terça-feira, agosto 31, 2010

Pré-Escolar em Loulé

Mais de 170 crianças cujos pais as increveram no pré-escolar público, no agrupamento de escolas Padre Cabanita, em Loulé, ficam "excluídas", no ano 2010, em "lista de espera" do pré-escolar público. São mais as crianças que ficam de fora do que as que conseguiram "vaga" para frequência pré-escolar. O que resta como "opção" para estas famílias? As amas sem qualificação alguma. Os familiares (elas, como sempre) que abdicam da sua vida pessoal para terem um trabalho a tempo inteiro não remunerado e claro, a magna oferta do mercado privado a preços "classe alta". Quem se rala? A noite branca até foi um sucesso.

domingo, agosto 29, 2010

Universidade à Bolonhesa: Para onde vais Alice?

A desuniversidade

"O projeto de reforma da universidade européia corre o risco de virar uma contra-reforma. Caso isso ocorra, os critérios de mercantilização reduzirão o valor das áreas de conhecimento ao seu preço de mercado e o latim, a poesia ou a filosofia só serão mantidos se algum macdonald informático vir neles utilidade.
Boaventura de Sousa Santos

O processo de Bolonha — a unificação dos sistemas universitários europeus com vista a criar uma área europeia de educação superior — tem sido visto como a grande oportunidade para realizar a reforma da universidade europeia. Penso, no entanto, que os universitários europeus terão de enfrentar a seguinte questão: o processo de Bolonha é uma reforma ou uma contra-reforma? A reforma é a transformação da universidade que a prepare para responder criativamente aos desafios do século XXI, em cuja definição ela ativamente participa. A contra-reforma é a imposição à universidade de desafios que legitimam a sua total descaracterização, sob o pretexto da reforma. A questão não tem, por agora, resposta, pois está tudo em aberto. Há, no entanto, sinais perturbadores de que as forças da contra-reforma podem vir a prevalecer. Se tal acontecer, o cenário distópico terá os seguintes contornos.

Agora que a crise financeira permitiu ver os perigos de criar uma moeda única sem unificar as políticas públicas, a política fiscal e os orçamentos do Estado, pode suceder que, a prazo, o processo de Bolonha se transforme no euro das universidades europeias. As consequências previsíveis serão estas: abandonam-se os princípios do internacionalismo universitário solidário e do respeito pela diversidade cultural e institucional em nome da eficiência do mercado universitário europeu e da competitividade; as universidades mais débeis (concentradas nos países mais débeis) são lançadas pelas agências de rating universitário no caixote do lixo do ranking, tão supostamente rigoroso quanto realmente arbitrário e subjetivo, e sofrerão as consequências do desinvestimento público acelerado; muitas universidades encerrarão e, tal como já está a acontecer a outros níveis de ensino, os estudantes e seus pais vaguearão pelos países em busca da melhor ratio qualidade/preço, tal como já fazem nos centros comerciais em que as universidades entretanto se terão transformado.

O impacto interno será avassalador: a relação investigação/docência, tão proclamada por Bolonha, será o paraíso para as universidades no topo do ranking (uma pequeníssima minoria) e o inferno para a esmagadora maioria das universidades e universitários. Os critérios de mercantilização reduzirão o valor das diferentes áreas de conhecimento ao seu preço de mercado e o latim, a poesia ou a filosofia só serão mantidos se algum macdonald informático vir neles utilidade.

Os gestores universitários serão os primeiros a interiorizar a orgia classificatória, objetivomaníaca e indicemaníaca; tornar-se-ão exímios em criar receitas próprias por expropriação das famílias ou pilhagem do descanso e da vida pessoal dos docentes, exercendo toda a sua criatividade na destruição da criatividade e da diversidade universitárias, normalizando tudo o que é normalizável e destruindo tudo o que o não é.

