terça-feira, dezembro 31, 2013

A Indigência Mental Do Jornalismo Da Troika

Termino os posts de 2013 com o destaque pela negativa do editorial do jornal "i" escrito por Eduardo Oliveira Silva que me parece demonstrar uma certa indigência mental em que caiu a maior parte da imprensa portuguesa na vã tentativa de ir de encontro das vozes dos donos. Depois de escrever que a vida de cada um dos portugueses piorou em 2013 o editorialista retira a brilhante conclusão de que apesar disso o país está melhor. Afinal, pensei eu com os meus botões, se Portugal não é feito desses portugueses que pioraram as suas vidas, é feito de quem? 

Só têm aquilo que merecem

Nas sondagens. Portugueses consideram Passos Coelho melhor preparado do que António José Seguro. Os socialistas só têm aquilo que merecem. É a vida. 

segunda-feira, dezembro 30, 2013

O Roubo do Presente

Nunca uma situação se desenhou assim para o povo português: não ter futuro, não ter perspetivas de vida social, cultural, económica, e não ter passado porque nem as competências nem a experiência adquiridas contam já para construir uma vida. Se perdemos o tempo da formação e o da esperança foi porque fomos desapossados do nosso presente. Temos apenas, em nós e diante de nós, um buraco negro. O «empobrecimento» significa não ter aonde construir um fio de vida, porque se nos tirou o solo do presente que sustenta a existência. O passado de nada serve e o futuro entupiu. O poder destrói o presente individual e coletivo de duas maneiras: sobrecarregando o sujeito de trabalho, de tarefas inadiáveis, preenchendo totalmente o tempo diário com obrigações laborais; ou retirando-lhe todo o trabalho, a capacidade de iniciativa, a possibilidade de investir, empreender, criar. Esmagando-o com horários de trabalho sobre-humanos ou reduzindo a zero o seu trabalho. O Governo utiliza as duas maneiras com a sua política de austeridade obsessiva: por exemplo, mata os professores com horas suplementares, imperativos burocráticos excessivos e incessantes: stresse, depressões, patologias borderline enchem os gabinetes dos psiquiatras que os acolhem. É o massacre dos professores. Em exemplo contrário, com os aumentos de impostos, do desemprego, das falências, a política do Governo rouba o presente de trabalho (e de vida) aos portugueses (sobretudo jovens). O presente não é uma dimensão abstrata do tempo, mas o que permite a consistência do movimento no fluir da vida. O que permite o encontro e a intensificação das forças vivas do passado e do futuro - para que possam irradiar no presente em múltiplas direções. Tiraram-nos os meios desse encontro, desapossaram-nos do que torna possível a afirmação da nossa presença no presente do espaço público. Atualmente, as pessoas escondem-se, exilam-se, desaparecem enquanto seres sociais. O empobrecimento sistemático da sociedade está a produzir uma estranha atomização da população: não é já o «cada um por si», porque nada existe no horizonte do «por si». A sociabilidade esboroa-se aceleradamente, as famílias dispersam-se, fecham-se em si, e para o português o «outro» deixou de povoar os seus sonhos - porque a textura de que são feitos os sonhos está a esfarrapar-se. Não há tempo (real e mental) para o convivio. A solidariedade efetiva não chega para retecer o laço social perdido. O Governo não só está a desmantelar o Estado social, como está a destruir a sociedade civil. Um fenómeno, propriamente terrível, está a formar-se: enquanto o buraco negro do presente engole vidas e se quebram os laços que nos ligam às coisas e aos seres, estes continuam lá, os prédios, os carros, as instituições, a sociedade. Apenas as correntes de vida que a eles nos uniam se romperam. Não pertenço já a esse mundo que permanece, mas sem uma parte de mim. O português foi expulso do seu próprio espaço continuando, paradoxalmente, a ocupá-lo. Como um zombie: deixei de ter substância, vida, estou no limite das minhas forças - em vias de me transformar num ser espetral. Sou dois: o que cumpre as ordens automaticamente e o que busca ainda uma réstia de vida para os seus, para os filhos, para si. Sem presente, os portugueses estão a tornar-se os fantasmas de si mesmos, à procura de reaver a pura vida biológica ameaçada, de que se ausentou toda a dimensão espiritual. É a maior humilhação, a fantomatização em massa do povo português. Este Governo transforma-nos em espantalhos, humilha-nos, paralisa-nos, desapropria-nos do nosso poder de ação. É este que devemos, antes de tudo, recuperar, se queremos conquistar a nossa potência própria e o nosso país. 

