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Sábado, Agosto 16, 2008

Declarações políticas preocupantes...

Vale das Rãs - Loulé a crescer em São Clemente

Não devemos deixar alastrar a comunidade cigana...

"(...) vou mais uma vez alertar essas entidades para que nos preocupemos porque há aqui essa comunidade cigana a que eu me refiro...ainda é pequena. Não devemos deixar alastrá-la."
Presidente da Junta de Freguesia de São Clemente in Loulé TV.

http://www.louletv.pt/ Consultar vídeo sobre o progresso que chegou à freguesia.

A eterna história dos ciganos em Portugal.

Para quando a miscigenação social e cultural reconhecida politicamente nas cidades que habitamos? Não se aprende com as Quintas das Fontes? Qual a composição social das populações que vão morar no Vale das Rãs?

Para onde vão as populações que não têm acesso a estas zonas residenciais? Isto tem alguma coisa que ver com as políticas do preço e dos usos do solo e com as políticas de habitação? Como se formam os concentrados de problemas sociais em determinados territórios das cidades?

Como se impede e com base em que princípios constitucionais o "alastramento" de uma qualquer comunidade?

Sexta-feira, Agosto 15, 2008

Conspiração na Blogosfera Louletana...

Eu sei quem ela é...

Teoria da conspiração - é uma teoria que supõe que um grupo de conspiradores está envolvido num plano e suprimiu a maior parte das provas desse mesmo plano e do seu envolvimento nele. O plano pode ser qualquer coisa, desde a manipulação de governos, economias ou sistemas legais até à ocultação de informações científicas importantes ou assassinato.

No passado, foram identificadas e provadas várias conspirações, e é natural que todos os dias tenham lugar centenas de conspirações de maior ou menor importância. Por isso, mesmo que não existam provas, qualquer pessoa pode lançar uma teoria que se baseia em factos que nem ela própria conhece.

Uma vez demonstrada, uma conspiração deixa de ser uma teoria. Assim, as teorias da conspiração estão necessariamente por confirmar. Muitas vezes, essas teorias são defendidas por pessoas que acreditam em determinadas conclusões que não podem provar e usam pois uma teoria da conspiração para prová-las — segundo eles, os autores da conspiração ocultam sempre as provas.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Teoria_da_conspira%C3%A7%C3%A3o

Quem está por detrás do Quiosque da Camila? Eu aposto no senhor do meio...

Quinta-feira, Agosto 14, 2008

Para mais tarde recordar: A volta ao pé da porta...

Volta a Portugal em Bicicleta

Loulé, 14 de Agosto de 2008

A fuga...


O Pelotão persegue os fugitivos...


Um carro vassoura pós-moderno...


A etapa, com início em Portimão e final em Beja foi ganha pelo italiano Danilo Napolitano da Lampre.

Quarta-feira, Agosto 13, 2008

Pequim 2008: Acima de todas as medalhas...

O momento mais alto dos Jogos de Beijing...



"Se o mundo tirasse lições do que eu fiz, não haveria mais guerras."

"Nós realmente deveríamos parar de nos curvar diante de guerras pagas, uns contra os outros."
Salukvadze, atleta da Georgia.

A guerra é entre os políticos...os povos sempre se deram bem. A guerra não é entre os povos, disse uma das atletas medalhadas...

O petróleo, o gás natural, as condutas que ali passam estrateticamente por fora do território russo e a afirmação da Russia no cenário internacional.

A guerra...essa instituição perene...

Milhares de mortos e centenas de milhares de refugiados foram apenas e mais uma vez "danos colaterais" aos olhos dos senhores do mundo e da guerra. Males necessários, dizem, à continuação da política por outros meios.

Terça-feira, Agosto 12, 2008

Do urbanismo despolitizado...

A cidade é de todos...

"O urbanismo no seu sentido mais amplo é uma actividade eminentemente democrática que remete para as escolhas políticas informadas, para o debate e a confrontação entre diferentes projectos políticos sobre a pólis, para a existência de cidadãos activos e informados com vontade de participar e de agir em defesa dos seus interesses individuais ou de grupo. No urbanismo o que se deve valorizar é a confrontação, a discussão, o debate, a validação de hipóteses e a sua rejeição, a oposição entre os contrários, a escolha e a decisão democráticas.

