quinta-feira, setembro 30, 2010

Elevar o Gosto

Beethoven - Sinfonia nº 5



Uma orquestração com chefe de orquestra...

Do Socialismo Moderno ou Socratino, Sei Lá

No início desta semana fui à caixa Geral de Depósitos em Loulé, por causa da medida pidesca socialista que exige a prova dos rendimentos dos cidadãos para que estes tenham direito (?) a receber o abono de família. Tinha cinco contas de que tinha que prestar contas. Uma conta poupança que não dá para comprar um automóvel para pobres. Uma conta ordenado. Uma conta ordenado da minha mulher e duas contas poupança do Pedro e do Miguel com umas míseras dezenas de euros cada uma. Dirigi-me ao funcionário da CGD e referi ao que vinha, derivado das medidas assim a modos que da nova PIDE dos pobres. Amavelmente disse-me que cada cópia de comprovativo do saldo de conta de fins de 2009 custar-me-ia 5 euros. Fiz as contas de cabeça, uma vez que segundo a senhora ministra da educação, devo ter o cérebro desenvolvido e zás trás pás: Vinte e Cinco Euros. O Pedro recebe 10 euros de abono de família mensais. Quase três meses de abono que se foram em prole das "necessidades" da Caixa Geral de Depósitos. A minha mulher perdeu horas a ler e a estudar (sim a estudar) a regulamentação de prestação de contas emitida pelos novos PIDES das políticas públicas. Eu perdi uma manhã de trabalho. Garanto-vos que a responsabilidade feminina, neste caso, em prole dos filhos, é que me levou a fazer a provação das contas. É que se fosse por mim, não me teria submetido sozinho a tamanha humilhação. Não lhe disse a ela, mas ainda pensei, ora aqui estava uma boa função para o olho traseiro, aquele de que a medicina atribuí o nome científico de ânus. É que se eu entendo que as prestações sociais são um direito social, os novos polícias das políticas públicas do Estado continuam a pensá-las como um privilégio. Ao fim e ao cabo, o roubo que vai ser feito aos cidadãos e suas famílias que não vão conseguir prestar estas provas, vai em boa parte para os cofres da banca privada e estatal. E depois digam lá que o partido comunista não tem razão. Batem sempre nos que menos têm e menos podem. A cassete comunista é velha e usada mas por vezes ela é de uma actualidade atroz.

quarta-feira, setembro 29, 2010

A gente pensa sempre que estas coisas só acontecem aos outros



O FMI não está cá, nem precisa de cá estar. Só precisa de mandar nos que cá estão. Na Argentina as receitas neoliberais tipo FMI deu no que podem ver aí em cima nas imagens.

domingo, setembro 26, 2010

Tango à Portuguesa



Parece que Cavaco e Silva percebeu que em Portugal para dançar o Tango são precisos três. Onde dança um português dançam dois ou três. O resultado final dessa dança é capaz de ser para aí um Pagode, sei lá.

Concertos e Desconcertos

Ao desconcerto do Mundo

Os bons vi sempre passar
No Mundo graves tormentos
E pera mais me espantar,
Os maus vi sempre nadar
Em mar de contentamentos.
Cuidando alcançar assim
O bem tão mal ordenado,
Fui mau, mas fui castigado.
Assim que, só pera mim,
Anda o Mundo concertado.

Luís Vaz de Camões

sábado, setembro 25, 2010

Do Socialismo Moderno, ou Socratino, Sei Lá

"Faço parte desse grupo de um milhão de pessoas que no início do mês de Setembro recebeu uma carta da Segurança Social. Nela, sou convocada a fazer prova da minha condição de recursos entre os dias 10 e 30 deste mês. No meu caso, o que está em causa é manter ou perder os 22,59 euros que recebo de abono de família.

A minha primeira estranheza surgiu quando li nessa carta que «as provas são, obrigatoriamente, efectuadas no sítio da Internet da Segurança Social» (bold no original). Dei comigo a pensar que não só ninguém pode ser obrigado a saber usar a internet, como também me parece que quem recebe prestações sociais, como o subsídio de desemprego ou o rendimento social de inserção, não terá propriamente como prioridade investir numa ligação à rede. Mas isto, evidentemente, sou só eu a pensar.

