domingo, fevereiro 28, 2010

Do Sofrimento à Distância



Mais uma tragédia de início de milénio. Desta vez no Chile...

Não Aprender Com Os Erros



No dia que os políticos ouvirem os técnicos neste rectângulo à beira mar plantado e no dia em que uma boa parte dos estudos científicos encomendados não fiquem depois na gaveta a fervilhar em bolor, nesse mesmo dia, Portugal dará um enorme salto civilizacional.

Blogosfera Louletana

O contrasenso do Helder Raimundo faz sete anos de postagem. Um blogue que marcou o nascimento da blogosfera louletana e que enriquece a qualidade da discussão no espaço público. Numa época de consensos frouxos, nunca são de mais todos os contrasensus que nos ajudem a tornar mais claras e distintas as ideias que brotam da confusão dos nossos dias.

Ver aqui: http://contrasensus.blogspot.com/

quinta-feira, fevereiro 25, 2010

No Fundo da Fossa

Pedro Passos Coelho, futuro candidato a Primeiro Ministro de Portugal se as bases democráticas do PSD lhe outorgarem essa legitimidade, defendeu, hoje, a privatização da RTP, em nome da não interferência do Estado nos media. Ou seja, se a água está suja, a malta mais não tem que fazer do que jogar fora o bébé com a água do banho. O mesmo é dizer, jogar fora o interesse público com a interferência política no interesse público. Desculpem o termo indelicado que vou usar, mas se Passos Coelho chegar a primeiro ministro de Portugal, a merda que agora já tresanda, tornar-se-á de um cheiro insuportável no futuro. O oxigénio será com toda a certeza privatizado e Portugal afunda de vez. Não estou nada optimista para o futuro deste rectângulo à beira mar plantado.

quarta-feira, fevereiro 24, 2010

Esta Notícia Não Existe

Ver aqui: http://www.sabado.pt/Ultima-Hora/Politica/Escuta--Socrates-falava-com-Rui-Pedro-Soares.aspx

Das Não Árvores Da Cidade

Quarteira, ano 2010

Descubra as diferenças

Antes




Depois



Uma colectividade que destrói desta maneira as suas árvores, não sabe, propriamente falando, aquilo que faz.

Obrigado ao Jorge pelo envio das fotos.

Politicamente Incorrecto

Cada vez que oiço falar em construção em leitos de cheia, temporais, inundações, enchurradas e outros termos que tais, lembro-me sempre, mas sempre, de Gonçalo Ribeiro Teles. Desculpem lá ser politicamente incorrecto, mas os estudiosos do ambiente conhecem uma coisa que os políticos em geral detestam que se chama princípio da precaução. E não tenho a mínima dúvida que esse princípio, não evitando as catástrofes "naturais" (isto merecia uma boa discussão) minimiza-as. E isso não é pouca coisa.

Ver aqui um post de Fevereiro de 2008:
http://macloule.blogspot.com/2008/02/gonalo-ribeiro-teles-mas-porque-prega.html

segunda-feira, fevereiro 22, 2010

Das Árvores da Cidade

Loulé, Fevereiro de 2010



Raízes da minha alma

Raízes, são memórias
Restos, de indignas estórias
São testemunhos e lembretes
Aos senhores dos palacetes

São belas, de tanto horror
São prova de actos de terror
Sob os olhares de quem passa
Lembram os ódios da raça

Tudo se perde, tudo se transforma
Também belas raízes mudam de forma
Deus não quer ficar com a graça
Da culpa bárbara, de tamanha desgraça

Raízes, belas, mesmo cortadas
Sem seiva, do mundo, desconectadas
Chorando, mágoas, de tristeza e de dor
Sem sangue, sem raiva e sem amor

Autoria: João Martins

domingo, fevereiro 21, 2010

Do Sofrimento à Distância



Toda a ajuda será concerteza pouca...

A Casa do Idiota

Nunca em Portugal tanta inteligência e tanto poder esteve concentrado na casa de um só idiota. Na Casa do Idiota, acessores, profissionais do marketing e da propaganda, amigos da câmara corporativa e outros profissionais do mundo da comunicação trabalham arduamente para controlar a informação que convém ao "chefe". Na Casa do Idiota imagina-se o mundo de Orwell (talvez sem nunca o ter lido) onde toda a sociedade é controlada pelo Grande Irmão. Na Casa do Idiota, reinam os idiotas. Na Era do twitter, do youtube, do facebook, do sms, dos jornais, da televisão, do telemóvel, do email, dos portáteis, dos satélites, do cabo e do iPad, os idiotas da Casa do Idiota alegadamente querem controlar os meios de comunicação social. Na Casa do Idiota ainda não se conhece a imagem da sociedade como sociedade transparente.

Na Casa do Idiota não se sabe que a queda de José Maria Aznar aconteceu através do sms. Na Casa do Idiota não se sabe que as imagens das Revoltas Iranianas chegam rapidamente ao outro lado do mundo através do Youtube e do Twitter. Na Casa do Idiota não se sabe que o mundo da informação e da comunicação foi crucial na "implosão" do Império Soviético Comunista. Na Casa do Idiota, confunde-se a representação planeada do mundo pelos idiotas com o mundo como representação das pessoas. Na Casa do Idiota pensa-se que se pode governar sem povo. Na Casa do Idiota criou-se um mundo de fantasia que em nada corresponde à fantasia do mundo.

