sexta-feira, setembro 30, 2011

O Ingresso do Pedro No 1º Ciclo do Ensino Básico IV

Uma carta que foi lida na Reunião de Câmara de 27 de Setembro de 2011 na cidade de Loulé:

"Ex.ma Senhora Vereadora da Câmara Municipal de Loulé,

Drª Hortense Morgado

O meu nome é João Eduardo Rodrigues Martins e venho por este meio expôr-lhe a situação que se está a passar no arranque no ano lectivo presente na escola do meu filho Pedro Eduardo Frederico Martins.

O Pedro Eduardo entrou este ano para o 1º ciclo do Ensino Básico da escola nº 4 do Agrupamento Vertical de Escolas Padre João Coelho Cabanita. Foi com profunda estupefação que constatei que no ano em que se bate o recorde histórico do despedimento massivo de professores em Portugal, falo portanto do presente ano lectivo, no primeiro dia de aulas, o meu filho não tinha professora na sala de aula porque a colocação da professora ainda não se tinha concretizado. Fui informado no mesmo dia que já tinha sido, entretanto, uma senhora professora colocada e que chegaria dentro dos próximos três dias seguintes. O primeiro dia de aulas decorreu, portanto com uma senhora professora que foi fazer o acolhimento dos alunos e dos pais, numa reunião que apesar de marcada para as 11 horas da manhã, não chegou a acontecer.

No segundo dia de aulas a professora entretanto colocada já apareceu, acontece que está grávida de uns bons meses. No terceiro dia, essa mesma professora já não pode comparecer pois segundo me foi dito foi ao médico por uma questão de saúde relacionada com a gravidez, pelo que foi substituída nesse dia, por uma professora coordenadora que foi ocupar esse tempo e espaço. Com todos estes percalços, a primeira semana de aulas do meu filho Pedro já lá vai, em três dias, com duas professoras.

Não constituiriam estes "percalços" problema, não tivesse a professora que está grávida que ser substituída nos próximos tempos e não houvesse depois a probabilidade de no final do ano estarmos perante nova substituição e quem sabe no outro ano e no outro ano e finalmente, novas substituições ainda no ano final. Como professor do ensino superior durante vários anos num Departamento de Ciências de Educação e Sociologia, a leccionar a alunos de Ciências da Educação e da Formação e a ensinar e investigar a disciplina de Sociologia da Educação tenho pleno conhecimento cientificamente fundamentado do quanto um processo destes é extremamente prejudicial à educação do meu filho.

Não deixa de ser paradoxal que tudo aquilo que ensinei e aprendi do ponto de vista da análise sociológica da educação seja depois brutalmente confrontado com a realidade da prática educativa na escola do meu filho, neste caso pelos piores dos motivos. Como sabe, porque sei que também é professora, a consolidação das aprendizagens básicas de uma criança nos primeiros anos de escolaridade são fundamentais quer para o seu desenvolvimento cognitivo futuro quer para o seu desenvolvimento afectivo e tendo em conta o atrás exposto, ambos sabemos e creio que o senhor presidente da Câmara Municipal de Loulé, apesar de não ser um simples professor e de ser um digníssimo médico também saberá, que não há uma segunda oportunidade de se fazer uma boa consolidação das primeiras aprendizagens escolares.

Tendo em conta o exposto, penso que era muito importante que a autarquia em conjunção com a direcção da escola e a ainda Direcção Regional de Educação providenciassem uma maneira da turma do meu filho Pedro ter a possibilidade de ter um/a docente que lhe dê estabilidade ao longo do percurso escolar do 1º ciclo. É que eu também sou pelo rigor na aprendizagem e contra o facilistismo. Mas neste caso, lamento constatar, mas é o Ministério da Educação, a Direcção Regional de Educação do Algarve, a autarquia louletana e a escola em causa que não estão a criar as condições para que o meu filho possa crescer com dignidade.

Deixo à sua consideração passar esta mensagem na próxima reunião de vereação.

Dirijo-me especialmente a si, por sei que tem sido particularmente exigente com a participação dos munícipes na vida pública e sei que vai levar concerteza em consideração este problema que acabo de lhe apresentar. Farei sentir também esta situação, novamente, junto do senhor director da escola, do senhor director regional de educação e se necessário do senhor ministro da educação.

Respondi, de imediato, nestes termos:

"Embora não seja professora, partilho consigo a opinião de que os primeiros anos de escolaridade são importantíssimos no desenvolvimento de uma criança, tanto a nível cognitivo, como afectivo e social.
Ainda que, sabendo-se que a autarquia não tem papel activo na colocação de professores, na próxima reunião de Câmara, farei chegar à presidência o teor da sua carta.
Obrigada por ter partilhado comigo esta sua preocupação e não hesite em contactar-me sempre que achar que deve. Hortense Morgado".

E, na Reunião de Câmara de ontem, dia 27, a carta lá foi lida e escutada com atenção e alguma apreensão, por todo o Executivo Municipal.

Resposta

O Senhor presidente disse que, apesar de compreender a inquietação deste munícipe e lamentar os prejuízos para as crianças, lembrou que a Câmara não tem competência nessa matéria.

Por outro lado, não pode ignorar a situação da professora pois, também ela, goza de um direito que lhe assiste.

Relembrou que a resolução destes casos cabe ao Ministério da Educação, em articulação com a Escola e a Direcção Regional de Educação, que têm a obrigação de encontrar uma resposta adequada às necessidades das crianças.

A Dr.ª Teresa Menalha, vereadora que detém o pelouro da Educação, reiterou a informação dada pelo Sr. Presidente, no que concerne às limitações da Câmara quanto à colocação de professores.


Entretanto, o Dr. João Martins respondeu ao e-mail que lhe enviara. E disse:

"Agradeço a sua atenção para este assunto. Sei que a autarquia não tem um papel activo na colocação de professores (por enquanto) mas com a cada vez maior centração das questões da educação no local, penso que a autarquia deve, cada vez mais, ser no futuro, um órgão regulador das políticas educativas ao nível da comunidade, não se podendo limitar a uma mera intervenção de carácter técnico-administrativo.
Peço que compreenda que no caso que expus da escola do meu filho não é só uma questão de colocação de professores daquilo que se trata, o que quanto a mim já só por si é uma questão de suficiente importância. Confesso-lhe que fiquei chocado de no primeiro dia de aulas do meu filho na escola pública, a primeira coisa que me foi dito quando entrei para uma reunião de pais na sala de aula, que afinal não aconteceu, por manifesta incompetência da escola, foi que a turma não tinha professora colocada.

O problema no caso que lhe expus é que eu não tenho a certeza que foram garantidas pela escola as condições de equidade em relação às outras turmas da mesma escola, no sentido de proporcionar uma educação que se quer de qualidade para todas as crianças. Mas isso será a Inspecção Geral de Educação a dizer de sua justiça.
Peço que compreenda que perante a minha exposição do caso à direcção da escola em causa, e depois do que a mesma me ter dado por garantido apenas uma declaração de instabilidade pedagógica ao longo de quatro anos pela boca do seu director, sem a mínima abertura e vontade de encontrar uma solução que atenuasse o problema gerado pela própria escola e pelo respectivo ministério não podia deixar de ficar incomodado com essa situação. Penso que se o senhor Presidente Seruca Emídio pede às escolas mais sucesso escolar ele deve saber que as condições em que professores e alunos trabalham nem sempre são aquelas que seriam as necessárias.