Obedientemente lá acedi ao tal sítio da internet e, segunda estranheza, estava fora de serviço com o seguinte recado: «O acesso ao Sistema está temporariamente indisponível, devido a este facto não será possível a consulta de alguns serviços».

Voltei a tentar uns dias depois e, estando o site a funcionar, deparei-me com uma nova dificuldade. A determinada altura pedem-me que especifique o montante do saldo das contas bancárias do meu agregado familiar no dia 31 de Dezembro de 2009. Além de, evidentemente, não fazer a mínima ideia de qual era o saldo das contas nessa data específica, também não percebia se se referiam a contas à ordem ou a contas poupança ou às duas. Se calhar é uma dúvida parva, mas pronto, eu cá não estava capaz de chegar lá sozinha.

Li novamente a carta recebida e descansei porque percebi que os serviços tinham acautelado a possibilidade de existência de dúvidas, o que, além do mais, prova que ter dúvidas é legítimo. «Em caso de dúvida, ou para qualquer esclarecimento, pode telefonar para o centro de contacto VIA SEGURANÇA SOCIAL [maiúsculas carregadas no original] pelos seguinte números: 808 266 266 (das 8h00 às 20h00, dias úteis, e a partir do dia 1 de Setembro das 8h00 às 22h00». Pois, o problema é que tendo telefonado neste horário, o serviço estava indisponível.

Hoje andei de banco em banco a pedir os extractos das contas do meu agregado familiar em 31 de Dezembro de 2009. E, claro, esta indispensável informação tem um preço. Na CGD, por exemplo, vale 4.81 euros (+IVA). Oooops... lá se foi uma prestação do abono!

Ontem, as notícias davam conta de que os beneficiários das prestações sociais tinham entupido os serviços da Segurança Social, ou porque não percebiam o que lhes era pedido, ou porque não tinham internet, ou porque não conseguiam aceder ao site, enfim, cada qual com os seus dramas. Ou seja, muitas destas pessoas estavam a perder um dia de trabalho. Oooops... lá se foram mais uma ou duas prestações do abono!

Entre o tempo perdido a aceder a um site que não funciona e a tentar esclarecer as dúvidas numa linha de atendimento que está indisponível, os extractos bancários que é preciso pedir e pagar, as filas que há a enfrentar, duas ou três das prestações mensais que recebo são consumidas neste processo.

Os bancos, esses é sempre a embolsar. Mas serão os únicos? Eu pergunto-me é quanto poupará o Governo com esta operação? Quantas pessoas vão ser excluídas das prestações sociais a que têm direito por não terem sido capazes de aceder à internet, de compreender o que lhes era pedido e de terem resolvido a questão dentro do prazo estabelecido?

É que a carta é igualmente clara para estas situações: «Se não prestar essas provas as prestações serão suspensas» e «As falsas declarações têm como consequência a inibição do acesso, durante 2 anos, às Prestações Familiares, ao Rendimento Social de Inserção, ao Subsídio Social de Desemprego, bem como aos Subsídios Sociais de Protecção na Parentalidade» (negrito no original). Por isso, inventar está fora de questão. Ao cêntimo, se faz favor.

Como dizia o outro, é fazer a conta."

Imagens da Cidade

Loulé, ano 2008


sexta-feira, setembro 24, 2010

Um Passeio No Centro da Cidade

Passeando pelo blogue Sebastião do António Almeida, encontrei um brilhante texto, o da Isabel.

Aqui fica:

"Hoje, quem passeia no centro da cidade de Loulé terá como maior preocupação evitar os buracos, a terra enlameada e mais um ou outro desconforto causado pelas obras que implicaram o levantamento do pavimento. De certo que muitos se queixam do transtorno causado pelas obras, pedestres citadinos, lojistas e até visitantes, mas nenhuma obra é boa ou má só por ser obra. O nosso voto é de que o impacto desta seja o mais positivo possível.