Não estamos perante uma actividade neutra ou asséptica servida por um tecnicismo iluminado, de preferência com a chancela universitária, capaz de garantir por si só a qualidade da «nossa» política por oposição a uma «outra» política.
O debate urbanístico, sendo o tempo por excelência do debate democrático sobre o futuro da pólis, é o tempo por excelência da democracia participativa, o tempo da recusa do determinismo fatalista na construção do nosso futuro.

Percebe-se com facilidade que num país em que o debate político está marcado pelo fatalismo, pela política do «tem que ser», do «não pode ser de outra maneira», do «é a globalização», o debate urbanístico tenha estiolado e não tenha passado de um nível incipiente. Percebe-se, por isso, que cada vez mais as soluções sobre política urbanística sejam servidas aos cidadãos já «prontas», poupando-lhes o incómodo da participação.

Numa sociedade em que o poder representativo se sente ameaçado pelo poder participativo, em que o poder político idealiza o cidadão como alguém que não participa, não opina, não luta, não se manifesta, o debate e a prática urbanísticas tendem a definhar. Abundam por aí processos de revisão dos instrumentos de planeamento urbanísticos muito «participativos», abertos à «discussão e à participação de todos» mas que se organizam ao longo de estreitos carreiros em torno da «ideia única», em que as conclusões precedem o debate e nos quais a prévia discussão sobre os caminhos já percorridos são encarados como actividades hostis e por isso simplesmente eliminadas.

O debate urbanístico tem hoje um único campo de desenvolvimento aceitável pelo poder político dominante ao nível central ou local, seja ele qual for: despolitizar-se porque, pasme-se, a política é assumida como uma actividade impura capaz de contaminar a pólis.

O tecnicismo dominante, cuja maior expressão já não é apenas o pequeno conjunto dos que fazem as leis mas também o pequeno grupo, quase omnipresente, dos que põem e dispõem sobre estratégias e modelos de desenvolvimento e de financiamento, transmite-nos a ideia de que as escolhas feitas, e a fazer, não têm qualquer relação com os projectos políticos em presença e são do domínio do inevitável."

Das políticas urbanas por José Carlos Guinote
in http://pt.mondediplo.com/spip.php?article213

PS: Sugere-se a leitura integral do artigo na última edição do Le Monde Diplomatique.


Segunda-feira, Agosto 11, 2008

Memória Ambiental da Cidade de Loulé: Descubra as diferenças...

E o vírus espalhou-se pela cidade...

Loulé, Julho de 2008

Travessa João A. Ribeiro




Loulé, Agosto de 2008


A quem estariam a incomodar agora as pobres árvores?

Desta vez, provavelmente, obra de um privado. Está no seu direito, pois claro. Mas quando os exemplos não abundam, o que dizer depois destas situações?

Foi uma criança de três anos que me chamou a atenção para o abate...

Domingo, Agosto 10, 2008

Memória Ambiental da Cidade de Loulé: Descubra as diferenças...

Avenida das árvores abatidas em Loulé

Primavera de 2008


Verão de 2008

Rua das Lojas em Faro

Campanha de sensibilização para a importância da floresta.

A «Tree Parade» é organizada pela Direcção-Geral dos Recursos Florestais em colaboração com a Direcção-Geral de Inovação e Desenvolvimento Curricular, tutelada pelo Ministério da Educação, e inclui-se na campanha de sensibilização para as problemáticas ambientais e de prevenção de incêndios «Portugal sem Fogos Depende de Todos».

Sábado, Agosto 09, 2008

Leituras...

A Arte da Guerra de SUN TZU

"Apenas se ataca uma cidade fortificada quando não há alternativa, pois são necessários pelo menos três meses para preparar grandes escudos e carros, aprontar armas e equipamentos adequados, e mais três meses para erguer rampas de terra contra as muralhas. O general, incapaz de conter a impaciência, ordenará aos seus soldados que trepem pelas muralhas como formigas, pelo que uma terça parte do exército será morta sem que se conquiste a cidade. Tal é a calamidade que resulta do ataque a uma cidade fortificada."

