quarta-feira, junho 30, 2010

O Grande Irmão e as Liberdades Individuais

1. Não deixa de ser paradoxal que na era dos indivíduos, da valorização das liberdades, das autonomias e das subjectividades, os governos e os políticos procurem desesperadamente controlar um pouco à maneira estalinista as populações e cada uma das pessoas individualmente. A introdução de chips nas matriculas dos automóveis é só mais uma dessas ansiosas tentativas de controlar o "povo", violando de forma abusiva e grosseira o direito à privacidade e às liberdades individuais. A pulsão controleira da gente que nos governa é directamente proporcional à sua incapacidade de bem governar. A indiferença democrática à introdução deste tipo de medidas fará com que um dia já não se saiba bem o que é a democracia.

2. Interessante o caso da intervenção do Estado na PT através do recurso Golden Share. A questão é muito simples. Se está em causa o interesse público, então a PT deve ser nacionalizada. Ponto final. Se não está em causa o interesse público, ela deve ser totalmente privatizada e o Estado não tem, nem deve ingerir nas oportunidades de mercado. O que não se pode ter é o melhor dos dois mundos. Empresa maioritariamente de capitais privados com recursos minoritários do Estado a servir de protecção, a alguns, nas apostas de mercado. Mas é do governo de Sócrates que falamos. E se é assim então estamos falados. Os neoliberais do culto do mercado entregue a si próprio e da demonização do Estado, adoram andar de mão estendida face ao Estado, para melhor competirem no mercado. É o neoliberalismo de mão estendida. E depois corta-se no subsídio dos desempregados e nas prestações sociais. Viva o socialismo capitalista de Estado.

Pausa Musical

Sintomas de Sentido Único

Encerramento de urgências em Almodôvar. Megaagrupamentos escolares que impessoalizam a relação pedagógica. Petição contra o encerramento da Biblioteca Nacional nos próximos meses. A cultura contraída pelos ainda mais míseros investimentos. Cinema que não vai para a frente porque não há dinheiro. Teatro a sentir cortes nos apoios. O que discutem os políticos? O aumento dos encargos para os indivíduos e as famílias através do pagamento das scuts. Já agora, será o PIB do concelho uma unidade de medida justa para selecionar quem paga e quem não paga portagem? Pensava eu que em todos os concelhos havia ricos e pobres. Pensava eu. Desculpem lá, devo estar enganado.

terça-feira, junho 29, 2010

MED: Um Evento de Excelência



Garanto-vos que se não tivesse trabalho, mulher e filhos, não perderia uma noite do festival MED. Assim, restou o Sábado das 22h à 1h da manhã de Domingo, o que já deu para sentir o festival. A zona histórica de Loulé estava a pedir que a mente que criou o festival imaginasse a simbiose que ali acontece. Música de excelente qualidade, boa organização, bonito o património arquitectónico e histórico enquadrador do cenário social, boa gastronomia, salutar convívio e gente bonita. Tudo se conjuga no resultado final de um evento de excelência. Uma das zonas mais pobres da cidade há alguns anos atrás, a que circunda o largo da Matriz, local onde nasci, transforma-se durante quatro dias, num evento de luxo da pequena e media burguesia local, algarvia e com uns pozinhos de atractividade da pequena burguesia nacional e internacional. A CML está pois de parabéns. E a organização também. Estas coisas custam muito dinheiro, mas dão muito trabalho...