Um passeio por Loulé levantou-nos, no entanto, outras preocupações. Não sabemos se apenas agravado pelas obras em curso, o trânsito em Loulé é caótico. Sair ou entrar da cidade em hora de ponta já é equivalente, se não mais complicado, à deslocação na área dos arrabaldes da «grande Lisboa». Mais do que nunca completar a obra da circular parece impreterível. A agravar a situação acresce ainda a tão característica ausência de um plano de transportes integrado e funcional de transportes públicos, que opere eficazmente aos olhos do cidadão comum.

Em Loulé, projectam-se e fazem-se muitas obras, num impulso de aparente procura de «inovação» que nem sempre tem resultado. O Largo de S. Francisco, objecto de obras em tempos recentes, encontra-se actualmente num estado decadente que se topa num relance. Ponto de encontro geracional, este encontra-se totalmente descaracterizado, pelo péssimo gosto arquitectónico de quem o concebeu como o conhecemos agora e pela tradicional falta de senso de quem constrói, mas não cuida. As laterais à passadeira de madeira (degradada), suposto lago ou repuxo transformado em pântano de lixo, gritam por atenção autárquica. Note-se que a reabilitação urbana deve passar por outro tipo de projectos, como um de «habitação jovem» na zona histórica.

A construção de prédios urbanos em Loulé não tem sido acompanhada por um esforço equivalente na criação de zonas verdes de descontracção e lazer. De resto, o até então «pulmão da cidade», a mata é agora objecto de um projecto de reabilitação, que apesar do efectivo esforço elimina grande parte do espaço verde. O problema de descaracterização da cidade vai para além das obras e serviços adstritos à Câmara.
Uma das tradicionais características da Cidade, o comércio encontra-se em morta lenta e penosa. O comércio tradicional não se inova, não se reabilita e à tentativa de trespasse ou de venda segue-se a loja chinesa que obtém o retorno que o lojista tradicional tanto se queixava de não obter. O comércio ligado às profissões tradicionais, ao artesanato desapareceu.

Um passeio em Loulé, não pode deixar de relembrar que Loulé é muito mais que o centro da cidade, o concelho faz-se de muitas freguesias que também requerem atenção. Quarteira uma das mais populosas não deve ser afecta apenas a obras para «turista ver». Projecto que gostaríamos de ver lançado era o de serviços de biblioteca municipais integrados. Uma Biblioteca Municipal de Loulé com vários pólos a começar por um pólo em Quarteira que tanto carece e um outro na zona interior do concelho, a escolher criteriosamente. Uma biblioteca de fundos compartilhados. O projecto não é inovador e não é exclusivo das grandes cidades, apontamos pelo seu sucesso o serviço de biblioteca de Oeiras, cujo modelo poderia ser adoptado.

Muitas outras reflexões se levantam com um simples passeio por Loulé, deixemo-las para uma próxima vez. "

quarta-feira, setembro 22, 2010

Self-Fulfilling Prophecy

FMI - José Mário Branco



A profecia que se auto-realiza está aí em cima da mesa. A crença conservadora é tanta que se arrisca a produzir a realidade. Para além deste à parte, trata-se de uma verdadeira chantagem neoliberal para impôr o habitual xarope "medidas de austeridade" que vai gerar mais recessão que provavelmente levará ao remédio mais "medidas de austeridade". Chantagem não democrática e indecente que habitualmente acrescenta mais "crise" à "crise" já instalada. Por enquanto, ainda vamos no ataque aos desempregados e na retirada de apoios sociais a quem deles mais precisa. Quando chegarem os cortes nos salários das classes médias e a retirada do subsídio de Natal à generalidade dos trabalhadores da função pública, o povo saí em massa à rua. Neste momento o caldeirão já vai com a temperatura a escaldar.

segunda-feira, setembro 20, 2010

Alô Brasil



"Dizem que Deus é brasileiro; Lula, claro, também é: deixa a presidência com o apoio de quase 80% dos brasileiros, abrindo assim caminho à confortável eleição da sua camarada Dilma Rousseff. Isto apesar da hostilidade dos media. É a economia, estúpido! Que economia? A que se tornou um pouco menos desigual graças à acção dos poderes públicos. Um país que forjou, além disso, uma política externa independente, visível nas alianças com os seus progressistas vizinhos e na forma como recusou as pretensões dos EUA, que queriam transformar o continente numa imensa "zona de comércio livre", num imenso México.

