domingo, maio 30, 2010

Lógica Aristotélica

Se A não vota Sócrates A não vota PS. Se A não vota PS A não vota Sócrates. Se A vota em Alegre A não vota em Sócrates. Se A vota em Sócrates A não vota em Alegre. Se A não vota em Sócrates A vota em Alegre. Se A vota em Alegre A não vota em Sócrates. Logo A não vota em Alegre. Confusos? Eu desta vez fico em casa a ler o Ensaio sobre a lucidez.

O Mentiroso Compulsivo



Segundo o gabinete de Sócrates, Chico Buarque pediu para se encontrar com o grande ícone mundial do "socialismo moderno". Segundo Chico Buarque foi o grande líder do "socialismo moderno" que quis conhecê-lo. Não faz mal. Isto é só mais um pequeno fait-divers. Afinal, como dizia Pascal, o que é verdade de um lado dos Pirinéus é mentira do outro. Ou será que foi Einstein que disse isto? Que se lixe. Tudo se equivale. Chico Buarque e Figo é tudo a mesma coisa. Ou será que não? Bom fim de semana para todos. Faz de conta que o fim de semana vai começar agora. É assim, porque eu decidi que é assim. Só faltava a merda do tempo agora também mandar em mim. Era só o que faltava.

sábado, maio 29, 2010

Contra o Racismo Social Governativo

Lisboa, 29 de Maio de 2010



É absolutamente maravilhoso ver o governo de Sócrates a apelar ao diálogo. As voltas que a vida dá...

Exposição Sobre o Abate de Árvores no Concelho de Loulé

Loulé, ano 2010

Abate de árvores na Praça da República



Um abate digno da Organização Científica do Trabalho. Um dos homens, operário altamente especializado, serra as árvores com extrema perícia. Dois ou três operários semi-qualificados puxam uma corda atada à árvore para garantir o eficaz e rápido abate. Uma máquina indústrial destrói os vestígios dos troncos de árvore para que rapidamente eles desaparecam aos olhos dos transeuntes. A divisão do trabalho do abate e a especialização funcional é perfeita. Nas vésperas do dia da árvore e no próprio dia da Árvore, num ápice, desapareciam as árvores de grande porte da Praça da República. Uma obra de arte legitimada pelo sr. Presidente da Câmara Municipal e por uma boa parte dos deputados da Assembleia Municipal Louletana. Uma lição de inducação ambiental.

quinta-feira, maio 27, 2010

Paso Doble



É. São precisos dois para dançar o tango. Mas já bastava um para nos pôr de tanga.

quarta-feira, maio 26, 2010

Governos de Gepeto



Quando em 2008 se anunciava com pompa e circunstância a requalificação da Estrada Nacional 125, pensei imediatamente para com os meus botões "Já está. É a mentira que vai legitimar daqui a algum tempo a introdução do pagamento de portagens na Via do Infante". O mentiroso mor do regime apressou-se a papaguear que no Algarve não, que há situações que têm a sua especificidade e que o Algarve era claramente uma delas. Mas o mundo mudou. O mundo dos aldrabões que nos governam muda as vezes que suas excelências precisarem que ele mude para legitimarem as suas mentiras. E as portagens ai estão às portas do Allgarve. E vêm em bom momento. Quanto no algarve se batem todos os recordes de desemprego. Quando a economia não descola. Quando o pão e a água e a coca-cola (pasme-se) têm custos acrescidos com o IVA. Quando os desempregados são espremidos até ao tutano pois são considerados as escórias do sistema. Quando o IRS aperta mais um furo da fivela do cinto. Quando o IRC afoga o que resta da dinâmica económica das empresas. Quando a classe "média" empobrece. Quando a pobreza se instala. Quando os transportes públicos aumentam. Quando, quando, quando. A lista é interminável. É o maior roubo do pós-25 de Abril de 1974. É a falência de um regime. É a incompetência de Gepeto. Com a conivência dos políticos do Algarve. É preciso dizê-lo.

terça-feira, maio 25, 2010

Da Grécia Com Amor

Mercados e Pessoas

Os "mercados" ficam "nervosos". As pessoas também. Os "mercados" reagem. As pessoas também. Os "mercados" estão em todo o lado e em lugar nenhum. As pessoas têm existência real, física, num lugar concreto . Os "Mercados" sem pessoas são como jardins sem flores. Dia 29 de Maio, o Marquês é um jardim florido.

