segunda-feira, maio 30, 2011

Vai a Democracia Resistir ao Capitalismo?



O drama que se coloca neste momento na Grécia, na Irlanda e em Portugal é a escolha entre bancarrota e democracia. Ceder à chantagem do fascismo financeiro austeritário para não cair em situação de bancarrota far-se-á à custa da democracia. Defender a democracia significa não ceder ao fascismo financeiro austeritário com o efeito perverso de cair em bancarrota. Não tinha que ser assim. O empréstimo da Troika não tinha que significar um sufoco económico-financeiro impeditivo do crescimento da economia e gerador de um círculo vicioso recessivo. A cartilha ideológica neoliberal da Troika é a grande responsável pelo não evitamento da bancarrota de Portugal, da Grécia e da Irlanda. O "acordo" e a "ajuda" tal como ela foi concebida é impossivel de ser cumprido. Na Grécia o capitalismo já ganhou à democracia. A origem deste comentário é essa notícia aí em baixo. FMI é bom, bancarrota é óptimo. Entre a barriga e a liberdade qual vai ser a escolha dos portugueses?

"Decisões sobre impostos gregos serão tomadas no estrangeiro e privatizações serão controladas por uma agência internacional. Segundo o 'Financial Times', estas são as condições para um novo empréstimo."

Ver mais aqui: http://www.esquerda.net/artigo/gr%C3%A9cia-interven%C3%A7%C3%A3o-externa-sem-precedentes

domingo, maio 29, 2011

A Tomada da Bastilha

Em França, na praça mais simbólica da Revolução Francesa, os franceses refundam a tomada da Bastilha. Os jovens parisienses solidarizam-se com os espanhóis, os portugueses, os gregos e os irlandeses. O movimento dos indignados cresce e globaliza-se. O austeritarismo pode vir a ficar em maus lençois. Dizia o Helder Raimundo esta semana que a democracia vai ganhar ao capitalismo predador. Esta é uma das questões decisivas do nosso tempo. Os políticos andam distraídos e os media tentam fazer por isso. Por todo o lado, cidadãos do mundo exercem o seu direito à indignação. E isso é o que nos pode dar alguma esperança e confiança num futuro melhor.

Ver as imagens no post em baixo e ver aqui o post do Helder no blogue Contrasensos:
http://contrasensus.blogspot.com/2011/05/revolucao-estara-na-rua.html

Indignados de Todo o Mundo Uni-vos!


Frenchrevolution, Acampada de Paris, AG du 25... por Tele-liberte

Jornalismo Acrítico, Interessado ou Imbecilizado?



Face a uma das mais brutais e desumanas cargas policiais da polícia Espanhola dos últimos anos em Espanha o que escreve o Expresso num pequeno retângulo de jornal da última página? Isto que em baixo reproduzo. Leia, pare, escute e pense. Há um certo modo de fazer jornalismo que bateu no fundo.

"A polícia de Barcelona atuou energicamente ontem de manhã na Praça da catalunha. Ao contrário do que as imagens sugerem (foto publicada), o alvo não era o movimento de protesto contra o desemprego e o sistema político que (como noutras cidades) durava desde 15 de Maio mas o acampamento respectivo. Foram removidos computadores, tendas e botijas de gás para evitar acidentes, caso o Barça ganhe hoje a Liga dos Campeões"
Expresso de 28 de Maio de 2011

sábado, maio 28, 2011

Imagens do Protesto de Hoje Contra as Portagens na Via do Infante




1. Preparar a mensagem em casa e colar no vidro do carro.



2. Encontro no Parque das Cidades.



3. A caminho do aeroporto de Faro. A polícia teve uma actuação salutar dentro das regras do jogo democrático. Desta vez não houve agentes policiais a multar o mesmo manifestante quatro vezes de uma assentada e não houve pressões de maior sobre os automobilistas para acelerarem as viaturas.



4. Na rotunda junto do Forum Algarve.



5. Fotografando caras conhecidas. Aproximadamente três mil metros de fila de descontentes segundo relatos da imprensa. Até ao próximo protesto!

Vai a Democracia Resistir ao Capitalismo?



1. De um lado, a imposição do austeritarismo recessivo destruidor de milhares de vidas. Do outro lado, o controlo e a repressão da reacção dos manifestantes à miséria do mundo em luta por uma vida condigna. O Estado Autoritário está de regresso e a democracia em perigo. Vai a democracia resistir ao capitalismo selvagem e predador?

2. No Algarve o partido que se diz socialista caminha progressivamente em direcção a práticas pidescas. Primeiro, através das multas absurdas aos manifestantes de Março na Via do Infante. Não nos podemos esquecer que as polícias estão hoje sob o jugo do senhor ex-primeiro ministro de Portugal. Depois, através da detenção policial e da identificação dos manifestantes que resistem ao austeritarismo destruidor imposto pela Troika. Para onde caminha o Socialismo?

sexta-feira, maio 27, 2011

É já amanhã: Contra a política que se faz contra os cidadãos


Os cidadãos vão pagar mais. A região Algarve vai perder. O Estado fez um negócio ruinoso. Quem ganha com as portagens na Via do Infante? Inevitabilidades dr. João Soares? A União Soviética ruiu de um dia para o outro, o Socialismo em Espanha colapsou e no Algarve já era. O inevitável não é inevitável. Até amanhã. Encontramo-nos por lá.

Sobre as inevitabilidades ver aqui:
http://calcadaodequarteira.blogspot.com/2011/05/cabecas-de-listas-do-algarve-em-debate.html

quinta-feira, maio 26, 2011

Sócrates Disse Isto Em Faro

"O pior para o país são lideranças instáveis que mudam de opinião consoante as conveniências"

Afirmações de Sócrates em Faro

quarta-feira, maio 25, 2011

Fazer as Vezes da Comunicação Social



Já que a comunicação social portuguesa teima em não fazer bem o seu trabalho resta a blogosfera para irmos sabendo aquilo que se vai passando de mais importante no nosso país. No Rossio, em Lisboa, reúnem-se Assembleias Populares e que qualidade extraordinária elas têm. Se isto não são condições objectivas para a revolução não sei o que será.

De Repente Impedido de Postar

Ficar impedido de postar em época de campanha eleitoral leva imediatamente um bloger dependente à teoria da conspiração. Vou acreditar que foi um erro técnico. E azelhice do bloguer. Tudo normal de novo.

terça-feira, maio 24, 2011

O Meu Voto Vai Para o Bloco


Aqui vai a explicitação da racionalidade do meu voto. A direita vai ganhar as eleições via coligação pós eleitoral PSD e CDS/PP. É urgente correr com Sócrates para dar espaço à reinvenção do partido socialista (vai ser um caminho longo). Depois é preciso combater o austeritarismo recessivo das políticas do fascismo financeiro celebradas pela direita que aí vem. O Bloco de Esquerda, o Partido Comunista e um partido Socialista que vire no longo prazo à esquerda é o caminho a percorrer na direcção de uma sociedade mais justa. O partido socialista terá que mudar totalmente de personagens. Não sei se os socialistas ultrapassam hoje a meia dúzia. Mas é evidente que o topo do aparelho de Estado do governo socialista actual tresanda um cheiro a manigâncias que se sente ao longe. É esta a razão pela qual o meu voto vai para o Bloco. Se o sistema partidário não resolver a questão por dentro, um dia destes a rua faz a revolução. E vontades nesta direcção já são bem expressas e explícitas nas palavras de ordem que circulam de praça em praça.

segunda-feira, maio 23, 2011

As Fantasias da Vergonha

Economista Prémio Nobel afirma que Portugal, Irlanda e Grécia não podem e não vão pagar a dívida na totalidade. As medidas de austeridade já fracassaram, mas o Banco Central Europeu não quer aceitar o fim das suas fantasias.

