sábado, outubro 31, 2009

Fragmentos de Vida



Sete horas da manhã de Segunda-feira, apanho o Alfa Pendular para Lisboa. Algures na planície Alentejana, o comboio parou. Uma voz anúncia: " Senhores Passageiros, por motivos de avaria de um comboio de mercadorias, vamos ter que aguardar que se resolva o problema. Está previsto a resolução do problema para daqui aproximadamente quarenta e cinco minutos. Se o problema não se resolver poremos autocarros à vossa disposição". Lá fui eu, num velho autocarro da rodoviária, para a Gare do Oriente. Tinha previsto chegar às dez da manhã ao destino. Cheguei quase três horas depois.

O que vale é que desta vez não tinha encontro marcado. Para azar meu, num país em que a pontualidade é qualquer coisa de geometria variável, quem me espera é muito (e bem) British. A "normalidade" da construção social dos atrasos tão tipíca dos portugueses não dá para pôr aqui a funcionar. Eu penso, que o meu parceiro pensa, que eu penso, que ele pensa, que ambos vamos chegar um "pouquinho" atrasados. Não, aqui é mesmo para chegar a horas. A felicidade, que habitualmente resulta, do atraso de ambos, não é aqui aplicável.


Resultado disso, hoje fui para Lisboa no autocarro das duas da manhã. No Vale do Paraíso é onde todo o sofrimento começa. Desta vez cheguei com cinco horas de "avanço". Para surpresa minha, o autocarro chegou quase meia hora antes. Azar dos diabos. Desta vez, queria mesmo, era sofrer, a dormir, ao sabor do movimento do autocarro.

As viagens chamam-nos sempre a atenção para a vitalidade da vida social. Tudo é movimento. Uns chegam. Outros partem. Outros cruzam olhares de curiosidade. Outros evitam-se. Alguns temem-se. Todos circulam. Ficar quieto é perder a possibilidade de observar uma boa parte do movimento.

Há dias, dava comigo a pensar, que seria um inferno, para mim, ser motorista da rodoviária. Sempre em movimento, com a responsabilidade, de nada deixar parar. Tempos depois, espantava-me, com a "profissão" de empregado de bar do comboio. Aqui não é só o estar sempre em movimento. É a responsabilidade pela manutenção do equilíbrio em movimento. Se dúvido que algum dia aguentasse tanto movimento, talvez me fosse mesmo impossível aguentar o equilíbrio.

Desta vez cheguei ao "Oriente" de Lisboa e vi gente (quase uma dezena) que procurava repousar do movimento. Ali mesmo, no local de "paragem" dos autocarros. Perto de dez sem-abrigo, deitados ao frio e ao relento, sem um tecto que os abrigasse da dureza da vida. Sem abrigo, todo o regresso ao movimento, é provável, que seja mais sofrido. A minha deslocação levava-me até ali, até ao testemunho directo dos destroços do capitalismo.
Quem não aguenta o movimento passa a ser lixo, ou a viver no lixo. O lixo é aquilo que não tem lugar na vida social. As impurezas são para varrer para debaixo do tapete da vida de todos os dias. E se incomódas de mais, são mesmo para eliminar. Longe da vista, longe do coração.

Ao mesmo tempo, no "intervalo" da sua viagem, mesmo à minha frente, uma adulta, ainda adolescente, ligava-se ao mundo através da internet; e mesmo ali parada, libertava-se do espaço e do tempo, que habitualmente nos prende ao local de onde sempre se encontra o nosso corpo. Ali sentada à minha frente, mas com a mente noutro "lugar".

Dei comigo a pensar que o caminhante, talvez seja aquele, que melhor pode compreender, o mundo à sua volta. Ao levantar do Sol, fui "apanhar" o metro. Neste momento em que escrevo, teclo do computador do "ninho" doméstico. O "voltar" para casa é o voltar para o "aconchego" protector.

sexta-feira, outubro 30, 2009

quinta-feira, outubro 29, 2009

Diminuir as diferenças de partida para igualizar as oportunidades sociais

O texto é de João Cardoso Rosas, publicado no "i" de hoje, 29 de Outubro de 2009. Excelente reflexão sobre o assunto...

"O novo governo elegeu a justiça social como uma das suas prioridades. Isso é uma boa notícia. Mas é também necessário pensar sobre o real significado desse propósito. Nisto, como noutras coisas, creio que existe uma divisão entre a esquerda e a direita. Para a esquerda, a justiça social implica maior igualdade de oportunidades e redução das desigualdades sociais medidas pelo índice de Gini. A direita não pensa exactamente da mesma forma. Esta considera que é importante promover a igualdade de oportunidades, mas não costuma prestar grande atenção à diminuição das desigualdades sociais (apenas à assistência aos muito pobres - o que é diferente). Para a direita, a igualdade de oportunidades é importante, mas não a igualdade de resultados. A disjunção entre igualdade de oportunidades e de resultados é atraente porque corresponde à visão do senso comum. Tendemos a pensar que se deve ensinar a pescar em vez de oferecer o peixe. O importante é que cada um tenha oportunidade de pescar, embora uns possam obter melhores pescarias do que outros. Mas será que esta disjunção é conceptualmente satisfatória? Vejamos. Aquilo a que chamamos "igualdade de oportunidades" requer, em primeiro lugar, a ideia de "abertura das carreiras às competências", isto é, a não-discriminação em função das hierarquias sociais, da raça, do sexo, etc. Em segundo lugar, a igualdade de oportunidades, para ser substantiva e não meramente formal, implica o efectivo acesso de todos, inclusive dos mais desfavorecidos, à educação e formação profissional e a cuidados de saúde básicos. Até aqui não fugimos da intuição do senso comum: uma igualdade de oportunidades ao mesmo tempo formal e substantiva é uma forma de "ensinar a pescar" e não de "oferecer o peixe".
Mas será que pode existir uma verdadeira igualdade de oportunidades numa sociedade que seja profundamente desigual em termos de rendimento e riqueza?

Claro que não. Os mais favorecidos estarão sempre numa posição privilegiada para aceder a mais oportunidades - educativas e outras - para si mesmos e para os seus filhos. Portanto, o aprofundamento da igualdade de oportunidades implica sempre a diminuição da desigualdade social medida pelo índice de Gini. Não basta ensinar a pescar. Para que as oportunidades sejam verdadeiramente iguais é também necessário que não haja uma grande disparidade entre os recursos de que dispõem os diversos pescadores - o peixe que cada um tem à partida e serve de isco, por assim dizer. O tema da igualdade de oportunidades e a sua relação com outros aspectos da igualdade social estará em discussão a partir de hoje e até sábado na Biblioteca Nacional, numa conferência internacional organizada em conjunto pela Universidade do Minho e pela Universidade Nova de Lisboa. O tema é complexo. Para além dos aspectos meramente conceptuais, será necessário explorar as suas muitas ramificações com a economia, os sistemas de saúde, a escola e a família."


Professor universitário de Teoria Política

quarta-feira, outubro 28, 2009

Da Liberdade de Imprensa ou da Falta Dela



Ora aqui está uma pesada herança do governo de Sócrates. Afinal, a tese da "asfixia democrática" parece que sempre faz sentido...

Ver aqui:
http://www.jornaldigital.com/noticias.php?noticia=19847

"Portugal caiu 14 lugares no ranking de países que respeitam a liberdade de imprensa. Descendo pelo segundo ano consecutivo, partilha a 30ª posição com o Mali e a Costa Rica. Em contrapartida, o Brasil e Moçambique sobem no ranking. Pelo segundo ano consecutivo, Portugal desce no ranking dos países que mais respeitam a liberdade de imprensa. Em 2007 desceu 8 pontos, passando do 8º país do mundo onde mais se respeitava a liberdade nos meios de comunicação social para o 16º. Este ano, segundo análise feita pelos Repórteres sem Fronteiras (RsF), Portugal desce do 16º para o 30º lugar, ficando a par com o Mali e Costa Rica."

terça-feira, outubro 27, 2009

Do Desemprego No Algarve

Desemprego 'dispara' de novo no Algarve

"O número de desempregados inscritos nos centros de emprego do Algarve registou um aumento de 88,2 por cento, face ao mesmo mês de 2008, sendo esta a região com a maior subida do país. De acordo com os dados divulgados pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP), o Algarve tinha, no final de Setembro, mais 8.306 inscritos do que há um ano atrás, totalizando os 17.721 indivíduos. Em relação ao mês de Agosto, o Algarve registou um acréscimo de 6,6 por cento no número de desempregados, que era de 16.617. O aumento homólogo do desemprego foi observado em todas as regiões do país, destacando-se, além do Algarve, a subida na Madeira, de 54,3 por cento, para 12.625 inscritos, e nos Açores, de 51,8 por cento, para 4.744 pessoas. No Norte, a região do país que concentra o maior número de desempregados (44,7 por cento), o número de inscritos nos centros de emprego subiu 27,4 por cento para 228.318. Em Lisboa e Vale do Tejo, onde se localizam 29,6 por cento do número de inscritos, existiam, no final de Setembro, um total de 150.838 pessoas desempregadas (mais 28,5 por cento em termos homólogos). No Alentejo, o número de desempregados inscritos subiu 25,4 por cento, para 22.250 pessoas face ao mesmo mês de 2008, enquanto que no Centro aumentou 22,7 por cento, para 73.860 inscritos."


in http://www.observatoriodoalgarve.com/cna/noticias_ver.asp?noticia=32621

Essa coisa dos Ambientalistas que só atrapalha o crescimento

Ver aqui: http://calcadaodequarteira.blogspot.com/2009/10/cidade-lacustre-em-controversia.html

Quem quer RAN ou REN quando se tem PIN? O saque ao território nacional continua. Ninguém tem aqui nada contra a criação de riqueza, pois ela tem que ser criada, para ser distribuída de forma o menos injusta possível. Mas será que tem que ser sempre à custa do património natural da humanidade? Parabéns mais uma vez à Almargem, que tem mostrado uma intervenção civíca activa, extremamente salutar.

domingo, outubro 25, 2009

Imagens das Terras de Loulé

Quarteira, 25 de Outubro de 2009



Pedra Filosofal

Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer,
como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso,
como este ribeiro manso
em serenos sobressaltos,
como estes pinheiros altos
que em verde e oiro se agitam,
como estas aves que gritam
em bebedeiras de azul.

eles não sabem que o sonho
é vinho, é espuma, é fermento,
bichinho álacre e sedento,
de focinho pontiagudo,
que fossa através de tudo
num perpétuo movimento.

