quarta-feira, abril 29, 2009

Nas Vésperas do 1º de Maio: Repensar o trabalho

O paradigma dominante na modernidade: Produção em Série



Após os anos 70 tudo mudou: Sistema de Produção Flexível



Num mundo novo, novas relações sociais de produção têm que ser inventadas...

Debater a União Europeia que Queremos

Aqui debate-se a Europa...sem tabús...



Sem Muros: http://www.miguelportas.net/blog/

Aqui também se estimula o debate: http://ssebastiao.wordpress.com/

terça-feira, abril 28, 2009

O Pântano


Escrevi este post em 15 Novembro de 2008: Mantenho o prognóstico mesmo conhecendo o célebre "prognósticos só no fim do jogo". http://macloule.blogspot.com/2008/11/o-pantano.html

O Pântano

Infelizmente, Portugal não espera neste momento por nenhum Dom Sebastião e não tem a sorte que tiveram os americanos em ter Obama. Não se vislumbra no fundo do túnel nenhuma luz que possa vir a guiar os portugueses. O posso, quero e mando, do autocrata Sócrates, já não se consegue confundir mais com "determinação" e a crise económica e social do país, já não se compadece com o mais vigoroso ataque aos direitos sociais conquistados desde Abril de 1974, sem que a rua se manifeste. Sócrates atacou a dignidade profissional dos professores no seu âmago profundo. Perdeu a guerra do ataque aos direitos das populações do interior do país, face ao acesso à saúde. Atacou juízes, militares e outros que tais. Quis destruir as classes médias e quase o conseguiu. Atacou a liberdade de imprensa e alguns jornalistas e directores de jornais, como ninguém. Foi acusado, e bem, de causar "claustrofobia democrática" no país. Pôs o professor Charrua de castigo na escola. Processou blogues de cidadãos comuns. Andou de braço dado com os interesses do grande capital. Aumentou o centralismo asfixiante do país, numa espiral de concentração de poder nunca vista. Criou o polícia dos polícias na sua directa dependência. Aprovou o novo código do trabalho, contríbuíndo desta forma para o agravamento da precarização das relações de trabalho. Nacionalizou o prejuízo dos criminosos banqueiros que levaram o BPN à falência, recorrendo ao dinheiro que o Estado não tinha para as universidades, saúde, segurança social, combate à pobreza e às desigualdades sociais. Andou a recusar a crise económica, que já era evidente que nos iria bater à porta e agora quere-nos fazer passar a todos por parvos prometendo e tomando algumas medidas que simulam uma viragem à esquerda. Sócrates, é, por tudo isto, um líder com os dias contados. A vassoura nas mãos do povo, o mesmo é dizer, a democracia representativa, que o mesmo gosta de apregoar como o melhor dos mundos (quando se defendem novas formas de democracia participativa e o aprofundamento da democracia), vai fazer com que através da democracia reduzida ao direito de voto, isso seja suficiente para o pôr a andar. Tenho dúvidas se o PS obterá mesmo a maioria relativa. Perante a subida nas tendências de voto do Partido Comunista e do Bloco de Esquerda, para valores para além dos 20%, com um PSD esclesorado, mas que vai tirar partido do descontentamento dos eleitores, é o pântano que está instalado. O mais inteligente dos políticos (não o melhor necessariamente) do partido que se diz socialista, António Costa, percebeu há meses, que quando não os podes vencer, mais vale juntares-te a eles e perante a percepção da decadência progressiva do governo de Sócrates, começou a fazer alianças à esquerda com Helena Roseta e Sá Fernandes, antecipando o futuro que aí se aproxima. Esta semana admitia explicitamente nos media que há um divórcio do PS com o seu eleitorado. É caso para dizer, elementar meu caro Watson. O pântano que proximamente vai ficar instalado na vida política e na sociedade portuguesa deve-se ao facto das duas opções que se irão apresentar aos portugueses e aos partidos serem ambas soluções de instabilidade política. De um lado, a hipótese do Bloco Central (a mais verosímel), do outro, alianças do PS com a sua esquerda ( de difícil imaginação nos tempos que correm) e restaria ainda a improvável aliança do PS ou do PSD com o partido de Portas. Trata-se apenas de um exercício de futurologia. Mas a teoria do pântano numa se avizinhou tão expectável. O futuro, esse, a Deus pertence.

Abençoado sejas ó Magalhães!

http://videos.sapo.pt/SVYzauFaO0nnJVdpVljT

Papá, papá, quando fôr grande quero ser do PS...

Ver também aqui:


http://diario.iol.pt/politica/magalhaes-criancas-governo-ps-politica-tvi24/1060384-4072.html

segunda-feira, abril 27, 2009

Retratos da Mãe Soberana

Mãe Soberana no regresso a casa...

Aconteceu este Domingo, 26 de Abril de 2009, em Loulé, mais um ano da Festa Grande da Mãe Soberana. Vinda do seu lar, a Capela da Nossa Senhora da Piedade, há quinze dias atrás, esta é a hora do regresso a casa. Naquela que é uma das maiores manifestações religiosas a Sul do País, a festa da Mãe Soberana, fortemente enraizada nas tradições religiosas da cultura local, já ultrapassa largamente os interesses dos indígenas locais.

Para alguns, é uma manifestação do sagrado e de fé religiosa de significado ímpar. Para outros, é uma oportunidade de ver e ser visto e de vestir o Fato de Domingo. Para outros, ainda, é uma excelente oportunidade para beber uns copos com os amigos.

Há também a afirmação da masculinidade hegemónica, simbolizada pelos Homens do Andor, assentes nos valores da virilidade, da força física, da coragem e do risco que significa subir a mítica ladeira da Nossa Senhora da Piedade com a Mãe Soberana em ombros. E há aqueles (como eu) que consideram a religião uma criação humana que ajuda a dar sentido ao mundo e à vida e é um instrumento por excelência de integração e reforço da comunidade local. Existem também os que pensam ser a religião o ópio do povo e ainda os que utilizam a religião para manter estrategicamente o poder. Tudo isto faz a grandiosidade da grande Festa da Mãe Soberana.

domingo, abril 26, 2009

Nós Europeus?

O presidente Silva anda preocupado com a abstenção nas eleições europeias. O "Nós Europeus" parece que pode não passar dos 30% dos eleitores na sociedade portuguesa, o que deixa espaço para 70% de possíveis "Nós, Não Europeus".

Durante anos, os eurocratas, o mesmo é dizer, os tecnocratas e os burocratas que fazem carreira na e da Europa, construiram uma entidade virtual, à margem dos cidadãos. O Zé da Aldeia, o Joaquim da Vila, o António das Ilhas, o Jacinto de Trás-os- Montes e o Manel da Baracinha de Loulé, não contaram para o que quer que fosse nas decisões europeias.


O primeiro ministro prometeu o referendo para ganhar eleições e na hora H brincou de pinóquio e fez um manguito ao Zé Povinho Português. O senhor Silva do Continente dramatizou enfaticamente o "perigo" que seria referendar o Tratado de Lisboa e a discussão sobre a Europa foi vista com maus olhos por políticos e partidos. A memória de Cavaco deve ser curta ou existe nele um pinóquio recalcado que Freud haveria de explicar. O que ele não pode é fazer agora de Virgem Maria e vir dar lições aos portugueses sobre a abstenção que é expectável.

O Presidente da República é responsável, Durão Barroso é responsável, os principais partidos políticos são responsáveis e o primeiro ministro Sócrates é responsável. Se durante anos o povo português foi dispensável e "despedido" do envolvimento das questões europeias, porque raio de carga de água haveria de ir agora jogar um jogo "lá fora", longe da sua aldeia? A legitimidade conquista-se não se decreta.

O Tratado de Lisboa foi entendido como bom, porque é de Lisboa, mesmo não lido, nem discutido, por, aposto, 99% dos Portugueses. A Irlanda, porque disse não ao Tratado, foi ameaçada de sair da Europa e o povo irlandês vivamente "aconselhado" a descobrir o que os tecnocratas europeus acham que é o melhor para os irlandeses. A Europa é entendida como os partidos do centro a entendem e é uma "comunidade imaginada" e "naturalizada" que não admite discussão sobre "aquilo que é". Espera-se depois "infantilmente" que exista um "Nós Europeu".

Acontece que as identidades, sejam elas pessoais, locais, regionais, nacionais, ou outras quaisquer, implicam sempre alteridades, o mesmo é dizer, a relação com muitos outros. Neste caso, poderá existir um sentimento partilhado de "Nós, Políticos Europeus", falta de certeza absoluta, construir um "Nós, Cidadãos Europeus". Por enquanto, a Europa é uma entidade virtual. Sem o envolvimento, a discussão e a participação democrática dos cidadãos dos países europeus nunca chegará a ser uma entidade real. E o quanto precisavamos de uma outra Europa. Uma que fosse mais "real", que fosse mais igualitária e que fosse mais justa. Com esta Europa, sim. Talvez tivessemos um "Nós europeu". Aquilo que nos faz falta, é, ao fim e ao cabo, mais e melhor "imaginação europeia".