Os professores serão proletarizados por aquilo de que supostamente são donos — o ensino, a avaliação e a investigação — zombies de formulários, objetivos, avaliações impecáveis no rigor formal e necessariamente fraudulentas na substância, workpackages, deliverables, milestones, negócios de citação recíproca para melhorar os índices, comparações entre o publicas-onde-não-me-interessa-o-quê, carreiras imaginadas como exaltantes e sempre paradas nos andares de baixo. Os estudantes serão donos da sua aprendizagem e do seu endividamento para o resto da vida, em permanente deslize da cultura estudantil para cultura do consumo estudantil, autónomos nas escolhas de que não conhecem a lógica nem os limites, personalizadamente orientados para as saídas do desemprego profissional.

O serviço da educação terciária estará finalmente liberalizado e conforme às regras da Organização Mundial do Comércio. Nada disto tem de acontecer, mas para que não aconteça é necessário que os universitários e as forças políticas para quem esta nova normalidade é uma monstruosidade definam o que tem de ser feito e se organizem eficazmente para que seja feito. Será o tema da próxima crônica.
"

Boaventura de Sousa Santos é sociólogo e professor catedrático da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (Portugal).
Publicado no último número da revista Visão.

Devaneios Esbranquiçados



O que faz milhares de pessoas sairem à rua, numa noite de verão, vestidas de branco? Não vou entrar aqui em justificações marxistas centradas na alienação das massas e do ópio do povo, ou mesmo em justificações manipulatórias do género pão e circo. As pessoas saiem à rua porque há, por um lado, quem ofereça a festa na rua e há por outro lado, quem procure a festa na rua. Apesar da festa não ser de borla, porque é paga pelo contribuinte, ela não deixa de ser de entrada livre. Esta é por si só uma boa justificação. Mas não deixa de ser interessante, na era dos indivíduos (do vazio diria Lipovetsky) a constatação deste fenómeno avassalador da adesão massiva à cor branca. Algo me diz que há aqui uma enorme vontade de identificação e de pertença. A cor é só mais um bom pretexto. As pessoas saiem em massa há rua pelos mais variados motivos, mas saiem sobretudo porque a festa lhes faz sentido e porque se querem entreter e sobretudo, pertencer. Do pouco que vi (para mim pessoalmente a festa é um vazio) a actividade principal da festa é ver e ser visto. E neste jogo do ver e ser visto é muito interessante como no meio da ideologia da normalidade se destacam subtilmente as distinções mais coloridas. O branco que aparentemente é só um, desmultiplica-se em branco de todas as cores. Há o branco "fino", "chique", de corte requintado. O branco "sexy" cuja ocasião nos faz sentir únicos/as. Há o branco "vulgar" que se veste à pressa para estar no espírito da festa. Há o branco "desportivo" ao jeito do calor de Verão. O branco "abandalhado" ao jeito do vestir do resto dos outros dias. O branco "pequeno burguês", aquele que nos obriga a não fazer "má figura". O branco que "desfigura" o corpo, porque toda a santa roupa desfigura o corpo. O branco que "descobre" o corpo uma vez que lhe dá outra relevância. Há o branco de "alto a baixo" que não deixa ver o corpo. Há o branco "disfarçado" de branco que é aquele branco assim para o sujinho. Há o branco de "fim de semana" muito ao género do fato de fim de semana. Há o branco "decorativo", nas árvores das avenidas, que neste dia, poderia, nos nossos delírios imaginativos, significar "paz" e "harmonia". Enfim, todos os tipos imagináveis de branco. No âmbito da ideologia das cidades criativas parece-me bem esta ideia do branco. No âmbito da falsa ideia de salvação do comércio, parece-me muito, uma falsa ideia vestida de branco. De toda a forma, parece ganhar o comércio das bebidas e das comidas, cujos donos vestem um branco interessado. É concerteza uma boa maneira de vender a visita à cidade e de lhe dar vida por um dia. De resto, tudo muito vazio, com muita forma e pouco conteúdo. Mas e quem disse que estamos na era do conteúdo? A era é da forma. De estar em forma e na forma. Chill Out para vocês também!

sexta-feira, agosto 27, 2010

Exposição Sobre o Abate de Árvores no Concelho de Loulé

Loulé, Agosto de 2010



Parece que foi mobilizado um exército de salvação da noite branca. Mas também parece que cada soldado tinha que trazer um amigo também. Outra solução era ter-se decretado localmente semanas de doze dias, mas até ver tal ainda não é possível; apesar de sabermos, de fonte segura, porque lemos A Voz de Loulé, que a vontade de afirmar uma nova era de progresso e prosperidade para Loulé é muita.

