quinta-feira, setembro 27, 2012

Chile, 1973

Desde há mais de um ano que venho alertando para o facto do perigo da imposição austeritária nos países da Europa com destaque para a Grécia, Espanha e Portugal se assemelharem ao que se passou no Chile na década de 1970. Para quem não sabe no Chile a receita económica ultraliberal implementada sob a influência dos "Chicago Boys" falhou estrondosamente em democracia e depois foi imposta à bomba e através da instauração da ditadura de Pinochet. As semelhanças começam a ser perigosamente assustadoras.

domingo, setembro 23, 2012

15 de Setembro, Um Passo Atrás Na Vida Da Troika, Um Grande Passo Na Defesa Da Democracia



Dia 15 de Setembro de 2012 vai ficar na História como uma das maiores manifestações de cidadania política e social da sociedade portuguesa. Perto de 1 milhão de pessoas saiu à rua para dizer basta às políticas de austeridade da Troika e do governo PSD/CDS. Mas não foi só um basta em relação a isso. De alguma forma o corte da relação entre representantes e representados atingiu o seu ponto máximo na manifestação de descontentamento deste dia. Nunca mais as coisas ficarão na mesma. A percepção pública em relação aos efeitos das políticas desastrosas de austeridade modificou-se. A partir deste dia não mais nos podem vender o discurso do sofrimento como salvação. Que empobrecer é bom para todos nós e que o "bom povo português" é tolerante, pacífico e compreensivo face ao desastre que lhe é politicamente imposto. A dimensão dos desafios que se colocam ao nosso país e aos nossos destinos individuais e colectivos é gigantesca. Trata-se de alguma forma, para uma boa parte de nós da batalha das nossas vidas. É urgente acabar de uma vez por todas com o círculo vicioso da austeridade recessiva. A austeridade é o problema. É preciso ter coragem para romper com o memorando da Troika. Vai ser preciso coragem para se necessário reconhecer que é melhor sair do euro do que nos mantermos com uma moeda que nos destrói a vida e hipoteca o futuro. É preciso defender a democracia com unhas e dentes e fazê-la sobrepor-se ao capitalismo selvagem.  É preciso rejeitar firmemente políticos e políticas que deprezam os valores mais básicos do respeito pelos direitos humanos  e pela dignidade humana em prole de carreiras burotecnocratas nas instâncias canibalizantes do capital financeiro internacional. É preciso sair à rua, sairmos muito à rua para deixarmos de ser meros espectadores das nossas vidas e para nos tornarmos donos do nosso destino. É preciso instituir na arena pública o homo implicado. É tempo de aprender a fazer escolhas sabendo que há escolhas que são irredutivelmente inconciliáveis.

quarta-feira, setembro 19, 2012

Não Se Pode Governar Sem Povo

Vidas Troikadas

Relatos de vida

1. Dia 15 de Setembro pela manhã. Eu e ela encontramo-nos para distribuir cartazes da manifestação contra a Troika em Loulé. Pergunto-lhe o que faz. Diz-me que está desempregada. Deu aulas numa Faculdade que também já foi a minha. Disseram-lhe que tinha feito um excelente trabalho e que gostaram muito dela. Só não ficava porque não havia dinheiro. É a justificação que agora legitima todas as decisões em todo o lado. De algum modo conforta que tem nas mãos a tomada de decisão. Gostamos de ti mas não dá. Pensei com os meus botões que qualquer dia sou eu.

2. Tarde de dia 16 de Setembro, depois da manifestação de 15. Ele vem falar comigo para me dizer que está do nosso lado. Que as nossas reindivicações são justas. Que está arrependido de ter votado PSD. Pergunto-lhe o que faz. Diz-me que está há oito anos desempregado. Que era bancário mas que foi despedido por um mau chefe. Está cheio de medo. Aterrado. Vive com os pais que percebe estarem a ficar velhos e que vivem da reforma. Teme cair nas ruas na maior das misérias se os seus pais morrerem. Os seus pais foram agora afectados pelos cortes da Troika. Fico sem saber o que dizer. Pago-lhe um café. Tenho uma carga de trabalho enorme à minha espera. É Domingo. Vou para casa estudar. Pensei com os meus botões que não quero ser como o Relvas. Um dia, não muito longe, posso ser eu. Um dia, não muito longe, podes ser tu.

segunda-feira, setembro 17, 2012

De Parvos E De Loucos Todos Temos Um Pouco


Para aqueles que na Câmara Municipal De Loulé lançaram o boato de que eu estaria num primeiro momento louco e num segundo momento depressivo, a resposta está no milhão de portugueses que saiu à rua em 15 de Setembro. Em Loulé foram cinco mil pessoas e um Coelho foi exposto esfolado mesmo ao lado da porta da CML. De parvos e de loucos todos temos um pouco. Os senhores não estão habituados a que exista oposição em Loulé. E é preciso ter cuidado com estes senhores pois não são de todo flor que se cheire. Basta!

