sexta-feira, dezembro 31, 2010

Feliz Ano Novo



O blogue macloule deseja a todos os que aqui espreitam de vez em quando um feliz Ano Novo com votos de muitos momentos de felicidade, muita saúde e muito carinho humano!

quinta-feira, dezembro 30, 2010

Memórias de Fim de Ano



1. No momento em que escrevo estas palavras, o capitalismo atravessa uma das maiores crises cíclicas da sua História. Em resultado de politicas económicas desastrosas para uma boa parte da população mundial, inspiradas desde há algumas décadas pela ideologia neoliberal, o desemprego graça, a miséria alastra, as classes médias empobrecem e o nível de vida das populações entra numa escalada recessiva de difícil inversão no curto prazo à escala ocidental. Na sequência dos desvarios dos mercados financeiros, politicamente incentivados nas últimas décadas, no sentido da sua desregulação, o capital financeiro acumulou lucros como nunca foi capaz historicamente de o fazer, ao mesmo tempo que a economia real se afundava e que a sociedade degradava a sua capacidade de fazer futuro. A resposta à crise, assente em políticas austeritárias, é, entretanto, levada a cabo pelos mesmo actores que mais contribuiram para a produção da crise e com as respostas do mesmo tipo das que nos conduziram até aqui. O tempo é fértil para o triunfo de uma das ideologias legitimadoras da dominação mais potentes dos tempos actuais. A transformação da vitíma em culpado. Como os neoliberais acham sempre que a solução "é fazer mais com menos" e que é preciso "cortar", "emagrecer", "deixar de viver acima das possibilidades", "baixar salários", "poupar no estado social" e promover a "ideologia meritocratica" na qual "cada cidadão deve dar o melhor de si", a incapacidade dos indivíduos resolverem os problemas da sua vida só pode ser coisa da sua "responsabilidade". Está desempregado devia ter apostado na sua formação. Está doente, devia ter apostado na prevenção. Tem insucesso escolar, os seus pais deviam ter cuidado da sua educação. A substituição da ideologia da responsabilidade pela ideologia da responsabilização é um dos mais poderosos mecanismos de dominação social das sociedades contemporaneas. O contexto está aí para a reforçar. Para além deste mecanismo temo que a insegurança social resultante do medo e da incerteza face ao futuro acentue aquilo que alguns estudiosos do social têm vindo a alertar. A substituição do estado social pelo apelo a mais estado penal. Se não se resolve o problema da pobreza e dos pobres então que se prendam os pobres. É assim que já se faz nos EUA.

2. Mas os tempos actuais levantam também desafios inéditos aos governos à escala mundial, nacional, regional e local. Como referiu em tempos Daniel Bell, os Estados nacionais tornaram-se demasiado pequenos para fazer face aos grandes problemas do mundo e ao mesmo tempo eles são demasiado grandes para fazer face aos pequenos problemas diários com que se defronta a vida quotidiana das pessoas. E os desafios são enormes. Não é só a crise económica e financeira. Mas é o gigantesco problema que colocam as alterações climáticas com reflexos directos ou indirectos na capacidade de fazer desenvolvimento, na pobreza, nas desigualdades sociais e na degradação ecológica progressiva do nosso planeta. É a gigantesca questão social que coloca ao ocidente o envelhecimento progressivo da sua população. É um modelo de sociedade com um modelo de desenvolvimento económico assente no desemprego estrutural e na precarização estrutural do trabalho que coarta a capacidade de fazer futuro, pois que está assente numa lógica de curto prazo. São as novas doenças civilizatórias assentes no modo de vida ocidental. É o risco de falência do Estado Providência tal como o conhecemos até há muito pouco tempo sem se vislumbrar ainda que novas formas de solidariedade societal o poderão substituir. É o risco de novas guerras de forte dimensão resultantes da escassez relativa um pouco por todo o mundo. É a corrosão da democracia pelo capitalismo financeiro. A lista de desafios com que nos defrontamos é infindável. Trata-se de fazer e refazer o mundo com o mundo que temos debaixo dos nossos pés. Uma condição essencial para isso é a refundação do político. Não só do funcionamento dos partidos políticos mas também da relação dos cidadãos à democracia. É preciso portanto democratizar a democracia. A política não pode de maneira nenhuma ficar prisioneira dos grandes poderes económicos. Sob pena de debaixo do chavão democracia passarmos a viver outra coisa qualquer. É sempre bom relembrar que à porta de Auschwitz estava lá escrito "O trabalho liberta".

quarta-feira, dezembro 29, 2010

Continuando a Caminhada Para o Abismo

As medidas convergem (quase) todas na mesma direcção. Agora é o ataque aos trabalhadores independentes através do exponencial aumento dos pagamentos para a (in) segurança social. Os desempregados e os reformados que recebem uma miséria a pagarem taxas moderadoras na saúde e os pequenos comerciantes a serem taxados a níveis incomportáveis. O governo de Sócrates é "corajoso". Ele sabe bem onde espezinhar.

A Vida da Rede

Judicializar a crítica do consumidor a partir da rede na era das interconexões é estar a gerir as empresas como na era da minha avó. É não perceber nada do mundo tal qual ele funciona hoje. No mínimo é um atestado de incompetência gestionária passado a si próprio. E era só um telemóvel. Um tiro no pé, portanto.

