rádio Renascença e leia aqui: http://www.rr.pt/informacao_detalhe.aspx?fid=94&did=62374


Ser uma grande pianista e uma grande pianista portuguesa que nós queremos imenso que se exprima faz dela uma pessoa singular, não faz dela uma pessoa à margem das regras de funcionamento da sociedade” – é esta a reacção do titular da pasta da Cultura, depois de a pianista ter admitido querer mudar de nacionalidade, desgostosa com o tratamento que o estado tem dado à sua associação Belgais, que atravessa um momento de enormes dificuldades económicas.
Belgais é gerido, teve um conjunto de problemas e esses problemas são geridos de acordo com as regras que gerem todos os outros problemas”.
Sendo ela uma pianista de excepção, não é uma pessoa diferente de todas as outras. Todos diferentes, todos iguais” – sublinha o ministro Pinto Ribeiro."


Nota pessoal do macloulé: O Zé Cabra vai ficar felicíssimo ao ouvir isto. Tudo se equivale.

sexta-feira, julho 10, 2009

Tempestade Perfeita

Depois da "cabala". Depois da "conspiração". Depois das "forças ocultas". Depois da "maledicência". Depois do "bota-abaixismo". Depois do "negativismo". Depois de "o PS combate a crise", "os outros combatem o PS". Depois do "há aqueles que fazem" e "há aqueles que só sabem criticar". Depois do "nós fazemos", "não falamos". Depois da transformação formidável do lobo em cordeiro. Eis que chega a catarse. A tempestade perfeita. E a tempestade é de tal ordem que dizimou por completo o partido que ainda se diz socialista.

Política Sem ideologia e Jardins Sem Flores

Política sem ideologia
por João Cardoso Rosas, Publicado em 09 de Julho de 2009 no "i":


"Existem dois grandes partidos em Portugal. Um é social-democrata e chama-se PS. O outro é conservador-liberal e chama-se PSD. Mas nenhum deles gosta da sua própria ideologia. Sócrates não vai fazer campanha eleitoral a defender uma visão social-democrata do Estado e da sociedade - nem isso lhe passa sequer pela cabeça. Ferreira Leite não se vai apresentar como defensora do conservadorismo liberal, quanto mais não seja porque nunca reflectiu sobre as suas próprias ideias políticas. Os nossos líderes preferem defender palavras de ordem aparentemente extirpadas de toda a conotação ideológica. Sócrates pugna por "Avançar Portugal". Ferreira Leite propõe um "Portugal de verdade". Mas por que razão são os nossos principais partidos tão avessos a uma definição ideológica mínima, pelo menos idêntica àquela que têm os partidos congéneres na Europa? Talvez a explicação resida no facto de os partidos portugueses não serem muito diferentes dos portugueses.

Portugal é a terra do conformismo. Aqui não existe a excentricidade dos ingleses, nem a "fúria" dos espanhóis, nem o criticismo dos franceses. Receamos o pluralismo religioso, cultural, de opiniões, de estilos de vida. Da mesma forma, não gostamos do pluralismo político e da divergência ideológica. Uma das consequências da nossa política sem ideologia é que ela impede os grandes partidos de discutirem seja o que for de relevante: que tipo de sociedade queremos para o pós-crise; como pretendemos que seja a relação entre o Estado e a sociedade civil; que Estado social desejamos; como nos posicionamos quanto à imigração ou à discriminação de minorias; qual a nossa visão dos dilemas bioéticos, etc.

Em vez disso, as questões centrais da política portuguesa são do tipo: a realização ou não de obras públicas, a intervenção nos bancos fraudulentos, os apoios às PME, e outras coisas do género. O problema é que mesmo estas questões, que têm uma elevada componente técnica, são também políticas e só podem ser devidamente esclarecidas se formos capazes de responder às questões anteriores, respeitantes ao tipo de sociedade em que queremos viver.

