quarta-feira, dezembro 31, 2008

Feliz Ano Novo

Saramago para todos



O blogue Macloulé deseja a todos os visitantes um Feliz Ano Novo e faz votos para que 2009 seja um ano que vos traga muitos momentos de felicidade.

Deixo-vos com um video de José Saramago onde este faz um exercício brilhante de introspecção sobre o mundo em que vivemos.

Tive conhecimento do video via

http://goncalodecarvalho.blogspot.com/

Feliz Ano Novo para todos

Dos Danos Colaterais

O Massacre de Gaza

Dezembro de 2008




"Danos colaterais" é o nome dado ao assassinato massivo de Estado e que serve para desvalorizar e menorizar a morte de inocentes civis, no massacre feito por militares e ordenado pelos políticos.

O video chega via http://arrastao.org/

Espero que 2008 tenha sido um bom ano para si...

terça-feira, dezembro 30, 2008

Quem mexeu no meu queijo?

Ruptura Estratégica?



Um precedente muito grave. Uma solução absurda. O absurdo que não fica por aqui. Os poderes dos deputados da Assembleia da República foram hipotecados para sempre. Uma questão de lealdade no funcionamento entre orgãos de soberania. Abala o equílibrio dos poderes e o normal funcionamento das instituições democráticas. Razões meramente partidárias para a decisão tomada pela Assembleia da República. A qualidade da nossa democracia sofreu um sério revés. Grave precedente do Estatuto dos Açores. Os interesses partidários sobrepuseram-se aos interesses nacionais.

E a consequência é...

...Sócrates vai ter que ir a eleições quando está previsto e não agora, quando lhe era mais favorável.

E o que disse Vitalino Canas, porta voz do PS, provedor do trabalho temporário e outras coisas mais das fundações privadas? O PSD foi o grande derrotado desta questão...

Isso da "cooperação estratégica" não será uma categoria de pensamento importada (e inadequada) do mundo empresarial para o mundo político?

segunda-feira, dezembro 29, 2008

Das Árvores da Cidade

Os discursos sobre o ambiente...

"Tenha o cuidado de não danificar árvores ou arbustos"

In Guia Ambiental da Câmara Municipal de Loulé, edição 2008, pág. 35.

As práticas ambientais...

Abate de árvores, Maio de 2008

Avenida José da Costa Mealha, em Loulé

A valorização do ambiente ao nível dos discursos é inegável neste guia ambiental. Falta agora, aproximar as práticas ambientais dos discursos sobre o ambiente.

domingo, dezembro 28, 2008

Sonhos de fim de ano

Há muito tempo que não me lembrava do que sonhei durante a noite. Os sonhos desta noite oscilaram entre o paraíso e o pesadelo.

1. O primeiro sonho que tive teve que ver com a aplicação da justiça em Portugal e levou-me ao paraíso. Fiquei a saber que a justiça funciona, mesmo, de olhos vendados.

"O procurador-geral da República, Pinto Monteiro, garantiu ontem que as investigações criminais em Portugal decorrem com isenção, independentemente da condição social, poder económico ou cargo ocupado pelos suspeitos. Pinto Monteiro garantiu ainda que não existe qualquer distinção em relação a políticos ou não políticos. "Se há alguma coisa que é prioritária para o actual procurador-geral da República, é o fim do sentimento de impunidade", disse Pinto Monteiro em declarações à Lusa. Em tom peremptório, o procurador garantiu ainda que "as investigações fazem-se independentemente da condição social, poder económico ou cargo ocupado". "Não há distinção entre políticos ou não políticos, mas tão-só entre ilícitos e não ilícitos. A lei é igual para todos", assegurou."
in http://jornal.publico.clix.pt/magoo/noticias.asp?a=2008&m=12&d=27&uid=&id=289420&sid=56658

Sonhei também que o primeiro passo e o mais importante para resolver um problema é reconhecer que ele existe. Ora aqui não há problemas com a aplicação da justiça. Ela funciona de forma perfeita. A justiça em Portugal é o paraíso. Ela funciona de igual forma para ricos e pobres. Abençoada justiça. Não há problema a resolver e portanto, tudo gira sobre rodas.

2. Sonhei depois que havia uma epidemia de gripe em Portugal e que à semelhança das avenidas e ruas das cidades portuguesas, que ficam alagadas às primeiras chuvinhas, os hospitais e os centros de saúde ficaram entupidos às primeiras "ondas" de frio. Aqui, na Saúde, entrámos na esfera do pesadelo. Sonhei que a Direcção Geral de Saúde tinha aconselhado as pessoas engripadas a curarem a dita cuja, em casa! Não vão às urgências ou a quaisquer outras unidades de saúde porque isso da gripe não tem cura e só irá contribuir para entupir ainda mais o já entupido e "querido" Sistema Nacional de Saúde e criar a ilusão de que este está à beira dos seus limites. A partir daqui, entrei no reino da fantasia e comecei a imaginar que o neoliberalismo e o economicismo já exercem o seu papel ao nível da percepção médica no tratamento das doenças. Fique lá em casa então, que afinal os médicos não servem para coisa nenhuma. Cure-se a si próprio, se não quer ficar mal perante o próximo, é a nova máxima neoliberal.
Consulte aqui
http://jornal.publico.clix.pt/magoo/noticias.asp?a=2008&m=12&d=28&uid=&id=289523&sid=56673

3. O terceiro sonho, atirou comigo, definitivamente, para o reino da fantasia. O primeiro ministro Sócrates, tal como Deus Nosso Senhor, é Omnipotente, Omnipresente e Omnisciente. Exerceu a sua influência internacional e fez milagrosamente baixar as taxas de juro à habitação. A partir de agora não são os alemães, nem os franceses e muito menos os ingleses, os responsáveis por uma Europa a várias velocidades. É Sócrates, sim, Sócrates, o grande timoneiro da Europa. É ele que faz baixar as taxas de juro à habitação, jamais o Banco Central Europeu.
Consulte aqui
http://sic.aeiou.pt/online/noticias/pais/Crticas+ao+discurso+de+Jos+Scrates.htm

4. O último sonho da noite foi talvez o mais realista de todos. Sonhei que o mentiroso mais perigoso, é aquele que acredita, nas suas próprias mentiras. Esse, é aquele, que arrasta consigo, todos os outros à sua volta. Esse, é aquele, que de fantasia em fantasia, um dia, nos impedirá a todos de sonhar. Esse é o mais perigoso de todos os mentirosos. De repente, acordei. Tudo não passava de um sonho.

Para mais informação sobre este assunto consulte aqui
http://pt.wikipedia.org/wiki/Mitomania

Bom resto de 2oo8!

sábado, dezembro 27, 2008

Para mais tarde recordar

Tsunami - 26 de Dezembro de 2004



O Terremoto do Índico de 2004 ocorreu a 26 de Dezembro de 2004, cerca das oito da manhã (hora local). O terramoto teve epicentro no mar (devendo por isso ser designado como Maremoto) a oeste da ilha de Sumatra no Oceano Índico, nas coordenadas 3,298°N latitude e 95,779°O longitude. O abalo teve magnitude sísmica estimada primeiramente em 8,9 na Escala de Richter, posteriormente elevada para 9,0[1], sendo o sismo mais violento registado desde 1960 e um dos cinco maiores dos últimos cem anos. Ao tremor de terra seguiu-se um tsunami de cerca de dez metros de altura que devastou as zonas costeiras. O tsunami atravessou o Oceano Índico e provocou destruição nas zonas costeiras da África oriental, nomeadamente na Tanzânia, Somália e Quénia.

O terramoto foi causado por ruptura na zona de subducção onde a placa tectónica da Índia mergulha por baixo da placa da Birmânia. A área de ruptura está calculada em cerca de 1,200 km de comprimento e a deslocação relativa das placas em cerca de 15 m. Este deslocamento pode parecer pouco, mas em condições normais as placas oceânicas movimentam-se com velocidade da ordem do milímetro por ano. A energia libertada provocou o terramoto de magnitude elevada, enquanto que a deslocação do fundo do oceano, quer das placas tectónicas quer de sedimentos remobilizados pelo abalo, deram origem ao tsunami e alteração na rotação da Terra.

O número de vítimas, que era de aproximadamente 150.000, elevou-se para 220.000 quando o governo da Indonésia suspendeu as buscas por 70.000 desaparecidos e os incluiu no saldo de vítimas fatais do desastre.