Por José Gil

Feliz Ano Novo

Votos de um bom ano novo para todos aqueles que aqui espreitam. Que 2014 vos traga muita inquietude, irreverência e sempre que se justifique desobediência. Que sejam exigentes convosco próprios e com os outros. Que afinem o vosso sentido de justiça e que ganhem forças renovadas para lutar contra a austeridade que destrói a democracia, os direitos humanos e todos dias um bocado das nossas vidas. Vivam um dia de cada vez, sabendo que o que fizermos em cada dia, pode contribuir para construirmos em conjunto, um mundo melhor.

domingo, dezembro 29, 2013

Revisitando 2013, Em Luta Contra A Indecência E Em Defesa Da Escola Pública


Faltam dois dias para começar as aulas. Recebo uma chamada telefónica de uma mãe de um colega do meu filho que me informa aflita de que puseram os nossos filhos que tinham passado do 2º ano para o 3º ano numa turma do 4º ano. Estou de partida para Lisboa para um colóquio internacional. Tenho pouco mais de uma hora para apanhar o autocarro. Decido arriscar a passar pela escola para saber do que se passa. Entro na escola e vejo a turma do meu filho afixada. É a única turma do primeiro ciclo que tem crianças misturadas naquele edifício. Foi despejado com mais seis crianças numa turma do 4º ano. Subo as escadas em direcção à secretaria. Entro e falo com a primeira funcionária que vejo dizendo-lhe que ouve um erro absurdo na colocação do meu filho nas turmas. Esta dá-me a entender que não é engano mas uma opção deliberada da escola. Entro descontrolado no gabinete da direcção a pedir explicações. A direcção diz-me que o Ministério da Educação mandou para trás todos os horários que os professores da escola tiveram a fazer pacientemente durante o Verão. Inventaram uma plataforma informática onde colocaram os alunos. O resultado foi aquele e nada podem fazer. Mostram-me outras situações absurdas em escolas do interior do concelho. A ordem foi geral e aconteceu em muitas mais escolas. Dizem-me que nada podem fazer. Que a Direcção Geral dos Estabelecimento Escolares, a nível central, é quem tudo decide e que não responde a emails nem sequer sabem o número para onde contactar. Saio do gabinete da direcção furioso. Telefono para a minha mulher que no trabalho fica estupefacta. Arranco para Lisboa a pensar em chegar rápido ao quarto de hotel para criar um evento no facebook para convocar uma manifestação para a porta da escola na Sexta-Feira seguinte assim que chegar. Nesse mesmo dia a minha mulher sai do trabalho e vai à escola. Vê a turma afixada, entra em paranóia e dirige-se ao gabinete da direcção da escola. É barrada no caminho pelo porteiro que a ameaça e a tenta impedir de subir. Ela resiste e enfrenta o porteiro. Senta-se na escada e recusa descer enquanto não falar com alguém da direcção. Lá dentro, um elemento da direcção ouve a zaragata e manda-a entrar. O porteiro desce e o meu sogro cá em baixo ouve o porteiro resmungar "vêm para aqui estes comunistas". A minha mulher quer saber como se pode resolver a situação. A resposta é a mesma. Só a Direcção Geral dos Estabelecimentos Escolares é que pode resolver o assunto e está incontactável. Percebo nesse dia que estou em luta contra o topo do aparelho de Estado e que a formação das turmas é uma estratégia de economizar recursos e despedir professores. Tinha já anteriormente informado a mãe do colega do meu filho que não se assustasse se me visse a ter comportamentos fora da norma que isto tinha que ser um combate a doer, a minha leitura confirmou-se. Em Lisboa mobilizo algumas pessoas (familiares e amigos) que se solidarizaram através do facebook para aparecer na manifestação de Sexta de manhã à porta da escola. Telefono para o Sindicato de Professores que me diz que tem que ser os pais a fazer pressão, a "desenrascarem-se". Formo entretanto o movimento ad hoc de cidadãos do concelho de Loulé em defesa da escola pública. Faço um comunicado de imprensa para vários orgãos de comunicação social entre os quais a Lusa e o Correio da Manhã. Faço a viagem de Lisboa para o Algarve em pulgas com uma comunicação num colóquio sobre educação (ironia