domingo, maio 23, 2010

Um Regabofe Ideológico



O PS é um partido fantástico que tem a capacidade de nos surpreender todos os dias. Duas deputadas "Humanistas" eleitas pelo partido, provavelmente influenciadas pelas ideias conservadoras neoliberais de que a fraca produtividade dos portugueses deve-se ao facto destes trabalharem pouco, querem diminuir o número de feriados. Pasme-se. Entre as suas brilhantes propostas encontra-se a republicana, democratica e laica ideia de acabar com o feriado de 5 de Outubro. Em troca, propõem-se criar o feriado que comemora o Dia da Família. Brilhante. Nem o Papa faria melhor.

PS: Suspeito que essa ideia de "Família" que está na cabeça das conservadoras deputadas é uma espécie em vias de extinção.

sexta-feira, maio 21, 2010

Mudar de Vida



O mundo eu não sei se mudou nas últimas três semanas. A minha vida eu sei que mudou esta semana...como disse um dia um político por quem tive uma enorme simpatia. É a vida...

Bom final de semana para todos os que aqui espreitam!

quinta-feira, maio 20, 2010

O Mundo de Sócrates



Na mesma entrevista o mundo mudou numa semana, depois em duas semanas e depois em três semanas. A "culpa" já não é só da crise "externa". A "culpa" agora é do mundo. Os portugueses têm a cabeça à roda com tanta mudança de mundo. Sócrates fez-me lembrar o "Porquê", um dos primeiros livros que a minha querida mãe me ofereceu. O que é o mundo?

quarta-feira, maio 19, 2010

Humor Gay



O cu com as calças

"Espalhafatosamente, como quem enrola uma bola de penas de avestruz ao pescoço, Cavaco Silva promolgou o casamento Gay. Feito drama queen de primeira, anunciou que não queria, mas fazia, por causa da "situação dramática" do país. Porque não queria que os políticos se "desviassem". Cavaco não poderia ter sido mais gay, no bom sentido. Mais bottom do que top. É uma passividade que lhe fica bem. Aceita o que lhe é apresentado, mesmo a contragosto. Despacha o que tem a despachar e segue em frente. Foi rápido. O Papa deve ter levado as mãos à cabeça: "São incorrigíveis, estes portugueses. Pois se eu ainda agora lá estive..."
É uma questão de cores. Cavaco Silva acha que a coisa está preta de mais para perder tempo com coisas cor-de rosa. Veste a gravata cor de rosa porque é a que está mais à mão e está com pressa. Se fosse à procura da verde, de que gosta, chegaria atrasado à reunião para salvar o país.
O editorial do Público de ontem elogiava, com justiça, a sabedoria de Cavaco. Mesmo assim, ficou uma dúvida: se a economia portuguesa estivesse melhorzinha, poderíamos dar-nos ao luxo de continuar a proibir os casamentos gays? É que assim fica-se com a impressão que o descalabro financeiro acabou por ser bom para as pessoas gays. Para não dizer que se aproveitaram dele.
A verdade é que ser gay não tem nada a ver com estar pobre. Talvez seja mais dramático. Mas os casamentos gays são tão caros como os outros. E quem é que tem dinheiro para se casar?"

Artigo de opinião de Miguel Esteves Cardoso. Público, 19 de Maio de 2010.

Nota: A foto foi copiada do blogue Calçadão de Quarteira.

Imagens da Cidade

Loulé, Mercado Municipal



Laranjas, limões, batata doce, alhos, repolho, feijão verde, salsa. A pequena agricultura continua a ser essencial ao equilíbrio dos orçamentos domésticos de uma boa parte das famílias Algarvias. Valia a pena dar-lhe um pouco mais de atenção política.

terça-feira, maio 18, 2010

Fragmentos da vida de um povo

1. Sócrates decretou nova mudança no mundo. As medidas de austeridade já não são só até 2011 mas até 2013. Das duas uma; ou se governa à bolina, sem eira nem beira, e atingimos o cúmulo da incompetência, ou é a extrema perícia da utilização da mentira como estratégia de manipulação das massas. Aposto num pouco de ambas.

