domingo, maio 31, 2009

Pausa para reflectir...

Cats Musical - Memory



Boa semana de trabalho!

Eleições Dia 7 de Junho de 2009


Juntos pela Dignidade Profissional

De rastos, mas com força para ir ao Terreiro do Paço...



80 mil na rua.

A China, o Capitalismo e a Hipocrisia dos Líderes Europeus

A União Europeia anda muito preocupada como o capitalismo e com a economia de mercado e muito pouco preocupada com a democracia. O olhar dos abutres da economia global domina o ponto de vista dos líderes da União Europeia e anula qualquer possibilidade de discussão do capitalismo global à luz dos direitos humanos, da democracia e da dignidade dos povos. A União Europeia anda a fazer exactamente o contrário daquilo que apregoa. A imprensa, políticos de toda a europa, universitários das mais diversas ideologias, e partidos do mais pasteloso centrão, têm-se multiplicado nos últimos anos em elogios ao país dos dois sistemas. O crescimento económico de dois digitos faz esquecer de que forma esse mesmo crescimento é alcançado. Seja o que fôr, isso, de um país, dois sistemas, o que interessa é que a coisa está a dar.

Na China, que agora deveria recordar os vinte anos do massacre na Praça de Tiananmem, não há liberdade de expressão. Não há liberdade de pensamento. Não há liberdade de imprensa. A internet é altamente controlada e vigiada pelo governo. Existe a perseguição e a tortura. No trabalho, predominam condições de escravatura. Os salários são abaixo das necessidades de sobrevivência básica. A dignidade dos trabalhadores à maneira europeia é uma miragem. O partido é de pensamento único e a repressão política está entranhada nos corpos e nas almas.

Mas para a União Europeia parece que nada disto conta. O mercado chinês de biliões de consumidores é uma preciosidade para os capitalistas do ocidente e os salários dos chineses, incorporados nos seus produtos, espalhados agora por todo o globo terrestre, ainda geram a mais valia de obrigar ao abaixamento de salários e de nívelar por baixo os direitos dos trabalhadores em todo o mundo. O capital está unido na luta pela imposição da escravidão global. A União Europeia assobia para o lado e prefere nívelar por baixo, sob a desculpa da perca de competitividade à escala do planeta.

Aos trabalhadores indefesos um pouco por todo o mundo resta-lhes esbracejar e fazer "greves selvagens" à imagem do que se começa a passar no Reino Unido. Depois não se admirem os europeus, dos partidos dos extremos crescerem e aumentarem a sua popularidade para níveis surpreendentes e da própria União Europeia vir um dia a correr o risco de "implosão". O sonho de qualquer capitalista está em vias de concretização. Um exército de reserva escravizado à escala global. Ao contrário do que muito boa gente pensa, a crise não vai trazer nada de bom. Desculpem lá o pessimismo, mas os protagonistas são precisamente os mesmos.

sábado, maio 30, 2009

A Teresa Precisa de um Dador!



Vá fazer o teste por favor, para ver se o seu sangue é compatível. É a vida da Teresa que está em jogo!

Muito obrigado pela sua colaboração.

Via http://ssebastiao.wordpress.com/2009/05/30/ajudar-a-teresa/

Neoliberalismo ao contrário...

E se em vez de nos aproximarmos acriticamente das condições de escravidão e dos indignos salários dos trabalhadores na China contruíssemos uma Europa que lutasse pela dignidade do trabalho e de vida dos chineses? Quem não cumpre os direitos humanos e sociais minímos obrigatórios não entra nos mercados globais. E esta heim?

A Canção Que Os Directores das Rádios Nacionais Não Põem No Ar...

Sem Eira Nem Beira Senhor Engenheiro...