Nacionalizar as Agências de Rating

Não percebo como é que poderes não democráticos que têm a capacidade de dizimar a vida de milhões de pessoas e de levar Estados inteiros à bancarrota de um momento para o outro, são deixados de rédeas à solta pelos poderes políticos que nos governam (?). A política não deveria servir para alguma coisa?

terça-feira, dezembro 28, 2010

Cancro

Ontem vi uma excelente reportagem, numa televisão portuguesa, sobre o problema dos doentes oncológicos, centrada sobre as questões do cancro do intestino. Senti um misto de medo, com impotência e vulnerabilidade total. Estas são as situações em que a condição humana se defronta e se afronta com a sua vulnerabilidade máxima. Uma política nacional de rastreio é fundamental. Aqui no Algarve também...

Elevar o Gosto

Feelin' Good - Nina Simone

segunda-feira, dezembro 27, 2010

Os Partidos

O melhor contributo que os partidos políticos em Portugal poderiam ter dado à democracia foi mesmo este desta semana de serem os contribuintes sob a forma do "Estado" a pagarem os abusos e as trafulhices dos seus líderes. Era mesmo disto que a democracia portuguesa estava a precisar. Não precisamos discutir sequer a lei do financiamento partidário. Os gastos abusivos dos líderes partidários pagos pelo esforço do trabalho da minha pessoa. Volta modo de produção esclavagista. Estás perdoado.

Calem-se Porra!

Os "mercados" estão por todo o lado. Eles podem ouvir. Caladinhos, que assim é que a democracia funciona bem e é disso que os "mercados" gostam. Oiçam o presidente Silva, que ele é que sabe como é bom uma "imprensa suave", um povo sossegadinho e boas donas de casa como forma de se ser mulher exemplar. Faço uma declaração de interesse. Eu não privo com este homem.

domingo, dezembro 26, 2010

Do Pessimismo Irrealista ao Optimismo Deslumbrante

1. O pessimista irrealista pode ser encarnado na pessoa do ex-ministro Medina Carreira. Por muito que alguém lhe tente explicar que o sistema educativo português teve uma melhoria significativa nas últimas décadas na sociedade portuguesa, ele vai sempre dizer que a educação é uma desgraça e que no seu tempo é que era, pois agora ninguém sabe fazer contas. O dr. Medina Carreira é o protótipo dos profetas da desgraça. Um bom representante da espécie que acha sempre que "no seu tempo é que era". Mesmo que esse tempo tivesse sido o da educação salazarista.

2. O pessimista realista é o tipo que vê as coisas negras como elas efectivamente são e não lhes vislumbra saída. O pessimista realista será o tipo que receia a entrada do FMI pois é possível que tal aconteça e não augura nada de bom com a chegada de tão ilustre visitante. O pessimista realista normalmente é um tipo que não é encarado como boa companhia. As pessoas detestam ouvi-lo.

3. O optimista realista é um tipo interessante. Ela não nega a realidade. Sabe inclusive que as coisas estão pretas. Mas sabe também que o mundo é feito todos os dias de múltiplas formas das pequenas e grandes coisas da vida. O optimista realista não é o típico crente na ideologia do progresso. Ele é mais aquele que sabe que são os homens e as mulheres que fazem a História embora muitas vezes não saibam a história que estão em vias de fazer. É o tipo que acredita que a partir do mundo que temos outros mundos são possíveís.

4. O optimista deslumbrado pode ser encarnado na personagem de José Sócrates. O mundo pode estar a desabar à sua volta por todos os lados, que haverá sempre um indicador estatístico ou um qualquer carro eléctrico que o faz transbordar de optimismo. Este tipo de optimista é o optimista perigoso. É aquele que consegue convencer uma boa parte dos que o rodeiam a jogarem-se para o abismo.

5. O tempo precisa urgentemente da espécie optimista realista e de utopias criadoras. Sem as quais a cacofonia da vida quotidiana fica com dificuldade em ganhar sentido. Mas não estou a falar de homens providênciais é claro. Essa foi uma espécie que foi nefasta de mais à história humana. O homem providêncial tem uma adoração especial por "ismos". E isso é tudo o que agora não nos faz falta.

Massagem de Natal

Estava eu tranquilamente a jantar em família, numa saudável confraternização, quando aparece no ecran da tv, o chefe do Socralismo, para mais uma massagem de Natal. Mudei de canal é óbvio. Em dia de Natal devia ser proibido.

sexta-feira, dezembro 24, 2010

Feliz Noite de Natal

1. Começo pelas prendas. A maior dificuldade é sempre a prenda para a esposa. Tenho dificuldade com a escolha dos tamanhos de roupa. Não tenho perícia na escolha do perfurme certo. Não tenho dinheiro para fios de ouro e relógios de prata. Tenho falta daquela intuição e inteligência que é muito feminina. A escolha da prenda para a mulher põe em evidência todas as minhas desastrosas incapacidades. Poderia dizer que isto é assim para todo o universo feminino que me rodeia. Mas não é. Para a sogra vai uma moldura para pôr a fotografia dos netos. Para a mãe um album de fotografias e para a irmã um livro sobre o amor e as relações amorosas no regime de Salazar. A prenda da esposa leva-me todos os anos ao desespero. Nunca consigo estar à altura das expectativas.

