sábado, novembro 28, 2009

Jornalismo Decente Para Uma Democracia Exigente

Não é só o sentimento de gratidão pela autoria de um dos mais belos momentos da Revolução que transformou as vidas de todos nós e a quem a minha geração deve estar eternamente grata. É um ethos, uma maneira de estar na vida, que faz com que o sentimento de justiça, de bem e de mal, de certo e de errado, oriente as nossas condutas da vida social. Há os que adormecem em cima dos louros conquistados, há os que se aburguesam e deixam de querer saber do que em determinada altura da vida lhes foi tão caro. E há aqueles que honram a sociedade em que vivem e continuam determinados em não ser vencidos da vida. O jornalismo acrítico, acéfalo, encostado, e adormecido do Algarve deve olhar para o exemplo de Carlos Albino. Aqui o jornalismo e a opinião jornalística significa a defesa da democracia e a defesa do interesse público. Aqui, a liberdade de pensar, de dizer e de escrutinar os poderes públicos e políticos é um imperativo ético. A democracia agradece. Os algarvios certamente também. E a qualidade é de excelência. Quanto vale, hoje, no mundo jornalistico, um SMS?

http://smsjornaldoalgarve.blogspot.com/

Dia de Derby

1986: Sporting - 7 Benfica - 1

terça-feira, novembro 24, 2009

Transportar o modelo de desenvolvimento esgotado do litoral para o interior

Ver mais aqui no blogue do Bloco Loulé: http://loule2009.blogspot.com/2009/11/deputadas-questionam-governo-sobre.html

"O dia 22 de Novembro assinala o arranque do empreendimento Quinta da Ombria, marcado, durante anos, por profundos conflitos.
O Grupo finlandês Pontos vai construir um campo de golfe na Quinta de Ombria, em Querença, Loulé, no âmbito de um projecto que inclui um hotel de cinco estrelas, três aldeamentos turísticos, um “Spa” e 31 lotes para moradias individuais. O empreendimento vai ocupar 144 hectares, no Sítio Barrocal da Rede Natura e Sítio Classificado da Fonte Benémola, além de zonas classificadas de REN e RAN. O golfe e áreas de enquadramento paisagístico espalham-se por 64 hectares e a área imobiliária e acessos ocupam 41 hectares. Os espaços naturais ocupam 38 hectares nas áreas de declive, existindo ainda uma área de um hectare destinada a agricultura biológica.
O grupo refere que o “resort” estará concluído daqui a 8 anos, implicando um investimento de 200 milhões de euros e a criação de 300 postos de trabalho. O arranque em 2010 faz-se com a execução das infra-estruturas, campo de golfe, hoje de 18 buracos – ao invés dos 27 inicialmente previstos - e o "clubhouse" ( ...)"

domingo, novembro 22, 2009

A Itália de Berlusconi

Estive duas vezes em Itália nos últimos dez anos. Primeiro em Roma e uns anos mais tarde, em Veneza. Logo ali, da primeira vez, no final da estadia, jurei nunca mais lá voltar. Um património histórico riquíssimo, uma gastronomia fabulosa, um património musical maravilhoso, mas depois existem as pessoas. Não quero cair no estereótipo muito frequente de atribuir características essenciais aos povos. Segundo esta lógica infeliz, os alemães seriam "frios", os portugueses um povo de "brandos costumes", de Espanha "nem bom vento nem bom casamento", os ingleses seriam uns "sobranceiros" e os italianos uns bons "machos latinos". Não, não vou por aí, mas no centro de Roma encontrei um padrão. E esse era um padrão "rude", "agressivo" e de "indiferença" máxima face aos outros desconhecidos. Inevitável não me lembrar da herança histórica fascista que marcou recentemente o povo Italiano e das marcas que a história sempre deixa em cada um de nós. Várias vezes me veio à mente a obra de Adorno "A personalidade autoritária". Várias vezes em Roma, me ocorreu a ideia de que as razões que levam os turistas a Roma não obedecem a sazonalidades à maneira algarvia. De alguma maneira eles não precisam de ser simpáticos. Senti sempre, quer em Roma, quer em Veneza, a presença de um Estado forte, policial, autoritário, agressivo. E isso sentia-se no comportamento diário das pessoas. Esta semana li num jornal português que algumas das principais localidades de Itália definiram o número de ciganos "aceitável" e permitidos no interior dos seus territórios. A bela Itália, e como ela é magnífica, na era de Berlusconi, deriva perigosamente para novas formas de racismo institucional. E os italianos votaram por três vezes em Berlusconi. Depois não nos venham dizer que andavam distraídos. Há qualquer coisa de adesão "massiva" a estas novas lógicas.

sábado, novembro 21, 2009

Imagens das Terras de Loulé

Há dias passei pelo Centro de Emprego de Loulé e as pessoas faziam fila cá fora à espera. Pela primeira vez vi o Centro transbordar. Em cada desempregado há uma vida em decomposição material até ao nada que é nada. E não, não vale a pena transformar a vitíma em culpado. Há um sistema predador que a todos nos arrasta para a miséria do mundo. Será isto motivo de preocupação política?

Efeitos de Maioria Relativa

"Desde que o Bloco de Esquerda confrontou o Ministro das Finanças com a aplicação de uma Taxa Multibanco, o Governo tem andado numa dança. Na resposta a essa pergunta, Teixeira dos Santos disse que iria utilizar a faculdade que a lei permite para proibir a aplicação dessas taxas. Anteontem, recuou, dizendo que o Governo apenas recorreria ao papel da CGD para impedir o surgimento dessas taxas. Ontem, e na iminência de ver aprovadas na Assembleia da República, iniciativas legislativas do Bloco e do PCP sobre esta matéria, o Governo recuou no recuo e anunciou que vai legislar no sentido da proibição. Este desfecho, se o Governo não voltar a mudar de posição até à hora de jantar, constitui uma enorme derrota da banca e uma enorme vitória para todos os que têm conta bancária (bastante mais). O fim da maioria absoluta já está a dar frutos..."

