domingo, dezembro 31, 2006

Disparates de início de milénio ou retrocesso civilizacional?

O fim de mais um ano é sempre uma boa altura para reflectir sobre o que andamos a fazer ao de cima da terra e por baixo das estrelas e também sobre o que não fizemos e deveriamos ou poderiamos ter feito no nosso pequenito planeta.

Quanto a mim vou destacar alguns factos que alguns de nós andaram por cá a fazer e que são um sintoma de que a História não é feita de continuidades lineares e muito menos "evolui" em direcção a uma suposta "superior" civilização Ocidental.

1º disparate do ano - Aconteceu em solo nacional e mais uma vez partiu de um dos nossos autarcas.

Foi na Póvoa do Varzim e a decisão parece ter partido do Vereador que dá pelo nome de Aires Pereira, segundo notícia o jornal Público.

O homem incomodado com os defuntos e a maneira de os sepultar e porque os vivos não têm problemas que o entretenham, decretou a uniformização do culto dos mortos.

Cito o jornal público de 30 de Dezembro que cita as palavras do ex-mo senhor vereador.
Leiam com a devida atenção e pasmem:

"Iguais a nascer, iguais a morrer. Novo cemitério da Póvoa do Varzim muda paradigma no culto dos mortos. Câmara impõe minimalismo histórico, com jazigos estilizados para acabar com "decorações excessivas", assume o vereador. O novo cemitério municipal vai provocar uma alteração radical à forma como os habitantes da Póvoa do Varzim manifestam o seu culto pelos mortos, uma vez que os jazigos vão deixar de ser decorados de acordo com o gosto dos familiares do falecido. Por imposição da Câmara, todos serão cobertos de forma identica "estilizada" - uma lápide com a menção ao morto e um jarro de flores - variando apenas a possibilidade, para os enterramentos católicos, de ser colocada um cruz à cabeceira (...)"

Aí está senhor Vereador e senhor presidente da Câmara da Póvoa do Varzim!!! Isso é a verdadeira igualdade: "iguais ao nascer, iguais a morrer".

Pessoal da Póvoa do Varzim, desculpem lá, mas tenho que perguntar: Estão todos a dormir? Quem elege esses senhores? Não serão essas práticas altamente totalitárias por parte do poder autárquico sobre aquilo que há de mais intimo na privacidade de cada cidadão?

Melhor só a determinada altura o partido comunista de Mao Zedong na China que só permitia relações sexuais entre os camaradas à Sexta-feira em cada semana.

2º disparate do ano - A condenação à morte de Saddam Hussein e a sua plena aprovação pela administração Norte-Americana.

Será uma condenação por enforcamento própria dos valores que apregoam as democracias ocidentais? Já agora que se nomeie um carrasco e que se decapite o homem na praça pública. E que a população saia em massa para a rua a aplaudir.

Já foi assim que se fez justiça mas o retorno do recalcado parece estar a ressurgir.
Valha-nos a posição tomada pelos representantes da União Europeia. Ao menos isso...

3ºdisparate do ano - A Associação de Juízes no seu perfeito juízo... Quando um homossexual agride violentamente outro homossexual no espaço doméstico isso não é considerado violência doméstica.

Claro que os nosso juízes também sobrem de homofobia social.

E que tal uma cadeirinhas de Antropologia, de Sociologia ou de História da Vida Sexual nos cursos de Direito? Não fazia nada mal e tinhamos uma justiça mais informada e logo mais justa...Enfim, batam há vontade os que são homossexuais que os juízes estão do vosso lado. Não há outra interpretação possível da lei...

4º disparate do ano - Quase ninguém reparou e o facto passou despercebido, mas o Congresso Norte-Americano aprovou este ano quase por unanimidade total, percorrendo os partidos à direita e à esquerda do espectro partidário, um MURO QUE SEPARA OS EUA DO MÉXICO DE APROXIMADAMENTE 1100 KM.

Já não me espanta tão barbara decisão. Espanta-me sim, é a total apatia social face a esta questão. Onde para a cidadania?

Abraços e feliz Ano Novo.

João Martins

terça-feira, dezembro 19, 2006

Câmaras Municipais, autarcas e licenças de construção

Moro na cidade de Loulé há 36 anos e tenho acompanhado atentamente o crescimento da cidade.

Actualmente moro à saída para Faro na urbanização das Portas do Céu.