Este fim de semana o idiota saiu da sua Casa e foi assegurar-se da jura dos fiéis e da sua cegueira colectiva, alertando contra os "ataques, ódios e insultos" por parte dos infiéis. O idiota sentiu uma absoluta necessidade de sair da sua Casa. Afinal o mundo social é bem mais complicado do que o mundo de Orwell de "1984". Pela minha parte não há qualquer vestígio de ódio, ou mesmo intenção de insulto. A palavra "idiota" que utilizo recorrentemente ao longo do texto não tem nada que ver com o seu sentido comum actual. Etimologicamente, idiota relaciona-se com o grego "ídios", que significa "particular". Um idiota significava assim, na Grécia Antiga, berço da democracia, aquele que se afastava da vida pública para tratar das suas coisas "particulares". É esse o sentido que dou neste texto ao termo idiota. A Casa dos Idiotas é a casa daqueles que têm como principal preocupação governar-se a si próprios. Quanto aos "ódios", aos "ataques" e aos "insultos", pedi conselhos ao grande poeta António Gedeão. "Ensaiei a frio, experimentei ao lume, de todas as vezes, deu-me o que é costume: nem sinais de negro, nem vestígios de ódio. Água (quase tudo) e cloreto de sódio".

João Martins

sábado, fevereiro 20, 2010

Conivências, Cumplicidades e Anestésicos

Pacheco Pareira escreve no seu blogue sobre a conivência de uma boa parte dos jornalistas com a situação gerada pelo governo de Sócrates no controlo sobre os meios de comunicação social. Não poderia estar mais de acordo. Por cá, pelo concelho de Al-‘Ulyã e arredores, tem sido deplorável o silêncio editorial de uma boa parte dos jornais e dos jornalistas da nossa praça, face ao maior ataque desde a revolução de Abril, à autonomia relativa do campo jornalistico. Sinal de conivências e de um jornalismo que tem muito que caminhar face às suas múltiplas dependências.

Mas as dependências, as conivências, as cumplicidades e os anestésicos de que vos quero voltar a falar são aqueles que se encontram no interior do partido socialista. O silêncio de uma boa parte daqueles que participaram na revolução de Abril é intolerável. Os "boys" que fizeram carreira nas juventudes partidárias, completamente desideologizados, e à espera da "sua vez" nos lugares do poder, sendo já de si lamentável este seu comportamento, ainda se poderia compreender a sua fidelidade incondicional. A sua estrutura e consciência política não lhes permite mais sonhos do que este simples pragmatismo na luta pelo seu status social. Mas de todos aqueles que sempre falaram em nome da liberdade, esperava-se muito mais. O seu silêncio é aterrador.

Estou a ler "O livro negro do comunismo". É fascinante perceber como perante o assassínio institucionalizado em massa, a crença ideológica e a loucura pela manutenção e conquista do poder silenciam todos aqueles que se esforçam para não ver o que é óbvio, pois são parte interessada na estória. De resto, o crime contra a humanidade que foi Auschwitz-Birkenau, para além de ter sido cometido por uma boa parte da inteligência de topo da altura, só foi possível com a conivência e o silêncio quase generalizado do povo alemão. É claro que estes são dois exemplos que não são comparáveis no seu horror e terror com o que está por cá a acontecer com a liberdade de imprensa. Mas não deixa de ser comparável na cegueira colectiva no interior do partido socialista. Honre-se as pouquíssimas excepções. Quando o partido socialista acordar deste pesadelo, vamos ver aquilo que resta. A situação presente não augura nada de bom para o futuro.

PS: Ver aqui o texto de Pacheco Pereira sobre o comportamento dos jornalistas: http://abrupto.blogspot.com/

Das Árvores de Portugal

Ver aqui: http://www.arvoresdeportugal.net/2010/02/neve-em-terras-do-algarve/

sexta-feira, fevereiro 19, 2010

Elevar o Gosto

Três Verdades Claras e Três Verdades Fáceis de Compreender

O primeiro ministro José Sócrates, provavelmente farto de ser acusado de mentiroso, anunciou ao país, perante as câmaras de televisão, que o criaram e que o estão a destruir, três verdades claras e três verdades fáceis de compreender. Aproveitou o tempo mediaticamente concedido para se fazer de vítima mais uma vez. Nada esclareceu sobre os factos do controlo dos meios de comunicação social por parte do seu governo, utilizando os dinheiros públicos de todos nós e voltou a confundir crítica política com insulto pessoal. Nessa mesma noite, na RTP do governo, perante uma Judite de Sousa cheia de perguntas de pendor socialista, Manuela Ferreira Leite voltou a afirmar que o primeiro ministro está a mentir. Três verdades claras e três verdades fáceis de compreender ou três mentiras claras e três mentiras fáceis de compreender? Razão tinha Pascal. O que é verdade de um lado dos Pirinéus é mentira do outro.

Post scriptum: A título de curiosidade e já que é de verdade e de mentira, que aqui e agora falamos, ainda neste mesmo dia, por via da justiça terrena, Gonçalo Amaral, via reforçada a proibição do seu livro "A Verdade da Mentira". Este poderia ser um bom título para este post.

quinta-feira, fevereiro 18, 2010

Bloco de Esquerda Loulé: Cem Dias de Intervenção Autárquica

Nota de Imprensa

O Bloco de Esquerda (BE) de Loulé realizou, na passada 6ª feira, uma sessão pública para apresentação do balanço dos 100 dias de intervenção autárquica. Recorde-se que o BE de Loulé elegeu, nas últimas eleições autárquicas, um deputado para a Assembleia Municipal de Loulé (AML), em apoio do qual se constituiu um grupo de trabalho autárquico que tem vindo a desenvolver uma intervenção política, alvo de discussão na referida sessão.

Aos aderentes, amigos e representantes da comunicação social presentes, o Bloco fez o ponto de situação das acções desenvolvidas em cada uma das áreas, propostas como compromisso eleitoral junto dos munícipes louletanos:

1. Exigência de maior rigor e transparência na gestão municipal: através da solicitação de parecer público sobre a eventual incompatibilidade das funções dos presidentes de Junta nomeados para o Gabinete de Apoio Pessoal do Presidente da Câmara; através de requerimento a solicitar a apresentação, na AML, dos documentos empresariais e financeiros das Empresas Mistas InfraLobo, InfraQuinta e InfraLago, da Empresa Municipal LC Global e da Empresa Intermunicipal Parque das Cidades, com vista ao estudo da sua racionalização e adequação municipal e à poupança de custos aos munícipes.

