domingo, janeiro 31, 2010

O IKEA na esfera pública

A implantação do IKEA ainda demora, o seu processo negocial decorria sem sobressaltos mas, muitos factores conjugados, incluindo um certo desrespeito pelo sentir algarvio, provocaram a mobilização de várias correntes de opinião. A discussão, sem precedentes, em volta de mais dois mutifacetados mega espaços da distribuição, no caso, no espaço físico ainda a descoberto do concelho de Loulé, fez levantar um cortejo de vozes que procuram a razão e a avaliação dos impactos, à luz dos interesses de desenvolvimento estratégico da região. Pela primeira vez no Algarve, estes mega projectos, saíram das fronteiras da análise estreita dos impactos e anseios de um concelho, para ser visto num contexto de implicações regionais. A prática recorrente da confinação dos procedimentos e decisões numa linha directa investidor/Governo/Autarquia, com aprovação assegurada na CIA/AMAL, foi posta em causa, dadas as assimetrias que provocam nos territórios vizinhos. Até aqui, o investidor vinha de Lisboa com o sim debaixo do braço e o Algarve calava-se. Alteravam-se todas as ferramentas jurídicas do uso do território para lhe dar justificação. E quando enfrentavam resistências, abatia-se sobre a região a força governamental dos sacrossantos PIN. O Algarve político, claudicava na racionalidade, privilegiando os ganhos imediatos contra os estragos a médio e longo prazo. Os argumentos do investimento e empregabilidade, sempre inflacionados para consumo popular, não são hoje lineares em função da experimentação. As correntes do pensamento algarvio, anestesiadas por determinados estilos de política partidária, finalmente perceberam a importância da sua opinião livre e exigência de respeito pelas Leis, que supostamente ordenam o território. É de saudar esta mudança, que sendo ténue, tem um significado profundo, no momento em que enfrentamos problemas estruturais muito sérios. Numa análise retrospectiva, quanto aos exíguos fundos provenientes dos vários quadros comunitários, conseguimos mudar pouco mais que o mapa das estradas e equipamentos sociais. O actual QREN, igualmente irrisório, embora com o mérito de vir a ser aplicado em inovação e energias limpas, é de todo incapaz de dar um novo rumo estratégico à estrutura social e económica do Algarve. Também a crise orçamental instalada, retira-nos perspectivas de alcançar uma nova etapa de mudança e poderá até comprometer o prometido. Com esta situação regimental e se o nosso silêncio persistir, o Algarve continuará a marcar passo. O valor intrínseco deste gesto de fazer valer a opinião regional, precisa de continuidade e organização. Com a regionalização ainda nas intenções, os algarvios têm de formular o seu próprio caderno negocial com o Governo e impedir a colonização de organismos e lugares de representatividade parlamentar. O Algarve, para mudar o seu curso tem de mostrar firmeza, o que não tem acontecido…
Luis Alexandre, 29 de Janeiro de 2010, no Blogue A Defesa de Faro.

sexta-feira, janeiro 29, 2010

O IKEA na esfera pública

IKEA: Um case study do capitalismo global

"Os interesses da empresa sueca IKEA em instalar um empreendimento comercial no concelho de Loulé está a desenvolver-se claramente como um ‘case study'. Não tanto pela sua propaganda de capital liberal e moderno mas, sobretudo, pelos interesses monopolistas que faz girar à sua volta e pelo séquito capitalista que mobiliza.