2. Cavaco aprovou o casamento de pessoas do mesmo sexo "só por causa da situação dramática do país". Desculpem-me a minha arrogância mas tenho mais do que razão. Quando sai do mundo da economia e das finanças (e mesmo assim...) Cavaco só ganha em estar calado. Progresso civilizacional com a homologação de uma lei por um presidente retrógado. Sócrates está de parabéns. Das poucas coisas boas e lúcidas da sua governação. Sejam lá quais forem os motivos das suas "convições".

3. Tudo em Sócrates atinge uma dimensão épica, quando não profética. As palavras são do próprio. Os números do desemprego em Portugal são "históricos". Uma autêntica ode ao triunfo.

4. O PCP aprovou uma moção de censura ao governo. Sócrates já respondeu no tom habitual. A moção de censura é "lamentável e condenável". Lamentável e condenável, dirá o Zé Povinho, é este governo ainda se manter em funções. Não o tirem de lá rapidamente e em força e ainda acabamos todos a entregar as calças no Parlamento. A estória de que a crise é "externa" e a salvação "interna" foi a lamentavel receita para o abismo.

5. Até ao fim da estória o reino de Sócrates vai oscilar entre o circo, a tragédia e a comédia. O tempo está bom para os historiadores do futuro, esses mesmos que vão analisar o presente, quando este pertencer ao passado.

domingo, maio 16, 2010

O Ultimatum

Voltei no final do fim de semana. Sócrates não decretou mais mudança no mundo nas últimas 48 horas mas prepara-se para provavelmente o fazer. Nas suas mágicas palavras, somos novamente os campeões do crescimento à escala internacional. Alguém que diga ao homem para ficar calado. Eu já não o aguento mais.

Na mesma semana que o conceito marxista de alienação (de que não sou grande apreciador) se podia aplicar que nem uma luva a uma boa parte do povo português; o menino Jesus levou o Benfica ao colo e o Papa foi-se embora "reconfortado" com o nosso país; nos bastidores da vida política, em Bruxelas, cozinhava-se o Ultimatum que se iria impôr a Portugal. Como ironizou alguém com argúcia num conhecido blogue nacional, faltou ligar a torradeira para ver se nela aparecia a missa Papal.

O Ultimatum de que vos falo nada tem que ver com os Ingleses, que em Janeiro de 1890, nos provocaram uma das maiores vergonhas nacionais. O Mapa de África foi retraçado a seu belo prazer e a Portugal só restou ficar com a tradicional resmunguice nacional.

Este Ultimatum de que vos falo é o primeiro grande Ultimatum imposto a Portugal no século XXI. O povo a pão e água, a miséria nacional anunciada por Sócrates com pompa e circunstância, foi mais uma vez o símbolo da perca da relativa indepêndencia nacional.

A partir do mês de Maio de 2010, o orçamento português tem que ser aprovado em Bruxelas. Para os tecnocratas que nos governam e que habilidosamente nos levaram ao fundo do poço, tudo isto não passa de uma mera decisão técnica que passa a ser decidida pela deusa "Europa". Para quem reconhece que o orçamento é sobretudo uma questão política tal significa a morte da democracia em Portugal.

Se até aos dias de hoje o dogma pseudo técnico-científico dos 3% do PIB como critério de convergência, ainda era o resto que sobrava de política, a partir da visita Papal a Portugal, morreu a política nas mãos da eurocracia. A partir de agora é ainda mais indiferente quem nos governe do Bloco Central. Coelho fará como Sócrates, que o mesmo é dizer, limitar-se-á à politica do rabinho entre as pernas. Foi assim em 1890. Foi assim em 2010. Que triste sina. Que triste fado.

sábado, maio 15, 2010

Fechado Para Fim de Semana



O Mundo mudou tanto em quinze dias que o autor deste blogue não aguentou a violência da mudança e entrou em depressão política. Volto em princípio Segunda-Feira, se o mundo entretando não mudar no fim de semana. E siga o meu conselho. Se conduzir, não beba Coca Cola.

Votos de bom fim de semana para todos!