2. Defesa dos direitos sociais e melhoria da qualidade de vida: através da proposta de desagravamento e isenção das taxas fiscais no concelho e a sua transferência para investimentos destinados a equipamentos e fundos sociais, destinados aos sectores mais desfavorecidos do concelho; através da recomendação para identificação dos prédios degradados e devolutos, há mais de um ano no concelho, com vista à mitigação do problema da falta de habitação condigna.

3. Proposta de um desenvolvimento sustentável e participado: através de sugestões e recomendações na discussão pública dos Planos de Urbanização de Quarteira Norte/Nordeste e de Vilamoura XXI e de questionamentos ao governo sobre projectos como a Quinta da Ombria e o Aterro Sanitário do Sotavento, e ainda de questionamento à Câmara sobre a localização do empreendimento IKEA; através de proposta de integração, no Plano Director Municipal de Loulé, do interesse de criação de uma reserva natural de âmbito local na foz da Ribeira do Almargem.

Durante o ano de 2010 o Bloco de Esquerda de Loulé pretende consolidar as propostas e acções já desenvolvidas, e ainda avançar com a proposta de instalação do Provedor Municipal e do Conselho Municipal de Juventude. Pretende, ainda, realizar um conjunto de discussões públicas dedicadas a temas de interesse municipal como ‘o desenvolvimento económico-social do concelho’ e ‘o papel do turismo na economia do concelho’. E, ainda, desenvolver uma campanha de estímulo à participação cidadã na revisão do Plano Director Municipal de Loulé, com vista a uma maior coesão territorial.

Loulé, 15 de Fevereiro de 2010
A Comissão Coordenadora Concelhia de Loulé

Ver aqui a fonte: http://loule2009.blogspot.com/2010/02/balanco-dos-100-dias-de-intervencao.html

quarta-feira, fevereiro 17, 2010

Central Tóxica Corporativa

A 'central' do Governo

"A história da tal ‘central’ de propaganda do Governo pode parecer uma brincadeira, mas não é: nos últimos anos o Governo de José Sócrates usou meios públicos para fazer propaganda e campanha eleitoral. Quais? Assessores, chefes de gabinete, membros do Governo usaram o seu tempo, pago pelo erário público, instalações do Estado, meios informáticos públicos e informação privilegiada para fins de combate político. Como o CM demonstra nesta edição, o Governo alimentou blogues de campanha eleitoral daquela forma, mas também outros que antes e depois do tempo de eleições continuaram a ser a barriga de aluguer de argumentários e documentos pré-fabricados. Há preparação para responder a questões difíceis, por exemplo com perguntas e respostas sobre o caso BPN, ou manipulação de números sobre o investimento público, como o TGV. É tudo à vontade do freguês... Para quem ainda há menos de 15 dias enalteceu os valores da ética republicana este é um caso politicamente desastroso e de uma legalidade muito duvidosa. A utilização de meios do Estado, pagos pelos contribuintes, não consta de nenhum manual de história como um dos ‘valores’ do dito ideal republicano. O pagamento aos serventuários com as habituais benesses de nomeação para cargos também não. Mas com tal Governo tudo é possível..."

Eduardo Dâmaso in Correio da Manhã de 17/02/2010

Ps: Não é o Sol, nem o Público, nem a TVI, nem o Expresso, nem a Manuela Moura Guedes, nem o Jornal Nacional de Sexta-Feira, nem o bloguer Balbino Caldeira, nem o professor Charrua, nem o Mário Crespo, nem o Moniz, nem o Marcelo de Sousa e nem tem nada que ver com os quatro milhões de contos que financiam os jornais na Madeira e que a transformam num jardim. O Eduardo Dâmaso é provavelmente mais um "problema" que precisa de "solução". Já não é um problema de respiração. É de asfixia. Aqui pelo concelho de Loulé, eles também andam por aí...