Do que se sabe, do plano do gigante do capital sueco, é que pretende instalar um conjunto de centros comerciais em Espanha e Portugal (com o qual não vou perder aqui muito tempo), entre as quais um deles projectado para o concelho de Loulé. Este, segundo os dados e números da empresa, seria uma loja Ikea e um centro comercial InterIkea. O investimento atingiria entre 200 a 300 milhões de euros e criaria cerca de 3000 postos de trabalho. Não havendo mais nada de concreto - pelo menos na opinião pública - nada se sabe da verdade destes números, designadamente que tipo de emprego criaria. O que se sabe é que a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve (CCDRA) já recebeu um pedido de viabilidade da obra e já efectuou reuniões internas com a IKEA e a Câmara de Loulé sobre o assunto.
Em entrevistas sucessivas, o presidente da Câmara de Loulé tem assumido que o caso está em ‘discussão pública' e a ser mal entendido e discriminado pela ignorância de alguns. Na verdade não há discussão pública nenhuma, a não ser um monólogo sucessivo da parte de um único actor: a Câmara de Loulé. Porquê? O carácter de discussão pública obrigaria a que se estimulasse um debate na região e no concelho sobre: i) se a proposta de instalação de um empreendimento comercial em terrenos considerados (pelo Plano Director Municipal em vigor) como sendo Reserva Agrícola Nacional e Áreas Predominantemente Agrícolas, contribui verdadeiramente para o que todos apregoam como sendo ‘o desenvolvimento sustentável?'; ii) se a pressão exercida pelo gigante sueco, para instalar o seu negócio junto do nó Loulé/Faro da Via do Infante, perto do Parque das Cidades, constitui ou não um golpe de interesse privado em área de confirmado interesse público para toda a região?; iii) e ainda, se a Câmara de Loulé está disposta a impor ‘vontades' de alteração sucessiva dos instrumentos de planeamento municipal e regional, para alargar as áreas construídas e impermeabilizadas, por todo o concelho, quando tem definidas áreas claramente estipuladas como de urbanização ou de expansão industrial/comercial?
Mas este caso não trata só de uma mera loja de móveis de design sueco. Ele mostra os tentáculos que o capitalismo possui, e arregimenta, quando se trata de acenar rebuçados à crise, com investimentos e emprego. Do que se sabe, a Ikea negoceia através de uma empresa testa de ferro, a IMO-224 (a empresa auto-designa-se como ‘sociedade veículo'), que assentou arraiais à volta da Via do Infante, tendo adquirido terrenos na área da Alfarrobeira que já somam 40 hectares (lembramos: 40 campos de futebol, iguais ao do Algarve ali perto). A IMO-224, com sede na sociedade de advogados de José Miguel Júdice, afirma não ser especuladora imobiliária, mas o facto é que o montante das aquisições de terrenos que efectuou atinge já, segundo dados da imprensa, quase 17 milhões de euros. Acresce que os negócios incluem cláusulas de confidencialidade, que funcionam como blindagem de informação para a opinião pública e de pressão sobre os vendedores.
Noutro campo, a cadeia sueca desenvolve uma chantagem que cala fundo na população que passa dificuldades, devido ao crescente desemprego na região. Em muitas ocasiões tem surgido a espada de Dâmocles sobre as nossas cabeças: "Ou aceitam o Ikea nas condições que nós queremos ou iremos para Espanha!". A chantagem sobre o Algarve e os seus territórios é inaceitável, até porque sabemos que a alternativa de Huelva, na Andaluzia espanhola, já está negociada e contratualizada, estando previsto o início da construção para breve e a abertura do Ikea no ano de 2011.
Como se percebe, este é um assunto que tem feito - e fará ainda - correr muita tinta e muitas teclas nos media tradicionais e nos blogues, e precisa de ser esclarecido perante os verdadeiros interessados: a população do Algarve. Sem a sua participação organizada, em discussão transparente, não é possível realizar qualquer progresso ou desenvolvimento durável. As instituições, e sobretudo os órgãos democráticos eleitos, têm a obrigação de facultar informação e estimular a discussão. Foi para essa função que o povo lhes deu o mandato. Em particular, a Assembleia Municipal de Loulé deverá promover este desiderato. Neste caso, o Bloco de Esquerda, secundado pelo Partido Socialista, já manifestou as suas interrogações e preocupações à Câmara Municipal, aguardando respostas claras às questões acima colocadas. Espera-se que as estratégias de desenvolvimento económico e do emprego, para o concelho de Loulé e para a região algarvia, possam ser esclarecidas em discussão aberta e transparente. Os cidadãos merecem-no! "


Artigo de Helder Faustino Raimundo - Professor na Universidade do Algarve e membro do grupo de trabalho de apoio ao Bloco de Esquerda na Assembleia Municipal de Loulé, com data de 27/01/2010.

Ver a fonte aqui: http://www.esquerda.net/content/view/15067/125/

Bom Fim de Semana!



Como diria George W. Bush: Malditos Grécios!

quinta-feira, janeiro 28, 2010

IKEA e Transparência na Gestão da Coisa Pública

O que é fantástico é que se afirmem coisas destas (em baixo) com a maior naturalidade do mundo. Isso é que é fantástico. É assim qualquer coisa como a futebolização do desenvolvimento sustentável, ou mesmo, a democracia a tempo parcial. Só para alguns, entenda-se. E de rajada inaugura-se um novo conceito: A discussão pública de um só.

"A percentagem de RAN é mínima. Dos 40 hectares para o IKEA, só 10 a 15 por cento do terreno será RAN", referiu Seruca Emídio, acrescentando que com o projecto da Auchan a "situação é semelhante" e que, por isso, as "dificuldades ambientais são ultrapassáveis" nos dois projectos."
Seruca Emídio, 7 de Janeiro de 2010 no Jornal Barlavento.

2010: Continua o Abate de Árvores no Concelho de Loulé

Quarteira, Janeiro de 2010

Antes:




Depois:



A informação e o acesso às imagens foram enviadas pelo Jorge.