2. Comprei a maior parte das prendas no centro de Loulé. Contra todas as más políticas do doutor Emídio sou um consumidor resistente. Tomo pequeno almoço no Avenida e pago parquímetro. Vou comprar jornal à banca e pago parquímetro. Vou almoçar ao Império e pago parquímetro. Vou à loja dos chineses e pago parquímetro. Vou à livraria Caravana e pago parquímetro. Dou uma moeda de um euro ao desfavorecido do costume e pago parquímetro. Resta-me respirar o oxigénio que por enquanto ainda não é sujeito ao pagamento de parquímetro. O cerco à cidade é total. Foi de todo o interesse público a criação dessa empresa semi-privada que gere os parquímetros de Loulé. Pelo menos, para essa espécie de interesse "público" das multinacionais privadas da cidade, levanto a hipótese de ter sido óptimo.

3. Como bom ateu adoro o espírito de Natal. A gente passa pelos amigos, pelos conhecidos e até pelos desconhecidos e tem um enorme prazer em desejar-lhes um "Feliz Natal". Não tenho qualquer dúvida sobre o assunto. Sejamos ateus, agnósticos, judeus, ou Testemunhas de Jeová, o espírito de natal é uma coisa boa. E a noite de Natal em família ainda é coisa que muito prezo. É um gosto ver a criançada feliz com a imaginação criadora dos brinquedos. Uma óptima noite de Natal para todos!

quinta-feira, dezembro 23, 2010

A Boa Imprensa do Dr. Cavaco

Imagine que um homem próximo de José Sócrates estava envolvido na gestão criminosa de um banco e que isso custava cinco mil milhões ao Estado. Imagine que um outro homem ainda mais próximo de Sócrates (Armando Vara, por exemplo) também estava envolvido no caso. E que Sócrates, como primeiro-ministro, vinha a publicamente defender a sua permanência num cargo político.

Imagine que se suspeitava que o banco em causa, quase exclusivamente composto por pessoas do círculo político próximo de José Sócrates, tinha contribuído financeiramente para a sua campanha anterior. Imagine que Sócrates e familiares seus tinham comprado acções desse grupo financeiro e vendido a tempo. Imagine que, sabendo-se tudo isto, Sócrates apoiava a nacionalização dos prejuízos deste banco. E imagine que essa nacionalização ajudaria a explicar a situação calamitosa do país.

Imagina o que se escreveria sobre o assunto? A quantidade de vezes que o primeiro-ministro teria de explicar as suas ligações ao banco? Os esclarecimentos que teria de dar? As declarações que teria de fazer ao País? Como tudo seria investigado até ao mais ínfimo pormenor? Como todos os documentos seriam vasculhados? Não foi assim nos casos da licenciatura, das casas projectadas, da Face Oculta, do Freeport, da TVI? E muito bem.

Não se percebe porque é que, num caso muitíssimo mais grave nas suas consequências para o país, parece dispensar-se qualquer tipo de vigilâcia democrática quando a pessoa que está em causa é, em vez do primeiro-ministro, o Presidente da República.

Original aqui:
http://arrastao.org/2116269.html

quarta-feira, dezembro 22, 2010

Vai a Democracia Resistir ao Capitalismo?

Itália novamente...

Mais Um Protesto da Comissão de Utentes da Via do Infante

Ver aqui a notícia da TSF:
http://tsf.sapo.pt/PaginaInicial/Vida/Interior.aspx?content_id=1740768

Vestidos com batas, capacetes, óculos e auriculares usados nas obras, os representantes da Comissão de Utentes da Via do Infante quiseram entregar à governadora civil de Faro um presente de Natal.

Os representantes levavam na mão uma caixa com uma caveira desenhada, que, segundo revelaram, continha um chip para andar na via do Infante.

Num tom humorístico, António Almeida, um dos representantes da Comissão de Utentes, disse tratar-se de um «chip explosivo».

No dia 5 de Janeiro, a Comissão de Utentes tem uma audiência marcada com o presidente da Assembleia da República para entregar as cerca de 15 mil assinaturas contra as portagens que garantem ter conseguido.

Carta ao Pai Natal

Querido Pai Natal,

A minha tia Eugénia tem uns terrenos classificados como RAN que gostaria muito que o senhor os transformasse numa outra coisa qualquer, desde que eu pudesse lá construir umas casitas. Sei que nos tempos de hoje essa coisa não deve ser assim tão difícil, pois tenho conhecimento, de que nem é preciso ser o Pai Natal para que de REN e RAN se faça ouro alquímico. Tenho também razões ponderosas para que isso se faça, pois apesar dos terrenos agrícolas serem da minha tia ela já me disse que eu sou o seu sobrinho preferido. Como não tenho casa própria e o meu sonho era muito ter uma casinha, eu gostava muito que o Pai Natal tivesse este pedido em consideração. Prometo também ao Pai Natal que se este pedido me fôr satisfeito distribuirei muitas prendinhas por todos aqueles que ajudaram o Pai Natal a ajudar-me a mim.

Obrigado Pai Natal.

terça-feira, dezembro 21, 2010

No Tempo da Velha Senhora

"O sogro casou em segundas nupcias com Maria Mendes Vieira com quem reside e com quem o declarante não priva."

Aqui:
http://multimedia.iol.pt/backoffice/oratvi/multimedia/doc/id/13362623//9

E parece que vão mais 500 milhões para o BPN.