Eles não sabem que o sonho
é tela, é cor, é pincel,
base, fuste, capitel,
arco em ogiva, vitral,
pináculo de catedral,
contraponto, sinfonia,
máscara grega, magia,
que é retorta de alquimista,
mapa do mundo distante,
rosa-dos-ventos, Infante,
caravela quinhentista,
que é cabo da Boa Esperança,
ouro, canela, marfim,
florete de espadachim,
bastidor, passo de dança,
Colombina e Arlequim,
passarola voadora,
pára-raios, locomotiva,
barco de proa festiva,
alto-forno, geradora,
cisão do átomo, radar,
ultra-som, televisão,
desembarque em foguetão
na superfície lunar.

Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida,
que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança.

António Gedeão

sábado, outubro 24, 2009

Ascensão e Queda do PS Loulé

Os três vereadores do PS Loulé, eleitos democraticamente pelo voto popular não se dignaram a comparecer na tomada de posse do novo executivo municipal. O PS Loulé já definhava. Agora bateu no fundo. Mas tudo tem uma História, feita de muitas e múltiplas estórias. É um pouco dessa extensa manta de retalhos que importa reflectir aqui. De 1989 a 1999, o PS dominou a vida político-partidária no concelho de Loulé. Sob a liderança de Joaquim Vairinhos, o PS encontrou e fabricou um líder forte, incontestado e de difícil substituição. Ora dizem-nos os melhores manuais de Ciência Política, que a substituição de um líder forte e carismático, pode ser de uma complexidade tal, que se esta não for bem pensada, se arrisca a criar o vazio à sua volta. De certa forma foi isso que se passou com o partido Socialista Louletano. Vairinhos pôs as suas legitimas ambições à frente dos interesses do partido local e dos interesses dos cidadãos da terra por onde foi eleito, partiu à conquista da Europa e transmitiu dinasticamente o poder ao seu "natural" sucessor Vitor Aleixo. Vitor Aleixo recebeu desta forma um presente envenenado. Não sendo legitimado pelo voto popular, teve que se submeter ao sufrágio popular em 2002, quando o Partido que governava já tinha um desgaste de mais de dez anos de governação. Começou aí a travessia no deserto. Hugo Nunes, viria, tempos depois, a assumir a liderança concelhia. Mas Hugo Nunes tinha a seu cargo uma responsabilidade demasiado pesada, numa altura em que os fiéis progressivamente iam cada um deles e quase todos em conjunto, tratar das suas vidinhas. Já não cheirava a poder. Não sendo jovem na política, pois o seu historial dentro do partido aponta para as carreiras tradicionais dos jotas, a sua relativa inexperiência e o seu fraco poder político, não lhe conferiam ainda (refiro o ainda) o capítal de prestígio e o capital político que permitisse uma efectiva reconstituição do partido como entidade orgânica viva. Depois é preciso dizer que o seu perfil de paninhos quentes também não o ajudou. Não se sabe o que pensa o Presidente do Partido, com excepção de uma ou outra entrevista dada a jornais locais, sobre a economia, sobre a sociedade, sobre a cultura, sobre o ambiente, sobre o concelho e a cidade, não se sabe nada. Um líder que não gosta de aparecer, não pode ser líder. Juntou-se a isto o facto de Hugo Nunes ser "eleito" deputado nacional no governo de Sócrates e não poder, inevitavelmente, pela própria lógica do princípio de Peter, comandar solidamente uma oposição permanente e consistente ao actual poder Louletano, simplesmente, porque não estava cá. Deixou uma imagem do partido frágil, de uma oposição passiva e nunca pareceu querer inverter tal estado de coisas. O interesse pessoal e os interesses gerais, que existem sempre nas tomadas de decisão da vida de cada um de nós parecem-me ter sido pelo Presidente da Concelhia de Loulé, de certa forma, mal geridos. Após oito anos de quase inexistente oposição, chegaram os turistas. A meia dúzia de dias das eleições legislativas, apareceu em Loulé, Joaquim Vairinhos, qual Dom Sebastião, à conquista de Loulé, numa noite de nevoeiro. Vairinhos, tenho a impressão e uma percepção geral que foi efectivamente importante para o desenvolvimento do concelho de Loulé. Mas tudo tem o seu tempo. Foi claramente uma aposta para não perder por muitos. Diga-se de passagem que também não havia grandes alternativas. A alternativa teria sido começar a construir o futuro a longo prazo aproveitando estas eleições para acumular um capital de experiência nos mais jovens uma vez que são esses que terão que, um dia, vir a ser o futuro do partido. Cálculos pessoais não permitiram que se fosse por aqui. Depois chegou Jamila Madeira. Derrotada na Europa, sua clara opção política primeira. Derrotada nas legislativas, onde não conseguiu o lugar de deputada, restava-lhe o último reduto, a conquista das Terras de Loulé. Mas a política já não pode ser feita de turistas. O eleitorado já não é maioritariamente militante. É, pelo contrário, cada vez mais exigente. E sabe fazer as devidas leituras. Assim chegamos ao dia da tomada de posse. É preciso reinventar o partido socialista em Loulé. É preciso reinventar a esquerda. E é preciso começar já ontem. É que no estado em que a coisa caiu, amanhã é demasiado tarde. A democracia louletana agradecia.

sexta-feira, outubro 23, 2009

Onde para o partido Socialista?

Começa bem a oposição Socialista em Loulé...

Deixo-vos aqui para lerem, o último post, do candidato independente António Almeida, apoiado pelo partido Socialista, na freguesia de São Sebastião, em Loulé. O blogue macloulé está totalmente em sintonia com a opinião emitida por António Almeida. Os Louletanos precisam do partido Socialista. Mas não desta maneira. Assim passa a ideia que já não há partido. Passa mais a ideia de haver, qualquer coisa como, um aproveitamento do partido.

"Maiorias e minorias representam escolhas de cidadãos; substanciam posicionamentos políticos de eleitores; traduzem o tecido social que eleitoralmente se expressou nas urnas.

Damos parabéns aos Vencedores e confirmamos a sua legitimidade para Governar a coisa pública e, do mesmo modo, reconhecemos e exigimos o exercício pleno da Oposição, enquanto vigilante avalista da Legalidade dos actos da Maioria, ou quando necessário, arauto dos seus desmandos e erros. Construímos alternativa com conhecimento das realidades!!!
É, ou deve, ser assim em Democracia! Todos os votos contam e dão legitimidade representativa às sensibilidades existentes na Sociedade!


Tudo isto para dizer que o “sebastiao” lamenta que nenhum dos eleitos pelo Partido Socialista para a Câmara Municipal de Loulé tenha comparecido à tomada de posse convocada para hoje. Por muito difícil que se advinhasse a convivência com uma maioria ufana e de “peito cheio”, mandaria a coerência com os princípios defendidos e o respeito pelos votantes que se respeitasse o sufrágio e se desse “a cara” na luta pelas causas que se defenderam na contenda eleitoral.

A menos que se esconda um “golpe de mestre” do velho “animal político”(!?). Tal, dificilmente deixaria de ser subversivo, ficando Joaquim Vairinhos e sua lista com o rótulo de cobardes e nós, que os apoiámos, cobertos de vergonha e sentindo-nos parvos ao descobrir que só a vitória interessava!"

Via: http://ssebastiao.wordpress.com/

Parque Municipal de Loulé

Loulé, 23 de Outubro de 2009



Começou a requalificação do Parque Municipal de Loulé.