Não comento mais nada.

quarta-feira, janeiro 27, 2010

Auschwitz: 65 Anos Depois

" (...) Com isto, Widmann percebeu que esta experiência com explosivos não era, claramente, o que Himmler pretendia e, assim, tentou outro método. O programa da eutanásia para adultos, utilizando garrafas de monóxido de carbono, fora usado com sucesso, mas tornava-se impraticável transportar grandes quantidades de contentores ao longo de milhares de quilómetros para leste. Talvez ele e o seu pessoal tenham pensado num modo diferente de usar o monóxido de carbono. Umas semanas antes, Widmann e o seu chefe, o Dr. Walter Hess, numa carruagem do metropolitano de Berlim, conversara algum tempo sobre a desgraça que quase acontecera a Artur Nebe. Ele voltava de uma festa onde tinha bebido de mais. Estacionou numa garagem sem desligar o motor e adormeceu. O resultado foi que quase morreu lá dentro, devido ao monóxido de carbono exalado. Foi, tudo indica, a lembrança da bebedeira de Nebe que levou Widmann a tentar uma experiência com gás usando um escape de automóvel ligado, por um tubo, à cave de um tijolo de um hospital psiquiátrico em Mogilev, a leste de Minsk. Um grupo de doentes mentais foi fechado num compartimento ao mesmo tempo que se pôs o motor a trabalhar. Do ponto de vista nazi, no início, não pareceu um sucesso: o monóxido de carbono que saía do carro não era suficiente para matar os pacientes. Tudo foi rectificado quando substituíram o automóvel por um camião. Esta experiência, de novo na perspectiva nazi, foi um sucesso. Widmann descobrira uma maneira barata e eficiente para matar pessoas, que minimizava o impacte psicológico do crime nos assassinos (...)".

Laurence Rees, Auschwitz - Os Nazis e a "Solução Final", 2008, Dom Quixote, pp. 90-91.

Post scriptum: De vez em quando faço isto. Abro arbitrariamente uma página do livro mais impressionante que já li. E fico sempre impressionado...faz hoje 65 anos, a barbárie.



terça-feira, janeiro 26, 2010

Diz-me com quem negoceias...

O artigo é do João Rodrigues no "i" de ontem:

"Na semana passada, as negociações com a direita avançaram a "bom ritmo", segundo Teixeira dos Santos. Diz-me com quem negoceias o documento que fixa a orientação da maioria das políticas públicas e dir-te-ei várias coisas: quem vai pagar a crise, os interesses que privilegias e, logo, quem és ideologicamente. O congelamento dos salários da função pública e a continuação dos cortes no investimento público orçamentado, cujo peso no PIB não cessa de cair, indicarão que a austeridade é tão permanente quanto assimétrica: o fardo do ajustamento deve recair sobre os assalariados. O aumento do desemprego e a existência de algumas centenas de milhares de desempregados que se arriscam a continuar ou a ficar sem quaisquer apoios, dada a recusa em mexer nas regras do subsídio, contribuem para o aumento do medo, que facilita as tarefas do capitalismo medíocre. O CDS, claro, está mais preocupado com atacar os beneficiários do chamado rendimento mínimo, um dos menos generosos dos países desenvolvidos, propondo a sua amputação. Nas sociedades desiguais, o escrutínio do Estado tende a dirigir-se prioritariamente aos mais vulneráveis, ao mesmo tempo que os investimentos na segurança social são facilmente substituídos pelos investimentos na segurança pouco social: o CDS propõe mais polícia. Entretanto, a manutenção de parcerias público-privadas tão opacas quanto ruinosas e a renovada pressão para novas privatizações de infra-estruturas públicas assinalarão que são sobretudo os grandes grupos económicos rentistas que podem estar seguros. O incremento da justiça fiscal e da autoridade democrática perante os grandes interesses financeiros, também pouco escrutinados e "sacrificados", não são compatíveis com negociações à direita. Não é por isso de admirar que o governo se prepare para meter na gaveta uma das mais importantes recomendações do seu grupo de peritos na área fiscal: taxa de 20%, em sede de IRS, sobre as mais-valias bolsistas. A perplexidade reina certamente entre os deputados que são socialistas e não conseguem compreender as razões desta violação dos compromissos eleitorais. Na boa lógica dos efeitos perversos das más escolhas políticas que prolongam a crise, o défice pode nem sequer ser reduzido: no actual contexto, diminuir a procura pública diminui o crescimento e as receitas fiscais. Pouco importa. O défice não passa de um mau pretexto para a continuidade do enviesamento de direita da política económica. Este enviesamento revela, melhor do que qualquer declaração, o perfil ideológico de quem, no fim de contas, consegue sempre entender-se com o PSD e com o CDS no campo socioeconómico. Este é, definitivamente, o arco da nossa desgovernação neoliberal."

Economista e co-autor do blogue Ladrões de Bicicletas

http://www.ionline.pt/conteudo/43505-diz-me-com-quem-negoceias-o-orcamento

Quem votou nas Agências de Rating?