Não Fui Eu Que O Disse



Ver mais aqui: http://www.abola.pt/mundos/ver.aspx?id=193905

O Neoliberalismo Explicado às Crianças

Por Rui Tavares, Público de 17 de Fevereiro de 2010

Os pobres que paguem a crise

"Lembram-se? No primeiro ato desta história, diziam-nos algo assim: é preciso deixar os ricos contentes e todos ganharemos com isso. Por "ricos" entendia-se uma série de eufemismos: os "grandes empresários", as "companhias mais dinâmicas", os "investidores arrojados", etc. Esta gente precisava de um especialíssimo ambiente para poder prosperar: um ambiente onde nada os contrariasse e, ainda assim, se criassem regras especiais para os atrair, seduzir e manter felizes. Era necessário que pagassem menos impostos do que nós todos, como era necessário que nos pudessem despedir com mais facilidade. Era necessário que o estado gastasse menos dinheiro connosco; a classe média (e até a classe baixa) compensariam a perda através do cartão de crédito, das dívidas em geral, e do empréstimo para continuar os estudos.
E foi assim que os estados - em princípio, feitos de cidadãos como você e eu - e os governos eleitos pela maioria de nós passaram décadas preocupando-se principalmente em mimar uma minoria em detrimento da maioria. Em "detrimento" não, peço perdão! Para nosso bem: era o tempo de metáforas como "se fizermos crescer o bolo haverá mais para toda a gente" ou "é preciso criar riqueza para depois a distribuir" ou "se chover para os mais ricos acaba por pingar para todos". Para bem das pedras que aguentavam a base da pirâmide era necessário que chovesse apenas na pedra lá do topo; alguma coisa haveria de escorrer por aí abaixo.
Alguém perguntava se em vez de criar riqueza para depois a distribuir não haveria forma de, desde logo, criar riqueza de forma mais distribuída. Mas não era escutado. Para perguntar como criar riqueza bastava a opinião dos ricos.
O segundo ato foi quando este belo mundo implodiu. Afinal, deixar a alta finança sem regulação não garante crescimento infinito. Afinal, despedir gente para aumentar valor em bolsa não é melhor do que ter empresas sólidas com produtos que as pessoas queiram. Afinal, as pessoas que faziam "gestão de risco" não sabiam que os preços das casas não sobem para sempre. Afinal, toda a gente percebeu que o bolo tinha diminuído e não aumentado.
E foi então que tivemos de os salvar.
Sem a ajuda pública, o sistema financeiro teria colapsado após Setembro de 2008. Os bancos, tal como os conhecemos, não existiriam se não os tivéssemos salvo. Para isso gastámos o dinheiro que deveria ter ido para os nossos hospitais, escolas, jardins e bibliotecas.
O terceiro ato faz de tudo isto uma obra-prima do teatro do absurdo. Porque o terceiro ato é igualzinho ao primeiro: os altos executivos continuam a ter os mesmos bónus que tinham antes, os lucros dos bancos que nós salvámos continuam a pagar menos impostos do que nós pagamos e o sistema financeiro não teve ainda reforma que se visse. Tudo igual, com a diferença de já não ser preciso justificá-lo. Já não acontece "para nosso bem". Acontece porque sim.
Para lançar sal na ferida, no quarto ato regressam reputados economistas que não previram a crise e descobrem que o estado está falido. E dizem-nos que, para salvar o estado, precisamos de "medidas radicais", entre as quais se conta baixar os salários da classe média em cerca de quinze por cento ou mais, naturalmente que para nosso bem. Parafraseando uma crónica recente de Daniel Oliveira no Expresso: se eu disser "os ricos que paguem a crise", sou um populista irresponsável; se eu disser "os pobres que paguem a crise", sou um lúcido realista.
E assim chegamos ao quinto ato. É aquele que não está escrito ainda."
Historiador. Deputado independente ao Parlamento Europeu pelo Bloco de Esquerda (http:/twitter.com/ruitavares)

Elevar o Gosto

Cálice



Bom regresso ao trabalho para aqueles que ainda o conseguem manter. Para todos os outros, cada vez em maior número, que o encontrem o mais rapidamente possível.

terça-feira, fevereiro 16, 2010

Imagens do Carnaval de Loulé

Loulé, 14 de Fevereiro de 2010

Resistindo às temperaturas baixas, em direcção ao corso na Avenida José da Costa Mealha. Neste dia, a chuva interrompeu o senhor Carnaval e o desfile fechou mais cedo.

Artimanhas Socráticas

Para os fiéis do regime, não é o controlo dos meios de comunicação social pelo governo que os incomoda. Pasme-se, é a manifestação das pessoas que se indignam e que acham que a liberdade de expressão não pode ser comprometida em momento algum. E são estes mesmos fieis que andam de cravo no peito nos feriados de 25 de Abril. E não percebem o quanto mal estão a fazer à democracia portuguesa. Era só o que faltava agora as pessoas perderem o seu direito de manifestação.

Ver aqui: http://ssebastiao.wordpress.com/2010/02/16/chega-de-delirio/


segunda-feira, fevereiro 15, 2010

Parque Municipal de Loulé

Loulé, Fevereiro de 2010

Os Fiéis de Sócrates

Ver aqui o que acontece a cada indivíduo que se atreve a criticar o primeiro ministro José Sócrates em público. Não, isto não está só a ficar de difícil respiração. Isto está a ficar perigoso...

Aqui: http://asvozesdosoutros.blogspot.com/2010/02/o-mentiras.html

Parque Municipal de Loulé

Da "requalificação" do Parque Municipal de Loulé

Cada vez que ouço o senhor Presidente da Câmara Municipal de Loulé falar de revisões do PDM, ou de "requalificações", como é este o caso, até tremo só de pensar no que está para vir. Isto não tem impactos ambientais sobre o habitat arbóreo do parque?

sábado, fevereiro 13, 2010

Pinócrates

Hoje foi dia de Expresso. Segundo os fiéis do Rei Sol, mais um orgão de comunicação social a conspirar sobre o partido que se diz socialista.

2010: Abate de Árvores em Loulé

Loulé, Fevereiro de 2010

Junto à estação da Rodoviária




Por cá, continua o grande amor, às coisas do ambiente e da natureza...

Colocar o Problema Onde Ele Deve Ser Colocado

Ao contrário do que nos querem fazer crer os arautos defensores da liberdade, que criticam com ênfase aqueles que se exprimem pela livre expressão, não penso que o problema central da discussão, seja neste momento, Portugal ser ou não um país livre. A democracia de baixa intensidade que reina no nosso país não tem que ver só com o governo de Sócrates. Tem que ver com o geral descrédito da classe política portuguesa e da correlativa desconfiança do cidadão comum sobre quem nos governa. Se quiserem, para ser mais claro, tem que ver com o maior défice da sociedade portuguesa, o seu défice de cidadania.

Com uma concepção política predominante de democracia, que a reduz aos seus aspectos formais e legais, a elite política portuguesa adormece em cima da global transformação social que atravessa a sociedade portuguesa. Daí que Sócrates se agarre às justificações formais e aja como se o contrato social entre governantes e governados fosse uma mera questão de formalismo legal. Se assim o fosse, a Venezuela de Chavez, a Itália de Berlusconi, ou a Rússia de Putin, seriam um exemplo perfeito para as democracias ocidentais.