domingo, junho 27, 2010

G 20: A Concertação Global do Capital



27 de Junho de 2010. Os vinte países mais poderosos do mundo reuniram e concertaram-se quanto às medidas de austeridade. A prioridade é a redução dos défices públicos até 2013 e a senhora Merkel já veio dizer que se acabaram os "estimulos" à economia porque já se viu que isso só trouxe consigo o endividamento das nações. O que nos espera resulta pois do caminho que foi já há muito decidido. Ataque aos desempregados, hoje considerados inúteis face às necessidades do sistema capitalista. O exército de reserva atingiu proporções inimagináveis e torna inúteis uma boa parte dos que a ele pertencem. O sistema vive e convive bem sem esta fracção sem eira nem beira. Medidas racistas do ponto de vista social, de diminuição dos apoios aos mais pobres e desfavorecidos. Ataque brutal aos sistemas de saúde público, educação e protecção social. Ao mesmo tempo a mão direita do Estado exige a eliminação das escórias sociais. Mais sistemas de vigilância. Maiores financiamentos para o controlo policial dos mais pobres. Investimento a crescer em segurança pública e privada. Entretanto, os media passam imagens da população contestatária e descontextualizam as imagens da realidade que passam, ficando a ideia de que tudo não passa de um bando de arruaceiros destruíndo montras por tudo e por nada e sem motivo que oriente as suas acções. Tudo se passa como se todos os que contestam se reduzissem aos radicais que as imagens privilegiam. O futuro nada augura de bom. Um fantasma percorre toda a Europa. Banqueiros, agiotas, homens da bolsa, accionistas das grandes multinacionais, grandes gestores do sector privado e do sector público, homens de negócios de todos os tipos e tecnocratas políticos da vida airada, uniram-se, para depenar uma boa parte da população mundial. Um fantasma percorre a Europa. O fantasma do capital. Marx errou nas previsões. A consciência de classe, afinal, era mais fácil de formar, do outro lado da barricada.

sexta-feira, junho 25, 2010

Verdes Anos



O postal ilustrado é copiado do blogue Louletania, do Palma e o seu post é maravilhoso. Só posso tirar uma conclusão, à luz dos acontecimentos em torno dos abates de árvores, nos últimos anos, no concelho de Loulé. Os homens e mulheres de hoje são "modernos". Os homens e mulheres de "ontem" podiam não ser modernos aos olhos do que isso significa hoje, mas eram sem "sombra" de dúvida, muito mais inteligentes...

Ver aqui o post original, com a devida vénia...
http://www.louletania.com/?p=724

quinta-feira, junho 24, 2010

É o Capital, Estúpido!

"As medidas de austeridade em curso por toda a União Europeia, mas com especial violência nas suas periferias, põem em causa a recuperação económica, aumentam o desemprego, aprofundam a fractura social e não resolvem, longe disso, o problema dos desequilíbrios nas relações económicas entre países com profundos desníveis de desenvolvimento.

A crise estimula toda uma narrativa preconceituosa sobre as origens dos problemas europeus, misturando moralismo com uns pós de psicologia dos povos, que nas mãos menos subtis se transformam em xenofobia aberta: há uma grande economia competitiva - a alemã -, composta por uma força de trabalho produtiva e disciplinada e por uma população que partilha as virtudes burguesas da poupança e da disciplina orçamental.

Esta narrativa destina-se a esconder as estruturas e as políticas que são responsáveis pelo desastre europeu em curso. A competitividade alemã foi nos últimos anos conseguida graças à imposição de uma duradoura compressão do poder de compra dos salários, que cresceram muito abaixo do medíocre crescimento da sua produtividade (inferior ao dos países da periferia, na realidade).

Esta aposta da burguesia alemã gerou brutais excedentes comerciais, mas comprimiu o mercado interno alemão e foi responsável por níveis de crescimento económico decepcionantes. É isto que explica que a Alemanha também tenha violado o "estúpido" Pacto de Estabilidade e Crescimento que o governo alemão pretende agora irracionalmente reforçar. A economia social de mercado alemã é cada vez menos social e isso vê-se nas estatísticas da pobreza e das desigualdades.

Os excedentes alemães foram canalizados pelos bancos germânicos para especulação no mercado habitacional dos EUA ou para a bolha imobiliária em Espanha e financiaram, de forma mais geral, os défices em países como Portugal. Uma estrutura produtiva frágil não aguentou a abertura irrestrita às forças do mercado global, num quadro de moeda forte e com a economia alemã apostada em comprimir a sua procura interna. A receita alemã da compressão salarial, injusta e contraproducente numa economia avançada com salários mais elevados e um Estado social apesar de tudo mais forte, nunca poderia ser aplicada em Portugal, dados os níveis salariais baixos num país dos mais desiguais da UE.

A política alemã enfrenta uma contradição insanável: salvar os seus bancos impondo um brutal ajustamento estrutural na periferia, ao mesmo tempo que pretende continuar um modelo exportador que requer défices comerciais nestes países. Esta jogada alemã é arriscada e irrealista. A perspectiva de uma década de deterioração económica na periferia, garantida por uma política económica errada, cria as condições para o fim de um euro que tão bem tem servido a burguesia financeira e industrial alemã..."