Ver a página 2 do Jornal Expresso de hoje. Terão medo de existir os directores das estações de rádio nacionais? Será censura consciente ou inconsciente? A sua opção pela não polítização da rádio será ela uma opção política? A música de Abrunhosa, com Cavaco e a Maria, obedeceu ao mesmo critério de escolhas musicais durante o reinado do Cavaquistão? Se José Pedro, dos Xutos e Pontapés, diz explicitamente que é a música que faz mais sucesso nos concertos dos Xutos e Pontapés porque não tem eco a mesma música nas rádios nacionais?

sexta-feira, maio 29, 2009

O Direito a Não Votar

Esta semana encontrei um amigo meu de longa data à porta do infantário onde ambos temos as nossas crianças. Conversa puxa conversa, dizia ele, que "o que deviamos fazer era sair à rua em massa e votar em branco" pois os partidos políticos cairam em completa desgraça. Lembrei-me imediatamente de José Saramago e do seu Ensaio Sobre a Lucidez. Num exercício da mais completa lucidez Saramago imagina uma sociedade que em dia de acto eleitoral sai massivamente de casa em direcção às urnas de voto para votar em branco. Não aconteceu, provavelmente, porque teria havido uma concertação societal sobre tal lucidez, mas porque o efeito de composição resultante da opção de cada eleitor, tinha provocado um terramoto na legitimidade do sistema democrático.

Nestas eleições europeias, não sei quantos eleitores votarão em branco, mas são conhecidas as sondagens que apontam para valores na ordem dos 60% em termos de abstenção.

Os partidos estão totalmente desligados da realidade da vida e dos interesses e necessidades das pessoas e as pessoas totalmente de costas voltadas para os partidos. A democracia representativa sofre de uma grave crise de legitimidade.

Perante este estado de coisas, o que sugeriu o iluminado poderoso rei dos Açores, Carlos César, para "proteger" a democracia? Obrigar os eleitores a votarem, tornando obrigatório o exercício do voto. O partido que se diz socialista, é uma autêntica fábrica de cérebros que arrasam a credibilidade da democracia.

Não passou pela cabeça iluminada do Presidente do Governo Regional dos Açores abrir os partidos à sociedade. Não passou pela cabeça de tal mente iluminada, encontrar mecanismos que não afastem os cidadãos mais qualificados dos partidos. Não passou pela cabeça de tal mente iluminada, democratizar o funcionamento interno partidos. Não passou por tal mente inspirada, fazer dos partidos organizações altamente participadas e abertas à critíca democratica. Não passou por tal mente iluminada, os partidos debaterem permanentemente com a sociedade os problemas que influem na sua qualidade de vida.

Não passou pela cabeça de tal mente democrática, os partidos apoiarem-se nas pessoas, nos grupos sociais, nos movimentos sociais, e nas organizações não governamentais, para em conjunto resolver os graves problemas com que a humanidade se confronta. Não passou pela cabeça de tal mente algum raio de sol no sentido de mudar a lei eleitoral por forma a aproximar os eleitores dos seus representantes, ou sequer lhe passou pela cabeça rever a forma como se constroem essas coisas a que os políticos dão o nome de "listas". Não, nada disto ocorreu ao outro rei dos arquipélagos.

Bastaria o voto obrigatório para "proteger" a democracia. Ou mudar de povo, sei lá...

Olá Boa Noite! Eu sou a Manuela Moura Guedes e este é o Jornal Nacional...

Delirai ou tremei. Hoje é dia de Jornal nacional na TVI. Infelizmente vou cuidar da saúde mental e não devo chegar a horas...mas tenho a interneti...a maior caixa de memória de toda a História. Hasta más tarde...

Post Scriptum: Voltaremos a este assunto de forma séria.

Ele anda por aí...

O MEDO

O medo,
Um gato preto emergindo da sombra,
espera
nos aposentos dos homens.
(Não o verás entrar, não ouvirás as suas passadas).

O medo, apenas o medo,
com os seus agudos
intermináveis dentes gelados
roendo nos ossos,
ferindo
as nossas carnes assustadas,
o sangue,
sugando, o putrefacto sangue.

Oh, os aposentos dos homens!
quatro paredes,
o tecto,
a janela e a porta
para o vazio...

E lá dentro - oh tempo mal-amado! -
(não o verás entrar, não ouvirás as suas passadas)
um golpe surdo, um engolir,
silêncio, nada...