Como cidadão da cidade de Loulé, como eleitor que deveria confiar nos eleitos locais venho questionar neste espaço de democracia virtual como é possível que na Avenida Parque das Cidades junto à bomba de gasolina na saída para Faro seja possível construir vários blocos de apartamentos que cercam os depósitos de combustível?

É possível que isto aconteça? Não há riscos para a saúde destas populações que ali irão habitar?

E os riscos de uma explosão estão salvaguardados? Não foram as bombas de gasolina recomendadas legalmente para a periferia das cidades?

Quem autoriza a licença destas construções? Chama-se a isto ordenamento territorial das cidades?

O senhor Presidente da Camara de Loulé tem conhecimento destas construções? E se tem conhecimento acha que construir a 5 metros da bomba de gasolina é uma boa aposta no ordenamento urbanístico da cidade?


Sabemos que Loulé cresceu nos últimos anos e que a pressão demográfica foi acompanhada da pressão urbanistica. Mas acordar de manhã, abrir a janela e respirar o chumbo libertado pelo combustivel automóvel terá alguma coisa a ver com o conceito de qualidade de vida?

E as autarquias não terão um papel na gestão equilibrada do crescimento das cidades?

Dá que pensar...e nunca sabemos quais os critérios que levam à aprovação de determinadas construções e à rejeição de outras.

Fica a ideia do reino da arbitrariedade.

Abraços e boas festas

sexta-feira, dezembro 15, 2006

Capitalismo Natalício: Sobre a obrigação de dar, receber e retribuir

O Natal está aí. Data religiosa por excelência desde o início da era cristã tem vindo a ser progressivamente reapropriada pela sociedade de consumo, tendo como simbolo máximo as novas catedrais religiosas, vulgo Shopping Center.

Um estudo divulgado esta semana revelava que o stress dos portugueses dispara nesta época.

Aqui apresento algumas razões possíveis para isso:

- Há aqueles que não querem oferecer quaisquer prendas por não terem dinheiro para as comprar. Para estes o sistema nervoso dispara quando alguém lhes oferece alguma coisa. A obrigação de retribuir deixa-os à beira de um ataque de nervos.

- Há os outros que não se querem esquecer de ninguém e perdem horas infinitas da sua vida a elaborar listas de prendas até ao último pormenor.

- Há aquela espécie que só descansa quando oferece prendas de valor superior às que recebeu ou não fosse isso um verdadeiro sinal de distinção.

- Há ainda os que ficam fora de si a tentar descobrir a prenda que imaginam que faria a realização dos outros. De tanto pesquisar o resultado é a incapacidade de nada escolher.

- Há os que desesperam pois o dinheiro não chega para tudo e têm que escolher os eleitos a serem prendados. Os que irão ficar de fora da lista é que não irão gostar nada da festa.

- Há os que correm todas as lojas para oferecer as prendas mais baratuchas possível. As lojas dos chineses agradecem e o tempo perdido nas filas de compras são um verdadeiro teste de paciência chinesa.

- Há ainda aqueles que durante todo o ano só sabem trabalhar. Quando chega esta altura do ano vêem tanta agitação há sua volta que ficam mais agitados que aqueles que os rodeiam.

- Há os que ficam à espera de ver de quem recebem prendas. Depois das ofertas recebidas lá vão as prendinhas para quem não se esperava oferecer nada.

- Há a situação deveras cómica dos que oferecem prendas a pessoas de quem não gostam. Acto de que se arrependerão durante todo o ano seguinte. O caso das prendinhas aos patrões é muitas vezes disto exemplo.

- Os judeus, os muculmanos e outros que tais têm o ritmo cardiaco menos acelerado. Se não se incomodarem com o pai natal criado pela coca-cola reagem com tranquilidade e indiferença a tanta agitação.

- Os ateus oscilam entre os que ficam felizes com tanta euforia que até esquecem que são ateus e os que ficam irritados com alegria dos outros e sobretudo por receberem prendas sem saberem bem porquê.

Enfim, é a obrigação de dar, de receber e de retribuir.

De toda a forma é sempre uma data em que as pessoas andam mais simpáticas. Um simples Feliz Natal faz muitas vezes com que todo o stress consumista do mundo perca todo o sentido.

Abraços e Feliz Natal são os votos de um ateu que oferece e recebe prendas nesta data fascinante.

João Martins
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