Aproveito para lhe dizer que a desigualdade de tratamento se manifesta também porque o edifício onde está o meu filho Pedro não tem vigilante às 9 horas da manhã até quase a meio da manhã, porque segundo parece o vigilante vai dar uma volta, penso eu por outras escolas do interior, o que também não se compreende, porque no edifício da outra turma da mesma escola, segundo uma senhora funcionária, existe não só um, mas dois vigilantes, ficando aquele edifício sem a segurança necessária e mais uma vez em desvantagem.


Ver tudo aqui: http://hortense-morgado.blogs.sapo.pt/37083.html

quinta-feira, setembro 29, 2011

Dia 08 de Outubro O Protesto Sai à Rua



Dia 08 de Outubro os algarvios saiem de novo à rua contra as portagens na Via Do Infante. É preciso dizer não às políticas reacionárias de quem nos governa. Os cidadãos pagam. O Algarve regride económica e socialmente. O negócio é desastroso para o Estado. Quem ganha com as portagens na Via do Infante?

Ver mais aqui: http://pt-br.facebook.com/pages/Algarve-Portagens-na-A22-N%C3%83O/146137288757421

quarta-feira, setembro 28, 2011

Clarinho como a água



Se alguém pensava que os especuladores se orientavam por valores caritativos, de foro religioso ou pela sacrosanta "estabilidade política", está aí a resposta. Clarinha que nem a água. Há aqueles, como os que se situam na direita radical, fascista e neoconservadora, que dirão, o mundo é assim, não há nada a fazer. Interessa é descobrir a boa maneira de ganhar dinheiro com a catástrofe que se impõe aos outros, que gente "inteligente" como nós tem a obrigação merecida de se fazer enriquecer. Outros, onde me situo, dirão, outro mundo é possível, ele não vai mudar de um dia para o outro mas podemos fazer com que ele caminhe todos dias para uma ordem social mais justa e menos indigna. Para isso é preciso agir. Ser espectador é ser engolido por um qualquer especulador bem apoiado, hoje, nos partidos da Troika.

terça-feira, setembro 27, 2011

Novidades do Fascismo Financeiro Austeritário



1. Depois de um comissário europeu alemão ter sugerido como "castigo" que os países "incumpridores" tivessem as suas bandeiras nacionais colocadas a meia haste, a senhora Merkel afirmou esta semana que os países "incumpridores" deveriam perder a sua soberania. A sugestão é assim uma espécie de ocupação nazi sem tanques alemães à vista.

2. Na Grécia, jovens estudantes invadiram a televisão pública nacional e interromperam em directo um programa a exigir ao locutor que lê-se em directo um manifesto contra a austeridade.

3. Em pleno coração do capitalismo ocidental, Wall Street é ocupada por uma acampada. Noam Chomsky, um dos maiores intelectuais do século XX manifestou o seu apoio aos acampados. O fascismo financeiro austeritário faz-nos passar um mau bocado mas pressinto que ele próprio vai passar um mau bocado.

4. As tv's do mundo ocidental têm feito de conta de que nada disto está a acontecer. O vídeo em cima retirado do youtube (abençoada internet) mostra como a contestação a esta ordem mundial tremendamente injusta se faz no feminino. Há uma revolução em curso também no género.

segunda-feira, setembro 26, 2011

Executivos Autárquicos Homogéneos e Monocolores

O PSD já tem a sua proposta para a reforma do poder local. Quer acabar com os vereadores da oposição e ao mesmo tempo quer os executivos autárquicos mais "homogéneos" e "monocolores". O PS já veio dizer que concorda com essa monovidência pois segundo diz um seu porta-voz, o PSD aproximou-se das suas posições. Jerónimo de Sousa disse hoje e bem que do que se trata é da redução do pluralismo democrático. Eu diria mais. Trata-se de um verdadeiro encolhimento do arco-íris que deveria ser a democracia local. Do PS já nada nos espanta. De um partido que tem em Ricardo Rodrigues, o homem que "retirou" os gravadores aos jornalistas que o entrevistaram em plena Assembleia da República, a personagem que cuida das leis do combate à corrupção e do enriquecimento ilícito nada já se pode esperar. A herança do PS de Sócrates não permite dentro dos próximos tempos qualquer regeneração. Quanto à monopartidarite aguda da gestão autárquica que aí se propõe vir, é mais um golpe na regulação do escrutínio dos poderes públicos locais. Tudo em nome da célebre racionalização, eficácia e eficiência gestionária e claro, da redução da "despesa" . Não vivessemos nós uma espécie de democracia contábil. Por enquanto.

domingo, setembro 25, 2011

Desorganizar a Democracia

Por Boaventura Sousa Santos;

A democracia política pressupõe a existência do Estado. Os problemas que vivemos hoje na Europa mostram que não há democracia europeia porque não há Estado europeu. E porque muitas prerrogativas soberanas foram transferidas para instituições europeias, as democracias nacionais são hoje menos robustas porque os Estados nacionais são pós-soberanos. Os défices democráticos nacionais e o défice democrático europeu alimentam-se uns aos outros e todos se agravam por, entretanto, as instituições europeias terem decidido transferir para os mercados financeiros parte das prerrogativas transferidas para elas pelos Estados nacionais.

Ao cidadão comum será hoje fácil concluir (lamentavelmente só hoje) que foi uma trama bem urdida para incapacitar os Estados europeus no desempenho das suas funções de proteção dos cidadãos contra riscos coletivos e de promoção do bem-estar social. Esta trama neoliberal tem vindo a ser urdida em todo o mundo, e a Europa só teve o privilégio de ser "tramada" à europeia. Vejamos como aconteceu.

Está em curso um processo global de desorganização do Estado democrático. A organização deste tipo de Estado baseia-se em três funções: a função de confiança, por via da qual o Estado protege os cidadãos contra forças estrangeiras, crimes e riscos coletivos; a função de legitimidade, através da qual o Estado garante a promoção do bem-estar; e a função de acumulação, com a qual o Estado garante a reprodução do capital a troco de recursos (tributação, controle de setores estratégicos) que lhe permitam desempenhar as duas outras funções.

Os neoliberais pretendem desorganizar o Estado democrático através da inculcação na opinião pública da suposta necessidade de várias transições.

Primeira: da responsabilidade coletiva para a responsabilidade individual. Para os neoliberais, as expectativas da vida dos cidadãos derivam do que eles fazem por si e não do que a sociedade pode fazer por eles. Tem êxito na vida quem toma boas decisões ou tem sorte e fracassa quem toma más decisões ou tem pouca sorte. As condições diferenciadas do nascimento ou do país não devem ser significativamente alteradas pelo Estado.

Segunda: da ação do Estado baseada na tributação para a ação do Estado baseada no crédito. A lógica distributiva da tributação permite ao Estado expandir-se à custa dos rendimentos mais altos, o que, segundo os neoliberais, é injusto, enquanto a lógica distributiva do crédito obriga o Estado a conter-se e a pagar o devido a quem lhe empresta. Esta transição garante a asfixia financeira do Estado, a única medida eficaz contra as políticas sociais.

Terceira: do reconhecimento da existência de bens públicos (educação, saúde) e interesses estratégicos (água, telecomunicações, correios) a serem zelados pelo Estado no interesse de todos para a ideia de que cada intervenção do Estado em área potencialmente rentável é uma limitação ilegítima das oportunidades de lucro privado.

Quarta: do princípio da primazia do Estado para o princípio da primazia da sociedade civil e do mercado. O Estado é sempre ineficiente e autoritário. A força coercitiva do Estado é hostil ao consenso e à coordenação dos interesses e limita a liberdade dos empresários que são quem cria riqueza (dos trabalhadores não há menção). A lógica imperativa do governo deve ser substituída na medida do possível pela lógica cooperativa de governança entre interesses setoriais, entre os quais o do Estado.