das ironias) pelo meio. De manhã levanto-me às 7 horas da manhã e com umas cartolinas escritas com palavras de ordem arranco para a escola. Não me contive e pintei a parede e o portão da escola "dois anos, um professor não, basta!". Pressinto que vou estar sozinho na luta e que estou a lutar contra um monstro, tiro a roupa e fico em cuecas em frente à escola com um cartaz que tem inscrito "Em defesa da escola pública e da educação do meu filho Pedro". Sei os custos que uma decisão destas tem. Fui rotulado de "louco" pelas gentes do PSD local por protestar de forma veemente contra as políticas do governo e de "radical" pela gente do PS que andou atrás de mim nas manifestações em Loulé. O boato instalou-se e as gentes de Loulé prestam-se a isso. Mas trata-se da vida do meu filho e nem hesito um minuto. Chegam as televisões e a jornalista da Lusa e já estou em cuecas no meio da estrada. Os pais de mais 6 crianças da mesma turma juntam-se passivamente ao protesto (a nossa democracia não chegou a estar devidamente consolidada para que as pessoas incorporem um protesto como um direito). A minha mulher depois de cuidar do meu filho mais novo aparece em cima da hora de entrada da escola, pouco depois aparece a minha mãe e a minha irmã; aparecem também alguns elementos do Bloco de Esquerda de Loulé em solidariedade e um senhor de Quarteira ligado ao PS que está de passagem e que se mostra solidário. À hora do almoço já estou de cuecas na TV. A reportagem é boa. No Correio da Manhã, o jornal faz da notícia um fait-divers. O director da escola vê-se na obrigação de falar para a televisão depois de eu ter exigido a uma professora a sua presença. O seu discurso é sereno. Apela ao bom senso do Ministério da Educação para que se resolva a situação. Há mães que choram junto ao portão da escola. O seu discurso é o reconhecimento de que os pais têm razão. Há logo de seguida a recepção aos pais dos alunos. Visto a roupa e vou para a reunião com intenção de falar com a direcção da escola sobre a forma de ultrapassar o problema. Percebo que o director da escola não está. É uma subdirectora que dá início à reunião. Exijo a presença do director pois há problemas gravíssimos que têm que ser discutidos. Sou obrigado a cantar o Grândola Vila Morena para que o director seja chamado à reunião. O director chega e a reunião começa. Apresento o problema que afecta sete pais naquela mesma escola. A maior parte dos pais (os outros) fica em silêncio e nem toca no facto de haver turmas com 26 crianças estando uma das turmas vazia com 11 crianças ao lado. A meu lado o Luís Lory intervém e diz que se fôr necessário acampa comigo à porta da escola em prole do seu filho. O presidente da Associação de Pais não está presente. Parece que tem problemas a resolver noutras escolas. Está presente um outro elemento da Associação de Pais que lamenta o que se está a passar e que a situação deveria ter sido evitada. No facebook o presidente da APEC tinha-me aconselhado a não avançar com a greve de fome uma vez que a medida lhe parecia muito "drástica". A direcção da escola reconhece publicamente o problema e diz não ter responsabilidade na situação. Deixo bem claro que não vou aceitar a atrocidade. Decido nesse mesmo dia que se tiver que ser avanço para greve de fome. Saio da reunião e vou para o trabalho. Lecionar, entenda-se. Ao telefone a minha mulher avisa-me que os outros seis pais (a maior parte mães) vão para Faro falar com o Director Regional de Educação a expôr o problema e que seria aconselhável eu ir também. A minha vontade é nenhuma. Sei que é um cargo de nomeação do partido e tenho a ideia que quem o representa põe os interesses do partido acima de tudo. A minha mulher insiste e lá me convence. A meio da tarde estou na Direcção Regional de Educação do Algarve. Quando chego a mãe que teve a iniciativa da reunião diz que teve que forçar a reunião pois o senhor director não queria recebê-la. Lá conseguiu, entrámos para uma sala da DREALG todos juntos, os pais e mães de seis crianças. O Pedro foi connosco, não tivemos onde deixá-lo. A minha mulher a faltar ao