Os países mais afetados foram:

- Sri Lanka, com milhares de mortos e milhões de desalojados; o estado de emergência nacional declarado;
- Índia, nomeadamente os estados de Tamil Nadu, Andhra Pradesh e os arquipélagos Andaman e Nicobar onde algumas ilhas foram totalmente submersas;
- Indonésia, ilha de Sumatra estado de Banda Aceh;
- Tailândia, especialmente as estâncias turísticas das Ilhas Phi Phi e Ilhas Phuket;
- Malásia;
- Ilhas Maldivas, onde dois terços da capital, Malé, foram inundados pelo tsunami;
- Bangladesh.


Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Terramoto_do_%C3%8Dndico_de_2004

Leituras: Do Ensino do Antigamente

A Paz na Família

"Depois da saúde, o maior, o mais apreciável dos bens é a PAZ. A riqueza, ao contrário do que muita gente julga, não é suficiente para nos dar a felicidade. Pode uma família possuir abundantes meios de fortuna. Ter posses para adquirir quanto precise ou apeteça, gozarem excelente saúde todas as pessoas que a constituem: mas, se estas se não estimarem, se não forem unidas, se a desarmonia as dispuser a cada passo, se entre elas houver discórdias frequentes, essa família, apesar da sua riqueza, não pode ser feliz. Pode, pelo contrário, uma família pobre, não obstante a escassez dos seus recursos, gozar de uma relativa felicidade, desde que os seus membros se conformem com a sua pobreza, se estimem sinceramente, se compreendam e se auxiliem uns aos outros (...)

Na família, o chefe é o Pai; na escola, o chefe é o mestre; no Estado, o chefe é o Governo."

In Manuel Subtil e outros (1958), LEITURAS, Ensino Primário Elementar, IV CLASSE, 106ª EDIÇÃO, pp. 10-11.

Preço: Esc. 11$50.

sexta-feira, dezembro 26, 2008

Dos Relógios da Cidade

Loulé, 26 de Dezembro de 2008

A cidade que parou no tempo.

Da Privatização da Memória Histórica

Castelo de Loulé

Na sequência da proposta de privatização do passado e da memória histórica de Portugal, pelo partido popular da esquerda moderada, o blogue Macloulé numa postura pró-activa, reveladora de uma extraordinária capacidade empreendedora, procura parceiros de excelência, para numa lógica negocial de consórcio, adquirir num futuro breve o Castelo de Loulé.

A área de negócio futura a explorar é a do entretenimento e dá-se preferência a quem tiver experiência no ramo das Rave Party.

Para mais informação sobre a excelente oportunidade de negócio consulte aqui:
http://www.esquerda.net/index.php?option=com_content&task=view&id=9623&Itemid=130

PS (post scriptum): Se tiver algumas dúvidas sobre o que é um partido popular de esquerda moderada espero que tenha ficado ilucidado sobre esse assunto.

Obrigado pela visita.



quinta-feira, dezembro 25, 2008

Bento XVI: A Religião Contra a Ciência

Porque o amor não tem género ...



Bento XVI quer manter a Igreja Católica na Idade Média. É relativamente consensual actualmente na comunidade científica de sociólogos que o género é uma construção social e cultural e que os papéis de género não são uma questão de ordem e "natureza" divina.

Vale a pena recordar as palavras de Simone de Beauvoir sobre a construção do género feminino "Uma pessoa não nasce mulher, torna-se mulher".

A Igreja é uma das principais instituições responsáveis pela legitimação da dominação masculina e das desigualdades de género. Com Bento XVI, o reforço da dominação de género e a legitimação da homofobia ganham cartas de alforria.


É pena que a Igreja revele tanta dificuldade em adaptar-se ao espírito do tempo. Nada tem a ganhar com este tipo de posições. E não é só a Igreja Católica que perde. São os direitos básicos dos cidadãos que não são reconhecidos e a evolução histórica da Humanidade que se faz de marcha a ré.

http://dn.sapo.pt/2008/12/23/internacional/homossexuais_destroem_obra_deus_papa.html

quarta-feira, dezembro 24, 2008

Imagens de Loulé: Natal de 2008

Loulé, Natal de 2008


O mundo só pode ser
Melhor do que até aqui,
- Quando consigas fazer
Mais p'los outros que por ti!

António Aleixo

terça-feira, dezembro 23, 2008

Precarizar a precariedade

Tribunal constitucional chumba a Precarização da Precariedade

http://sic.aeiou.pt/online/scripts/2007/videopopup2008.aspx?videoId={88D2CB8E-D106-454E-8C1B-904A87F13402}}

A norma que previa o alargamento do período experimental de trabalho para seis meses (???) foi chumbada pelo Tribunal Constitucional.

O partido popular da esquerda moderada viu reprovada a sua intenção de precarizar ainda mais o já precário mercado de trabalho.

Mas esta norma vai ser refeita, o presidente haverá de promulgar o código do trabalho e a institucionalização da precariedade está claramente consagrada.

A direita rói-se de inveja de ver as suas políticas encorajadas por Sócrates e espanta-se de ver Cavaco e Silva questioná-las.

segunda-feira, dezembro 22, 2008

Boas Festas e Feliz Natal

Recordando o Live Aid - 1985 - Londres - Estádio de Wembley

Do they know it's christmas




O blogue MacLoulé deseja a todos os visitantes, familiares e amigos os votos de Boas Festas e de um Feliz Natal.

PS: Clique no Video em cima e fique na companhia de Bob Geldof, Bono, Elton John, Freddie Mercury, Paul McCartney, David Bowie, e muitos outros nomes altos da música pop rock dos anos 80, naquela que foi uma das mais belas canções de Natal em prole da solidariedade por um dos mais pobres povos de África.

O Futebol na sua Forma mais Pura

Quarteira-Salir - Liga dos Últimos em Quarteira



Tive conhecimento deste video do you tube a partir do blogue Quarteira XXI do João Santos. É uma autêntica relíquia.

Os voos do Nuno, aos 38 anos de idade, a recordar que aos 18 anos era considerado um dos três melhores guarda redes do país. Hoje é ele o (ainda) guarda redes do Salir.

Os golos e os cruzamentos precisos e preciosos do Carvalho, que persiste em ser goleador aos quase 40 anos de idade.

A ambição do Miguel, técnico do Salir, que não deixa de salientar a amizade pelo técnico e pelos jogadores adversários, mas que recorda que jogo é jogo e portanto vamos lá arregaçar as mangas.

O saudosismo do Pantera Negra, Sérginho, antigo goleador dos distritais do Algarve.

E, que me desculpem todos os outros, mas deixem-me destacar as afirmações do João Bragança, antigo médio centro do Benafim e hoje técnico das camadas jovens do Quarteirense, "nós só temos uma coisa a dizer a eles (os jovens), primeiro tá o estudo e depois tá os treinos".

É caso para dizer: Grande João! Quem fala assim não é gago.

Parabéns a todos. Atletas, técnicos, dirigentes e "massa" associativa. São eles que fazem a realidade do futebol regional.

domingo, dezembro 21, 2008

O PPS de Sócrates

Clique aqui para ouvir o líder do Partido Popular de Esquerda:

http://sic.aeiou.pt/online/scripts/2007/videopopup2008.aspx?videoId={8BD3F1E0-9364-4321-9C6B-4717E515DE42}}

Nós somos de esquerda, ouviram???´


Vou repetir. Nós somos a esquerda popular em Portugal, estão a ouvir?

Nós somos de esquerda, ok?

Nós somos a esquerda popular de Portugal.

Eu vou repetir, caso não tenham ouvido. Nós somos o grande partido popular de esquerda. Ouviram? De esquerda!!!

Nós governamos à esquerda.

E não temos problemas de identidade. Somos da esquerda.

Nós somos um partido de esquerda!

Nós somos um partido de esquerda!!!

De esquerda. Sim, de esquerda.

Não tenham vergonha de dizer que somos de esquerda.

Nós somos de esquerda! Toda a gente ouviu?

Vá...agora vão lá de férias!

Porreiro, pá...

O Cabo das Tormentas

http://ww1.rtp.pt/noticias/index.php?headline=98&visual=25&article=378773&tema=29

Depois da negação da crise durante meses a fio quando ela era mais que evidente chegou em 2009 o Cabo das Tormentas.

"Isto é para amanhã, isto é para o próximo ano. Isto não é de médio prazo. Provavelmente ninguém aqui estará interessado em saber o que é que vai acontecer daqui a dois anos. É verdade e têm boas razões para isso. Porque o cabo das tormentas, o momento mais difícil vai ser justamente o ano de 2009. "

Estará Sócrates a falar do país ou das eleições de 2009?

sábado, dezembro 20, 2008

Longe da Vista Longe do Coração

Realojamento?