Quinta, dos direitos sociais para os apoios em situações extremas de pobreza ou incapacidade e para a filantropia. O Estado social exagerou na solidariedade entre cidadãos e transformou a desigualdade social num mal quando, de facto, é um bem. Entre quem dá esmola e quem a recebe não há igualdade possível, um é sujeito da caridade e o outro é objeto dela.

Perante este perturbador receituário neoliberal, é difícil imaginar que as esquerdas não estejam de acordo sobre o princípio "melhor Estado, sempre; menos Estado, nunca" e que disso não tirem consequências.

http://aeiou.visao.pt/segunda-carta-as-esquerdas=f623642#ixzz1Z0OQ8FSM

Elevar o Gosto



Levar África a todos os cantos do mundo. Fica para sempre a sodade.

sábado, setembro 24, 2011

Notas De Mais Uma Semana Em Contexto de Austeristarismo Recessivo


1. Fui designado pelos pais da turma do Pedro para representar os encarregados de educação e os interesses das crianças. Nas escolas, mais concretamente nos orgãos de gestão mais diversos, abunda a incorporação de disposições austeritárias. O racíocinio dominante em vez de se orientar por valores pedagógicos de defesa incondicional de uma educação pública de qualidade orienta-se agora pela racionalidade do "é preciso cortar". A educação passa a estar legitimada por valores sacrificiais. Vai ser uma luta.

2. A imagem em cima foi divulgada esta semana pelo jornal Público. O artigo que fazia referência à imagem falava de mais austeridade a juntar à já brutal austeridade recessiva em que tem estado engrilhoada a Grécia e falava dos protestos da população Grega que não se conforma com o sangue retirado pelas sanguessugas. Nem uma única referência ao homem da foto que se imolava à maneira do tunisíno que provocou a explosão social que deu início às revoluções do mundo árabe. A pressão, vinda de todos os lados, para a inculcação do consenso austeritário, é brutal. O discurso dominante em Portugal, que nos diz insistentemente que Portugal não é a Grécia é um perfeito disparate. Em vez de se atribuir uma essência imutável aos povos, o que não passa de uma falácia, dever-se-ia procurar reconhecer as dinâmicas intrínsecas do capitalismo austeritário e lembrar de uma vez por todas que a Grécia é o berço da democracia e da civilização ocidental. Se querem a prova de que os gregos podem ser mais organizados, trabalhadores e eficazes do que os portugueses, revejam por favor, a final do campeonato da europa de futebol de 2004, em Portugal.

3. Esta semana o governo avançou com a facilitação dos despedimentos, pasme-se agora, por "incumprimento dos objectivos" no trabalho. A partir de agora, a relação de trabalho que sempre foi desiquilibrada em favor do patronato e em desfavor do trabalhador, passa a ser regulada pelo medo. A regressão no mundo laboral é brutal. Hoje soube-se que a remuneração do trabalho em horas extras e aos feriados vai ser paga a 50%. O avassalador ataque dos conservadores neoliberais aos direitos sociais conquistados com muito sangue, suor e lágrimas nas sociedades ocidentais está muito perto da instituição de um regime fascista.

4. Como escreveu esta semana Boaventura Sousa Santos na revista Visão, trata-se de um ataque feroz com o objectivo de desorganizar a democracia. Num país com uma democracia de baixa intensidade, deixamos de caminhar em direcção à necessária democratização da democracia e caminha-se agora a largos passos para a desmocratização da democracia. Irá o austeritarismo recessivo vencer a democracia? Em Portugal, configuram-se alguns cenários que vale a pena colocar em cima da mesa do espaço dos possíveis. O primeiro, a dolorosa saída do euro e o regresso a uma outra moeda que permita a sua desvalorização e uma efectiva política cambial que permita estimular as exportações. O segundo, de probabilidade quase impossível, a manutenção no euro e uma inversão de 180 graus nas políticas europeia e nacional orientadas actualmente pela lógica destrutiva do austeritarismo recessivo. O terceiro, a instauração de uma ditadura militar, à maneira do que já aconteceu noutros países em que as receitas do FMI fracassaram e os credores não quiseram ficar a perder. O quarto, não menos desastroso, uma revolução que não se sabe como pode acabar e que seria talvez um cenário tão desastroso como o anterior. Um outro cenário, que talvez valha a pena não deixar de lado como hipótese, é aprender o mais possível com o que se passou na Islândia.

quinta-feira, setembro 22, 2011

Dia 08 de Outubro O Protesto Sai à Rua


Dia 08 de Outubro os algarvios saiem de novo à rua contra as portagens na Via Do Infante. É preciso dizer não às políticas reacionárias de quem nos governa. Os cidadãos pagam. O Algarve regride económica e socialmente. O negócio é desastroso para o Estado. Quem ganha com as portagens na Via do Infante?

Ver mais aqui: http://pt-br.facebook.com/pages/Algarve-Portagens-na-A22-N%C3%83O/146137288757421

Do Fascismo Financeiro Austeritário II

Quando a sociedade nos abandona

O desespero pela falta de dinheiro e a solidão de Cristina e Pedro, dois irmãos de 53 e 57 anos, que viveram o último ano como sem-abrigo, nas ruas de Lisboa, acabaram anteontem à noite em tragédia. Os dois decidiram pôr termo à vida, lançando-se para a frente de um comboio, às 21h30, na estação de Paço de Arcos.

http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/nacional/portugal/desespero-leva-irmaos-a-morte

terça-feira, setembro 20, 2011

Da Serra Ao Mar


Agora que o Calçadão de Quarteira comandado pelo Lourenço Anes partiu e que o Sebastião do António Almeida reduziu (?) a sua actividade, deixando o macloulé quase a falar sozinho consigo mesmo (ainda há o Tia Anica do Jorge, o Contrasensos do Helder Raimundo, a Louletania do Palma, os Olhares Louletanos e o Marafações de Uma Louletana que aqui vou acrescentar) há que dar visibilidade aos blogues do concelho que vão surgindo. No Da Serra Ao Mar escreve-se bem e promete dar que falar até pelo menos as próximas eleições autárquicas. Ele já está a dar que falar...

Aqui:
http://www.daserraaomar.com/

Aos Professores Anónimos Que Aqui Comentam I

Deixo aqui um artigo científico para que percebam a influência da construção das turmas nas escolas na produção de desigualdades escolares e da importância acrescida dos orgãos de gestão das escolas implementarem medidas que promovam a igualização de oportunidades sociais e a transparência nos processos de constituição das turmas. Antes de surgirem comentários precipitados agradecia primeiro que lessem o artigo. Sem ler não vale. Pode ser assim? Depois podem fazer comentários precipitados à vontade.

O link é este: http://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/8811.pdf

Do Género Do Salário

As mulheres portuguesas ganham em média menos 18 por cento que os homens (181 euros), apesar de a sua participação no mercado de trabalho ter aumentado nos últimos anos.

De acordo com um estudo da CGTP sobre a desigualdade entre homens e mulheres no trabalho, a taxa de atividade feminina é de 56 por cento, menos 11,9 pontos percentuais do que a taxa de atividade masculina, que é de 67,9 por cento.

O estudo, elaborado com base em dados do INE – Instituto Nacional de Estatística, refere que em Portugal as mulheres representam 47,3 por cento da população ativa e 47 por cento do emprego total.

No entanto, a remuneração base média mensal dos homens (1.003,7 euros) era no ano passado superior em 18 por cento à das mulheres (822,7 euros).

Se o referencial for o ganho médio mensal e não apenas o salário base, então a diferença ainda é maior, de 21,6 por cento.

O setor da saúde e do apoio social é aquele onde a diferença salarial é maior (33,5 por cento). Em média os homens ganham 1.202,05 euros e as mulheres 798,91 euros (menos 403,14 euros).