Via http://ladroesdebicicletas.blogspot.com/2009/11/marcar-para-ganhar.html por José Guilherme Gusmão, postado em 18/11/2009.

sexta-feira, novembro 20, 2009

Bloco de Esquerda Contra Nomeações Políticas em Loulé

Parece que a imprensa local anda distraída. Aqui está o macloulé a fazer as vezes da imprensa local, divulgando o comunicado de imprensa do Bloco de Esquerda.

COMUNICADO DE IMPRENSA

"O Presidente da Câmara Municipal de Loulé, Seruca Emídio, iniciou mal este mandato. A recente nomeação de elementos para o seu Gabinete de Apoio Pessoal (GAP) é disso uma evidência, pois, em despacho de 24 de Outubro de 2009, o Presidente nomeou para Chefe de Gabinete Horácio Piedade, Presidente da Junta de Freguesia de S. Sebastião, e José Coelho Mendes, Presidente da Junta de Freguesia de Quarteira, para Adjunto do Presidente. O Bloco de Esquerda considera estas nomeações reprováveis ética, moral e politicamente. Por um lado, os critérios que lhes estão subjacentes não nos parecem ter-se pautado pela competência ou capacidade exigidas para o exercício dos cargos, mas tão somente por amizades pessoais e favorecimentos políticos. Ora, os GAP foram criados como assessorias do Presidente, tendo em conta o nº de habitantes do Concelho, e não para criar emprego político bem remunerado. Assim, estas nomeações não abonam nada em favor da classe política e contribuem para o descrédito do poder autárquico, numa altura em que os políticos são bastante mal vistos perante a opinião pública. Por outro lado, a nomeação dos Presidentes das Juntas de Freguesia de S. Sebastião e Quarteira para o Gabinete de Apoio Pessoal do Presidente em acumulação com as funções executivas nas respectivas Juntas de Freguesia levantam-nos sérias dúvidas sobre a legalidade e compatibilidade desta situação. É preciso não esquecer que os Presidentes de Junta não só exercem funções executivas num órgão independente do Município, como, por inerência, têm assento na Assembleia Municipal, órgão deliberativo e fiscalizador da actividade do Executivo camarário. Ora, como podem as mesmas pessoas integrar o GAP do Executivo Municipal e, simultaneamente, deliberar e fiscalizar a actividade desse mesmo Executivo? Perante esta situação, o Bloco de Esquerda não poderia ficar calado ou deixar de tomar uma posição. Nesse sentido, para além do presente comunicado à imprensa, solicitámos os esclarecimentos necessários junto das entidades que tutelam o poder local, nomeadamente: IGAL (Inspecção Geral da Administração Local), DGAL (Direcção Geral das Autarquias Locais) e CCDRA (Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve). O BE reclama a clarificação urgente desta situação."

Loulé, 11/11/09 - Bloco de Esquerda



quinta-feira, novembro 19, 2009

Elevar o Gosto

Barbara Hendricks - Ave Maria

A Senhora Governadora, a Deputada, o Partido e o Cargo

É o cargo que está ao serviço do partido? É o partido que está ao serviço do cargo? Este é um cargo do partido? Ou este é um partido do cargo? Quem está ao serviço de quem? Quem se serve do quê? Isto é bom para a democracia? É um exemplo de transparência democrática?

Veja aqui o que diz a ex-governadora agora nomeada governadora, ao serviço da estratégia do partido: http://www.observatoriodoalgarve.com/cna/noticias_ver.asp?noticia=33091

Culturas Urbanas

Pintura Graffiti - Parque Municipal de Loulé


quarta-feira, novembro 18, 2009

Memórias

O apuramento que hoje é tido como uma obrigação, já foi da ordem do milagre.

Recordemos pois o milagre...



Tinha 15 aninhos e o dia de hoje fez-me lembrar os dias de 1985.

Para que serve e a quem serve o Cargo de Governador Civil do Algarve?

Parece que a ex-Governadora Civil do Algarve se cansou do cargo de governadora e quis ser deputada da nação. E depois parece que se cansou do cargo de deputada da nação e quer voltar a ser Governadora Civil. Com a chegada de uma mulher ao cargo de Governadora do Algarve há alguns anos atrás, levantei a hipótese de o respectivo cargo, não auferir nos tempos de hoje, grandes poderes de espécie nenhuma, para além do prestígio que obviamente confere. Depois a senhora governadora deve ter percebido que a importância de se ser hoje deputada de terceira divisão na Assembleia da República é uma chatice. Muito trabalho e pouca visibilidade. E depois há a dança das cadeiras. Ora tudo isto, mais uma vez somado, não fica mesmo nada bem ao PS. E incomóda os Algarvios mais atentos.

terça-feira, novembro 17, 2009

Identidade Blogosférica



Por vezes apetece-me mudar de nome. Não há movimentos de um. Nem sequer cidadania que chegue para formar movimento. Em alguns países já se pode mudar o nome da pessoa e alterar o BI. O BI é aquilo que nos dá existência social. Sem BI ninguém chega a ser. Ou pelo menos ninguém existe oficialmente. Vou continuar com a dúvida. A era é de incertezas. Na blogosfera há sempre a existência virtual. É a real virtualidade. Às vezes apetece-me clicar no blogue da Camila. Ela não mudou de nome. Eclipsou-se. Existe apenas nalguns espíritos. Mas existe, não existe?