Exposição Sobre o Abate de Árvores no Concelho de Loulé

Praça da República - Loulé

Descubra as diferenças...



sexta-feira, maio 14, 2010

I Want To Break Free



Música dedicada a Bento XVI e a todos os seres humanos livres, homens e mulheres que querem constituir matrimónio.

quarta-feira, maio 12, 2010

Fragmentos da vida de um povo

Fragmento 1: A passagem do intelectual Papa Bento XVI, pelo Portugal à beira da bancarrota começou bem. Quando se assinalam os cem anos da República portuguesa, nada melhor do que citar o Cardeal Cerejeira como figura de referência nacional. Na semana em que o Benfica foi campeão nacional, com Eusébio ainda presente no estádio do glorioso, a visita do Papa Ratzinger a Fátima, não podia deixar de nos despertar as saudades de Amália.

Fragmento 2: O respeito que tenho por Manuel Alegre, impede-me de intitular um post começado por qualquer coisa que desconsidere Alegre. Por ser uma figura impar da cultura portuguesa, e esse motivo já me bastava, o título do post teria que ir parar a qualquer outra coisa como "Uma alegre cavaqueira". Alegre diz-se de "fora" quando está "dentro" e quer estar "dentro" dizendo-se de "fora". Não fazendo nem uma coisa nem outra, Alegre desperdiça o maior capital que poderia ostentar perante um possível seu eleitorado: O capital de convicção, que o mesmo é dizer, o capital de confiança. Acontece que depois de anos e anos a bater em Sócrates e nas suas políticas, ao aparecer depois, em véspera de eleições legislativas, em campanha por essas mesmas políticas, a Alegre resta-lhe o romantismo utópico de Dom Quixote de La Mancha.

Fragmento 3: Para o provinciano Cavaco de Boliqueime, estas eleições presidenciais vão ser, agora em sentido literal, uma alegre cavaqueira, se não mesmo, um autêntico, passeio dos alegres. Cavaco é um verdadeiro mistério da vida política nacional. Não dizendo nada sobre coisa nenhuma e pondo em risco a sua carreira política quando diz alguma coisa que saia fora da esfera do mundo da economia e das finanças, Cavaco vai estar no poder no pós 25 de Abril quase metade dos anos dos que estiveram destinados a António de Oliveira Salazar. Uma verdadeira proeza.

Fragmento 4: Ao reflectir sobre os anos de Cavaco no Poder não consigo deixar de pensar em Santana Lopes. A efemeridade no poder de Santana Lopes, ao contrário do que muita gente pensa, não teve que ver com política ou minimamente ideologia. Santana quis dessacralizar as instituições do poder. Em vez de vestir o fato "à medida" que lhe ofereceu o poder institucional, quis que o poder institucional criasse um facto à sua medida. Querendo fazer do cargo de primeiro ministro a casa da Joana, Santana não percebeu que se o homem pode fazer o fato, nas coisas do poder, o fato faz o homem. Isso explica a sobrevivência política longínqua de Cavaco. Cavaco limita-se a vestir o fato que as instituições políticas lhe servem. Ao vestir o fato institucional, Cavaco perpetua-se. O seu ajuste às instituições não precisa sequer de povo. Cavaco é um caso singular que mostra que se poderia governar sem povo. Um dia o país entrará em bancarrota e Cavaco vai continuar a apelar à estabilidade das instituições.

Fragmento 5: Com uma boa parte do mundo a passar por uma das maiores crises da história do último século, a direita conservadora, vem aí para comandar os destinos do mundo europeu. Depois de uns largos anos de socialismo de faz de conta, o socialismo tem os dias contados. Os neoliberais são tramados. Fazem a festa, atiram os foguetes e apanham as canas. Nada de bom se avizinha no futuro.

