Imagens da XIV Feira de Caça, Pesca e do Mundo Rural
Verdadeiros caçadores em repouso colectivo.
#navbar-iframe { visibility: hidden; }
O MDP continua a crescer, o MacLoulé, Movimento Apartidário da Cidade de Loulé adere ao MDP. O MDP saúda o MacLoulé e apela em particular às organizações, e às cidadãs e cidadãos do Concelho de Loulé que adiram ao Movimento de Defesa do Pontal. Recordamos que uma área considerável da Mata do Pontal se situa no Concelho de Loulé.
Acabadinho de chegar do festival MED. O festival continua a manter uma extraordinária qualidade. Música de muito bom gosto. Gente de todos os cantos do país e do mundo. O património arquitetónico local do centro da cidade a ser valorizado. Uma excelente combinatória entre entretenimento e cultura. Continuam de parabéns os seus mentores. O festival é uma inovação criativa de excelência.
A reflexão levada a cabo pela RTP nas minas do sal gema em Loulé, sobre a actividade turística nacional, foi rica em prós e ocultou completamente os contras. Os convidados presentes, todos eles, são agentes altamente interessados na dominação do turismo como sector principal de actividade económica. Empresários hoteleiros, promotores imobiliários, políticos locais e outros que tais, todos, são de alguma forma, os principais interessados na manutenção da monocultura do turismo e nos lucros e dependências de avultados financiamentos estatais.
É inquestionável que o turismo é um sector de actividade de uma importância fulcral para a actividade económica do Algarve e do nosso país. O que causa impressão é o sentido acrítico com que se parte para a discussão, aceitando que desenvolvimento turístico é de per si, condição necessária e suficiente, de desenvolvimento económico e social. O facto da discussão ocorrer no interior subterrâneo de uma mina do sal e de esta ser encarada já não como um sector produtivo que pode gerar alto valor acrescentado, mas como um objecto estético decorativo que deve ser ludificado, é altamente significativo da reflexão levada a cabo.
O Algarve não pode ficar preso da monocultura do turismo. O desenvolvimento económico e social de uma região tem que se fazer a partir da valorização da sua diversidade. O turismo não pode fazer esquecer o investimento nas pescas, na agricultura, na indústria, nas novas tecnologias e nas energias renováveis, no pequeno comércio e nos serviços e na formação profissional dos trabalhadores. O Turismo não pode canibalizar os apoios existentes na região para a economia, sob pena de um dia, um "azar" como um derramamento de petróleo na costa algarvia (o Diabo seja cego, surdo e mudo) arrasar a economia de uma região, de uma assentada.
Um conjunto de lugares comuns foi recorrente na discussão dos prós. É preciso valorizar o património arquitectónico. É preciso divulgar a boa gastronomia. É preciso valorizar o que de bom cá temos. É preciso apostar na valorização de novas experiências e no turismo "sexy". É preciso apostar na cultura e no entretenimento. É preciso apostar no turismo "sustentável". Tudo coisas já bem conhecidas e apregoadas aos sete ventos e nas quais é difícil não estar de acordo.
O problema, é que, quando passamos dos belos discursos, para a constatação das práticas, é que a porca começa a torcer o rabo.
O Algarve continua a ser uma lastimável vergonha em termos de (des) ordenamento do território e continua-se a construir desenvergonhadamente em cima do litoral. Mesmo quando os melhores planos e programas de ordenamento do território adquirem letra de lei. Passa-se no Vale do Garrão e pasma-se com a construção a meia dúzia de metros das dunas ditas douradas. Passa-se pela zona do parque de campismo em Quarteira e pasma-se com a quantidade de construção que ali está a crescer a meia dúzia de metros da praia. Passa-se por Albufeira e constata-se que é o próprio Estado e a Administração Regional que são juridicamente "sancionados" por construir parques de estacionamento em cima da praia. Passa-se no Pontal e é ver as populações numa luta heróica a mobilizarem-se para impedir os monstros PIN, os novos símbolos do novo riquismo parolo, que degradam a qualidade ambiental de toda uma região. Passa-se. Passa-se. Passa-se. Exemplos são como o mexilhão. Abundam e não faltam.
O turismo, que há alguns anos, no Algarve paradisiaco, já foi dito de "qualidade", é agora um turismo massificado de "pé descalço".