Ver a perspectiva de Paul Krugman aqui:
http://www.esquerda.net/artigo/bce-parece-querer-provocar-crise-diz-krugman

Comentário: Se Sócrates ganhasse as eleições, o que felizmente não vai acontecer, ainda o ouviriamos a dizer que seria uma "irresponsabilidade" não renegociar a dívida. Felizmente, a política da mentira tem limites. Se Sócrates ganhasse as eleições só restaria a solução de mudar de povo. Assim, mudamos de governo e a vida continua. Não nos vamos salvar da falência (não utilizo a expressão bancarrota pois isso segundo a novilíngua socialista é maledicência). Mas a vida continua. Em democracia de preferência.

domingo, maio 22, 2011

Paulo Futre



Ridícula a esquizofrenia que se fez à volta das propostas de Paulo Futre sobre o "Chinês". Depois de Eusébio, Futre foi o jogador de maior projecção internacional até à chegada da geração de Figo e Rui Costa. Não tenho dúvidas em afirmar que foi o melhor jogador português da minha geração. Só a ausência de memória mediática pode transformar o valor futebolístico de Paulo Futre num fait-divers nacional. Na lógica consumerista actual o que conta é o aqui e agora de cada momento. O efémero, o acontecimento, é a tirania de todas as coisas. A mercadorização do mundo dos vivos põe o passado para trás das costas num fechar de olhos. A não ser que o passado dê ainda lucro, o passado morreu.

Dia 28 de Maio no Algarve: Contra a Colonização do Mundo da Vida


Já todos sabemos. Os cidadãos em nome individual, olhados tecnocraticamente pelo poder como contribuintes, vão pagar. A região Algarve leva um rombo económico e social e vai perder. Portugal foi mais uma vez capturado pelos interesses privados segundo relatório produzido pelo próprio Estado, sendo mais uma vez roubado. Se ninguém ganha com isto a não ser os mesmos de sempre, a rua tem que falar mais alto. Contra a usura do Estado. Contra a perseguição policial via multa aos manifestantes. Contra a política que se faz contra os cidadãos. Eu vou lá estar. Acampado se necessário.

Para mais informações sobre a justeza do protesto ver aqui:
http://www.tvi24.iol.pt/aa---videos---sociedade/scut-portagens-estradas-tvi24-auto-estradas/1252649-5795.html

sábado, maio 21, 2011

Revolta ou Revolução?



O protesto popular massivo de contestação do austeritarismo recessivo que se levanta em nome da recusa da "inevitabilidade" de uma mais brutais regressões sociais da história do mundo ocidental parece-me ter associado a si o risco de um efeito perverso de nada mudar e de uma descrença ainda maior se instalar. O potencial destes movimentos teria que resultar numa efectiva alteração das estruturas sociais e numa transformação da democracia no sentido de uma maior democratização da mesma. Se estes movimentos não evoluirem à maneira Islandesa, apenas se trata de não mudar nada para que tudo fique como estava. A tomada do parlamento e a responsabilização efectiva da banca e dos agiotas dos mercados financeiros seria o primeiro passo para a restauração da dignidade da democracia. Os Islandeses têm comissões populares eleitas pelo voto popular a refazer a constituição Islandesa. Se não ocorrer nada semelhante nos outros lados os poderes dominantes vão manter tudo na mesma.

Vai a Democracia Resistir ao Capitalismo?



Imagens da revolta popular em Madrid.

sexta-feira, maio 20, 2011

O Povo Está Na Rua



Um pouco por todo o lado a pequena burguesia citadina está a sair à rua. Aqui, em Las Palmas, as palavras de ordem contra um sistema social que arrasa de cima a baixo a qualidade de vida das populações são dignidade, respeito, democracia. A política e a banca estão na mira da fúria popular. A esperança num mundo melhor apenas se vislumbra a partir dos movimentos sociais em luta pela democracia e contra o fascismo austeritário. A união da política, da banca e dos agiotas financeiros está a sofrer um sério revés. Entretanto, a comunicação social portuguesa anda interessadamente distraída. Entre a contratação do Domingos pelo Sporting, os famosos nas tribos indígenas e a revolta popular em Espanha tudo se equivale. O intervalo segue dentro de momentos. Nada se passa.

Para ver o acampamento popular nas Puertas Del Sol, em pleno coração de Madrid, acompanhe aqui:
http://www.soltv.tv/soltv2/index.html

Da Falência da Política

Acabo de ver metade do debate entre José Sócrates e Pedro Passos Coelho e cheguei a uma miserável conclusão. Ganhe quem ganhar as próximas eleições, o país não vai conseguir evitar a bancarrota. Estamos dependentes de um milagre da Nossa Senhora de Fátima.

quinta-feira, maio 19, 2011

Os Mercados Reagem - As Pessoas Também



Espanhóis acampam literalmente nas Portas Del Sol, uma das principais praças da capital espanhola. Vale a pena ver o programa político elaborado pelos representantes do movimento do protesto em resposta às críticas do esclesorado sistema político institucionalizado via partidos políticos. Os mercados reagem, as pessoas também. O austeritarismo recessivo traz consigo a virtualidade da construção de movimentos sociais fortíssimos em defesa das democracias ocidentais. O Fim da História não passou de uma utopia sem sentido. A Espanha está a construir a sua praça Tahir.

Ler mais aqui: http://aeiou.expresso.pt/espanha-manifestantes-voltam-a-encher-a-puerta-del-sol=f649862

FMI É Bom, Bancarrota É Óptimo

O Algarve registou a mais alta taxa de desemprego do país atingindo 17 % entre Janeiro e Março.

Ver mais aqui:
http://www.observatoriodoalgarve.com/cna/noticias_ver.asp?noticia=45083

terça-feira, maio 17, 2011

Novas Oportunidades

Hoje vou defender as políticas do governo de José Sócrates. A iniciativa "Novas Oportunidades" foi uma das mais inovadoras medidas de política pública para a educação de Adultos do pós 25 de Abril em Portugal. Elas inserem-se na continuação das políticas criadas pela ANEFA no tempo de António Guterres (interrompidas pelo governo de Durão Barroso). São perto dos 70% os valores da população activa adulta que tem o nono ano de escolaridade ou menos. Os empresários ainda têm menos escolaridade do que os seus trabalhadores. Uma tragédia nacional. Os dispositivos de reconhecimento, validação e certificação de competências existem um pouco por toda a Europa sob diversas modalidades. O que propõe o PSD? Um ataque fortíssimo a um programa que tem um papel central na qualificação da população portuguesa adulta. Ataque esse baseado na ignorância. O PCP e o Bloco de Esquerda têm uma obrigação moral (na defesa dos valores de esquerda) em defender acerrimamente este programa. Há coisas na política que têm obrigação de continuidade para a sua melhoria. Esta é uma delas.