Para mais tarde recordar: Chernobyl

26 de Abril de 1986 - Dá-se o maior acidente nuclear da história ocidental...

...a humanidade confrontava-se com o maior choque antropológico da sua história...

...e ganha ainda mais a consciência de que se pode destruir a si própria...



"O acidente nuclear de Chernobil ocorreu dia 26 de abril de 1986, na Central Nuclear de Chernobil (originalmente chamada Vladimir Lenin) na Ucrânia (então parte da União Soviética). É considerado o pior acidente nuclear da história da energia nuclear, produzindo uma nuvem de radioactividade que atingiu a União Soviética, Europa Oriental, Escandinávia e Reino Unido.

Grandes áreas da Ucrânia, Bielorrússia e Rússia foram muito contaminadas, resultando na evacuação e realojamento de aproximadamente 200 mil pessoas. Cerca de 60% da radioatividade caiu em território bielorrusso.

O acidente fez crescer preocupações sobre a segurança da indústria nuclear soviética, diminuindo a sua expansão por muitos anos, e forçando o governo soviético a ser menos secreto. Os agora separados países de Rússia, Ucrânia e Bielorrússia têm suportado um contínuo e substancial custo de descontaminação e cuidados de saúde devidos ao acidente de Chernobil. É difícil dizer com precisão o número de mortos causados pelos eventos de Chernobil, devido às mortes esperadas por cancro, que ainda não ocorreram e são difíceis de atribuir especificamente ao acidente.

Um relatório da Organização das Nações Unidas de 2005 atribuiu 56 mortes até aquela data – 47 trabalhadores acidentados e nove crianças com cancro da tireóide – e estimou que cerca de 4000 pessoas morrerão de doenças relacionadas com o acidente. O Greenpeace, entre outros, contesta as conclusões do estudo.

O governo soviético procurou esconder o ocorrido da comunidade mundial, até que a radiação em altos níveis foi detectada noutros países. Segue um trecho da declaração do líder da União Soviética, na época do acidente, Mikhail Gorbachev, quando o governo admitiu a ocorrência:

Boa tarde, meus camaradas. Todos vocês sabem que houve um inacreditável erro – o acidente na central nuclear de Chernobyl. Ele afectou duramente o povo soviético, e chocou a comunidade internacional. Pela primeira vez, confrontamo-nos com a força real da energia nuclear, fora de controle."

in http://pt.wikipedia.org/wiki/Acidente_nuclear_de_Chernobil

sábado, abril 25, 2009

A Teresa precisa de ajuda: Se puder ajudar ou conhecer alguém que o possa fazer ficamos muito agradecidos

Ajude a Teresa por favor...



Veja mais aqui: http://ssebastiao.wordpress.com/2009/04/18/ajudar-a-teresa-brissos/
e aqui: http://louletania.blogs.sapo.pt/

Há coisas que não têm preço

Tinha quatro anos no dia 25 Abril de 1974. O mundo era para mim um sonho cor de rosa. Não havia política, não havia ricos e pobres, não havia ditaduras, não havia pides, não havia nada, para além da ingenuidade de uma criança. Mas afinal, havia PIDE, eu é que não dava por ela. E havia a ditadura, ainda que na sua forma mitigada. E afinal, havia o ler, o escrever e o contar e o decorar todos os rios e linhas férreas de Portugal, de uma assentada. E havia reguada a torto e a direito. E havia a escola só para alguns. E havia a obediência e havia a autoridade que não se discute. E havia as Mecancas, de onde eu fugi, para nunca mais voltar. E manipulavam-se as consciências. E havia o chefe de família, sem correspondência no feminino. E havia licenças para isqueiro e isqueiros sem licença. E havia censura e profissionais da mesma. E havia a guerra em que o meu pai, os meus tios e vizinhos e sogro penaram porque não encontro outra palavra. E não havia topless na praia, nem naturismo, nem direito a isso. E não havia política, sem ser a do partido inteiro. E havia Deus, a pátria e a família e o Evaristo tens cá disto. E havia o Eusébio e a Amália, o que era bom, mas era pouco. E não havia beijos apaixonados na rua e muito menos homossexuais. E havia religião, muita religião, para a domesticação. E havia muita pobreza e havia analfabetos em massa. E havia o senhor doutor que já lá foi, com sua licença. E havia emigrantes, aos montes, mas quase não havia imigrantes. E havia um preto na província que era uma relíquia e havia um chinês em portugal, uma aventura. E havia muito cinzento e sofrimento. E havia, havia, havia. Que se saiba em voz alta o que não havia e o que havia e sobretudo que se saiba que a ditadura castrou um povo!

ps: Post dedicado ao Pedro e ao Miguel que são o presente mas que são também o futuro.

quarta-feira, abril 22, 2009

Assalto à Liberdade na Véspera de Abril de 2009

O macloulé está totalmente solidário com a TVI e tem vergonha do primeiro ministro de Portugal....

http://www.tvi24.iol.pt/artmedia.html?id=1059014&pagina_actual=1&tipo=2

A diferença entre Berlusconi e Sócrates é que Berlusconi é dono dos meios de comunicação social e Sócrates apenas tem uma vontade enorme de os controlar. Essa não é uma diferença pequena...

Memórias de Sempre Nas Vésperas de Abril

Grândola Vila Morena



Grândola, Vila Morena

Grândola, vila morena
Terra da fraternidade
O povo é quem mais ordena
Dentro de ti, ó cidade

Dentro de ti, ó cidade
O povo é quem mais ordena
Terra da fraternidade
Grândola, vila morena

Em cada esquina um amigo
Em cada rosto igualdade
Grândola, vila morena
Terra da fraternidade

Terra da fraternidade
Grândola, vila morena
Em cada rosto igualdade
O povo é quem mais ordena

À sombra d’uma azinheira
Que já não sabia a idade
Jurei ter por companheira
Grândola a tua vontade

Grândola a tua vontade
Jurei ter por companheira
À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade

A 2ª senha, para continuação do golpe foi dada pela canção Grândola, Vila Morena, de José Afonso, gravada por Leite de Vasconcelos e posta no ar por Manuel Tomás, no programa Limite da Rádio Renascença, à meia-noite e vinte, sendo antecedida pela leitura da sua primeira quadra.
Grândola, Vila Morena foi composta como homenagem à "Sociedade Musical Fraternidade Operária Grandolense", onde no dia 17 de Maio de 1964, «Zeca» Afonso actuou.
Depois, fez-se a leitura de poemas da autoria de Carlos Albino, jornalista do República e colaborador naquele programa, que, a pedido de Álvaro Guerra e do comandante Almada Contreiras, tinha ficado incumbido de enviar senhas para sincronizar o golpe do MFA.
Fonte: http://joaogil.planetaclix.pt/h2.htm e para a estória da senha na primeira pessoa consultar aqui:

Este Blogue é Solidário com a Liberdade de Expressão e de Crítica Política

O Anti-Democrata

Rescaldo da entrevista à RTP
Manuela Moura Guedes vai processar José Sócrates


"Manuela Moura Guedes vai avançar com um processo judicial contra José Sócrates, revelou a jornalista ao PÚBLICO. José Sócrates fez, na entrevista à RTP, várias referências negativas Jornal Nacional de sexta-feira da TVI, apresentado pela subdirectora do canal, que a jornalista considerou “injuriosas”.“Colocou em causa o trabalho sério, rigoroso e fundamentado de toda uma equipa de jornalistas de um jornal da TVI que é o mais visto de todas as televisões portuguesas”, disse a jornalista.Manuela Moura Guedes, garantiu ainda que o primeiro-ministro “não cala os jornalistas da TVI com as ameaças e críticas aos jornalistas da TVI, especialmente aqueles que fazem investigação fundamentada para o Jornal Nacional”. “Tentou tirar credibilidade à seriedade e rigor do jornal mais visto e mais procurado pelos portugueses. Não vai conseguir e vai responder em tribunal”, acrescentou."


in http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1375770

Memórias de Sempre nas Vésperas de Abril

E DEPOIS DO ADEUS - PAULO DE CARVALHO



Quis saber quem sou
O que faço aqui
Quem me abandonou
De quem me esqueci
Perguntei por mim
Quis saber de nós
Mas o mar
Não me traz
Tua voz.

Em silêncio, amor
Em tristeza e fim
Eu te sinto, em flor
Eu te sofro, em mim
Eu te lembro, assim
Partir é morrer
Como amar
É ganhar
E perder

Tu vieste em flor
Eu te desfolhei
Tu te deste em amor
Eu nada te dei
Em teu corpo, amor
Eu adormeci
Morri nele
E ao morrer
Renasci

E depois do amor
E depois de nós
O dizer adeus
O ficarmos sós
Teu lugar a mais
Tua ausência em mim
Tua paz
Que perdi
Minha dor que aprendi
De novo vieste em flor
Te desfolhei...

E depois do amor
E depois de nós
O adeus
O ficarmos sós.