quinta-feira, outubro 22, 2009

Que Deus lhe perdoe

Corriam os meados da década de 70 do século XX, quando numa manhã de Domingo, na encantadora vila de Loulé, na inocência dos meus primeiros anos de idade, desabafei, ansioso, para a minha adorada mãe, enquanto ela me vestia a "roupa de fim-de-semana" para ir à missa dominical, que nunca mais chegava o dia de eu ser "grande". Minha mãe com a perspicácia e lucidez que só as boas mães sabem ter, ouviu provavelmente com surpresa o que lhe estava a dizer, e, ao que parece, escutou também, pois de imediato me perguntou: - "E queres ser grande para quê João?" ao que lhe respondi prontamente: - "Para deixar de ir à missa". Remédio santo. A partir daquele dia abandonava a minha condição de Católico. Deus tinha morrido para mim naquele preciso dia. Em meados do século XIX, Nietzsche declarou "Deus está morto", nada mais vai ser como dantes na História da Humanidade. As legitimidades que organizam as estruturas de dominação da vida em sociedade passam agora a ser de outra ordem. Decartes salta da cartola mágica. O Homem pela razão tudo pode conhecer. É a ciencia e a técnica a chave para o progresso e para a felicidade. Marx, também ainda no século XIX, decretou: A religião é o ópio do povo. A religião é um aparelho ideológico ao serviço das estruturas de dominação social. O homem religioso é um homem alienado. Pobre, provavelmente honrado, mas explorado. A modernidade trouxe consigo a geral secularização da sociedade. Mas a religião não morreu apesar de lhe ter sido decretada por várias vezes a sua morte. Assistimos hoje ao retorno do sagrado. Deus continua vivo e bem vivo para todos os que acreditam Nele. Esta semana foi a vez de Saramago pôr em causa valores chave da fundação da civilização ocidental. Fosse eu aqui no macloulé a dizer a mesma coisa e nada passaria de "má educação". Mas foi Saramago. E Saramago é "só" hoje uma figura de proa da literatura mundial. Ele é "só" o único Nobel da literatura portuguesa. E falamos de uma das mais ricas literaturas de todo o mundo. Deus é uma criação humana, disse José Saramago: "Deus só existe na nossa cabeça, é o único lugar em que nós podemos confrontar-nos com a idéia de Deus. É isso que tenho feito, na parte que me toca". Não poderia estar mais de acordo. Esta semana fiquei também a saber que existe um euro-deputado do PSD, que se chama Mário David. Mário David está "envergonhado" com José Saramago e exortou Saramago a renunciar à nacionalidade portuguesa. Mais uma vez, a religião, como tantas outras vezes na História da Humanidade, a legitimar a exigência da expiação. Não sei nada de Mário David. Saramago eu sei que ficará inscrito na História da Humanidade. No dia que os crentes respeitem um pouco mais os não crentes e vice-versa, respeitaremos todos mais, estou convicto, a dignidade uns dos outros. É que talvez, todos "nós", espécie humana, sejamos feitos do mesmo barro.

Deus Morreu!

"Deus está morto! Deus permanece morto! E quem o matou fomos nós! Como haveremos de nos consolar, nós os algozes dos algozes? O que o mundo possuiu, até agora, de mais sagrado e mais poderoso sucumbiu exangue aos golpes das nossas lâminas. Quem nos limpará desse sangue? Qual a água que nos lavará? Que solenidades de desagravo, que jogos sagrados haveremos de inventar? A grandiosidade deste acto não será demasiada para nós? Não teremos de nos tornar nós próprios deuses, para parecermos apenas dignos dele? Nunca existiu acto mais grandioso, e, quem quer que nasça depois de nós, passará a fazer parte, mercê deste acto, de uma história superior a toda a história até hoje!"

Friedrich Nietzsche, A Gaia Ciência, 1887.

quarta-feira, outubro 21, 2009

Suicídio ou Homicídio?

Sem Comentários

Porque Incomoda Tanto a Blogosfera?

"(...) Os louletanos continuam a acreditar no nosso trabalho. Ao contrário do que se tem dito e escrito. os louletanos não vão atrás de blogues, nem de outra coisa. Os louletanos sabem reconhecer o bom trabalho. É muito positivo e esta vitória diz tudo".
Horácio Piedade, Presidente da Junta de Freguesia de São Sebastião, em declarações ao jornal O Louletano em 20 de Outubro de 2009

Que grande confusão que vai por aí, no rescaldo das eleições, entre legitimidade do voto popular e razão governativa. Valentim Loureiro tem a legitimidade do voto popular. Isaltino Morais tem a legitimidade do voto popular. Hitler foi eleito com a democraticidade do voto popular (tragédia que acabou em holocausto) . Hugo Chavez foi eleito com a legitimidade do voto popular. Isso será suficiente para a razão governativa? Porque incomoda tanto a blogosfera? Não será a blogoesfera um mero suporte mediático que dá voz aos cidadãos? A eliminação da crítica e da denúncia pública será salutar numa sociedade democrática? Não será a democracia precisamente o reino da opinião? Terão os cidadãos necessariamente de se converter em súbitos e abdicarem do seu direito de cidadania e de intervenção na esfera pública, através da palavra? Ficam as interrogações para reflexão.

Adenda: Não se está aqui a fazer, nem é essa é nossa intenção, juízos morais sobre o carácter das pessoas. Apenas se está a defender que legitimidade popular e razão governativa são coisas diferentes. E convém não misturar alhos com bugalhos. Dizer que se tem o mandato do povo e a legitimidade para exercer o poder não significa que este seja imune à crítica e muito menos que esteja a ser exercido com competência. Lamento dizer isto, e sei que vai ser muito mal aceite pelas boas almas, mas nem sempre a maioria tem razão. Afinal, Galileu Galilei, era o único que estava certo. Afinal, a Terra não era o centro do Universo. Afinal, a condenação de Galileu pela Igreja, sabe-se hoje, foi de uma tremenda injustiça.

terça-feira, outubro 20, 2009

Da Invisibilidade dos Riscos Mortais

E depois a gente morre daquelas doenças "ruins" que não se sabe como aparecem...morremos e pronto. Já está...E é sempre muito giro ver como as entidades ditas responsáveis por zelar pela saúde e bem estar das populações se apressam a fazer como Pilatos...

Ver aqui: http://ecosfera.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1405843

segunda-feira, outubro 19, 2009

A Erosão da Costa Algarvia: Lucros Privados e Gastos Públicos

Construção a escassos metros das dunas - Litoral do Concelho de Loulé


Acabo de ver na TVI 24 que a grave erosão da Costa Algarvia vai ser objecto de mitigação com o maior programa de alimentação do areal da praia jamais feito em Portugal. Concordo que alguma coisa deve ser feita para salvar as praias do Algarve, pois é disso, que afinal se trata. Mas não posso deixar de ficar com um engulho no pescoço, quando a incúria dos poderes públicos (foi de incúria que efectivamente se tratou durantes anos a fio) levou a que os interesses privados construíssem destrutivamente em cima das dunas e arribas algarvias, em alguns casos com um despudor que nos envergonha a todos, em nome dos "interesses do turismo", que na maior parte das situações, mais não foi do que satisfazer os interesses privados de alguns e agora, como aliás já esperava, é o erário público, isto é, o dinheiro de todos e cada um de "nós" (aqueles que pagam impostos) que vai suportar os lucros arrecadados com a ganância privada de alguns. E vale a pena reforçar, que com a "alimentação dos areais" o problema vai ser mitigado e nunca será efectivamente resolvido. Porque se por um lado vai haver alimentação em algumas praias, outras ficarão mais expostas à subalimentação. Este é o efeito perverso, que não é dito, nem assumido. Quando se "alimentou" o areal de Quarteira; o areal da costa de Vale do Lobo, do Cavalo Preto e do Vale do Garrão "encolheu". Concordo que se faça qualquer coisa no sentido do que está previsto ser feito. Lamento que seja o erário público a pagar para defender não só o interesse público mas muitos outros ocultos interesses privados. E talvez seja disso mesmo que trata esta intervenção dita "pública".

domingo, outubro 18, 2009

Ambiente e Poder Local no Concelho de Loulé

Erosão da Costa No Concelho de Loulé

A Associação Almargem num acto de cidadania ambiental em prole da defesa dos interesses dos cidadãos do Algarve elaborou em véspera de eleições um conjunto de questões sobre o desenvolvimento sustentável da região Algarve e enviou-as aos 70 candidatos à Presidência das Câmaras da região para que manifestassem a sua posição. Colocou quatro questões a todos os candidatos. Em Loulé também o fez. Nem o candidato do PSD, nem do PS, nem do Bloco de Esquerda, nem do CDS/PP, nem do PCP, responderam. Ficamos a saber que as questões ambientais no concelho de Loulé, para os principais partidos políticos, ou são inexistentes, ou indiferentes, ou desprezíveis, ou são mesmo um problema dos "outros". Nesta última semana, cientistas de renome mundial, avançavam com 10 anos, o limite temporal, para derreter algumas das mais importantes zonas glaciares do Pólo Norte. Uma catástrofe global. Hoje, o jornal Público divulgava que as alterações climáticas vão fazer, pura e simplesmente, desaparecer do mapa as Maldivas, entre outras zonas do globo terrestre. O presidente das Maldivas reuniu com os seus ministros no fundo do mar, a alguns metros de profundidade para que o mundo se sensibilize e ataque a sério o problema das alterações climáticas. Por cá, no Concelho de Loulé, parece que as questões ambientais não entraram ainda na agenda dos partidos. O Ricardo Tomás tem razão. Não há ambiente que resista a tanto provincianismo.

Ver aqui as perguntas da Almargem e os candidatos que se dignaram a responder: http://almargem.org/index.php?article=166&visual=2&id_area=3

Ver aqui a tese do provincianismo local: http://opinionshakers.blogspot.com/2009/10/do-provincianismo-em-portugal.html

Elevar o Gosto

Carl Orff - Carmina Burana



Boa semana para todos!

Do Vale do Paraíso às Portas do Céu

Redescobri que no Algarve, o inferno dos transportes públicos e privados, começa, quando se chega, ao Vale do Paraíso. Saída de Loulé para Lisboa. Cinco e trinta da madrugada. Passagem obrigatória por Quarteira, Vilamoura, Albufeira, Vale do Paraíso. Ao fim de uma hora de viagem pelo sempre magnífico Algarve, o autocarro arranca para Lisboa. Chegada prevista no horário oficial, nove horas e trinta minutos. Chegada ao destino às nove horas e cinquenta minutos. Cheguei atrasado ao encontro que tinha marcado para as dez horas da manhã. Volta de Lisboa para o Algarve. Paragem no Vale do Paraíso. Três horas já percorridas de viagem. Depois vem o inferno. Albufeira, Olhos de Água, Açoteias, Vilamoura, Quarteira, Loulé. Depois de uma viagem, que até se faz bem e é confortável, devido à renovada frota da Renex, é no Vale do Paraíso que se chega ao inferno. Comboio não há às horas que preciso, carro não há salário que aguente e avião é lógico que também não. Nem tudo é mau nesta história da debilidade das políticas de transportes públicos. É que se no Vale do Paraíso chego ao Inferno, ao chegar a casa esperam-me as Portas do Céu. Valha-me ao menos isso.

sábado, outubro 17, 2009

(Re) Leituras...