Da Pesca Lúdica no Algarve



A ignorante burguesia citadina que comanda o aparelho de Estado não entende, porque o seu viés etnocêntrico de classe não o permite o valor que tem a pesca lúdica, para populações que fazem dela o seu modo de vida, para pessoas que esperam ansiosamente pelo fim de semana pelo prazer pelo prazer da pesca à linha; pelo encontro semanal com os amigos e conhecidos naquela que é também uma actividade que funciona como um poderoso mecanismo produtor de sociabilidades sociais. Não foi só a destruição da frota de pesca via política europeia. Um certo racismo social instalado também vai dizimando aos poucos os modos de vida das populações locais. Em nome do progresso. Sempre em nome de uma certa ideia de "progresso".

domingo, maio 15, 2011

No país de Sócrates e na cidade de Rio: Desfeito o sonho de Ivan Illich



Talvez uma das mais criativas experiências espontâneas de educação popular dos últimos tempos em Portugal. Escola sem Estado, sem exames, sem burocracia, sem hierarquias rígidas, sem manuais programáticos, sem toques de campainha, sem espaços estandardizados. Aprender fora da forma escolar dentro da escola. Desescolarizar à maneira de Illich. Uma autêntica fábrica social para fazer juz ao nome da rua. Um topo do Estado ignorante e castrador não está preparado para tanta criatividade. No país de Sócrates e na cidade de Rio. E era só aproveitar a criatividade, potenciá-la, dar-lhe asas. Mas não, tudo ao contrário. Nada de novo, num Estado com uma voracidade demoníaca de controlo social.

Ver tudo aqui:
http://escoladafontinha.blogspot.com/

sábado, maio 14, 2011

FMI É Bom, Bancarrota É Óptimo: Efeitos Imediatos do Acordo Bom

Austeridade empurra salários e consumo para queda histórica

No mesmo dia em que se soube que Portugal já entrou em recessão técnica no primeiro trimestre, a Comissão Europeia (CE) veio agravar as perspectivas para os próximos tempos.

Nas suas previsões de Primavera, a instituição aponta para dois anos de recessão e um desemprego recorde. As medidas de austeridade já aplicadas e as que decorrem do acordo de ajuda externa vão ter um impacto enorme na vida dos portugueses, atirando o consumo privado para a maior queda de sempre e os salários reais para o maior recuo desde 1984, quando o FMI também interveio em Portugal.

Os gastos das famílias vão ressentir-se com os cortes salariais, os aumentos de impostos, a inflação, a subida das taxas de juro e o desemprego. A CE prevê que, em 2011, o consumo privado recue 4,4 por cento e outros 3,8 em 2012. A verificar-se, será a maior queda deste indicador desde que há registos dos dados. Os salários vão também ressentir-se com as medidas de austeridade, desde logo devido ao corte de 5 por cento na massa salarial dos funcionários públicos.

De acordo com as previsões da CE, os salários reais vão descer 3,6 por cento este ano e outros 1,9 em 2012, naquela que é a maior queda entre os países da zona euro. As quedas nominais são ainda maiores (7 e 3,9 por cento, respectivamente), visto que Bruxelas está a prever uma inflação de 3,4 e 2 por cento em Portugal.

A queda em 2011 não surpreende, devido ao corte salarial na função pública, mas o novo recuo das remunerações em 2012 espelha já que a economia fará um ajustamento salarial por baixo. As medidas de flexibilização laboral acordadas com a União Europeia (UE) e o FMI, a facilitação do despedimento e o nível recorde de desemprego irão pressionar os vencimentos dos novos contratados, reduzindo o nível geral das remunerações.

Tanto para 2011 como para 2012, as previsões da CE representam a maior queda dos salários reais desde 1983 e 1984, quando estes recuaram 5,7 e 9,2 por cento, respectivamente, na sequência da intervenção do FMI.

No sector público, as despesas com salários vão estar, este ano e no próximo, ao nível mais baixo dos últimos 20 anos e os gastos com prestações sociais (subsídio de desemprego, abonos de família ou o rendimento social de inserção) vão sofrer uma redução, na sequência das medidas de austeridade já previstas no Orçamento do Estado de 2011 e exigidas pela própria troika. A CE prevê que, este ano, os encargos do Estado com as transferências sociais atinjam o nível mais baixo desde 1999. Esses encargos, em percentagem do PIB, vão mesmo registar em 2011 a maior descida desde 1983 (-1,3 por cento).

Ver mais aqui: http://economia.publico.pt/Noticia/austeridade-empurra-salarios-e-consumo-para-queda-historica_1494150

sexta-feira, maio 13, 2011

Do Ciberactivismo Algarvio

O faceboock já funciona em força no Algarve como canal de mobilização para o protesto de massas. Passa-se no sítio Algarve - Portagens na A22 Não e ficamos a perceber o mega descontentamento dos algarvios e residentes no Algarve, o historial do protesto feito pelos próprios e a voz do "povo" em primeira mão.

Por lá ficamos a saber como evolui a organização do protesto, as multas que os cidadãos que participaram na manifestação de Março na Via do Infante estão a receber (alguns dizem ter recebido multas num valor superior a 500 euros) e o misterioso desaparecimento das câmaras de vigilância dos pórticos da zona de Faro. Uma autêntica resistência popular organizada contra o mundo da política.

Aposto um jantar de camarão e lagosta em como a imprensa local, regional e nacional vai ser muito mais expedita a noticiar o desaparecimento das câmaras do que a informar das multas pidescas que os manifestantes estão a receber em casa, o mesmo é dizer, fazer a denúncia pública de uma estratégia pidesca do governo de Sócrates para fazer face ao protesto popular. Vai uma aposta?

Pode acompanhar tudo aqui:

A inércia dos políticos e o festim dos banqueiros

Três anos de reuniões do G20 que visavam criar uma «nova sinfonia planetária» conservaram portanto intacto um sistema que mistura desregulação bancária, prémios faraónicos para os geniozinhos da «inovação financeira» e pagamento de todos os danos que eles causam aos contribuintes e aos Estados. Os socialistas franceses mostram-se indignados pelo facto de «no ano a seguir à crise do subprime os governos terem atribuído mais dinheiro para apoiar os bancos e as instituições financeiras do que o mundo gastou, em meio século, para ajudar os países pobres!». Mas as soluções por eles preconizadas assemelham-se a remendos (sobretaxa fiscal de 15% para os bancos) e a votos piedosos (eliminação dos paraísos fiscais, criação de uma agência de notação pública, taxa sobre as transacções financeiras), a partir do momento em que eles condicionam a implantação destas medidas a uma muito improvável «acção concertada dos Estados-membros da União Europeia».

Assim, a crise que já devia ter sido vista como «crise a mais» foi uma crise para nada. Andrew Cheng, principal consultor da Comissão de Regulação Bancária chinesa, sugere que esta passividade resulta de um «problema de captura» dos Estados pelo seu sistema financeiro. O mesmo é dizer que os responsáveis políticos se comportam demasiadas vezes como marionetas que se preocupam, sobretudo, em não incomodar o festim dos banqueiros.