Os factos, esses, são impressionantes: 14 milhões de postos de trabalho criados no sector formal; redução do número de pobres, que passaram de 77,8 milhões (42,7% da população) para 53,7 milhões (28,8%); ou redução de 62% na desnutrição infantil. Tudo entre 2003 e 2008. É o que dá expandir decisivamente as políticas sociais, como o programa Bolsa Família, uma espécie de rendimento mínimo garantido que beneficia um cidadão brasileiro em cada cinco, ou aumentar o poder de compra do salário mínimo mais de 50%.

De facto, a expansão do mercado interno, graças ao assinalável crescimento do rendimento das classes populares, é uma das heranças de Lula e explica o relativo sucesso económico e a resistência à crise, sobretudo quando comparamos com os mandatos retintamente neoliberais de Fernando Henrique Cardoso: o crescimento cumulativo do Produto Interno Bruto (PIB) atingiu cerca de 23% entre 2003 e 2010, contra 3,5% nos anos do anterior presidente. Rompe-se assim com as décadas perdidas do neoliberalismo à FMI, quando o PIB cresceu cumulativamente, entre 1980 e 2000, apenas 4%, mas ainda estamos longe dos níveis de crescimento das décadas de políticas desenvolvimentistas do pós-guerra.

Hoje, o Brasil tem a vantagem de não ter um PEC, como nós, mas sim um PAC - Plano de Aceleração do Crescimento -, assente na modernização das infra-estruturas do país e numa certa recuperação da tradição desenvolvimentista, que impediu novas privatizações e deu um novo impulso ao papel do Estado, visível, por exemplo, nas regras de exploração dos novos recursos petrolíferos do país.

No entanto, Dilma tem de fazer rupturas se quiser aprofundar as transformações progressistas: da excessiva dependência do agronegócio, que impediu uma reforma agrária digna desse nome, à infeliz manutenção das estruturas de uma economia ainda financeirizada e rentista, graças às elevadas taxas de juro e a um real sobrevalorizado, passando pela corrupção que mina a confiança nos poderes públicos. No entanto, pode dizer--se que o "escândalo do mensalão" até facilitou o actual sucesso político ao levar, entre outros, à demissão do "conservador" ministro da "fazenda", substituído pelo excelente economista Guido Mantega, e ao dar um novo protagonismo a Dilma. Esta só depende agora da capacidade de mobilização do povo. É que Deus pode ser brasileiro, mas é a "mão invisível do povo", a que Lula aludiu um dia, que em última instância faz a diferença."

João Rodrigues no i e no Ladrões de Bicicletas
Economista, Centro de Estudos Sociais

Paradoxos


sábado, setembro 18, 2010

Retóricas, Práticas, Nenhures and Hope



1. Retóricas - As do partido socialista sobre a "defesa" do Estado Social e as do PSD de "não ataque" ao Estado Social;

2. Práticas - 1ª página do jornal Público de ontem - Idosos mais pobres perdem remédios grátis. Mais de um milhão de pensionistas de baixos rendimentos vai deixar de ter direito a medicamentos grátis e a comparticipação de alguns dos remédios mais usados vai diminuir para quase metade. Quem governa ainda é o PS. Peço muita desculpa pelo atrevimento retórico mas isto não é defesa nenhuma do Estado Social. Aproximadamente dois terços dos pobres, sabe-se hoje, são pensionistas;

3. Nenhures - O chumbo do parlamento, às propostas da esquerda dita radical, de refutação das práticas racistas do governo de Sarkozy. Quando não se tem sentido histórico das coisas resta à história das sociedades humanas fazerem o julgamento dessa ausência de sentido histórico. Os livros da História do futuro o dirão;