PS: Gosto muito daquela bandeirinha verde que nos diz: Estão a ver, nós até cuidamos das coisas do ambiente. As críticas obviamente não têm nenhuma razão de ser.

quarta-feira, agosto 25, 2010

Do Racismo Institucional

França Expulsa Ciganos do Seu Território



Ver mais, por exemplo, aqui: http://contextolivre.blogspot.com/2010/08/franca-expulsa-ciganos.html

"Quando os nazis levaram os comunistas, não protestei, porque, afinal, eu não era comunista. Quando levaram os social-democratas, não protestei, porque, afinal, eu não era social-democrata. Quando levaram os sindicalistas, não protestei, porque, afinal, eu não era sindicalista. Quando levaram os judeus, não protestei, porque, afinal, eu não era judeu. Quando me levaram a mim, já não havia ninguém que protestasse."
Martin Niemöller

PS: Agosto de 2010. O avião substituiu os comboios. Há que dar uma aparência de dignidade à expulsão do outro.

terça-feira, agosto 24, 2010

Medida Absolutamente Pidesca

A exigência da comprovação dos rendimentos para que um milhão de famílias possa receber o abono de família, é uma medida absolutamente pidesca que evidencia a relação de desconfiança com que o Estado Português desconsidera cada um dos cidadãos portugueses. Como em cada cidadão não há uma pessoa de bem, mas um possível vigarista e como o Estado é incompetente na fiscalização dos incumprimentos fiscais, implementa estas medidas indignas, dignas de um Estado controleiro e totalitário. E depois vem a virgem inocente, ministro dos socialistas, a cada dia que passa, apelar à confiança dos portugueses. Primeiro, os "cidadãos" (?) consentem que se espreite pela fechadura da porta e chegará o dia em que é preciso pedir licença estatal para ir à casa de banho. E quem sabe, na condição da análise estatal da matéria fecal.

Não é Preciso Ser César Para Compreender César

As férias dão cabo de mim

Tanta gente preocupada com a falta de produtividade do país, tanto economista a queimar as pestanas para encontrar as razões do nosso atraso, e ainda ninguém se deu ao trabalho de estudar a relação entre a deficiente produtividade portuguesa e a decadência das taxas de natalidade. Mas eu tenho uma tese sócio-demográfico-económica que explica o porquê de estarmos sempre com o nosso estatístico nariz enfiado na cauda da Europa. Reza assim: o pessoal trabalha pouco porque basicamente deixou de ter filhos.

A comprovação de tal tese é simples e pode ser subscrita por uma altíssima percentagem de pais: quando se tem filhos, o amor ao trabalho aumenta exponencialmente. Mal pomos no mundo um montinho de criancinhas rechonchudas e dadas a uma vasta gama de amuos, birras e trapalhadas, a contribuição para o PIB do país dispara em flecha. Posso dar o meu exemplo. Neste momento, encontro-me de férias com a Carolina (seis anos), o Tomás (quatro anos) e o Gui (dois anos), três crianças adoráveis, encantadoras, activas e tão ligadas à corrente que não vejo a hora de voltar ao trabalho para poder, enfim, descansar.

(Aliás, se o caro leitor está a ler esta página no meio de Agosto é só mesmo porque graças a ela tenho algumas horas de repouso semanal em frente ao portátil e uma excelente desculpa para impingir os miúdos à minha mulher: "Ó amor, hoje vais ter de ser tu a fazer o T8 de areia e conchinhas com o Tomás, está bem? Eu queria muito, mas tenho MEEEESMO de trabalhar").

A língua portuguesa já devia ter arranjado um nome específico para designar o tempo que os pais passam com filhos menores de seis anos quando a escola está fechada e eles são obrigados a dedicar-lhes a totalidade dos dias. Chamar a isto "férias" parece-me uma inadmissível distorção do significado original da palavra. Não se pode atribuir o mesmo nome à actividade praticada por uma família de cinco em Armação de Pêra e à de dois adultos saudáveis em Bora Bora.