"O presidente da Câmara de Loulé, Seruca Emídio, diz que o município "já mandou demolir nove barracas", situadas no antigo bairro dos pescadores, junto ao novo edifício da lota. "Não podíamos fingir que não víamos as condições sub-humanas daquelas pessoas." O que falta fazer, acrescenta, "é resolver um problema relacionado com casas situadas em área do domínio público marítimo".
"Não faz sentido que a administração central e local invistam para requalificar a orla costeira, mas subsistam barracas na zona, geograficamente nobre" (...).

Público, Sábado 20 de Dezembro de 2008, pag. 19 .

Da Mercadorização Do Espírito de Natal

Diz-me o que compras dir-te-ei quem és...

Nota: Fotografia de João Martins tirada no Forum Algarve em Dezembro de 2008. Clique em cima da foto para ampliação.

"À nossa volta, existe hoje uma espécie de evidência fantástica do consumo e da abundância, criada pela multiplicação dos objectos, dos serviços, dos bens materiais, originando como que uma categoria de mutação fundamental na ecologia da espécie humana. Para falar com propriedade, os homens da opulência não se encontram rodeados, como sempre acontecera, por outros homens, mas mais por objectos. O conjunto das suas relações sociais já não é tanto o laço com os seus semelhantes quanto, no plano estatístico segundo uma curva ascendente, a recepção e a manipulação de bens e de mensagens, desde a organização doméstica muito complexa e com suas dezenas de escravos técnicos até ao "mobiliário urbano" e toda a maquinaria material das comunicações e das actividades profissionais, até ao espectáculo permanente da celebração do objecto da publicidade e as centenas de mensagens diárias emitidas pelos "mass media"; desde o formigueiro mais reduzido de quinquilharias vagamente obsessivas até aos psicodramas simbólicos alimentados pelos objectos nocturnos, que vêm invadir-nos nos próprios sonhos (...) Como a criança-lobo se torna lobo à força de com eles viver, também nós, pouco a pouco, nos tornamos funcionais. Vivemos o tempo dos objectos: quero dizer que existimos segundo o seu ritmo e em conformidade com a sua sucessão permanente. Actualmente, somos nós que os vemos nascer, produzir-se e morrer, ao passo que em todas as civilizações anteriores eram os objectos, instrumentos ou monumentos perenes, que sobreviviam às gerações humanas."

Jean Baudrillard, A Sociedade de Consumo, Edições 70, 1975, pp. 15-16.

quinta-feira, dezembro 18, 2008

A Grecia Mediatizada: Esconder Mostrando

Conflitos na Grécia



A "realidade" mediatizada e a forma como os media constroem a "realidade" pode funcionar como uma das maiores condicionantes das democracias contemporâneas.

O grande poder que têm os media nas sociedades actuais, pode levá-los a condicionar (condicionam de certeza) quer a "opinião pública" quer a "opinião publicada".

Um dos mecanismos mais poderosos de enviezamento da "realidade" social pelos media, consiste na capacidade que os mesmos têm de "esconder a realidade" "mostrando outra realidade".

No dia em que ocorreu o Fórum das Esquerdas, o canal 1 da RTP, abriu a sua emissão com a queda de neve na Serra da Estrela (facto importantíssimo da realidade nacional) e só passados alguns minutos avançou para o que se passou no Forum das Esquerdas. Este Forum foi notícia de abertura na SIC e na TVI. Critérios diferentes vá-se lá saber porquê.

Mas é da forma como foram notíciados os conflitos na Grécia que vos quero falar.

As imagens não falam por si e entregues a si próprias, sem um mínimo de contextualização, elas arriscam-se a "dizer" o contrário do que verdadeiramente significam.

Quem tenha visto o jornalista Paulo Dentinho a fazer a reportagem na Grécia, ficou com a ideia da culpa dos jovens "anarquistas", destruidores da ordem pública, violentos por "natureza", agredindo as polícias, devastando lojas e empresas, passando a ideia de uma juventude "violenta" mal formada a quem a ordem social não pode tolerar.

Nada desta cobertura televisiva é diferente da cobertura dos movimentos anti-globalização, onde aparecem as imagens dos manifestantes a tudo destruir (mesmo quando a maior parte dos manifestantes contestam de forma pacifica). A ideia que passa nas televisões é que de um lado temos os "bons", os defensores da ordem pública, os polícias; e do outro temos os "maus", os jovens arruaceiros e "anarquistas" que contestam por tudo e por nada.

As causas da violência, essas são profundas e seriam necessárias de ser contextualizadas. Coisa que raramente os jornalistas do imediatismo de hoje faz e muito menos o jornalismo televisivo. Uma geração a quem tudo foi prometido, elevando as suas aspirações sociais a um nível nunca visto, vê agora a realidade do dia a dia desmentir brutalmente a capacidade de as realizar e o seu destino social futuro "bloqueado". A geração 500 ou 700 euros, "precária", "flexivel", "polivalente", sem futuro algum e incapaz de estabelecer quaisquer que seja o projecto de vida, explode ao mínimo transbordar de copo de água, numa ordem social cada vez menos democrática e cada vez mais autoritária.

A corrupção e a percepção da ilegitimidade das injustiças sociais a uma escala crescente, juntamente com o descrédito nos governantes e partidos políticos, é uma bomba relógio, pronta a explodir a qualquer momento. Já tinha sido assim nos suburbios de França onde as pseudoexplicações centradas no "problema dos imigrantes" escondeu por algum tempo as causas económicas e sociais na origem do fenómeno, nos bairros rotulados de "difíceis" onde o desemprego chega a rondar os 40% na população jovem.

Um novo contrato social é preciso. Uma nova forma de fazer jornalismo também. Nova gente nos partidos políticos idem idem aspas aspas. Nada de bom se augura nos tempos próximos. Espero estar redondamente enganado.


quarta-feira, dezembro 17, 2008

O Fim da Estória

Foram só uns 44...



Como disse o sempre arguto Daniel Oliveira, tivesse tu em inteligência o que tens em reflexos.

Ao contrário do que sugeriu Francis Fukuyama não estamos perante O Fim da História, mas sim perante O Fim da Estória. O rei vai nú e termina assim o descalabro que foi a Era Bush. Depois de uma vitória eleitoral decidida nos tribunais. Depois de um 11 de Setembro ainda totalmente por explicar e que veio a servir para a construção social de um "inimigo sem rosto" e do reforço de um "nós" contra um "eles". Depois de uma guerra legitimada pela maior mentira do século, a partir de uma fotomontagem que serviu de ilusão de óptica a (quase) todo o mundo. Depois da crise económica e financeira. Depois de Guantanamo. Foram só uns sapatos 44. A estória acabou como começou. Com elevada dose de arrogância e ignorância. Concorda Dr. Durão Barroso?

segunda-feira, dezembro 15, 2008

Porto Alegre em Movimento: Um exemplo de cidadania

Prefeito vetou projecto "Pontal do Estaleiro"

O modesto contributo do blogue macloulé foi apenas o de dar mais visibilidade internacional a esta nobre causa. Este post ilustra o que podem fazer os cidadãos em prole da qualidade de vida das suas cidades. Um movimento exemplar de cidadania, este, de Porto Alegre.

Fica a mensagem do César, um dos principais dinamizadores do movimento de cidadãos que impediram a degradação paisagística da cidade:

"Obrigado João e demais amigos da cidade de Loulé.

Sabemos bem que uma andorinha só, não faz o verão.

E realmente é difícil mobilizar pessoas, salvo quando algo as atinge muito diretamente.

Foi uma união de cidadãos, independente de sua categoria social e ideologia política, que permitiu essa vitória parcial. Mas sabemos bem que não vencemos ainda a guerra, foi apenas uma batalha. Cá para nós, não nos iludimos com essa vitória. Sabemos que os adversários são poderosos tanto politicamente como economicamente.

Eles tinham mais forças, muito dinheiro, a parte mais poderosa da imprensa e muita ganância, mas subestimaram nossa estratégia. Achavam que iríamos calar em virtude da pressão sofrida e do medo que muitos tem de enfrentar os poderosos.

Realmente alguns deixaram de participar das mobilizações e até das reuniões. Mas os que realmente fazem a diferença estavam lá!

Quando sofremos a ausência (por desculpas diversas) de tradicionais Associações e Movimentos de Moradores da cidade, chegaram os estudantes. E os jovens, felizmente, não se assustam fácilmente... Todos os que participaram, mesmo os distantes como tu e os comentários feitos em teu blog, foram fundamentais! Davam ânimo quando o desânimo se abatia entre muitos dos nossos.