Um Olhar Sobre a Pobreza - Vulnerabilidade e exclusão social no Portugal contemporâneo

Alfredo Bruto da Costa

Sinopse:
Em Portugal, a pobreza continua, de modo geral, a ser entendida como fenómeno residual e periférico. Os programas de combate à pobreza têm sido, igual e maioritariamente, residuais e periféricos. São residuais, na medida em que constituem um acrescento marginal às políticas económicas e sociais; e são periféricos porque não atingem os factores estruturais que residem na sociedade dominante (mainstream society). Este é um livro sobre problemas estruturais da sociedade portuguesa. A «fragilidade» estrutural da sociedade portuguesa ressalta bem evidente no estudo longitudinal da pobreza em Portugal. Com efeito, durante pelo menos um dos anos do período entre 1995 e 2000 passaram pela pobreza 46% de portugueses. Entendem, pois, os autores que esta deve ser uma dimensão de referência de qualquer plano de combate à pobreza em Portugal, dado que este é um fenómeno seguramente mais extenso do que o retrato instantâneo captado pelas taxas de pobreza anual. Atendendo à quase manutenção ou redução diminuta da taxa de pobreza em Portugal durante as duas décadas de integração europeia, parece evidente que os consideráveis recursos públicos e privados despendidos durante esse tempo não atingiram as verdadeiras causas da pobreza. É, pois, chegado o momento de uma séria reflexão sobre o assunto. A precariedade laboral, embora factor de vulnerabilidade acrescida à pobreza, não constitui traço característico da situação laboral da grande maioria das pessoas pobres, pelo que, a este nível, as causas da pobreza devem ser procuradas em aspectos mais profundos do mercado de trabalho. Por outro lado, são fundamentais medidas decisivas e eficazes que permitam eliminar ou reduzir drasticamente a situação de pobreza dos pensionistas, que representam um terço das pessoas pobres em Portugal. O estudo põe em evidência que a pobreza, enquanto problema persistente da sociedade portuguesa, exige soluções que dependem não apenas de políticas sociais, certamente indispensáveis, mas também da política económica.
Fonte: http://www.gradiva.pt/livro.asp?L=3071

sexta-feira, outubro 16, 2009

(Re) Leituras...

Amanhã, dia 17 de Outubro, é Dia Mundial para a erradicação da pobreza. No ano em que a fome disparou exponencialmente numa boa parte das nações pobres do globo terrestre, deixo-vos uma sugestão de leitura, que de resto já aqui tinha sugerido em tempos anteriores. Cá fica novamente...

Sinopse:

Assistimos hoje a um formidável movimento de refeudalização do mundo. Na verdade, o 11 de Setembro de 2001 foi mais do que uma boa oportunidade para George W. Bush alargar o domínio mundial dos Estados Unidos: serviu mesmo para os grandes empórios transcontinentais partilharem entre si os povos do hemisfério sul. Para conseguirem impor este regime inédito de submissão dos povos aos interesses das grandes companhias privadas, há duas armas de destruição maciça que os senhores do império da vergonha sabem esgrimir de forma admirável: a dívida e a fome. Pelo endividamento, os Estados abdicam da sua soberania; pela fome que daí resulta, os povos agonizam e renunciam à liberdade. Mas quem são estes cosmocratas? – como lhes chama Jean Ziegler. São senhores que, pouco a pouco, tudo privatizam, inclusive a própria água que depois os povos terão de lhes pagar. Este livro segue a pista dos seus métodos mais dissimulados: aqui regista-se a patente da vida, ali quebram-se as resistências sindicais, além impõe-se pela força a cultura dos OGM (organismos geneticamente modificados). Sim, o império da vergonha instalou-se sub-repticiamente no planeta. Mas foi precisamente a vergonha que serviu de suporte ao impulso revolucionário de 1789. E a nova revolução está em marcha: insurreições das consciências aqui, insurreições da fome acolá. Só ela pode conduzir à refundação do direito à felicidade, uma velha questão do século XVIII.

Via: http://www.asa.pt/produtos/produto.php?id_produto=427010

Requiem Pela Camila

Requiem - Mozart



A Camila partiu. A blogoesfera louletana ficou mais pobre. Loulé fica mais amorfo. Aumenta a indiferença civíca louletana. O poder fica mais confortável. Ganha também a sociedade do respeitinho. Que descanse em paz.

Ver aqui:
http://quiosquedacamila.blogspot.com/

quinta-feira, outubro 15, 2009

Crime Contra a Humanidade

Dispara a fome no mundo:

"É mais um número, desta vez redondo: mil milhões de pessoas no planeta têm fome, mais nove por cento do que no ano passado. Visto em perspectiva, quase um sexto da população mundial. Resultado da crise? Sim, sem dúvida. Mas não só. É sobretudo resultado do fracasso das intenções mil vezes anunciadas, mas que falham por nunca alcançarem o terreno e resolverem o básico - erguer ou reerguer a agricultura em inúmeras partes do mundo.
A contabilidade era esperada. Segundo o relatório sobre a insegurança alimentar mundial, da Organização da ONU para a Agricultura e Alimentação (FAO) e do Programa Alimentar Mundial (PAM), 1,02 mil milhões de pessoas têm fome em 2009. A curva tem sido ascendente nos últimos dez anos, depois de ter decrescido na década de 80 e princípio da de 90. Já se ultrapassou, em termos absolutos, os números da fome de 1970, quando as campainhas soaram e se deu a chamada "revolução verde" que pôs a agricultura no centro das soluções."


Ver mais aqui: http://jornal.publico.clix.pt/noticia/15-10-2009/mundo-passou-o-limiar-dos-mil-milhoes-de-esfomeados-18020610.htm

quarta-feira, outubro 14, 2009

Da Mercadorização da Vida Humana

France Telecom: 24 suicídios em 18 meses

"Um trabalhador da France Telecom suicidou-se ontem devido a problemas de trabalho, elevando para 24 o número de funcionários da empresa que nos últimos 18 meses colocaram fim à própria vida.
Casado e pai de dois filhos, o homem de 51 anos deixou uma carta à família afirmando que o ambiente infernal que se vivia na empresa esteve na causa do seu suicídio. A France Telecom confirmou o suicídio do funcionário e o presidente da empresa, Didier Lombard, viajou imediatamente para Annecy, indicou o grupo. Com este suicídio sobe para 24 o número de funcionários da empresa que colocaram fim à própria vida desde Fevereiro de 2008, um comportamento que os sindicatos atribuem ao stress causado pela gestão empresarial e pelas condições de trabalho.
No início de Setembro, Lombard afirmou que a sua preocupação era acabar com a "espiral de suicídios" dentro da empresa. O presidente da France Telecom considerou necessário "sair desta situação de contágio" e com este objectivo anunciou uma série de medidas.
Entre as medidas estão o aumento do número de médicos na empresa e das equipes de recursos humanos, além da disponibilização aos funcionários de psicólogos externos, negociações com os sindicatos sobre o contrato social e uma formação profissional mais intensa para a evolução tecnológica. A France Telecom tem 100.000 funcionários em França. O Estado controla 26,7% do capital da empresa, que em 2008 registou um lucro líquido superior a quatro mil milhões de euros."

Rita Paz - Diário Económico, 29/09/09 12:30

Via http://boasociedade.blogspot.com/

terça-feira, outubro 13, 2009

Árvores de Portugal

A Associação Árvores de Portugal foi criada recentemente e tem como principal missão divul­gar, dig­ni­fi­car e pro­te­ger o patri­mó­nio arbó­reo de Por­tu­gal, com a par­ti­ci­pa­ção de todos. Fui convidado pelo Pedro Nuno Santos, um dos fundadores deste magnífico projecto, a colaborar com a associação, na divulgação de imagens e textos sobre as árvores do nosso país. Aproveito para divulgar a associação e para dar os parabéns aos seus mentores por esta brilhante iniciativa. Todos os que puderem colaborar com a associação não são demais. É o interesse público que está em jogo.

Pode visitar o blogue da Associação Árvores de Portugal aqui: http://www.arvoresdeportugal.net/

PS: Peço desculpa desde já ao Pedro, por ainda não ter colaborado com nenhum texto. Mas a responsabilidade do convite é tal e tenho tido tão pouca disponibilidade que ainda não o consegui fazer. Prometo fazê-lo em breve. Um grande abraço daqui de Loulé e muitas felicidades para o futuro da Árvores de Portugal.