Ora a verdadeira questão que deve ser colocada, é se gostamos de viver num país em que o primeiro ministro persegue jornalistas, aponta o dedo a televisões e jornais nacionais e manipula, controlando, os orgãos de comunicação social, com o dinheiro de todos nós, em associação e tráfico de influências com o poder económico. Esta é a verdadeira questão. E quem não perceber isto, não percebe nada do que é viver num Estado Democrático. Ou melhor dizendo, já nem sequer tem a capacidade de perceber a diferença. A não ser que os motivos sejam de outra ordem. Mas já nada me espanta...

Pôr-do-Sol

Tapar o Sol Com a Peneira

Há por aí alguns blogues da situação que me fazem lembrar o Ministro da Informação do Iraque, Mohammed Saeed Al-Sahhaf. Já as tropas americanas estavam dentro de Bagdad e o Ministro da Propaganda continuava a anunciar o inferno americano.

Ver aqui: http://ssebastiao.wordpress.com/2010/02/12/sol-em-dia-chuvoso/;

aqui: http://asvozesdosoutros.blogspot.com/2010/02/ainda-liberdade-liberdade-liberdade-e.html;



Ontem Foi Dia de Sol

quinta-feira, fevereiro 11, 2010

Amanhã o Sol Brilhará Para Todos Nós



Via: http://arrastao.org/sem-categoria/e-o-sol-brilhara-para-todos-nos/

A Grande Calhandrice

Um fantasma percorre o país. Poder político, poder económico e poder judiciário, aliaram-se numa das maiores calhandrices da história de Portugal, do pós-25 de Abril. O poder político ocupou o topo do aparelho de Estado, já não só em prol do partido, mas em prol de uns poucos elementos do partido. A casa de todos nós está ao serviço da Casa de Sócrates. O ministro da Justiça, sem o mínimo de hesitação, parte interessada do poder governativo, saiu em defesa do poder que deveria ser independente e autónomo do poder dos políticos. É a separação dos poderes que está em causa. Como sugere e bem, Rui Rangel hoje num diário nacional, o poder da justiça não pode ter amigos e inimigos, pois se o fizer, corre o risco, digo eu, de passear de fraldas no meio da rua. Mas o que o conteúdo do despacho que foi arquivado pelo Procurador Geral da República, demonstra, é o conluío entre os três grandes poderes, a um nível nunca visto, na democracia portuguesa. A tomada de assalto de orgãos de comunicação social pelo poder político, não nos pode deixar descansados enquanto cidadãos, isto se ainda prezamos alguma diferença entre o reino da democracia e um outro qualquer regime despótico. Num contexto de uma das maiores crises económicas de que há memória, o país político anda entretido com as dúvidas perenes e constantes do comportamento do senhor primeiro ministro. A saída para a crise, que já hipotecou a vida de muitas das actuais e futuras gerações, passa por restaurar, em primeiro lugar a dignidade do Estado. E isso implica correr o mais depressa possível com o governo de Sócrates. O segundo passo é tirar a social democracia da gaveta. Independentemente da cor que esta tiver. Quanto mais tarde isto for feito, mais tempo nos atolamos no pântano. A opção está nas mãos de cada um de nós. E do senhor Presidente da República também.

quarta-feira, fevereiro 10, 2010

Verdades Aceites Sem Discussão

"O problema é que a oposição sabe que, por pior que seja Sócrates, não existe alternativa ao seu famigerado governo"
Constança Cunha e Sá, in Jornal "i" de 10/02/2010

Já é tempo de se acabar com estas verdades aceites sem discussão. É que nem Portugal é um país de mentecaptos, como nos parecem fazer crer, nem é muito difícil fazer melhor do que o governo de Sócrates. Pelo contrário, fazer pior é que seria obra.

Liberdade e Democracia

"O que acontece mais frequentemente é que um povo, que havia suportado sem se queixar e como se não sentisse as leis mais opressivas, as rejeita violentamente a partir do momento em que o seu peso se aligeira (...) o mal pacientemente suportado como inevitável torna-se insuportável a partir do momento em que se concebe a ideia de lhe escapar (...) é certo que o mal se torna menor, mas a sensibilidade também se tornou mais viva."

Alexis de Tocqueville, L'Ancien Régime et La Révolution.

terça-feira, fevereiro 09, 2010

Todos Pela Liberdade

Todos Pela Liberdade

A resposta a este caro ilustre opinador: ver aqui http://ssebastiao.wordpress.com/2010/02/09/sobre-a-peticao/foi esta;

"Caro amigo Almeida,

Isto não é um problema de esquerda ou de direita, é um problema de liberdade e de democracia. E lamento muito a sua conivência e contribuição tolerante para o branqueamento deste tipo de situações. Não se fez o 25 de Abril para isto. De toda a forma a história dirá quem tem razão. Lamento que os seus "filtros" só consigam olhar para estes graves atentados à democracia, através da política partidária. Mas eu percebo-o perfeitamente. Quando se está dentro é difícil olhar de fora."

Abraços
João Martins

Atacar o mensageiro para abafar a mensagem

Onde é que já vi esta estratégia. Desvalorizar o conteúdo altamente comprometedor das escutas e partidarizar a coisa. Entretanto, procura-se fazer também do procurador e do presidente do supremo vitímas de mais um ataque conspirativo. E a estratégia tem resultado sempre. Num país meio adormecido, tem resultado sempre. Num país a sério, o governo já tinha caído. E o PSD acha que Sócrates não se deve demitir. Marcelo já o disse. Mais uma vez a pensar no umbigo interino à espera dos bons dias. Primeiro a gente estranha, depois entranha. Mas começo a ter vergonha dos governantes do meu país. Já não é só desprezo, nem somente indiferença, é mesmo vergonha. É triste assistir a este triste espectáculo mais uma vez. Mais uma vez...e outra vez...e outra...e outra...o povo português já não aguenta muito mais.