Por Serge Hamili na última edição do Le Monde Diplomatique.

Ler o artigo todo aqui: http://pt.mondediplo.com/spip.php?article807

quarta-feira, maio 11, 2011

Do ciclo vicioso austeritário



Os mercados reagem. As pessoas também. Na Grécia, continuam as greves, os protestos e a contestação social. O ciclo vicioso austeritário gera mais regressão económica e social que por sua vez gera mais medidas austeritárias que por sua vez geram mais regressão económica e social que por sua vez gera mais medidas austeritárias. No final da História resistirá a democracia ao capitalismo?

terça-feira, maio 10, 2011

Elevar o Gosto

O Acordo

Há uma narrativa que se vai tornando hegemónica no espaço da opinião publicada que é absolutamente delirante. Os consensos dominantes de sempre não admitem a discussão da possibilidade do "acordo" com a troika não ser bom e dão como adquirido a bondade da potencialidade do "acordo" na lógica, mais uma vez, da "inevitabilidade" do mesmo para o desenvolvimento do país.

Esta narrativa absurda vai ter como consequência provável o absurdo da narrativa das suas consequências. Como o acordo é "bom", do que se trata é de ter um bom governo da nação que funcione como rolo compressor que cilindre o "povo português" com as suas inquestionáveis "boas" medidas. Os cérebros de sempre virão sempre dizer que do que se trata é de explicar a bondade das medidas ao bom "povo português" para que as pessoas "entendam" como o "acordo" é bom para elas. Tudo se passa como se, explicado aos desempregados que o desemprego é bom para eles, estes estivessem na disposição de aceitar de forma benévola a sua penosa condição.

As consequências desta narrativa, apontem aí por favor, são expectáveis. Como o "acordo" é bom, perante um mais do que provável desastre futuro da economia e da mais violenta recessão do Portugal das últimas dezenas de anos, o problema será mais uma vez da "incompetência" dos seus governantes que não souberam pôr em prática o bom "acordo" elaborado com tanta sapiência pela troika. Somos bons nisto. Depois não nos queixemos da "nossa" auto-estima andar em baixo. É que nessa altura aqueles que nos chamam PIGS vão fazer questão de nos lembrar disso. Na Grécia a culpa é dos Gregos e na Irlanda dos Irlandeses. Para quem não alinha nas narrativas próximas da história da carochinha restam os Islandeses como inspiração.

Na narrativa dos consensos dominantes não há luta de classes, não há ordem capitalista, não há economia de casino, não há dominados e dominantes, não há interesses contraditórios. O mundo é plano e a vida é uma concórdia. Valha-nos a Mãe Soberana.

segunda-feira, maio 09, 2011

A RTP do Governo



1. Este fim de semana estava tranquilamente a tomar o pequeno almoço numa pastelaria em Loulé quando, de repente vejo na TVI um conjunto de manifestantes entrar RTP a dentro a exigir o fim da censura, a reinvindicação de liberdade de expressão e a reposição da democracia. De megafone na mão, Garcia Pereira, doutorado em Direito e líder do MRPP comandava as tropas a exigir tempo de antena de todos os partidos que vão disputar as eleições democráticas (?) de 5 de Junho. Meteu barreiras à entrada dos seguranças e depois de vinda a polícia parece que as coisas lá acalmaram.

2. Confesso que desde que Sócrates é primeiro ministro de Portugal perdi toda a confiança na RTP e passei a ver muitos poucos dos seus noticiários (não é que isto seja um exclusivo do governo de Sócrates, mas o desejo de controlo total de todos os orgãos de informação, blogosfera incluído, já é um seu exclusivo). Para ser alienado das "realidades" do país já me basta o líder do governo. A SIC do primeiro mandato já me deixava muitas reservas. Entretanto parece que desde o início da queda do império Sócrates o mano Costa lá foi sendo cada vez mais isento na informação. A TVI, por seu lado, foi a pouca vergonhice governamental que a gente sabe. Com as mudanças após a saída do casal Moniz já não lhe deposito a mesma confiança, mas mesmo assim, ainda é aquela que me vai merecendo mais crédito na hora do noticiário. Depois o pessoal da RTP que não se admire que a direita a privatize. É que se é fundamental uma boa televisão de serviço público em Portugal, se é a própria que se recusa a pô-lo em prática, ela arrisca-se a não ter o apoio de que necessita de boa parte da população portuguesa para conseguir sobreviver. E argumentos fortes de ausência de serviço público não faltam.

sábado, maio 07, 2011

Alemanha decreta o fim do nuclear



Março de 1979, Pennsylvânia, Estados Unidos da America, acontecia o maior desastre nuclear da história americana. Ontem, 7 de Maio de 2011, a chanceler Angela Merkel, depois de um forte movimento social de constestação na Alemanha, na sequência do desastre nuclear de Fukochima, no Japão, decreta o fim da opção nuclear. Este é um momento histórico para a humanidade.

Ver aqui: http://noticias.pt.msn.com/Internacional/article.aspx?cp-documentid=157347727

Tristes Elites Políticas da República Portuguesa

1. Para que conste. A política é a mais nobre das actividades humanas. Tudo na vida depende da organização social e política. Desde o ar que respiramos, à roupa que usamos.

2. Para que conste. Os partidos são fundamentais à democracia. Sem partidos não há democracia. Mas a democracia não pode ficar refém dos partidos.

3. Um Presidente da República Portuguesa vir dizer que vivemos acima das possibilidades e que precisamos mudar de vida ou não sabe aquilo que diz, ou é ignorante social e políticamente ou faz uma escolha clara de penalização das populações mais desfavorecidas socialmente. A pergunta justa era: - Quem é que vive acima das suas possibilidades? Como organizar a sociedade para torná-la mais justa e igualitária socialmente? Estas perguntas simples não cabem nas mentes das tristes elites políticas repúblicanas no poder.

4. Serão os portugueses que ganham o salário mínimo congelado de menos de quinhentos euros mensais os que vivem acima das suas possibilidades? Algum desses ideólogos inconscientes neoliberais que passam a vida a dizer que os outros têm que mudar de vida já pensou em viver com quinhentos euros mensais? Viverão os perto de 11% de desempregados oficiais que agora viram cortados os seus subsídios de desemprego acima das suas possibilidades?