O que mais beneficiaria o turismo da região do Algarve, era inverter todo o conjunto de predadoras práticas, que nos conduziram alegremente até aqui. O conluío entre as políticas e uma boa parte dos políticos do Algarve e da administração central, os interesses imobiliários, ligados, ou não, directamente e indirectamente à hotelaria, e por vezes, ligados de mais, aos clubes de futebol e ao "lobbie" da construção civil, têm contribuído para destruir o mais belo património turístico de Portugal.
O ambiente e o turismo sustentável têm, ao nível dos discursos, entrado progressivamente na boca de autarcas e empresários locais. As práticas, essas, é que desmentem todos os dias as maravilhas da verborreia. Assim, não há turismo de qualidade que resista. Haverá nos desejos e nos discursos. A qualidade, essa, voa, paradoxalmente, em " low cost" , para outros lados do mundo. Até porque com a confusão gerada pelos estaleiros eleitorais, em plena época alta, nem podia ser de outra maneira.
Visita guiada à Mata do Pontal relança o MDP
O MDP - Movimento de Defesa do Pontal composto por entidades directamente relacionadas tanto com o Ambiente como com a Política, organizou na manhã do dia 20 de Junho uma visita guiada à Mata do Pontal, relançando este Movimento, assumindo “o compromisso de defesa intransigente dos valores naturais e sociais do Parque Natural da Ria Formosa” com o intuito de chamar a atenção para o Pontal que se encontra em risco devido a “uma legislação permissiva, baseada em Projectos de Interesse Nacional (PIN)”.
Tratou-se inicialmente duma iniciativa do Bloco de Esquerda – Núcleo de Faro, à qual se juntaram a Almargem, Juventude Social Democrata / Faro, Moto Clube de Faro, o Núcleo de Ambiente da Universidade do Algarve e a Associação Faro 1540 recentemente criada. Contando com um dia quente, o grupo de cerca de 50 pessoas não se fez rogado e deu por bem empregue o esforço necessário para vencer um belíssimo e rico percurso congeminado pelo Pontal, sempre com boa disposição e especial interesse nos discursos do orador Eng.º Luís Brás da Almargem, entendido na matéria.
O passeio contou com a presença do Eng.º Macário Correia candidato à Câmara Municipal de Faro, bem como João Santos Presidente da Almargem, os professores da Universidade do Algarve Patrício Serendero, João Brandão e José Moreira em representação do Bloco de Esquerda - Faro, um militante do Partido Comunista contando também com a presença do Namb e Juventude Social Democrata – Faro, não obstante os jornalistas Vítor Ruivo e Bruno Pires dos jornais algarvios Região Sul e Algarve123 respectivamente.
Foram avistados diversos camaleões, uma espécie protegida e em vias de extinção sendo um crime a sua recolha, trata-se de animais que não se adaptam em cativeiro e acabam por morrer. Outra espécie nas mesmas condições e observada neste passeio é a Tuberaria major também sofrendo um elevado risco de extinção, com um área de ocorrência muito limitada e descontínua. Poderá ser encontrada numa área actualmente reduzida a pequenos núcleos. A nível mundial 90% desta população encontra-se no Pontal. Uma árvore típica é o Sobreiro, verificando-se a presença de alguns indivíduos com várias centenas de anos. Observou-se obras como uma ponte com aproximadamente 100 anos e um forno de cal.
O lixo foi uma constante acompanhando-nos ao longo de todo o trajecto, por este motivo a organização tratou de “armar” os participantes com sacos de plástico para recolha dos resíduos.
Esta visita marcou o início da recolha de assinaturas para o abaixo-assinado apelando à defesa do PNRF e a sua devolução à população, recuperando-se o espaço natural do Pontal. Recolhidas as assinaturas, o documento será entregue nas Câmaras Municipais de Faro e Loulé, sendo o orador do passeio o primeiro a dar o exemplo prontificando-se a assinar o abaixo assinado.
Para mais informações sobre o Movimento:
http://defesadopontal.blogspot.com/
http://namb-ualg.blogspot.com/
Redacção e Fotografia de Pedro Abrantes (Namb).
Nota: É com muito gosto que divulgamos o MDP. Podem contar com todo o apoio do Macloulé para tão nobre causa.