Aleixo Cantado

Acompanhando as homenagens dos blogues Louletania e Sebastião aqui fica...

Aleixo cantado

domingo, novembro 15, 2009

Transformações da Universidade Portuguesa

Via blogue Boa Sociedade de Elísio Estanque:

Bolonha e a luta estudantil

As dinâmicas da universidade e o movimento estudantil

"A Universidade portuguesa mudou radicalmente nas últimas décadas. A ideia de que a estratificação da população estudantil obedecia a uma “pirâmide invertida” (por comparação com a sociedade) não é mais verdadeira. Porém, o acesso à universidade é ainda muito condicionado pela origem de classe. Hoje, a probabilidade de um filho de um trabalhador manual ingressar no ensino superior contra a probabilidade de o mesmo suceder com um filho de um quadro superior é de cerca de 1 para 6, enquanto que há quarenta anos era de 1 para 16. Houve, portanto, uma profunda democratização do acesso. Mas ainda estamos longe de uma igualdade de oportunidades. Continuam a haver milhares de jovens com talento e potencialidades que ficam de fora e, muitos deles, apenas por terem nascido em famílias pobres e socialmente estigmatizadas, estão condenados ao abandono precoce dos estudos e a nunca alcançarem um estatuto social respeitável. Só com uma aposta forte em políticas de discriminação positiva (que premeiem os mais carenciados) e um grande aumento das bolsas de estudo poderemos travar este fenómeno.
O modelo de Bolonha induz mais mobilidade e maior abertura. Mas, o alargamento conjugado com a compactação dos cursos de 1º ciclo em três anos (na maioria das áreas) vulgariza a licenciatura e remete a formação avançada para o 2º ciclo (mestrado) ou o 3º (doutoramento). A diferenciação passa a fazer-se nestes graus, muito mais selectivos. Por outro lado, o recente RJIES coloca em risco algumas das conquistas democráticas, inclusive no que toca ao espírito colegial e à representação dos diversos corpos da Universidade nos seus órgãos de governo. A representação dos estudantes foi praticamente retirada das estruturas de gestão, o que, noutras épocas, seria motivo por si só para uma rebelião estudantil generalizada.
Vive-se hoje um momento de profunda viragem no ensino superior, mas é ainda cedo para podermos avaliar os seus custos e benefícios. Sabemos que ao longo dos tempos muitas reformas universitárias se ficaram pelo papel ou conduziram a objectivos contrários aos anunciados. Sabemos também que a Universidade pública tem vindo a ser estrangulada nos seus recursos, vendo-se assim obrigada a socorrer-se das propinas cobradas aos estudantes para responder a despesas elementares que deveriam ser supridas pelo Estado. Assim, o ensino superior público passou a ser “tendencialmente caro”, quer pelas anuidades de licenciatura quer pelas propinas dos estudantes de 2º e 3º ciclo, sem que daí resultem melhorias visíveis na qualidade das infraestruturas e das condições pedagógicas em geral.
Num contexto em que os jovens recém-formados perderam o direito ao futuro (e em tempos de crise vivem apavorados pela condenação à precariedade ou ao desemprego), importa recordar que as grandes mudanças sociopolíticas – e no sistema de ensino – foram quase sempre dinamizadas pela acção da massa estudantil. O que aconteceu nos últimos anos em Portugal foi um conjunto de medidas políticas e estratégias centralistas, impostas de cima, para as quais os estudantes (e em boa parte também os docentes) não foram ouvidos nem achados (ou só o foram para legitimar decisões já tomadas), e em que o movimento associativo se mostrou apático.
Todavia, os efeitos de Bolonha e de outras medidas legislativas só agora começam a notar-se. Ora, se nos lembrarmos que tudo isto ocorre a par e passo com o acentuar do desemprego, num clima de crise que teima em ficar, perante o espalhar da precariedade, do emprego mal pago, a super-exploração e a ausência de medidas que dêem novo alento à juventude qualificada que sai das nossas universidades, é provável que – tal como aconteceu no passado – o movimento estudantil volte a tomar corpo. Além do mais existe hoje um caldo social bastante propício à reemergência de um novo radicalismo juvenil de consequências políticas imprevisíveis. Lembremo-nos das revoltas em França em 2006, na Grécia no ano passado e na Catalunha no início deste ano."

Publicada por Elísio Estanque aqui: http://boasociedade.blogspot.com/2009/11/bolonha-e-luta-estudantil.html

Cinema

Está-me a apetecer ir ao cinema. Alguém por aí sabe onde fica um no concelho de Loulé?

A Face Oculta de Sócrates

Começou com as dúvidas sobre a validade da licenciatura na Universidade que já não existe. Passou pelas dúvidas das casas construídas na Guarda, uma autêntica obra prima da engenharia Moderna. Apareceram também as dúvidas sobre os aterros da Cova da Beira. Apareceram as dúvidas que nunca se irão desvanecer do caso Freeport. Aparecem agora as dúvidas sobre as ligações a uma rede tentacular que utilizaria o aparelho de Estado a seu belo prazer. Todas estas dúvidas permitem-nos tirar uma de duas conclusões: - Ou Sócrates é vítima da maior conspiração jamais existente na História da nação Portuguesa, ou tem este maldito azar, que só afecta os infortunados deste mundo, de estar sempre à hora errada, no local errado, com as pessoas erradas. Entretanto, o jornalismo de "sargeta" vai-se atolando, sim, esse do DN e do JN. A "justiça" cai no lodo e a corrosão das instituições do Estado cai para níveis nunca atingidos desde o 25 de Abril de 1974. Resta Sócrates. É o que nos salva.

sábado, novembro 14, 2009

Opinião dos Blogues de Loulé Sobre o Abate de Árvores

"Chegou a vez das do velho hospital. Porquê? Que mal faziam as árvores talvez centenárias? Estavam doentes, também? " In blogue Calçadão de Quarteira.