In A Arte da Guerra, SUN TZU, pág. 31-32.

Sun Tzu, foi um profundo conhecedor das manobras militares e escreveu A ARTE DA GUERRA, ensinando estratégias de combate e táticas de guerra. Súdito do rei da província de Wu, viveu em turbulenta época dos Estados guerreiros na China, há 2.500 anos e era um filósofo-estrategista que comandou e venceu muitas batalhas. Com inteligência e argumentos muito racionais, o autor expôs a importância da obediência, disciplina, planeamento e motivação das tropas. É uma obra original e valiosa porque é considerado o mais antigo tratado de guerra e hoje parece destinada a secundar a guerra das empresas no mundo dos negócios. A lição que se tira da obra é que a primeira batalha que devemos travar é contra nós mesmos. Para atingir uma meta, o autor ensina, que é necessário agir em conjunto, conhecer o ambiente de acção, o obstáculo a ser vencido e, é claro, conhecer os seus próprios pontos fortes e pontos fracos. A grande sabedoria é obter do adversário tudo o que desejar, transformando os seus actos em benefícios.



A cultura popular brilha em São Sebastião

Cante Andarilho ao vivo no Largo de São Francisco

Brilhante concerto de música tradicional portuguesa. É riquíssimo o património da música popular que abunda um pouco por todas as regiões do nosso país. A cultura musical massificada que colhe a preferência das nossas rádios e televisões não dá o devido valor a grupos musicais de um valor inestimável para as culturas locais.

Muito boa esta iniciativa local de levar a animação e a cultura às populações que não têm oportunidade de pagar o preço dos bilhetes dos espectáculos do programa Allgarve. O acesso à cultura é ao fim e ao cabo uma das condições de base da democratização da sociedade.

Agradece-se a boa iniciativa.

Quinta-feira, Agosto 07, 2008

Do Cimento Sobre o Mar: Perspectivas...

Praia de Quarteira

Agosto de 2008


Do betão para o mar...


Nota: Clique em cima da imagem para ampliar a mesma.

Do mar para para o betão...

Nota: Clique em cima da imagem para ampliar a mesma.

Perspectiva - É um aspecto da percepção visual do espaço e dos objectos nele contidos pelo olho humano. Depende de um determinado ponto de vista e das condições do observador. A perspectiva, neste caso, corresponde a como o ser humano apreende visualmente o seu ambiente, sendo confundida com a ilusão de óptica. Vem do latim spec, que significa visão.

A ideia básica que une os significados da palavra perspectiva é o de que a experiência humana é relativizada de acordo com o ponto de vista de onde ela é vivenciada.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Perspectiva


Quarta-feira, Agosto 06, 2008

Cinco dias e cinco noites à espera da Primeira Infância

À espera da Primeira Infância...


Há poucas semanas atrás o jornal O Louletano resolveu sair para a rua e mostrar que as notícias não são só feitas da reprodução das versões oficialmente instituídas pelos poderes dominantes e foi entrevistar uma mãe que tinha estado nas célebres filas de cinco dias e cinco noites na Casa da Primeira Infância.

Após uma magnifica maratona, que supera em temporalidade, quaisquer das maratonas de futebol de salão organizadas no nosso pequeno reino de taifa, o que aconteceu a esta mãe e ao seu pequeno rebento? Quais foram ao fim e ao cabo os resultados da espera? Não entrou. E não entrando o seu querido filho, foi a mãe querer saber das razões de tal selecção, uma vez que até era das primeiras da lista.

Pois é. Ficámos a saber através desta boa reportagem do jornal O Louletano (aproveito para dizer, que isto sim, é bom jornalismo) que a criança foi penalizada na ordenação da lista porque a sua mãe estava desempregada e um dos critérios penalizadores é precisamente este.

Ficamos então a saber que se a mãe está desempregada é porque pode cuidar do seu filho em casa, ora tomem lá que já almoçaram, e se pode cuidar do seu filho em casa então irá certamente continuar desempregada. É a chamada dupla descriminação cujo efeito perverso é então o circulo vicioso do desemprego.