Pôr as coisas nos devidos lugares

Estou farto de carpideiras fingidas, uns fazem as leis que colocam as pessoas a passar fome, outros aprovam-nas, depois uns e outros aparecem em público a manifestar compaixão pelos pobrezinhos, como se não tivessem culpa de nada. O senhor Presidente até diz que o país devia ter vergonha de haver tantos famintos no país. Pois eu digo-lhe que está enganado snr.Presidente, os políticos é que deviam ter vergonha pela situação em que colocaram o país e o país devia ter vergonha dos políticos que tem.

O comentário é de um tal de Mamarracho no blogue Calçadão de Quarteira
https://www.blogger.com/comment.g?blogID=7429496093022848826&postID=3555267992459145222

PS: Como não sou o Miguel de Sousa Tavares sinto-me autorizado a reproduzir o comentário.

segunda-feira, dezembro 20, 2010

Feliz Natal



O blogue macloule deseja a todos os que nos visitam um Feliz Natal com muito amor, carinho e recheado de partilha de atenção humana.

Feliz Natal para todos é o que este ateu de meia idade vos deseja!

domingo, dezembro 19, 2010

Os Pórticos da Via do Infante

É sabido que o governo Socralista quer introduzir à sucapa dez pórticos na Via do Infante. De preferência rapidamente e em força antes que a contestação social cresça. Face ao trabalho de pressão da Comissão de Utentes da Via do Infante, o engenheiro Macário Correia apelou à desobediência civil dos algarvios para que não paguem portagens. Penso que este grito do ipiranga, ao contrário do que inicialmente pode parecer, em nada vai ajudar à pressão social que é necessária que os algarvios façam, de modo a não virem a estar destinados ao horror da rua 125. É bem possível que este apelo feito por Macário Correia, a mais não sirva a não ser para que o próprio fique bem na fotografia e demonstre a sua vontade em estar do lado das "populações" uma vez que esta sua posição pode até ter o efeito perverso de desmobilizar os protestos e os protestantes. A desobediência civil não é solução para coisa nenhuma. A única solução passa por os algarvios continuarem a mostrar o seu desagrado de modo a que as portagens não cheguem a ser introduzidas. Se os pórticos forem construídos e se a cobrança for iniciada, a "desobediência civil" só servirá para criminalizar os "contestatários". Perante o que disse o socralista que veio passear cá pelo Algarve e fazer uma espécie de relatório à boa maneira da PIDE do tempo de Salazar, em que afirma que apenas há por aí meia dúzia de "insatisfeitos", isso é mais do que sinal de que o governo de Sócrates nem sequer vai passar cartão aos algarvios. Se mais de cem mil "insatisfeitos" no Terreiro do Paço não passou de uma picadela de mosquito governamental, não vejo como poderia o governo de Sócrates voltar para trás na sua decisão, quando o protesto regional ainda tem uma minúscula dimensão. É a Comissão de Utentes que deve pensar no assunto. Um dos presidentes de Câmara a Barlavento já avisou, a posição do presidente da AMAL não representa a voz dos autarcas.

A Decadência Moral Do Ocidente

sábado, dezembro 18, 2010

Alegre Esquizofrenia

Acabo de ver na televisão o debate entre Manuel Alegre, candidato presidencial apoiado por Francisco Louçã, do Bloco de Esquerda, e por José Sócrates, do Socralismo e Francisco Lopes, candidato apoiado pelo PCP. Alegre acabou o debate com uma mensagem final dizendo-se muito preocupado com o futuro dos jovens. Não se pode congelar o futuro da juventude. Estas foram as suas últimas palavras do debate. Sócrates, onde quer que estivesse a assistir deve ter dito "Muito bem". E Louçã, por sua vez, deve ter dito "Muito bem". E eu fiquei a pensar que talvez seja a primeira vez que vou votar nos comunistas. É que houve muita gente a lutar para que nós podessemos votar e não ir às urnas era da minha parte a recusa da democracia. Votar em branco só resulta nas utopias de Saramago. Nulo também não tem grande significado. Ainda pensei, vou lá, ponho o meu nome com uma caneta e espeto-lhe com uma cruz em frente. Mas depois pensei que por uma questão de mérito (parece que é uma justificação política que anda na moda) o meu voto devia ir para o PCP. Vou pensar no caso.

sexta-feira, dezembro 17, 2010

Agora Acontece

Carlos Pinto Coelho levava a cultura à casa do comum do cidadãos como poucos o fizeram em Portugal. Lembro-me de ter ficado perplexo e chocado com a decisão tomada na RTP da altura em decidir retirar o Acontece do ar invocando-se a lógica das audiências. Se a existência da RTP só se justifica pelo serviço público que presta aos cidadãos, Carlos Pinto Coelho prestou um verdadeiro serviço público ao país no sentido de uma verdadeira difusão democrática da cultura. Agora acontece. Carlos Pinto Coelho - 1944-2010.