Ver aqui a opinião do blogue Calçadão de Quarteira sobre o abate de árvores no Concelho de Loulé.

Ver mais aqui:
http://calcadaodequarteira.blogspot.com/2009/11/cidade-sustentavel-ou-furia-assassina.html

sexta-feira, novembro 13, 2009

Sem Muros

U2 One Berlin, Brandenburg Gate 2009-11-05



Bom fim de semana para todos os que nos visitam!

quinta-feira, novembro 12, 2009

Loulé – Presidente e Vereadores do PSD rejeitam redução do IMI e do IRS proposta pelo PS

Chegou à minha caixa de correio:

O executivo social democrata da Câmara Municipal de Loulé rejeitou na reunião de Câmara de 11 de Novembro 3 propostas apresentadas pelos Vereadores eleitos pelo PS que visavam reduzir as taxas referentes ao Imposto Municipal sobre Imóveis e que propunham que a Câmara Municipal de Loulé prescindisse dos 5% de participação no IRS cobrado no Concelho em favor dos Munícipes.
Os Vereadores Fátima Catarina Coelho, Luis Oliveira e Hortense Morgado apresentaram hoje, na reunião de Câmara, um documento sobre as finanças municipais e a fiscalidade municipal que continha propostas concretas de redução ligeira do Imposto Municipal sobre Imóveis (passando a taxa a aplicar aos imóveis avaliados de acordo com o CIMI de 0,36 para 0,35 e de 0,68 para 0,65 nos imóveis não avaliados), e propondo também que a autarquia abdicasse dos 5% da participação no IRS cobrado aos sujeitos passivos residentes no Concelho, para o ano de 2010.
Os Vereadores eleitos pelo PS consideram que :
- a criação do Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) e a alteração proveniente da redefinição do processo de avaliação matricial dos imóveis fizeram do IMI um imposto com um peso crescente nas receitas municipais e no “bolso” dos cidadãos;
- que a possibilidade dos Municípios poderem fixar anualmente até ao máximo de 5% um valor para a sua participação variável no Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares (IRS) com domicilio fiscal no respectivo Concelho, transferiu para os órgãos municipais a responsabilidade de definirem também o nível de fiscalidade que incide sobre o rendimento de cada um dos seus munícipes;
- estas alterações deram aos municípios instrumentos que à dimensão municipal permitem criar respostas, de duração anual, a situações mais ou menos problemáticas ao nível económico para as populações;
- faz todo sentido que as propostas e as decisões tomadas anualmente tenham por base em primeira linha uma avaliação da situação sócio-económica do Concelho e dos seus habitantes e só depois a necessidade da Câmara Municipal de garantir um determinado volume de receitas;
Por isso, e atendendo à grave crise económica que o país atravessa e à qual o Concelho de Loulé não é de todo imune (aliás os dados referentes ao nível de desemprego que são conhecidos dão-nos uma percepção clara dos momentos particularmente preocupantes que algumas das nossas famílias atravessam) os Vereadores, Fátima Catarina Coelho, Luis Oliveira e Hortense Morgado, entendem que para o ano de 2010 a Câmara Municipal deve utilizar os instrumentos IMI e participação variável no IRS por forma a não exigir às famílias do Concelho qualquer esforço adicional, devendo até gerar alguma folga para os seus orçamentos domésticos.
Assim, defenderam que a Câmara Municipal deliberasse propor à Assembleia Municipal de Loulé:

i) a fixação da taxa de IMI de 0,35 aos prédios avaliados;

ii) a fixação da taxa de IMI de 0,65 para a aplicação aos prédios não avaliados;

iii) a aplicação da minoração de 30% às respectivas taxas, como forma de incentivo à fixação de populações no interior, às Freguesias de: Alte, Ameixial, Benafim, Boliqueime, Querença, Salir e Tôr;

iv) a fixação da percentagem de participação variável do Município no IRS dos sujeitos passivos com domicilio fiscal no Concelho em 0%, prescindindo do valor máximo de 5%;

Na situação económica actual é essencial “apoiar as pessoas”, lamentavelmente o Presidente da Câmara e os Vereadores eleitos pelo PSD não mostraram disponibilidade nem sensibilidade para o fazer, recusando que a Câmara Municipal de Loulé fizesse um pequeno sacrifício nas suas receitas municipais que, com certeza, poderia ajudar a fazer a diferença nalguns orçamentos familiares no ano de 2010.


Loulé, 12 de Novembro de 2009



quarta-feira, novembro 11, 2009

Opinião dos Blogues de Loulé Sobre o Abate de Árvores

Aqui fica a opinião do António Almeida do blogue Sebastião. O primeiro a alertar para esta situação.

"Era de esperar! Com o prazo de conclusão à porta convém mostrar o que se está a fazer…Vai daí, para evitar “alarde”, domingo bem cedinho, corta-se e pronto: Ninguém viu e a obra aparece!"

Ver mais aqui: http://ssebastiao.wordpress.com/2009/11/08/nem-2-horas/

Opinião dos Blogues de Loulé Sobre o Abate de Árvores

Aqui fica a opinião do Palma do blogue Louletania. Opinião emitida no próprio dia em que os abates no velho Hospital da Nossa Senhora dos Pobres de Loulé ocorreram.