A vitória não é nossa. Nem apenas de Porto Alegre. A vitória, mesmo que parcial, é de todos os que acreditam que outro mundo MELHOR é possível. E por isso insistem em lutar, em RESISTIR aos poderosos, em não silenciar frente aos descalabros e injustiças.Outros enfrentamentos já se avizinham. E sabemos que serão ainda piores que este, pois os interesses são maiores. Que essa vitória estimule mais gente a resistir conosco. Mas mesmo que não venham mais apoios, esteja certo que os ainda poucos resistentes de hoje continuarão a resistir!Felizmente isso assusta os adversários da cidadania plena e do futuro de nosso meio ambiente, como se viu no atual episódio.

Como foi dito na luta da Rua Gonçalo de Carvalho: "mais que um direito é nossa obrigação!"

Obrigado João!
Obrigado Loulé!
Obrigado Portugal, pelos apoios de vocês!

Cesar

P.S.:Por tudo isso, trocamos o nome do Blog Porto Alegre Vive para
Porto Alegre RESISTE!"

Parabéns caros amigos de Porto Alegre. Vocês são um exemplo de cidadania!

Ver aqui http://goncalodecarvalho.blogspot.com/

sábado, dezembro 13, 2008

Loulé 2008: A Política da Desumanidade

Realojamentos à Loulé Concelho



Eles são os mais pobres dos pobres. Vivem abaixo da dignidade da pessoa humana e estão excluídos socialmente dos mais básicos direitos sociais. Vivem em barracas, não têm condições sanitárias dignas desse nome, não têm acesso à saúde, à educação e a qualquer tipo de segurança social. Não apenas sobrevivem, eles deambulam, num mundo de exclusão, vivendo cada hora sem qualquer esperança de futuro.

Alguns e algumas são doentes contaminados com HIV. Outras, vendem o corpo para se manterem dentro da sua miserável condição desumana. Outras ainda, vendem os últimos restos de dignidade para arranjar dinheiro para o vício da droga. Todos, têm em comum a condição de serem seres humanos. Agora escorraçados, num acto da maior desumanidade e da mais repugnante prática de higienismo social levado a cabo pela autarquia que gere as gentes do Concelho de Loulé.

Não, isto não é forma de fazer realojamento. Isto é um acto bárbaro de desumanidade de quem não tem qualquer noção do que é a democracia e os direitos mais básicos consagrados pela Constituição da República. Dir-me-ão os actuais pseudo-tecnocratas que circulam nos corredores do poder: - "Mas isto é tudo legal e feito dentro dos cânones das leis da República". Sim, respondo eu, mas é altamente imoral e ilegitimo e diz tudo sobre o espírito de quem nos governa.

Soube desta barbaridade não directamente pelos media. Soube indirectamente pelo blogue da Camila. Ainda bem que os blogues existem. É o que vai restando do marasmo em que caiu a imprensa "independente". Visite aqui
http://quiosquedacamila.blogspot.com/

sexta-feira, dezembro 12, 2008

Das Árvores da Cidade: Descubra as Diferenças

Maio de 2008

As Árvores da Avenida José da Costa Mealha foram alvo de um ignóbil abate revelador de uma total ausência de cidadania ambiental.


No Natal do mesmo ano a rotunda da mesma avenida é decorada com árvores de Natal. O bom senso é coisa que não reina por estas bandas.

Nota: Esta foto foi amavelmente cedida pelo blogue Ssebastião

Se isto não é um afrontamento aos cidadãos que contestaram os abates arbóreos é no mínimo uma irónica e ignorante sensibilidade política.

A sorte destas e de outras estórias é que os homens passam e as instituições ficam e vão ganhando novas formas.

Bom fim de semana a todos aqueles que participaram de forma directa ou indirecta neste magnifico abate de árvores da Avenida José da Costa Mealha.

Aproveitamos para dar os parabéns ao blogue Ssebastião pelas 1oo ooo visitas e pelo excelente trabalho em prole da cidadania e da educação política. Visite aqui http://ssebastiao.wordpress.com/


quinta-feira, dezembro 11, 2008

ASAE ou não ASAE?

Antes que apareçam por aqui os críticos da crítica, devo esclarecer que sempre considerei a ASAE uma estrutura fiscalizadora fundamental para a actividade económica e para a protecção da saúde dos consumidores.

Partindo dessa ideia, tenho que dizer que sempre discordei de uma ASAE militarizada como a actualmente existente e ainda menos concordei com as brigadas encapuzadas e armadas de metralhadora, entrando nos mercados, numa atitude que resvala para algo muito semelhante a determinadas formas de racismo social. É evidente que num país com uma democracia decente nunca se poderia entrar num mercado e tratar toda aquela gente por igual como se criminosos de um grave delito se tratasse.

Também sempre discordei da eliminação do presunto caseiro, dos bolos da avó, do porco delicioso morto em casa, das bolas de berlim da praia e de tudo aquilo que ao fim e ao cabo faz a cultura de um povo. Interessa às grandes multinacionais essa eliminação claro está.

Todo este palavreado para fazer esta perguntinha chata:

- Irá a ASAE de metralhadora às costas e encapusada de preto às indústrias multinacionais que alimentam o gado com ração contaminada e que contribuem para o aumento exponencial de cancros originados pelas dioxinas e outros que tais?

Será que vai? Não me parece...parece-me que anda demasiado entretida a controlar socialmente as feirinhas e os mercados.

Faça como eu. Enquanto como, não penso e enquanto penso, não como. E reze...reze muito...tenha fé.

quarta-feira, dezembro 10, 2008

O Chefe e o Rebanho

Vigiando o Rebanho

Nota: Fotografia de João Martins tirada na última edição da OVIBEJA. Clique em cima da foto para ampliação.

"A maioria socialista não brinca em serviço: trabalha o guião das votações com 48 horas de antecedência, faz uma proposta de sentido de voto que envia por e-mail a todos os deputados e que entrega também em papel nas reuniões semanais da quinta-feira. Sempre que há votações são ainda enviadas mensagens de telemóvel aos 121 deputados da bancada.
Um trabalho ao milímetro que é reforçado quando as votações exigem maiorias qualificadas ou quando há possibilidade de alguns votarem ao arrepio da disciplina de voto. Foi o que aconteceu várias vezes nos últimos tempos, por exemplo no Código do Trabalho e, na semana passada, nos projectos de resolução da oposição que pretendiam suspender o modelo de avaliação de professores.
Nesses casos, chega a haver contactos pessoais com os "dissidentes" para os tentar demover dessa intenção. A disciplina de voto é a regra na bancada, nunca quebrada nesta legislatura (...)"

http://jornal.publico.clix.pt/magoo/noticias.asp?a=2008&m=12&d=10&uid=&id=287413&sid=56423

Público de 10 de Dezembro de 2008

terça-feira, dezembro 09, 2008

O Manifesto Comunista para Crianças

Um espectro percorre toda a Europa...



...o espectro da nacionalização do capitalismo. Campesinato e operários fabris, profissionais intelectuais e científicos, profissionais liberais, profissionais de enquadramento e de supervisão, operários semi-qualificados e indiferenciados, médicos, professores e advogados, todos, contribuem com o seu rendimento para a salvação da banca e do grande capital. Todos contribuem para a nacionalização do prejuízo e para a manutenção dos lucros dos grandes banqueiros, de accionistas milionários da banca e outros que tais...

Desculpem, estou a delirar. Isto não é nada assim...

Bom resto de semana!

segunda-feira, dezembro 08, 2008

A Apropriação Política do Mercado de Loulé

Documentário reproduzido no interior do mercado de Loulé


No pequeno reino de Taifa de Seruca Emídio, o Mercado de Loulé tornou-se um objecto estético apropriado politicamente com o objectivo de manter o poder.

A falta de bom senso político "permitiu" que o mercado apareça na publicidade do novo hipermercado Continente e a aprovação de mais este Hiper contribuiu para dar mais um golpe a todos aqueles que vivem da pequena economia de subsistência no mercado.

Um dia que os Continentes deslocalizem para outras bandas é bom que os cidadãos se lembrem a quem devem pedir contas. É que à actual destruição do pequeno comércio local e à destruição da pequena economia de subsistência juntar-se-á depois um exército de desempregados indiferenciados e mal pagos à imagem do que aconteceu com os desempregados da UNICER.

A propósito. Vão abrir mais dois grandes Centros Comerciais em Olhão e em Tavira. O Algarve está a saque ou será mera impressão minha?