Fiquei a saber também, este ano, que a minha criança, na escola onde a matriculei, na minha área de residência (vale sempre a pena esclarecer, não é) não entrou no pré-escolar e que entraram sessenta e nove crianças este ano, estando sessenta e oito já à sua frente na lista do próximo ano lectivo.

Será que este regabofe é para continuar durante muito mais tempo? É que é por aqui que as famílias agradeciam o apoio do Estado e das autarquias. Ou não será assim?

Terça-feira, Agosto 05, 2008

Das viaturas pesadas pelas artérias da cidade

Loulé, 05 de Agosto 2008

Largo de São Francisco

Na hora do embate

Nota: Clique em cima da imagem para ampliar a mesma.

Assinale a resposta correcta:

1. Camionista descontente com o governo local decide bloquear saída a sul de Loulé no Largo de São Francisco.

2. As ruas da vila de Loulé não foram pensadas para o trânsito de pesados da cidade de Loulé.

3. Novo método de demolição do património arquitectónico do Largo de São Francisco.

Obrigado.

Segunda-feira, Agosto 04, 2008

Do Desperdício Energético: Descubra as Diferenças

Loulé Julho de 2008

Parque Municipal de Loulé

Fim de tarde



Nota: Clique em cima da imagem para ampliar a mesma.

Início da noite


Assinale a resposta correcta:

1. O parque às escuras deveria ter as luzes apagadas.

2. O parque de dia e de noite deveria ter as luzes acesas.

3. Enquanto não anoitecesse não se deveria ligar as luzes do parque.

Obrigado.

Domingo, Agosto 03, 2008

Alice na Cidade das Maravilhas

Manuela espanta a crise

Noite de verão esplendida. Caras bonitas e sorridentes circulando junto às árvores abatidas. Muita gente para ver e ser vista. Organização do evento muito profissional. Carros bem cuidados. Música e muita animação e da Alice no País das Maravilhas um único carro com a Manuela à espreita da queda de Sócrates. A satira política é sempre bem vinda e faz parte da História do Carnaval de Loulé, sendo mesmo uma das suas marcas distintivas.

Numa sociedade altamente despolitizada e indiferente às coisas da política, brincar com a política, sem a instrumentalizar politicamente, é algo sempre bem vindo na prática da cidadania de uma quaisquer cidade do país ou do mundo. Ao fim e ao cabo é isso que fez o sucesso do Gato Fedorento.

Outra coisa completamente diferente é uma Câmara Municipal organizadora de um determinado evento nomear como tema central do Carnaval de Verão a crise que atravessa o país e procurar retirar daí dividendos políticos.

É que a crise é internacional, é óbvio. A crise é também de governação nacional, é óbvio, isso mesmo veio dizer o FMI. Mas a crise é também local. Isso é óbvio. E é uma grave crise de falta de ideias.

Que o digam os pequenos comerciantes com tantos dias negros e apenas uma noite branca e que o digam todos aqueles que viram no abate de árvores na Avenida José da Costa Mealha um desperdício de dinheiros públicos que tanta falta fariam ao investimento nas verdadeiras necessidades da vida dos cidadãos de Loulé.

São apenas dois exemplos de crise de imaginação política local entre muitos outros que aqui poderiam ser inventariados.

Para quando um Carnaval com o lema central "Alice na Cidade das Maravilhas"?

Aqui fica o site do anúncio da crise para que cada um tire as suas conclusões:
http://www.cm-loule.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=3080

Sábado, Agosto 02, 2008

Do modelo de desenvolvimento do litoral transposto para o interior

Denúncia feita pela Almargem

Principal aquífero do Algarve ameaçado por um campo de golfe e um empreendimento para 1700 camas

"O principal aquífero do Algarve (Querença-Silves) corre "sérios riscos" de contaminação, por via da construção do empreendimento turístico da Quinta da Ombria, um complexo constituído por um campo de golfe, hotel de cinco estrelas, vivendas e apartamentos com 1700 camas. A denúncia foi feita ontem pela associação ambientalista Almargem, depois de uma visita ao local, para assinalar o dia Nacional da Conservação da Natureza.