A FORÇA DOS MACHADOS

"Foram mortas esta manhã algumas árvores que há muitos anos davam preciosa sombra ao antigo Hospital Nossa Senhora dos Pobres de Loulé. O velho Hospital, hoje transformado em clínica e propriedade da Santa Casa da Misericórdia , segundo está anunciado vai abrir em breve. E certamente para que o edifício agora restaurado possa ter maior brilho e visibilidade para os transeuntes, foi escolhida a solução mais simples ou seja, cortá-las pela raiz. Muitas são as vozes que se levantam quando é exercida tal tortura com as árvores, esses seres admirados por tantos milhões de outros seres. Mas na verdade parece que pouco servem os protestos, pois é com alguma frequência que se vai vendo cair aqui e ali belos exemplares que nem sequer se encontram doentes ou feridas de morte."

“A ÁRVORE QUANDO ESTÁ SENDO CORTADA, OBSERVA COM TRISTEZA QUE O CABO DO MACHADO É DE MADEIRA “
( Provérbio Árabe )

Ver mais aqui: http://www.louletania.com/?p=263

PS: A foto em cima é de minha autoria.

segunda-feira, novembro 09, 2009

Opinião dos Blogues de Loulé Sobre os Abates de Árvores

A opinião do Helder Raimundo do blogue Contrasenso. Uma voz a seguir com muita atenção:

"Corre uma discussão acesa sobre o abate de árvores no ‘Hospital da Misericórdia’. No blogues 'Sebastião' e 'MAC Loulé' é possível ler como, muitas vezes, estas questões são diálogos de surdos ou ainda neste caso, uma grande confusão entre os valores naturais e patrimoniais. Seria bom que se lesse um pouco, um poucochinho que fosse, de Lévi Strauss, para se perceber o que é a natureza e o que é a cultura, e sobretudo que elas não se opõem, tendo a ‘cultura’ a obrigação de ser mais responsável pela defesa da biodiversidade, em todos os campos. Para mim, um dos aspectos importantes desta discussão é perceber que o debate participado destes temas deve ser feito antes, e nunca depois, de qualquer acto que ponha em causa a vida cultural de qualquer território. Em tempos fui dos primeiros a escrever sobre o assunto e a pôr em causa opiniões escondidas sobre a questão. Ler o que publiquei neste blog (Abril 2007 e Outubro 2007) e em A Voz de Loulé (Março 2005)."

Ver aqui: http://contrasensus.blogspot.com/2009/11/abate-de-arvores-em-loule.html

PS: A imagem em cima é da Rua Gonçalo de Carvalho, em Porto Alegre. A primeira rua declarada Património Ambiental de Porto Alegre. Os Amigos da Rua Gonçalo de Carvalho são um movimento de cidadãos fabuloso que tem permitido que as árvores de Porto Alegre continuem com a sua dignidade. Um exemplo para os cidadãos de todo o mundo.

Ver aqui: http://goncalodecarvalho.blogspot.com/

domingo, novembro 08, 2009

Abate de Árvores em Loulé



E pronto. Já está. Mais inteligentes. Mais modernos. Mais civilizados. E mais felizes. Isto é, o "Desenvolvimento". Parabéns dr. Emídio. Pode ver como eram as árvores no post em baixo. O hospital semi-privado já é um sucesso.

PS: Existe uma divisão do Ambiente e dos Espaços Verdes na CML? Ah, pensava que não...

Abate de árvores em Loulé: Descubra as diferenças

Antes



Depois



Já não há palavras. Tudo pensado. À semelhança do Holocausto Nazi, em que tudo era planeado até à hora da execução final na Câmara de Gás, também com as árvores de Loulé, a racionalidade do abate é total. Faz-se toda a restauração da obra dando a ideia de que se vai preservar as árvores e depois do acto eleitoral, passa-se então ao acto final. Brilhante. Afinal, a Camila, tinha razão, no vídeo que produziu...

A foto de baixo é copiada do blogue Sebastião. Ver mais aqui: http://ssebastiao.wordpress.com/2009/11/08/nem-2-horas/#respond

A Queda de Um Muro



9 de Novembro de 1989. Tinha eu 19 anos. O mundo nunca mais seria como dantes. Dividido ideologicamente em duas grandes fatias, o globo terrestre caminhava agora para a implementação do sistema capitalista à escala global. A par da revolução das novas tecnologias da informação e da comunicação, este é talvez, o facto histórico mais importante de todo o século XX. De certa forma, neste dia, terminava o século XX e dava-se início ao século XXI. Gente de ambos os lados, vizinhos e familiares da mesma cidade, Berlim, viviam separados física, simbólica e ideologicamente. Pessoas, ideias, conhecimentos, capital, bens e mercadorias, eram à época travados por alguns metros de altura de betão. Hoje, o capital é global. A este, falta agora, conquistar a Lua, Marte e quem sabe também o fundo dos oceanos. Este também é um dos motivos da enorme crise ciclíca que atravessa o capitalismo. É que, se o capital não tem pátria, começam a escassear os territórios para onde se expandir. Um dia a casa vem abaixo.

sábado, novembro 07, 2009

O Presidente do SCP

Poxa...eu é que não queria ser sócio do Sporting...lagarto, lagarto, lagarto...