quinta-feira, dezembro 16, 2010

Socralismo e Capitalismo Yo Yo

Reza hoje assim na primeira página do Público: "O Governo vai impor um tecto máximo às indeminizações pagas aos trabalhadores em caso de despedimento e facilitar o ajustamento das empresas às flutuações da procura". Nós já sabiamos que o capitalismo yo yo funciona como uma mola flexível que torna "dispensáveis" e "descartáveis" os "colaboradores" de que os "mercados" num dado momento do tempo consideram um empecilho da geração de mais valias. O que passa a ser novo na legislação portuguesa é o decreto da precariedade institucionalizada como forma de gestão da mão de obra por parte do capital. O Socralismo é assim. Depois dos contribuintes "salvarem" os bancos (veja-se o escandalo que é o buraco do BPN), depois do brutal corte nos salários da função pública, depois dos cortes nos subsídios de desemprego, depois da retirada dos abonos de família a uma boa parte das famílias portuguesas, depois do aumento do IRS, depois do aumento do IRC, depois dos cortes nas deduções com despesas de saúde e de educação (e todas as outras medidas de retirada de direitos sociais de que já nem me lembro...), chegou a "resolução" dos problemas associados à "crise". Pasme-se. A forma encontrada pelo Socralismo para combater a taxa mais elevada de sempre da história do desemprego em Portugal, é, qual alquimista encartado, um decreto que procura facilitar os despedimentos e baixar as indeminizações aos desempregados. O Socralismo está bem vivo, mas o socialismo já morreu. Bem pode bradar Manuel Alegre, qual Dom Quixote lutando bravamente contra moinhos de vento, que Cavaco Silva quer destruir o Estado Social. É que ninguem o leva a sério. Percebe-se porquê, não é. Uma última nota para João Proença e para a UGT. Esta organização sindical já tinha, pela força das circunstâncias, sido "obrigada" a aderir à greve geral. Ontem foi penoso ver tão triste figura ao lado de Sócrates a anunciar a retirada de direitos aos desempregados. Com o sentido político que as coisas continuam a levar não tenho a mínima dúvida de que tempos turbulentos estão aí a chegar. As elites políticas que se cuidem.

quarta-feira, dezembro 15, 2010

Vai a Democracia Resistir ao Capitalismo?

Grécia - Atenas, 15 de Dezembro de 2010

Vai a Democracia Resistir ao Capitalismo?

Protestos em Roma contra o governo de Berlusconi



Acho muito bem que os media nacionais e internacionais continuem a ignorar a dimensão dos protestos um pouco por toda a Europa. É que isto não está a acontecer. Não acontece na Grécia, na França, na Inglaterra, na Itália. Isto não é a recusa de um determinado estado de coisas. Nada disso.

E a função dos media não é informar, debater, contextualizar, ouvir as partes envolvidas, confrontar pontos de vista, dar voz a quem não tem voz autorizada. Depois não se queixem do Wikileaks. Felizmente para os cidadãos e para a democracia existe a Blogosfera e o Facebook e o Orkut e o Twitter e o YouTube e os outros todos. O jornalismo, definitivamente, está a necessitar urgentemente de se repensar a si próprio.

segunda-feira, dezembro 13, 2010

Homo Pluridimensional



Vou à deita que se faz tarde. E amanhã, toca a levantar de madrugada, para ser "produtivo", "competitivo", "performativo", "competente", "atingir os objectivos", manter o "nível de excelência", ser "responsável" e essas merdas todas que nos impedem de viver a vida como ela merecia ser vivida. Com dignidade. Só. Sair daquele colete de forças imposto pela lógica do capitalismo que tudo invade e que Marcuse designou de Homo Unidimensional. A felicidade, portanto.

Boa semana para todos!

sábado, dezembro 11, 2010

Wikilikeando

1. Não resisto de cada vez que vou à banca dos jornais comprar a Voz de Loulé, em brincar com quem vende os jornais, perguntando se me pode vender a Voz da Câmara de Loulé. Não que tenha alguma convicção politico-ideológica contra o jornal, mas é por demais evidente a sua colagem a uma determinada tendência partidária. Desta vez é uma pergunta serodia do "jornalista" que entrevista Aníbal Cavaco Silva. Já não falo da habilidade que foi entrevistar esse tal de Miguel Freitas uns dias antes de se fazer a entrevista ao candidato Silva, como se, mesmo que inconscientemente, houvesse a necessidade de antecipar a prevenção da crítica. Falo mesmo de uma pergunta que é todo um programa político ideológico implicado. A determinada altura da entrevista na página 17, do jornal da Voz de Loulé, o "jornalista" Luís Guerreiro pergunta assim: "Constitui para os Louletanos uma especial honra ter um Presidente da República da sua terra. Este ano, uma exposição biográfica do professor Cavaco Silva, em Loulé, bateu todos os recordes em termos de visitantes. Pensa que a exposição serviu para estimular o gosto pela política e um exemplo de dedicação à causa pública para os mais novos?" Ora, para quem como eu, pensa que o senhor Silva, que nos governa há dezenas de anos, é um dos grandes responsáveis pelo estado a que isto chegou, uma pergunta como esta, não deixa de ser uma verdadeira afronta, à cidadania louletana. É assim como se, em Santa Comba Dão, todos tivessem que ser Salazaristas.

2. Mas se a imprensa local anda pelas ruas da amargura, a imprensa nacional também já conheceu melhores dias. Um estudo encomendado pelo Expresso à Eurosondagem, divulgado na página oito, do dito cujo, revela hoje, para meu espanto, que 47,1% dos portugueses acham que se deve pedir "ajuda" (as aspas são minhas) ao FMI. Ora antes de se perguntar se Portugal deve pedir "ajuda" ao FMI, era bom que se perguntasse aos mesmos portugueses se sabem o que é o "FMI" e se sabem o que costuma ser a intervenção do FMI. Jornalisticamente falando, em vez de se divulgar sondagens de forma acrítica e correndo o risco de as mesmas serem altamente manipuladoras da opinião pública, era do maior interesse, em nome do serviço público, os jornalistas informarem as populações sobre o que é o FMI e quais têm sido as consequências das suas intervenções ("ajudas") um pouco por todo o mundo.