Cumprimentos e boa semana.

A frágil força do PCP

Abertura XVIII Congresso PCP



O Partido Comunista Português é um partido essencial para a democracia portuguesa. Melo Antunes teve a lucidez dos grandes homens de todos os tempos, quando defendeu, na sequência do verão quente de 75, que o PCP era um partido estruturante da vida democrática em Portugal e que não poderia ser excluído da vida política dos portugueses.

Hoje o PCP resiste estoicamente ao seu mais que provável declínio. A substituição de Jerónimo de Sousa por Carlos Carvalhas trouxe uma lufada de ar fresco ao Partido. Jerónimo trouxe consigo o carisma que Carvalhas não tinha e o partido revigorou.

Mas o problema do PCP é um problema de alteração estrutural da sociedade tanto a nível mundial como no caso específico de Portugal.

A queda do Muro de Berlim em 1989 e a "implosão" da União Soviética em 1991, estoiraram de vez com a divisão bipolar do mundo entre comunistas e capitalistas. Dezenas de países a leste aderiram aos valores da sociedade capitalista e o mundo tornou-se unipolar sob a hegemonia dos EUA e da ideologia neoliberal.

Em Portugal, o campesinato é agora residual, o operariado diminuto e a sociedade do trabalho deslocou-se para os serviços. As classes médias, que cresceram ao longo dos últimos anos, votam maioritariamente nos partidos do "centro".

O envelhecimento da população portuguesa segura algum eleitorado que vota PC. Mas os velhos um dia morrerão. Os militantes fiéis (os mais fiéis de todos os partidos) vão funcionando como bastião de resistência.

Mas já ninguém acredita na ditadura do proletariado, na abolição do Estado e na revolução socialista. Se hoje fosse vivo, Nietzche, substituiria a sua célebre passagem "Deus está morto" por outra que seria igualmente célebre "O Marxismo-Leninismo Morreu".

Este é o drama do PC. Os amanhãs que cantam não vão de encontro às suas utopias. O que não impede que seja um partido de uma importância fundamental para a sociedade portuguesa.

Que o digam os trabalhadores que vêem os seus direitos continuamente esmagados pelos interesses do grande capital.

domingo, dezembro 07, 2008

Album de Recordações

Feliz Aniversário



Quando Jesus perguntou a seus discípulos suas opiniões sobre Ele, o apóstolo Pedro respondeu: "Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo". Jesus elogiou Pedro dizendo, "Bem-aventurado és, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue que to revelaram, mas meu Pai, que está nos céus. Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela". (Mateus 16:16-18).

sábado, dezembro 06, 2008

Das Árvores da Cidade

Loulé, Dezembro de 2008

Avenida José da Costa Mealha


O vazio de pensamento político leva a fazer coisas como esta. Cortam-se as árvores naturais essenciais à qualidade de vida da cidade e plantam-se árvores artificiais para decoração, numa lógica de estetização da natureza. São as novas cidades criativas. A História haverá de dar conta destas estórias, mesmo que a imprensa "independente" insista em não lhes pegar.

sexta-feira, dezembro 05, 2008

Memórias de Vida

05 de Dezembro de 2008


E assim, lição por lição,
Que a pouco e pouco aprendemos
De outros a outros daremos,
Que a muitos outros darão.


António Aleixo

quinta-feira, dezembro 04, 2008

A farsa

A Farsa é uma modalidade burlesca de peça teatral, caracterizada por personagens e situações caricatas. Difere da comédia e da sátira por não se preocupar com a verosimilhança nem pretender o questionamento de valores.

s.f. (Do lat. pop. farsa) 1. Género teatral cómico, menos exigente que a alta comédia , que tem por objetivo principal divertir o público. (encicl.) 2. Acto ridículo, coisa burlesca. 3. Fingimento; impostura. 4. Ilusão, mentira, burla. ▪ ENCICL. Liter. Embora existam alguns elementos farsescos nas comédias de Aristófanes e Plauto, em sentido estrito a farsa tem origem nos mimos medievais. No Renascimento, vários autores dedicaram-se ao género, entre os quais Gil Vicente.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Farsa

04 de Dezembro de 2008.

quarta-feira, dezembro 03, 2008

A crise da inteligência política

Greve dos Professores - 3 de dezembro de 2008



1. Toda a literatura científica é unanime sobre alguns pressupostos básicos da implementação de processos de inovação e mudança social. Não se fazem mudanças sem as pessoas e muito menos contra as pessoas. A intervenção em qualquer sistema de acção é uma intervenção num mundo eivado de relações de poder, o que significa que os actores objecto da implementação de reformas têm que ser sujeitos desses mesmos processos dos quais são os principais interessados. Sem o envolvimento e a participação dos interessados não há reforma que resista. As "boas" ideias dos políticos super inteligentes, por mais que sejam "correctamente" explicadas, se não fizerem sentido na cabeça de quem vai ser "objecto" dessas reformas estão condenadas ao insucesso na sua implementação.

2. Toda a literatura científica é também unanime em considerar que as reformas não podem ser implementadas de "cima" para "baixo" e muito menos de "fora" para "dentro".

Estes básicos pressupostos estão na origem do fracasso da implementação de inúmeros processos de mudança, inovação e reforma.

É lamentável que a ciência social esteja a ser ignorada desta maneira quando os responsáveis pela implementação das políticas educativas são eles próprios cientistas sociais.

O resto já sabemos. Um discurso político de culpabilização dos professores por aquilo que se considera um "fracasso" do sistema educativo (sem se saber muito bem o que é isto), a demonização dos sindicatos, marca de excelência do governo de Sócrates (como se os sindicatos não fossem organizações fundamentais à democracia e pudessem ser dispensáveis), uma ausência clara de cultura democrática incapaz de escutar quem quer que seja e uma inabilidade política nunca vista desde o 25 de Abril de 1974.

Primeiro foram 100 000 professores na rua. Depois o número engrossou para 120 000. Agora, a maior greve professoral de sempre na história da educação portuguesa.

Sócrates e a sua ministra da educação já ficaram na História. E não será concerteza por bons motivos. Depois, ainda há a lata de alguns políticos da nossa praça, virem para aí ciberneticamente dizer que se discute a reforma com base em "opiniões" sugerindo implicitamente que esse é o principal "problema". Haja paciência.

Apanhado...

Aceitando o desafio que me foi lançado pela brincalhona da Camila e na prossecução do regulamentarmente exigido que a seguir se reproduz:

REGULAMENTO DO DESAFIO Artigo 1234º de 21-11-2008, deverão os abaixo enumerados ser zelosamente satisfeitos

I - Uma foto individual (tirada por outra pessoa, e não por vós).

II - Escolher uma banda/artista de eleição (é difícil, até tenho medo que os outros não escolhidos fiquem ofendidos!).

III - Responder às questões, usando somente títulos de canções do artista/banda escolhido (é o que demora mais tempo...).

IV - Desafiar 4 outros bloggers para cumprirem estes pontos e passarem a outro e não ao mesmo.

I - Fotografia dos tempos em que ainda não tinha renegado a minha condição de católico apostólico romano


II - Carlos do Carmo.

III - O questionário, propriamente dito:

1) És homem ou mulher? R: Bailarina

2) Descreve-te: Estranha Forma de Vida

3) O que as pessoas acham de ti? R: Olá, tu por aqui?

4) Como descreves o teu último relacionamento: R: E Depois do Adeus

5) Descreve o estado actual da tua relação: Loucura

6) Onde querias estar agora? R: Lisboa Menina e Moça

7) O que pensas a respeito do amor?" R: Nasceu Assim, Cresceu Assim

8) Como é a tua vida? R: Um Homem na Cidade

9) O que pedirias se pudesses ter só um desejo? R: Fado Maestro

10) Escreve uma frase sábia: Por Morrer uma Andorinha


E está. Desafio cumprido.

Passo o embaraço aos seguntes cibernautas:

Pedro Nuno do blogue Sombra Verde http://sombra-verde.blogspot.com/


Lourenço Anes do blogue Calçadão de Quarteira http://calcadaodequarteira.blogspot.com/

Ana Maria do blogue Calçadão de Quarteira http://calcadaodequarteira.blogspot.com/

Paulo Amem do blogue Vento Quente de Mudança http://xarouco.blogspot.com/

E esta heim?

terça-feira, dezembro 02, 2008

Guantanamo

Prisão de Guantanamo



Agora que sabemos que o governo Espanhol foi informado dos voos para Guantanamo é bom em nome de uma política que leva a sério os direitos humanos que se saiba de vez o que se passou em Portugal. Avisaram os EUA os espanhóis e não os portugueses?