João Rodrigues
Economista e co-autor do blogue Ladrões de Bicicletas

Ver aqui o original: http://www.ionline.pt/conteudo/65522-desuniao-europeia

quarta-feira, junho 23, 2010

Anti-Depressivo Nacional



Anti-depressivo nacional e já agora pessoal. Só se dá sete no mundial uma vez na vida. Tenho cá para mim que o triângulo que dá consistência aquele meio campo é mesmo aquele: Pedro Mendes, Raul Meireles e Tiago. Com Deco, um deles salta e Tiago tem que recuar. E Tiago parece-me ser, neste momento, a pedra chave naquele meio campo, naquela posição...

segunda-feira, junho 21, 2010

A Pequenez de Um Presidente

Quem cumpre as suas funções a mais não é obrigado. Assim se explicou Cavaco e Silva. Até porque um Chefe de Estado não se comporta como os amigos e os conhecidos. E ele até nunca teve o priivilégio de privar com Saramago. Cavaco estava de férias nos Açores e a Constituição da República garante que o presidente deve fazer férias até ao fim. Cavaco não fez mais do que isso. Cumprir um direito que a constituição lhe conferiu. A névoa ficará para sempre no ar. As especulações tudo podem agora permitir. A Igreja já não gostou da homologação do casamento das pessoas do mesmo sexo. A sua presença seria sentida pelos Policarpos deste mundo como um sacrilégio que o Papa não poderia jamais suportar. A pequenez do pequeno burguês saído da província algarvia nunca chegará à dimensão do pequeno burguês saído da aldeia de Azinhaga. Ao não comparecer no funeral de Saramago, justificando-o com as formalidades legalistas, Cavaco mostrou o quanto está nos antípodas da dimensão que se exige a um grande chefe de Estado. À morte de um sábio com uma estatura do tamanho do mundo, Cavaco e Silva, respondeu com a pequenez, daquela careca de doutor, que como em qualquer porcaria, poisa uma mosca sem valor. No fundo, nós compreendêmo-lo, senhor presidente. Quando se refugia, seja lá no sinistro Pulo do Lobo, ou no paraíso dos Açores, o país pára e o Presidente Cavaco transforma-se, apenas e só, no esposo de Maria.

domingo, junho 20, 2010

A Morte De Um Sábio

O homem mais sábio que conheci em toda a minha vida não sabia ler nem escrever. Às quatro da madrugada, quando a promessa de um novo dia ainda vinha em terras de França, levantava-se da enxerga e saía para o campo, levando ao pasto a meia dúzia de porcas de cuja fertilidade se alimentavam ele e a mulher. Viviam desta escassez os meus avós maternos, da pequena criação de porcos que, depois do desmame, eram vendidos aos vizinhos da aldeia. Azinhaga de seu nome, na província do Ribatejo.

Discurso de José Saramago, na Academia Sueca, a quando da entrega do Nobel da Literatura.

Ver mais aqui:
http://www.brunocattoni.com/saramago.asp

sexta-feira, junho 18, 2010

As Intermitências da Morte

Quem é grande assim, nunca morre. Trata-se apenas de uma mera intermitência na eternidade da sua vida. Saramago não era um mero escritor, a sua escrita ia muito além do homem do miradouro. Para Saramago, escrever, era agir sobre o mundo. Neste sentido, Saramago era o anti-homem do miradouro. A minha modesta homenagem a um homem de tão grande dimensão.