E Depois do Adeus
Paulo de Carvalho
Letra -- José Niza, Música -- José Calvário


A 1ª senha, para o início das operações militares a desencadear pelo Movimento das Forças Armadas, foi dada por João Paulo Dinis aos microfones dos Emissores Associados de Lisboa:

«Faltam cinco minutos para as vinte e três horas. Convosco, Paulo de Carvalho com o Eurofestival 74, E Depois do Adeus ...».

Fonte: http://joaogil.planetaclix.pt/h2.htm

terça-feira, abril 21, 2009

Nove pessoas que por acaso são jornalistas...

Vi hoje a entrevista de José Sócrates à RTP do Governo. Juro-vos que ouvi isto:

- "Judite de Sousa, eu não processei nove jornalistas. Eu processei nove pessoas, que por acaso, são jornalistas...."

...o que o homem disse da TVI e do Jornal Nacional de Sexta-feira nem vos conto...tenho vergonha...

Memórias de Sempre nas vésperas do 25 de Abril...de 2009

Este post é sobre o comportamento vergonhoso do primeiro ministro José Sócrates e ao fim e ao cabo sobre todos aqueles que têm de alguma forma por accão ou omissão vindo a dar cobro à prepotência, à arrogância e aos comportamentos anti-democráticos que esta personagem tem levado a cabo nos últimos anos da democracia portuguesa. Sejam eles políticos do PS, jornalistas comprometidos com o sistema, agentes económicos dependentes das benesses do Estado português ou intelectuais de pacotilha peritos na reverência ao poder.

E aquilo que aqui é considerado vergonhoso é que para além de ter inventado a tese da cabala e da conspiração a partir do caso Freeport, uma vergonha nacional por si só. Para além de já ter dado provas de detestar as liberdades democráticas como nenhum primeiro ministro em Portugal no pós 25 de Abril de 1974, José Sócrates aposta agora na vergonhosa "mordaça" da comunicação social recorrendo à sua judicialização.

Li isto no Expresso deste fim de semana, dia 18 de Abril de 2009, na página 22:

"Furia do primeiro-ministro após o "caso Freeport" atinge cinco jornalistas da TVI, Três do "Público" e um colunista do "DN".

Não há memória de uma coisa destas em Portugal em 35 anos de Democracia.

Sobre os processos judiciais de Sócrates aos jornalistas portugueses consultar aqui:
http://www.clubedejornalistas.pt/?p=2822


PS: Se o Sérgio M. detectar por aí algum erro agradeço que me informe. A palavra "mordaça" aparece entre aspas no texto não vá o diabo tecê-las.

Memórias de Sempre nas Vésperas de Abril

O Enterro de Salazar...



Nasci em Abril de 1970. Pouco tempo depois, em 27 de Julho de 1970, morria António de Oliveira Salazar. A ditadura do Estado Novo entrara na fase final. Seguiu-se a primavera marcelista. Uma espécie de abertura mitigada, em que se procurou mudar alguma coisinha, para manter tudo na mesma. Já não era possível dado o dinamismo social da época...

Memórias de Sempre nas Vésperas de Abril

A Educação como instrumento de controlo social e de reprodução da ideologia dominante...



No regime Salazarista educar era socializar para a obediência e para o espírito acrítico...

Quatro a um no prós e contras

Acabei de ver o debate sobre a União Europeia no prós e contras da RTP do governo. Vital Moreira ficou incomodado com o quatro a um com que é confrontado. Na linha de Sócrates, portanto, não entende que quem está no poder só tem que encarar com normalidade ser escrutinado pelo que fez e pelo que não fez em termos políticos. Para além de mal preparado, para além de não passar "bem" na TV, recorre demasiadas vezes à truculência nada esclarecedora para os telespectadores, cidadãos e eleitores. Quem questiona a ideia hegemonicamente dominante de Europa é contra a Europa e quem é contra esta ideia de Europa só pode ser anti-patriota. De onde raio descobriu o partido socialista tanta gente com o mesmo perfil?

domingo, abril 19, 2009

O Papa, O Cardeal e as Declarações Assassinas

Não vale a pena estar com paninhos quentes. O uso da palavra pelo Papa Bento XVI ou do Cardeal D. José Policarco não têm o mesmo valor que as minhas palavras no macloulé. Como demonstraram os filósofos da linguagem, falar é também agir e o peso das palavras é tanto maior quanto maior o estatuto social dos protagonistas que as usam.
Quando Bento XVI vai ao continente africano e repúdia o uso do preservativo, as suas afirmações têm o valor de um assassínio em massa. Quando o Cardeal Patriarca de Lisboa reforça em público essa perspectiva, contribui para o aumento da já trágica mortandade via SIDA em Portugal e no resto do mundo.
Os representantes máximos da hierarquia da Igreja Católica não se excergam quando tomam posições deste género. Os mortos são aos milhões. Um dia virão pedir desculpa em público, por descarga de consciência. Nessa altura já será tarde.

Memórias de Sempre nas Vésperas de Abril

Emigrar - Fugir à miséria e à ditadura...

sexta-feira, abril 17, 2009

Ladrões de Bicicletas

Este é um blogue de interesse público...

"Os dilemas trágicos que os indivíduos têm de enfrentar em resultado da falta de recursos e de poder tornam-se visíveis num belo filme italiano a que este blogue roubou o nome. Não somos cineastas, mas economistas. Acreditamos que a economia, como o cinema, pode ser um ‘desporto de combate’. Temos partidos e ideologias diferentes e divergentes, mas convergimos no que hoje importa. Pleno emprego, serviços públicos, redistribuição da riqueza e do rendimento, controlo democrático da economia fazem parte do caminho que queremos percorrer. Recusamos e combatemos as 'evidências' e mitos que alimentam o actual consenso neoliberal. Acreditamos que o mercado sem fim é a ideologia transponível do nosso tempo. Mas uma coisa reconhecemos aos nossos adversários e a F. Hayek, o seu grande ideólogo: ‘nada é inevitável na existência social e só o pensamento faz que as coisas sejam o que são’. Este blogue é portanto um espaço de opinião de esquerda, socialista e que pretende desafiar o actual domínio da direita na luta das ideias. Pedalemos então! "

Um blogue para acompanhar todos os dias. Aqui http://ladroesdebicicletas.blogspot.com/

Do João Rodrigues e Companhia. Um blogue heterodoxo...

Quem se mete com o Estado leva!

57 mil euros têm que pagar os familiares do entes queridos mortos na tragédia de Entre-os Rios na sua busca desesperada por justiça. Espero não morrer em nada que seja construído e não conservado pelo Estado Português. Livra...

Ver aqui http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Policia/Interior.aspx?content_id=1203735

Aprender a Pensar ao Contrário...

E se em vez de ser a matemática a ser condição de desenvolvimento económico do país fosse o desenvolvimento económico do país condição de melhoria do sucesso e do desempenho a matemática?

É que aprendi um dia na escola que o facto de dois fenómenos andarem correlacionados não significa que um seja causa de outro...será assim?

Ver aqui
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1374450

quinta-feira, abril 16, 2009

Nuclear não obrigado!

E pronto. Os principais responsáveis pela crise andam a arranjar remédio para a crise...nova bandeira para o Bloco Central de Interesses...vai uma aposta?

"Van Zeller quer nuclear na agenda dos partidos

Francisco Van Zeller, presidente da Confederação da Indústria Portuguesa (CIP), considera ser fundamental que a questão do nuclear surja nas “agendas dos partidos políticos” e que se devem acabar as “desculpas baratas de dizer que as renováveis é que é e o nuclear não”.
"A oportunidade é esta porque durante a campanha eleitoral toda a gente pensa que é política, agora ainda não estamos nessa fase, e é muito importante que [o nuclear] apareça nas agendas dos partidos principais", defendeu esta quinta-feira à margem da conferência sobre Energia Nuclear, em Lisboa.
Van Zeller teceu ainda críticas a José Sócrates e ao Governo: "No fundo, o que interessa é perceber qual é o papel da energia nuclear na Europa toda - nós queremos ser europeus -, no contexto da mistura de formas de produção, não arranjar desculpas baratas como dizer que as renováveis é que é e o nuclear não"."


in Correio da Manhã de 16 de Abril de 2009

Entre a não discussão e a maledicência: Descubra as diferenças

Salazar - Discurso 10 anos do 28 Maio



Não discutimos Deus e a virtude. Não discutimos a pátria e a sua história. Não discutimos a autoridade e o seu prestígio. Não discutimos a família e a sua moral. Não discutimos a glória do trabalho e o seu dever. Assim se assentaram os grandes pilares do edifício e se contruiu a paz, a ordem e a união dos portugueses...


Hoje teremos qualquer coisa assim:

Não somos coniventes com as campanhas negras e as cabalas. Não alimentamos a maledicência, o bota-abaixismo e a inveja. Não manipulamos os sindicatos e a comunicação social. Não incentivamos as manifestações e as contestações de rua. Não estimulamos a simpatia com os comunistas. Não permitimos funcionários públicos a questionar o governo. Não alimentamos a crítica política na blogosfera. Não compactuamos com aqueles que falam de corrupção. Não tratamos mal as empresas do regime. Não alimentamos a discussão sobre as grandes decisões que dizem respeito à Europa. Assim se assentam os grandes pilares do edifício e se constrói a paz, a ordem e a união dos portugueses...

quarta-feira, abril 15, 2009

Obama e Gordon Brown: O Actor e a Personagem

À porta do número 10 de Downing Street...