trabalho. Iniciada a reunião, o senhor director regional lá nos explicou que a DREALG não tinha poderes e estava praticamente esvaziada. Que quem podia resolver a situação era a Direcção Geral de Estabelecimentos Escolares que não atendia o telefone ou que lhes desligavam inclusive o telefone na cara e não respondiam aos emails. Depois passou à verdadeira explicação. Que o governo fazia o que fazia para "proteger aqueles que pagavam os seus impostos" e que não se podiam desperdiçar recursos. Não me controlei, e desatei aos murros na mesa. O senhor director levantou-se e recusou a continuar a reunião. Levantei-me de imediato. percebi que era eu que tinha que sair. Sai de dentro da sala aos berros "Não brinque com a educação do meu filho", "Não brinque com a educação do meu filho" e sai porta fora a gritar "fascistas de merda" e "filhos da puta". A reunião continuou para o resto dos pais. Sai decidido a acampar à porta da escola e a fazer greve de fome. E assim fiz. Novamente foi feito um comunicado para a imprensa e novamente o caso foi amplificado pelos meios de comunicação social. A greve de fome nunca foi interrompida e apenas abandonei o local para ir dar aulas aos meus alunos, para que também eles não fossem prejudicados. Os protestos ao longo da semana foram oscilando entre a escola nº 4 junto à transversal do coreto na Avenida José da Costa Mealha e na escola em Vale de Râs onde se encontrava a direcção. No final dessa semana (7 dias depois do início das aulas) estou acampado à noite junto da escola e recebo uma chamada da minha mulher que estava numa reunião da Associação de Pais para me dizer para suspender a greve que a Direcção Geral dos Estabelecimentos Escolares tinha dado autorização para transferir os miúdos para a turma do 3º ano. Suspendi imediatamente a greve de fome com uma enorme sensação de alívio e fui para a reunião a pedido da minha mulher. De  facto a direcção da escola tinha recebido a orientação. Restava agora saber se a punha em prática e a direcção afiançava que sim. Fim-de-semana passado em casa a recuperar as forças de uma greve de fome que já ia longa e já estava a produzir efeitos no cansaço físico mas com a esperança de que era agora que tudo se resolvia. Não podia estar mais enganado. Deixo passar o fim-de-semana, a Segunda-Feira; e percebo a meio da semana que o assunto não se resolveu. Entretanto, o Pedro esteve os primeiros dias de escola sem lá ir, em protesto e ao quinto dia decidimos que era melhor integrar a turma do 4º ano. Acontece que a direcção da escola aproveitou a orientação vinda de cima para resolver outros casos e aquilo que tinha deixado de ser uma uma impossibilidade, um governo fascista abrir mão de um decisão irrevogável, voltava a ser enviado através da escola para as mãos da Direcção Geral de Estabelecimentos Escolares que concordava agora apenas "parcialmente" com a orientação superiormente emanada, voltando a transformar a nova possibilidade numa nova impossibilidade. Não sei se percebem, aquilo que anteriormente era uma ordem inquestionável uma vez que os elementos da direcção da escola nunca correriam o risco de levar um processo disciplinar e prejudicar as suas carreiras profissionais (dito pelos próprios e ouvido com estas orelhas que a terra há-de comer) passou como que por obra e graça do espírito santo na sequência da abertura gerada pelos protestos a ser possível de contestação. E assim chegámos a meio da outra semana em que na sequência de uma reunião da direcção com a minha mulher e a minha mãe (todos os dias a escola me dizia que o problema se resolveria no dia seguinte e todos os dias seguintes fui à escola) lhes foi dado a entender que o problema não teria solução. E foi nesse mesmo dia que decidi ocupar o gabinete da direcção da escola. Entrei, sentei-me e disse que não sairia do gabinete até o problema estar resolvido. Já noitinha, nesse mesmo dia, os elementos da direcção abandonaram a escola e deixaram-me plantado no gabinete sem ninguém lá dentro. Saíram para jantar e chamaram a polícia. Entretanto a minha irmã anunciou no facebook que o gabinete da direcção estava