Sexta Feira O Povo Vai Ao Conselho De Estado Pedir A Demissão Do Governo PSD/CDS

sexta-feira, setembro 14, 2012

Amanhã É O Primeiro Dia Do Resto Das Nossas Vidas


Entrámos num contexto terrível em que a chantagem da Troika sobre os portugueses vai atingir o seu expoente máximo. Preparem-se para resistir com sangue, suor e lágrimas. A alternativa é fugir do país ou ser dizimado. Até amanhã.

domingo, setembro 09, 2012

Todos À Rua Em Loulé Dia 15 de Setembro, Basta!

 
Todos à rua dia 15 de Setembro em Loulé. Traz a tua voz. Fala tudo o que tens para dizer. Se só quiseres escutar, participa escutando solidariamente os outros. Traz panelas, tachos, cartazes e tudo o que achares por bem trazer. Temos que nos juntar para impedir que a vida dos nossos pais, as nossas vidas e as dos nossos filhos sejam destruídas. Traz ideias, propõe alternativas! 15 de Setembro às 17 horas, a rua é nossa!

PS: De manhã às 10h junto ao mercado de Loulé já há conversas sobre a Troika!

sábado, setembro 08, 2012

Basta!


Protesto, esta noite, 7 de Setembro, contra a austeridade imposta pelo governo PSD/CDS aos portugueses à porta da Câmara Municipal de Loulé. A acampada estava a correr bem mas apareceu a GNR que identificou os autores do protesto e impediu a acampada de continuar. Dia 15 de Setembro ficou marcado para Loulé uma assembleia popular (ouve e fala) e uma acampada em frente à CML. Não nos vão conseguir calar! Junta-te a nós.

sexta-feira, setembro 07, 2012

Emigrem Filhos Da Fruta

Chamaram-nos piegas. Disseram-nos que tínhamos que emigrar. Tentaram-nos convencer que o desemprego é uma oportunidade. Disseram-nos que para o nosso país se desenvolver tínhamos quase todos que empobrecer. Dizem-nos em cada minuto que passa que vivemos acima das nossas possibilidades. Cortaram-nos os nossos já míseros salários. Roubaram-nos os subsídios de Férias e de Natal. Encolheram o nosso direito ao descanso acabando com feriados que fazem parte da alma da Nação. Privatizam o oxigénio. Destroem o Estado Social atacando ferozmente a Saúde, a Educação e a Protecção Social dos Portugueses. Aumentam brutalmente os impostos sobre os indivíduos e as empresas. Facilitam os despedimentos e encolhem a protecção social no desemprego. Dizem-nos que os nossos salários, já dos mais baixos da União Europeia, têm que baixar para sermos mais competitivos. Tentam convencer-nos que a austeridade é a cura para os efeitos desastrosos da austeridade. Dizem-nos que tudo isto é uma inevitabilidade. Que a culpa é nossa porque somos preguiçosos.

O rol de asneiras ministeriais não tem fim. É preciso dizer basta. Temos que mostrar a esta gente que nos (des) governa que não nos merece. Que são eles que têm que emigrar. Que o nosso esforço e o nosso mérito naquilo que conquistámos na vida não foi feito à imagem de um Relvas qualquer. Que quem nunca fez nada na vida foram eles que apenas viveram dos favores dos partidos. Que este país tem futuro. Que o futuro não pode existir sem auditar publicamente uma dívida que nos condena à escravidão. Que se o euro nos destrói a vida nós não temos problemas em trocá-lo por uma moeda que nos dê vida. Que a dignidade não pode estar cotada em bolsa. Que é aqui e agora que resgatamos a nossa vida a quem nos quer tirar a vida.

Temos todos que sair de novo à rua e mostrar a esta gentinha que se eles não mudam de políticas nós só temos o remédio de os fazer mudar de vida. Mandaram-nos emigrar dizendo-nos descaradamente que não tínhamos lugar no nosso país. Mas nós sabemos bem que a solução para Portugal só tem um primeiro passo com a emigração deste governo. Só a rua pode trazer esperança a um futuro decente para todos nós. O sistema político como ele funciona actualmente não é regenerável. É preciso sair à rua e gritar alto e com bom som, emigrem vocês filhos da fruta!