O actor é todo aquele que não se limita a incorporar o papel social tal como se espera que ele seja desempenhado. O actor interpreta o seu papel. O personagem, diferentemente do actor, incorpora o papel tal como o mesmo foi pré-definido socialmente. Quando o actor e a personagem se encontram, dá nisto...

Xutos e... PONTAPÉS

Sem Eira Nem beira



Anda tudo do avesso
Nesta rua que atravesso
Dão milhões a quem os tem
Aos outros um passou - bem

Não consigo perceber
Quem é que nos quer tramar
Enganar
Despedir
E ainda se ficam a rir

Eu quero acreditar
Que esta merda vai mudar
E espero vir a ter
Uma vida bem melhor

Mas se eu nada fizer
Isto nunca vai mudar
Conseguir
Encontrar
Mais força para lutar...

(Refrão)
Senhor engenheiro
Dê-me um pouco de atenção
Há dez anos que estou preso
Há trinta que sou ladrão
Não tenho eira nem beira
Mas ainda consigo ver
Quem anda na roubalheira
E quem me anda a comer

É difícil ser honesto
É difícil de engolir
Quem não tem nada vai preso
Quem tem muito fica a rir

Ainda espero ver alguém
Assumir que já andou
A roubar
A enganar
o povo que acreditou

Conseguir encontrar mais força para lutar
Mais força para lutar
Conseguir encontrar mais força para lutar
Mais força para lutar...

(Refrão)
Senhor engenheiro
Dê-me um pouco de atenção
Há dez anos que estou preso
Há trinta que sou ladrão
Não tenho eira nem beira
Mas ainda consigo ver
Quem anda na roubalheira
E quem me anda a foder

Há dez anos que estou preso
Há trinta que sou ladrão
Mas eu sou um homem honesto
Só errei na profissão

PS: A partir de hoje e até às eleições legislativas de 2009 esta é a música oficial do Macloulé. O Macloulé declara também que não colaborou, nem alguma vez colaborará na conspiração e na cabala levada a cabo pelos Xutos e Pontapés contra o Engenheiro Sócrates e o seu Partido Socialista.

terça-feira, abril 14, 2009

Reinventar um mundo novo: repensar as relações entre o Estado e o Mercado

A crise económica, financeira, social e ecológica que actualmente atravessamos é mais uma das grandes crises ciclícas teorizadas já por Karl Marx em meados do século XIX. A crise é inerente ao modo de produção capitalista e faz parte da dinâmica das relações de exploração entre capital e trabalho.

O que agora alguns neoliberais, como Sócrates e Barroso, críticam de "pensamento único" não é mais do que um modo hegemónico de pensar as relações de produção capitalista e a relação entre Estado e Mercado, sendo a intervenção do Estado "demonizada" e o apelo ao funcionamento do "mercado livre" de quaisquer "barreiras e entraves", eleito o grande Deus do Olimpo, que fantasiosamente iria levar a que os "interesses individuais", um dia, que bem poderia ser, "não se sabe quando", se transformassem no "interesse geral" de todos os cidadãos.

Sabemos que o excesso de intervenção Estatal na economia não gerou bons resultados, quer na economia, quer nas liberdades e que quer os totalitarismos de direita, sob a forma do nacional socialismo alemão ou do fascismo italiano, quer os totalitarismos de esquerda, sob a forma do comunismo soviético e outros, não trouxeram coisa boa ao mundo.

Por outro lado, a hegemonia do pensamento neoliberal a partir do célebre "Consenso de Washington" agravou as desigualdades sociais, elevou a pobreza e a "exclusão" social à escala planetária (com raríssimas excepções em alguns países) e provocou a hecatombe a que agora assistimos, incrédulos. Desregulamentação, privatização, livre iniciativa (muito pouco ou nada regulada), precarização, flexibilização das relações de trabalho, retrocesso nos direitos sociais e laborais já conquistados, tornaram-se numa prática e numa vulgata "naturalizada" na boca de políticos, jornalistas, economistas "ortodoxos" e outros católicos à escala mundial. O receituário neoliberal ganhou contornos de credo religioso. Hoje o credo é posto em causa até pelos seus principais crentes.

Se a "solução" não pode ser o Estado nacionalizador (não creio que seja esse o remédio, já experimentado no passado com maus resultados) não creio também que a "solução" passe por mais do mesmo e pela manutenção do Estado dito "mínimo". A "terceira via" de Giddens apontada como uma ultrapassagem da dicotomia Estado e Mercado, foi adoptada por Blair em Inglaterra e por Clinton nos EUA e foi objecto de apropriações neoliberais que lhe retiraram a credibilidade teórica. O que fazer então?

Penso que as relações entre Estado e Mercado têm que ser objecto de um aprofundamento reflexivo para que se encontre um justo equilíbrio entre os diferentes grupos de poder na sociedade e de forma a que a redistribuição da riqueza, do poder e do prestígio possam adquirir uma maior justeza.

Os maiores problemas na sociedade portuguesa remetem para os elevados patamares de desigualdade social, para os baixos níveis salariais dos trabalhadores portugueses, sobretudo os situados nos lugares mais baixos da escala social, nos elevados indíces de pobreza e na baixa escolarização e na fraca protecção social.

A tradicional e convencional visão conservadora que nos diz que as funções centrais do Estado são a soberania, a segurança e as relações externas, tem que ser alterada para uma outra visão hegemónica das funções estatais que leve em conta a complexidade das relações sociais e que reconheça a dualidade social existente na sociedade portuguesa.

Em primeiro lugar, deve-se assegurar as principais funções económicas do Estado. Não caberá na cabeça de ninguém privatizar o oxigénio, um bem público de primeira necessidade. Mas depois é preciso deixar respirar o mercado. Não cabe também na cabeça de ninguém que existam "empresas do regime", uma vez que esta dependência estatal dos poderosos face ao Estado Português, desvirtua a necessária concorrência dos actores económicos. São os actores económicos mais frágeis que têm que ser apoiados e não os mais fortes, sob pena de anulação da capacidade concorrencial das empresas do país.

Depois, há que elevar de uma vez por todas a pobreza, as desigualdades sociais e os baixos salários como o problema principal da sociedade portuguesa. Enquanto tivermos um Estado paternalista a actuar numa lógica paliativa não se resolvem estes grandes problemas estruturais. E é sabido que não basta intervir nas políticas sociais. É preciso alterar as políticas económicas no sentido de uma maior redistribuição da riqueza.

O Estado tem que ser o principal actor no sentido do incremento das políticas educacionais, da saúde, do ambiente, da justiça e da cultura. Estas são funções centrais do Estado e do interesse público. Sem assumir isto, andamos a fazer de conta que mudamos qualquer coisinha para deixar tudo na mesma. Dir-me-ão que o Estado Providência e as políticas Keynesianas dos trinta anos de ouro no mundo ocidental já não são possíveis. Dir-me-ão que os Estado-Nação com o envelhecimento demográfico estão à beira da falência. Sim, há aqui problemas sérios, concordo. O que fica por explicar é de onde apareceram repentinamente os milhares de milhões de euros para injectar no mundo da banca à escala mundial. Afinal existiam? Repensar prioridades e mudar de paradigma é preciso. Não basta apelar a políticas de "coesão social" ou de "inclusão social" sem se saber muito bem do que estamos a falar. É preciso reflectir mais e agir, já e depressa.

segunda-feira, abril 13, 2009

Leituras...

"Enquanto as eslovacas permaneciam sentadas no barracão, todas nuas, à espera que lhes rapassem o cabelo, chegou um oficial das SS ordenando a cinco delas que se apresentassem nas instalações do médico. "Ele queria examinar as mulheres judias", diz Silvia Veselá, "para ver se eram realmente virgens. Também fazia questão de ver se as judias estavam limpas. Depois de terem levado a cabo aquele exame clínico, ficaram surprendidos - mas num sentido negativo. Não queriam acreditar que fôssemos tão limpas. E mais de 90 por cento de nós éramos virgens. Todas mulheres que seguiam a religião judaica. Seria impossível que qualquer delas permitisse que um homem lhe tocasse antes do casamento. No entanto, durante este exame clínico todas ficaram privadas da sua virgindade: os médicos serviram-se dos dedos. Todas foram desfloradas, outra maneira de as humilharem. Uma das minhas amigas, de uma família muito religiosa, disse-me: "Eu queria guardar a minha virgindade para o meu marido e vim a perdê-la desta maneira!" "

Laurence Rees, Auschwitz: Os Nazis e a "Solução Final", Dom Quixote, pág.148.