A diferença é menor no setor do comércio. Os homens ganham em média 1.122,03 euros por mês, enquanto as mulheres ganham 910,29 euros, o que corresponde a menos 19 por cento (211,74 euros).

São também as mulheres que representam a maioria dos trabalhadores que auferem o Salário Mínimo Nacional - 12,3 por cento, enquanto para os homens essa percentagem é de 5,9 por cento.

As diferenças salariais repercutem-se depois nas pensões de reforma pois as das mulheres são pouco mais de metade das dos homens.

Aqui: http://www.observatoriodoalgarve.com/cna/noticias_ver.asp?noticia=47552

domingo, setembro 18, 2011

Ainda O Caso Da Filha Do Vereador Que Foi Colocada Na Escola De Almancil

Há umas poucas horas dei comigo a falar com os meus botões sobre as razões das suspeitas de favorecimento na colocação da escola de Almancil da filha do vereador louletano divulgadas pelo Correio da Manhã (ai os jornais locais...) terem gerado tanta indignação. É que as sociedades modernas industriais, ao contrário das sociedades feudais do antigo regime foram fundadas sobre a crença no status adquirido e não no status herdado. Esta forte crença de que a mobilidade social deve estar assente em ideais meritocráticos, onde a própria instituição escola é tida como um canal privilegiado de promoção da meritocracia, faz gerar as maiores indignações quando os status herdados são percebidos como influenciando decisivamente o jogo da vida. Os status herdados continuam a actuar subrepticiamente condicionando o jogo social, mas a visibilidade social da sua interferência faz despertar os maiores sentimentos de injustiça relativa, senão mesmo a percepção de que há imensa batota subversiva das regras da democracia.

Quando A Andaluzia Cuida Dos Interesses dos Algarvios

Os autarcas algarvios e os representantes partidários locais deviam-se encher de vergonha quando se constata que é necessário serem os espanhóis a defender os interesses do Algarve. É triste, mas diz bastante do estado a que isto chegou...

Aqui: http://www.regiao-sul.pt/noticia.php?refnoticia=120022

Intervalo

O Sindicato, A Filha do Vereador, O Director da Escola e O Vereador

Conforme o CM noticiou ontem, Isabel Moreno, a filha do vereador Anibal Moreno, sem tempo de serviço, superou educadoras com mais de 10 anos de experiência. Se houve favorecimento, o SPZS diz que o director do agrupamento, Rui Filipe, não tem "condições para continuar no cargo". O SPZS acusa ainda o director de mentir nas justificações que deu ao CM para a decisão. "Não é verdade que a legislação permita ao agrupamento total liberdade de escolha", nem que seja a "entrevista a determinar a escolha", diz o SPZS.

http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/nacional/ensino/sindicato-pede-esclarecimento-sobre-colocacao

sábado, setembro 17, 2011

O Ingresso do Pedro No 1º Ciclo do Ensino Básico III

Hoje o Pedro vai no quarto dia de escola. Teve duas professoras. De manhã esteve na sala a professora "substituta". À tarde a professora que já foi entretanto colocada, que está grávida de vários meses, que daqui a alguns dias irá embora e que não pôde comparecer de manhã. De manhã junto da porta da escola uma avó muito nervosa pediu-me o meu número de telemóvel pois estava preocupadíssima com a situação. Da porta da escola logo pela manhã ao perceber que a "verdadeira" futura professora não estava, arranquei para o gabinete do director. Depois de lhe explicar a gravidade da situação disse-me que não estava ao seu alcançe fazer nada que pudesse resolver a potencial brutal instabilidade deste percurso educativo. Informei-o que vou recorrer a todas as vias possíveis e imaginárias para que o Pedro tenha um trajecto escolar digno. Aconselhou-me que o fizesse e que se quisesse escrevesse para o Ministro da Educação. Agradeci o conselho, dizendo-lhe que também o farei certamente. Soube nesse dia também, por coincidência, numa pastelaria ali perto em conversa com uma mãe, que ia haver assembleia da Associação de Pais há noite. Lá fui eu há noite para a Assembleia da Associação de Pais. Reunião muito interessante, mas o senhor presidente da Associação de Pais lá nos foi avisando (aos pais) que não eram para ali chamados questões pessoais dos pais. Depois lá se reconheceu que a colocação de professores e o regular funcionamento do processo educativo de uma turma é uma questão de interesse geral. Mas o senhor Presidente da Associação de Pais já tinha conhecimento da "turma" do 1º ano que tinha uma professora que se atrasou na colocação um dia e que estava grávida e que o pai já andava a reclamar". Um caso de interesse geral já andava nos corredores do diz que disse a ser transformado em caso de um "problema pessoal de um pai". Deixo um aviso à navegação, a quem por acaso me estiver a ler. Este processo não vai parar enquanto não se encontrar uma solução minimamente digna para o processo inicial de escolarização do Pedro. A escola em conjunto com o respectivo ministério não colocaram os professores nas turmas de forma competente, eu agora quero pelo menos um remendo que minimize o mal maior que já foi feito às crianças daquela turma.

quinta-feira, setembro 15, 2011

Escola De Almancil Emprega Professora Filha de Vereador - Sem Tempo de Serviço

Escola emprega professora filha de vereador

Educadora de 24 anos, sem tempo de serviço, supera colegas com 10 anos de experiência profissional. Director de Almancil garante ser coincidência.

http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/exclusivo-cm/escola-emprega-professora-filha-de-vereador

Há dois posts atrás queixava-me eu da falta de clarificação objectiva dos critérios de constituições de turmas e das manigâncias que isso poderia permitir beneficiando uns alunos em detrimento de outros. Vejam lá agora o caso da filha do vereador que não tem tempo de serviço. O caso parece ser de polícia e deve ser denunciado ao Ministério Público. A autonomia decretada que continua por realizar tem aqui um problema a resolver.

O Ingresso do Pedro No 1º Ciclo do Ensino Básico II

No primeiro dia o Pedro não tinha professora colocada. Apareceu por lá uma professora para fazer a recepção e o acolhimento dos alunos e respectivos encarregados de educação. No segundo dia apareceu uma professora contratada que está grávida e não sei ainda quanto tempo "por cá" vai ficar e no terceiro dia a professora que está grávida faltou e foi substituída por outra professora que apareceu para "desenrascar" novamente. Tudo se conjuga para que a consolidação das aprendizagens do Pedro no primeiro ano seja um desastre. No mínimo preocupante. Vou dando notícias aqui ao longo do ano. Eu não queria. Mas não posso deixar de o fazer. Se alguém me poder aconselhar o que fazer eu agradeço. Com o director eu já falei e voltarei a falar. Mas um homem poderá fazer alguma coisa contra a tirania da burocracia? A escola é a nº 4 do Agrupamento Padre Cabanita em Loulé.

quarta-feira, setembro 14, 2011

O Défice de Explicação

Uma das coisas que mais impressiona numa certa classe política é a retórica centrada no "défice de explicação" para justificar o fracasso das políticas que põem em prática. Tudo se passa como se as populações que governam tivessem um "défice de compreensão" e tudo se resolveria com um acréscimo de explicação. Um equívoco que serve de poderoso mecanismo legitimador das políticas que nos levam a quase todos à desgraça. Desta vez é Durão Barroso. Expliquem lá às populações que o euro é bom para elas. É que elas não entendem.

http://economia.publico.pt/Noticia/durao-barroso-pede-um-novo-momento-federador-na-europa-para-resolver-a-crise-do-euro_1511874

terça-feira, setembro 13, 2011

O Ingresso do Pedro No 1º Ciclo do Ensino Básico

1. O ingresso do Pedro no 1º Ciclo do Ensino Básico foi digno da nossa senhora da bagunça e deixa o pai e a mãe à beira de um ataque de nervos. A informação na internet da noite anterior marcava reunião com os pais para as 11 horas da manhã do dia seguinte. Chegados à escola nº4, edifício 2, em Loulé, às 10h55mn, a reunião tinha decorrido na sala do outro edifício. Pai e mãe, empenhados em exercer a sua função nobre de educadores perderam ambos uma manhã de trabalho. O que não dirá a Troika disto?