Autárquicas 2009: Entre a obra e a transparência

Resultado final:

Isaltino - 5 Democracia: -0

Democracia - 5 Fátima Felgueiras -0

Avelino Ferreira Torres - 0 Democracia - 5

Valentim Loureiro - 5 Democracia - 0

Nota: Daqui a quatro anos teremos o desempate por grandes penalidades.

segunda-feira, outubro 12, 2009

Autárquicas Loulé: Impressões Digitais

O PSD ganhou as eleições autárquicas de 11 de Outubro de 2009. Nada que já não se esperasse. Na elevada taxa de reeleições que caracteriza as eleições autáquicas no nosso país, era mais que expectável a reeleição de Seruca Emídio para o seu último mandato na Câmara Municipal de Loulé. O PS ficou em segundo lugar e é o grande derrotado da noite. Piorou os seus resultados significativamente em quase todas as freguesias do concelho relativamente às eleições autárquicas de 2005. O Bloco continua a subir. Se bem que a subida não é muito expressiva, não deixa de ser significativa. Sobe em percentagem e em número de votos. Reforça a sua posição como terceira força política do Concelho. O caminho do crescimento vai ser longo. Como reconheceu Louçã, a implantação autárquica é ainda frágil e há muito trabalho pela frente. A História da democracia partidária tem aqui muito peso. O CDS/PP cresce significativamente em relação a 2005. Cresce mais que o Bloco apesar de ter obtido menos votos. O PCP-PEV teve uma ligeira quebra e é agora a quinta força política, perdendo a quarta posição para o CDS/PP. Brancos e nulos perfazem mais votos do que qualquer dos pequenos partidos. O grande vencedor da noite é Seruca Emídio. O grande derrotado da noite não me parece ser Joaquim Vairinhos, que veio numa manhã de nevoeiro, quase em vésperas de eleições, fazer uma campanha que me pareceu digna. O grande derrotado, foi sim, o PS Loulé. Durante oito anos optou por uma oposição passiva. Tudo se passou como se a ordem "natural" da substituição do poder fizesse com que as coisas, por si, um dia mudassem a cor dos Paços do Concelho. Não faz. Se o Partido Socialista não mudar de estratégia, passando de uma oposição passiva para uma oposição activa, em 2009, vai mudar a lei, mas tudo continuará na mesma. Parabéns ao candidato António Almeida que apesar do mau resultado, navegou sozinho, com mais um, ou outro vereador do partido socialista, mais polítizado e combativo, em ziguezague e à bolina. Termino este post recordando que a "obrigação" de deixar o poder daqui a quatro anos, pode levar a que se confunda a lógica das coisas, com as coisas da lógica. Nunca é demais recordar, que quem ganhou, deve governar para todos os habitantes do Concelho de Loulé e quem perdeu e fica na oposição, deve ficar mais vigilante do que nunca. E fazer uma oposição digna. Para que não se repita, este facto espantoso, de não ter havido oposição em Loulé, nestes últimos oito anos. E para que ganhe a democracia.

Ver aqui os resultados: http://www.autarquicas2009.mj.pt/#none

domingo, outubro 11, 2009

Finis Terra

Nota: Foto de Fevereiro de 2009

Intitulei pomposamente o título deste post de Finis Terra mas devia talvez ter usado a designação pós-moderna de Fim do Mundo. Contigências da vida fazem-me voltar a ir a Lisboa com frequência. Esta tarde fui à estação de Loulé com o intuito de comprar bilhetes de comboio de ida e volta. Surpresa minha. De comboio, só bilhetes de ida. Como o que vou fazer à capital começa às 18 horas e termina às 20 horas, para regressar ao Algarve só de autocarro ou de automóvel. O comboio é mais sustentável ecologicamente, mais económico e podemos sempre aproveitar o tempo para ler, trabalhar no portátil ou até dormir, coisa que o autocarro e o dispendioso carro não permitem (o autocarro poderá permitir dormir, mas ler e trabalhar, nem por isso). Como não arranjei bilhete de comboio, porque não há comboios depois das 20 horas, fui à rodoviária a Loulé para comprar bilhete de autocarro. Fechado. Só abre Segunda-feira. Lá fui comprar um bilhete de autocarro a Faro. Voltando à conversa da estação de Loulé, é visivel a olho nú que a importância que lhe tem sido atribuida pela Câmara Municipal de Loulé é directamente proporcional ao seu estado de degradação. Nem um mísera caixa de multibanco. Cartazes das campanhas dos partidos ainda vi por lá alguns. Condições dignas para os passageiros da principal estação de comboios do Loulé Concelho é que nada. Não havendo dinheiro para pagar bilhete e havendo problemas com o pagamento em rede, parece-me que aos passageiros só lhes resta ficar em terra. Aqui fica uma proposta no âmbito da democracia participativa que qualquer dia vai chegar à nossa querida Finis Terra: - Fazer chegar o comboio, não só há estação de Loulé, mas também a Loulé e a Quarteira. E apostar bem forte na ferrovia do Algarve. O seu estado é miserável. Típico de um lugar de fim do mundo. O que não dirão os turistas.

sábado, outubro 10, 2009

Elevar o Gosto

Solitude - Rodrigo Leao



Um óptimo fim de semana para todos! Lindo dia de Sol no maravilhoso Algarve...

Hope



Esta semana marcou simbolicamente a História da Humanidade. Obama foi agraciado, a 9 de Outubro de 2009, com o Prémio Nobel da Paz. Sendo o Presidente em exercício da ainda maior potência mundial, os EUA, Obama foi, justamente distinguido. Obama simboliza a esperança na política, no sentido em que é um claro defensor das mais nobres causas da humanidade. Chegou ao poder e como prometeu, começou, desde logo, a tratar de acabar com as indignas práticas de tortura levadas a cabo pelo seu maléfico antecessor. Em vez de um discurso guerreiro, introduziu um discurso de paz e de tolerância entre os povos. Apelou ao multilateralismo entre os Estados e Nações do globo terrestre, nas relações internacionais, para acabar de vez com a agressão unilateralista levada a cabo por George W. Bush na cena do palco mundial. Defende acerrimamente a necessidade de um acordo mundial para mitigar o grave problema das alterações climáticas. Defende a necessidade de acordos à escala internacional para caminhar no sentido do desarmamento nuclear. Defende um modelo social democrata de sociedade, que procura levar em conta as necessidades dos mais necessitados, que nos Estados Unidos, face ao neoliberalismo selvagem e à frágil intervenção do Estado estão entregues a si próprios. Procura fazer uma reforma da Saúde em benefício dos que não têm quaisquer direitos aos cuidados de saúde, contra uma larga parte da América conservadora, que só consegue ver, a partir do seu nariz, o seu pequeno umbigo. É um simbolo de esperança da caminhada no sentido de uma maior igualização de oportunidades sociais na questão étnica e racial. Tem o problema do Afeganistão à perna, em nome da luta ao terrorismo de que defende a necessidade, e bem, de não ignorar. Obama é um exemplo a seguir pelos políticos do lado de cá do continente. Tem uma das maiores crises de sempre para resolver dentro e fora de portas. Mas um homem só nunca poderia salvar o mundo. A instituição que atribuiu o Nobel da Paz, sai do dia de hoje, também, mais reforçada na sua credibilidade. A América de Obama abandonou o Hard Power exageradamente utilizado por Geoge W. Bush e entrou na Era do Soft Power. Dominados e dominantes haverá sempre na História da Humanidade. Mas essa dominação ganha condições para ser agora mais legitima.

sexta-feira, outubro 09, 2009

O Debate

Acabei de ouvir com alguns dias de atraso o debate realizado pela Antena 1 entre os candidatos do PSD, Seruca Emídio; do PS, Joaquim Vairinhos; do Bloco de Esquerda, Joaquim Mealha e do PC, José Coelho. Seruca Emídio não compreende a complexa realidade do Concelho que tem pela frente. Vive no mundo da Lua e de uma sociedade imaginária. Vive na sociedade do faz de conta e com uma adoração mitológica pela monocultura do turismo e por um modelo de desenvolvimento económico que aprofunda as desigualdades sociais e as assimetrias do Concelho de Loulé. O momento alto do debate foi quando Seruca Emídio diz que a Câmara Municipal de Loulé não deve criar cheches e lares da Terceira Idade, que isso seria da competência das instituições de solidariedade social. Seruca Emídio assumiu de forma clara a sua demissão face à criação de estruturas fundamentais ao desenvolvimento da qualidade de vida das populações do Concelho. Se as creches e os lares não são prioridades fundamentais para o Concelho de Loulé, imagino que o sejam o Carnaval de Loulé, a Noite Branca e a Noite das Bruxas. Teve muito bem Joaquim Vairinhos, claramente com uma visão de maior orientação estratégica para o concelho e com preocupações bem mais reais e próximas das necessidades das populações. Teve muito bem o candidato Joaquim Mealha do Bloco de Esquerda e teve uma participação muito frágil o candidato do PCP. Vairinhos é na visão de sociedade que apregoa efectivamente um verdadeiro socialista, ou um verdadeiro social-democrata, se assim o quiserem, daqueles que são, uma espécie em vias de extinção, no interior do partido socialista. Seruca Emídio faria um serviço de qualidade ao Concelho de Loulé se voltasse para o consultório médico. É que para a saúde das populações é mais importante um bom político do que um bom médico.

Para ouvir o debate procurar aqui:
http://ww1.rtp.pt/multimedia/index.php?prog=3715

quinta-feira, outubro 08, 2009

Pacific Octupus



Não sei porquê, mas a taxa de reeleição dos presidentes das Câmaras Municipais fez-me lembrar um Pacific Octupus...

Ver aqui a análise científica da coisa: http://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/1492.pdf

quarta-feira, outubro 07, 2009

11 de Outubro - Eleições Autárquicas

Dia 11 de Outubro, é altura de democratizar a frágil democracia existente no concelho de Loulé. Porque o Bloco defende uma maior fatia do orçamento para o apoio àqueles que mais precisam. Porque o Bloco defende o aprofundamento da democracia participativa através da introdução do orçamento participativo. Porque o Bloco vai com certeza ser essencial à vigilância democrática do Concelho de Loulé, o meu voto vai para o Bloco de Esquerda. Mais do mesmo não, o Bloco é opção.