Li este livro no verão de 2008. Nunca nenhum livro tinha causado um impacto tão grande na minha pessoa. A partir dos relatos de vítimas e culpados, da tragédia de Auschwitz, nunca mais as nossas concepções do mundo e da "natureza" humana ficam na mesma. Cada página consegue surpreender mais do que a anterior no que à capacidade humana de humilhação do outro diz respeito.

domingo, abril 12, 2009

Oferta de Emprego Macloulé

No âmbito do programa de modernização do seu movimento, o macloulé, precisa de recrutar para funções de segurança, um homem, que reúna as seguintes condições:

- Ser homem (sujeito a teste de verificação), alto e com virilidade comprovada.

- Deve ser possuidor de um olfacto apurado e adequado às funções a desempenhar.

- Não deve usar brincos, piercings na língua, no umbigo ou em quaisquer outras partes do corpo humano com conotações menos próprias e não pode em caso algum ser ou ter sido metrosexual.

- A sua barriga não deve conter qualquer vestígio de gordura e não deve ter uma camada muscular para lá do esteticamente recomendável.

- A sua visão deve ser muito apurada pois terá como função principal verificar a cor do vestuário interior feminino.

- Não deve calçar sapatilhas, nem botas de tacão alto e estão proibidos os usos de medalhões à Zezé Camarinha ou pulseiras com invocações sexuais.

- Deve ser discreto nas apreciações e julgamentos que terá que fazer às suas colegas do sexo feminino.

- Estas condições foram estipuladas no âmbito do programa para a igualização de oportunidades de género com o objectivo de homens e mulheres não sofrerem descriminações de tipo algum.

PS: É óbvio que esta oferta de emprego não existe e é apenas uma sátira às condições de vestuário estabelecidas e recomendadas para as trabalhadoras do sexo feminino no âmbito da administração pública, em especial para a Loja do Cidadão em Faro.

sábado, abril 11, 2009

O Colar de Pérolas

Acabo de passar na entrada de Loulé como quem chega de Faro. A seguir à Goncinha, na primeira rotunda antes de entrar em Loulé, deparo-me com a imagem gigantesca da ex-ministra da educação e das finanças de Cavaco e Silva, num daqueles cartazes eleitorais que se designam modernisticamente de outdoors e cuja localização espacial é estudada minuciosa e rigorosamente numa relação inversamente proporcional ao estudo e reflexão partidária da grave crise económica e social dos tempos que atravessamos.

Confesso-vos que aquilo que mais se destaca é o colar de pérolas de Manuela. Num tempo em que a política é feita das e para as televisões, a imagem dos políticos não é uma coisa de menor importância. É conhecida a acusação a Eisenhower, quando este contratou a primeira agência de comunicação, para fazer a propaganda da sua campanha eleitoral, nos EUA, de "tentar vender-se como se vende um sabonete".

Sabemos hoje que a ideologia, ainda conta e muito, nas escolhas dos eleitores, isso mesmo nos têm demonstrado os politólogos André Freire e Pedro Magalhães nos estudos que vão divulgando na academia e na imprensa portuguesa. O que não podemos negar é que numa época de personalização progressiva da política e numa sociedade de consumo mediático a imagem não conte. Conta concerteza e de certeza que o seu peso nos resultados eleitorais, sem ser determinante, é considerável.

O professor Marcelo tem sido incómodo e simultaneamente perspicaz nas suas intervenções sobre a "imagem de Manuela que não passa". Sócrates reduziu a política a um "seguidismo ziguezagueante" e "pragmático" "daquilo que está a dar" e do que "os eleitores parecem querer ouvir" e é o expoente máximo da personificação da política e do culto da imagem. O último congresso do PS foi um sucesso de marketing político da venda do "sabonete". Mário Soares, naquela que possivelmente foi a sua última batalha eleitoral, perdeu, pressinto, milhares de votos, de cada vez que as câmaras de TV faziam grandes planos das rugas nas suas mãos trémulas.

Manuela não sei se perderá mais votos com a célebre frase da "suspensão da democracia" por seis meses ou pelo facto de ter uma imagem "anacrónica" para os tempos imagéticos que correm. Depois das críticas de Marcelo e das malditas sondagens persistirem em baixa, Manuela melhorou a sua relação com o botox.

Em Loulé, Vairinhos, se for inteligente, passará todos os dias uns largos minutos em frente ao espelho, imitando a bruxa má da história da Branca de Neve, confrontando-se obsessivamente com a célebre pergunta: "espelho meu, espelho meu, existe alguém mais belo do que eu?". Na blogosfera louletana, a jovem Camila, a pedido de "várias famílias", concerteza socialistas, fez a cortesia de trocar o retrato do professor, que colocou num dos posts do seu Quiosque, respondendo dessa forma ao apelo à colocação de um outro retrato, com uma imagem de "envelhecimento charmoso" que se poderia ir buscar ao blogue da Tertúlia dos Trinta. Seruca, com a máquina de propaganda bem afinada, qual polvo cujos tentáculos chegam a todo o lugar, de certeza absoluta que não vai descurar a venda do sabonete.

De toda a forma, vale a pena lembrar que o sabonete só por si, sem a consistência política dos candidatos, não vende. Falem com Obama. Ele é o produto eleitoral perfeito. Quanto vale um colar de pérolas?


sexta-feira, abril 10, 2009

Da Moral e dos Bons Costumes

Depois das massagens proibidas na praia de Faro. Depois dos quadros com invocação à "sexualidade" da Mãe Soberana e da "intimidade" homossexual masculina, que poderiam "ofender os princípios católicos" de Seruca Emídio, não poderem ser expostos numa galeria louletana. Depois do nú da criação do mundo, de Courbet, ser apreendido pelas autoridades políciais. Depois das "pornográficas" meninas descascadas do magalhães no carnaval de Torres Vedras terem sido censuradas, chegou o "horror" à roupa interior escura, às saias curtas, aos decotes "provocantes" e imagine-se, aos saltos altos...na Loja do Cidadão em Faro. Quem explica a estas alminhas que por aí vegetam que o regime democrático é distinto da sociedade da corte da Idade Média?

"As funcionárias da Loja do Cidadão de Faro foram proibidas de usar saias curtas, decotes, saltos altos, roupa interior escura, gangas e perfumes agressivos."

Ver mais aqui http://www.destak.pt/artigos.php?art=26422

Manifesto pelo Pensamento Crítico

O pessoal do interessante blog Opinion Shakers agraciou-nos com os simpáticos rótulos de jovem e pensador. Aceite, partindo da definição de jovem agricultor, que vai para além da ternura dos quarenta. Por aqui, estamos na recta final dos trintas, pelo que agradecemos o prémio "Manifesto Jovens Que Pensam".

Ditam as regras que teremos de dividir o prémio com mais jovens pensadores. Cá vão jovens que pensam. E não tem que ver com apenas com a idade...mas com o espírito...

A Minha Matilde
Juventude Social Democrata Nacional (pelo video do pinócrates).
Ao jovem de Ssebastião (Por fazer renascer a discussão política em Loulé)

Eis as regras: 1. Exiba a imagem do prémio 2. Poste o link do blog que o premiou 3. Indique dez blogs para fazerem parte do “Manifesto Jovens que Pensam” 4. Avise os indicados 5. Publique as regras.

PS: Os blogues, ao contrário do que nos querem fazer crer os institucionalistas de serviço, vieram, entre muitas outras coisas, aprofundar a discussão democrática e o necessário escrutínio dos poderes públicos. Há abusos. Há, sim senhor. Não se pode é jogar fora o bébé com a água do banho. Aplique-se a lei. Ela foi feita para isso.

Para mais tarde recordar: O Genocídio do Ruanda

Fez este mês de Abril 15 anos...foi ontem.



Distinguem-se no Ruanda dois grupos étnicos: a maioria hutu e o grupo minoritário de tutsis. Desde a independência do país da Bélgica, os seus líderes sempre foram tutsis, num contexto de rivalidade étnica agravada com o tempo devido à escassez de terras e à fraca economia nacional, sustentada pela exportação de café. Em 1989, o preço mundial do café reduziu-se em 50%, e Ruanda perdeu 40% do seu rendimento com a exportação. Nesta época, o país enfrentou a sua maior crise alimentar dos últimos 50 anos, e ao mesmo tempo aumentava os gastos militares em detrimento dos investimentos em infra-estruturas e serviços públicos.

Em outubro de 1990, a Frente Patriótica Ruandesa, composta por exilados tutsis expulsos do país por hutus com o apoio do exército, invade o Ruanda pela fronteira com o Uganda. Em 1993, os dois países firmam um acordo de paz, o Acordo de Arusha. Cria-se no Ruanda um governo de transição, composto por hutus e tutsis. Em 1994 as tropas hutus, chamadas Interahamwe, são treinadas e equipadas pelo exército ruandês e instigadas à confrontação com os tutsis por parte da Radio Télévision Libre de Mille Collines (RTLM) dirigida pelas facções hutus mais extremistas.