sábado, maio 08, 2010

Para Além da Esquerda e da Direita



1. Há aspectos da vida económica, política e social dos indivíduos e dos povos que vão para além das questões da ideologia e ultrapassam as fronteiras da esquerda e da direita. Têm a ver com factos e apelam à razão da ideologia do bom senso. Esta semana o Dr. Bota, de quem estou nos antipodas ideologicamente, apelou ao "bom senso" e chamou a atenção do mundo algarvio para a necessidade de se travar as intenções de avançar com as explorações petrolíferas nos mares do Algarve. Não se trata de esquerda ou de direita. Trata-se de bom senso perante os factos que estão em cima da mesa. Obama face a um dos maiores desastres ambientais da história da humanidade (mais um), cancelou todos os investimentos petrolíferos previstos nos mares dos EUA para os próximos tempos. Digo eu aqui no macloulé, que o dr. Bota tem carradas de razão. Não conheço em lado nenhum do mundo a modalidade de "turismo petrolífero", nem creio que seja uma modalidade com futuro. É tudo uma questão de prioridades. Se há turismo não há petróleo no mar. Se há petróleo no mar acabe-se com o turismo. Há opostos que não têm conciliação possível. Estes são desses opostos que não admitem sínteses. Paradoxalmente, circulam pelo Algarve uma quantidade significativa de idiotas interessados que não vêem desta maneira. A maioria são idiotas contemplativos para quem tudo se equivale. Os partidos, esses, no Algarve, da esquerda à direita, têm mais em que pensar. Obrigado Dr. Bota.

2. Vamos admitir que eu estava na situação em que se encontram uma boa parte das famílias portuguesas. Estou endividado até ao tutano e quero comprar um carro de luxo e uma quinta na melhor zona da Quinta do Lago. A minha ideologia de esquerda diz-me que devo ter tantas oportunidades como os mais ricos dos ricos e devo pedir um empréstimo ao banco para endividar os meus filhos e netos para o resto da vida. O meu pragmatismo e bom senso diz-me que devo ser responsável e que não devo deixar dívidas aos filhos que voluntariamente trouxe ao mundo. Há coisas na vida que não têm a ver com a esquerda e com a direita, têm que ver com realidades e possibilidades e com bom senso nas decisões. Com o país à beira da bancarrota, o teimoso autoritário Sócrates, a esquerda comunista e até Louça e o Bloco de Esquerda não querem ver a realidade que nos entra pelos olhos dentro. E não vale o argumento de que se trata de investimento público para criar emprego, pois há outras formas de investimento público que implicam menos riscos. Ferreira Leite tinha razão. Não se pode acrescentar mais dívida ao sobreendividamento. Elementar meu caro Watson.

Exposição Sobre o Abate de Árvores e Outros Assuntos


O Novo Fascismo

O Fascismo Financeiro

Publicado na Visão, em 6 Maio de 2010, por Boaventura de Sousa Santos

"Há doze anos publiquei, a convite do Dr. Mário Soares, um pequeno texto (Reinventar a Democracia) que, pela sua extrema actualidade, não resisto à tentação de evocar aqui. Nele considero eu que um dos sinais da crise da democracia é a emergência do fascismo social. Não se trata do regresso ao fascismo do século passado. Não se trata de um regime político mas antes de um regime social. Em vez de sacrificar a democracia às exigências do capitalismo, promove uma versão empobrecida de democracia que torna desnecessário e mesmo inconveniente o sacrifício. Trata-se, pois, de um fascismo pluralista e, por isso, de uma forma de fascismo que nunca existiu. Identificava então cinco formas de sociabilidade fascista, uma das quais era o fascismo financeiro. E sobre este dizia o seguinte.

O fascismo financeiro é talvez o mais virulento. Comanda os mercados financeiros de valores e de moedas, a especulação financeira global, um conjunto hoje designado por economia de casino. Esta forma de fascismo social é a mais pluralista na medida em que os movimentos financeiros são o produto de decisões de investidores individuais ou institucionais espalhados por todo o mundo e, aliás, sem nada em comum senão o desejo de rentabilizar os seus valores. Por ser o fascismo mais pluralista é também o mais agressivo porque o seu espaço-tempo é o mais refractário a qualquer intervenção democrática. Significativa, a este respeito, é a resposta do corrector da bolsa de valores quando lhe perguntavam o que era para ele o longo prazo: “longo prazo para mim são os próximos dez minutos”. Este espaço-tempo virtualmente instantâneo e global, combinado com a lógica de lucro especulativa que o sustenta, confere um imenso poder discricionário ao capital financeiro, praticamente incontrolável apesar de suficientemente poderoso para abalar, em segundos, a economia real ou a estabilidade política de qualquer país.