Quando estes belos 15 dias chegarem ao fim, vou estar mais queimadinho psicologicamente do que um recém-doutorado em física nuclear e mais esgotado fisicamente do que um ciclista que tenha trepado os Alpes suíços no pino do calor. Há seis longos anos que é assim: preciso de meses e meses de trabalho para recuperar das férias de Verão.

Crónica de João Miguel Tavares
http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/opiniao/joao-miguel-tavares/as-ferias-dao-cabo-de-mim

PS: Dia 23 de Agosto de 2010, entrava eu no Centro de Saúde de Loulé. Eles ganharam. Fiquei KO. Venha o trabalho que não aguento mais.

segunda-feira, agosto 23, 2010

Cidadania em Porto Alegre



Recebido via email,

Para conhecimento dos amigos de Portugal:

1 ano da Vitória do Não!

23 de agosto
Em 1808:
A cidade de Porto Alegre é oficialmente criada, desmembrando-se de Viamão. Por um decreto do Príncipe Regente D. João, o povoado de Porto Alegre, fundado em 1772, foi elevado à vila. Um momento importantíssimo na história de nossa cidade, que cresceria muito nos tempos que viriam.

Trecho do decreto:

Alvará de 23 de Agosto de 1808

Erige em Villa a povoação de Porto Alegre e crea nella o logar de Juiz de Fóra. Eu o Principe Regente faço saber aos que o presente Alvará com força de lei virem, que havendo-me sido presente o augmento de povoação e riqueza, em que estava o logar de Porto Alegre no Continente do Rio Grande de S. Pedro, por effeito da prosperidade da sua agricultura e commercio; e quanto convinha ao meu real serviço, e ao bem commum dos meus fieis Vassallos habitantes delle, que a justiça não fosse administrada por Juizes leigos, que por falta de conhecimentos das minhas leis, e por mais sujeitos às paixões de affeição, ou odio, não cumprem as obrigações inherentes aos seus cargos com a necessaria exactidão e imparcialidade;

(os grifos são nossos)

Em 2009:
A população de Porto Alegre Vota Não aos espigões na orla do Guaíba.

Pela primeira vez, era dado à população o direito de decidir o futuro de uma área da cidade: pela construção ou não de residências na Ponta do Melo, o chamado projeto imobiliário Pontal do Estaleiro. Foi uma importante vitória da cidadania e da participação popular na cidade, dando um belo exemplo que estimula ações semelhantes inclusive fora de nosso país.

Inúmeras entidades, especialmente ambientalistas e associações de moradores, uniram-se e resistiram a uma mudança da legislação municipal que beneficiaria apenas o poder econômico e a especulação imobiliária.

Pressionado pela opinião pública o executivo municipal foi obrigado a alterar a lei prevendo um REFERENDO, depois alterado na Câmara para “consulta pública”, sem obrigatoriedade de voto, sem espaço de propaganda que esclareceria a população sobre o que estariam decidindo.

Com a colaboração de muitos voluntários as entidades da cidadania fizeram panfletos, cópia xerox, cartazes, banners, mandavam e-mails, pediam divulgação na internet e conseguiram aquilo que o poder econômico não queria: 80,7% dos cidadão que sairam de casa para votar disseram Não aos Espigões na Orla!

A Casa de Cinema de Porto Alegre colaborou com a campanha fazendo um excelente vídeo que pedia o voto NÃO ao Pontal. O músico Raul Ellwanger autorizou o uso de sua música “Pealo de Sangue” para ser também usada para pedir que a população votasse no NÃO. A nossa artista Zoravia Bettiol não apenas estava fazendo campanha pelo NÃO como conseguia apoios importantes de figuras fundamentais da arte e cultura como Luis Fernando Veríssimo, Moacyr Scliar, Cíntia Moscovich, Néstor Monasterio, Círio Simon, Mirna Spritzer, Carlos Urbim, Luiz Antonio de Assis Brasil, Rualdo Menegat, Deborah Finochiaro e muitos nomes mais que não caberiam nessa postagem.