ocupado. E pediu ajuda. Ainda tentei trancar o gabinete por dentro mas não consegui. A porta não tinha fechadura. Entretanto chegou a polícia e a direcção voltou. Ofereci-me à polícia para me algemar. Levem-me preso. Quero ser preso. E foi a polícia que me convenceu com muita paciência a retirar-me no gabinete e a voltar de manhã no dia seguinte que aí já não teria problemas com as autoridades. Foi o que fiz. Abençoado conselho. No dia seguinte logo pela manhã agarrei no meu portátil e fui trabalhar para o gabinete da direcção à espera que me resolvessem o problema. Para quem tinha penado em greve de fome e a dormir à chuva à porta da escola era agora bem mais fácil esperar sentado. E foi esta persistência (que se ia tornando insustentável para a direcção da escola) juntamente com o facto de ter percebido que conhecia o tipo (e que tinha acesso ao seu número de telemóvel) que tinha acesso ao sistema informático que permitiu que esta pessoa em mediação com a escola e com o responsável central da DGEST resolvessem de vez o problema. O facto de os pais em Monchique na mesma situação se terem juntado e fechado a porta da escola também ajudou e muito. Começavam a explodir outros casos um pouco por todo o país e convinha ao Governo estancar os protestos. Nesse mesmo dia fui ainda ameaçado de morte pelo porteiro da escola que me expulsou literalmente da escola e que me ameaçando com um tacho na mão me disse que "isto ainda ia acabar mal" e "matava toda a minha família" (chegando a ameaçar depois os meus pais directamente). É nessa hora à porta da escola que recebo um telefonema pessoal a informar que a situação está resolvida e que no dia a seguir a transferência seria consumada. À porta estavam dois elementos da Associação de Pais e familiares e amigos meus que entretanto tinham chamado a polícia na sequência da ameaças à minha pessoa à porta da escola a quem transmiti a decisão. Informado do assunto o Presidente da Associação de Pais viria a escrever mais tarde no facebook da APEC que "na sequência da reunião com a direcção da escola tinha-se resolvido o caso". De registar também que enquanto estive em greve de fome abordei o candidato do PS Carlos Filipe e o presidente da Junta de Freguesia de São Clemente no sentido de informarem o candidato Vítor Aleixo e fazerem qualquer coisa para me ajudarem a resolver o problema (nem que fosse um comunicado público/político que desse alguma visibilidade ao problema, tratava-se da escola pública caramba!) ao que o Carlos Filipe me respondeu "que era um gajo muito corajoso" enquanto o Pedro Oliveira não ligou patavina ao que lhe estava a dizer só não se raspando dali mais cedo porque o Carlos Filipe teve o bom senso de fazer que me ouvia. Toda essa gente do PS fez de conta que era o protesto de um "maluco" e agiu estrategicamente de maneira de que isso não lhe prejudicasse um único voto. A minha mulher ainda conseguiu falar com o candidato Vítor Aleixo que fez que não sabia de nada do que se estava a passar e quando lhe disse que era minha mulher deixou escapar que eu seria bom moço mas muito "radical". Vim a saber mais tarde que o Senhor Presidente da Freguesia de São Clemente fazia parte do Conselho Geral da Escola...No final, o meu filho Pedro integrou a turma do 3º ano mas quatro dos melhores alunos daquele ano fugiram da escola e pediram transferência para escolas de outra localidade dentro e fora do concelho (o próprio filho do Lory que é do PS foi transferido a pedido do pai). A escola viria a confrontar-se com uma tragédia de que eu viria ainda mais tarde a ser injustamente acusado e de que tive que me vir a defender por escrito e eu passei provavelmente a maior humilhação da minha vida sendo ainda censurado moralmente por alguns colegas de trabalho. Fica a história. Não consigo contar tudo ao pormenor porque a memória sempre nos atraiçoa. Fica o possível para que se saiba. O que mais temo é que tudo se repita no ano que se aproxima. As turmas mistas ficaram lá, no objectivo das políticas governamentais. Resta saber se fazem parte das políticas de escola. E já agora, o que faz a autarquia?