4. Hope - Viviane Reding em defesa dos direitos humanos para os povos de todas as cores. É nestas alturas que se separa o algures do nenhures e acontece a construção de uma réstea de esperança num futuro melhor do que o passado. Infelizmente o nenhures tem hoje uma força política inversamente proporcional à necessária ética da responsabilidade para se estar com dignidade algures. Salvou-se Sérgio Sousa Pinto. O que já não é mau.

quarta-feira, setembro 15, 2010

Da Gordura Como Desgraça Humana

A semana passada lia eu num jornal nacional, declarações de um antropólogo português, que anda a estudar o fenómeno dos ciganos, que havia em Portugal uma verdadeira "ciganofobia". Nada que me espantasse em termos de conhecimento da coisa pois era isso exactamente que me parecia a "realidade". Engraçado que me veio imediatamente à mente, porque o tenho sentido na pele, que está em crescendo uma realidade recente que podemos designar por "gordofobia". Gordo em pequenino e com corpo de atleta na juventude, devido a muitos anos de prática desportiva, depois dos trinta regressei às medidas da génese. E posso-vos dizer que é uma verdadeira calamidade.

Para os amigos e conhecidos isso significa nos encontros sociais não o tradicional "Olá, como estás", mas um inevitável "É, como tu estás!!!". Das últimas vezes que fui ao barbeiro tive que me confrontar com "aquilo que eu era" e com uma boa dose de receitas para dieta alimentar. A última vez que fui à casa de uma das amigas da minha mulher, a respectiva mãe, que não me conhecia de lado nenhum (e para cúmulo nem sequer era a sogra) ultrapassou todas as estribeiras: "Que não podia ficar assim", "que iria ter problemas de saúde", que "alface, tomate, e saladinhas é que é"; "que tem que se ter muita conta". De nada serviu explicar que me sinto bem assim, que até faço uma pelada com os amigos uma vez por semana e que há toda um conjunto de "empresários da moral" que se sentem no direito de exigir como devem os outros viver. Não, à saída da visita, lá voltou a censura fatal: "Aí essa barriguinha!". Foi aí que percebi claramente que a vida não está fácil para os gordos.

Nos últimos tempos, especialistas britânicos, segundo parece, reputados, sugeriram que aos pais de crianças obesas, como castigo, lhes sejam retirados os respectivos filhos. Pensei com os meus botões, "estou tramado, aos quarenta anos, vou ficar sem pai". Mas depois lembrei-me de que afinal, estas propostas não são nada originais. Já Platão, na antiguidade clássica, numa das suas obras, em nome da igualdade e da justiça social aconselhava que se retirassem as crianças à nascença a determinado tipo de famílias. Pode ser que nada disto seja "gordofobia" e que seja apenas um disparate a reter para os anais da História. Quem sabe? Eu ainda sonho com o dia em que no meu país a quando dos encontros amicais de rua, da outra parte ouço assim "então o que é que andas a ler agora"?

sábado, setembro 11, 2010

Do Pré-Escolar Público

1. É difícil constituir família nas terras do dr. Emídio. Depois de três anos de infantário privado a preços "classe alta" o Pedro conseguiu pela primeira vez entrada no pré-escolar público. Estando inscrito já desde o ano passado e não tendo entrado, pois são às dezenas as crianças à espera de "vaga" para entrar, este ano, apesar de já fazer os seis anos em Dezembro, só teve "espaço" novamente, no ensino pré-escolar (e vá lá, já não é mau), uma vez que a administração educativa e os educadores para legitimarem a ausência de espaço, interiorizaram o arbitrário mês de Setembro como a fronteira cognitiva e afectiva que separa as crianças "maduras" das "imaturas". Gostava eu que me demonstrassem a evidência científica que faz com que as crianças a dois meses de fazerem seis anos não estão preparadas para a entrada no primeiro ciclo. Não falo de crenças professorais, falo mesmo de evidências científicas. Desconfio que com educadores "maduros" dois meses de diferença não seria grande problema.