A coordenação do Movimento em Defesa da Orla recebia apoios de entidades que nem eram de Porto Alegre, como já havia ocorrido no caso da Rua Gonçalo de Carvalho, mas que queriam ajudar de alguma maneira. A internet foi fundamental para divulgar o que estava ocorrendo mas a busca do voto precisava do corpo-a-corpo nas ruas, praças e parques da cidade. Conversando, distribuindo panfletos, dando o endereço dos Blogs que mostravam o lado da cidadania nessa disputa muitos souberam o que a mídia nem sempre destacava. Por tudo isso, no dia 23 de agosto de 2009 18.212 cidadãos sairam de casa voluntariamente para votar NÃO. Como as urnas eleitorais não estavam em seus locais tradicionais, muitos não conseguiram votar. Mesmo com todos os contratempos 80,7% que participaram da consulta votaram Não ao projeto Imobiliário Pontal do Estaleiro!

Os textos do Juremir Machado da Silva, em sua coluna no Correio do Povo, fizeram muita gente pensar sobre o que estava por trás da mudança da lei e começaram a desconfiar que nem tudo estava sendo dito pelos poderes públicos. O jornalista Erico Valduga também escreveu textos exemplares sobre o assunto e eram muito acessados no Blog. O afamado jurista e ex-ministro da Justiça Miguel Reale Júnior também manifestou por e-mail (para a AGAPAN) sua inconformidade com o projeto imobiliário e autorizou a divulgação de sua opinião. Todos foram fundamentais na formação de opinião na cidadania, mas o texto do jornalista Flávio Tavares na Zero Hora de domingo (dia da votação) e que circula no sábado foi a última “pá de cal” nas ambições “concretoscas”. Ler seu texto “Não no Só” no dia da Consulta Pública fez muitos deixarem a preguiça de lado e armados de título eleitoral entrarem nas filas para votarem no NÃO. Lamentamos não poder agradecer ao Flávio pois nenhum dos nossos o conhece pessoalmente, ele nem mora no Rio Grande e nunca conseguimos seu endereço de e-mail. Caso alguém tenha seu e-mail, por favor agradeça a ele em nome da cidadania de Porto Alegre, 201 anos depois do decreto do Príncipe Regente D. João.

O texto, com fotos, link para o decreto do Príncipe e vídeos estão no Blog Porto Alegre Resiste:

http://poavive.wordpress.com/2010/08/20/1-ano-vitoria-do-nao/

domingo, agosto 22, 2010

A Arte Na Areia



Fiesa 2010. Vale a pena passar por lá. Também de areia se faz a arte. Gostei.

PS: Parabéns à Camila que faz hoje anos, por aí, algures, num qualquer quiosque do concelho.

http://www.metacafe.com/watch/1651086/anivers_rio_quiosque_da_camila_1/

sábado, agosto 21, 2010

quarta-feira, agosto 18, 2010

Da Colonização Autárquica da Cidade e dos Seus Efeitos

Loulé, 2010

O que resta do Antigo Parque Municipal de Loulé



Este verão não fiz footing no parque como sempre fiz todos os verões desde mais tenra idade. Este verão não tenho nenhum parque, jardim ou qualquer outro espaço minimamente verde, em Loulé, onde possa jogar com os meus filhos à bola ou simplesmente levá-los a um sítio onde possam livremente brincar. Este verão não desci a Praça da República à sombra das suas magnificas árvores. Este verão não fui ao cinema em Loulé pois não há um cinema em Loulé. Este verão não bebi um café na esplanada do calcinha porque não gosto de cenários de guerra. Este verão não fiz. Fiz outras coisas é óbvio. Mas quem se rala?

domingo, agosto 15, 2010

Exposição Sobre o Abate de Árvores no Concelho de Loulé

Loulé, 14 de Agosto de 2010

Praça da República



Sábado à tarde, pouco passa das 15 horas. Operários da construção civil, avançam, com calor de torrar, a "requalificação" da Praça da República. As condições de trabalho a esta hora e com este calor, vamos lá utilizar as palavras, são assim a modos que, desumanas. Tudo tem que estar pronto dia 28 de Agosto, dia em que a noite se faz branca.