sábado, dezembro 28, 2013

Revisitando 2013, A Aconselhar o Conselheiro de Estado


Recordando algumas coisas que fui fazendo por aí em 2013. Na foto, em frente à Câmara Municipal de Loulé, a aconselhar o conselheiro de Estado e a oferecer-lhe um livro de benzeduras pois se Vítor Gaspar invocou as estações do ano como factor explicativo para o mau funcionamento da economia e um certo deputado do PCP lhe ofereceu um Borda D'Água pensei em dizer ao intérprete do regime que só as rezas profanas e quem sabe as práticas mágicas poderiam salvar este governo e a receita da Troika da destruição da economia do país.

Gerir A Miséria Humana Vai Dar Mau Resultado

A estratégia do PS e de António José Seguro de gerir a frustração das populações à espera que a sua condição cada vez mais miserável se traduza em votos no PS está a revelar-se um desastre eleitoral. O resultado final deste colaboracionismo conivente é possível que venha a ser na sequência das eleições uma aliança com este PSD. Nesse mesmo dia eu vou querer olhar nos olhos aqueles que se dizem da esquerda no interior do PS e perguntar-lhes por onde andaram e se já não tinham percebido isso. Nesse dia só têm um remédio. Ou saiem do PS para salvaguardar o que dizem ser de esquerda ou ficam e a gente vê que perderam a máscara. 2015 é logo ali. 

Ver última sondagem aqui: 

sexta-feira, dezembro 27, 2013

Revisitando 2013 - Em Faro, 25 de Abril de 2013


Vale a pena perguntar. O que é que esta gentinha do PS não percebeu? Acha que é por gosto que se passa a vida nas ruas a exigir a demissão do Governo? É amor ao protesto? É isso?

quinta-feira, dezembro 26, 2013

A Miséria Moral Em Que Caímos

E lá estive esta tarde em protesto à porta da Câmara Municipal de Loulé a exigir que os socialistas façam oposição e exijam a demissão do governo. Miséria moral esta em que caímos em que para além de se protestar contra o governo que nos assalta temos que protestar com aqueles que não fazem oposição a quem nos assalta. Eu diria que tão criminoso é o governo que nos assalta como os partidos da oposição que assistem passivamente ao assalto à espera das eleições legislativas de 2015. Em 2015 estamos quase todos mortos.

Uma Autarquia Que Emite Juízos Artísticos Sobre Os Artistas Que Convida, Podia Ser Na Rússia De Putin

"Passados 20 anos desde que o grupo foi criado, a banda trouxe a Loulé “magia e uma ligação muito forte ao público, manifestando o amadurecimento dos seus membros enquanto performers, nomeadamente do seu vocalista, Nuno Guerreiro”, reforça a autarquia local."
Nada haveria de estranho a assinalar no elogio, se não fosse um artista que apoiou o candidato agora presidente que agora retribui o apoio. É uma espécie de apoio aos seus, de resto, um indicador forte do ao que vem esta gestão autárquica. É o assalto ao pote socialista. Dar benesses aos seus e não hostilizar quem estava, desprezando os que não contam. O ninguém ficará para trás é isto. Nuns poucos dias esta nova gestão autárquica repetiu tudo o que de pior a anterior fez e parece não estar disposta a arrepiar caminho. É preciso dizer também que nada desta observação tem que ver com a qualidade do artista que é excelente e deu um excelente espectáculo no Cine-Teatro Louletano.