3. O jornalismo "preguiçoso" que se faz hoje um pouco por todo o lado, baseado numa grande parte no que as fontes ditas oficiais colocam na agenda e numas poucas agencias noticiosas fáceis de controlar, reagiu enfurecido contra o jornalismo de investigação que se apoia no Wikileaks. Esta reacção corporativa de uma parte significativa do corpo jornalistico ao "perigo" da transparência total da informação do que acontece pelo mundo, diz muito sobre uma determinada forma de fazer jornalismo hoje em dia. É que o pouco de bom jornalismo que se vai fazendo ainda por aí, não tem culpa dos sofás confortáveis a partir de onde se faz a produção de notícias do mundo actual. O jornalismo de investigação foi substituido pelo "jornalismo de sofá". E este último é muito mais confortável. Até porque não incomoda quase nada.

quinta-feira, dezembro 09, 2010

Vai a Democracia Resistir ao Capitalismo?



Milhares de estudantes um pouco por toda a Europa protestam contra a mercadorização da educação. Controladores aéreos em Espanha vão ser presos pelo protesto massivo contra a retirada de direitos sociais. Ameaças de morte ao mentor do Wikileaks por ter divulgado factos abusivos por parte dos Estados ocidentais que atentam contra a democracia e os direitos humanos. Há um traço comum a todos estes factos aparentemente fragmentados e dispersos um pouco por todo o lado. O capital, carente da sua legitimidade democrática, une-se à escala transnacional, concertando estratégias de manutenção do poder. O protesto massivo das populações aparentemente não dá em nada e é a corrosão da democracia a opção última dos governos conservadores (de esquerda e de direita) que nos desgovernam um pouco em toda a Europa. Temo que esta estratégia não dê bons resultados. A repressão social vai certamente crescer e o que vai resultar destes focos de explosão social um pouco por todo o lado é aquilo que esperamos ainda estar cá para ver. Se não for a democracia a saída, a coisa vai ser dura.

quarta-feira, dezembro 08, 2010

O IKEA, a Democracia e a Pequena Burguesia Política Local Anestesiada

A vinda do IKEA para o Parque das Cidades merece o estatuto de case study das dinamicas actuais do capitalismo global em toda a sua complexidade e da sua relação com uma certa corrosão da democracia e dos valores democráticos.

Face a uma das maiores crises da história do capitalismo global, os políticos locais, ansiosos pela atracção de "investimento externo" (?), encostam a democracia à parede, e convertem-se hipocritamente em actores centrais da gestão do "mercado". Nada de problemático haveria na defesa da sociedade de mercado, se isso não significasse, como significou aqui em Loulé, um verdadeiro atropelo à democracia e um desvirtuar claro das regras do mercado.

Recordemos os factos. O IKEA como actor transnacional da economia global estudou o mercado e concluiu que aqui havia potencial de acumulação de mais valia. O que quer dizer que a centralidade "exigida" é aquela que lhe permite chegar a um maior número de consumidores. Até aqui nada de anormal, se considerarmos que funcionamos num mercado livre (será?) pelo facto de pertencermos ao espaço económico da União Europeia. As empresas existem e são para gerar lucro e criar riqueza. Quem pensar o contrário ainda não percebeu o mundo em que vivemos. É, portanto, legitimo que assim seja.

Os atropelos à democracia começam quando o IKEA compra terrenos agrícolas (e este é o verdadeiro problema e não vale a pena desvalorizar a questão a dizer que lá só se podiam plantar nabos) e espera que a autarquia Louletana, pela mão do Dr. Emídio, autorize a respectiva urbanização de terrenos não urbanizáveis. Duas coisas atropelam a democracia aqui e não sei mesmo até que ponto não atropelam a legalidade democrática. Primeiro, nenhum actor económico gasta milhões de euros em terrenos agrícolas não urbanizáveis sem saber quantos euros vai lá colher. Em segundo lugar, o dr. Emídio, para evitar problemas legais, comprometeu-se a alterar o PDM, como o próprio assumiu publicamente, para que o problema dos "terrenos agrícolas" pudesse ser "ultrapassado". Assim ninguém corre o risco de ser acusado de favorecimento político. As leis da República já tiveram melhores dias. A democracia portuguesa também.

Para meu espanto, como reagiu a burguesia política local do centrão? Foi à missa do negócio. Há uma vereadora, que agora é independente do partido socialista, que rezou o pai nosso ao dr. Emídio. O ex-candidato de São Sebastião, do PS, de quem muito gosto, também independente, realçou a "coragem" do sr. Presidente do Concelho e ouve gentinha do PS que ficou ofendidíssima por o negócio não ter ido para outro lado. A Quercus de início fez barulho e ali para os lados de um dos principais dirigentes da Almargem ficámos a saber que o ambiente é um bom negócio. Vai sobrando, para nossa sanidade mental, como quase sempre, um deputado do Bloco de Esquerda. E assim o capitalismo vai corroendo a democracia. E não tinha que necessariamente ser assim.

Adenda final: Adoro as bandeirinhas da cidade de Loulé ao lado das bandeirinhas do Modelo e do Continente, no espaços comerciais do Modelo e do Continente. Evidente sinal dos tempos.

terça-feira, dezembro 07, 2010

Dois mil empregos ou oito mil desempregados?