Apesar desta evidência, muitos dos nossos comentadores e agentes políticos - incluindo o mais alto magistrado da nação - pregam a irrelevância do pluralismo ideológico, ou consideram-no uma "distracção" face aos problemas do país. Não vêem que a ocultação, ou mesmo a neutralização, do posicionamento ideológico dos principais partidos acaba por bloquear uma discussão séria desses mesmos problemas e por esvaziar de sentido o processo político democrático. E são os mesmos que vêm depois verberar a abstenção dos eleitores e verter lágrimas pelo decréscimo da qualidade da nossa democracia."

João Cardoso Rosas é professor universitário de Teoria Política

Amanhã de Manhã...



Bom fim de semana!

quinta-feira, julho 09, 2009

Culpar os pais: o absurdo professoral chegou ao parlamento

O mecanismo da procura do culpado, é talvez um mecanismo universal presente em todas as organizações e sociedades. A busca do culpado é uma catarse realizadora, que a todos nos pode deixar confortados e de consciência tranquila com essa justificação legitimadora que nos assegura que nós não temos nada a ver com o "problema". Na educação, este mecanismo da busca do culpado, tem sido fértil nos últimos tempos e tem percorrido todos os participantes disso a que se chama, por vezes com pompa e circunstância, "o problema da educação".

Para o governo de Sócrates não há que enganar: o grande culpado do "problema da educação" são os professores e os sindicatos. Só uma educação sem professores (ou pelo menos com outros professores) e uma organização do sistema educativo sem sindicatos poderia resolver "o problema da educação". Os sindicatos sabem claramente onde está "o problema da educação". É do governo e das políticas educativas a culpa do " estado educativo a que chegámos". Os alunos, dividem-se no processo de atribuição de culpas, entre os professores e as políticas do respectivo Ministério. A Ministra e o Ministério descobriram esta semana que a culpa é dos "media" (fascinante descoberta). E o presidente do conselho executivo do agrupamento de escolas de Darque quer agora legalizar a culpa dos pais.

O absurdo professoral chegou então ao parlamento. Uma petição com 13500 signatários pede a "responsabilização efectiva das famílias nos casos de absentismo, abandono e indisciplina escolar". Ora levando o racíocinio ao absurdo poderiamos sempre questionar: E porque não penalizar os pais dos pais? E os pais dos pais dos pais? E os pais dos pais dos pais dos pais que são responsáveis pelo facto de mais de 70% da população activa portuguesa ter o nono ano ou menos? E que tal responsabilizar os pais dos pais dos pais dos empresários portugueses pelo facto destes terem uma escolaridade no nosso país em média inferior aos seus trabalhadores? Talvez a pena de prisão resolvesse o "problema".

Dizem os estudos científicos, que entre muitas outras causas, o abandono escolar tem causas estruturais que o provocam. É sabido que há uma sobrerepresentação das classes populares no abandono e no insucesso escolar. É sabido que os rapazes abandonam em muito maior número que as raparigas e isso remete-nos para diferenças de género face à escolarização. É sabido que há desigualdades territoriais face ao abandono escolar e que por exemplo este é maior onde o tecido produtivo funciona com base em mão de obra barata e desqualificada. É sabido que os contextos escolares e as práticas pedagógicas dos professores podem gerar mais indisciplina. É sabido que há causas estruturais e portanto, sociais, que podem gerar mais violência e indisciplina e que esta pode inclusivamente ser construída na interacção entre professores e alunos. É sabido. É sabido.

Esteve bem o PS, O Bloco de Esquerda e o PCP. O conservadorismo do PSD e do CDS nesta "matéria" não engana ninguém. Absurdos em educação? Preparem-se para o que aí vem. Este é o "problema".

Post scriptum: E que tal se em vez de lançar disparates educativos na arena pública, se começasse, por uma vez na vida, por ouvir os especialistas?

Ver, por exemplo, aqui: http://tv1.rtp.pt/noticias/index.php?t=Peticao-pela-responsabilizacao-dos-pais-e-hoje-entregue-na-Assembleia-da-Republica.rtp&article=212692&visual=3&layout=10&tm=8&rss=0