João Martins

Até Já

Quando Cada Um Não Quer Ser Igual A Cada Um Dos Outros

quarta-feira, setembro 05, 2012

Um post que escrevi em Fevereiro de 2012

A Tripla Falácia da Ditadura Financeira da Troika

Pelos menos três grandes falácias estão subjacentes às orientações do Plano da Troika para a Grécia e um pouco por toda a Europa.

1. A falácia essencialista consiste em atribuir uma espécie de "essência" imutável negativa ao "povo" grego. Esta falácia quer fazer-nos crer que os Gregos seriam "laxistas", "corruptos" e por definição "incompetentes" para tomarem conta do seu próprio destino. Bastaria retirar o véu da ignorância histórica para perceber que a Grécia é o berço da democracia ocidental e onde nasceu o suporte filosófico do desenvolvimento das ciências modernas, essenciais estas, ao desenvolvimento histórico da modernidade ocidental. O que diriam Platão e Aristóteles hoje do discurso da senhora Merkel sobre o povo grego?

2. A falácia austeritária consiste em crer que impôr uma austeridade titânica sobre um determinado povo levará um dia, não se sabe bem quando, ao desenvolvimento económico e social desse povo. Cortar, empobrecer, destruir o Estado Social, desempregar, substituir as "velhas tradições" anti-modernas centrada num passado "decadente" por novas disposições "modernistas" alicerçadas num futuro "radiante" é o caminho para uma certa "regeneração" do "anacronismo" da sociedade actual. A crença nos amanhãs que cantam neoliberais dizem-nos que é preciso destruir de alto a baixo "o que está" para poder advir daí um "Homem Novo" um dia mais tarde.

3. A falácia implementacionista consiste em crer que o Plano da Troika é a receita miraculosa para salvar a sociedade. Ao "bom" plano da Troika, qual deus ex-machina imaculado, é necessário ter disponível um "bom" povo apto para seguir, qual rolo compressor, de forma "passiva", todas as orientações prescritas para a salvação nacional. Que a sociedade seja constituida de pessoas altas, baixas, pobres, ricos, letrados, iletrados, corruptos, honestos, empreendedores, fascistas, democratas, poetas ou profetas, é coisa que não interessa aos senhores da Troika. O plano é "bom". Ponto final. E as pessoas uns meros receptáculos passivos das "boas" ideias da alta burguesia financeira ignorante e fascista. Um drama.

Aqui no meu blogue:

 http://macloule.blogspot.pt/2012_02_01_archive.html

Mais Vale Ser Um Cão Raivoso

A Grécia está falida. A política da troika só agravou a economia e tornou os gregos mais pobres. Daqui a poucas semanas será obrigada a sair do euro. No momento em que o fizer, haverá uma reacção em cadeia: os bancos centrais que emprestaram dinheiro a Atenas estarão tecnicamente falidos. Nada impedirá os Estados nacionais de os recapitalizar a não ser a crescente incapacidade económica e financeira dos países que participam na União Europeia e são accionistas do Banco Central Europeu. Os países do euro terão cada vez mais dificuldades em financiar-se. Haverá uma corrida para trocar euros por outras divisas. Ninguém acreditará que o euro sobreviva, nem os mercados nem as pessoas de carne e osso. Apesar da sua estratégia subserviente em relação à política e a qualquer esgar da senhora Merkel, o governo português será corrido da moeda única. Todos os sacrifícios feitos apenas serviram para tornar a situação pior. Em pouco tempo, a riqueza nacional estará sujeita à desvalorização crescente do novo escudo. Os salários reais dos portugueses vão descer abruptamente para menos de metade. Um pouco por toda a Europa, o modelo social europeu implodirá. As tensões políticas entre os países do Velho Continente vão explodir. A União Europeia entrará em ruptura e será pasto de populismos. Os governos encontrarão nos povos do lado os bodes expiatórios da sua incompetência e a justificação das políticas neoliberais desastrosas que todos praticaram com a cegueira dos convertidos.