O novo governo: impressões digitais

1. Na noite em que Sócrates perdeu a maioria absoluta, o novo (?) governo deu o mote através do seu ministro Maquiavel, Augusto Santos Silva. Ainda os votos não estavam contados na sua totalidade e já Santos Silva apelava à "responsabilidade" da oposição. A partir de agora, tudo o que fizer ou não fizer e decidir ou não decidir, o governo, cabe à oposição o ser responsável por tal coisa. O governo de Sócrates, é especialista, em colocar as coisas, de cabeça para baixo.

2. Depois apareceu o grande líder em cena e decretou: Meus senhores, a partir de agora, decreto, que temos que passar a "negociar". E mais vos digo, negociar significa, os senhores fazerem, precisamente, aquilo que eu quero, que os senhores façam. O conceito de negociação, que tradicionalmente significou que as partes discutem e decidem a partir dos pontos de vista que cada um defende, ganhou uma nova significação semântica. Negociar, agora, significa, adaptação ao ponto de vista do mais bem colocado nas assimétricas relações de poder. Um pouco à maneira do conceito antropológico de assimilação.

3. Novo governo. Novos actores. Continuação das mesmas políticas. A arrogância governativa da maioria absoluta tem dificuldade em se adaptar às novas circunstâncias. Os tempos que aí estão são tempos difíceis. Coitados dos portugueses. Da nova equipa governativa há uma facto fundamental. Os ministérios dos negócios e do poder são controlados pelos políticos. Coisas de menor importância como o Ambiente, o Trabalho e Solidariedade Social, e de novo, a Cultura, são entregues a ministros de pouco peso. A leitura faça-a quem a quiser fazer. Há os que concentram o poder e os que executarão, em função, do poder, que os outros lhes concederem.

4. Em termos ideológicos a matriz dominante neoliberal continua de corpo e alma. Na apresentação do programa de governo Luís Amado já deixou claro. O PCP e o BE são partidos "geneticamente contrapoder" (qualquer coisa como se até em regimes comunistas o PCP optasse por fazer oposição a si próprio). O PSD é o partido da instabilidade. O CDS é aquele com quem o PS se pode governar. E aproveitou para "decretar" onde pode o CDS "negociar". O PS para agir em coerência (palavra estranha para este partido) deveria ser aconselhado a mudar de nome. É o que ainda resta, ao partido, que se diz socialista.

5. Nem tudo é mau no reino da macacada. Estou convicto que o parlamento sai dignificado e disso mesmo deu sinal a elevação da discussão do programa governamental. Desde logo porque a qualidade dos seus actores melhorou. Manuela Ferreira Leite esteve ao seu melhor nível. José Manuel Pureza tem condições para vir a ser um líder parlamentar de excelência. Pacheco Pereira é indiscutivelmente uma mais valia nacional. Miguel Vale de Almeida vai ser uma personagem de quem muita gente vai ouvir falar. Não tenho dúvidas que estes e muitos outros que agora chegaram podem melhorar a qualidade da democracia parlamentar (excluía aqui a deputada do PCP, licenciada em relações internacionais, que considera que o Goulag deve ter sido uma "experiência" interessante). Sócrates não gosta. Mas Portugal precisa. Para que a face oculta da nação se torne cada vez mais transparente.

sexta-feira, novembro 06, 2009

Da Avaliação de Desempenho

Os professores e os alunos sabem que a avaliação é das questões mais delicadas do processo de ensino-aprendizagem. E sabem que 0. 025 valores podem gerar uma tempestade. Avaliar, quer queiramos, quer não queiramos, não consegue deixar de ser um acto de julgar. E ninguém convive em paz com um julgamento percepcionado como injusto. Os melhores Gestores de Recursos Humanos, também sabem bem, que pior do que não ter nenhum sistema de avaliação de desempenho, é implementar, um sistema de avaliação de desempenho, que fabrica injustiças, consideradas, injustas. Se isso acontecer a empresa arrisca-se a entrar em convulsão.

Ora leiam lá esta notícia da página 2 do Público de hoje, com especial atenção para o último parágrafo:

"José Sócrates defendeu ontem que "seria irresponsável suspender a avaliação quando 48 mil a 49 mil docentes já foram avaliados"; os partidos da oposição, os sindicatos e as associações de professores contra-argumentam que ter em conta as classificações deste primeiro ciclo é que será "irresponsável" e "injusto".

Os professores reclamam duas coisas distintas. Por um lado, que o actual modelo de avaliação seja suspenso, não se iniciando na prática (com a entrega dos objectivos individuais, que as direcções das escolas calendarizaram para Dezembro ou Janeiro) o segundo ciclo de avaliação (relativo a este e ao próximo ano lectivo). Em relação ao primeiro ciclo avaliativo, que termina a 31 de Dezembro, pedem que a classificação não seja tida em conta para a progressão na carreira e para os concursos.
Sustentam este segundo pedido na disparidade de critérios seguidos por cada uma das escolas. Um exemplo: se nalgumas as direcções se recusaram a avaliar os docentes que não entregaram os objectivos individuais, noutras os professores puderam entregá-los em Agosto, depois de concluído o período a avaliar, havendo ainda casos de colegas que foram avaliados sem os terem apresentado, sequer."

in http://jornal.publico.clix.pt/noticia/06-11-2009/injusto-e-suspender-ou-nao-suspender-18166733.htm

Elevar o Gosto

O Mare e Tu - Andrea Bocelli & Dulce Pontes



Um óptimo fim de semana para todos!

quinta-feira, novembro 05, 2009

Socorro! Não Há Algarvios No Governo

Li hoje nas Quintas do Algarve e fiquei deveras preocupado. Não há algarvios no Governo da Nação...e não há pretos, homossexuais, prostitutas e toxicodependentes na vereação da Câmara de Loulé...que horror!