A virulência do fascismo financeiro reside em que ele, sendo de todos o mais internacional, está a servir de modelo a instituições de regulação global crescentemente importantes apesar de pouco conhecidas do público. Entre elas, as empresas de rating, as empresas internacionalmente acreditadas para avaliar a situação financeira dos Estados e os consequentes riscos e oportunidades que eles oferecem aos investidores internacionais. As notas atribuídas – que vão de AAA a D – são determinantes para as condições em que um país ou uma empresa de um país pode aceder ao crédito internacional. Quanto mais alta a nota, melhores as condições. Estas empresas têm um poder extraordinário. Segundo o colunista do New York Times, Thomas Friedman, «o mundo do pós-guerra fria tem duas superpotências, os EUA e a agência Moody’s». Moody’s é – uma dessas agências de rating, ao lado da Standard and Poor’s e Fitch Investors Services. Friedman justifica a sua afirmação acrescentando que «se é verdade que os EUA podem aniquilar um inimigo utilizando o seu arsenal militar, a agência de qualificação financeira Moody’s tem poder para estrangular financeiramente um país, atribuindo-lhe uma má nota».

Num momento em que os devedores públicos e privados entram numa batalha mundial para atrair capitais, uma má nota pode significar o colapso financeiro do país. Os critérios adoptados pelas empresas de rating são em grande medida arbitrários, reforçam as desigualdades no sistema mundial e dão origem a efeitos perversos: o simples rumor de uma próxima desqualificação pode provocar enorme convulsão no mercado de valores de um país. O poder discricionário destas empresas é tanto maior quanto lhes assiste a prerrogativa de atribuírem qualificações não solicitadas pelos países ou devedores visados. A virulência do fascismo financeiro reside no seu potencial de destruição, na sua capacidade para lançar no abismo da exclusão países pobres inteiros.

Escrevia isto a pensar nos países do chamado Terceiro Mundo. Não podia imaginar que o fosse recuperar a pensar em países da União Europeia. "

sexta-feira, maio 07, 2010

O Furto da Liberdade de Imprensa



Na mesma semana em que se sabia pelos relatórios internacionais que Portugal continuava a sua caminhada para uma posição cada vez mais distante de um estado de liberdade da sua imprensa, o deputado do partido que se diz socialista, "limpou" os gravadores aos jornalistas que faziam perguntas incómodas. O PS de Sócrates, obviamente, na senda persecutória exercida à imprensa e à sua liberdade nos últimos dois mandatos, veio imediatamente em defesa de um dos seus. Tem toda a razão. Os jornalistas é que são uns "bandidos" que se atrevem a fazer perguntas incómodas. Para quem não sabe, fica a saber, o deputado Ricardo Rodrigues foi acusado de se envolver com um gang internacional, acusação essa sustentada por um tribunal da relação. É este deputado um dos principais responsáveis pelos projectos de lei do PS no combate à corrupção. O PS de Sócrates e os seus fiéis já pouco se distinguem de uma qualquer "máfia" organizada que pensasse um dia ocupar o aparelho de Estado. E o roubo dos gravadores ao pé do programa de privatizações que estava oculto no programa eleitoral deste partido sem identidade nem memória é uma simples brincadeira de crianças. Olha, lá vai mais um "malandro" desempregado ali ao virar da esquina. Vamos lá agarrá-lo, pode ser que equilibremos as contas do orçamento do Estado. Vai trabalhar malandro!

Sobre a progressiva perda de liberdade de imprensa em Portugal ver aqui: http://www.cmjornal.xl.pt/noticia.aspx?channelid=00000092-0000-0000-0000-000000000092&contentid=A5085F7E-216B-4556-A7F7-E233D8242A44


quarta-feira, maio 05, 2010

terça-feira, maio 04, 2010

Memórias da Cidade


Sócrates

"Quando foi preciso mostrar um cordeiro para o sacrifício os escolhidos foram os desempregados. Os mercados querem ver sangue, dizem os entendidos nestas coisas de talhantes. E nada melhor do que os que perderam o emprego para a função.

Na última sexta-feira, no Parlamento, quando lhe foi perguntado quanto pouparia com os cortes do subsídios de desemprego que tão orgulhoso decidiu antecipar, Sócrates embatucou. E depois lá disse: não há estudo nenhum. Assim, sem qualquer ideia do impacto que a coisa terá, degrada-se ainda mais a vida de quem já a tem desfeita.