sábado, agosto 14, 2010

Da Arte de Manipular Politicamente Os Números Das Estatísticas

Texto de Eugénio Rosa:

"Uma das formas clássicas de manipulação da opinião pública é tomar como a totalidade de uma noticia apenas uma parte dela, por vezes uma parte acessória, e depois, como a opinião pública não tem a acesso à totalidade e por isso não a pode controlar, divulgar essa parte como fosse a totalidade, escondendo desta forma o essencial da noticia. É isso precisamente o que tem acontecido nas últimas semanas em Portugal a propósito da redução do direito aos apoios sociais e em relação ao subsidio de desemprego, cujo direito e valor foram também reduzidos. O governo lançou uma gigantesca operação de manipulação da opinião publica com o objectivo de convencer esta, que a legislação que publicou recentemente (Decretos Lei 70/2010; 72/2010, e 77/2010), visa apenas introduzir maior rigor na atribuição dos apoios sociais excluindo apenas aqueles que não necessitam e não têm direito a eles. E a campanha, que assentou em múltiplas declarações de membros do governo, nomeadamente do Ministério do Trabalho, centrou-se fundamentalmente na obrigação agora dos beneficiários, para terem direito a esse apoio, de autorizar o acesso às contas bancárias e de passarem a serem considerados a totalidade dos seus rendimentos. Muitos órgãos de informação, intencionalmente ou por não terem estudado a legislação publicada, acabaram por participar nesta campanha de manipulação da opinião pública ao reduzirem a noticia apenas a este aspecto referido pelo governo, “esquecendo” de acrescentar também na noticia que divulgavam, as alterações mais graves constantes dos Decretos-Lei 70/2010, 72/2010 e 77/2010. E as alterações mais graves introduzidas pelo governo na legislação que estava em vigor não são as mencionadas pelo governo e por muitos órgãos de informação de uma forma repetida."

Via:
http://5dias.net/2010/08/10/manipulacao-da-opiniao-publica-nas-estatisticas-do-desemprego-e-pobreza/

Ver aqui o estudo ´que denuncia a manipulação política da opinião pública:

http://5dias.net/wp-content/uploads/2010/08/35-2010-Desemprego-Manipulacao-em-Portugal.pdf


quinta-feira, agosto 12, 2010

Exposição Sobre o Abate de Árvores no Concelho de Loulé



A imagem em cima em é Loulé, na Praça da República e não tem nada a ver com o post do link em baixo. Mesmo nada. Espero um dia não ver os comerciantes da Praça da República, a pedirem emprestado os panos que cobrem a Rua das Lojas no verão, ao Dr. Emídio. Espero que não. É que cartas de amor são ridículas.

http://adefesadefaro.blogspot.com/2010/08/baixa-de-faro-46c-sol.html

quarta-feira, agosto 11, 2010

A Ciência da Poda Como Imbecilidade Transnacional



Via: http://goncalodecarvalho.blogspot.com/2010/08/denuncia-vem-de-petropolis-estado-do.html

Adoro o campo, as árvores e as flores



Efectivamente...Reininho fez as delicias da minha geração no culto do pop rock português. Uma noite fui ver um espectáculo à Kadoc dos GNR. Reininho saltou para o palco em grande estilo na abertura e o palco tinha um buraco...no Algarve não se podia saltar para o Douro...fiquei a noite inteira na pista de dança a dançar ao som dos GNR...não houve concerto é óbvio...

terça-feira, agosto 10, 2010

Podem os Problemas da Imprensa Local Ser Notícia Na Imprensa Local?

Hoje passou-me pela cabeça que os jornais locais fizeram esta notícia imaginária nas suas primeiras páginas:

"Vaz dos Santos, director do jornal Carteia, acusa Câmara de Loulé de práticas fascizantes".

Não é possível, pois não?