É bom que a política se desloque do economês em que caiu e que a democracia seja uma prioridade de uma vez por todas.

Trata-se de uma clara violação dos direitos humanos e é fundamental que se apurem responsabilidades. Trata-se de uma autorização para facilitar a tortura de prisioneiros e isso não é pouca coisa.

Para mim hoje é Janeiro...

Rui Veloso - Não Há Estrelas no Céu



Brrrrrrrrr...muito frio para um Algarvio.

segunda-feira, dezembro 01, 2008

As Horas de São Francisco

Que horas são em São Francisco?


O Relógio de São Francisco

Não peçam a São Francisco
Que chegue a tempo e a horas
Pois ele está entretido
A comer avelãs e amoras

Não peçam a São Francisco
Que acerte o passo à freguesia
Nem peçam um jantar ou petisco
Pelas horas do meio dia

Não peçam a São Francisco
Horas que os outros já têm
Contentem-se em São Francisco
Com as horas que os vossos olhos vêem

Não peçam a São Francisco
Para apanhar a camionete
Não peçam a São Francisco
Que seja um quarto para as sete

Peçam a São Francisco
Um novo relógio no Natal
Que traga novas horas
Que respeitem o pessoal

Peçam a São Francisco
Que vos trate com respeito
Uma vez que todos pagamos
A isso temos direito

Peçam, peçam, a São Francisco

João Martins

domingo, novembro 30, 2008

1 de Dezembro de 1640: Restauração da Independência

Dá-se o nome de Restauração ao regresso de Portugal à sua completa independência em relação a Castela em 1640, depois de sessenta anos de regime de monarquia dualista (1580-1640) em que as coroas dos dois países couberam ambas a Filipe II, Filipe III e Filipe IV de Castela. Nos anos imediatamente anteriores a 1640 começou a intensificar-se o descontentamento em relação ao regime dualista em parte dos membros da classe aristocrática, dos eclesiásticos (principalmente os jesuítas, que exploraram nesse sentido as crenças sebastianistas – e, em geral, «encobertistas») e acaso também entre os interessados no comércio com as províncias ultramarinas do Atlântico. (…) A má administração do governo espanhol constituía uma grande causa de insatisfação dos Portugueses em relação à união com Castela. Dessa má administração provinha o agravamento dos impostos. (…) A 6-VII-1628 era expedida a carta régia que, sem o voto das Cortes (por tradição, indispensável para que se criassem novos tributos), mandava levantar, por meio de empréstimo forçado, as quantias necessárias para a defesa, durante seis anos, de todos os lugares dos nossos domínios ameaçados pelos estrangeiros. A população mostrou logo a sua má vontade. (…) A tensão agravou-se quando o clero (cujos privilégios o isentavam de tais imposições) se viu também incluído na colecta geral. (…) Também no Ultramar surgiram protestos. (…) Em 1635 era estendido a todo o reino o imposto do «real de água», bem como o aumento do das sisas. Em 1634 confiava Olivares o governo de Portugal a uma prima co-irmã de Filipe IV, a princesa Margarida, viúva de Vicêncio Gonzaga, duque de Mântua. Ao mesmo tempo (fins de 1634) Miguel de Vasconcelos era transferido do seu posto de escrivão da Fazenda para as elevadíssimas funções de secretário de Estado, em Lisboa, junto da duquesa, cargo em que teve ensejo de desagradar muito aos Portugueses não partidários de Castela. (…) Num escrito editado em 1641, sob o título Relação de tudo o que se passou na felice aclamação, declara-se que D. António de Mascarenhas «fora a Évora a amoestar aos cabeças daquela parcialidade que não desistissem do começado e que, para que a empresa tivesse bom sucesso, pedissem amparo à Casa de Bragança». Era no duque, com efeito, que se pensava para chefe da insurreição e futuro monarca de Portugal independente; mas ele não achava oportuno o momento para tão grande aventura, e tratou de dar provas públicas de que reprovava a ideia. É de notar, todavia, que aos incitamentos internos se acrescentava um exterior, provindo da França, (…) então em luta com a Espanha, [que] se empenhava em impelir Portugal e a Catalunha contra o governo de Madrid. (…) Em 1638 tomou o conde-duque uma outra resolução que descontentou a nossa gente: a pretexto de os consultar sobre uma projectada reforma da administração do nosso País, convocou a Madrid grande número de fidalgos, e ordenou levas de tropas para servir nas guerras que a monarquia espanhola sustentava, sangrando assim Portugal das suas maiores forças. (…) O que veio dar mais impulso à ideia da independência foram as novas exigências do conde-duque. Em Junho de 1640, com efeito, insurgia-se a Catalunha, e Olivares pensou em mandar portugueses a combater os catalães revoltados, ao mesmo tempo que se anunciavam novos impostos. (…) Aderiram à conjura o juiz do povo, os Vinte e Quatro dos mesteres e vários eclesiásticos, entre os quais o arcebispo de Lisboa, D. Rodrigo da Cunha. Deram também a sua colaboração o doutor Estêvão da Cunha, deputado do Santo Ofício, e D. António Telo. Em Outubro realizou-se uma reunião conspiratória no jardim do palácio de D. Antão de Almada, a S. Domingos, em Lisboa. Assistiram, além dele, D. Miguel de Almeida, Francisco de Melo, Jorge de Melo, Pêro de Mendonça e João Pinto Ribeiro. (…) Teve também influxo na resolução a mulher do futuro Monarca, D. Luísa de Gusmão. (…) Chegado a Lisboa a 21-XI-1640, João Pinto Ribeiro convocou os conspiradores para uma reunião num palácio que o duque tinha em Lisboa e onde ele, João Pinto, residia. Decidiu-se estudar em pormenor o plano do levantamento, amiudando-se as reuniões. Por fim, marcou-se o momento de sublevação: 9 horas da manhã de sábado, 1.º de Dezembro. Na noite de 28 para 29 surgiram complicações, por haver quem julgasse que eram poucos os conjurados; mas João Pinto Ribeiro, a quem quiseram encarregar de transmitir ao duque o intuito de se adiar, opôs-se tenazmente a tal ideia, numa discussão que se prolongou até as 3 horas da manhã. (…) O dia 1.º de Dezembro amanheceu de atmosfera clara e muito serena. Tinham-se os conjurados confessado e comungado, e alguns deles fizeram testamento. Antes das 9 horas foram convergindo para o Terreiro do Paço os fidalgos e os populares que o padre Nicolau da Maia aliciara. Soadas as nove horas, dirigiram-se os fidalgos para a escadaria e subiram por ela a toda a pressa. Um grupo especial, composto por Jorge de Melo, Estêvão da Cunha, António de Melo, padre Nicolau da Maia e alguns populares, tinha por objectivo assaltar o forte contíguo ao palácio e dominar a guarnição castelhana, apenas os que deveriam investir no paço iniciassem o seu ataque. Estes rapidamente venceram a resistência dos alabardeiros que acudiram ao perigo e D. Miguel de Almeida assomou a uma varanda de onde falou ao povo. Estava restaurada a independência…

Bibliografia: In Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, Editorial Enciclopédia, Limitada, Vol. 25, Lisboa/Rio de Janeiro, 1978, pp. 317-319.


Orgulho no Continente: Quem é o Loulé?

Quem é Loulé?



A relação entre as palavras que nomeiam a realidade e as coisas que essas palavras nomeiam sempre foi utilizada por políticos, homens de negócios, publicitários e especialistas de marketing para manipular consciências e levar a sua água ao moinho.

Quando oiço na publicidade que Loulé tem orgulho no Continente não posso deixar de morrer de curiosidade por saber quem é o Loulé.

A primeira coisa que me ocorre é que o Loulé seria o senhor Presidente da Câmara Municipal de Loulé. Com todo o seu amor pelo comércio, pelas noites brancas, que um dia o haverão de salvar e pela parada de horrores cujo destino é salvar esse mesmo comércio da "Baixa Louletana", foi a primeira coisa que me ocorreu. Pensei com os meus botões "este senhor é o Loulé".

Depois achei que seria pouca gente; o Continente gastar rios de dinheiro em publicidade para uma só pessoa pareceu-me coisa de estranhar. Loulé, talvez fosse então, para além do seu presidente, toda a equipa do governo local. Já me pareceu com mais sentido. O governo local é Loulé e tem orgulho no Continente.

Veio-me depois à memória se a oposição PS, seria ela, toda, ou só uma parte, esse Loulé. Ah...e lembrei-me espontaneamente dos pequenos comerciantes. Esses são Loulé de certeza e em cada montra de loja aposto que afixarão um cartaz a dizer "Eu tenho orgulho no Continente".