Depois de confessar a ligeireza José Sócrates tinha de dizer alguma coisa. Saiu-lhe uma frase que faria corar de vergonha o senhor Paulo Portas: “há pessoas no desemprego que precisam de ter o incentivo certo para trabalhar”. Ou seja, quem está desempregado tem nestes cortes um incentivo para sair da boa vida que leva. Os empregos estão aí e há 700 mil portugueses (acreditando nos sempre optimistas números oficiais) que só não trabalham porque não querem. Vale a pena ver alguns dos trabalhos e respectivas remunerações que o governo publicita nos seus sites para perceber como há quem se aproveite da desgraça alheia.

É quando perde o guião que José Sócrates diz o que realmente pensa. E o que pensa podia ser dito por um qualquer oportunista que nunca perdeu um segundo a pensar nas razões que o levaram a militar num partido que se chama “socialista”. Podia dizer que o seu raciocínio é de direita e que o facto de ter, na mesma intervenção, falado da “esquerda moderna”, só demonstra até onde pode ir o cinismo. Mas não é isso. Na verdade, Sócrates não faz a mais pálida ideia do que seja ser de direita ou a de esquerda. É um homem sem valores políticos e sem raízes ideológicas. Um autoritário que por ser autoritário aparenta ter convicções. Não tem nenhuma.

Mas o mais grave não é a vazio ideológico em que vive. É a insensibilidade e a ignorância. Um primeiro-ministro que diz, num país onde todos os dias mais gente se vê na total incerteza em relação ao seu futuro, uma frase destas não merece perdão. Ao pé do que isto revela pequenos e grandes casos que envolveram o seu nome são irrelevantes. E é a ignorância (naquilo que ela tem de mais profundo) de quem está convencido que a maioria das pessoas não tem brio e não se importa de se socorrer de esquemas para se safar na vida. Compreende-se que assim pense. Todos temos uma certa tendência para avaliar a vida dos outros pela vida que tivemos."

Texto de Daniel Oliveira.

Publicado no Expresso Online . Ver aqui: http://arrastao.org/sem-categoria/pela-sua-bitola/

domingo, maio 02, 2010

Exposição Sobre o Abate de Árvores no Concelho de Loulé

O manifesto e a t'shirt...



Manifesto contra o Abate Arbóreo em Loulé

"O movimento de cidadãos de Loulé pelas árvores do Concelho, do qual fazem parte representantes de diversos blogues locais e as associações Árvores de Portugal e Almargem, apela à sensibilidade de Vossas Excelências para os problemas patentes neste manifesto conjunto.

As árvores fazem parte da vida das cidades. Estão vivas e criam vida à sua volta. Guardam histórias e criam memórias.

É também certo que há quem as despreze. Seja porque as folhas entopem as sarjetas, porque sujam os passeios, porque tapam as vistas, porque servem de abrigo aos pássaros que nos sujam o carro, porque isto e porque aquilo. O ódio à árvore chega ao ponto de criar mitos como o de serem as árvores as principais responsáveis pelas nossas alergias, logo elas que eliminam muitos dos poluentes em suspensão no ar e produzem o oxigénio que respiramos, enquanto fixam o poluente dióxido de carbono.

A uma câmara pede-se que tenha vistas largas e que perceba e respeite a importância das árvores em meio urbano. Os nossos antepassados plantaram as árvores à sombra das quais descansamos hoje. Foi esse o seu legado para o futuro. É esse património, parte da nossa identidade regional e nacional, que queremos ver defendido no presente.

Vendo esse património perigar a passo acelerado, apelamos a que a Câmara Municipal de Loulé (CML) torne públicos os relatórios técnicos que sustentam a decisão de proceder aos abates de árvores que têm ocorrido, de forma recorrente, nos últimos anos, no concelho.

Assim sendo, é justo que os cidadãos de Loulé se questionem sobre a existência destes relatórios que, supostamente, sustentam algumas intervenções recentes, como o corte de árvores na avenida José da Costa Mealha, em algumas artérias de Quarteira ou a desastrosa rolagem da araucária situada nos claustros do Convento do Espírito Santo, espécime monumental que marcava e definia o perfil da cidade.