Os ecologistas continuam com dúvidas sobre as consequências da Declaração de Impacto Ambiental (DIA), já assinada pelo Ministério do Ambiente, que viabiliza este projecto de uma empresa finlandesa para a zona do barrocal do concelho de Loulé. Luís Brás, dirigente da Almargem, considera que as dúvidas levantadas em 2004 em Bruxelas, a partir de uma queixa da Liga de Protecção da Natureza, não estão esclarecidas.

Em consequência desse processo, que ainda não foi encerrado, "o Estado português foi solicitado pela Comunidade a prestar esclarecimentos, mas nós consideramos que apenas houve uma tentativa de branqueamento da situação". A DIA assinada no ano passado, garantem os ambientalistas, continua a não salvaguardar os valores da natureza. "O empreendimento vai ter um grande impacto, directo e indirecto, sobre o sítio classificado da fonte da Benémola, e o principal aquífero do Algarve, com a construção de um campo de golfe em cima, não está salvaguardado", afirmam.

Os protestos dos ecologistas levaram, em 2007, a uma alteração do projecto, que obrigou a afastar o campo de golfe e os núcleos turísticos das zonas mais sensíveis do ponto de vista ambiental. A Almargem entende, contudo, que essas alterações são insuficientes para preservar o aquífero .

O parecer técnico que levou o ministério do Ambiente a viabilizar o projecto, há oito anos, diz João Santos - outro dos dirigentes da Almargem - "assenta no principio de que o aquífero só existe na zona do barrocal e não dos terrenos de aluvião junto à ribeira, onde se pretende construir o golfe". "Temos para apresentar em Bruxelas uma informação técnica exactamente em sentido oposto", sublinhou. "

in http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1336844&idCanal=59

Declarações políticas que já ouvi: Pois...compreendo os ambientalistas...têm o direito de contestar...vamos ver os resultados do recurso...apesar de compreendê-los não concordo com eles... claro...isso dos PIN é coisa do Sócrates...eu compreendo...

Será esta ideia de transportar o fracassado modelo de "desenvolvimento" do litoral para o interior coisa boa para a região Algarve?

PS: Os reforços a bold são de minha autoria.

Sexta-feira, Agosto 01, 2008

Memória Ambiental da Cidade de Loulé: Avenida das Árvores Abatidas

Memória das árvores abatidas...

Nota: Clique em cima da foto para ampliar a imagem.

Árvores do Alentejo

Horas mortas… Curvada aos pés do Monte
A planície é um brasido… e, torturadas,
As árvores sangrentas, revoltadas,
Gritam a Deus a bênção duma fonte!

E quando, manhã alta, o sol posponte
A oiro a giesta, a arder, pelas estradas,
Esfíngicas, recortam desgrenhadas
Os trágicos perfis no horizonte!

Árvores! Corações, almas que choram,
Almas iguais à minha, almas que imploram
Em vão remédio para tanta mágoa!

Árvores! Não choreis! Olhai e vede:
- Também ando a gritar, morta de sede,
Pedindo a Deus a minha gota de água!

Poema de Florbela Espanca

Quinta-feira, Julho 31, 2008

No Tempo da Velha Senhora: Proibido Massagens na Praia

Das massagens na praia...

...sabemos como é que começa...



...nunca sabemos como é que acaba...



Os novos empresários da moral para além de lhes repugnar as massagens na praia também proibiram o poluente Wind Surf na Ria Formosa...dos PIN é que nem uma palavra...

Consulte a notícia aqui
http://www.correiodamanha.xl.pt/noticia.aspx?channelid=00000021-0000-0000-0000-000000000021&contentid=FB63FF70-E5B0-4F91-ACF5-30BF71E41F03

Quarta-feira, Julho 30, 2008

O ethos ambiental do ministro do Ministério do Ambiente

Foto: Construção a poucas dezenas de metros das dunas - Concelho de Loulé.

Clique em cima da foto para ampliar a imagem.

Há poucos anos atrás o presidente da Associação Nacional dos Munícipios disse em voz alta aquilo que pensam quase todos os autarcas das paróquias de Portugal. Sugeriu Fernando Ruas que "se corresse com os fiscais do ambiente à paulada".