Todos Pela Liberdade

Intervalo

A Herança do Socratismo

É mesmo disto que falo: http://arrastao.org/sem-categoria/que-ainda-haja-por-ali-quem-nao-esteja-fora-do-mundo/; Ler em especial a parte dos monstrinhos...

E o Pacheco Pereira está farto de avisar...http://abrupto.blogspot.com/2010/02/coisas-da-sabado-as-campanhas-de_06.html;

Aqui por Loulé escondem-se por detrás da voz dos outros...http://asvozesdosoutros.blogspot.com/2010/02/democracia-do-crespo_08.html;

E o pior desta história é que não sabemos se amanhã há conquilhas...http://hojehaconquilhas.blogs.sapo.pt/1091033.html

Todos Pela Liberdade

Para: Presidente da Assembleia da República, Dr. Jaime Gama

O primeiro-ministro de Portugal tem sérias dificuldades em lidar com a diferença de opinião.

Esta dificuldade tem sido evidenciada ao longo dos últimos 5 anos, em sucessivos episódios, todos eles documentados. Desde o condicionamento das entrevistas que lhe são feitas, passando pelas interferências nas equipas editoriais de alguns órgãos de comunicação social, é para nós evidente que a actuação do primeiro-ministro tem colocado em causa o livre exercício das várias dimensões do direito fundamental à liberdade de expressão.

A recente publicação de despachos judiciais, proferidos no âmbito do processo Face Oculta, que transcrevem diversas escutas telefónicas implicando directamente o primeiro-ministro numa alegada estratégia de condicionamento da liberdade de imprensa em Portugal, dão uma nova e mais grave dimensão à actuação do primeiro-ministro.

É para nós claro que o primeiro-ministro não pode continuar a recusar-se a explicar a sua concreta intervenção em cada um dos sucessivos casos que o envolvem.

É para nós claro que o Presidente da República, a Assembleia da República e o poder judicial também não podem continuar a fingir que nada se passa.

É para nós claro que um Estado de Direito democrático não pode conviver com um primeiro-ministro que insiste em esconder-se e com órgãos de soberania que não assumem as suas competências.

É para nós claro que este silêncio generalizado constitui um evidente sinal de degradação da vida democrática, colocando em causa o regular funcionamento das instituições.

Assistimos com espanto e perplexidade a esse silêncio mas, respeitando os resultados eleitorais e a vontade expressa pelos portugueses nas últimas eleições legislativas, não nos conformamos. Da esquerda à direita rejeitamos a apatia e a inacção.

É a liberdade de expressão, acima de qualquer conflito partidário, que está em causa.

Apelamos, por tudo isto, aos órgãos de soberania para que cumpram os deveres constitucionais que lhes foram confiados e para que não hesitem, em nome de uma aparente estabilidade, na defesa intransigente da Liberdade.

Promotores do Manifesto:

Ana Margarida Craveiro
Manuel Falcão
Vasco M. Barreto
Rui Tabarra e Castro
Henrique Raposo
Adolfo Mesquita Nunes
Luís Rainha
Laura Abreu Cravo
Manuel Castelo-Branco
Paulo Morais
Gabriel Silva
Tiago Mota Saraiva
Alexandre Borges
João Gonçalves
Rui Cerdeira Branco
João Miranda
Nuno Miguel Guedes
Fernando Moreira de Sá
Vasco Campilho
Nuno Gouveia
Carlos Nunes Lopes
Sérgio H. Coimbra
Maria João Marques
Hélder Ferreira
Manuel Castro
Alexandre Homem Cristo
Henrique Burnay
Carlos Botelho
André Abrantes Amaral
Francisco Mendes da Silva
Carlos M. Fernandes
João Moreira Pinto
João Vacas
Jacinto Moniz Bettencourt
José Gomes André
Afonso Azevedo Neves
Ricardo Francisco
Sofia Rocha
Miguel Noronha
Pedro Pestana Bastos
Raquel Vaz-Pinto
Manuel Pinheiro
Nuno Branco
Carlos do Carmo Carapinha
João Condeixa
Carlos Pinto
Luís Rocha
Rodrigo Adão da Fonseca
Gisela Neves Carneiro
Nuno Pombo
Rui Carmo