Quem votou nas Agências de Rating? Juro-vos que não me lembro de nas últimas eleições legislativas de ter visto no boletim de voto nenhum partido com este estranho nome. Mas porque os tempos são de memória curta, fui ao arquivo da nova Web-Babilónia verificar. PCPT/MRPP, PNR, MEP, MMS, PPD/PSD, POUS, BE, PND, CDS/PP, PS, MTP-PH, PPV, PCP-PEV e PPM. Nada de Agências de Rating. Não satisfeito com a falta de resposta para a minha curiosidade, fui, de certa forma inspirado pelas genialidades, que de vez em quando Saramago inventa, à procura dos votos nas Agências de Rating. Comecei pelo lar doméstico. Com muito jeitinho, que estas coisas da política não são como as da chuva, do sol e do frio, lá fui perguntando à família se tinha votado nas agências de Rating. Nem pai, nem mãe, nem espírito santo. Os putos, esses ainda não têm idade de votar, pelo que fui obrigado a concluir que em casa ninguém era responsável por quem nos governa. Mas não sou daqueles que desiste facilmente e saí para a praceta que circunda cá a casa e fui ao café das Portas do Céu. Bica para cá, café para ali, Sá Pinto e Liedson para cá, Pinto da Costa e escutas para ali, nada. Ninguém votou nas agências de rating. Mas não desisti de matar a minha curiosidade. Perguntei ao carteiro, ao tipo da bomba de gasolina, ao polícia e ao bombeiro, ao gestor e ao sapateiro. E nada. Ninguém votou nas agências de rating. Por isso não percebo. Como é possível que uma "coisa" em que ninguém votou governar uma data de países? Com base em que legitimidade? Alguém me ajuda?

Os Tempos Que Correm

Via Arrastão: http://arrastao.org/sem-categoria/o-nosso-tempo/

sábado, janeiro 23, 2010

Com Abrigo

Lisboa, 23 de Janeiro de 2010

Gare do Oriente - Cinco horas da madrugada


A Amnésia Estrutural

É fantástico que aqueles que em nome do Deus mercado, conjuntamente com o jogo da batota financeira, enterraram a economia mundial, estejam agora com pompa e circunstância a ditar regras de imposição e de ditadura económica aos outros, esses, que na hora da aflição económico-financeira foram espremidos até ao tutano em nome da salvação dos grandes senhores da finança mundial. As receitas ideológicas que levaram a uma das maiores crises da história do capitalismo estão de volta em nome da salvação mundial. Apelos para a redução do Estado Social, com diminuição dos subsídios de desemprego, congelamento de salários da função pública, redução nos apoios à protecção social na velhice e na doença e cortes em tudo o que penaliza as populações de menores recursos sociais, são o mote encontrado para evitar o colapso dos Estados Nacionais. Algumas almas conservadoramente iluminadas queixam-se que os portugueses vivem "acima das suas possibilidades" e esse seria o principal drama nacional. Penso que se devem estar a referir ao nível salarial dos portugueses, ou talvez, à "qualidade de vida" dos dois milhões de pobres que não têm vergonha dos luxos das suas boas vidas, ou talvez ainda, aquela larga franja da população portuguesa que vive hoje em crescente precarização e vulnerabilidade social. A amnésia estrutural tudo permite. O discurso dos neoconservadores entra nas mentes e nos corpos e faz das vítimas culpados e dos culpados os heróis da salvação nacional. FMI, Banco Mundial, OCDE, Banco Central Europeu e Agências de Rating nada tiveram a ver com a crise. A crise foi mesmo provocada pelos pobrezinhos e paga com o dinheiro de todos nós. Depois dos pobres pagarem a crise, os ricos procuram a irradicação dos pobres da face da terra. Entretanto, indiferente a tudo isto a banca continua no seu caminho de lucros astronómicos. E o governo de Sócrates faz acordos orçamentais com o CDS/PP. Em nome da salvação nacional, pois claro.

sexta-feira, janeiro 22, 2010

Elevar o Gosto

Frank Sinatra - That's Life



Bom fim de semana!