5. Sócrates continua com a mesma estratégia de sempre. A mentira, a propaganda, a vitimização. Centenas de milhares de pessoas protestaram nas ruas mobilizadas pela "geração à rasca". Sócrates reuniu-se ontem em Portimão com a "geração activa". É o governante mais aldrabão da História de Portugal.

sexta-feira, maio 06, 2011

Carta aberta ao Excelentíssimo Senhor Governador Civil de Faro

Excelentíssimo Senhor Governador Civil do Distrito de Faro,

Venho por este meio, como cidadão nascido e residente na região do Algarve mostrar a minha profunda indignação pelo facto do cidadãos que exerceram o seu direito constitucionalmente consagrado de protesto e de manifestação de descontentamento com as orientações políticas do Governo da República no dia 19 de Março de 2011, no que toca à instalação de portagens na Via do Infante, estarem a receber notificações para pagamento de multas por circularem abaixo do limite de velocidade permitido por lei e por motivos de paragem dos seus veículos motorizados durante o percurso na mesma via. Para além de tais autos correrem o risco de ser interpretados como um manifesto acto intimidatório do direito ao protesto consagrado nas democracias ocidentais, é revelador de uma profunda menorização do direito por parte dos algarvios e residentes na região do algarve a exercerem a sua cidadania. Quero crer que os comportamentos das autoridades policiais apenas resultam de um excesso de zelo que em nada dignifica as responsabilidades democráticas das superiores instâncias de representação da República. Não ficarei descansado na condição de cidadão português enquanto não houver um esclarecimento cabal de que o estado direito democrático não está a violar os mais elementares direitos e garantias da vida dos seus cidadãos. Se corrermos o risco de caminharmos na direcção de uma cultura da intimidação e do medo, então é a própria ideia de democracia que está em causa. Espero sinceramente que não seja isso o que está a acontecer na região do Algarve.

Com os melhores cumprimentos

João Martins - Cidadão Português

quinta-feira, maio 05, 2011

Das Desigualdades de Rendimento na Sociedade Portuguesa

Portugal é dos países com maior nível de desigualdade da Europa apesar de na última década a desigualdade familiar ter diminuído graças aos apoios sociais. Situação que pode regredir se a crise financeira obrigar a cortes, revela um estudo. O estudo "Desigualdades Sociais", da autoria do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG) de Lisboa para a Fundação Francisco Manuel dos Santos, permitiu fazer duas constatações: Portugal é um dos países com maior nível de desigualdade da Europa e as desigualdades familiares têm diminuído. "O primeiro resultado é a constatação de algo que já conhecíamos: somos o último ou o penúltimo no ranking dos países com maior desigualdade e se pensarmos numa Europa não a 27, mas a 15 somos indiscutivelmente o país mais desigual", adiantou, à Lusa, o coordenador do estudo. Por outro lado, de acordo com o professor Carlos Farinha Rodrigues, "em termos das desigualdades familiares, tem-se registado nos últimos 10, 15 anos uma ligeira diminuição da desigualdade que no entanto não é suficiente para alterar a posição em termos europeus". "Nós temos uma ligeira redução na desigualdade dos rendimentos das famílias, mas a manutenção de altos níveis de desigualdade salarial", constatou ainda Farinha Rodrigues. De acordo com o coordenador do estudo, a explicação para este "comportamento dual" tem a ver com o facto dos indivíduos mais pobres terem vindo a ver a "sua posição melhorar, ainda que ligeiramente, e é isso que tem feito alguma pressão para a descida da desigualdade familiar". Farinha Rodrigues apontou que um "elemento importantíssimo para a redução das desigualdades familiares têm sido as políticas sociais de apoio aos indivíduos mais desfavorecidos" e deixou um alerta caso a reação à crise traga cortes nestes apoios. "As políticas sociais foram concebidas para a redução da pobreza e a exclusão social, mas têm um efeito ligeiro sobre a desigualdade e tem sido esse um fator determinante na evolução da desigualdade. Se a forma de reagir à crise for em Portugal como foi noutros países a redução dos apoios sociais, eu penso que haverá a anulação deste efeito e provavelmente um aumento das desigualdades", avisou. No caso das desigualdades salariais, o coordenador apontou que "os indivíduos que têm os salários mais altos têm sido o motor do agravamento das desigualdades". Farinha Rodrigues disse que esta é uma situação que já vem desde "há vários anos" e que não tendo uma razão única, há vários fatores que têm contribuído. "Em primeiro lugar os fracos níveis de qualificação da sociedade. Não temos tido políticas direcionadas para a promoção da equidade. Outro aspeto é que o próprio funcionamento da nossa economia, o nosso modelo de crescimento, gera desigualdades", explicou. Outro motivo está relacionado com "uma relativamente fraca abrangência do nosso sistema fiscal que deixa de fora uma série de rendimentos ligados à economia informal", acrescentou, ressalvando que esta é uma questão que precisa de um estudo mais aprofundado.

O estudo "Desigualdades Sociais" é apresentado sexta-feira no ISEG.

A propósito das coisas que vou ouvindo por aí

Será que Marx teria lugar nas universidades de hoje, ou teria que andar na mesma a ser expulso de uns países para outros?

quarta-feira, maio 04, 2011

FMI É Bom, Bancarrota É Óptimo

Já conhecemos o plano que a Troika elaborou para a governação do país. Um dia antes das medidas serem anunciadas publicamente José Sócrates e o governo Socialista prendaram-nos com um dos mais hilariantes números circences da (ainda?) democracia portuguesa. O primeiro ministro discursou à nação a partir do que não estava no plano do "acordo" (com aspas) com a troika esquecendo por completo o que foi "acordado" (com aspas) com a dita cuja. O primeiro ministro que diabolizou o FMI, que jurou a pés juntos que nunca governaria com o FMI tornou o "acordo" (com aspas) na quase sétima maravilha do mundo. Subentende-se no discurso do primeiro ministro que o "acordo" (com aspas) foi uma coisa boa para o país. Nunca como hoje a novilingua Orwelliana foi levada tão longe por um governo em Portugal. FMI é bom, bancarrota é óptimo.

O plano real foi conhecido hoje (não o plano imaginário das mentiras do primeiro ministro e do governo socialista). Aumentos astronómicos no IVA de produtos de primeira necessidade e outros. Aumentos no IRS. Diminuição de deduções com a saúde, a educação e noutras conquistas sociais. Cortes nos subsídios de desemprego (medida sempre asquerosa para um governo socialista). Cortes nos apoios sociais. Aumento no IMI. Despedimentos massivos na função pública (que ainda ontem o primeiro ministro afirmava à boca cheia que não aconteceria). Encolhimento das autarquias e juntas de freguesia (uma das principais conquistas de Abril). Aumento nas taxas moderadoras da saúde e cortes brutais nas verbas para a saúde e educação. Privatização indecorosa dos melhores recursos públicos a preços de saldo e por fim, no meio de tantas outras medidas de brutal regressão social, a cereja em cima do bolo, doze mil milhões de euros literalmente sacados aos contribuintes para injectar na banca para tapar os "buracos" gerados por banqueiros corruptos na vandalização literal dos recursos da república portuguesa (já se tinha percebido porque obrigaram os banqueiros a democracia a ceder à troika FMI/BCE/UE). Perante este vendaval de regressão económica e social é inacreditável que uma parte da indigente opinião publicada nacional encare o "acordo" como "positivo".

Uma das conclusões fortes que podemos tirar deste "plano de resgate" é que estamos perante uma das mais poderosas ofensivas dos ideólogos neoliberais. A doutrina de choque do capitalismo de desastre é assumida pelos próprios feitores de mais desastre como provocando, desde já, este ano, uma recessão de dois por cento na economia nacional e mais dois por cento no ano que se há-de seguir. Um plano que aprofunda a recessão e que leva numa lógica circular viciosa a mais recessão é encarado por parte da iluminária nacional como "inevitável" e "necessário". O problema é que a realidade é sempre mais forte e complexa do que as ideias de boa parte das elites que nos desgovernam. Vai vir o PEC VI, depois virá o PEC VII, depois haverá a renegociação da divída em cima da mesa (um diabo para os credores) e poderá vir o dia em que estaremos em risco (já estamos) de ter que declarar publicamente a bancarrota. Se não for à maneira Islandesa não vejo maneira de dar a volta a isto. FMI é bom, bancarrota é óptimo. Ganhou a novilíngua orwelliana. E a democracia?