E já agora, de quem é a fonte da autarquia? http://www.regiao-sul.pt/noticia.php?refnoticia=142347

3 Janeiro de 2014 - Em frente à porta da CML

Porque é inadmissível que o partido socialista esteja à espera das eleições de 2015 assistindo passivamente à destruição da vida de grande parte da população portuguesa. Porque é inadmissível que o partido socialista seja um dos principais aliados das políticas da Troika. Porque queremos uma alternativa política que nos liberte das políticas da Troika, nos restitua a dignidade e resgate o nosso futuro vamos concentrarmo-nos à frente da porta da Câmara Municipal de Loulé a exigir que os políticos na oposição defendam as nossas vidas. Dia 3 de Janeiro aparece. Vem pedir a demissão do governo de Pedro Passos Coelho. Vem exigir ao PS que dignifique a política. Ou Seguro combate a Troika ou que se vá embora!
 

quarta-feira, dezembro 25, 2013

Revisitando 2013 - 2 de Março, Loulé



O povo saiu à rua para exigir a demissão do Governo PSD/CDS e cantou o Grândola Vila Morena numa ocupação simbólica do castelo de Loulé. Entretanto, uns meses depois, o PS ocupou o poder no concelho e abafou a exigência de demissão deste governo que destrói a vida dos portugueses. De forma conivente, à semelhança do que já se tinha passado durante o reinado de Sócrates, o silêncio conivente e colaboracionista da gentinha do PS é orientada apenas e só pela ida ao pote numa indigência política e moral de que não há memória. Tudo em nome das eleições legislativas de 2015. Fazem juz à versão popular do "são todos iguais" e depois ficam espantados sobre a coisa. A mim, já me restam poucas dúvidas sobre essa versão da história.

segunda-feira, dezembro 23, 2013

Uma Boa Noite De Natal Para Todos



Na impossibilidade de vos desejar um Feliz Natal em época de austeridade perpétua, desejo-vos um dia de natal bem passado junto daqueles que amam. Deixo-vos um vídeo-clip com alguns dos melhores da música Pop do meu tempo de juventude. Um tempo em que ainda se podia projetar o futuro.

Feliz Natal


O PS Não É Confiável Como Partido Da Oposição, Muito Menos No Governo

O PS de Seguro mostrou que não é confiável como partido da oposição e que ou não percebe o sentido de fundo da actual política de “ajustamento”, de que este abaixamento do IRC é um mero epifenómeno, ou, pelo contrário, percebe bem de mais e quer ser parte dela. Inclino-me, há muito, para a segunda versão. Seguro e os seus criaditos diligentes estão ali para servirem as refeições aos que mandam, convencidos que as librés que vestem são fardas de gala num palanque imaginário. Vão ter muitas palmas e responder com muitos salamaleques. Estamos assim. 

Pacheco Pereira, aqui: 

Comissão De Utentes Da Via Do Infante Corta Estrada Na EN125

 
A luta só parará com a suspensão de portagens na Via do Infante. Estas decisões políticas criminosas estão a matar pessoas e isso não é aceitável.

domingo, dezembro 22, 2013

Crenças Divinas E A Ordem Natural Das Coisas

"É intenção deste executivo não deitar a toalha ao chão, não desistir, e acreditar que depois destes dias difíceis outros dias melhores virão. E a nossa ação vai no sentido de ir ao encontro desses tempos melhores”

sábado, dezembro 21, 2013

O Doutor Seruca Emídio Aleixo

O doutor Seruca Emídio Aleixo começou há meia dúzia de dias o seu mandato na CML e tudo parece dar a entender pelas suas práticas políticas iniciais que não percebeu que uma parte significativa dos cidadãos do concelho exigia uma ruptura radical com as práticas políticas levadas a cabo pela governação anterior. Vai daí, as árvores da cidade de Loulé continuam a ser tão mal tratadas como anteriormente o eram. A megalomania da arquitectura e do cimento armado que arruína o dinheiro dos contribuintes louletanos continua a fazer o seu caminho em todo o seu esplendor, com a anuência do senhor presidente e do seu mais iluminado vereador e os pequenos grandes poderes institucionalizados no município parecem continuar a ser quem toma as decisões que contam. Esta governação que se anuncia para já, caritativa, parece caminhar para o regresso aos piores tempos de José Sócrates. Amigos e abutres não faltam a pairar à volta dos Paços do Concelho. Coitadas das pessoas e dos que vão ficar para trás. Tudo em nome das aparências e de uma governação centrada no faz de conta.