2. Início de ano lectivo. Primeira reunião de pais. Não há uma segunda oportunidade de causar uma boa primeira impressão. Educadora, animadora e auxiliar a exercerem o seu papel com muita competência. Preocupação de informar os pais e dar a conhecer as regras de funcionamento e de conduta expectáveis, organização e preocupação de fazer bem. A primeira impressão não podia ser melhor. Depois vem o lado das coisas da política e desse lado, logo na primeira noite de pré-escolar público ganhei uma insónia daquelas que duram até de manhã.

3. Não sei se por motivos das leis para a educação da República, se por decisão da administração do agrupamento escolar, foi-me dito que o ensino pré-escolar público não pode fornecer actividades de enriquecimento curricular para as crianças que agora iniciam os primeiros contactos com esta organização escolar. Depois da escolha dos representantes dos pais, manifestei a minha preocupação com o facto das crianças poderem usufruir de actividades como a educação musical, a ginástica e o Inglês, tudo actividades que o Pedro tinha tido no ano anterior no ensino pré-escolar privado. Para minha estupefação, foi-me dito que a escola não se responsabiliza pela organização deste tipo de actividades e que isso terá que ser organizado pela Associação de Pais. Depois de anos e anos a estudar e a investigar os mecanismos escolares de fabricação das desigualdades sociais e culturais, foi em estado de choque que recebi a notícia de que a escola não se responsabiliza e não quer saber que na ausência de actividades de enriquecimento curricular a estas crianças nada mais reste do que o empobrecimento curricular. Estou expectante que a associação de pais resolva o problema. Sim, por enquanto não me importo de pagar. Não sei se pais que ganham 500 euros de salário mensal o poderão fazer.

4. Aproveitando a insónia noturna, fui ler a carta educativa do concelho de Loulé e o relatório de avaliação externa do agrupamento escolar. E está lá, preto no branco para quem quiser saber. Da carta educativa pudemos saber que a taxa de corbertura do pré-escolar está a léguas das necessidades correspondentes à procura escolar. Do relatório de avaliação externa fiquei a saber que um dos "constrangimentos" apontados pela Inspecção Geral de Educação é precisamente a ausência de espaços, o que torna inexequível, por um lado o terminus do horário em regime "duplo" no 1º ciclo e por outro lado, a realização de actividades de enriquecimento curricular do ensino pré-escolar. Constata-se ainda que a construção do Novo Centro Escolar virá contribuir para a resolução deste problema. Mas o Pedro terá a culpa das inércias político-administrativas existentes até ao presente momento? Entretanto, o Miguel iníciou a sua carreira num infantário privado. Por ausência de alternativa no sistema público obviamente. Viva a noite branca!

11 de Setembro de 2001



Lembro-me claramente do dia, do local e da hora onde estava. Uma colega de trabalho recebeu uma mensagem de sms do marido que dizia "começou a terceira guerra mundial". O segundo avião inaugurava uma nova era de terror global. Quando este último bate na segunda das Torres Gémeas, o mundo contemplava incrédulo, através da televisão, o que se estava passar, sem ter a noção exacta do que estava em causa. Ainda hoje muita coisa permanece por explicar. Não se pode fazer a História do fim do século XX e do novo início de milénio sem abordar os acontecimentos de 11 de Setembro de 2001. A América, a grande potência mundial do pós-guerra fria encontrava agora um novo inimigo, situado este, em todo o lado e em lugar nenhum. Nascia a "Guerra ao Terror".

sexta-feira, setembro 10, 2010

Mobilizemo-nos Pois: O Algarve Não É Uma Rua, Eu Não Voto PS

MOBILIZEMO-NOS CONTRA O PAGAMENTO DE PORTAGENS NA VIA DO INFANTE!

Portagens na Via do Infante a partir de 15 de Abril.