Nota: O pessoal blogosférico já traduziu o memorando do "acordo" com a troika para português.

Pode consultar aqui: http://aventar.eu/2011/05/04/memorando-da-troika-em-portugues/

terça-feira, maio 03, 2011

Especulações sobre o ambiente em época de crise

Em época de crise económica o que acontecerá com as preocupações ambientais? Algumas especulações: - Por um lado, as preocupações com a resolução da crise económica deixam pouco espaço para as preocupações ambientais. Por outro lado, a crise económica afectando a produção e levando a uma menor capacidade de consumo contribuiria por si só a uma melhoria da qualidade ambiental. Terceira especulação possível: - O ambiente como parte da solução para a resolução da crise económica. Apostar bem forte na economia verde diminuindo a dependência dos factores de produção dos combustíveis fósseis. Qual destes cenários será o mais credível?

Elevar o Gosto

segunda-feira, maio 02, 2011

O Socialismo chegou à indecência

Depois da diabolização dos sindicatos e dos sindicalistas, depois da perseguição a jornalistas e blogues durante o primeiro mandato, o socialismo, na versão socratista, parte agora na sua agonia final para a mobilização do Aparelho Repressivo do Estado. A democracia não aguenta mais tempo uma coisa destas. Quem quiser exercer o seu livre direito de manifestação neste país à luz dos direitos consagrados na Constituição da República, que se prepare, a partir de agora, aconselha-se colete à prova de bala.

Deixo-vos o relato na primeira pessoa:

(...) Após algumas centenas de metros na cauda da manifestação da CGTP, da qual estava separada apenas por um cordão de agentes da PSP (cerca de 5), a manifestação anti-autoritária seguiu um rumo diferente, em direcção ao bairro da Fonte Nova, uma das zonas da cidade mais carregadas de memória histórica pelas lutas operárias de vários anos. Mais uma vez, e apesar de não haver qualquer agente da PSP nas imediações, a manifestação prosseguiu o seu rumo pacífico e combativo, gritando palavras de ordem e comunicando com a população e os transeuntes. Após cerca de duas horas, chegou ao Largo da Fonte Nova, onde foi ligada uma aparelhagem sonora na parte de trás de um carro. Tocava Zeca Afonso.
O pessoal dispersou pelo largo e pelas ruas à volta, a conviver. Não houve qualquer dano a qualquer tipo de propriedade, nenhum conflito com os moradores. Aliás, não chegámos a estar ali mais do que vinte minutos.
Chegou um carro com dois polícias (talvez fossem mais, mas só dois se aproximaram), que solicitaram que o volume fosse reduzido, o que aconteceu. Na conversa que se seguiu, enquanto um dos polícias pediu a uma das pessoas que estava junto do carro que se identificasse, o outro começou a ordenar às outras pessoas que se afastassem. Quando a pessoa que estava junto do carro respondeu que não tinha identificação, o agente em questão imediatamente a agarrou e lhe disse que tinha de ir à esquadra.
Quem estava à volta teve apenas tempo para se aproximar para perguntar o que se passava, uma vez que no espaço de 30 segundos chegou uma carrinha, de onde saíram meia dúzia de agentes que começaram a disparar tiros de caçadeira. Repito, chegaram a alta velocidade, pararam, saíram e dispararam. Várias pessoas foram atingidas pelo que se veio a revelar serem tiros de borracha (aqueles mesmos que tiraram um olho a um adepto do Benfica há duas semanas). Foram disparados para o ar tiros de pistola de fogo real.
Começaram a chegar vários carros da PSP, enquanto os agentes no local aproveitaram a surpresa para isolar cerca de 3 ou 4 manifestantes (o primeiro, que não tinha identificação, e mais alguns que se aproximaram ), que começaram a espancar no chão enquanto lhes atiravam gás pimenta para os olhos. Perante este cenário, os restantes manifestantes avançaram, puxaram os que estavam a ser espancados, defenderam-se da melhor maneira possível e recuaram para o outro lado do Largo. Quando a polícia resolveu continuar a investida, foi recebida por uma chuva de pedras e garrafas. Alguns manifestantes pegaram em chapéus e mesas de uma esplanada vizinha, para se defenderem. Um carro da PSP que chegou a alta velocidade foi embater numa carrinha de um morador/comerciante que ali estava estacionada, danificando-a. Para trás ficou o indivíduo que vem aparecendo em várias fotografias e que quase ninguém conhecia. Várias testemunhas afirmam que ele foi baleado no chão com uma caçadeira, quando já estava detido pela polícia.
O resto da manifestação dispersou em pequenos grupos, que foram literalmente "caçados" pelas ruas de Setúbal, onde continuaram a ser disparados tiros de borracha e efectuadas detenções com grande aparato, para estupefacção da população que passava e assistia a polícias sem identificação que ameaçavam, insultavam e empurravam todos os que tinham um ar suspeito. A senhora da PSP que parecia coordenar as operações deu indicações pela rádio segundo as quais deveriam ser detidas todas as pessoas que usassem "roupa preta" ou tivessem um "aspecto esquisito". Alguns manifestantes foram detidos dentro de cafés e metodicamente espancados dentro da carrinha antes de serem conduzidos à esquadra.
Testemunhei tudo o que relato em pessoa, com excepção do que aconteceu após a carga inicial, quando toda a gente dispersou em pequenos grupos pela cidade. Pude em todo o caso ver as marcas deixadas pela PSP nos corpos de vários manifestantes (e não só, muitos moradores também apanharam simplesmente por terem vindo à rua tentar acalmar a polícia) e cruzar diversos relatos e versões que se confirmam mutuamente.
A polícia mente quando afirma que foi recebida à pedrada e mente de forma descarada quando refere comportamentos impróprios por parte dos manifestantes. Tal como no 25 de Abril de 2007 fomos premiados com a notícia de montras estragadas e cocktails molotovs que ninguém chegou a ver, no 1º de Maio de 2011 a PSP procura inverter as responsabilidades pelos acontecimentos, escrevendo um romance policial de escassa qualidade. (...)

Chegados aqui, várias questões se colocam, desde o excesso da carga policial até à reiterada mentira nos comunicados da polícia de cada vez que um caso destes acontece. Mas o que me parece mais grave é o silêncio dos media perante estes acontecimentos. Os mesmos jornais e televisões que denunciam os excessos dos regimes autoritários árabes, do Egipto à Síria, calam-se quando agentes da polícia portugueses usam balas reais em manifestações pacíficas e atiram aos joelhos balas de borracha. Quando esses agentes percorrem as ruas de uma cidade portuguesa em busca de indivíduos "vestidos de preto" ou de "aspecto esquisito". Dos cordões policiais em manifestações pacifistas ao uso de armas com munições reais contra gente que se limita a estar na rua, um caminho muito perigoso foi percorrido. Num país que não denuncie estes casos graves, que não os evite, que não castigue os abusos claros das autoridades policiais, eu não quero viver.