quinta-feira, junho 17, 2010

Contra o Racismo Social Governativo

O corte esta semana anunciado nos apoios sociais aos mais desfavorecidos é, não só imoral, indecente e inaceitável, como revelador do racismo social governativo em relação aos mais pobres. Depois de "todos" termos contribuído para "salvar" o mundo financeiro (mais valia ter-se deixado os bancos irem logo na altura à falência) agora o racismo social governativo pede que "todos" salvem o "país" da crise. O governo económico da deusa Europa, hoje anunciado, mais não passa do que de uma forma de vigilância apertada das medidas "restritivas" tão do agrado dos neoliberais. Sócrates apressou-se a sublinhar que a deusa Europa agora já tem uma "estratégia". O que quer dizer que reconheceu publicamente que a de Lisboa estava errada. Tudo o que vem de "gente grande" Sócrates assina por baixo de olhos vendados. Para mim, não há nada de novo. O que há de novo é que o doente não vai morrer da doença. Ele vai é morrer da cura. É que a receita que levou à Grande Crise é a mesma que está a ser aplicada, em maior dose agora, como remédio. Aproveita-se a crise para fazer aquilo que não se conseguiu fazer de ânimo leve, antes da crise. Reduzir direitos sociais e naturalizar o retrocesso social civilizacional. É a grande calhandrice.

Chegou-me aos ouvidos que o meu filho mais velho poderá não entrar na escola pública da sua área de residência, por causa do fecho de algumas escolas do interior do concelho de Loulé, inserido isto na "estratégia" socratina de fechar cegamente escolas com menos de vinte alunos e de criar mega agrupamentos escolares. Com os socratinistas é tudo em grande. Já a quando do infantário e da creche, tive que "escolher" o sector privado, porque não havia lugar no sistema público para colocar o meu filho. Desta vez prometo greve de fome em frente à escola. Entretanto, o génio do dr. Emídio vai construíndo passeios e destruíndo as àrvores da cidade. É difícil, assim, ser português.

Prognósticos Só No Fim do Jogo



Até agora vi um jogo e metade de outro. Não tem dado para mais. O resto do que vi são pequenos resumos e golos. Do que vi, já me apercebi que quem tem Messi tem tudo. Não fosse Messi a reencarnação de Diego Armando Maradona. Vamos a ver é se Messi dá para tudo. Depois já vi que a Alemanha está de volta aos seus bons velhos tempos. Força, eficácia e poder. O Brasil quando menos se espera tira um coelho da cartola e faz Dunga ganhar ao povo brasileiro. Candidato é candidato. Ponto final. Portugal, voltou aos tempos do sofrimento até ao final da épopeia. Os tempos do Portugal dos pequeninos descomplexado face aos grandes, já lá foi. Já não há Figo e Rui Costa. Cristiano Ronaldo, ao fim e ao cabo ainda é uma criança. Vamos a ver o que vai dar. Do que mostrou não dá, para já, para grandes expectativas. Eu desta vez aposto na Alemanha. Mas como disse o grande João Pinto, prognósticos só no fim do jogo...

terça-feira, junho 15, 2010

T de Taxado, de Tacho e de Tachinho



Fiquei a saber esta tarde, da pior maneira, que Loulé já tem a sua empresa fiscalizadora de parquímetros e tive a porra do azar de estacionar junto dum parquímetro que habitualmente está avariado. A genialidade do dr. Emídio cria estas coisas, em prole certamente do desenvolvimento económico e "social". Em nome da transparência da gestão autárquica podiam os senhores deputados municipais esclarecer os seus munícipes, se esta "empresa", que nos vai certamente salvar da crise, é privada, é mista, é pública e se serve para alguma coisa que a CML pudesse não fazer?

A Arte da Bola



Descobri esta relíquia numa visita ao blogue Arrastão do Daniel Oliveira. O futebol afinal pode ser uma forma de arte. Se o documentário em si é um hino ao futebol, o carisma dos protagonistas fala por si só. Trata-se do mundial de 1982 em Espanha comentado por Sean Connery. Se o futebol de hoje é mais rápido, mais agressivo, mais tático, mais científico, mais racionalizado; o futebol dos anos 80 era a arte por excelência. Diego Armando Maradona, o maior de sempre; Osvaldo Ardiles, o marabilista; Sócrates, o pensador; Zico, sem palavras; Falcão, a personalidade; Branco, o pé canhão; Platini, o génio, Tigana, o construtor; Giresse, o artista; Karl-Heiz Rummennige (de quem tive o privilégio de ter como adversário directo num Louletano-Sion da Suiça num jogo a feijões), a eficácia, Paulo Rossi, a seta apontada à baliza; Bruno Conti, pé esquerdo mágico, Boniek, o comando do jogo; Blokin; o desiquilibrador, Roger Milla, o tanque; e tantos outros que marcaram o contexto da época. Em Portugal, por essa época, jogavam: Néne, Carlos Manuel, Fernando Gomes, Rui Jordão; Sousa, Jaime Pacheco, Humberto Coelho, Chalana, Manuel Bento, Manuel Fernandes, Vitor Damas. Desculpem lá a nostalgia, mas arte no futebol, foi a dessa geração. Hoje a fruta é de outro tipo. Menos arte e mais potência. Os génios contam-se pelos dedos de uma mão. Vale a pena ver todos os vídeos no youtube. Se não acreditam que genialidade era nessa época, vejam com os vossos próprios olhos.