Depois de andarem a ganhar tempo, e a desmobilizar as pessoas está confirmado. Segundo noticias do Público on Line, na Via do Infante vai ser obrigatório pagar portagens a partir de 15 de Abril. Tudo isso sem que as obras na 125 tenham sido feitas, e no caso concreto de Olhão, no sítio programado pelo PDM de Olhão, para passar esse desvio, há vivendas construídas devidamente licenciadas pela C.M.Olhão. Vamos ver o que dizem a isso os presidentes das Câmaras, do PS e do PSD que andaram a papaguear contra as portagens, na via do Infante. O que eu sei é que o P.S. do Algarve sempre foi contra que se pagassem portagens na Via do Infante, aliás, essa foi uma das promessas eleitorais do P.S. Algarve, nas antepenúltimas eleições, para a Assembleia da República. Mas como já é habitual, os partidos fazem da boca cú, sem que os eleitores que confiaram neles os penalizem, nas próximas eleições. Não será hora dos cidadãos se organizarem, em movimentos de cidadania sérios, e de uma vez por todas deixarem de confiarem nesse partidos do poder, que só se servem dos eleitores para conseguirem os tachos para eles e para alimentarem como acontece hoje com enorme rede de tentáculos do gigante Polvo Socialista.

Via:
http://olhaolivre.blogspot.com/

quinta-feira, setembro 09, 2010

Imagens da Cidade


A Democracia Ferida De Morte

1. Começo por um fait-divers. Ouvi hoje numa TV nacional que a Federação Portuguesa de Futebol vai reunir com o objectivo de despedir Carlos Queiroz. Gosto muito desta forma da tomada de decisão. Decide-se do despedimento e reune-se para anunciar a tomada de decisão já anteriormente tomada. Viva a democracia da Federação Portuguesa de Futebol. Não seria grave, se esta forma da tomada de decisão não fosse a nova moda da racionalidade gestionária.

2. Passo agora às coisas sérias. A democracia portuguesa está ferida de morte. A decisão de Bruxelas, através dos ministros do Ecofin, de sujeitar a aprovação do orçamento de Estado nacional ao crivo da União Europeia é a mais grave recessão da democracia nacional desde o 25 de Abril de 1974. Instâncias não democráticas como o FMI, a OMC, Banco Mundial e Banco Central Europeu dizem qual o caminho. Os governos só têm que fazer os "ajustamentos estruturais". A economia despreza a política. Com a conivência política do PS, do PSD, do CDS e do senhor Presidente da República. Há dias lia uma notícia de jornal que rezava mais ou menos assim: "Política de restrição orçamental agrava situação da Grécia. Governo Grego vai implementar novas medidas de restrição orçamental". A democracia na Europa e nos governos nacionais já viveu melhores dias. Deveras preocupante.

3. Hoje dei comigo a pensar o que há de comum entre a "revolta do pão" em Moçambique; a "expulsão dos ciganos e outros" por Sarkozy e Berlusconi em França e Itália; os 100 mil professores que sairam em massa à rua no anterior mandato de Sócrates e o massivo abate de árvores levado a cabo pelo governo de Seruca Emídio, no concelho de Loulé. E aquilo que há de comum é claro. O poder instalado nos dias de hoje é arrogante, autocrata e governa ao arrepio das necessidades e interesses da maioria da população. Fome em Moçambique? Aumenta-se o preço do pão. Cidadãos manifestam-se contra a deportação dos ciganos? A decisão não volta para trás. Os professores dizem-se massivamente agredidos na sua dignidade profissional? Os pais e os alunos utilizam-se para tomar decisões contra os professores. Cidadãos indignam-se pelo abate de árvores continuado no Concelho de Loulé? Pois que se abatam o resto das árvores que restam na cidade. Nunca a democracia formal chegou a tanto ponto do globo terrestre, mas no actual contexto histórico-social, ela é bem mal tratada, por uma boa parte dos governantes, hoje no poder. Se a definição da demo cracia, é a de governar, na boa tradição Rousseauniana, em nome da vontade geral do povo, a nova concepção de democracia, instalada na cabeça dos nossos governantes, parece ser, a de governar sem povo. E se se começasse a reunir para democratizar a democracia? Seria isso uma perda de tempo?