Desta vez, foi o invisivel e transparente Ministro do Ministério do Ambiente (há que distinguir entre Ministro do Ambiente e Ministro do Ministério do Ambiente), numa entrevista histórica ao Expresso de 26 de Julho de 2008:

Diz o Ministro PIN, de seu nome Francisco Nunes Correia,

"Por vezes, as associações ambientalistas usam tácticas que infundem terror às populações e por isso prestam um mau serviço ao país (...)"

"(...) tenho o maior respeito pelos ambientalistas. As associações colocam-se mais do lado do problema do que do lado da solução".

Nunca, em tempo algum, o ataque despudorado às já frágeis associações ambientais em Portugal tinha partido do próprio Ministro do Ministério do Ambiente.

Viva aos PIN, viva às Quintas das Ombrias, viva a construção em cima das dunas, vivam os russos que querem construir dentro da Ria Formosa, viva o Ministro PIN.

Pode consultar a entrevista em:
http://aeiou.semanal.expresso.pt/1caderno/pais.asp?edition=1865&articleid=ES298167

Terça-feira, Julho 29, 2008

J'accuse: O Algarve saqueado... sem pudor e sem vergonha

Foto: Construção a poucos metros das dunas - Concelho de Loulé

Magnífico texto de Miguel Sousa Tavares no Expresso de 26 de Julho de 2008 sobre a vergonha em que se tornou o (des) ordenamento do território do Algarve.