Estas mensagens incidiam nas diferenças que separavam ambos os grupos étnicos e, ao passo que o conflito avança, os apelos à confrontação e à "caça do tutsi" tornaram-se mais explícitos, designadamente desde o mês de abril, em que se fez circular o boato de a minoria tutsi planejar um genocídio contra os hutus. De acordo com Linda Melvern [1], uma jornalista britânica que teve acesso a documentos oficiais, o genocídio foi planificado. No início da carnificina, a tropa ruandesa estava composta por 30.000 homens (um membro por cada dez famílias) e organizados por todo o país com representantes em cada vizinhança. Alguns membros da tropa podiam adquirir rifles de assalto AK-47 tão somente preenchendo um formulário de demanda. Outras armas tais como granadas nem sequer requeriam desse trâmite e foram distribuídas de forma maciça.

O genocídio foi financiado, pelo menos parcialmente, com o dinheiro apropriado de programas de ajuda internacionais, tais como o financiamento fornecido pelo Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional sob um Programa de Ajuste Estrutural. Estima-se que 134 milhões de dólares foram gastos na preparação do genocídio em Ruanda -- uma das nações mais pobres da terra -- com 4,6 milhões de dólares gastos somente em facões, enxadas, machados, lâminas e martelos. Estima-se que tal despesa permitiu a distribuição de um novo facão a cada três varões Hutus.

Segundo Melvern, o primeiro-ministro de Ruanda, Jean Kambanda, revelou [2] que o genocídio foi discutido abertamente em reuniões de gabinete, e uma ministra no gabinete disse que estava "pessoalmente a favor de conseguir livrar-se de todo os Tutsis... sem os Tutsis todos os problemas do Ruanda desapareceriam".

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Genoc%C3%ADdio_do_Ruanda

ps: Os espaçamentos e os reforços a bold são de minha autoria.

quinta-feira, abril 09, 2009

Do Abandono Escolar Precoce

Pior só mesmo Malta...


Fonte – European Union Labour Force Survey (Eurostat).

Em 2007 a média da UE-27 era de 15,2% o que significa que o abandono escolar precoce em Portugal é mais do dobro da média da UE a 27.

Nota: Clique em cima do gráfico para melhor leitura.


Árvores e Autarcas

Loulé. Maio de 2008

Avenida José da Costa Mealha

Nota: Clique em cima da foto para ampliar.

A ler com a devida atenção:

"A Câmara de Guimarães anunciou hoje que está a denunciar às forças policiais todos os autarcas que cortem ou podem árvores sem autorização municipal.

Segundo disse à Lusa o presidente da autarquia, o socialista António Magalhães, "todos autarcas que, sem autorização escrita dos técnicos da câmara, cortem ou podem árvores em locais públicos, serão alvo de um processo de contra-ordenação por parte da Policia Municipal".

Daniel Rodrigues, o presidente da Junta de Ronfe, foi o primeiro autarca a ter que responder judicialmente por ter mandado cortar diversas árvores junto ao cemitério local.
Os autarcas das freguesias de Gondar e Vermil, segundo António Magalhães, são os próximos.
"As raízes das árvores estavam a destruir o passeio e a colocar em risco a segurança do muro do cemitério que ameaçava ruir", sustentou Daniel Rodrigues contactado pela Lusa.

No entanto, nenhum argumento parece convencer o presidente da câmara vimaranense que, para os próximos quinze dias, tem já marcadas acções de sensibilização ambientais para os autarcas das 69 freguesias que compõe o município.
"Em tempo de eleições, os presidentes das juntas sofrem mais pressões por parte dos moradores, alegando que as folhas das árvores estão a sujar as casas ou as ruas, que podem provocar incêndios ou que as raízes estão a destruir os passeios", reconhece, todavia, António Magalhães.
"A mensagem que estamos a passar aos autarcas é que os votos não valem nada quando comparados com o respeito pelo meio ambiente", salientou.

Dentro do seu próprio partido, António Magalhães já informou os actuais autarcas socialistas que, se algum trocar "árvores por votos, deixará automaticamente de ser candidato pelo PS a qualquer junta de freguesia".
Esta é também uma forma de responder, disse, às críticas locais de que as contra-ordenações são apenas dirigidas a autarcas não socialistas.

As autarquias de Ronfe e Vermil têm executivos liderados pelo PSD.
A junta de Gondar é gerida pela CDU.

"Vejo os autarcas preocupados com muros e passeios. Um muro volta a fazer-se mas uma árvore demora dezenas de anos a crescer", acrescentou António Magalhães.

As contra-ordenações vão agora seguir os trâmites normais.

"Cortar árvores é crime perante a lei, portanto os autarcas que o fizeram terão a punição que o tribunal indicar", defendeu o presidente da Câmara de Guimarães. "

Notícia da Lusa, retirada da página da RTP

in blogue Sombra Verde. Ver aqui http://sombra-verde.blogspot.com/2009/04/o-autarca-modelo.html

quarta-feira, abril 08, 2009

O Apoio de Sócrates ao Dr. Barroso: Porreiro Pá!

O Dr. Barroso



O partido que se diz socialista, tem duas versões eleitorais sobre a União Europeia. Por um lado, a versão oficial do partido, que segundo o seu líder, é patriota e leva em conta os interesses de Portugal, seja lá isso o que for, uma vez que apoia um português para a Comissão Europeia e isso é que conta, independentemente do que por lá andou a fazer esse português e independentemente das orientações políticas que tenha. Por outro lado, tem a versão "independente" do Professor Vital Moreira e do dr. Soares que veêm em Durão Barroso o que qualquer português esclarecido deveria ver, um seguidista acrítico do neoliberalismo puro e duro e um dos grandes responsáveis pelas políticas que levaram o globo terrestre aquela que pode vir a ser a maior crise económica, financeira e social dos últimos cem anos. Para José Sócrates estas duas "caras" não têm problema algum. Como sempre, o rosto líder dos socialistas que se dizem socialistas, o mesmo é dizer, o rosto do socialismo pragmático, acha que é sinal de "pluralidade", estas duas versões "socialistas" e não vê nisso incompatibilidade nenhuma. O neoliberalismo que Sócrates agora tanto "detesta" existiu e provocou uma hecatombe global. O que nunca existiu, de forma alguma, foram os neoliberais. Pela primeira vez na História mundial, a história escreve-se sem protagonistas. Durão Barroso, afinal, sempre foi Marxista-Leninista, Sócrates é um Socialista "Moderno" e o Tratado de Lisboa, é bom, pasme-se, porque é de Lisboa. O neoliberalismo, afinal, foi um mito. Os protagonistas mudam depressa. Mais rápido que um camaleão. O Zé Povinho é que paga.

terça-feira, abril 07, 2009

Porque incomoda tanto a blogosfera?

Blogues, ‘bufos’ e pretensiosos

"Lamento não poder acompanhar alguns blogues pela qualidade dos seus autores, pela sua respeitabilidade democrática e crítica. Contrastam com os de origem anónima (de velhos conhecidos) que dão estímulo e coito a participações ainda mais anónimas, que insultam e enxovalham tudo e todos, quais ‘bufos’ modernos, igualmente cobardes e desprezíveis.
Outros, assinados e com foto em pose dos seus brilhantes autores deliciados com as provocações e ataques desabridos, contra quem, sabem de antemão, não lhes dá o prazer de entrar nas suas ociosas polémicas, em que ficam sempre a ganhar o que pretendem – visibilidade para as suas pessoas, prémio não merecido pelas suas não provadas pretensões intelectuais e morais. A democracia, o menos mau dos regimes políticos conhecidos, exige decência e respeito. "


Júlio Barroso, Presidente da Câmara de Lagos
in http://www.correiomanha.pt/noticia.aspx?contentid=DF42F958-80A5-4C6B-8953-42BF815343CE&channelid=00000093-0000-0000-0000-000000000093

PS: Primeiro foi o presidente da Câmara de Portimão a dizer que os seus amigos andavam incomodados com a blogosfera, agora, o de Lagos. Habituaram-se desde sempre a uma democracia adormecida e a cidadãos sem voz. Agora que os cidadãos têm um veículo verdadeiramente democrático de acesso à palavra, andam incomodados. Vou pegar nas palavras de um verdadeiro democrata dos partidos: "habituem-se"!

IKE...Agricultura?

Para reflectir...

...do blogue Boa Sociedade

"Regresso à agricultura?...