segunda-feira, junho 14, 2010

Exposição Sobre o Abate de Árvores no Concelho de Loulé



É sempre motivo de orgulho citadino quando a nossa autarquia é distinguida por implementar no concelho boas práticas ambientais. Infelizmente, levanto aqui a hipótese do abate e das podas das árvores não fazerem parte da bateria de indicadores ambientais avaliados. A ser avaliado este aspecto, é óbvio que se trataria de um indicador negativo diluído entre os positivos na análise global. A questão central aqui é que as árvores de uma cidade não podem ser tratadas como um mero indicador estatístico para inglês ver...elas são vida e é de vida que se trata.

sábado, junho 12, 2010

A Alquimia da Transformação da Vítima em Culpado

"Quem trabalha paga mais impostos e quem não quer trabalhar recebe mais subsídios" afirmou recentemente Paulo Portas. É esta imagem que se tem do pobre, a de alguém que não quer trabalhar?

É o estereótipo de uma certa percepção que os não pobres têm de quem é pobre. Em 2007, tinhamos uma taxa de pobreza de 18%. Imaginemos que agora temos dois milhões de pobres. Se numa população de 10 milhões dois milhões são preguiçosos, isto não é um problema social, é um problema de saúde pública. É porque há por aí alguma malária qualquer que transforma dois milhões de portugueses em preguiçosos...As pessoas quando dizem estas coisas não dão conta disto. É natural que quem receba o Rendimento Social de Inserção só sinta uma verdadeira apetência para aceitar um emprego caso o salário seja superior ao que recebe sem trabalhar. Isto é uma regra geral da economia. Os empregos que são oferecidos têm de compensar e isto leva-nos ao problema do salário minímo que é muito baixo. Nos anos 90, havia uma certa ideia de que o pobre é pobre por factores que ele não controla. Na última década, a força do neoliberalismo veio tornar a pobreza uma coisa pela qual o pobre é culpabilizado. Houve uma evolução para pior: quase regressámos ao século XVIII, onde os pobres eram castigados.

Alfredo Bruto da Costa, Presidente da Comissão Nacional Justiça e Paz, coordenador do estudo "Um olhar sobre a pobreza", em entrevista ao Jornal Sol de 11 de Junho de 2010.

sexta-feira, junho 11, 2010

A Insustentável Leveza do Ser



- Talvez para ser compensado do desprezo governativo que lhe foi reservado nos últimos anos, o Algarve foi recompensado com o locus do discurso presidencial de 10 de Junho. Não vi as comemorações, nem ouvi os discursos. Dos retalhos de discurso que ouvi deu para perceber alguma coisa. Em primeiro lugar, deu para perceber que o actual Presidente da República nunca foi Primeiro Ministro de Portugal. Olha que equivocado que eu estava, a pensar que tinhamos tido dez anos de Cavaquismo.

- A dicotomia entre "povo" e quem "governa" também foi muito interessante, após 36 anos de Democracia. Vamos lá tratar bem o "povo" senão este dá paulada em "quem governa".

- Depois, deu para perceber que a "situação insustentável" de que os governos de Cavaco e Silva não têm nada que ver, é considerada abusiva, pelo óptimista Sócrates. Como sempre a comparação com o que "se passa lá fora" não pôde deixar de estar presente. A situação não é insustentável, ela é idêntica aquilo que se passa "lá no estrangeiro".