quinta-feira, dezembro 19, 2013

A Poda Socialista Em Loulé

Loulé, Dezembro de 2013 - À porta da Junta de Freguesia de São Clemente


Depois do vendaval arboricida em Loulé levado a cabo pela governação do doutor Seruca Emídio onde imperou o mais completo desrespeito pelo património arbóreo do concelho eis que aparece a primeira grande obra dos que se dizem socialistas por estas santas terras. Uma poda verdadeiramente desastrosa sem qualquer respeito pela natureza. Se não se é capaz de cuidar daquilo que é o mais básico no que toca aos valores elementares da vida em comum como se pode fazer alguma ideia do que é enfrentar uma crise da dimensão em que estamos atolados? Refugiados no silêncio, enfiando a cabeça na areia e jogar o mero jogo nos interesses não ditos dos bastidores? Não me parece boa estratégia.

quinta-feira, dezembro 12, 2013

Gato Escondido Com Rabo De Fora

Se existisse coragem os Socialistas que aproveitaram o descontentamento dos louletanos para subir ao poder tinham que pedir uma auditoria às contas da Câmara de Loulé para sabermos como foi gasto o nosso dinheiro e para onde ele foi com consequências criminais se isso se viesse a justificar. Como não a têm, a divulgação desta dívida (qual será o verdadeiro valor?) vai servir apenas para legitimar as não políticas que não vão ser levadas a cabo e a política de caridade já anunciada. Sobre o discurso da diferença temo que acabemos por ter apenas mais do mesmo. Veremos se não se tratou de uma mera dança de cadeiras apenas e só em proveito dos próprios. 

quarta-feira, dezembro 11, 2013

Os Devoristas

O Governo de Portugal e o Governo da Europa perderam o contacto com os seus cidadãos. Para quem não desiste da sua cidadania, outrossim dela faz alimento da alma, a raiva e o desespero dominam. Só me contém a noção dos meus limites e da minha mortalidade. Mas sofro. Sofro com tantos que sofrem às mãos de devoristas.
 

Efeitos Perversos Já Esperados

Um nojo a forma como António José Seguro e os "socialistas" se demitiram de fazer oposição a este governo. Nada que não se esperasse. Quando cheira a poder é assim para os lados das hostes "socialistas". Pode ser que lhe saia o tiro pela culatra.

domingo, dezembro 08, 2013

PS, PSD e CDS, Forças de Bloqueio ao Desenvolvimento Económico e Social do Algarve

Há que não perder a esperança de ver um dia as portagens no Algarve abolidas uma vez que dão um prejuízo brutal ao erário público em nome dos lucros da concessionária privada pagos com os dinheiros dos contribuintes. Nesse dia perceberemos como PSD, PS e CDS contribuíram decisivamente para um entrave ao desenvolvimento económico e social do Algarve. Verdadeiras forças conservadoras de bloqueio, portanto. 

sexta-feira, dezembro 06, 2013

Hoje, Suspensão Das Portagens Na Via Do Infante Em Discussão Na Assembleia da República

Amanhã, dia 6 de dezembro, a Assembleia da República discute a 2ª petição antiportagens na Via do Infante. Há quase um ano a CUVI - Comissão de Utentes da Via do Infante - entregou na AR cerca de 15 mil assinaturas a solicitar a suspensão das portagens na A22/Via Infante de Sagres. Para que a petição possa ser alvo de votação, os grupos parlamentares do Bloco de Esquerda e do Partido Comunista apresentam projetos de lei e de resolução. O Algarve aguarda com expetativa a deliberação do parlamento, sabendo de antemão que a continuação da taxação de portagens darão mais contributos para a morte social e económica do Algarve. Cerca de duas dezenas de algarvios e algarvias estarão presentes nas galerias da AR a assumir a sua cidadania.