Ciganos: Nomadas?

Há uns tempos atrás, o Helder Raimundo, do blogue Contrasenso, colocava esta questão, remetendo para um interessante estudo do Antropólogo André Correia e fez-me regressar a meados dos anos noventa e a revisitar o meu relatório de investigação de final de licenciatura. Intítulava-se "O conflito social no bairro da Casinha: Etnicização e auto-etnicização de uma população minoritária". E nas páginas 26 e 27 escrevia eu assim: "Quanto à localização espacial onde se situam os ciganos, estes habitam clandestinamente um terreno paralelo ao parque de campismo, situado no lado oposto à habitação do bairro, cujo proprietário é a Câmara Municipal de Évora; constatando-se uma visível segregação entre a zona habitacional de população não cigana e dos ciganos ali instalados. Constata-se também a existência de duas situações distintas; em que por um lado, habitam ali permanentemente os ciganos sedentários e por outro lado, existem os nómadas, que se instalam temporariamente, em vésperas de feiras e mercados, nos arredores de Évora, ou quando estão de passagem para outras localidades do Alentejo em que se realizam também mercados e feiras. Quanto aos sedentários denota-se por parte destes uma forma de apropriação do espaço através da construção de barracas existindo naquele local um número total de nove. Quanto aos nómadas, a sua apropriação do espaço, faz-se através de tendas, dependendo o número destas, ali naquele terreno, do número de nómadas que ali estão acampados. As tendas são constituidas de lona, de plástico, e ainda de papelão, suspensas pela colocação de paus no interior das mesmas. Constatámos também a inexistência de infra-estruturas tais como água, luz eléctrica e condições higiénico-sanitárias. Quanto aos sedentários são quarenta e nove, segundo dados da Câmara Municipal de Évora, portanto estando estes ali a viver permanentemente, constituindo sete familias. Quanto ao número de nómadas, depende sobretudo dos mercados e feiras ocorrentes, mas segundo o nosso informante-chave da Câmara Municipal, chegam a estar nos dias de maior afluência, tantos como os sedentários. Os ciganos sedentários situam-se naquele terreno há catorze anos e o seu aparecimento naquele bairro deve-se ao uso daquele terreno para feiras de gado em que eles vinham participar, transacionando gado, permanecendo posteriormente naquele local, em definitivo, optando pela sedentarização. Anteriormente à vida sedentária, também nomadizavam, como nos relata o nosso informante cigano: "a gente nunca viviamos certo, tá a ver, era hoje aqui e depois iamos para outro lado está a ver, andávamos sempre assim, quando andávamos com carroças, agora já não, como já temos carros e coisas; quando viemos para aqui, ainda andemos com carroças, de carro e besta tá a ver, hoje estávamos aqui, amanhã podiamos estar em Montemor, depois em Arraiolos, andávamos assim e há catorze anos para cá vivemos aqui, nunca mais abalámos daqui, prontos"."

O problema na época, há quase quinze anos já era, o da intolerância racial. Querendo fixar-se, numa boa parte das vezes, o que acontece, é que são obrigados a nomadizar. Os ciganos continuam a ser na sociedade portuguesa, "os outros", aqueles com quem nunca casariamos os nossos filhos e filhas. Aqueles que só "aceitamos" se tiverem bem longe, de "nós".

Este é o post do Helder do Contrasensos:


Ciganos: Nómadas?

A ideia de que os ciganos são eternamente nómadas está posta de parte há muito tempo. Surgida da diáspora desta etnia, fugida de genocídios por toda a Europa - e em particular ao holocausto nazi - a ideia ganhou foros de romantismo nos nossos tempos, habituados a vê-los escorraçados de terras e barracas, dos campos e das periferias das cidades. O antropólogo André Correia desfaz esta ideia, num estudo apresentado em Beja.
Ler mais aqui: http://reapnimprensa.blogspot.com/2009/10/ciganos-entre-tolerancia-e-expulsao-no.html


Ver aqui: http://contrasensus.blogspot.com/2009/10/ciganos-nomadas.html

quarta-feira, novembro 04, 2009

Os Blogues do Concelho e o Presidente da Junta de Freguesia de São Sebastião

Caro senhor Presidente da Junta de Freguesia de São Sebastião. Não me arrogo de representar a voz dos blogues do Concelho de Loulé, mas não posso deixar de me arrogar a representar a mim mesmo. E não posso deixar de repudiar veementemente as suas palavras na tomada de posse do novo mandato para a Junta a que vossa excelência preside, no que toca à blogosfera concelhia. Saiba vossa excelência que vivemos em democracia e que felizmente, ou infelizmente, conforme o entendimento que as boas almas têm da mesma, a liberdade de expressão, é um dos bens mais preciosos que a revolução dos cravos nos permitiu a nós, cidadãos comuns, disfrutar. Já se percebeu que o senhor com as suas já frequentes referências à blogosfera louletana não prima propriamente por morrer de amores pela crítica pública e pelo livre escrutínio da forma de exercício do poder político. A blogosfera não é mais do que um suporte utilizado pelos cidadãos para manifestarem a sua opinião em relação à forma como é gerida a coisa pública. Tem razão o senhor quando se queixa de possíveis injúrias realizadas no espaço blogosférico, mas para isso existem as leis e os tribunais e o senhor deve agir em conformidade e não partir para a "censura" da blogosfera do concelho. Saiba que tenho todo o direito de opinar políticamente e a minha opinião em relação à sua gestão da freguesia é muito desfavorável. Para mim, o senhor será sempre o presidente de São Sebastião do tempo em que a cidade encolheu. Não lhe fica nada bem na tomada de posse a sua referência negativa à blogosfera louletana. Apenas revela a sua enorme dificuldade em fazer face à crítica pública. Pode imprimir mais esta página e juntar às já centenas da sua colecção. No dia que alguém fizer a História desta época, da Freguesia de São Sebastião, estará concerteza perante uma boa base documental para compreensão de um determinado modo de governação.