2. Recebeu-nos uma senhora professora, muito simpática, que nos disse que a reunião afinal já tinha sido e que ela apenas estava para receber os pais e passar algumas informações, que a turma ainda não tinha professora. No ano em que se bate o recorde histórico no desemprego dos professores não deixa de ser fantástico que o ano escolar do Pedro dê início sem professor (a). Mais tarde apareceu o senhor Director do Agrupamento (por minha solicitação) a garantir que já havia uma colocação e que a nova professora tem três dias para se apresentar. Como hoje é Terça-Feira, imagino que o Pedro na primeira semana vá fazendo "uns exercícios" com uma professora substituta que por ali vai estar para "desenrascar". O início de um ciclo de estudos essencial à consolidação das aprendizagens básicas do meu filho Pedro é assim digno de um processo Kafkiano. É a burocracia do "Ministério", é a "regra" das colocações, é outra professora que pediu a reforma, é aquela que era desta sala no ano anterior e voou (literalmente) para a outra da turma do lado. É tudo somado, a sala do Pedro que no primeiro dia está orfã da educadora e o primeiro dia afinal não aconteceu.

3. Ainda no final do ano lectivo passado andava eu com uma certa inquietação com a constituição das turmas e a forma como a escola o iria fazer. Tendo alguns bons anos de investigação e ensino sobre os mecanismos escolares de produção de desigualdades sociais sabia que entre os vários e poderosos factores que produzem efeitos na aprendizagem dos alunos está o que a sociologia da educação consagrou como "efeito turma". E o "efeito turma" resulta em boa parte das vezes da forma como os professores agrupam os alunos no interior da escola. É conhecido de alguns anos o facto dos professores mais experientes quererem leccionar aquilo que perspectivam como "boas" turmas e deixarem para os que estão a chegar aquilo que consideram ser as "más" turmas. Não poucas vezes as turmas da "manhã" em muitas escolas são aquelas com que toda a gente quer trabalhar deixando as turmas da "tarde" para quem as quiser agarrar. Sabendo da existência destes mecanismos fui à secretaria da escola saber porque motivo o Pedro ficou na turma em que ficou e qual o critério de constituição das turmas. Se já não estava descansado sabendo o que poderia acontecer menos descansado vim com a resposta de uma senhora professora. O critério é a área de residência. Tudo bem. Dava uma longa história mas tudo bem, é um critério. Depois outro critério é a existência de alunos com necessidades educativas especiais. Tudo bem. E depois veio o critério de fazer turmas "equilibradas". E aqui tudo bem e tudo mal. Se o critério turmas equilibradas me parece um bom critério não se percebe como pessoas que não contactaram com os alunos no ano anterior fazem essas turmas equilibradas. Depois, para mal dos meus pecados e dos do Pedro, o critério área de residência por si só deixa uma margem de arbitrariedade nas escolhas que estas dão azo a todas as margens de desconfiança em grau elevado. Mesmo que quem constitua as turmas o faça de boa fé virá sempre à baila o problema da mulher de César. É que nestas coisas não basta parecê-lo, é preciso sê-lo. É que havendo filhos de professores da própria escola com interesse na boa educação dos seus filhos e havendo filhos de elementos das associações de pais com o mesmo nobre interesse, sabendo nós que hoje em dia os pais (sobretudo os fortemente escolarizados) fazem uma enorme pressão sobre as escolas, pois estão bem informados dos benefícios de um bom resultado no jogo escolar, estas coisas não podem ser deixadas à boa fé de cada um, protegida esta, pela Santa Mãe Soberana. O que é facto é que o Pedro ficou na turma que não tem professora e a professora que estava na sala da turma do Pedro o ano passado emigrou para a sala da turma onde o Pedro não está. E há lá filhos de professores da escola e de elementos das associações de pais todos eles nobremente interessados na boa educação dos seus filhos. Nestas coisas, de uma importância fulcral para a vida dos alunos e suas famílias à mulher de César não basta sê-lo. É preciso parecê-lo. E eu não digo que neste caso a mulher de César não foi. O que digo é que não tenho garantias que o foi. Para que os pais possam estar tranquilos teria que haver critérios objectivos para decisões objectivas. Assim se conseguia a transparência. Assim se gerava confiança. Se não fôr a escola a introduzir regras justas geradoras de equidade no interior do espaço escolar não há-de ser certamente a Troika que o irá fazer. Essa, a gente já sabe com o que conta.

4. Como não bastava a situação descrita, levantou-se a questão da continuidade da nova educadora ao longo do percurso do Pedro no 1º ciclo. Segundo o senhor Director é mais que provável que para o ano tenha que haver mudança de professora. Isso a não acontecer é na sua expressão "como sair o euromilhões". E não sabemos o que vai ocorrer no terceiro ano e muito menos no quarto. É caso para dizer, assim esmurece a minha crença na escola pública.

5. Fiquei também a saber através do diz que disse que este ano "ainda vai" haver actividades extra-curriculares, o Inglês, a Educação Física e a Educação Musical mas para o ano "não se sabe se haverá". O Ministro Crato parece ter conseguido o feito mágico de conduzir de novo o ensino ao ler, escrever e contar. A partir de agora a aprendizagem inicial do Inglês, a Educação Musical e a Educação Física são luxos para os ricos. Quem pode paga, quem não pode que se queixe à troika. E assim chegamos a um brutal retrocesso social. Em nome da Troika que nos governa. Do fascismo que aí está a nascer. Dos sacrifícios que somos santificados a fazer. Peço imensa desculpa por não pôr a resignação dentro do armário. Tenho a ligeira impressão que este trajecto do Pedro vai dar que falar. E se eu resignasse eu não me ia perdoar. Quem sabe, ele também não. É que como devem imaginar, eu não andei a gerir o BPN e o Pedro certamente também não. E a pobre criança nem sequer foi ainda ao Arquipélago da Madeira.

segunda-feira, setembro 12, 2011

A Meia Haste



O comissário europeu alemão Gunther Oettinger propôs como castigo aos países endividados a bandeira a meia haste nos edifícios da União Europeia. O fascismo financeiro austeritário não perdoa. Para os representantes dos fascistas não há mecanismos económicos globais, não há mercados politicamente regulados para funcionarem de forma desregulada, nem sequer um jogo de casino electrónico global com vencedores e vencidos. Tudo isso os representantes do fascismo financeiro austeritário põem na ordem do "natural". A "culpa" do incumprimento (não se pode dizer bancarrota que assusta os mercados) é de uma certa essência do ser português, grego ou irlandês e os governos destes países bem têm feito pelo reconhecimento deste efeito pigmaleão. Numa era global, em que os Estados Nacionais para manterem as suas posições e relativos privilégios ou até mesmo sobreviverem têm que estabelecer alianças numa lógica de Estados Estrategas, o que têm feito os PIGS? Portugal não é a Grécia. A Grécia não é a Irlanda. A Irlanda não é a Grécia. A Espanha não é Portugal e provavelmente, já sabemos, consequência deste raciocínio elevado ao absurdo, a Itália não é a Espanha. Alguém acredita que o submisso Passos Coelho conseguirá salvar Portugal da Bancarrota? Sim, eu sei, Passos Coelho não é Sócrates.

domingo, setembro 11, 2011

11 de Setembro de 1973



Um 11 de Setembro não pode fazer esquecer o outro. Em ambos o terror mais obsceno andou à solta. A pergunta que podemos fazer é porque razão branqueiam os meios de comunicação ocidentais o 11 de Setembro de 1973?