- Depois, deu também para perceber a busca da legitimação do pastoso centrão nos consensos balofos. "Todos" temos que fazer sacrifícios. Empresários e trabalhadores devem estar todos do mesmo lado. Ou esta gente nunca leu Marx, ou Marx nunca existiu. De tanto acompanhar a carreira mitológica de José Mourinho esta gente pensa em gerir o país como se gere uma equipa de futebol. E pluribus unum.

- Depois ainda, Alegre já entrou no discurso do faz de conta. O que Alegre ainda não percebeu é que ao socratinizar o seu discurso faz com que quem o admirava anteriormente lhe perca agora o respeito. A não ser que Alegre queira ganhar eleições com o eleitorado da direita.

- Por último, é sempre giro ver na TV, o povo bem engravatado vaiar Sócrates e endeusar Cavaco. É que este povo engravatado, para além de português, é louletano e isso por si só já faz ganhar Cavaco.

quinta-feira, junho 10, 2010

Ideologia e Aparelhos Ideológicos do Estado

Postagem após postagem...o disfarce é óbvio. Sobre A Voz dos Outros a voz do dono...

Ver aqui: http://asvozesdosoutros.blogspot.com/

Os fiéis do regime

...o barco afunda mas as convições mantêm-se...fiéis ao salvador da pátria...determinado...sempre...em que época é que já vi isto...amanhã começa o mundial. Portugal é o maior...

Ver aqui os comentários:
http://ssebastiao.wordpress.com/2010/06/08/o-homem-do-leme/#comments

quarta-feira, junho 09, 2010

Mais Olhos Que Barriga



O tempo perguntou ao tempo quanto tempo o tempo tem. O tempo respondeu ao tempo que o tempo tem tanto tempo quanto tempo o tempo tem.

Sem tempo. Com falta de tempo. A correr contra o tempo. Desesperadamente à procura de tempo. Compro tempo. Viver sem tempo. Porque não há tempo...de viver a vida...com tempo. O tempo que no fim não vale nada.

domingo, junho 06, 2010

Cabo das Tormentas ou Cabo da Boa Esperança?



Competição curta. Tudo cabe no jogo das probabilidades. Começar bem dá potência. Começar mal pode ser fatal. De toda a forma, ganha de certeza o governo de Sócrates que pode respirar um pouco da invisibilidade da crise, secundarizada pelos media, com o enfoque no Mundial. A seguir, as férias dos políticos batem à porta e daqui a alguns meses a direita (a direita que é mesmo de direita) chega ao poder. A teoria dos ovos no mesmo cesto já teve mais longe de acontecer. De toda a forma, cabe-me relembrar que este não é um blogue de Astrologia. Nem eu sou o Zandiga, nem tenho aspirações a tal. Seja o que Deus quiser. Imagens lindas da África do Sul.

Notas de Rodapé sobre Esquizofrenia Política

Nota 1: À Segunda, Quarta e Sexta, Manuel Alegre sairá com Louçã, a gritar contra Sócrates e contra as políticas que o partido que se diz socialista propõe à direita. Às Terças e Quintas, sairá com Sócrates, a bater em Cavaco e Silva e a dizer que afinal Sócrates até é porreiro pá. Aos Sábados e Domingos, juntam-se os três para almoçar e jantar com o objectivo de combinar a estratégia política de não haver maneira de se encontrarem durante os dias da semana. Se isto não é esquizófrenia política, não sei o que será.

Nota 2: Pedro Passos Coelho, o Sócrates II, descobriu o remédio para a crise. Flexibilizar as leis do trabalho. O mesmo é dizer, facilitar os despedimentos, e criar as condições para amedrontar ainda mais os pobres trabalhadores já amedrontados. A relação de causalidade entre flexibilização das leis laborais e crescimento da economia e criação de emprego foi encontrada no último Tango em Paris. E depois de se comprovar, que havia uma relação directa e unicausal, entre a rigídez do mercado de trabalho e das leis laborais nos EUA e no Reino Unido, com a crise económica dos respectivos países e com o despedimento em massa. Suspeito que esta cura, mais não fará, do que contribuir para acelerar, a morte do doente. Vou ali à praia de Quarteira dar um mergulho na Bola Nívea, volto já.

sexta-feira, junho 04, 2010

Turismo Petrolífero



Depois de acontecer, não há ciência e tecnologia que nos valha. Neste tipo de decisões o maior conselheiro é o princípio da precaução. Infelizmente, o que há mais por aí, é gente com poder de decisão, que se apoia no princípio da irresponsabilidade. Estou mesmo a ver o filme publicitário. Visite o Algarve. A mais bela plataforma petrolífera do mediterrâneo. Sol, praia, mar e petróleo. E assim se aposta na diversificação da actividade turística.