A Ciência da Poda

"As ima­gens são do Largo 1º de Dezem­bro, em Sin­tra, e foram gen­til­mente envi­a­das por Pedro Maci­eira, autor do blo­gue Rio das Maçãs. Retra­tam o abate de uma tília com deze­nas de anos (...) e a rola­gem de outras árvo­res no mesmo local. O Pedro Maci­eira não se limi­tou a tirar as foto­gra­fias e pro­cu­rou, junto de quem pro­ce­deu a estas acções, saber das razões para tal acto. Para o abate da tília, o argu­mento do cos­tume, ou seja, a “árvore estava doente”. Entre aspas por­que, em qual­quer local civi­li­zado, essa doença seria devi­da­mente jus­ti­fi­cada por um rela­tó­rio assi­nado por um arbo­ri­cul­tor de com­pe­tên­cia reco­nhe­cida. Rela­tó­rio esse que, em caso de men­ci­o­nar a impe­ri­osa neces­si­dade de aba­ter a árvore, seria pre­ciso na iden­ti­fi­ca­ção dos moti­vos para tal, de forma a que não sub­sis­tis­sem dúvi­das sobre as inten­ções da autar­quia em causa. Por último, mas não menos impor­tante, num local civi­li­zado o abate de uma árvore com deze­nas de anos deve­ria ser sem­pre pre­ce­dido por um escla­re­ci­mento cabal à popu­la­ção. Não se pode con­ti­nuar a fazer desa­pa­re­cer, de um dia para o outro, exem­pla­res que fize­ram parte da vida das pes­soas durante deze­nas de anos, e espe­rar que as pes­soas acre­di­tem na bon­dade dos man­dan­tes de tais actos. É ver­dade, não o nego, que, devido ao des­leixo a que é votada a ges­tão do arvo­redo público no nosso país, exis­tem mui­tas árvo­res que deve­riam ser aba­ti­das em nome da segu­rança pública. Mas essa aná­lise tem que ser feita, em cada caso, de forma tec­ni­ca­mente irre­pre­en­sí­vel, por quem é espe­ci­a­lista na área, para que não sub­sis­tam dúvi­das sobre quais os reais moti­vos que pre­si­dem à deci­são de aba­ter uma árvore.
Por último, a jus­ti­fi­ca­ção para a rola­gem das demais árvo­res visí­veis nas foto­gra­fias foi ainda mais sur­real. À per­gunta do Pedro Maci­eira sobre o porquê da neces­si­dade de uma poda radi­cal, a res­posta foi que “era assim que se fazia antigamente”. Não importa se tais prá­ti­cas ances­trais de rolar as árvo­res estão cer­tas ou erra­das, se são, ou não, bené­fi­cas para as árvo­res; se con­tri­buem, ou não, para a sus­ten­ta­bi­li­dade das árvo­res e, con­se­quen­te­mente, para a segu­rança das pes­soas nas cida­des. A rola­gem das árvo­res perpetua-se por­que é uma tra­di­ção, em Sin­tra como no resto do país. Pouca importa a esta gente que seja uma prá­tica errada, que dani­fica as árvo­res e aumenta o poten­cial de ocor­re­rem acidentes. Che­ga­mos pois a esta triste con­clu­são, que a tra­di­ção se sobre­põe à raci­o­na­li­dade. Para cúmulo, com o argu­mento que se está a pro­te­ger uma espé­cie de tra­di­ção ances­tral dos por­tu­gue­ses: des­truir as árvores! Pois é, meus amigos…Ainda por cima, somos uns ingra­tos por não agra­de­cer­mos às autar­quias por­tu­gue­sas o sal­va­guar­dar das nos­sas tra­di­ções culturais."


Pedro Nuno Teixeira Santos in http://www.arvoresdeportugal.net/2010/01/pesadelo-em-sintra/

quinta-feira, janeiro 21, 2010

Nada é mais permanente do que a mudança



Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.

E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.

Luís Vaz de Camões

Um olhar refrescado sobre o desemprego

"O número de desempregados inscritos nos centros de emprego em Portugal subiu 26,1 % em Dezembro face ao mesmo mês do ano passado. Porém, ritmo de novos desempregados está a abrandar desde Setembro. No Algarve a subida é de 55,2%. De acordo com os dados do IEFP, o Algarve, os Açores e a Madeira foram as regiões onde o número de inscritos mais subiu face a 2008, 55,2 por cento, 48,7 por cento e 47,5 por cento, respectivamente. Segundo a informação mensal publicada pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP), no final de Dezembro, encontravam-se inscritos nos Centros de Emprego do Continente e das Regiões Autónomas 524.674 desempregados, mais 108.669 indivíduos do que há um ano atrás."
Ver mais aqui: http://www.observatoriodoalgarve.com/cna/noticias_ver.asp?noticia=34297

quarta-feira, janeiro 20, 2010

Refrescar o olhar sobre o desemprego

Sim. Foi o que disse a ministra do Trabalho esta tarde na Assembleia da República. Diz que somos muito catastrofistas e negativistas (onde é que já ouvi isto?) sobre o desemprego e que é preciso refrescar o olhar sobre os números do desemprego. Vou ali à praia de Quarteira (tomar um banho no mar) e já volto...

"Gostava que olhassem para os dados do desemprego com um olhar refrescado"
Helena André, Ministra do Trabalho e da Solidariedade Social

Ver aqui: http://tv1.rtp.pt/noticias/?t=Governo-quer-olhar-refrescado-sobre-o-desemprego.rtp&article=312271&visual=3&layout=10&tm=9