Os signatários

Pode assinar aqui: http://www.peticaopublica.com/?pi=P2010N1213

domingo, fevereiro 07, 2010

A Fama e o Proveito: A Doce Tirania

Alexis de Tocqueville, um dos mais célebres autores do mundo moderno a reflectir sobre a democracia e as sociedades democráticas ocidentais, demonstrava, em 1840, a sua preocupação com o que designava de "Tirania Doce". Tocqueville inquietava-se à época com a situação política criada nas democracias modernas, em que os cidadãos, entregues à paixão do bem-estar material, entregavam as coisas da política nas mãos do poder político, abandonando os seus deveres políticos e deixando aos políticos o espaço para se desenvolver uma tecnologia de poder tirânico, sem o devido espaço de contra poder. Há algo de tirânia doce nas relações entre o poder de Sócrates e a sociedade Portuguesa. A paixão pelo bem estar material está a dar cabo da paixão pela democracia. O regresso do professor Charrua à escola foi interpretado como um mero "tique" anti-democratico. O bloguer António Balbino Caldeira foi interpretado como um "obcecado", e portanto, um homem fanático e doente, que concerteza mereceria ser processado pelo primeiro ministro. Os nove jornalistas processados de uma assentada, foi interpretado por muitos e pelo principal interessado nesta interpretação, como um "caso" de legítima defesa do Primeiro Ministro, porque afinal este também é um cidadão de carne e osso, e deve-se defender das críticas jornalisticas em tribunal e, ao fim e ao cabo, não foram os jornalistas que foram processados, mas as pessoas que existem nos jornalistas. O "problema" Manuela Moura Guedes, foi interpretado como um "devaneio" de mau jornalismo que teria "legitimamente" que desaparecer de cena. Autorizou-se o primeiro ministro a definir o que é o "bom" e o "mau" jornalismo. Moura Guedes abandonou a cena e está de baixa médica. O Jornal Nacional da TVI nunca poderia fazer "aquele" tipo de jornalismo. Um jornal que dedica tanta atenção às licenciaturas da Independente, às casas da Cova da Beira, à construção do Freeport no estuário do Tejo, às questões da sucata e às tentativas de controlo dos meios de comunicação social não é digno da "democracia" portuguesa. Depois havia ainda que eleger um presidente para o Benfica. Em nome da salvação da pátria. E é claro que José Eduardo Moniz era o homem ideal. Com telefonemas de homem furibundo para José Alberto Carvalho, director de informação da RTP, com telefonemas para Ricardo Costa da SIC a tratá-lo por tu, com o Jornal de Notícias a dar as notícias do Portugal "democrático" de José Sócrates, havia que fazer qualquer coisa com a TVI. Tirar de lá para fora o seu homem forte. Os congressos do PS também servem para isso. Para dar orientações claras e em voz alta do que é o jornalismo que deve existir e o tipo de notícias que se deve produzir. Fora com o casal Moniz. Posteriormente, apareceu um "chato" incomodativo chamado Mário Crespo que não gosta de "palhaçadas" e que acha que a democracia não deve ser apenas o reino de um. Mas o "chato" que incomoda os poderes governativos até é um "louco" a precisar de ser "internado" e sobretudo é um "problema" que urge uma "solução". De caminho até se podia pensar no Medina Carreira, esse maldito desbocado que ousa criticar o poder político com os seus desmoderados comentários. Na santa RTP, o seu director de informação tem andado com insónias desde que o santo Vitorino, que elaborou o programa do PS, disse que se quer ausentar do programa da RTP. Logo, José Alberto Carvalho perdeu o sono. Marcelo não pode continuar. Existia também um director de jornal, que se chama Público, que depois de ser objecto de crítica e rejeição por Sócrates, abandonou a direcção de informação. O director do jornal SOL já fez queixa à Entidade Reguladora da Comunicação Social porque houve uma tentativa, através da intervenção dos bancos e dos financiamentos e créditos concedidos (ou não) ao conhecido semanário, de "arrumar" com o seu jornal. O caso face "oculta", revelou uma monstruosidade conspirativa atentatória do estado democrático. E o "povo" português, essa entidade abstrata, que está em todo o lado e em lugar nenhum, está preocupado legitimamente com o seu bem estar material. Ao contrário do que um certo senso comum político apregoa, não é a segurança a condição primeira das liberdades. Pelo contrário, é a liberdade que concede a democracia, a primeira das condições da segurança dos cidadãos. O caminho para a doce tirânia está em cima da mesa. Evitá-lo, é perceber que não é uma alternativa dicotómica a escolha entre liberdade e bem estar material. São ambos concomitantes. Alimentam-se reciprocamente.

sábado, fevereiro 06, 2010

Obviamente Demita-se

José Sócrates não pode continuar a ser primeiro ministro de Portugal. Já não tem condições para isso. A política bateu no fundo.

Bom Fim de Semana

Marina De La Riva

Alheamentos, Consentimentos e Conivências

É absolutamente inacreditável que o Presidente da República Portuguesa, Aníbal Cavaco e Silva, não se pronuncie sobre as relações entre o governo de Sócrates e a comunicação social. É absolutamente inacreditável que a liberdade de imprensa, um valor basilar em qualquer democracia civilizada, seja tratada como uma telenovela, como se nada estivesse a acontecer. É absolutamente inacreditável que os Alegres, os Soares e os Sampaios deste mundo, assistam a tudo isto, no mais incrível dos silêncios. Há alturas na vida em que os favores, as dependências e as conivências, deixam de ter valor de troca. E já chegámos a esse ponto.

Rotinas



Homo Digitalis: Produzir mutações cerebrais a partir dos dedos das mãos...

quinta-feira, fevereiro 04, 2010

Bom Carnaval!

Problemas e Soluções

José Sócrates ameaça demitir-se. Fiquei cheio de insónias. É que isso é parte da solução, não é parte do problema.

Elevar o Gosto

Annie Lennox- Why



PS: Pausa para almoço. É dia de aniversário cá em casa. O Miguel faz um ano de vida. Por muito que nos queiram fazer pensar que não, há mais vida para além do défice público. E é essa mais vida que nos faz viver...

quarta-feira, fevereiro 03, 2010

Esta Gentinha Que Nos Governa

Parece que alguns deputados do PS, num acesso doentio de iluminismo esclarecido, encontraram a solução (não falo dos "problemas" Mário Crespo, nem Medina Carreira, falo de uma verdadeira "calhandrice") para os problemas da corrupção que atravessa o aparelho de Estado. Todos os contribuintes terão que expôr publicamente na praça pública o seu rendimento bruto. Parece-me bem. Sugiro mesmo que se faça um ranking a partir dos rendimentos dos contribuintes e que se premeie os de maiores rendimentos e se penalize os que menos auferem. Se não enriqueceu, tivesse enriquecido, que isso de ser pobre é uma vergonha aos olhos do Estado. Isto permitiria também categorizar os contribuintes a partir dos seus rendimentos brutos. Os distintos e super remunerados ocupariam um lugar de excelência aos olhos do Estado, os remediados, receberiam apoios do Estado para chegaram à excelência contributiva e os pobres ficariam com o rótulo de personas non gratas, à imagem dos discursos sobre os Estados explorados, que são rotulados de Estados "falhados". Depois, ainda vejo imensas vantagens. Imaginem só eu a vasculhar nos rendimentos dos vizinhos aqui do bairro e a sair de peito inchado para a rua numa vaidosa ilustração de virilidade a dizer em voz alta: "eu ganho mais 500 euros do que tu", põe-te a pau, porque dinheiro é poder e a tua mulher até já anda de olho em mim. A partir daqui, podiamos sempre arranjar as amizades em função do ranking dos rendimentos pessoais e até, quem sabe, partir para o casamento ideal. Não bastam já os chips nas matriculas de automóveis, as câmaras de vigilância amadas por todos os políticos de todas as ideologias, a retina bem registada nos serviços médicos e de saúde, dita por enquanto pública e ainda os SMILES deste mundo, que arruinam todas as liberdades individuais tão duramente conquistadas, em nome da sacrossanta "segurança". Agora cada um apresenta aos outros os rendimentos em bruto resultantes do seu trabalho. É assim, esta gentinha que nos governa. É assim que a política perde todo o seu crédito. Isto não é só o Big Brother. Isto é a verdadeira calhandrice.