Alguém ainda me chamou a atenção para os trabalhadores do mercado e os que vivem da actividade do mercado. Esses, sem dúvida, que são Loulé e de cada vez que o mercado aparece na públicidade do Continente vão de certeza rejubilar: "Tá ali, tá ali! O mercado onde eu trabalho, na públicidade do Continente. Ainda diziam que o mercado era um mero objecto estético para políticos ganharem eleições. Tá ali, é ali que eu ganho a vida!"

Mas falta ainda uma parte do Loulé. São os novos Louletanos, quais novos ricos, em busca do reconhecimento social que o tempo da miséria da pobreza nunca lhes tinha dado. Esses já abdicaram da sua condição de cidadãos, nem sequer são eleitores e regozijam-se com o admirável estatuto de consumidores.

Eu cá sou de Loulé e que me desculpe o senhor Belmiro de Azevedo não tenho orgulho no Continente!

Tenho orgulho na Biblioteca Municipal de Loulé, tenho orgulho nos homens e nas mulheres que fazem Teatro na Casa da Cultura, tenho orgulho nas piscinas municipais e no Pavilhão Desportivo Municipal que ajudaram a melhorar a qualidade de vida na cidade, tenho orgulho nas quadras do António Aleixo, tenho orgulho nas pessoas que todos os dias anonimamente fazem existir a terra onde nasci. Tenho orgulho no magnífico monumento que é o Castelo de Loulé. Teria orgulho num presidente de Câmara que cuidasse do património arbóreo da minha terra. Teria orgulho no poder político local se pela segunda vez em que vou ter um filho não tivesse que dispensar uma elevada parte do meu salário para pagar um infantário.

Assim, tenho que dizer, que não devo ser Loulé, pois não tenho orgulho no Continente. Lamento dizê-lo, mas não sou um mero eleitor, muito menos me reduzo ao estatuto de consumidor e por muito que isso custe aos actuais democratas, sou um cidadão do mundo.

sábado, novembro 29, 2008

Contra a fome: Tolerância Zero

Colabore na recolha do Banco Alimentar Contra a Fome

Agarre num saquinho e compre leite, azeite, açucar, óleo, atum, bolachas, grão, feijão, massas, cereais ou salsichas.

Não resolve os problemas da fome e da pobreza mas sem peixe nunca haverá força para um dia se poder pescar.

Ajude quem precisa. Todos juntos podemos fazer alguma coisa.

Parabéns ao Banco Alimentar por mais esta iniciativa.

sexta-feira, novembro 28, 2008

Quando for grande quero ser do PS

Maria de Lurdes Rodrigues descreve hoje um dos "muitos" bons momentos que teve como Ministra da Educação:

"Uma carta que recebi de um menino que recebeu um computador para ter em casa, não sei já em que circunstância, e escreveu-me a dizer: "Quando for grande, vou inscrever-me no PS". É tocante."

Público de Sexta-feira, 28 de Novembro de 2008

Memórias da Cidade: Largo do Chafariz

Largo do Chafariz - Praça Dom Afonso III


Avivar memórias

quinta-feira, novembro 27, 2008

O Idalécio das Ovelhas

Morreu o Idalécio das Ovelhas. Nascido e criado no seios das classes populares e numa situação de claro desfavorecimento social, numa época em que se intensificou o processo de globalização social e o agudizamento das relações de exploração capitalista, o Idalécio fazia parte daquilo que hoje os cientistas sociais designam de subclasse, onde se encontram os sem abrigo, toxicodependentes e outros sem nada, que crescem um pouco por todo lado, associados às dinamicas das sociedades capitalistas no seu estádio de evolução actual.

O que me faz falar do Idalécio das Ovelhas, é perceber que as condições sociais de existência continuam a marcar claramente os destinos sociais dos indivíduos. Eu tive a possibilidade, ocupando uma zona do espaço social à nascença muito próxima da que fazia existir o Idalécio, de construir uma vida considerada minimamente condigna e que assegura uma existência social com um mínimo de decencia. Os meus pais, que sempre me asseguraram o fundamental e incutiram na minha pessoa a sensibilidade para a importância da escolarização nos destinos sociais dos indíviduos, foram também essenciais na transmissão de valores e estiveram sempre na retaguarda sempre que precisei do apoio necessário.

O Idalécio cedo entrou em trajéctórias desviantes, roubou e foi preso. Entrou pois, noutra escola, de outra vida, escola essa que tem sido um autêntico desastre no seu objectivo da reinsersão social. O estigma, sim, o estigma, é aquela terrível marca que se cola ao rosto e que nos acompanha por toda a vida.

Depois do estigma nada ficará como dantes. Todas as semanas me pedia o Idalécio uma moedinha e todas as semanas lhe dava eu a moedinha. Nem pensava para que serviria. Isso também não interessava. Quando atingimos certas formas de vida é a nossa dignidade que já se foi à vida. É o sinal que apenas vamos existindo. É sinal de que a sociedade convive bem com a indiferença e a desgraça dos outros. Quantas vezes não senti o incómodo que gera a interacção que solicita a moedinha. Quantas vezes os sentimentos contraditórios não se apoderaram de mim.

A última vez que o vi, o Idalécio sentou-se na minha mesa do café e contou que estava desgostoso porque os peritos da medicina o queriam internar no hospital dos "malucos".

Depois, depois foi o fim. Foi a foto que marca a nossa passagem para o além, exposta numa das paredes do mercado. Um dia, serei eu a estar ali.

Tinha quarenta anos. E a estória do Idalécio é a história da sociedade que todos os dias vamos construíndo.

quarta-feira, novembro 26, 2008

Quem quer RAN ou REN quando se tem PIN?

Esta noticiazinha já tem algumas semanas...

...mas é tão actual...tão actual...


Ora, leiam lá por favor:

LPN ataca “regime PIN”

A construção de um empreendimento turístico em Altura, Castro Marim, levou ao abate de uma vasta área de pinhal na Praia Verde. O projecto assenta num PIN – Potencial Interesse Nacional. A Liga para a Protecção da Natureza não poupa críticas ao Governo. A figura PIN criada pelo actual Governo atropela toda e qualquer lei de ordenamento do território com base num critério, o volume de investimento. “Ultrapassada determinada fasquia, há luz verde, quase como que por decreto-régio, para o que quer que seja”, comenta a LPN. E reforça: “Na prática, trata-se de uma «venda», neste caso, uma destruição da coerência territorial em termos de ordenamento, a retalho”. Este abate de árvores na zona criou, diz a liga, “um cenário dantesco”. O empreendimento é “perfeitamente legal, mas talvez não legítimo, com a respectiva «palmadinha nas costas» que um PIN representa, arrasou parcialmente uma mancha de pinhal que, em tempos, constituiu o ex-libris da Praia Verde” considera a liga. “Não se pretende, de modo algum, «demonizar» este empreendimento, mas sim alertar para o modelo que se perpetua e, pior, se incentiva com a política PIN”, alerta a LPN, considerando que “num Estado de Direito sério, é impensável a ultrapassagem do edifício legislativo nacional pelo mero acenar de milhões. Não podemos crer numa tal «sul-americanização»”. A LPN defende que turismo e preservação ecológica “não são antagonistas, mas carecem da aplicação de modelos que os conciliem e harmonizem, não de facilitismos e irresponsabilidade”, deixando a questão: “será possível que os tiros no pé do turismo algarvio (e nacional) não conheçam um fim?”.

In http://www.regiao-sul.pt/noticia.php?refnoticia=89420

terça-feira, novembro 25, 2008

Memórias: O Largo do Chafariz

Largo Do Chafariz


Onde o processo de urbanização e de "modernização" da cidade levou à construção de um parque de estacionamento, em que cabem três tristes simbolos do sucesso social do mundo contemporâneo, o mesmo é dizer, três tristes automóveis, ficava o chafariz, no centro do largo.

Aquilo que noutros contextos sociais e temporais seria considerado património histórico, memória da história e da vida de uma cidade ou vila, foi, por e simplesmente cilindrado há anos atrás pela fúria modernizadora.

Este chafariz, com uma função social importantíssima até pelo menos à década de 80 do século XX, era aqui que se concentravam os burros, as mulas e as "bestas" que vinham dos mais variados sítios dos arredores da cidade e era aqui que os animais saciavam a sede a quando da sua chegada à vila de Loulé, é também parte das minhas memórias pessoais e da minha vida passada.