"(...) Mas foi Lagos, claro, a primordial e mais duradoura das minhas paixões. Tudo o que eu possa escrever sobre a fantástica beleza da cidade caiada de branco, com ruas habitadas por burros e polvos secando ao sol pregados aos muros, uma gente feita de dignidade e delicadeza, praias como nenhumas outras em lado algum do mundo, a terra vermelha, pintada de figueiras e alfarrobeiras, prolongando-se até às falésias que ficavam douradas ao pôr-do-sol, enquanto as traineiras passavam ao largo em direcção aos seus campos de pesca nocturnos, tudo isso parece hoje demasiadamente belo para que alguém possa simplesmente acreditar. Se eu contasse, diriam que menti - e eu próprio, olhando hoje Lagos, também acho que seguramente foi mentira. A partir de Lagos, fui descobrindo todo o barlavento algarvio, cuja luz é tão suave que parece suspensa, como se não fizesse parte do próprio ar. Descobri a solidão agreste de Sagres, onde se ia aos percebes ou apenas olhar o mar do Cabo de S. Vicente, na fortaleza, que era rude como o vento e o mar de Sagres, e hoje é uma casamata de betão que, ao que parece, se destina a homenagear a moderna arquitectura portuguesa. Descobri o charme antiquado da Praia da Rocha, onde se ia à noite ver as meninas de Portimão, ou o "souk" em cascata de Albufeira, onde se ia ver as inglesas e dançar no Sete e Meio. E descobri outras terras de pescadores e veraneantes, como Armação de Pêra ou Carvoeiro, praias de areia grossa e mar transparente como eu gosto, cigarras gritando de calor nas arribas, polvos tentando amedrontar-me quando os olhava debaixo de água. Não vale a pena contar. Quem teve a sorte de viver, sabe do que falo; quem não viveu, não consegue sequer imaginar. Porque esse Sul que chegava a parecer irreal de tão belo, esse litoral alentejano e algarvio, não é hoje mais do que uma paisagem vergonhosamente prostituída. Sim, sim, eu sei: o desenvolvimento, o turismo, a balança comercial, os legítimos anseios das populações locais, essa extraordinária conquista de Abril que é o poder local. Eu sei, escusam de me dizer outra vez, porque eu já conheço de cor todas as razões e justificações. Não impede: prostituíram tudo, sacrificaram tudo ao dinheiro, à ganância e à construção civil. E não era preciso tanto nem tão horrível. Podiam, de facto, ter escolhido ter menos turistas em vez de quererem albergar todos os selvagens da Europa, que nem sequer justificam em receitas os danos que em seu nome foram causados. Podiam ter construído com regras e planeamento e um mínimo de bom gosto. Podiam ter percebido que a qualidade de vida e a beleza daquelas terras garantiam trezentos anos de prosperidade, em vez de trinta de lucros a qualquer preço. E todos os anos, por esta altura, percorrendo estas terras que guardo na memória como a mais incurável das feridas, faço-me a mesma pergunta: Porquê? Porquê tanta devastação, tanto horror, tanta construção, tanta estupidez? Tanto prédio estilo-Brandoa, tanto guindaste, tanto barulho de obras eternas, tanta rotunda, tanta 'escultura' do primo do cunhado do presidente da câmara, e sempre as mesmas estradas, os mesmos (isto é, nenhuns) lugares de estacionamento, os mesmos (isto é, nenhuns) espaços verdes? Não, nem mesmo o mais incompetente dos autarcas pode olhar para aquilo e não entender a monumental obra de exaltação da estupidez humana que está à vista. Não, não é apenas incompetência, nem mau gosto levado ao extremo, nem simples estupidez. Em muitos e muitos casos a razão pela qual o litoral alentejano e o barlavento algarvio foram saqueados, sem pudor nem vergonha, tem apenas um nome: corrupção. Acuso essa exaltante conquista de Abril, que é o poder local, de ter destruído, por ganância dos seus eleitos, todo ou quase todo o litoral português. Acuso agora José Sócrates de não ter tido a coragem política de cumprir uma das promessas do seu programa eleitoral, que era a de progressivamente financiar as autarquias a partir do Orçamento do Estado, em exclusivo, deixando de lhes permitir financiarem-se também com as receitas locais do imobiliário - deste modo impedindo que quem mais construção autoriza, mais receitas tenha. Acuso o Governo de José Sócrates de ter feito pior ainda, inventando essa coisa nefasta dos projectos PIN (de interesse nacional!), ao abrigo dos quais é o Governo Central que vem autorizando megaconstruções que as próprias autarquias acham de mais. Acuso esta gente que só sabe governar para eleições, que não tem sequer amor algum à terra que os viu nascer, que enche a boca de palavrões tais como "preservação do ambiente" e "crescimento sustentado" e que não é mais do que baba nas suas bocas, de serem os piores inimigos que o país tem. Gente que não ama Portugal, que não respeita o que herdou, que não tem vergonha do que vai deixar. Eu sei que não serve de nada. Ando a escrever isto há trinta anos, em batalhas sucessivamente perdidas - ontem por uma praia, hoje por um rio, amanhã por uma lagoa. E lembro-me sempre da frase recente de um autarca algarvio contemplando a beleza ainda preservada da Ria de Alvor e sonhando com a sua urbanização: "A natureza também tem de nos dar alguma coisa em troca!". Está tudo dito e não adianta dizer mais nada. Acordo às oito da manhã destas férias algarvias, longamente suspiradas, com o ruído de chapas onduladas desabando, martelos industriais batendo no betão e um pequeno exército de romenos e ucranianos construindo mais um projecto PIN numa paisagem outrora oficialmente protegida. "É o progresso!", suspiro para mim mesmo, tentando em vão voltar a adormecer. Sim, o progresso cresce por todos os lados, sem tempo a perder, sem lugar para hesitações, como um susto. Tenho saudades, sim, dos sustos que os polvos me pregavam no silêncio do fundo do mar. E tenho saudades de muitas outras coisas, como o polvo do mar. Sim, eu sei: estou a ficar velho."

Crónica do Expresso de 26 de Julho de 2008

A vergonha continua...

Ps: Agradeço ao Jorge a chamada de atenção para a publicação desta crónica no Expresso.

Segunda-feira, Julho 28, 2008

Novamente os PIN: Esses magníficos Planos de Ocupação da Orla Costeira

O Litoral a Saque



Fonte: Foto copiada do blogue A Defesa de Faro

Notícia de hoje do Jornal Público

Russos investem 50 milhões em terrenos da zona de Faro onde não se pode construir

"Os 529 hectares foram adquiridos através da compra de três off shores. Em princípio, nem uma casa lá poderá ser construída, mas os investidores esperam contornar esse obstáculo.