Com os melhores cumprimentos
João Martins

PS: O tempo e a energia que vossa excelência dispensa a reagir à blogosfera louletana, podia, por exemplo, dispender em zelar pelo acerto das horas dos relógios públicos (sim, públicos) da freguesia. É que pelo terceiro ano consecutivo (sim, o terceiro) as horas não acertam com a hora de Inverno e para sua informação e conhecimento, a hora já mudou há perto de uma semana.

A Araucária

Ver aqui o post que enviei para o sítio das Árvores de Portugal.

http://www.arvoresdeportugal.net/2009/11/a-araucaria/

terça-feira, novembro 03, 2009

Claude Lévi-Strauss - 1908/2009



Morreu um dos grandes monstros sagrados da Antropologia Mundial. Um dos nomes maiores do estruturalismo francês. Morre numa época em que o actor se emancipou das estruturas sociais. Deixa uma obra imensa, que legará para sempre, a todos os cientistas sociais. Paz à sua alma.

Imagens que falam por si



Quando em vésperas de eleições autárquicas o dr. Emídio veio para os jornais esclarecer a populaça que era "necessário" rever o PDM, imaginei logo o que estava por aí a vir. Há-de o mar engolir a terra e o dr. Emídio andará concerteza no seu gabinete com água pelas canelas e de calças arregaçadas, a aprovar licenciamentos à beira mar plantados...e a fazer festas das bruxas...

Ver aqui: http://calcadaodequarteira.blogspot.com/2009/11/alterando-planos-de-pormenor.html

Ps: Foto via Calçadão de Quarteira.

O Taxista, a Dona Corrupção e o Sistema de Justiça em Portugal

Acabadinho de chegar a casa. Do longo dia de hoje, destaco a minha viagem de táxi do centro de Lisboa até ao Oriente. O taxista começou por me dizer que tinha transportado uma importante figura da justiça portuguesa. Um juíz. Juíz este, que lhe tinha dito que estava difícil arranjar um táxi em Lisboa. O taxista não se fez rogado e respondeu: "Deixe lá. Não arranjar táxi rapidamente pode não ser grande problema. Grave, grave, é quando não se consegue fazer justiça".

Depois mostrou-me um livro que trazia no banco da frente. A autora era Sofia Pinto Coelho e o livro "As extraordinárias aventuras da justiça portuguesa". Fiquei a saber que o taxista foi convidado para a apresentação do livro e fez questão de lá estar presente: "Era eu lá no meio daquela gente toda importante". Era "eu", lá, no meio, "deles".

Segundo me descreveu, em reacção às críticas ao sistema de justiça que por lá se fizeram, toda a minha gente assobiou para o lado. Quando a culpa é de todos, é sabido que a culpa não é de ninguém. Ouve-se a crítica e pensa-se de imediato que é uma excelente crítica ao vizinho do lado.

Aprendi com o taxista que a Sofia Pinto Coelho é filha da Maria Filomena Mónica. E que na apresentação do livro por lá esteve o António Barreto. Chegado a Oriente lá reforcei as convicções feitas do taxista. O António Barreto tem razão, a justiça é a coisinha pior que temos em Portugal. Fechei a porta do automóvel e pensei para com os meus botões: "O que a gente pode aprender num táxi"!

Esta semana que agora passou regressou em força a mediatização dos sempre "inexistentes" crimes de "colarinho branco" em Portugal. Penso que temos alguns progressos. Não sei se existe hoje mais corrupção do que há quarenta anos atrás. Duma coisa tenho a certeza. A visibilidade social da corrupção é bem maior hoje em dia. Mas o progresso não fica por aqui. Os crimes de colarinho branco já chegam aos tribunais o que quer dizer que já são investigados. E a opinião pública e publicada indigna-se. O que quer dizer que a tolerância face ao fenómeno vai diminuindo. Falta agora o mais difícil. Que os tribunais funcionem e que se apurem culpados e inocentes.

A elevada tolerância à corrupção em Portugal tem uma herança cultural pesada, que não se muda de um dia para o outro. A cunha, as trocas de favores, os "pedidos" a gente de bem, os interesses mais ou menos partilhados e facilitados, as influências que rendem beneficios e vantagens sociais, têm um largo historial na sociedade portuguesa. A indignação pública resultante da visibilidade mediática é uma parte do caminho que falta caminhar.

Um país onde a justiça não funciona e um país que tem a percepção subjectiva de que a corrupção compensa, é um país para sempre adiado. Sem capacidade de fazer justiça, não há democracia que resista. Como dizia alguém numa pastelaria louletana onde costumo tomar o pequeno almoço: "Assim eu também vou fazer falcatrua pois a coisa parece que compensa". E o pior é quando quase todos pensamos assim. O parvo, passa a ser, aquele que cumpre as regras.

segunda-feira, novembro 02, 2009

Elevar o Gosto

Queen - Bohemian Rhapsody



Freddie was the best of your time.

Boa semana de trabalho para todos os que ainda o conseguem manter!

domingo, novembro 01, 2009

Imagens das Terras de Loulé

Queremos ver sempre à distância
o que não está descoberto,
Sem ligarmos importância
ao que está à vista e perto.

António Aleixo