Numa época de crise e desemprego há quem defenda que a agricultura familiar pode reemergir como actividade complementar capaz de minimizar as dificuldades e a pobreza. Fará isto sentido? Quanto mim faz, e muito.
Não evidentemente para se apelar a qualquer regresso à sociedade rural (embora se possa reagir “e porque não?!”...) do passado, nem porque se creia que isso possa ser a solução dos males que nos afligem. Mas acredito que o contexto actual justifique uma reanimação da pequena agricultura. Seja como complemento económico, seja até como terapia para escapar – pelo menos por alguns dias da semana – a esta massacrante pressão dos media e dos “eventos” quotidianos que nos cercam, e nos alienam, sem que para eles se vislumbre qualquer hipótese de solução à vista.
Em alguns países desenvolvidos existem programas de actividades lúdicas relacionadas com a agricultura. Ou seja, as pessoas, mesmo as que têm bons empregos na cidade, pagam bom preço só para se poderem entreter nos tempos livres, trabalhando em jardins, plantando legumes, cavando, etc., ainda que isso se faça por puro prazer e não para recolher o fruto desse trabalho.
Em Portugal, país de camponeses até há pouco, a agricultura tradicional foi destruída, e a moderna praticamente nunca existiu – foi subtraída à rentabilidade e aos preços mais baixos dos produtos espanhóis. Porém, continuamos rurais. Só que passámos a comer tomates e maçãs calibrados, bonitos e sem sabor. Somos “semi-camponeses” amontoados nas cidades, vivendo à beira mar, mas sem saber nadar e sem, tão-pouco, poderem dedicar-se à pesca (também ela destruída).
Há dias atrás, uma amiga – uma jovem recém regressada a Portugal e que está a realizar um doutoramento – dizia-me que tem tentado saber informações sobre como criar um negócio no sector agrícola, mas que se tem debatido com imensas dificuldades. Não há incentivos, nem sequer há informação disponível...
Este pequeno barco a virar para o lado do Atlântico, que é o nosso país, parece preferir ser tombado e morrer de fome na praia, do que virar-se para aquilo que melhores garantias oferece para assegurar a subsistência familiar – trabalhar a terra!
Vejam o exemplo daquela família de que há uns dias passou uma excelente reportagem na RTP2. Fartaram-se de Lisboa e há 20 anos voltaram à serra. Com a horta, as galinhas, os coelhos, a criação dos porcos, etc., não páram. E aquela lição fantástica nas palavras da filha menor, quando respondeu à pergunta da repórter sobre a crise: “crise? Nós cá não temos crise, porque quando ela aparece o meu pai muda logo de canal” !..."


in http://boasociedade.blogspot.com/ Excelente blogue. Aconselho vivamente...

segunda-feira, abril 06, 2009

O Estado do Ambiente no Algarve

O macloulé felicita e agradece a tomada de posição pública das Associações Ambientais, na sua denúncia do "assalto generalizado" ao território algarvio e pede a atenção das entidades que governam a região para aquilo que vem denunciando como um autêntico "saque" territorial da região do Algarve.

Obrigado caros amigos do ambiente e do ordenamento do território!

"Ambiente do Algarve alvo de "assalto generalizado"

Ambientalistas ameaçam fazer queixas à Comissão Europeia

Sete associações ambientalistas ameaçam levar várias queixas à Comissão Europeia (CE) devido ao “assalto generalizado” de que está a ser alvo o Ambiente na região algarvia. As associações reuniram para fazer o ponto de situação do estado do Ambiente no Algarve e o diagnóstico “é bastante preocupante”, dizem. Vão tentar encontrar soluções para os problemas, mas em última instância farão queixas à CE.

Na mira dos ambientalistas estão por exemplo os projectos PIN - Potencial Interesse Nacional. Dizem que criam "enormes problemas sustentabilidade” e que passam por cima de todos os planos de ordenamento. Ainda sobre os projectos PIN, falam concretamente no projecto para o Pontal em Faro. Defendem que a ser aprovado "irá destruir o pulmão da cidade e uma das últimas manchas de pinhal do Algarve”.

Os ambientalistas falam ainda no Quadro de Referência Estratégica Nacional (QREN). Acusam a Comissão de Acompanhamento de só ter reunido duas vezes desde 2007, e que a taxa de aprovação “é reduzidíssima”, que está “nos 8,6%”. Sobre o QREN sublinham também que na questão dos projectos ligados ao Ambiente a taxa de aprovação ainda é menor, “7,6%”. Caracterizam de “ridiculamente pequena”. Dizem que só foram aprovados cinco projectos, todos de Autarquias.

Constituem outros motivos de preocupação para os ambientalistas questões ligadas a alguns planos de ordenamento e excesso de campos de golfe, mas salientam aquilo que chamam de “incidentes ambientais gravosos”: Falam dos “esvaziamentos cíclicos da Lagoa dos Salgados (...), liquidação do Pinhal da Praia Verde, construções ilegais e abandono na Mata de Vila Real de Santo António, descargas irregulares de efluentes na Ria Formosa”. "

As associações são a Almargem, Quercus, LPN, A Rocha, AMA, APOS e ALTELA.

in http://www.regiao-sul.pt/noticia.php?refnoticia=93245

Pode ver a declaração conjunta das Associações Ambientais aqui:
http://almargem.org/

domingo, abril 05, 2009

O Elefante que mudou de cor

O Elefante Cor de Rosa

Os nossos autarcas tão empenhados que estão em construir uma realidade cor de rosa inventaram agora um elefante cor de rosa. O Estádio do Algarve, afinal não é elefante branco coisa nenhuma, nem as autarquias, o mesmo é dizer, os seus contribuintes, estão endividados para os próximos 20 anos. No final de contas, eventos com a super importância de uma final de taça secundaríssima nisso que se chama de "futebol português" e agora uma corrida de carros de fim de semana, metamorfosearam a cor do elefante. O elefante é cor de rosa. Os contribuintes é que são uns tolos. E eu sou um maledicente, claro está, à luz da cultura democrática da época em que vivemos.

Sobre a divída dos contribuintes para os próximos vinte anos consulte aqui;

http://macloule.blogspot.com/2008/08/o-monstro.html

Saravejo: Para mais tarde recordar

Saravejo - A última barbárie no coração da Europa



A Guerra da Bósnia, guerra civil pela posse de territórios na região da Bósnia-Herzegovina entre três grupos étnicos e religiosos: os sérvios, cristãos ortodoxos; os croatas, católicos romanos; e os bósnios, muçulmanos. Mais tarde atinge também a Croácia. Tem início em Abril de 1992 e estende-se até Dezembro de 1995, com a assinatura do Acordo de Dayton. É o conflito mais prolongado e violento vivido pela Europa depois da II Guerra Mundial, com duração de 1.606 dias e 200 mil mortos.

Nas áreas ocupadas, os sérvios da Bósnia fazem a chamada limpeza étnica: expulsão dos não sérvios, massacre de civis, prisão da população de outras etnias e reutilização dos campos de concentração da II Guerra Mundial. A Bósnia-Herzegovina pede a intervenção militar internacional, mas só recebe ajuda humanitária, com alimentos e medicamentos. A Croácia entra no conflito. No primeiro momento reivindica parte do território bósnio e, numa segunda etapa, volta-se contra a Sérvia. Com o intensificar da guerra, a Otan envia tropas. A ONU manda uma força de paz, que, no fim de 1995, chega a 40 mil membros. Tentativas de cessar-fogo propostas pela ONU são repetidamente desrespeitadas. No início de 1995, os sérvios dominam 70% do território da Bósnia-Herzegovina. O quadro muda após a Batalha de Krajina, em Agosto, da qual os croatas saem vitoriosos. A relação de forças torna-se mais equilibrada e facilita a estratégia dos Estados Unidos de promover uma negociação de paz.

Em Maio de 1996, o Tribunal Internacional de Haia inicia o julgamento de 57 suspeitos de crimes de guerra. Os acusados mais importantes são o líder sérvio Radovan Karadzic, presidente do Partido Democrático Sérvio e da República Sérvia (Srpska), e o seu principal comandante militar, o general Ratko Mladic. Ambos são responsáveis pelo massacre ocorrido na cidade de Srebrenica, no qual 3 mil refugiados bósnios muçulmanos foram executados e enterrados em fossas e 6 mil encontram-se desaparecidos. Em Maio de 1997, o Tribunal de Haia condena o sérvio-bósnio Dusan Tadic a 20 anos de prisão por crime contra a humanidade em virtude da participação no extermínio de muçulmanos na Bósnia.

Fonte:http://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_da_B%C3%B3snia

Ps: Os reforços a bold são de minha autoria.

sábado, abril 04, 2009

Das obras eleitorais

Quarteira, ano 2009

Avenida Francisco Sá Carneiro

Nota: Foto tirada no início de 2009 quando aconteceu o abate de árvores.