"A Associação Comercial da Região do Algarve (ACRAL) vê com “preocupação” a construção de mais uma grande superfície e alerta que a criação de emprego pelo grupo Ikea fará oito mil desempregados no comércio tradicional regional (...) a criação de uma nova grande superfície no Algarve preocupa a ACRAL.

“Acredito que os dois mil postos de trabalho que o Ikea diz que vai criar no Algarve terá um impacto de oito mil desempregados no comércio tradicional da região para além dos 24 mil desempregados que já existem”, disse João Rosado, em entrevista à Lusa. João Rosado cita um estudo feito pela Universidade Católica, a pedido da Confederação do Comércio Português em 2004, que indica que por cada posto de trabalho criado numa nova grande superfície são extintos quatro no comércio local”. O presidente da ACRAL refere,por exemplo, que muitas Pequenas e Médias Empresas de Loulé que se dedicam ao setor do móvel, nomeadamente em Almancil e Boliqueime, vão ressentir-se com a nova grande superfície.

Para sustentar a preocupação da ACRAL sobre o nascimento de mais uma nova grande superfície, João Rosado recorda um outro estudo, realizado pela Direção Regional de Economia do Algarve, a dar conta de “um excesso de grandes superfícies no Algarve” desde 2006/2008. (...) Também em Loulé, mas no eixo Loulé/Quarteira, está equacionado um projecto da Auchan, denominado "Alegro Algarve", representando um investimento de 400 milhões de investimento e quatro mil postos de trabalho direto numa área total de 40 hectares."

Ver original aqui:
http://www.regiao-sul.pt/noticia.php?refnoticia=110799

Para ver como a crise económica nos torna a todos mais submissos ver aqui:
http://ssebastiao.wordpress.com/2010/12/07/meu-caro-dr-seruca-emidio/

As boas mentes dirão logo: Submissos não...responsáveis...

segunda-feira, dezembro 06, 2010

Perspectivas Sobre as Portagens na Via do Infante

"Já a 9 de Setembro, o secretário de Estado das Obras Públicas, Paulo Campos, veio ao Algarve dizer que "a população dos municípios do Algarve vai beneficiar destas isenções e descontos" para as populações num raio que ascende aos 20 quilómetros” (coitados dos que moram em Aljezur, Alcoutim ou Cachopo).

E fê-lo em resposta clara a algumas atitudes do PS regional de contestação à introdução de portagens na Via do Infante. Estava clara a determinação do Governo e não compreender isso é ingenuidade. O líder do PSD também ousou protestar Algarve, apelando a 3 de Outubro às forças vivas algarvias para se "concertarem urgentemente” e definirem uma plataforma de luta contra a introdução de portagens na Via do Infante à semelhança daquela que foi criada em 2004. Todavia, de imediato, um dos seus líderes, Miguel Relvas, veio ao Algarve dizer de viva voz para se calarem, em sintonia com o PS. Pronunciaram-se contra de modo claro o Bloco de Esquerda e o PCP. A Assembleia da AMAL compreendeu a questão e também declarou a sua recusa em aceitar a medida do governo. Também movimento independente “Cidadãos com Faro no Coração” (CFC), liderado pelo ex-presidente da câmara de Faro, José Vitorino, anunciou a adesão à indignação contra a introdução de portagens na Via do Infante, considerando que “com esta acção de protesto, é dada expressão positiva ao sentimento da revolta dos algarvios”, acrescentando que as portagens “seriam desastrosas” numa região com a economia debilitada e enorme desemprego”, repudiando “a condenável subordinação da comissão executiva da AMAL – Comunidade Intermunicipal do Algarve aos poderes do Terreiro do Paço” e denunciando que “eram contra as portagens e agora aceitam-nas, mas fazem ainda pior: procuram boicotar acções de pressão e luta perfeitamente legais, como são os buzinões, marchas lentas e outras formas de sensibilização”,

O PS alinhou com a posição do governo, contra a AMAL e tem vindo a propor em diversas Assembleias Municipais a aceitação da medida do governo. O presidente da AMAL, Macário Correia, contrariamente ao que a própria Assembleia havia deliberado, conciliou, ou procurou manobrar entre os pingos da chuva, mas agora vem a terreno numa posição de firme recusa de que se aceite o pagamento das portagens. Perdemos tempo, mas mais vale tarde do que nunca. Saúdo a sua tomada de posição e apelo a que, em consonância com a própria posição da Assembleia da AMAL, se junte à Comissão de Utentes, que se afirma aberta, ou de algum outro modo contribua para engrossar a onda de protestos e reforce com a sua influência um movimento popular de recusa da introdução de portagens. Também ao PCP, que decidiu fazer a luta no campo parlamentar, apresentando um projeto lei contra a introdução das portagens, que sabia de antemão que ia ser derrotado pelos “votos da aliança PS, PSD e CDS-PP”, se apela ao reforço da unidade popular, engrossando o movimento e se junte aos resistentes da Comissão de Utentes. Aqui é que está verdadeiramente a frente da luta. Tudo o resto é inconsequente! "

* Militante do BE

José Manuel do Carmo *
00:18 sábado, 04 dezembro 2010

Ver o original aqui:
http://www.regiao-sul.pt/noticia.php?refnoticia=110855

Sem Eira Nem Beira

Crise Económica, Crise da Democracia

Por André Freire, no Jornal Público de 29 de Novembro

Clique aí em cima: Boa leitura ...