terça-feira, janeiro 19, 2010

Elevar o Gosto

Simon & Garfunkel - Sound Of Silence

O Declínio do Pequeno Comércio

Joseph Shumpeter fez a acutilante sugestão de compreendermos o capitalismo na sua lógica de "destruição criativa". Quando apareceram os automóveis Ford assentes na potência do motor e os mesmos se massificaram um pouco por todo o mundo, o meu avô, que a minha alma nunca há-de esquecer, teve, naturalmente, que encerrar a oficina de ferrar as "mulas". Infelizmente, esta é uma estória que se aplica analogamente ao pequeno comércio. Se não tiver capacidade de se reinventar criativamente, a passagem da era das "mulas" para a era do Alfa Pendular, fará só por si, com que os dias sejam difíceis. Mas para além da própria dinâmica interna do sistema capitalista associada à lógica da destruição criativa, existem as políticas e os politicos que com as suas prioridades ajudam com maior ou menor intensidade ao caminho progressivo do "enterro". A mão direita dos políticos encharca o território de grandes superficíes comerciais muito para lá do que a capacidade dos territórios suporta, ao belo gosto e interesse das grandes multinacionais e a mão caritativa da política local estende passadeiras vermelhas, para cada vez mais, menos gente, passear pelo comércio local. Podem bem fazer todas as noites brancas do mundo, mercadinhos sofridos de fim de semana e empresas especializadas no controlo da pequena burguesia comercial que os dias estão pintados de negro. Venha daí mais uma grande superfície comercial. Ou, como diz a música, venham mais cinco de uma assentada, já não faz grande diferença.

domingo, janeiro 17, 2010

Com Abrigo

Gare do Oriente - túneis de acesso ao metro

Lisboa, 16 de Janeiro de 2010. Um quarto para as cinco da manhã. Dezenas de sem-abrigo protegem-se do inverno rigoroso, nos túneis de acesso ao metro, junto ao Centro Comercial Vasco da Gama. Os destroços do capitalismo neoliberal procuram um mínimo de repouso condigno junto à grande catedral do consumo. Debaixo de terra são minimamente tolerados. A minha costela Marxista não imagina um sistema alternativo ao capitalismo. Gosto do viajar de automóvel, autocarro, avião e comboio. Não prescindo do telemóvel, da internet e da TV Cabo. Preciso dos alimentos congelados em frigorificos sofisticados. Não vejo como destruir de uma assentada uma civilização que nos trouxe ganhos na qualidade de vida inestimáveis. Mas não tenho dúvidas que é preciso dar um novo rosto a esta forma de capitalismo selvagem. Se isso for humanamente possível...

sexta-feira, janeiro 15, 2010

Recados da Vida de Um Médico

"... O diagnóstico traçado pelo responsável da ACP é negro. "Os números a que chegámos, depois de encontros com outras associações de comerciantes e também a Confederação do Comércio [e Serviços de Portugal] apontam para o fecho, em média, por dia, de 40 lojas de rua no país", diz. Admitindo que "isto também é resultado da recessão económica", Nuno Camilo é peremptório em defender que "não é abrindo centros comerciais que se vai desenvolver a economia e criar riqueza". E volta aos números. O presidente da ACP desfia os dados como se já não os conseguisse esquecer. "Em Portugal, existem dez milhões de metros quadrados de zona comercial, entre centros comerciais e hipermercados. Num país com 10,6 milhões de habitantes, isto dá quase um metro quadrado por habitante, o que é um disparate. Tanto mais que na Europa somos apenas o 18.º país na lista dos que têm mais poder de compra."Para Nuno Camilo, os centros comerciais "parecem autênticos cogumelos mágicos, que se irá ver se funcionam", que criam emprego no imediato, mas que, "a longo prazo, provocam a extinção de muitos mais postos de trabalho no comércio envolvente". Além disso, critica, "vivem muitas vezes de contratos com vínculo precário e contribuem para o desemprego silencioso no comércio tradicional, que é o dos sócios-gerentes das lojas, que em caso de encerramento, não têm direito a qualquer tipo de apoio". in Público

O recado foi mandado aqui:
http://adefesadefaro.blogspot.com/2010/01/ao-cuidado-de-seruca-emidio-e-manuel-da.html

quinta-feira, janeiro 14, 2010

Tragédia no Haiti

Oikos ajuda e pede ajuda



Emergência no Haiti – Oikos dirige esforços para o local

Um sismo com magnitude 7 na escala de Richter assolou o Haiti no passado dia 12 de Janeiro, o mais forte da sua história e um dos 15 mais violentos nos últimos 20 anos. Sendo um dos países com maior taxa de densidade populacional do Mundo, o Haiti é também o país mais pobre do continente Americano e de todo o hemisfério ocidental.

Enquanto Organização Não-Governamental para o Desenvolvimento, com mais de 20 anos de experiência de ajuda humanitária, a oikos está a responder a esta catástrofe, dirigindo os seus esforços para o local.

O país encontra-se em destruição profunda, tendo sido atingidas a maioria das infra-estruturas locais – casas, escolas, hospitais, entre outros – bem como uma perda de vidas massiva e avultado número de feridos graves. As estimativas apontam para que haja pelo menos 3 milhões de pessoas afectadas, directa ou indirectamente. Dadas as dificuldades de comunicação e o caos em que se encontra neste momento o país, a verdadeira escala desta catástrofe é ainda desconhecida.

A equipa da oikos presente em diversas regiões da América Latina, especializada em Acção Humanitária e Desenvolvimento nas zonas mais vulneráveis, está neste momento a identificar a situação em coordenação com organizações internacionais e locais e com um Centro de Referência de Logística Humanitária para toda a América Latina, de forma a iniciar uma resposta de emergência imediata e eficaz.