Este cenário, que há poucos anos seria apenas ficção para filmes, tem hoje uma probabilidade crescente de se verificar. Retirei parte dele do livro “Fim do Euro em Portugal?”, do economista Pedro Braz Teixeira, uma das mais interessantes obras publicadas sobre a crise que vivemos. A continuarem as políticas que nos trouxeram até aqui, as próximas gerações vão ter uma vida muito mais pobre. A grande maioria vai estar desempregada, muitos apenas conseguirão andar de emprego em emprego precário durante a sua juventude. Ninguém terá direito a apoios sociais ou subsídios. O ensino superior e o acesso à saúde serão realidades para muito poucos. Os mais novos serão forçados a emigrar, os mais velhos compelidos a morrer cedo. Como diria o governo, “ao menos não ficarão na sua zona de conforto”.

As conclusões políticas são, obviamente, minhas. Pedro Braz Teixeira aconselha vivamente, para começo de conversa, que todos os portugueses acumulem latas de sardinha na despensa e dinheiro no colchão, para sobreviverem, pelo menos, durante o primeiro mês de confusão.

A vantagem dos livros e dos cenários é que nos fazem pensar. Ao contrário de uma pedra ou de Vítor Gaspar, o comum dos humanos, quando cai de um precipício, consegue perceber que, lá no fundo, vai esborrachar-se. É preciso recusar esta deriva vertiginosa que nos garantem ser a única solução e conseguir mudar de rumo. Não temos nada a perder. A manter este caminho, o resultado será certamente desastroso. O primeiro passo para evitar a catástrofe é acordar e perceber que depende de cada um de nós recusar esta política. Se muitos o fizermos em Portugal e na Europa, outro destino será traçado. Desta vez, será por nós e não por imposição dos mercados, das agências de rating e daqueles que enriquecem com a especulação e a agiotagem. Estar quieto é aceitar ter o final que nos traçaram. Por isso, participarei na manifestação contra a troika no próximo dia 15 de Setembro. O meu caro leitor, se discorda de mim, pode sempre ir ao Pingo Doce comprar umas latas de sardinhas – cheira- -me que desta vez não terão 50% de desconto. Como dizia o cantor: “Mais vale ser um cão raivoso/que uma sardinha/metida, entalada na lata/educadinha/pronta a ser comida, engolida, digerida/e cagadinha”. É, pelo menos, uma questão de higiene.

Por Nuno Ramos de Almeida - Editor executivo

terça-feira, setembro 04, 2012

Cândida E A República

Quando me apercebi que Cândida Almeida estava com aquele ar candido a rezar missa na Universidade de Verão do PSD pensei com os meus botões que a mulher não tem mesmo juízo. Depois quando disse que Portugal não é um país de corruptos e que a classe política em Portugal é imaculada, pensei com os meus botões, cá está, deve ser a próxima Procuradora Geral da República.

segunda-feira, setembro 03, 2012

Troika Culpa Governo PSD/CDS Pelo Falhanço Do Programa.

Desde o início que neste blogue dissemos que o programa da Troika era um desastre para o nosso país e para as nossas vidas. Trata-se de um saque estrutural organizado e mediado pela mais completa cegueira ideológica ultraliberal. Agora a Troika culpa Passos Coelho e Vítor Gaspar porque não se pode culpar a si própria. É óbvio que a ideia de ir mais longe que a Troika só podia vir de fanáticos religiosos e ignorantes. Agora a situação é tão grave que há o mais completo silêncio político e mediático sobre o furação que aí vem. A unica coisa que salva as nossas vidas (a da maioria dos portugueses que está a ser destruída) é a implosão imediata do euro.

domingo, setembro 02, 2012

O Meu País Inventado

Do Ciclo Vicioso Da Austeridade Recessiva

As Viúvas De Sócrates

Luís Amado, uma das viúvas de Sócrates, foi à "Universidade" de Verão do PS, onde se recomenda aos jotinhas que se leia o "Manifesto do Partido Comunista" dizer que é preciso um consenso político alargado com o objectivo de sermos sugados até ao fim pelos credores. O que fará um coitado da JS depois de ler o Manifesto Comunista a ouvir Luís Amado?

Correcção: Foi à Universidade de Verão do PSD que foi Luís Amado, o que quer dizer que não é lá que se recomenda a leitura de Marx mas na Universidade de Verão do PS. Bem, o efeito traumático das declarações de Amado sobre os jotinhas do PS penso que deverá ter sido o mesmo. Aí nada muda nas conclusões a retirar do post.

sábado, setembro 01, 2012

Do Círculo Vicioso Da Austeridade Recessiva

A Morte Voltou A Sair À Rua Na Rua 125



A Morte voltou a sair à rua na estrada nacional 125. À atenção de Macário Correia, Mendes Bota, Miguel Freitas, Cavaco Silva, Passos Coelho e todos os outros responsáveis irresponsáveis.