O Congresso Do PS: Meter O Rossio Na Betesga

Terminou hoje o Congresso do PS que consagra António José Seguro na liderança do partido. Começemos pelas coisas positivas. A recusa da inscrição de um limite à dívida na Constituição da República num partido que se diz socialista é de elementar bom senso. A mudança na disciplina de voto de maneira a dar asas a uma maior pluralidade de ideias e opiniões é uma coisa salutar. A mudança de estilo no sentido de uma maior abertura ao diálogo é um claro sinal de progresso. Mas depois tudo o resto aparentou um misto de plasticidade e incoerência. Falar de combate às desigualdades sociais, de apoio aos mais desfavorecidos e da salvação do Estado Social e ao mesmo tempo "honrar os compromissos" com a Troika não bate a bota com a perdigota. Ou António José Seguro não leu o memorando que o PS de Sócrates assinou com a Troika, ou se leu, e percebeu, anda a enganar os portugueses. Se leu, e não percebeu, o caso ainda é mais grave. De toda a forma o que deu para perceber neste congresso é que o PS passou uma esponja por cima dos seis anos de governação desastrosa de José Sócrates. Por detrás daquela encenação de um partido dividido em torno de Seguro e Assis há um consenso douradouro de fundo. As caras que nas televisões iam desfilando não deixam margens para dúvidas. Pedro Silva Pereira, Vera Jardim, Ricardo Mãos de Tesoura, Vitalino Canas, Manuel Alegre (quem o ouve só pode concordar com o que diz), Mário Soares (Soares é fixe gritaram os jotinhas do PSD), Augusto Santos Silva, Maria de Belém, Edite Estrela, Alberto Martins e todos aqueles outros, não deixam o mínimo espaço para qualquer renovação. Para além da impossibilidade de meter o Rossio na Betesga, o mesmo é dizer, conseguir qualquer avanço na diminuição das desigualdades e da construção de uma sociedade mais justa entre o espaço impossível do "acordado" com a Troika e o Troika +, com aquelas pessoas que por ali desfilaram teremos que pensar que ou arrumaram o socratismo a um canto de um dia para o outro e então assistimos a um milagre religioso de conversão na sua visão do mundo, ou então somos obrigados a pensar que o exercício de cosmética a que assistimos não passa disso mesmo, de um exemplar exercício de cosmética. O que dirá o novo líder do PS quando se chegar à conclusão que o austeritarismo da Troika (e não é do Troika + que falo) arruinou por décadas a capacidade do país construir o seu futuro? Nessa altura não vale a pena fazer de conta que não se "honraram os seus compromissos". É que a história não perdoa.

11 de Setembro



Neste dia estava na escola de hotelaria em Faro. Uma colega recebeu uma mensagem de telemóvel que dizia: "começou a terceira guerra mundial". Num café da baixa de Faro vi em directo o segundo avião a bater na segunda torre gémea. A globalização fazia entrar o terror dentro de casa. Começava a era do terrorismo global.

Tenho Uma Leve Impressão Que Os Editoriais de Um Certo Jornal Vão Dar Que Falar

Como alguém escreveu por aí nos comentários da blogosfera, podemos deixar de lê-los, inclusivé deixar de comprá-los, o que não podemos é ignorá-los. Depois do apelo fascista a que se parta a espinha aos sindicatos sai em seguida um editorial que roça a islamofobia. O que virá em seguida?

Aqui: http://www.ionline.pt/conteudo/148428-um-lider-fraco-faz-fraca-sua-gente

sábado, setembro 10, 2011

Agradecimento Público



Na qualidade de cidadão nascido e residente no Algarve agradeço ao Professor Paulo Sá e a Cecília Honório a forma competente e digna com que procuraram defender os interesses gerais da população Algarvia. Aproveito para condenar de forma veemente o taticismo, o diz aqui uma coisa para dizer além a coisa contrária, o miserabilismo político, em que se tornaram o PS e o PSD do Algarve. Aproveito ainda para repudiar veementemente a postura acéfala, lamentável e acrítica com que o dr. Seruca Emídio se posicionou em todo este processo apelando ao "destino" e para agradecer à Comissão de Utentes da Via do Infante que foi incansável na mobilização das populações, no despertar de consciências adormecidas e na acção. Esta história não pode ficar por aqui. A ganharem as inevitabilidades só resta a derrota dos resignados. No vídeo em cima a brilhante intervenção de Paulo Sá demonstra que não é preciso ser-se profissional da política uma vida inteira para exercer a política de forma competente.

É Na Rua Que Está A Vitória Da Democracia



Dia 15 de Outubro, a democracia está na rua. Em luta por um mundo melhor. Contra as inevitabilidades. Contra a política que se faz contra as pessoas. Contra o fascismo financeiro austeritário. Por uma sociedade mais justa. Por uma democracia decente.

sexta-feira, setembro 09, 2011

PS, PSD e CDS Aprovam Portagens Na Via do Infante

Recuso-me a pagar portagens na Via do Infante. Venham penhorar o carro se quiserem, fascistas de algibeira (tinha utilizado um palavrão grosso que retirei porque o bom senso o aconselha). Eu vou circular na rua 125. E vou fazê-lo como um acto político. E nunca mais voto PS na minha vida. Nos outros já não votava. As pessoas em primeiro? Vão gozar com a vossa tia. Vão para a badatroika.

Do Fascismo Político e Social


Não se faz o fascismo sem fascistas. Eles aos poucos desabrocham. Seria uma mera opinião pessoal não fosse um editorial de um jornal nacional. A imprensa nacional da direita conservadora e reaccionária está aí em força. O que este senhor não disse de Sócrates (e disse bem). Agora defende o come e cala salazarista. Pobre infeliz, anda enganado. Eles andam com medo. Com muito medo...

Aqui, sobre a urgência de partir a espinha aos sindicatos...
http://www.ionline.pt/conteudo/148095-e-urgente-partir-espinha-aos-sindicatos

É Na Rua Que Está A Vitória Da Democracia



Dia 15 de Outubro, a democracia está na rua. Em luta por um mundo melhor. Contra as inevitabilidades. Contra a política que se faz contra as pessoas. Contra o fascismo financeiro austeritário. Por uma sociedade mais justa. Por uma democracia decente.

Daqui, do blogue que assusta Pedro Passos Coelho.
http://5dias.net/2011/09/08/licoes-do-12-de-marco-a-pensar-nas-aulas-do-15-de-outubro-v/

quinta-feira, setembro 08, 2011

Itália Em Luta Contra O Fascismo Financeiro Austeritário



A receita é a mesma em todo o lado. Os fascistas austeritários ultraliberais propõem o ciclo vicioso da austeridade recessiva. Eles sabem que é a única maneira dos credores ficarem em vantagem no jogo da exploração das classes trabalhadoras. Hoje vamos percebendo cada vez mais que o caminho a seguir é o da Islândia. Recusa das políticas da Troika, revolução política e instauração de uma democracia decente. Não há outro caminho. Os fascistas financeiros ultraliberais, não deixam outra alternativa. Dia 15 de Outubro só há duas opções. Estar do lado dos resignados ou estar do lado dos indignados. A história fará no futuro o julgamento de quem tinha razão.