Se esses estudos existem, e são tecnicamente inatacáveis, não seria do próprio interesse da CML, torná-los públicos, contribuindo para a dissipação de qualquer dúvida sobre as intenções por detrás destas intervenções da autarquia? O que receia a Câmara de Loulé?

Mais bizarro é todo o processo que conduziu ao abate de 16 tílias com cerca de 60 anos, na Praça da República. Sendo certo que uma empresa de arboricultura atestou a necessidade de abater 12 desses exemplares, cabe aos cidadãos de Loulé perguntar ao seu Presidente:

a) Tendo os decisores políticos conhecimento deste parecer técnico, por que motivo não esclareceram as pessoas e as prepararam para este desfecho, a bem da sua segurança?

b) Quais os motivos técnicos que levaram a não se optar por um abate faseado e que permitisse salvar 4 das tílias que, do referido relatório, se infere não representarem perigo para os transeuntes e seus bens?

c) Pelo contrário, por que motivos se sonegou toda esta informação e se procedeu a uma intervenção apressada, abatendo todos os exemplares em 36 horas, com o supremo mau gosto de ter coincido com as celebrações do Dia da Árvore? Acaso a autarquia tem os seus munícipes em tão baixa consideração que os julgava incapazes de não se indignarem com o desaparecimento destas árvores, sem qualquer explicação?

Muitas questões e poucas ou nenhumas explicações. Basta! As pessoas querem ser ouvidas e que as suas opiniões e sentimentos, face à cidade que amam, sejam consideradas por quem governa os destinos do concelho.

Se é tarde para corrigir os erros do passado, ainda vamos a tempo de evitar a sua repetição no futuro. Loulé e os louletanos exigem saber se amanhã, ao acordarem, as suas árvores ainda estarão de pé ou se cairão, ao som de uma motosserra, vítimas de um pecado que nunca chegarão a conhecer.

Por último, convém relembrar a Câmara Municipal de Loulé que todos os dias são o Dia da Árvore e que de nada serve, em termos de educação ambiental, plantar uma árvore a 21 de Março se, nos restantes dias, se destrói em minutos o que levou dezenas de anos a crescer.

Seria ainda interessante se esta edilidade se tornasse, com a ajuda e colaboração dos seus munícipes, num exemplo nacional daquilo que é obrigatório fazer ao nível das autarquias para promover e preservar os arvoredos das nossas cidades, condição imprescindível para a saúde e bem estar das populações que nelas habitam e património que deverá ser legado aos que, no futuro, irão julgar os nossos actos segundo aquilo que tivermos a capacidade e inteligência de lhes deixar."

António Almeida, professor - Blogue "Sebastião"
Hélder Raimundo, professor - Blogue "Contra>senso"
João Martins, professor - Blogue "MAC Loulé"
Associação Árvores de Portugal

Imagem Original d´António Almeida
Patrocinada pel´Arménios Tshirts

sábado, maio 01, 2010

Cidadão do Ano 2010



Não, não me refiro a José Mourinho, o génio da táctica e da estratégia, a quem Sun Tzu não teve a felicidade de conhecer e que o levaria a rever concerteza o seu clássico "A Arte da Guerra". Falo de Albino Rodrigues da Silva, o leitor do Correio da Manhã que é da Pontinha e que através da leitura do conhecido matutino, tomou a decisão de pagar os míseros 416 euros de multa que levaram Armando Costa à cadeia e que permitiram que voltasse a voar em liberdade. Se só o génio de Mourinho poderia oferecer dois terços do campo para o Barcelona de Messi se passear com a bola pelo relvado de Camp Nou, obrigando-o a jogar o tempo todo no segundo terço e proibindo-o de entrar no terceiro, só um coração do tamanho do mundo tomaria a decisão de Albino Rodrigues, de fazer sua, a vida dos outros. O anónimo leitor da Pontinha deu-nos a todos uma lição de vida.

Ver aqui:
http://www.vox.com.pt/noticia-detalhe-media.asp?id=597600&t=Idoso-preso-é-libertado

Dia do Trabalhador



Como seria hoje o trabalho retratado por Chaplin na era do capitalismo flexível? Enquanto vocês reflectem sobre o assunto, eu vou aos caracóis. Bom dia de Maio!