Ver aqui as opções do Bloco para o futuro do Concelho de Loulé: http://loule2009.blogspot.com/

11 de Outubro - Eleições Autárquicas

Aqui fica a apresentação do candidato do PS. Para mais informação consultar: http://www.vairinhos2009.com/

e pode ver aqui um dos videos produzidos no âmbito da campanha eleitoral:

Da Ética e da Moral em Política ou da Falta Dela

Não sei se a ganância pelo poder e a política transformam as pessoas ou se elas já seriam assim. O que é facto é que esta campanha autárquica está a revelar a verdadeira faceta do candidato a Presidente da Câmara, o dr. Seruca Emídio. Parece que não contente com a instrumentalização do Centro de Ciclismo de Loulé, através do respectivo presidente e do presidente do Louletano Desportos Clube, usando e abusando dos recursos que são públicos e portanto, de todos nós, o Dr. Seruca Emídio e o PSD usam agora o dinheiro público, para numa falta de decoro que envergonha qualquer cidadão minimamente informado no concelho, lançar propaganda editorial, utilizando a Câmara Municipal, cujo superior interesse deveria defender, ao seu belo interesse e prazer, e no seu interesse pessoal e do seu partido. O Dr. Seruca Emídio já é dono do concelho de Loulé. Sem ponta de vergonha e ultrapassando todos os limites da ética e deontologia política, o PSD e o Dr. Seruca Emídio vão ganhar as eleições. Mas isto também indicia que a oposição vai ter um papel importantíssimo de vigilância do actual poder nos próximos quatro anos. Que cada um tire as suas conclusões.

terça-feira, outubro 06, 2009

Ciclistas e Votos na Autarquia Louletana

Alguém já por aí confrontou o senhor candidato à presidência da Câmara de Loulé sobre o facto do Centro de Ciclismo de Loulé estar a ser utilizado nas campanhas partidárias do PSD para conquista da autarquia louletana, quando o Centro de Ciclismo de Loulé é financiado com o dinheiro dos meus impostos?

Fonte: http://calcadaodequarteira.blogspot.com/2009/10/autarquicas-presidente-perdeu-o-decoro.html

Elevar o Gosto

Mercedes Sosa - Gracias a La Vida



Gracias a la Vida que me ha dado tanto
me dio dos luceros que cuando los abro
perfecto distingo lo negro del blanco
y en el alto cielo su fondo estrellado
y en las multitudes el hombre que yo amo.

Gracias a la vida, que me ha dado tanto
me ha dado el oido que en todo su ancho
graba noche y dia grillos y canarios
martillos, turbinas, ladridos, chubascos
y la voz tan tierna de mi bien amado.

Gracias a la Vida que me ha dado tanto
me ha dado el sonido y el abedecedario
con él las palabras que pienso y declaro
madre amigo hermano y luz alumbrando,
la ruta del alma del que estoy amando.

Gracias a la Vida que me ha dado tanto
me ha dado la marcha de mis pies cansados
con ellos anduve ciudades y charcos,
playas y desiertos montañas y llanos
y la casa tuya, tu calle y tu patio.

Gracias a la Vida que me ha dado tanto
me dio el corazón que agita su marco
cuando miro el fruto del cerebro humano,
cuando miro el bueno tan lejos del malo,
cuando miro el fondo de tus ojos claros.

Gracias a la Vida que me ha dado tanto
me ha dado la risa y me ha dado el llanto,
asi yo distingo dicha de quebranto
los dos materiales que forman mi canto
y el canto de ustedes que es el mismo canto
y el canto de todos que es mi propio canto.

Gracias a la Vida
Gracias a la Vida
Gracias a la Vida
Gracias a la Vida

11 de Outubro - Eleições Autárquicas

É a vez da apresentação neste espaço do candidato do CDS/PP.

Via: http://www.regiao-sul.pt/fichaentrevista.php?refentrevista=137

Francisco Contreiras - Empresário da Construção Civil

Francisco Contreiras nasceu na freguesia de Querença/Concelho de Loulé, em 1948. Desde 1973 que mantém a sua actividade empresarial como empresário de materiais para a construção civil (armazenista/importador) no Algarve. No plano académico, Francisco Contreiras possui o 4º ano da frequência do curso de Direito da Faculdade de Lisboa, à qual se junta ainda a frequência do curso de construção civil. No plano associativo desportivo, o candidato foi presidente da direcção do Louletano Desportos Clube, vice-presidente do Quarteira Sport Clube e ainda presidente do Concelho Técnico da Associação de Futebol do Algarve. No plano associativo empresarial foi dirigente da ACRAL, Delegação de Loulé.

Questão: - Quais as principais linhas que destaca do seu programa eleitoral?

Resposta: - O nosso programa incide em cinco grandes áreas. Educação, Segurança, Solidariedade, Saúde e Voluntariado. Concretizando cada um destes sectores vectores de actuação tenho a referir-lhe que no que respeita à educação, apostamos em mais infantários e creches públicas e apoiaremos todos os projectos privados que surgirem neste domínio, isentando-os das respectivas taxas municipais. No que respeita à segurança, a polícia municipal, que desde 2000 se encontra por operacionalizar, será uma realidade. A videovigilância será instalada nas zonas identificadas como críticas do concelho e haverá uma melhor articulação entre a câmara municipal e as autoridades policiais. No domínio da solidariedade, os mais velhos não serão esquecidos. Haverão mais lares. Mais centros de dia. Mais e melhor colaboração com as IPSS’s e Misericórdias. No plano da saúde, garantiremos que os centros de saúde funcionaram melhor. Haverá mais médicos pois criaremos as condições para fixação destes no concelho, nomeadamente apoiando-os no arrendamento e disponibilizando habitações. No que respeita ao voluntariado, iremos apoiar as associações sedeadas no concelho em função do mérito da sua gestão e das propostas que nos apresentem. Criaremos, que não existem, regras para a atribuição de subsídios e cedência de instalações, assim como avaliaremos a correcta aplicação dos apoios concedidos.

Questão: - Não sendo esta a primeira vez que se apresenta como candidato à presidência da Câmara de Loulé, quais são as razões que o levam a acreditar que os cidadãos o vão eleger desta vez?

Resposta: - Candidato-me por um dever de cidadania. Num momento particularmente difícil para os cidadãos e para as empresas, senti que era importante colocar a minha experiência ao serviço do concelho. Os louletanos sabem que possuo vida para além da política e que não preciso desta para viver. As pessoas estão cansadas das maiorias absolutas, sejam do PSD ou do PS, que têm alternado no governo deste concelho nos últimos 30 anos. As pessoas sabem que é preciso uma voz que faça a diferença. Por isso acredito que, desta vez, serei eleito vereador da câmara municipal de Loulé.

Questão: - Como analisa o trabalho de Seruca Emídio e do seu executivo à frente da autarquia louletana?

Resposta: - Foram dois mandatos perfeitamente distintos. Um primeiro, 2002-2005, em que se notou um esforço para colocar a câmara municipal em ordem no plano financeiro, mas onde faltou planeamento. E este segundo mandato, 2005-2009, que é aquele que verdadeiramente será escrutinado pelos cidadãos, em que o executivo liderado por Seruca Emídio ficou claramente aquém das expectativas criadas aquando da sua eleição em 2001. É notória a falta de projectos e de ideias deste executivo municipal. E a prova disso é que durante o mandato que agora termina, no final de cada ano sobraram sempre milhões de euros. No final do ano de 2008 sobrou à Câmara Municipal, imagine-se, mais de 22 milhões de euros. Milhões que se tivessem sido devidamente utilizados, nomeadamente para a construção de infraestruturas rodoviárias, habitação social, infantários e parques empresariais, teriam tornado o concelho de Loulé mais competitivo e mais solidário, e estivesse hoje melhor preparado para enfrentar a crise.

Questão: - A desertificação do interior é um dos principais problemas do concelho de Loulé. Como pensa inverter esta situação?

Resposta: - É necessário avançar para o desenvolvimento das zonas industriais e de serviços previstas no PDM para as diferentes sedes de freguesia. É uma utopia pensar que é possível fixar as populações no interior sem que haja a criação de emprego. E o emprego é criado pelas empresas, pelo sector privado. A desertificação não se combate só com a baixa do IMI ou do IMT, ainda que seja uma medida importante. É preciso investir no apoio à criação de emprego. O desemprego, neste momento, deve ser a maior prioridade do próximo executivo municipal. O desemprego no concelho de Loulé atingiu os níveis mais elevados de que há memória e é o mais elevado em todo o Algarve.

Questão: - Qual é, para si, a grande obra que ainda falta a Loulé, essencial para o desenvolvimento do concelho?

Resposta: - Uma só não posso. É muito pouco para um concelho como este. Aponto-lhe 5 obras. Três físicas e duas imateriais. Relativamente às físicas, aponto-lhe a necessidade de se negociar com o próximo Governo um “polis” para Quarteira. Requalificar a marginal de Quarteira entre o “Jazz Bar” e a “Rosa Branca” e concluir o passeio marginal até Vilamoura, criando aqui uma área de animação. Acabar com o que resta do “bairro da lata” e construir um novo mercado, que integre o actual da fruta e o do peixe, pois a cidade da Quarteira merece isso, e muito mais. Um novo edifício dos “Paços do Concelho”, para acolher todos os serviços municipais, para que deixem de estar espalhados por toda a cidade. E fazer a circular sul de Loulé, ligando a rotunda junto as Bombeiros Municipais à rotunda da Goncinha. Quanto às obras “imateriais” é decisivo concluir-se a revisão do PDM antes de 2013 e o cadastro do concelho de Loulé. Como é possível gerir um município se a câmara municipal não sabe quem são os proprietários rústicos e urbanos do concelho?