As últimas parcelas de terreno ainda não urbanizadas entre a Quinta do Lago e o aeroporto de Faro estão a ser disputadas a preços especulativos no mercado internacional. Em princípio, os promotores imobiliários pouco ou nada lá poderão construir, mas a lei contempla excepções que alimentam expectativas.

Na perspectiva de vir a desenvolver e ver aprovado um Projecto de Potencial Interesse Nacional (PIN), uma empresa de capitais russos adquiriu nas últimas semanas, por mais de 50 milhões de euros, 529 hectares de pinhal nessa zona, em áreas do pré-parque e do Parque Natural da Ria Formosa.
Os promotores russos compraram uma faixa do litoral que se estende do mar até quase à EN 125, nos concelhos de Faro e Loulé e nas imediações da Quinta do Ludo. Através de um escritório de advogados de Londres, os investidores adquiriram três empresas off-shore que ali detinham outras tantas parcelas, num total de 529 hectares.

Os anteriores proprietários tentaram, ao longo de seis ou sete anos, desenvolver nesses espaços um projecto de turismo residencial e de golfe, mas nunca o conseguiram.

O presidente da Câmara de Faro, José Apolinário (PS), questionado pelo PÚBLICO, admite que possa vir a surgir naquela zona um projecto PIN, que permita ultrapassar as actuais restrições à construção, "desde que seja de interesse concelhio e compatível com a defesa dos valores ambientais em presença". No entanto, diz-se intransigente na defesa da criação de "um parque ambiental no Pontal", um espaço florestal vizinho onde, na semana passada, teve lugar a Concentração Internacional de Motos.

De acordo com o projecto do Plano de Ordenamento do Parque Natural da Ria Formosa, que aguarda aprovação na Secretaria de Estado do Ambiente há mais de seis meses, a zona em causa será "interdita à construção". No quadro legislativo ainda em vigor, há, porém, a possibilidade de urbanizar até três por cento da área, embora com muitas restrições.

Do ponto de vista ambiental, uma das condicionantes à construção na zona é a defesa de uma planta em vias de extinção - a tuberária major, uma herbácea também conhecida como Alcar-do-Algarve. No entanto, já foi aceite uma excepção, e há negócios feitos na perspectiva de que outras possam vir a existir. No ano passado, também junto à Quinta do Lago, foi autorizada a urbanização de um terreno florestal, graças à aprovação de um PIN. Para que ali fosse construído um resort com a marca Hilton, o Governo mandou suspender o Plano Director Municipal de Loulé na área do empreendimento.

Através desta medida, o terreno em causa, com a área de 6,2 hectares, sofreu uma valorização superior a 30 milhões de euros, tendo como referência os valores praticados nos vizinhos Vale do Lobo e Quinta do Lago.
Por outro lado, com a recente entrada em vigor do novo Plano Regional de Ordenamento de Território do Algarve, foram introduzidas novas restrições à construção, sobretudo nas pequenas parcelas, o que tem levado os proprietários a juntar parcelas para atrair o interesse dos grandes grupos. É o que está a acontecer com a entrada de capitais do Leste na zona da Quinta do Lago.

O ministro do Ambiente, Nunes Correia, tem afirmado que a atribuição aos projectos da classificação de Potencial Interesse Nacional não os dispensa do cumprimento das leis do ordenamento. Mas, como os chamados direitos adquiridos têm uma forte presença nos negócios imobiliários do Algarve, há sempre quem esteja disposto a investir e a ficar à espera de uma boa oportunidade.
Os capitais vindos de Leste parecem estar a liderar este tipo de operações. O dinheiro, geralmente, tem apenas o rosto de um escritório de advogados, não chegando a ser conhecida a sua real proveniência."
Público, 28.07.2008, por Idálio Revez

O país está a saque. Agora, primeiro compra-se o terreno (mesmo que seja reserva ecológica nacional) e depois é só tratar de "contornar os obstáculos". A maior parte dos políticos, esses, mais não passam do que meros instrumentos ao serviço dos grandes interesses do capital. E que jeito lhes dá...

Afinal, João Cravinho depois não dá lições a ninguém não é?

Começo a sentir enjoos desta forma de fazer política e regionalização nem quero ouvir falar nela.

Convençam-me do contrário...