A resposta humanitária da Oikos estende-se por três fases, passando pela ajuda na emergência, reabilitação e apoio ao desenvolvimento. Em situações humanitárias como estas características a Oikos privilegia o apoio a nível de água e saneamento, abrigo temporário e alimentação.

A Oikos apela à solidariedade do povo português, tendo destinado uma conta para angariação de fundos destinados a esta causa.

Ajude o povo Haitiano, dê a sua contribuição.

NIB: 0035 0355 00029529630 85
Conta da Caixa Geral de Depósitos

Para ver como pode contribuir clique aqui: http://www.oikos.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=360&Itemid=70

domingo, janeiro 10, 2010

Macloulé: Quatro anos a Blogar

O Macloulé faz hoje quatro anos. No dia 10 de Janeiro de 2006, o que nos levou à abertura do blogue, foi um certo estado de inconformismo e inquetude com as respostas dadas pelas instituições políticas locais aos problemas dos cidadãos do concelho. Tinhamos a sensação que os partidos passavam decisivamente ao lado das reais preocupações dos cidadãos. Depois, havia também a sensação, no concelho de Loulé, de uma cidadania de baixa intensidade e de um certo alheamento e indiferença pelas coisas que dizem respeito à vida da polis e à vida de todos nós. O partido do poder confortavelmente instalado ia (vai) governando ao sabor dos grandes interesses económicos da região que na maior parte das vezes colidem com o interesse geral e do lado das oposições partidárias constatávamos um partido socialista local amorfo, conformado com a sua inexistência, confortado nas suas almas, com as posições pessoais socialmente ocupadas e sem arte, saber e talento para ser uma verdadeira oposição. O resto do sistema partidário, à data, era, à esquerda e à direita, inexistente. Os movimentos sociais e associativos em Loulé, não têm força civíca suficiente para condicionar e alterar os processos governativos e os que poderiam existir estão razoavelmente cooptados. Em resumo, reina a subserviência. A imprensa local, com raras e saudáveis excepções é de uma pobreza atroz. A Voz de Loulé transformou-se aos poucos na Voz da Câmara de Loulé. O papel de escrutínio dos poderes instalados, uma das funções fundamentais da imprensa nos países democráticos não existe por cá. Este é o contexto que levou à criação deste espaço. Sentimos o direito e o dever de face à percepção de um agravar da situação social não poder estar calados. A abertura de um blogue é também a abertura do poder da palavra. Isolado, tem a força que tem. Muito pouca ou nenhuma. Em conjunto com muitos outros a força seria a da força do debate civíco e da cidadania. Infelizmente, tirando algumas honrosas excepções já por mim anteriormente assinaladas, também a blogosfera louletana pela sua reduzida expressão revela o peso de uma democracia adormecida. Mas Roma e Pavia não se fizeram num dia. E apesar da pobreza franciscana do debate democrático no concelho de Loulé, também é verdade que a coisa já foi mais frágil.

sexta-feira, janeiro 08, 2010

Dia Histórico

Hoje é um dia marcante da História dos Direitos Cívicos em Portugal. O casamento civil dos homossexuais foi aprovado, por maioria, na Assembleia da República. A consagração de um direito gerou imediatamente a discriminação de um outro, a impossibilidade de adopção por parte dos casais homossexuais. Gostava que me provassem que o "bom" casal tem que ver com a orientação sexual e que ser heterossexual é sinónimo de boa parentalidade. Fica também do dia de hoje um registo importante. Quem foi "responsável", este sacrossanto adjectivo sempre invocado por José Sócrates e pelos governantes socialistas, foi mesmo, a oposição à esquerda. Foi esta que vendo rejeitadas as suas propostas pelo PS permitiu a aprovação do projecto do partido socialista. Dia histórico na História Civilizacional de Portugal. E vale a pena destacar um homem que ficará para sempre ligado à luta pelos direitos dos gays e lésbicas de Portugal. Chama-se Miguel Vale de Almeida e contribuiu decisivamente para a mudança dos tempos que correm.

Ver mais aqui: http://blog.miguelvaledealmeida.net/?p=1118

Isabel Alçada

Não conheço todos os termos do "acordo" entre o Ministério da Educação e os Sindicatos. Mas é isto mesmo. É esta a função de um governante. A palavra acordo foi repetida por diversas vezes com prazer. Subjacente a esta veemência estava lá a ideia de negociação. Os sindicatos foram efectivamente reconhecidos no discurso da ministra como parceiros legitímos. O negócio foi concretizado a partir de cedências mútuas. Os professores foram reconhecidos como essenciais ao sistema de ensino e ao acto de ensino-aprendizagem. O "acordo" é reconhecido como não sendo perfeito, mas a ministra mostrou-se disponível para continuar a trabalhar com todos no futuro na direcção da melhoria do sistema de ensino. Isto não é apenas uma mudança de cosmética e camuflagem de sorrisos. Isto é uma efectiva mudança para melhor na atitude governativa. Nem todos assinaram o acordo? Isso nem sempre é possível. Fica a pergunta no ar: Porquê que não fez logo isto desde o início dr. José Sócrates? Esta é também uma grande vitória dos professores e dos sindicatos.