Do Fascismo Que Despreza A Vida Humana


O governo de Passos Coelho encontrou a fórmula mágica para combater a baixa da taxa de natalidade no nosso país. Uma verdadeira estratégia de política familiar. Acabar as comparticipações do Estado aos "gastos" com a pílula. Essa magnífica invenção que revolucionou o mundo e foi um passo gigantesco no movimento de emancipação das mulheres. Um "corte" cirúrgico. Quanto ao corte na comparticipação das vacinas de prevenção do cancro do colo do útero devia haver uma lei que mandasse para a prisão um governante que toma uma decisão destas.

Aqui:
http://www.medicinaealimentacao.com/?id=58&CANCRO-DO-COLO-DO-UTERO-Portugal-CANCER-DO-COLO-DO-UTERO-Brasil

Intervalo

João Pedro Pais - Um Resto De Tudo



Este intervalo não se deve a qualquer interrupção temporária da democracia, nem a qualquer outra motivação ou interesse oculto de ordem partidária. Cansaço apenas. Com a pica que este blogue anda nos últimos tempos aposto numas poucas horas para voltarmos às postagens (não confundir com portagens). Vou dormir. Muito boa a qualidade musical de João Pedro Pais. Um resto de tudo. É só clicar com a mãozinha do rato aí em cima...

quarta-feira, setembro 07, 2011

Novidades do Fascismo Financeiro Austeritário I

A ONU alerta que as políticas de austeridade terão como resultado o oposto ao pretendido. Elementar meu caro Watson...

Aqui:
http://www.esquerda.net/artigo/onu-diz-que-austeridade-aumenta-risco-de-recess%C3%A3o-fmi-reduz-previs%C3%B5es-para-europa

É Na Rua Que Está A Vitória Da Democracia


O doutor Bota bem pode ir para a Assembleia da República criticar os críticos e fazer a apologia do adormecimento salazarista dos portugueses. Mas a pobreza e as desigualdades crescentes e a percepção acrescida de todo o tipo de injustiças sociais vão deixar o doutor Bota a falar sozinho consigo mesmo. Democracia Real Já - 15 de Outubro de 2011. Na rua, como a constituição o consagra, contra o fascismo financeiro austeritário, pela dignidade humana, sem violência senhor primeiro ministro. Onde estava no 12 de Março Doutor Mendes Bota? Em baixo, sobre este assunto, a ouvir, a entrevista da Raquel Freire à Antena 1.

http://audioboo.fm/boos/461098-6-setembro-2011-cronica-antena-1-este-tempo-onde-estava-o-1-ministro-no-12-de-marco

terça-feira, setembro 06, 2011

O Dr. Emídio, O Parque Municipal de Loulé e os Partidos da Oposição

O dr. Emídio começou a "requalificar" o Parque Municipal de Loulé há dezenas de meses. A população do concelho ficou privada do único espaço público "natural" da cidade. O Pedro que tem seis anos e começou a dar as primeiras pedaladas, não tem um único sítio em Loulé adequado para andar de bibicleta, há perto de dois anos, uma das muitas funções, a que o parque se ajustava na perfeição. Os partidos da oposição devem olhar para o Parque Municipal como quem olha para a dispensa lá de casa. O doutor Emídio anda a reunir com os colegas ilustres autarcas a pedinchar dinheiro à banca e ao governo concerteza para "fazer obras". As associações ambientais do concelho fazem crítica ambiental com o cuidado que o estrangulamento financeiro as aconselha. E à minha pessoa, mais não resta do que ir esbracejando aqui na blogosfera. Dia 15 de Outubro estou lá, na manifestação em Lisboa. Em luta pela democracia, outra.

Viver Acima Das Possibilidades: Quem? Mas Quem?

Joe Berardo comprou a crédito acções do Millennium BCP por cerca de mil milhões de euros com empréstimos saídos também da Caixa Geral de Depósitos. Hoje, essas acções valem menos de 73 milhões de euros, escreve o jornal «i».

http://www.tvi24.iol.pt/aa---videos---economia/joe-berardo-accoes-bcp-troika-emprestimos-agencia-financeira/1278238-5797.html

segunda-feira, setembro 05, 2011

Depois da citação de Karl Marx vale a pena citar Alexis de Tocqueville

"O que acontece mais frequentemente é que um povo, que havia suportado sem se queixar e como se não sentisse as leis mais opressivas, as rejeita violentamente a partir do momento em que o seu peso se aligeira (...) o mal pacientemente suportado como inevitável torna-se insuportável a partir do momento em que se concebe a ideia de lhe escapar (...) é certo que o mal se torna menor, mas a sensibilidade também se tornou mais viva."

Alexis de Tocqueville, L'Ancien Régime et La Révolution.

Da Socialização Dos Prejuízos Do Capital

“Para sustentar os preços e conter assim a verdadeira causa do mal, foi necessário que o Estado pagasse a preços vigentes antes de estalar o pânico comercial e que descontasse as letras de câmbio, as quais não representavam outra coisa senão bancarrota estrangeira. Por outras palavras, as perdas dos capitalistas privados deveriam ser pagas com o património de toda a sociedade, representada pelo governo” (Marx, Karl, A crise financeira na Europa, Editorial do New York Daily Tribune, 22 de Dezembro de 1857).

Aqui em baixo no excelente blogue do Carlos Serra:

De Quando o Fascismo Financeiro Austeritário Foi Aos Bolsos Da Classe Média Alta

Esta semana aconteceu um fenómeno engraçadíssimo no panorama mediático nacional. Jornalistas de todo o tipo, comentadores económicos convencionais, políticos de esquerda e de direita, homens de letras e da advocacia, burgueses conservadores em geral, uniram-se num coro de protestos contra as medidas do programa Troika +. Tudo se passou como se a ida ao bolso dos próprios tivesse provocado um verdadeiro choque com a realidade. Enquanto o fascismo financeiro austeritário foi aos bolsos dos mais pobres dos pobres tudo era inevitabilidades, sacrifícios indispensáveis e uma dor que era dolorosa mas que teria que ser repartida por todos. Estavamos na Era, já não da justa repartição da riqueza (tão longe que já lá vai este discurso), mas na Era da justa repartição dos sacrifícios. A Era das Inevitabilidades era a Era Sacrificial. Enquanto se cortou salários à pequena e média burguesia citadina a austeridade girou sobre rodas. A quando dos cortes indecentes nos apoios sociais a quem mais deles precisa, a vida foi percepcionada como dura, mas necessária. Quando se decidiu do escandaloso corte das indemnizações aos desempregados agora mais facilmente despedidos isso foi tido como algo necessário ao bom funcionamento da economia. Quando se subiram brutalmente os impostos que afectavam com mais dor "os outros" da vida airada o plano da Troika a isso obrigava. Quando a burguesia que está no poder já sem saber o que fazer e como fazer o que está a fazer fez o que a grande burguesia financeira quer que ela faça, aqui del rei que Vitor Gaspar não sabe o que está a fazer. Foi com um certo espanto (e vou ser sincero) e um certo gozo que assisti aos comentadores do costume a rejeitarem as políticas do costume em nome dos sacrifícios fora do costume que foram convidados a fazer. Nas televisões e jornais nacionais foi assim possível assistir a intermináveis debates já não sobre a política nacional mas sobre o que a política nacional lhes estava a fazer, aos próprios entenda-se. E ainda a procissão vai no adro. Passos Coelho diz que o sufoco acaba em 2012 (tirem-me deste filme!). Vitor Gaspar fez previsões para a economia nacional no âmbito do seu plano estratégico que o reprovaria em qualquer faculdade de economia da nação e o mesmo Passos Coelho pede paz e amor, começa a temer as redes sociais e a rua e jura a pé juntos que "nunca iremos por aí". Eu pessoalmente, não posso afirmar que nunca irei por onde Passos Coelho não quer que eu vá. Não sei bem para onde vou, sei que não vou por aí. Entretanto, vou voltar à leitura de As Lutas de Classes em França. Ajuda-me a perceber esta bagunça.