Ver aqui:
http://arrastao.org/2248115.html

Sair à Rua é Tudo o Que Nos Resta

O documentário tem mais de uma hora. Mas é de uma qualidade extraordinária. Nele podemos perceber como os "Chicago Boys" e o neoliberalismo se impuseram ao mundo como ideologia dominante responsável pelo capitalismo de desastre em que vivemos. Obrigado ao César dos Amigos da Rua Gonçalo de Carvalho de Porto Alegre, Brasil, por esta partilha de conhecimento extraordinária. Resistir é preciso.

Ver todo o documentário aqui: http://vimeo.com/21049802

Nobel da Paz Captura Bin Laden


Não tenho dúvidas de que o terrorismo deve ser combatido por todos os meio legítimos ao dispor de um regime democrático. Tenho muitas dúvidas que um estado de direito democrático qualquer que ele seja possa fazer do assassínio de quem quer que seja uma vitória moral. A moral dos regimes democráticos talvez não passe por aqui. Um facto é inegável. Dá um grande jeito a Obama nas próximas eleições.

domingo, maio 01, 2011

A Sociologia Saiu à Rua

Manifesto para um mundo melhor

Como cientistas sociais que partilham valores de democraticidade e de justiça social, temos estado atentos a esta crise económica internacional multifacetada e com consequências profundamente negativas no que diz respeito ao Progresso da Humanidade.

Vive-se, na Europa e nos Estados Unidos da América, um tempo de crise económica e social profunda, onde o impacto dos mercados financeiros internacionais e da especulação nas economias nacionais se apresenta como fortemente comprometedor não apenas da retoma económica, mas também, não só da estabilidade democrática, como do aprofundamento da democracia e, consequentemente, do bem-estar social.

Às elevadas taxas de desemprego, à precariedade e volatilidade do mercado de trabalho, resultado de políticas neoliberais protectoras e favorecedoras dos interesses do grande capital, os políticos têm vindo a responder com medidas de combate à crise profundamente fragilizadoras das classes de menor estatuto social e económico, mas sem impacto na resolução dessa mesma crise, servindo apenas para “acalmar” o apetite dos mercados financeiros internacionais através do pagamento de elevados e injustificados juros cobrados às frágeis economias nacionais. Estas medidas são apresentadas às opiniões públicas como as únicas verdadeiramente eficazes para minorar os efeitos da voracidade dos mercados financeiros internacionais desregulados, omitindo o papel daqueles na emergência e aprofundamento da crise. Esta é declarada e assumida pelos governantes e por muitos economistas como se de uma fatalidade se tratasse. Ao mesmo tempo, propaga-se a ideia (ideologia) da inviabilidade de alternativas, a par da fragilização, no caso Europeu, do seu Modelo Social assente na redistribuição económica alegando a sua insustentabilidade a médio e longo prazo e a sua subalternização à Europa da Concorrência.

Acentua-se a responsabilidade individual e a desresponsabilização do Estado face aos grupos sociais mais vulneráveis, reduzindo as oportunidades para se realizarem enquanto cidadãos, beneficiando os mais poderosos em prejuízo dos mais desfavorecidos.

O ataque ideológico ao Modelo Social Europeu é um ataque ao mundo, dado que aquele é o modelo-padrão a partir do qual se constroem as aspirações dos cidadãos das nações emergentes e as novas formas de organização social que urge construir nesses países para redistribuir a crescente riqueza de que poucos usufruem.

As suas consequências são o paulatino desmantelamento das protecções sociais que (ainda) limitam os danos da pobreza e da exclusão social pondo em causa o contrato social que fundamenta a democracia. Às grandes desigualdades de distribuição de rendimento existentes nos países emergentes, perpetuadoras de inúmeras vidas imersas na mais profunda pobreza, juntam-se as novas situações, nos países mais ricos, onde o nível de riqueza cresce ao mesmo tempo que o número de pobres.

É em períodos de crise que se constroem alternativas de futuro. Todos os que se sentem interpelados, descontentes e explorados não podem ser mobilizados pelo “medo” para soluções autoritárias. E corre-se esse perigo. Por isso, é este o momento certo para que os cientistas sociais, que se ocupam de analisar, de procurar compreender e de sistematizar conhecimento sobre as sociedades, as suas dinâmicas, as suas forças e também os seus efeitos perversos, se empenhem na construção do aprofundamento da democracia. Em conjunto com todos aqueles que estão dispostos a trabalhar por um Mundo Melhor. Com todos aqueles que sabem que a democracia se inventa e se reconstrói. Outros paradigmas são possíveis, mas exigem o compromisso de todos nós, para que se diminua a distância entre governantes e governados, denunciada há tantos anos por Bourdieu; para que seja possível, à semelhança do preconizado por Edgar Morin, resistirmos a uma ideologia dominante que tudo varre à sua frente e que apresenta como evidente e normal o que mais não é que a exploração e a desigualdade, que recusamos; para que seja possível compreender à semelhança de Cynthia Fleury, que a democracia tem que conter a crítica de si própria, de modo a que se reinventem as regras que nos governam, impedindo a “entropia” das democracias. Torna-se, por isso, fundamental a intervenção no espaço público, nomeadamente através da construção de um Manifesto capaz de interrogar o capitalismo desenfreado em que vivemos (e particularmente a submissão às exigências dos mercados financeiros internacionais) que sacrifica parte significativa dos seres humanos em nome do lucro exacerbado de alguns, encaminhando-os para a perda gradual dos Direitos e da Dignidade Humanos. Trata-se de um Manifesto capaz de questionar o tipo de sociedade que está a construir-se com este modelo económico e apontar para a construção de uma sociedade em que o modelo económico não faça refém a maior parte da humanidade, destruindo-lhe nomeadamente a capacidade de indignação através do aumento da insegurança e precariedade associadas ao mercado de trabalho. O papel dos e das cientistas sociais é também desconstruir as “evidências do mercado”, bem como outras ideologias tão eficazes, nomeadamente no que diz respeito à veiculação de que não existe alternativa para a actual ordem económica e social mundial.

Afirmamos, pelo contrário, que uma nova ordem económica mundial é possível: uma ordem que restitua aos seres humanos o Direito à indignação, o Direito ao trabalho, o Direito a expectativas positivas e oportunidades de vida, o Direito à Dignidade.

Propomos, por isso, a adopção mundial de medidas tendentes a diminuir o impacto social da actual crise mundial que, se consideradas pelas elites governantes mundiais, contribuirão para o incremento das economias nacionais, para restituir ao ser humano a confiança no futuro e para o aprofundamento do sistema democrático.

Uma democracia saudável é uma democracia mais deliberativa e comunicativa, em que as políticas de “redistribuição”, de “reconhecimento” e de “participação” se articulam em prol de uma justiça mais respeitadora dos direitos humanos, mais cooperativa, sem áreas marginais, tendo em vista transformar este nosso mundo numa comunidade de comunidades.