quinta-feira, janeiro 07, 2010

Matéria

Gosto cada vez mais do discurso político actual. E não estou a falar do "economês". Essas coisas como "déficit", "custo", "benefício", "dívida", "orçamento", "investimento", "IRS", "pequenas e médias empresas", "IRC" e "agências de rating". Não, não falo disso. Falo mesmo de "matéria". De essa "matéria". Ontem ouvia uma deputada do PS a falar do casamento dos homossexuais como "essa matéria" e hoje Aguiar Branco, do PSD, a falar do Orçamento de Estado como "sobre essa matéria". Não sei porquê, faz-me lembrar o discurso escolar tradicional.

quarta-feira, janeiro 06, 2010

Além da Dor...


Auguste Renoir, La Vague, 1879

MAR PORTUGUÊS

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu
Mas nele é que espelhou o céu.

Fernando Pessoa

terça-feira, janeiro 05, 2010

Quem quer RAN ou REN quando se tem PIN?

"IKEA pretende construir nova loja em Reserva Agrícola Nacional no Algarve

O Grupo IKEA, após ter promovido a construção das suas fábricas de móveis em Paços de Ferreira, em terreno que estava integrado na Reserva Ecológica Nacional, pretende agora construir uma nova loja em solos da Reserva Agrícola Nacional (RAN) no concelho de Loulé. A Quercus teve conhecimento recentemente que a IKEA Portugal pretende construir uma nova loja no Algarve, tendo a empresa imobiliária (IMO 224 – Investimentos Imobiliários SA.) promovido a compra de cerca de 40 hectares de terrenos, em solos da Reserva Agrícola Nacional, no sítio de Alfarrobeira, próximo da Via do Infante.

A Quercus espera que a CCDR do Algarve defenda o ordenamento do território. Apesar do IKEA Portugal ter já entregue um pedido de viabilidade na CCDR do Algarve para terrenos condicionados no concelho de Loulé, a Quercus espera que as entidades públicas competentes não permitam a desafectação dos solos da RAN, nem promovam a alteração do PDM de Loulé para favorecer um interesse privado, sem que tenham sido estudadas alternativas de localização."

Ver tudo aqui:
http://www.quercus.pt/scid/webquercus/defaultArticleViewOne.asp?categoryID=567&articleID=3087

domingo, janeiro 03, 2010

Do Desemprego no Algarve

Desemprego galopou no Algarve na última década

"O número de desempregados no sector do turismo aumentou 65 por cento, quando comparado com o ano passado. Algarve continua acima da média nacional. No ano 2000, eram 6 800 os desempregados na região algarvia. Hoje, ultrapassam os 20 mil. Os números, disponibilizados pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional, revelam que o desemprego não é apenas conjuntural, e não tem parado de aumentar desde o início do século XXI.
“Na nossa região, no final de Outubro, estavam registadas nos 5 Centros de Emprego mais de 20.000 pessoas, procurando um primeiro ou um novo emprego. Comparativamente, na mesma data e em anos anteriores os números eram bastante mais baixos: 11.152 (2008), 10.552 (2007), 9.426 (2002), 6.800 (2000). Pelos números do INE, para o 3º trimestre, o Algarve já ultrapassa, com 10,3%, a taxa de desemprego nacional (9,8%)”, escreve o director regional do IEFP, Alberto Melo, no boletim informativo da instituição."


Ver mais aqui: http://www.observatoriodoalgarve.com/cna/noticias_ver.asp?noticia=33888

Afinidades Transcontinentais

http://goncalodecarvalho.blogspot.com/2009/12/agua-e-terra.html

sábado, janeiro 02, 2010

Perguntas Transparentes e Respostas Difusas

Atrair investimento externo em época de crise em princípio pode ser uma boa coisa se se pesarem custos e benefícios e se chegar à conclusão de que há mais benefícios que custos. Mas terá que ser sempre tudo feito no secretismo dos gabinetes levando a que se permitam todo o tipo de especulações e a não poucas vezes suspeições de pouca transparência nos negócios? Se o mercado é livre não percebo tanto secretismo. Há regras claras no mercado. Quem quiser comprar compra. Quem quiser montar negócio monta. Quem quiser investir investe. Aos poderes públicos cabe-lhes assegurar o cumprimento das regras estabelecidas em nome da transparência democrática e da justa concorrência de mercado. Não cabe nas suas competências andar envolvido em negociatas de foro privado. Estarei confuso ou será isto o liberalismo económico ao contrário?

Ver mais aqui: http://loule2009.blogspot.com/2009/12/perguntas-sobre-ikea-em-loule.html