Imprensa Algarvia

Destaque pela positiva. Vaz dos Santos e o jornal Carteia. Um exemplo a seguir pelos pares que demonstra como a imprensa local não precisa de andar de cócoras face aos poderes locais para sobreviver. Não sei se há práticas fascizantes por parte do executivo da Câmara Municipal de Loulé, mas a ser verdade o que descreve Vaz dos Santos, director do jornal Carteia, no seu último editorial, não ficam quaisquer dúvidas de que as há.

Ver mais aqui:
http://www.carteia.pt/index.php?

PS: A imagem em cima é copiada do próprio jornal.

domingo, agosto 08, 2010

Allgarve em Loulé



Excelente o espectáculo de Colbie Caillat. Não há dúvida que o programa Allgarve trás bons espectáculos musicais à região do Algarve. Falta fazer talvez o resto. Uma verdadeira politica cultural para o país e para a região. Com este género de espectáculo oferece-se cultura/entretenimento a quem já a tem e procura. O grande passo em frente seria uma verdadeira política de democratização cultural. E do que falo é da aposta em escolas de educação musical, clubes de pintura, de teatro, de leitura, do culto das artes no verdadeiro sentido da palavra. A escola não faz isso a não ser sob a forma "extra-curricular" e a política não está para aí voltada. Sem educação para a cultura é impossível a aquisição do gosto pelas coisas da cultura. As desigualdades sociais e culturais também se fazem por aqui.

sexta-feira, agosto 06, 2010

Surf In The Allgarve



Allgarve positivo: Praia da falésia de Vilamoura. Excelente a qualidade da areia, a qualidade da água, a preocupação ambiental e o evitamento da espécie "mamarracho algarvio". Das poucas praias de qualidade que restam no LC.

Allgarve negativo: Aqueles calhaus que estão a ser colocados entre Loulé Velho e Vale de Lobo. Custam bem caro ao contribuinte e afugentam qualquer veraneante com dois palmos de testa.

Bom fim de semana para todos os que nos visitam!

Vamos Lá Ver o Que se Diz Fora do Concelho Que Cá Dentro Ninguém Diz Coisa Nenhuma

Cinco Dias:

http://5dias.net/2010/08/03/como-e-possivel-como-e-possivel-tambem-eu-quero-saber/

Eu cá pelo meu lado destaco esta parte de um dos comentários:

"O Algarve não tem um hospital em condições, mas tem 10 marinas de luxo."

Quem Se Mete Com o PS Leva


Via: http://5dias.net/wp-content/uploads/2010/08/barbosa-ribeiro.jpg

Exposição Sobre o Abate de Árvores no Concelho de Loulé

Loulé, ano 2010

Praça da República


quarta-feira, agosto 04, 2010

O Turista de Luxo do Doutor Emídio e as Clínicas e os Consultórios do Doutor Lourenço

Ontem, 3 de Agosto de 2010, o jornal Público, dedicou três páginas inteiras ao estado da saúde na região do Algarve. Quando meio Portugal atravessa o Alentejo para vir a banhos ao Algarve, a região ganha alguma importância no panorama mediático nacional.

A cobertura jornalística em causa é uma autêntica relíquia demonstrativa de um determinado ethos do modo de pensar a saúde por parte de alguns dos principais responsáveis da saúde no Algarve. Do Dr. Rui Lourenço, ficámos a saber que estamos "preparadíssimos" para receber os turistas no Algarve; que o Algarve "é uma boa região para se ter um enfarte" e que se os malandros dos utentes não se quiserem dar ao luxo de esperar nas urgências do Hospital Distrital de Faro, têm sempre um remédio, pois "há as clínicas e os consultórios" para onde se podem dirigir. O Dr. Lourenço deixa transparecer que confunde o interesse da saúde dos algarvios com o interesse do partido que está no poder. Ou seja, está assim a modos que contaminado pelo óptimismo socratinista. E ao sugerir as "clinícas e os consultórios" como alternativa à espera do sistema de saúde público, o dr. Lourenço elaborou todo um tratado de justiça social da saúde em Portugal.