A sobreexposição da opinião pública aos economistas do regime e sua cartilha de pensamento único desvitaliza e despolitiza o espaço público, difundindo a ideia que Margaret Thatcher apregoou quando subiu ao poder e que constitui o nó górdio de todo um programa: "não há alternativa". Nos dias que correm, esta questão surge com particular intensidade no respeitante à dívida soberana. A prenoção da intocabilidade da dívida afoga todas as tentativas de a discutir enquanto instrumento privilegiado de transferência dos rendimentos do salário para o capital. Na verdade, o reescalonamento e a reestruturação da dívida deveria permitir aos países não pagarem juros extorsionários. De igual modo, afigura-se fundamental impor uma justa redistribuição dos sacrifícios, obrigando a banca (uma das principais causadoras e beneficiárias da actual crise) a pagar imposto de acordo com os lucros obtidos, a par da taxação das grandes fortunas, das mais-valias bolsistas e urbanísticas, das transferências para offshores. Finalmente, julgamos essencial que qualquer política macroeconómica calcule, de antemão, o número de pobres que vai produzir, para que se perceba e evite os danos sociais e morais da sua implementação.

A construção de um Movimento Social Internacional

Apela-se a todos os Cidadãos e Cidadãs do Mundo para aderirem a este Manifesto, em ordem a construir um Movimento Social Mundial capaz de enfrentar o actual capitalismo desenfreado que se quer fazer “senhor do mundo” e reféns as pessoas que o habitam. PELA REGULAÇÃO DEMOCRÁTICA E SOLIDÁRIA DO CAPITALISMO. PELA HUMANIDADE COM DIGNIDADE.

Almerindo Afonso (Sociólogo da educação, Instituto de Educação, Universidade do Minho), Ana Benavente (Socióloga da educação, ICS-ULHT, Lisboa), Ana Diogo (Socióloga Universidade dos Açores). Afrânio Mendes Catâni (Sociólogo, Universidade de São Paulo, Brasil) Álvaro Borralho (Sociólogo, Universidade dos Açores), Alexandra Castro (Socióloga, CET/ISCTE), Alberto Melo (Associação in Loco e Universidade do Algarve), António Teodoro (Professor, investigador em educação, Universidade Lusófona), Andrea Spini (Sociólogo, Universidade de Florença, Itália) Bernard Lahire (Sociólogo, École Normale Supérieure Lettres et Sciences Humaines, Universidade de Lyon 2, França), Boaventura de Sousa Santos (Sociólogo, Director do CES, Faculdade de Economia, Universidade de Coimbra), Carlo Catarsi (Sociólogo, Universidade de Florença, Itália) Carlos Estêvão (Sociólogo da Educação, Instituto de Educação, Universidade do Minho), Casimiro Balsa (Sociólogo, Universidade Nova de Lisboa), Claire Auzias (Historiadora, França) Conceição Nogueira (Psicóloga Social, Escola de Psicologia, Universidade do Minho) Fátima Pereira Alves (Socióloga, Universidade Aberta), Fernando Diogo (Sociólogo, Universidade dos Açores), Filipe Carmo (Historiador), Gilberta Rocha (Socióloga, Universidade dos Açores), Giovanna Campani (Antropóloga, Universidade de Florença, Itália), Isabel Guerra (Socióloga, DINAMIA/CET, IUL/ISCTE), João Teixeira Lopes (Sociólogo, Faculdade de Letras, Universidade do Porto), Luísa Ferreira da Silva (Socióloga, ISCSP - Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, Universidade Técnica de Lisboa), Manuel Carlos Silva (Sociólogo, Instituto de Ciências Sociais, Universidade do Minho), Maria Alice Nogueira (Socióloga, Universidade Federal de Minas Gerais, Brasil) Maria José Casa-Nova (Socióloga da educação, Instituto de Educação, Universidade do Minho), Maria Helena Cabeçadas (Antropóloga), Manuel Matos (Professor aposentado da FPCE, Universidade do Porto), Manuel Sarmento (Sociólogo, Instituto de Educação, Universidade do Minho), Margaret Gibson (Professor Emérita of Education and Anthropology, University of California, Santa Cruz, USA), Maurizio Matteuzzi (Filósofo, Universidade de Bologna, Itália), Michael Young (Sociólogo, da educação, institute of Education, London) Michel Messu (Sociólogo, Universidade de Nantes, França), Nancy Fraser (Henry A. & Louise Loeb Professor of Philosophy and Politics, New School for Social Research, New York, USA), Nathalie Burnay (Socióloga, Universidade de Namur, Bélgica), Paulo Pereira de Almeida (sociólogo, ISCTE, Lisboa), Pedro Silva (Sociólogo da educação, Escola Superior de Educação e Ciências Sociais, Instituto Politécnico de Leiria), Roger Dale (Sociólogo, Universidade de Bristol, Inglaterra), Rui Brito Fonseca (Sociólogo, CIES/ISCTE-IUL) Universidade de Lisboa), Rui Canário (Sociólogo da educação, Instituto de Educação, Universidade de Lisboa) Rui Santiago (Professor da Universidade de Aveiro), Saniye Dedeoglu (Centre For Research in Ethnic Relations, School of Health and Social Studies, University of Warwick, Inglaterra), Sílvia Carrasco Pons (Antropóloga, Universidade Autónoma de Barcelona, Espanha), Sofia Marques da Silva (Socióloga da Educação, FPCE, Universidade do Porto) Tiziana Chiappelli (Educadora, Universidade de Florença, Itália), Tiago Neves (Sociólogo, FPCE, Universidade do Porto) David Smith (Sociólogo, Canterbury University, Kent, United Kingdom), Vitor Matias Ferreira (Sociólogo, Prof. Emérito do ISCTE) Xavier Bonal (Sociólogo, Universidade Autónoma de Barcelona, Espanha), Xavier Rambla (Professor de Sociologia, Universidade Autónoma de Barcelona, Espanha).

Fonte:
http://www.publico.pt/Sociedade/manifesto-para-um-mundo-melhor_1492121?all=1

Continuar Abril em Maio



Se Marx tinha razão quando dizia que a maior parte da mão de obra mundial só tinha a sua força de trabalho para vender no mercado, hoje mais do que nunca é preciso celebrar Maio. Não é só o desemprego estrutural de massas que corrói a sociedade do trabalho. É também a precarização estrutural que anula qualquer possibilidade de fazer um futuro condigno. É preciso Maio, mais Maio, muito Maio.

Brilhante o post da Ana Maria no blogue Calçadão de Quarteira. Uma magnífica homenagem às mulheres trabalhadoras. Elas entraram em massa no mundo do trabalho na sociedade portuguesa sendo essa uma das maiores conquistas de Abril. Mas eles fizeram um manguito à entrada em massa no trabalho não pago e não reconhecido socialmente, o trabalho doméstico. Em consequência disso elas dão no duro nos lugares de trabalho remunerado e quando chegam a casa limpam, esfregam, cortam, cozem, enxugam, estendem, cuidam dos velhos e crianças e ainda são acusadas de não estarem sempre disponíveis ali à mão de semear para darem umas quecas. A conciliação entre trabalho e vida familiar também aqui tem sido objecto de uma completa cegueira política. Feliz dia da Mãe.

Ver aqui: http://calcadaodequarteira.blogspot.com/2011/05/primeiro-de-maio.html