Acabo de passar na Avenida Francisco Sá Carneiro, em Quarteira. É fantástico o que a genialidade dos autarcas lhes permite fazer em véspera de eleições. A avenida parece ter sido objecto de bombardeamento. Descobri também que não é o betão massificado em cima da praia que é o problema. O problema eram as poucas árvores que por ali restavam. É o desenvolvimento à Seruca Emídio no seu esplendor. No final da avenida, a especulação imobiliária vai fazer "deslocar" o parque de campismo para outro lado. Ao fim de mais de trinta anos de confusão entre crescimento e desenvolvimento, ao fim de anos e anos de graves erros urbanísticos persiste-se no mesmo modelo de desenvolvimento. Não se aprendeu nada este tempo todo. Nem se quer tentar aprender. São os autarcas que temos. Nada a fazer.


sexta-feira, abril 03, 2009

Mini-Retratos da Saúde Algarvia

Fui apanhado pela maldita gripe. Ja tinha deduzido que com a carga de trabalho neoliberal entranhada no meu corpo, ia à cama, mais dia, menos dia. Estava na esperança de aguentar até às férias e depois renovar energias para ficar de novo ao serviço da escravidão neoliberal. Não foi possível. Às 21h40m de 3 de Abril de 2009 chego ao Centro de Saúde de Loulé. Uma senhora, nem simpática, nem antipática, atende-me e diz-me para aguardar que já sou chamado para a triagem. Dias antes, tinha aqui estado com o meu petiz. Centro de Saúde a abarrotar. Voltei para casa pois ainda agravava o estado de saúde do pequenote. Nada como as unidades de saúde para piorar o nosso estado de saúde. Desta vez dois gatos pingados aguardavam à minha frente. Suspirei de alívio. Desta vez estou safo. Ninguém quer adoecer na véspera de fim de semana. Pago a consulta. Oito euros e quarenta cêntimos. A última vez que lá tinha ido, antes de Março, tinha pago menos de quatro euros. Sentei-me e comecei a pensar no valor pago pela consulta. É mais do dobro da última vez. Levantei-me e fui perguntar à administrativa que me atendeu o porquê daquele preço. "É da taxa moderadora. Começou no início de Março". Pensei com os meus botões "é a saúde socialista", deve ser o "remédio para a crise". Depois radicalizei os meus pensamentos "é um roubo institucionalizado". Entretanto, chamam o meu nome. Sou atendido por um médico de "Leste". Homem alto, robusto e de trato relativamente agreste, diria que digno de um ex-combatente da Bósnia-Herzegovina. Apesar da dificuldade da língua, faz o seu trabalho de forma muito profissional. Viu-me a garganta e logo disse. Gripe! Vá para casa e deite-se homem. Beba liquídos quentes. E receitou-me um três em um. Últimamente tenho tido excelentes experiências com os profissionais de saúde. As duas últimas vezes no centro de Saúde de Loulé, nos serviços de pediatria do Hospital Distrital de Faro, nos serviços de obstetrícia, no Hospital de Santa Maria também em Faro, fui atendido por profissionais de uma qualidade inexcedível. Fazem turnos de 24 horas, coisa inimaginável para uma profissão deste género e conseguem ter a paciência necessária para a cada vez mais praticada humanização dos cuidados de saúde. Melhorámos e muito nas últimas décadas em Portugal os serviços de saúde. As "corporações" que o governo de Sócrates tanto detesta, fazem o seu trabalho com cada vez maior qualidade. Falta o poder político fazer a sua parte. Mas esse coitado aplica o remédio de sempre. Privatizar, aumentar os custos com a saúde, "fazer mais com menos", um slogan adorado pelos idiotas neoliberais e fechar unidades de saúde na periferia e no interior do país. Depois, fui à farmácia em frente ao hospital antigo em Loulé, o que era dos "pobres" e que agora parece que vai ser dos "pobres" e dos "ricos" e não tinham os medicamentos receitados pelo ucraniano. Fui para Quarteira à Maria Paula. Mais cinco euros de gasolina. Por sorte lá tinham o medicamento. Mas a história das farmácias é uma história para outra altura. Ao todo paguei mais de treze euros de consulta com taxa moderadora e gasolina. Mais caro que os medicamentos. Belo remédio para a crise.

Muita saúde para todos!

O PS de Sócrates e a Essência do Ser Português

A "essencia" do ser Português tem sido objecto de caracterização desde há centenas de anos atrás por escritores, poetas, homens de literatura, políticos, famosos antropólogos e outros que tais. A atribuição de uma característica "essencial" definidora de um povo mais não é do que utilizar como categoria explicativa do comportamento do conjunto total de pessoas de uma determinada "nação" um atributo que precisaria antes de mais nada de ser explicado. Portugal seria então na boca de muito boa inteligência nacional um povo de "brandos costumes". De Espanha não virá nunca "nem bom vento, nem bom casamento". Os Suecos e os Dinamarqueses seriam "frios" por "natureza" e os latino-americanos são com certeza povos de temperamento "quente".

José Gil, conceituado filósofo português, é o expoente máximo deste tipo de raciocínio "essencialista" no Portugal contemporâneo. Segundo Gil, os portugueses teriam "medo de existir", o que indica que haveria uma "cultura do medo" que faria parte da "essência" do ser português. Ora o que fica por explicar neste tipo de racíocinio lógico (?) é precisamente a categoria de pensamento que é utilizada como causa explicativa.

Teria tido medo D. Afonso Henriques de lutar contra a sua mãe para fundar a nacionalidade? E o Infante Dom Henrique teria medo de navegar quando deu novos mundos ao mundo? Salgueiro Maia teria tido medo em fazer a Revolução de Abril? E o povo lisboeta teve medo em sair à rua? Otelo seria um medricas? Terão os emigrantes portugueses no Luxemburgo medo de existir? E Cristiano Ronaldo terá medo de ter sido o melhor do mundo? Quem são estes "portugueses" com medo de existir?

Alberto Martins, líder da bancada parlamentar do PS, qual cão de guarda do "vitimado" Sócrates (terá Sócrates medo de existir?), encontrou uma "velha" característica do povo português para "explicar" a tragédia do primeiro ministro que um dia se disse engenheiro. A sua pessoa tem sido objecto de um dos piores males da sociedade portuguesa. Alberto Martins dirigiu-se a Sócrates para lhe dizer que este tem sido alvo de um dos grandes "males que têm sido definidos na literatura, na poesia e vida portuguesa pela sua dimensão na calúnia, na intriga, na inveja e no maldizer" . Estes "males" do ser português constituem um dos "cancros portugueses de longa duração".

O que não disse Alberto Martins e fica novamente por explicar é aquilo que é usado como categoria explicativa. Onde estava a "calúnia", a "intriga", a "inveja" e o "maldizer" quando os portugueses deram a maioria absoluta a Sócrates? O que fizeram os portugueses a estes atributos quando elegeram Soares como primeiro ministro e Presidente da República? Para onde foi a "inveja" tão cara aos "portugueses" quando a "raça" lusitana recusou Cavaco em prole de Guterres? Qual é a "essência" deste partido que se diz socialista?

quinta-feira, abril 02, 2009

Para o ano há mais...

Quanto custa?

Quanto custa um Chico?
Quanto custa a gente da minha terra?
Quanto custa um cálice?
Quanto custa o fado?

Quanto custam os pássaros do sul?
Quanto custa Caetano?
Quanto custa cantar Lisboa?
Quanto custa um jeito estúpido de amar?

Quanto custa haja o que houver?
Quanto custa Martinho?
Quanto custa amar perdidamente?
Quanto custa a garota de Ipanema?

Quanto custa cantar Miranda?
Quanto custa a Queda do Império?
Qaunto custa a Rosa de Hiroxima?
Quanto custa um Zeca?

Quanto custa ter um Paião?
Quanto custa ter cama e mesa?
Quanto custa cantar o Mar?
Quanto custa a voz do Nuno?

Quanto custa a cultura?
Quanto custa o amor?
Quanto custa a felicidade?

Autoria: João Martins

E pronto. Para o ano há mais. Foi uma escolha arbitrária, mas espero que seja do gosto de todos vós. Desafio as rádios nacionais, regionais e locais a fazer o que o macloulé fez. A nossa pátria é a língua portuguesa.

O macloulé oferece também dois bilhetes de entrada na edição do ano que vem a quem acertar no nome do Ministro da Cultura de Portugal e na Secretária de Estado.

Deixo uma pista para advinharem quem é o ministro respectivo. Os seus trabalhos publicados:


"Tem diversos trabalhos publicados, entre os quais:

- Empresas Públicas e Concorrência na CEE, Coimbra, 1979;

- Dos Agrupamentos de Empresas, Lisboa, 1980 (em co-autoria com Rui Pinto Duarte);

- Lições de Direito Comercial, Lisboa, 1983, (policopiados) Grupos de Sociedades, Lisboa, 1986, (policopiado)
- O Acto Único Europeu, Lisboa, 1987;

- Conceito de Sociedade no Novo Código das Sociedades Comerciais, 1988, (policopiado);

- Notas sobre o crime de corrupção e poderes discricionários, Lisboa, 1990;

- Die verbundenen Gesellschaften im neuen portugiesischen Handelsgesell-schaftsgesetzbuch , in Das Konzernrecht im internationalen Vergleich , Baden-Baden, 1991;

- O Maior dos Males: Abandonar os Princípios, in Relações Internacionais, 04, Dez 2004, pág. 165 a 171, recensão do livro de Michael Ignatieff, The Lesser Evil: Political Ethics in an Age of Terror .
in
http://www.portaldacultura.gov.pt/ministeriocultura/gabgovernamentais/
Pages/ministrocultura.aspx

Até para o ano!

"A Cultura é um elemento indispensável para o desenvolvimento das capacidades intelectuais e para a qualidade de vida, factor de cidadania e instrumento fulcral para a compreensão e conhecimento crítico da realidade. "

in http://www.portaldacultura.gov.pt/ministeriocultura/Pages/apresentacao.aspx