O Dr. Emídio, por sua vez, assim a modos de um João Semana ao contrário, vê a busca da distinção, até nas coisas da saúde. Para o médico, que por acaso é político, é impensável "um turista de luxo ficar numa maca num corredor de hospital". Um turista alojado num hotel de 500 euros por noite, no corredor das urgências, choca o dr. Emídio no âmago do seu bom coração. Não lhe terá ocorrido que este mesmo turista, é capaz de ser o mesmo que deveria ficar nas "clínicas e nos consultórios" do Dr. Lourenço, e menos ainda provavelmente lhe terá ocorrido também, que ninguém, mas mesmo ninguém, independentemente da sua condição económica e social deveria ser instalado nos "corredores de macas" (da morte?) dos serviços de urgências, sem o minímo de dignidade que assegure as suas condições de saúde e de tratamento na doença. O dr. Lourenço e o dr. Emídio deveriam por os pés na terra e olhar para as coisas da saúde para as traduzir em palavras, em vez de utilizarem as palavras, para tentar fazer delas, as coisas da saúde.

Ainda esta semana, um familiar meu, depois de uma entrada pela pediatria do Hospital Distrital de Faro, foi parar aos já célebres "corredores de macas" dos serviços de urgência. Para além de angustiado pelo que viu, veio de lá a dizer cobras e lagartos dos políticos que nos governam. E garanto-vos que as palavras que utilizou serviram de nomeação às coisas nomeadas. Daquilo que me confessou, não me pareceu que existissem por ali muitos "turistas de luxo". Mas quem sou eu para duvidar do Dr. Emídio? Eu nunca poderia pagar 500 euros, por uma noite, num quarto de hotel.

PS: Faltou-me dizer, que da leitura da reportagem, ficámos a saber ainda, que a directora clínica do Hospital não deixa os médicos ir para férias em Agosto para fazer face às necessidades. E quem é que do pessoal médico iria querer fazer férias em Agosto? Ora essa!

terça-feira, agosto 03, 2010

Elevar o Gosto

Sigilo Totalitário

Este P sem S é todo ele um fabuloso programa de ataque às populações mais pobres. Depois do corte no rendimento social de inserção, da redução nos subsídios de desemprego, temos agora a medida pidesca da obrigação de acesso às contas bancárias das populações mais pobres. Triste Socialismo.

Do Racismo Institucional



Desumano, demasiado desumano...

segunda-feira, agosto 02, 2010

Caça às Bruxas

Aqui faz-se caça às bruxas através do uso da falácia ad hominem. Para quem não sabe a falácia ad hominem consiste em atacar pessoalmente o mensageiro e em ignorar a troca e o debate de ideias, ou seja, a mensagem. A caça às bruxas é um dos desportos favoritos de alguns blogues afectos à situação. A caça às bruxas intensifica-se quando o poder se esvai.

O locus do aqui é por exemplo aqui: http://asvozesdosoutros.blogspot.com/


domingo, agosto 01, 2010

Sexo Ministerialmente Contaminado



Os critérios de selecção humanóide que permitem o Ministério da Saúde definir quem pode dar sangue em Portugal, assentam no mais puro preconceito homofóbico e não têm qualquer base de sustentação científica. A exclusão de homens, homossexuais e bissexuais, da lista de potenciais dadores, é um acto da mais pura discriminação sexual, evidenciando uma clara ignorância científica e uma enorme baralhação entre a noção de "grupos de risco" (ideia cientificamente rejeitada pela maior parte da comunidade científica internacional) e o conceito de práticas de risco. A ideia de questionar os dadores de sangue quanto às suas orientações sexuais, para além de eivada de discriminação sexual, roça o total absurdo, pois no limite, qualquer dia, estaremos a querer saber se o "utente" tem preferências por "cima" ou por "baixo"; se é "activo" ou "passivo"; se gosta "por trás" ou "de lado" e se já alguma vez foi infiel ao companheiro ou à companheira lá de casa. Façam-se testes a todos os dadores sem qualquer tipo de discriminação e resolve-se a situação da prevenção face ao risco de contágio. O resto está muito bem esclarecido no comunicado da ILGA a ler em baixo.