http://www.ste.org.pt/actualidade/2010/11/Publico29Nov2010_2.pdf

sábado, dezembro 04, 2010

Os Mercados

Os "mercados" devem ser uns tipos obtusos (falo de tipos e não de tipas porque levanto a hipótese dos "mercados" serem hegemonicamente masculinos) com um humor inversamente proporcional aquele bom humor que nos faz rir das coisas mais simples da vida. É que segundo as principais mentes económicas que controlam a tribuna mediática, os mercados "reagem". E nos últimos tempos deu para perceber que eles "reagem" por tudo e por nada. Esta semana ouvia num canal de TV um desses novos profetas da economia a "explicar" que os "mercados" observam o que se passa nos Açores de Carlos César e não "gostam do que vêem". Os "mercados" são uns tipos espertos. Eles gostam de ver os "outros" na miséria mais completa. Os "mercados" devem ter lido Sartre. Eles sabem que "o problema são os outros". Os "mercados" devem também ter lido o poeta Aleixo pois eles fazem das horas amargas lições de filosofia. O Governo dos Açores decide atribuir um subsídio aos funcionários públicos da região para que estes não baixem o seu nível de vida? Os "mercados" reagem. Um qualquer governo da Europa não corta nos salários dos trabalhadores? Os "mercados" reagem. Um qualquer governo nacional hesita na retirada de subsídios de desemprego aos mais miseráveis dos miseráveis? Os "mercados" reagem. As populações fazem greve e exercem os seus direitos consagrados constitucionalmente nos Estados democráticos? Os "mercados" reagem. Um qualquer governo não põe em prática as receitas do FMI e não corta os subsídios de Natal e o décimo terceiro mês? Os "mercados" reagem. As classes médias não reduziram o seu nível de vida e vivem "acima das suas possibilidades"? Os "mercados" reagem. As populações ainda não estão na mais completa miséria e expropriadas dos seus mais elementares direitos sociais? Os "mercados" reagem. A concentração de riqueza nas mãos de uns poucos ainda não atingiu um ponto em que todos os outros estão próximo da geral pauperização? Os "mercados" reagem. Em breve, esse dia, o da proximidade à situação de pauperização geral das condições de vida vai estar próximo e quando o geral empobrecimento das populações permitir um estado de total submissão aos "mercados", os "mercados" deixarão de reagir. Nesse dia seremos todos felizes.

sexta-feira, dezembro 03, 2010

Os Mercados Reagem: As Pessoas Também

Aeroportos Espanhóis parados. Pessoal do controlo aéreo meteu baixa em quantidades próximas dos 70% em reacção a mais medidas austeritárias (autoritárias) do governo espanhol. Eu estou do lado das pessoas. Que se lixem os "mercados".

quinta-feira, dezembro 02, 2010

O Grande Saque Explicado às Crianças

Por Michel Chossudovsky



Alguém por aí se voluntaria para traduzir?

Anular a Crítica



Do "não discutimos...tudo" salazarista, passamos ao "deixem-nos trabalhar" dos anos 80 e 90 Cavaquista, até ao "bota-abaixismo" e à "maledicência" do novo milénio no reino socratino, e chegamos esta semana, na Voz de Loulé , ao "populismo de criticar a classe política" do presidente Cavaco. Uma elite que se procura desesperadamente preservar a si própria anulando a crítica política. Os consensualismos que esta gente nos quer impingir é a melhor maneira de preservar os poderes que fazem de Portugal um dos países mais desiguais da Europa.

quarta-feira, dezembro 01, 2010

Criticar por Criticar a Classe Política

Detesto a classe política que se julga imune à crítica política. A essência da democracia é a crítica política. Ponto final. São estes consensualismos serôdios que nos têm trazido até aqui. Esta é ainda uma das principais heranças do Salazarismo. Está entranhada nas mentes e nos corpos. O Presidente de Boliqueime é o tipo por excelência dessa deplorável espécie. Já não bastava Sócrates e a salazarenta "maledicência". Há, sim, é verdade, um problema grave de qualidade da democracia. Mas isso tem que ver com um dos maiores "déficits" da sociedade portuguesa, o "déficit" de cidadania. Houvesse mais cidadania e não haveria tanto espaço para a mediocridade política. Mas Cavaco não é parte da solução, ele é parte do problema. A má moeda não deixou espaço para a boa moeda também ali para os lados do Palácio de Belém. E eu em mais de quarenta anos de vida vou ter que levar com isso na maior parte da minha já longa existência. Esse é o drama.

Ver mais aqui:
http://sic.sapo.pt/online/noticias/pais/especiais/presidenciais2011/

O Grito do Ipiranga

Traz Outro Amigo Também



As razões invocadas pela Comissão de Utentes da Via do Infante para que as populações residentes no Algarve não sejam empurradas para a EN 125 começam a ser levadas a sério e aí estão os primeiros resultados de uma luta que ainda está no seu começo. A AMAL, pela voz do seu representante máximo Macário Correia apela à mobilização colectiva dos cidadãos do Algarve no manifesto da sua indignação. É da acção colectiva que podem resultar os efeitos práticos de uma maior qualidade de vida na região do Algarve. O Zeca tem razão. Traz outro amigo também. Bom sinal, a escassas horas de se festejar o dia da Restauração da Independência. Isto não tem nada a ver com instrumentalização partidária. E é bom que os partidos se juntem à causa.

Ver mais aqui: http://adefesadefaro.blogspot.com/2010/12/macario-apela-recusa-coletiva-de.html