Ciclistas e Votos na Autarquia Louletana

Então o PSD Loulé faz queixa à Comissão Nacional de Eleições, sobre uma carta anónima, que é por cá mais falada do que conhecida e que parece que denigre a imagem do candidato Seruca Emídio e ninguém da apática oposição se lembra de fazer queixa do PSD e do seu candidato Seruca Emídio, à Comissão Nacional de Eleições, por este utilizar na sua campanha o Centro de Ciclismo de Loulé pago princepescamente com o dinheiro dos impostos dos Louletanos? Isto caberá dentro das regras da ética e deontologia da Campanha Eleitoral? Será legal e apanágio de jogo limpo? Será apatia, adormecimento burguês, receio da regras da democracia, ou um sono lento de anos de falta de dar ao pedal? E a imprensa local é tão lesta a fazer notícia da carta anónima, porque será que é tão lenta a fazer notícia da instrumentalização do Centro de Ciclismo de Loulé ao serviço do PSD? Quererão os jornais locais desta maneira ganhar credibilidade e o respeito dos seus leitores? Não deve toda a oposição pedir um cabal esclarecimento deste triste episódio ao Dr. Seruca Emídio e a confirmar-se usos indevidos do clube, pedir a demissão do Presidente do Centro de Ciclismo de Loulé? Foi esta apatia de longos oito anos que nos levou ao Estado a que isto chegou.

Ver aqui a notícia: http://www.regiao-sul.pt/noticia.php?refnoticia=98625

e aqui o ciclo-circo eleitoral: http://calcadaodequarteira.blogspot.com/2009/10/autarquicas-presidente-perdeu-o-decoro.html

Querida, encolhi a cidade

Na hora de votar é preciso não esquecer que há artistas na política que são capazes de fazer estas coisas...

Ver aqui:
http://quiosquedacamila.blogspot.com/2009/10/o-topografo.html

e aqui: http://ssebastiao.wordpress.com/2009/10/05/nao-digam-que-fomos-nos-que-escrevemos/


segunda-feira, outubro 05, 2009

Nada é mais permanente do que a mudança

Mercedes Sosa (1935-2009) - Todo cambia



Para todos, aqueles que ainda o conseguem manter, uma boa semana de trabalho!

Via: http://ladroesdebicicletas.blogspot.com/

Da Progressiva Feminização da Política

"O novo Parlamento está mais igualitário e um em cada quatro deputados já são mulheres

A lei da paridade mudou o género na AR. Sem ela, dizem os cálculos das Nações Unidas, esta conquista levaria 70 anos a concretizar-se

A 27 de Setembro, foram eleitas mais 14 mulheres como deputadas à Assembleia da República do que em 20 de Fevereiro de 2005, o que representa uma subida de seis por cento do universo feminino no total de deputados.

Nesta legislatura, há já 62 deputadas eleitas, isto sem estarem apurados os círculos eleitorais da Europa e de Fora da Europa, que elegem mais quatro deputados. Há quatro anos e meio foram eleitas 48 mulheres. Ou seja, a percentagem de mulheres no total de deputados ascende agora aos 26,95 por cento, contra os 20,86 por cento que se registavam em 2005.

Esta subida do número de mulheres é provocada pela entrada em vigor da lei da paridade, que introduz nas listas eleitorais a obrigatoriedade de uma quota mínima de 33 por cento de representatividade para cada sexo. A lei também impõe que a distribuição na lista seja na relação de um elemento de um sexo e dois de outro em cada três nomes, o que faz com que de três em três nomes surja pelo menos uma mulher.

O peso das mulheres no Parlamento deverá aumentar agora não só por força dos resultados dos círculos da emigração, mas também com as substituições que vão ocorrer na bancada do PS a propósito da formação do Governo e de outras nomeações para organismos de Estado cujos cargos são de nomeação governamental."

Ver mais aqui: http://jornal.publico.clix.pt/noticia/05-10-2009/o-novo-parlamento-esta-mais-igualitario-e-um-em-cada-quatro-deputados-ja-sao-mulheres-17955599.htm

Ciclistas e Votos na Autarquia Louletana

É bom que o presidente do Centro de Ciclismo de Loulé esclareça rapidamente a verdade do assunto. Ou então que peça imediatamente a demissão. É que o financiamento que vem da autarquia é de todos os contribuintes louletanos. Não é o PSD que financia o Centro de Ciclismo de Loulé e muito menos o doutor Seruca Emídio. A exigir esclarecimento urgente. E a oposição não pode ficar caladinha, como é seu costume... isto agora é mesmo sério.

Ver aqui a fonte:
http://calcadaodequarteira.blogspot.com/2009/10/autarquicas-presidente-perdeu-o-decoro.html

5 de Outubro de 1910



5 de Outubro de 1910. O rei morreu. Viva o rei. Um golpe militar apoiado pela organização revolucionária, a Carbonária Portuguesa, e pelo povo adepto do ideário repúblicano, põe fim à Monarquia. O Soberano passa a ser o povo. A 1º Republica, inspirada nos ideais do positivismo e da Revolução Francesa. Patriótica e anticlerical, viria a ser um dos períodos mais conturbados da nossa História Política. Dezenas de governos caiem ao sabor dos interesses e de conflitualidades partidárias extremadas e sedentas de poder. No final deste período de intensa instabilidade política chegaram os anseios populares generalizados de "ordem e disciplina". Os partidos deixaram de ser percepcionados como factor de progresso e desenvolvimento, para passarem a ser percepcionados, como factor obstaculizante ao desenvolvimento do país. Em 1926, instaurava-se em Portugal a Ditadura Militar. Deste período conturbado ficou a marca indelevel da valorização dos ideais de liberdade, de igualdade e de fraternidade, o que será um legado histórico inalianável. Hoje, 5 de Outubro de 2009, o Presidente da República, Aníbal Cavaco e Silva, não discursará à nação portuguesa, no sítio tradicional onde ela é oficialmente comemorada, invocando motivos políticos, devido à proximidade das eleições autárquicas. Não percebo a dificuldade em produzir um discurso de homenagem à República, que passe por cima das querelas partidárias que estão em jogo nas eleições autárquicas. Os silêncios e os não ditos de Cavaco e Silva, são quase sempre tão ou mais significativos do que as poucas palavras que saiem da sua boca. Fosse, Cavaco e Silva, historiador de formação, em vez de ilustre economista, e saberia que era impossível não se dirigir ao país, numa data com esta importância, no lugar dos Paços do Concelho. Mas a democracia, há muito, mas há muito tempo, que anda a reboque, da economia. Da parte da República, esta, é hoje, maioritariamente consensual, entre os portugueses.

domingo, outubro 04, 2009

O Príncipe

Não sei porquê, mas depois desta visita ao blogue Calçadão de Quarteira,"http://calcadaodequarteira.blogspot.com/2009/10/autarquicas-presidente-perdeu-o-decoro.html", apeteceu-me revisitar este post que escrevi em Dezembro de 2007...

O Príncipe

Aqueles que desejam conquistar o favor de algum príncipe costumam apresentar-se-lhe com os bens que mais prezam ou com aqueles que crê em dar-lhe maior prazer. Por isso é frequente vê-los oferecer cavalos, armas, panos de ouro, pedras preciosas e ornamentos semelhantes, dignos de sua grandeza. Desejando, pois, oferecer-me a Vossa Magnificiência com qualquer prova da minha sujeição, não encontrei, entre todas as minhas bagatelas, nada que estime e ame tanto como o conhecimento das acções das grandes personagens, que adquiri pela longa experiência das coisas modernas e pela leitura constante das antigas - conhecimento em que pensei e reflecti demoradamente e com grande cuidado, a fim de o resumir num pequeno volume que envio a Vossa Magnificiência.

Regras que o Príncipe deve seguir para conquistar e manter o poder:

1. O Principe deve, mesmo não percebendo muito de futebol e nem ter uma adoração especial por este desporto, fazer de conta que o jogo da bola é fundamental para a vida da comunidade.

1.1. Se a comunidade onde está inserido tiver vários clubes, deve ter uma forte ligação ao principal clube da terra, introduzir alguns dos seus servos na estrutura directiva do mesmo e injectar o capital financeiro que permita aos fieis da colectividade em questão viver com plena satisfação.

1.1.2. Mas o Príncipe não pode descurar os clubes menores, sob pena de gerar muitos inimigos e muito descontentamento. Deve então, ser suficientemente inteligente para dar a devida importância aos clubes em ascensão, alimentando os seus vícios, sem contudo lhes dar mais importância do que ao clube que mobiliza maior número de votantes. Há que dosear as expectativas imoderadas dos fiéis dos clubes secundários. Dar-lhe a importância quanto baste, para evitar, sobretudo, descontentamentos excessivos.

1.1.3. Convém, por isso, quando as finanças dos clubes secundários e terciários andarem pelas ruas da amargura, abrir temporariamente os cordões à bolsa, para que os súbitos não se passem para o lado dos inimigos.

1.1.4. O Príncipe deve frequentar habitualmente o Estádio do Algarve e deve obrigatoriamente torcer pela vitória dos clubes da terra e simultaneamente chorar as derrotas destes face às equipas adversárias. A vitória dos clubes locais são vitórias do Príncipe, as derrotas são também derrotas do Príncipe.

2. O Príncipe deve também ter um especial fervor pela prática da religião católica.

2.1. Deve promover as iluminações natalícias, se possível rezar o terço nas missas dominicais e deve obrigatoriamente, qual pecado mortal, nunca faltar à festa da Mãe Soberana.

2.2. O Príncipe deve inclusivamente ir em romaria logo atrás da Santa, seguir em passo vigoroso atrás dos Homens do Andor e deve rejubilar com os gritos de "Viva a Mãe Soberana". O Príncipe retirará todas as vantagens de ser dos primeiros a chegar à sagrada capela e deve deixar-se fotografar em pleno esforço a subir a abençoada ladeira.