sábado, setembro 03, 2011

Do Fascismo Que Despreza A Vida Humana

Os responsáveis máximos pela transplantação em Portugal abandonaram ontem funções em ruptura total com o ministro da Saúde. "Eu não pedi a demissão, demiti-me porque não colaboro com uma pessoa que não tem respeito pela vida humana", explicou ao Expresso o presidente demissionário da Autoridade para os Serviços de Sangue e Transplantação, João Pena. A decisão surge na sequência das declarações de Paulo Macedo, feitas no dia anterior, sobre o futuro dos transplantes. "Ele foi claro ao afirmar que atingimos um nível muito interessante de transplantes, mas se calhar o país não tem capacidade financeira para o manter", diz a também demissionária e coordenadora da colheita, Maria João Aguiar. Segundo a médica, a declaração tem como efeito prático que "teremos de deixar de trabalhar para 100% dos doentes". Assim sendo, João Pena diz que sair era inevitável: "Não posso aceitar que o ministro seja indiferente à morte de pessoas em lista de espera". E pede: "Este senhor tem que ser posto fora; não pode estar a cuidar de doentes".

In Expresso de 3 de Setembro de 2011.

Caro Deputado Miguel Freitas A Rua Nacional 125 Não É Alternativa!



O senhor deputado costuma circular na estrada nacional 125? E circula de olhos abertos ou de olhos fechados? Os Algarvios não se podem iludir por estas soluções de retórica que mais não fazem do que gerar injustiças relativas no pagamento das portagens na Via do Infante. A Comissão de Utentes, o movimento facebook - Portagens na Via do Infante Não e os partidos de esquerda no Algarve têm a obrigação moral de voltar a mobilizar novamente os algarvios para sairem à rua. Sob pena de fazermos das "inevitabilidades" impostas uma forma de vida. O protesto tem que voltar à rua!

Notícia de última hora: O PSD/Algarve aprovou uma moção contra a introdução de portagens na Via do Infante. Mais uma manobra de diversão e de manipulação política da população do Algarve?

Ver mais aqui:
http://www.regiao-sul.pt/noticia.php?refnoticia=119538

sexta-feira, setembro 02, 2011

Do Fascismo Financeiro Austeritário

1. Uma massa enorme de gente inconsciente, muita dela que se diz de esquerda, andou ansiosa nos últimos dias a bramar contra a direita radical pelos cortes na "despesa" do Estado, assim mesmo, de forma abstrata. Aí está, primeira página do jornal Público de hoje: "Maiores cortes na despesa vão ser na saúde, educação e segurança social". As "gorduras" no Estado não se encontram na parcerias público-privadas, nas empresas municipais, nas concessionárias de todo o tipo que arruinam o Estado, nem nos negócios da gentinha que mama há largos anos na teta do Estado. Não, isto não é "gordura" do Estado. A "gordura" do Estado pode ser "eliminada" com os desempregados e pobres preguiçosos que não querem trabalhar. Com os doentes que de forma abusadora recorrem às organizações de saúde ou ainda com os inconscientes reformados que não recorrem aos medicamentos a finalizar o prazo. O fascismo financeiro já está cá. Há é ainda dificuldade em perceber se o fascismo político está a chegar.

2. O ministro Crato "implodiu" as Direcções Regionais de Educação em nome da autonomia das escolas, da eficiência nas políticas educativas e da descentralização educativa (?). Vamos ver se esta destruição atómica das estruturas intermédias do Estado não vai resultar numa magistral incompetência. Aguardo para ver com imensa curiosidade.

3. O ministro das Finanças Vitor Louçã Gaspar engraçou toda a gente e vive um certo estado de graça. Daqui a alguns meses aquilo que começou por ser engraçado não vai ter graça nenhuma. Nem para o próprio. Nem Friedrich Von Hayek o salva.

4. Última hora: A Troika diz que a Grécia precisa de mais medidas de austeridade...

quinta-feira, setembro 01, 2011

É Na Rua Que Está A Vitória Da Democracia



O movimento de 15 de Março de 2011 marca um momento histórico importantíssimo da vida política portuguesa do século XXI. Centenas de milhares de manifestantes sairam à rua a mostrar o seu descontentamento com a vida política portuguesa e a situação económica e social e a exigir mais e melhor democracia. Em Maio as acampadas chegam ao Rossio e as Assembleias Populares voltam historicamente às principais praças de Lisboa. Sem representatividade partidária num sistema político em que os partidos monopolizaram a vida política portuguesa o protesto foi ouvido sem se fazer ouvir. Dia 15 de Outubro, para haver consequências do protesto da pequena e média burguesia lisboeta o movimento deve concentrar-se à volta da Assembleia da República. Doutra forma, o risco de se tornar um movimento de folclorização política vai ser uma boa arma de arremesso da direita radical que corrói a democracia.

Do Fascismo Financeiro Austeritário e Do Socialismo Conservador Burguês Reaccionário Português

1. Começo pelo socialismo conservador burguês reaccionário. Passou meio despercebido na imprensa portuguesa mas ontem foi um dia negro na história das relações laborais portuguesa e uma mancha ainda mais negra na história do partido que se diz socialista. Foi aprovada a lei que reduz brutalmente as indemnizações por despedimento aos trabalhadores, na Assembleia da República, com os votos a favor do PSD e CDS (expectável vindo da direita radical ultraliberal) e com a abstenção do socialismo conservador burguês reaccionário (abstenção execrável sobre todos os pontos de vista para um partido que faria melhor em mudar o nome). Parece que o mecanismo de financiamento acordado em sede de concertação social não ficou estabelecido e portanto temos em Portugal a vergonhosa realidade dos trabalhadores portugueses financiarem com as suas contribuições retiradas do valor do seu trabalho a redução das indemnizações que os fascistas financeiros austeritários legalizaram esta semana. Os socialistas perderam a vergonha de vez.

2. Mas a tristeza não fica por aqui. O PS já se mostrou disponível para negociar a inscrição do austeritarismo recessivo na constituição da República por via da inscrição do défice público da República na constituição da República Portuguesa. O fascismo financeiro austeritário converte-se aos poucos em fascismo político e social ignorando (sempre em nome dos mercados) as regras mais básicas da democracia.

3. Passos Coelho perdeu a vergonha (a falta de vergonha é hoje um atributo fundamental para se fazer política) quando diz não haver condições para tributar as grandes fortunas pois são estas que criam a riqueza das nações. Os jornais portugueses hoje anunciavam a tributação do "ricos" (assim, entre aspas) designando desta maneira a tributação dos rendimentos do trabalho da classe média alta. Rendimentos anuais de sessenta e poucos mil euros cairam numa certa imprensa portuguesa na categoria dos ricos. Vale a pena perguntar. A partir de que valor temos gente rica em Portugal ? Sem aspas, é óbvio.

4. A concertação social entre o fascismo financeiro austeritário em que se apoia a direita radical ultraliberal e o socialismo conservador burguês reaccionário é a santa aliança que tem como sina, destino ou inevitabilidade, a miséria geral dos povos. O saque dos rendimentos do trabalho e a transferência de riqueza para o capital é um factor marcante da história ocidental no início do século XXI. Aqui em Portugal, com muita paz, muito amor e segundo a igreja católica, sem reivindicações "reaccionárias" de classe.