O IKEA na esfera pública

Loulé, a política e as políticas

"Seruca Emídio conseguiu o que até aqui, nenhum autarca do Algarve conseguira: Levar oito associações empresariais a pronunciarem-se sobre um cluster comercial no seu concelho. Não consta que os empresários sejam avessos a investimentos e por isso, este interesse por Loulé sugere uma crescente influência do concelho na economia regional. A uma maior influência corresponde, inevitavelmente, uma maior responsabilidade na gestão deste dossier, que extravasa as fronteiras concelhias, regionais e até nacionais, a avaliar pelos investidores interessados e respectivas movimentações. Ressalvando as picardias de índole paroquial, expressas em alguns comentários que os leitores do Observatório do Algarve fizeram às notícias aqui publicadas, mas também em órgãos de informação nacional ditos de referência, este passou a ser um caso político ou com mais propriedade, das políticas de desenvolvimento regional. Desde a política de ordenamento do território, passando pela política de implantação das grandes superfícies versus comércio tradicional, da política do sector agrícola e da preservação do ambiente, dos transportes e acessibilidades, mas também da cidadania e culminando no papel que hoje as autarquias podem desempenhar como agentes do desenvolvimento, o cluster implica uma visão estratégica sobre todas estas políticas sectoriais. Os empresários do Algarve já mostraram que estão interessados nesse debate, assumindo por uma vez uma posição concertada, expressa publicamente e prévia a qualquer decisão oficial sobre a questão. Afinal, “cluster é um conjunto de atractivos (ou empresas) com destacado diferencial, dotado de equipamentos e serviços de qualidade, com gestão competitiva e concentrado num espaço geográfico delimitado”, dizem os economistas. E a pergunta que vale um milhão de euros é se o autarca de Loulé vai definir uma área de instalação de um cluster comercial, ou se vai ponderar onde se instala um armazém de mobiliário. Pode parecer, mas não é a mesma coisa."

Conceição Branco in
http://www.observatoriodoalgarve.com/cna/editorial_ver.asp?opiniao=711

terça-feira, fevereiro 02, 2010

Indiferenças Democráticas

Primeiro, foram alguns jornalistas de uma assentada. E ninguém quis saber. Depois, foi o José Eduardo Moniz, da TVI. E ninguém quis saber. Depois, foi a Manuela Moura Guedes do Jornal Nacional. E ninguém quis saber. Depois, foi o próprio Jornal Nacional da TVI. E ninguém quis saber. Depois, foi o José Manuel Fernandes do jornal Público. E ninguém quis saber. Depois foi o Saraiva do Sol. E ninguém quis saber. Depois, o professor Marcelo da RTP e ninguém quis saber. Agora, foi o Mário Crespo, ex-Jornal de Notícias. E ninguém quis saber. Um dia destes vai ser o macloulé. E ninguém vai querer saber. E um dia, caro amigo, vai ser você. E ninguém vai querer saber. Sobrarão apenas os jumentos deste mundo. Mas esses são felizes assim...

Asfixia Não Democrática

Mário Crespo abandona colaboração com JN

Mário Crespo vai deixar de colaborar com o Jornal de Notícias depois de a publicação ter recusado um texto de opinião onde o jornalista relata um encontro entre Sócrates, Lacão, Silva Pereira e um executivo de televisão, onde Crespo foi referido como um «problema» que tinha de ter «solução», apurou o site do Sol. O artigo de Mário Crespo, que seria hoje publicado, na coluna de opinião do Jornal de Notícias foi rejeitado pela direcção do referido diário, acrescenta o Sol na sua edição online. No texto, Crespo alude a um almoço que reuniu o primeiro-ministro José Sócrates, o ministro da Presidência Pedro Silva Pereira, o ministro de Assuntos Parlamentares, Jorge Lacão, e um executivo de televisão. Nesse encontro, num hotel de Lisboa, Mário Crespo terá sido referido como «um problema» que teria de ter «solução». No artigo, o jornalista enumera exemplos de outros «problemas» que o Governo socialista terá «solucionado»:Manuela Moura Guedes, José Eduardo Moniz, o Jornal de Sexta da TVI e José Manuel Fernandes, ex-director do Público. O jornalista contou ao Sol que enviou, às 06:00 de domingo, o texto para o «copy desk» do JN. Por volta das 24:00, Mário Crespo recebeu uma chamada telefónica do director do diário, José Leite Pereira, com indicação de que o artigo de opinião não seria publicado. Questionado sobre as razões para a não publicação, Mário Crespo refere que «não houve uma explicação plausível», por parte do director do jornal. Perante esta situação, o jornalista da SIC decidiu cessar a colaboração com o JN.

In: http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?section_id=9&id_news=433491&page=0

Veja mais aqui: http://abrupto.blogspot.com/2010_02_01_abrupto_archive.html#679369019303012798