3. Um aspecto que o Príncipe nunca pode descurar é o da propaganda, ou como hoje se diz, do marketing das cidades e da política.

3.1. O Príncipe deve financiar como puder os principais jornais locais e deve deixar-se fotografar em tudo o que é evento local, mesmo que a sua participação nesses eventos em nada acrescente aos eventos propriamente ditos.

3.2. Se o Príncipe vai ao futebol ao fim de semana deve deixar-se fotografar a dar o pontapé de saída.

3.3. Se o Príncipe vai à Feira da Serra como convidado especial, deve deixar que a sua fotografia se sobreponha aos doces tradicionais da região.

3.4. Se o Príncipe quer desenvolver os meios de comunicação audiovisuais da sua terra amada, deve tomar providências para que se assegure que na direcção de informação de tão importante orgão de propaganda estará um súbito da sua confiança que enaltece esmeradamente as suas virtudes pessoais e morais.

3.5. O Príncipe nunca, mas nunca, deve desprezar os meios de comunicação locais. Enquanto estes se servirem das virtudes do Príncipe, o Príncipe tem a seu lado um dos meios mais importantes de ocultação das suas possíveis fraquezas e um aliado fundamental na manutenção dos poderes do principado.

4. O Príncipe para manter o poder também nunca deve deixar de dar atenção às fracções da população em claro declínio social e a quem esta regressão tanto descontentamento, rancor e raiva pode potencialmente criar em seu desfavor.

4.1. O Príncipe tem que a todo o custo minorar este dano futuro elaborando estratégias preventivas que mitiguem uma possível revolta social.

4.2. O Príncipe mesmo sabendo que não resolve todos os problemas do pequeno comércio, deve fazer de conta que tudo fará para o salvar. Contrata palhaços, acordeanistas, pinta noites de claro e escuro, organiza mercadinhos, dá música às ruas desertas, incentiva o povo para que vá até ao centro da cidade passear.

4.3. O Príncipe deve sempre perceber antecipadamente onde estão os potenciais perigos e ameaças à sua manutenção no poder e deve agir celeremente após o diagnóstico da situação, sob pena de, se deixar crescer a cangrena, já não ir a tempo de a curar.

5. Mas o Príncipe deve também ser apologista do circo para o povo. Este é um método que todos os Príncipes em todos os períodos da História utilizaram. O Príncipe seria incauto em o descurar. Deve combinar-se com as bruxas, trocar as épocas do carnaval, antecipar as datas do Natal e distribuir muitas oferendas à plebe local.

6. O Príncipe deve sobretudo seguir a máxima universal de que os homens hesitam menos em prejudicar um homem que se torna amado do que outro que se torna temido, pois como se deve lembrar o Príncipe, o amor quebra-se, mas o medo mantém-se.

6.1. O Príncipe deve por isso tratar mal a oposição na Assembleia. Deve fazer-se temido pois sabe que assim será mais respeitado. Deve lembrar-se sempre o Príncipe que um líder amado é mais facilmente atraiçoado e que um líder temido é sempre mais raramente desafiado.

7. O principe deve também, apesar de ter compaixão pelos despossuídos de poder, estar sempre do lado dos poderosos.

7.1. Deve cortejá-los e respeitar as suas legítimas ambições e satisfazer ao máximo os seus desejos e aspirações.

7.2. Deve assim facilitar a construção, instituir a ponte com o mundo do futebol, aconselhar-se com os sábios da religião, elogiar o importante trabalho dos homens de opinião, ser seguidista das orientações do partido que esteve na origem da sua criação, escolher com pinças os seus secretários mais fiéis, deve cortejar com sabedoria os senhores feudais que tanto precisam do seu alimento e compaixão.

8. Por último, o Principe nunca deve esquecer, que nos Estados hereditários e habituados à estirpe do seu príncipe a dificuldade em os conservar é muito menor do que nos novos, bastando não transgredir nem violar a ordem dos antepassados e, quanto ao resto, contemporizar conforme os casos que surgirem.

Versão moderna da obra de Maquiavel, O Príncipe.


Nas Vésperas da República



A 1 de Fevereiro de 1908 o Rei D. Carlos e o príncipe herdeiro, D. Luís Filipe, foram assassinados no Terreiro do Paço. Nada mais ficaria como dantes. A seguir à queda da Monarquia vinha aí a Primeira República, um dos períodos de maior conflitualidade política da História Portuguesa e que só terminaria com a "ordem" do Estado Novo.

Humor em Tempo de Eleições



Acabei de ver o Eixo do Mal na SIC Notícias e não resisti a fazer copy paste do video que finalizou o programa... aproveito para dizer que o Eixo do Mal continua a ser uma lufada de ar fresco no país do respeitinho...

Elevar o Gosto

Madredeus - Haja o que houver

11 de Outubro - Eleições Autárquicas


José Coelho - Candidato da CDU à Câmara Municipal de Loulé

Membro da Assembleia Municipal de Mora. José Joaquim Dias Coelho tem 56 anos e reside em Quarteira. Membro do PCP, o candidato à autarquia de Loulé foi vereador da Câmara Municipal de Mora desde 1982, sendo sucessivamente eleito vice-presidente da Câmara Municipal de Mora até 1993, altura em que assumiu as funções de presidente da autarquia desta localidade. José Coelho é actualmente membro, eleito pela CDU, na Assembleia Municipal de Mora.

Questão: - Quais as principais propostas para o concelho louletano que destaca do seu programa eleitoral?

Resposta: - Desenvolver o concelho, diminuir as assimetrias das freguesias da serra em relação às do litoral, apoiar as pequenas e médias empresas do comércio, hotelaria, restauração e serviços, apoiar a agricultura e a pesca, promover os produtos da região, em suma, desenvolver o aparelho produtivo, para responder aos problemas crescentes de desemprego no concelho, que resultam em grande parte da monoactividade do turismo e contribuindo com isso para fixar jovens e dar vida ao mundo rural do nosso concelho.

Questão: - Como analisa o trabalho efectuado por Seruca Emídio nos últimos oito anos?

Resposta: - A nossa preocupação não é avaliar o actual executivo. Estamos preocupados sim em levar às populações do concelho as propostas que resultam do nosso programa eleitoral, que estamos seguros, vão ao encontro dos anseios dos louletanos. No entanto, a política desenvolvida pelo PSD e PS, na gestão municipal, tem sido responsável por um errado desenvolvimento do concelho, nomeadamente, quando direccionam o investimento quase exclusivamente para a área do Turismo. As consequências estão à vista e por isso entendemos que é necessário uma ruptura com estas orientações e um novo rumo para o concelho.

Questão: - Das eleições autárquicas de 2001 para as de 2005, a CDU obteve em Loulé uma ligeira subida de votos. O objectivo passa por um crescimento sustentado ou acredita que existem condições para um crescimento exponencial?

Resposta: - Tendo em conta os resultados das eleições para o Parlamento Europeu e das Eleições Legislativas, recentemente realizadas, em que se verifica uma significativa subida em número de votos, da CDU, dá-nos confiança de que os louletanos irão crescentemente confiar numa força que desde sempre se colocou ao lado das populações e dos trabalhadores, e que tem um programa alternativo, que tem em conta o concelho que somos e uma forma de intervir, própria da CDU, de proximidade com as populações. O voto na CDU é para além de um voto mais consciente, um voto que conta. Para nós, trabalho, honestidade e competência é uma marca do nosso projecto colectivo, bem patente nos concelhos onde temos a responsabilidade da gestão autárquica, portanto, também no concelho de Loulé, é possível, queiram os eleitores, realizar obra com as populações.

Questão: - O concelho de Loulé tem visto acentuar ao longo dos anos a disparidade entre o litoral e o interior , com este último a sofrer uma cada vez mais acentuada desertificação. Que medidas defende para combater este problema?

Resposta: - De alguma forma a questão já foi respondida anteriormente, uma vez que das medidas que defendemos para o concelho constam algumas que vão no sentido de diminuir as assimetrias, desenvolvendo o aparelho produtivo e apoiando os pequenos e médios empresários do concelho, medidas que levam à criação de emprego e trabalho com direitos que são questões essenciais para a fixação da população; o apoio concreto às famílias com dificuldades, aos jovens e idosos; e um novo estímulo ao mundo rural, parte integrante do concelho de Loulé. A CDU, ao contrário de outros, vê o concelho de Loulé como um todo, onde litoral e serra não se opõem mas se complementam, e ambos têm condições para assegurar o futuro do concelho, um futuro equilibrado, sustentado e harmonioso.

http://www.regiao-sul.pt/fichaentrevista.php?refentrevista=136

sexta-feira, outubro 02, 2009

Do Harém Político

Numa época em que tanto se fala da igualização de oportunidades de género, os políticos, de quase todos os quadrantes e ideologias, numa lógica de caça ao voto, não se coibem de reproduzir os piores estereótipos de género, para alcançarem os seus objectivos. Como quase sempre, o candidato ao poder é do género masculino e como quase sempre, elas estão por detrás do sucesso do grande líder. Lá diz o ditado popular, por detrás de um grande homem, está sempre uma grande mulher. O que é muito triste, é quando algumas delas, que até andam há muitos anos na política, apesar de nem serem muito velhas, contribuiem também para a reprodução e para a legitimação do pior dos estereótipos de género. Seruca Emídio também teve o seu harém político nesta campanha. Valham-nos as cotas, que os "obrigam" a colocá-las, a elas, nas listas. Para quando os jantares de homens?