Quantas vezes não fui aqui dar água às mulas e aos burros no "chafariz" e quantas vezes o meu avô que as ferrava e calçava, em condições, como hoje se diria, de excelência, me levava a partir daqui aos mais diversos recantos do interior algarvio para "ferrar" os animais.

Onde hoje é a frente do Castelo (e que magnífico monumento é este no centro da cidade de Loulé) ficava, para quem já não se lembra, a barbearia do Daniel, lugar onde cortei o cabelo quase toda a minha vida, ou não fossemos nós animais de rotinas. À direita, ficava a casa do correeiro Zé de Almeida e ao lado da barbearia, uma magnífica residência que acabou por ser demolida.

A "recuperação" do chafariz, a ser feita, um dia, é a recuperação de memórias que o tempo procura apagar. Não só de memórias da vila e da cidade, mas também memórias de gente honrada que nela viveu.

segunda-feira, novembro 24, 2008

Debate Ambiental em Loulé

Parque Municipal de Loulé

Novembro de 2008


Na sequência do debate levado a cabo pela Almargem sobre Espaços Verdes e Árvores Ornamentais com a participação esclarecedora, informativa e formativa do Arquitecto Fernando Pessoa, o blogue Macloulé deixa aqui um pequeno contributo reflexivo sobre a forma como tem decorrido a intervenção desta problemática na cidade de Loulé e deixa algumas sugestões para o futuro:

1.Começava por enquadrar o meu modesto contributo para este debate recordando que um dos maiores desafios da actualidade reconhecido na comunidade científica internacional é o problema ambiental.

O Planeta Terra está em risco e portanto, todos temos o dever de cuidar da casa onde vivemos, uma vez que os problemas globais são hoje eminentemente locais e os problemas locais são problemas de foro global.

Isto quer dizer que, nós, cidadãos de Loulé, temos o dever de contribuir para a melhoria da qualidade de vida da nossa cidade, sabendo que ao fazer isso, estamos a contribuir para a melhoria de qualidade de vida do nosso planeta.

Sendo assim, autarquias, cidadãos, organizações ambientais, empresas, Estado Central, organizações internacionais, todos, somos poucos, para melhorar a qualidade de vida da casa onde vivemos.

2. Importa ainda recordar esta coisa simples que todos já sabemos, de que o Algarve e o Concelho de Loulé, sofrem uma elevada pressão demográfica, um processo de litoralização e urbanização crescentes, um processo de desertificação acentuado e recordar também que continuamos ao nível das políticas e práticas sociais formatados hegemonicamente por uma concepção de desenvolvimento que continua a confundir desenvolvimento com crescimento económico.

3. Dito isto, temos vindo a assistir incrédulos e indignados um pouco por todo esse país fora (basta visitar o blogue Sombra Verde do colega Pedro Nuno Santos para confirmar isso), e infelizmente, também no Concelho e na Cidade de Loulé, a abates arbóreos e podas desastrosas (à falta de melhor adjectivação) numa espécie de Bullying Ambiental (agressão continuada e sistemática dos mais fortes sobre os mais fracos à imagem do que sucede no interior das nossas escolas com a violência escolar) que evidentemente em nada contribui para a qualidade de vida e a qualidade dos espaços das nossas cidades.

4. Parece-me muito importante os poderes públicos fomentarem uma discussão participada (e é claro que isso não tem acontecido) de cada vez que se equaciona uma intervenção pública que altere os espaços verdes das cidades e que nos casos onde as situações de abate eventualmente se possam vir a justificar, porque valores mais altos se levantam, que se tome a decisão de plantar novas árvores em espaços próximos.

5. Parece-me também que estas decisões devem estar assentes em informação clara e transparente, fornecida aos cidadãos e assentes em relatórios técnico-científicos que legitimem a intervenção nos espaços verdes da cidade.

6. Parece-me da maior importância também a sensibilização ambiental para a importância destas temáticas, dos órgãos de gestão autárquica e a formação dos profissionais que intervém nos espaços verdes da cidade, isto para evitar situações como as que há dias assisti em directo e ao vivo, em que um funcionário para ultrapassar o seu obstáculo na colocação da iluminação de Natal, encontrou como melhor solução arrancar os ramos da árvore que atrapalhavam a sua vida. As podas a que assistimos um pouco por todo o lado deixam qualquer cidadão leigo no assunto completamente arrepiado (queiram ver por exemplo a poda realizada há poucas semanas atrás, numa das árvores do parque infantil do Parque Municipal da cidade de Loulé e digam por favor de vossa justiça).

7. Penso que deveria ser elaborada uma estratégia de desenvolvimento sustentável que não ficasse meramente no papel (tendo na autarquia o actor fundamental em parceria com Associações Ambientais e outros actores sociais) no sentido de que intervenções futuras possam levar a melhorias nos espaços verdes da cidade e para que não volte a acontecer o que se passou na Avenida José da Costa Mealha ou com as árvores em frente ao mercado municipal de Loulé ou ainda na Avenida Carlos Mota Pinto em Quarteira. ( Sob este aspecto cabe-me dizer que estou relativamente preocupado e apreensivo enquanto cidadão, tendo em conta que os factos passados não são muito abonatórios para a relação de confiança nos poderes públicos, com a dita “requalificação” que se vai fazer no Parque Municipal de Loulé).

8. Penso que uma gestão autárquica mais participada, envolvendo activamente os cidadãos e outros actores sociais fundamentais na tomada de decisões a quando da intervenção no espaço público, aumentaria certamente o nível de confiança dos cidadãos nos decisores e aumentaria quer o grau de legitimidade dessas intervenções, quer a qualidade dos próprios processos.

João Martins
24/11/2008

domingo, novembro 23, 2008

Loulé Debate Ambiente

Loulé, Maio de 2008

Avenida José da Costa Mealha


Nota: Clique em cima da imagem para ampliação.

Será possível ficar indiferente a um abate de árvores desta dimensão?

Um filme a não perder...

Ensaio Sobre a Cegueira



Reacção de Saramago ao filme Ensaio Sobre a Cegueira



O filme conta a história de uma inédita epidemia de cegueira, inexplicável, que se abate sobre uma cidade não identificada. Tal "cegueira branca" — assim chamada, pois as pessoas infectadas passam a ver apenas uma superfície leitosa — manifesta-se primeiramente num homem no trânsito e, lentamente, espalha-se pelo país. Aos poucos, todos acabam cegos e reduzidos a meros seres lutando por suas necessidades básicas, expondo os seus instintos primários. À medida que os afectados pela epidemia são colocados em quarentena e os serviços do Estado começam a falhar, a trama segue a mulher de um médico, a única pessoa que não é afetada pela doença.

Um filme maravilhoso sobre a condição humana...

sexta-feira, novembro 21, 2008

Leituras...

LA CRISE DE L'INTELLIGENCE. Essai sur l'impuissance des élites à se réformer

La crise que nous vivons est d'abord une crise morale et intellectuelle. Nous sommes en désarroi parce que nous n'avons plus confiance en nos élites qui nous semblent désormais impuissantes, prisonnières qu'elles sont de leur langue de bois technocratique. Moins ces élites sont efficaces, moins elles supportent la critique. Il est proprement inconcevable que des gouvernants responsables, des dirigeants d'institutions puissent déclarer sans vergogne qu'ils sont incapables d'effectuer la moindre réforme profonde à cause des rigidités, des cloisonnements et du conservatisme de la société ou des organisations qu'ils dirigent. La tragédie de la société française de ces années quatre-vingt-dix, c'est que personne n'ose le leur reprocher. Des réformes véritables sont possibles un peu partout, pourvu qu'on arrête de parachuter d'en haut des solutions toutes faites aussi brillantes qu'inefficaces, car elles ne tiennent pas compte de la réalité que vivent les gens à la base. L'expérience montre qu'une réforme bien conduite, c'est-à-dire qui s'appuie sur une écoute en profondeur des acteurs concernés et qui s'attache à reconnaître leurs problèmes, permet de transformer en même temps les mentalités et le système. Mais il faut, pour cela, changer notre mode de raisonnement et préférer à l'intelligence stérile des solutions la compréhension pragmatique des problèmes. La société française est bloquée par une crise profonde de l'intelligence à la française. Il n'y a pas un mal français mais un mal des élites françaises. C'est donc à une véritable révolution intellectuelle qu'appelle ce livre, pour que nous puissions affronter sereinement le siècle qui vient.

MICHEL CROZIER é sociólogo e investigador do CNRS.

Livro de leitura obrigatória para quem quer perceber o falhanço político na concretização de reformas estruturais.