quarta-feira, setembro 08, 2010

Imagens da Cidade

Loulé, ano 2010 - Rua 5 de Outubro


Do Racismo Institucional

Gipsy Kings - Ao vivo no Olimpia em Paris



Itália. Depois do Ministro do Interior italiano ter concordado com a explusão dos ciganos por Sarkozy; agora em Milão, as autoridades locais acabam de expulsar mais de uma centena de ciganos, entre eles mais de quarenta crianças. É nestas horas que os defensores da democracia e dos direitos humanos não podem hesitar nas suas escolhas. Itália e França escolheram o pior dos caminhos na direcção das direitas xenófobas. O racismo faz parte da história dos povos. O que é de espantar nos tempos de hoje, em pleno coração da Europa, é que, depois do que aconteceu com o holocausto Nazi, estejam a (re) emergir com alguma intensidade novas formas de racismo institucional promovidas pelos políticos legalmente no poder.

terça-feira, setembro 07, 2010

Exposição Sobre o Abate de Árvores no Concelho de Loulé

Loulé, 7 de Setembro de 2010

Praça da República

Antes



Depois



Restam ainda duas árvores. Se alguém pensava que as que restavam e foram no dia de ontem abatidas, iam sobreviver, estava redondamente enganado. Eu cá, com o modus operandi demonstrado ao longo de anos seguidos, já não esperava outra coisa. É isto a sustentabilidade ambiental do espaço público?

sábado, setembro 04, 2010

Da Naturalização da Incúria

Hoje dei comigo a pensar nas similitudes entre o grande queijo ratado em que se tornou o parque natural da Serra da Arrábida, após a leitura do jornal Expresso deste fim de semana; o grande queijo ratado em que se está a tornar a serra entre Loulé e o Parragil, devido à exploração da respectiva pedreira (absolutamente inconcebível aquele buraco visto de avião por turistas de luxo tão do agrado do dr. Emídio, que agora se confronta com o pedido de alargamento dos direitos de ratação da paisagem patrimonial pública); a incúria institucional generalizada que permite o funcionamento durante décadas na forma de agressão aos jovens casapianos e a maravilhosa Ria Formosa, na versão blogue Olhão Livre, a quem o Bloco de Esquerda agarrou agora a causa (e bem) e que nos mostra o outro lado da ria que todos gostariamos que fosse protegida, precisamente por ser formosa. E as similitudes são evidentes. Trata-se da incúria institucionalizada pelas entidades responsáveis, que por inacção fazem o contrário das finalidades a que os seus organismos se propõem formalmente. Estas entidades são de muitos tipos e com responsabilidades variadas, mas tenho cá para mim, que esta similitude, é uma das mais perigosas formas de acção político-administrativa que em nada beneficia o interesse público dos cidadãos.

sexta-feira, setembro 03, 2010

Exposição Sobre o Abate de Árvores no Concelho de Loulé

Loulé, ano de 2010



Amigo de longa data fez questão de nos enviar o abate de mais uma palmeira. Por razões que a razão desconhece...o abate pois claro...

Porque a história é feita de homens e mulheres



O grande Benfica dos anos 60 só podia ter sido feito de grandes atletas. Para as gerações acima da minha, falar de Eusébio era também falar de Águas, Simões e entre muitos outros, obviamente, José Torres.

Ma Puto, o Pão?



Clique em cima do quadro e descubra o PNB per capita de Moçambique. Os neoliberais dirão sempre "é altura dos moçambicanos deixarem de viver acima das suas possibilidades". Mas só cá entre nós, num país onde grassa a fome, o aumento do preço do pão mata e em massa.

quinta-feira, setembro 02, 2010

Paz, Pão, Trabalho e Habitação



Apesar de sempre desconfiar dos estruturalismos de todos os tipos, não consigo de deixar de pensar em Louis Althusser nestes momentos, quando define na sua obra, a polícia e o exército como fazendo parte do aparelho repressivo de Estado ao serviço dos interesses do capital. Se isto não é isso, o que é então?