Patchouly



Bom final de semana para todos!

quarta-feira, junho 02, 2010

Escola Laica?



A imagem em cima mostra o lançamento da primeira pedra da Escola EB 1 e Jardim de Infância da Fonte Santa, na freguesia de Quarteira no concelho de Loulé. A Ministra da Educação faz sentido. O Presidente e o Vice da Câmara Municipal de Loulé faz sentido. O Director Regional da Educação faz sentido. Mas que raio faz ali o padre?

E se Cristo descesse à Terra...

"O primeiro ministro, José Sócrates, afirmou hoje que a subida do desemprego em Portugal acompanha «a subida do desemprego na Europa» e que o Governo olha para «alguns sinais positivos» de «inversão dessa tendência».
http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=453362

terça-feira, junho 01, 2010

E Pluribus Unum

Hoje a caminho do trabalho ia a ouvir um programa de rádio na Antena Um, onde o Carlos Andrade abre a antena aos ouvintes que participam em directo. O tema em discussão girava em torno da situação do país e do lugar de Portugal na Europa. Não sei se escolheram os participantes a dedo, mas enjoei a ouvir discursos futebolísticos do género: "Temos que remar todos para o mesmo lado"; "Todos temos que colaborar com o governo no combate à crise", "Pagar sempre pagámos, então só temos que fazer mais um esforço para ajudar o país". Mudei a frequência e sintonizei uma boa música latino-americana. Depois pensei nos gregos e no canídeo contestatário...e depois lembrei-me que Portugal não é a Grécia...

O Governo Paternalista do Dr. Emídio e a Oposição que precisa de lembrar que o é

Copiado daqui: http://hortense-morgado.blogs.sapo.pt/13192.html

O QUE É A OPOSIÇÃO

A propósito dum reparo do presidente
na Reunião de Câmara de 26 de Maio



Pela segunda vez, o senhor presidente, Dr. Seruca Emídio, critica a forma como os vereadores da oposição exercem o seu mandato. Da primeira vez, observou ao meu colega Luís Oliveira que o papel do vereador não é o de "fiscal". Agora, afirmou que por eu “andar à procura de pequenas coisas” [pequenas no seu entender, é claro] isso denuncia “existir alguma deformação na função de vereador”. Lamento ver-me obrigada a chamar a atenção do senhor presidente para o que diz claramente a Lei nº. 24/98 de 26 de Maio - Estatuto da Oposição:

Artigo 2º

1 – Entende-se por oposição a actividade de acompanhamento, fiscalização e crítica das orientações políticas do Governo ou dos órgãos executivos das regiões autónomas e das autarquias locais de natureza representativa.
2 – O direito de oposição integra os direitos, poderes e prerrogativas previstos na Constituição e na Lei.
Artigo 3º

2 – São também titulares do direito de oposição os partidos políticos representados nas câmaras municipais, desde que nenhum dos seus representantes assuma pelouros, poderes delegados ou outras formas de responsabilidade directa e imediata pelo exercício de funções executivas.
Como se pode ler na Lei 24/98, em nenhum local esta confere ao presidente do executivo de qualquer órgão político o direito de definir as regras de actuação dos membros da oposição.

A oposição rege-se, acima de tudo, pelos direitos consagrados na Constituição da República Portuguesa e pelo teor desta lei.

É o que tenho feito e continuarei a fazer e, para tal, tenho o mandato que foi conferido ao Partido Socialista nas eleições locais de 2009.

Sem que me coíba de assinalar o que entendo estar bem feito, continuarei a acompanhar, fiscalizar e criticar o que entenda dever fazer.

De resto, não tenho memória de que, enquanto foi vereador da oposição, o actual presidente da Câmara Municipal de Loulé desenvolvesse o seu mandato a evitar críticas e reparos, ou a louvar os actos do então presidente, Joaquim Vairinhos…