FRANCISCO PÉREZ-MARICEVICH

Francisco Pérez-Maricevich nasceu em Assunção, no Paraguai em 1937. É poeta, ensaísta, romacista, jornalista e crítico literário. É licenciado em Filosofia e Letras, professor de Literatura em vários escolas secundárias e universidades em Assunção. Francisco Pérez-Maricevich contribuiu com importantes trabalhos no campo da investigação do bilinguismo (espanhol-guarani) na Bolívia. O seu legado poético inclui os livros de poemas Axil (1960), Paso de hombre (1963), Coplas (1970) e Los muros fugitivos (1983). Não existem livros do autor traduzidos em Portugal.
http://casadospoetas.blogs.sapo.pt/31221.html

quinta-feira, maio 28, 2009

Aprender com os mais pequenos

Lily Allen...



Conheci a Lily através do Pedro. A primeira cantora de música Pop Rock Norte-Americano da sua preferência. Aos quatro anos. Cool...

Bom resto de semana de trabalho!

Para mais tarde recordar: A Minha Escola...



Gerações inteiras de naturais e residentes de Loulé passaram por esta escola. A minha adolescência passa inevitavelmente por aqui. Sim, na minha altura, já uma boa parte dos alunos, gostava de fazer escola, fora da sala de aula. Amizades inesquecíveis, namoros platónicos, horas sem fim a jogar futebol no intervalo das aulas e, sim, vale a pena dizê-lo, excelentes professores, ajudaram a construir a pessoa que mora dentro de mim. Para estes últimos, a todos eles, o meu muito obrigado.

Sondagens...

Europeias...

Valem o que valem. Mas convém não as subestimar...

Via: http://margensdeerro.blogspot.com/

quarta-feira, maio 27, 2009

Visões da União Europeia

Rui Tavares - Caro eleitor: você está enganado

Entrámos em campanha eleitoral. Eu mesmo estou em campanha eleitoral. Talvez seja a ocasião certa para me dirigir desde já aos eleitores e repreendê-los – se fosse depois das eleições poderia parecer falta de desportivismo.
Dizem os estudos, a imprensa e os comentadores que a grande maioria não vai votar nestas eleições europeias, que consideram ser a feijões. Nesse caso, vocês – a grande maioria de vocês – estão enganados. Três razões:
Três quartos das leis por que nos regemos vêm de Bruxelas e passam pelo Parlamento Europeu. Decisões que estavam já tomadas pelos líderes – Sócrates, Sarkozy, Merkel e os seus pares – podem ser chumbadas pelos eurodeputados. E ainda bem: foi assim que se impediu que as 60 horas de trabalho semanal se tornassem regra (ao invés das 48 horas) e que uma qualquer empresa pudesse administrativamente cortar-nos a Internet por “mau uso” (ao invés de serem os tribunais a fazê-lo). Nada disto – e há muitos mais exemplos – é a feijões.
Ao contrário do Parlamento nacional, tolhido pela disciplina partidária, o Parlamento Europeu toma decisões mais imprevisíveis e dramáticas, como um bom parlamento pode ser. Na votação sobre os direitos de uso da Internet, a esquerda e os verdes convenceram os liberais a contrariar o bloco central europeu (de socialistas e conservadores) e com isso arrastaram até uma maioria de socialistas em nome individual. Uma coligação esquerda-verdes-liberais a defender um novo direito (de acesso à informação em rede) como outras diversas coligações poderão defender direitos sociais ou ambientais? Parece-me uma boa notícia.
A terceira razão é que, à medida que a crise se desenvolve, é cada vez mais difícil os 27 governos chegarem a compromissos que não sejam imposições dos grandes. É no Parlamento Europeu, por outro lado, que o debate de ideias mais profundo se vai fazendo de forma crescente – mais uma razão para querer participar na escolha de eurodeputados que cheguem lá com vontade (e capacidade) de fazer esse debate de ideias.
Releio as linhas que escrevi e – se querem que vos diga – acho fraco. O que está ali poderia ser dito sobre qualquer eleição. E esta não é uma eleição qualquer.
Por acaso do calendário, este ano vamos decidir sobre as três escalas: a europeia, a nacional e a local (para meu gosto, falta ainda a regional). Ou seja, do grande para o pequeno, podemos sair de 2009 muito diferentes de como entrámos. O ano da grande crise poderia ser o ano da grande transformação.
Do meu ponto de vista, é mesmo isso que deveríamos fazer. Não acredito que a lição da crise tenha sido aprendida; na primeira ocasião, os governantes, os banqueiros e os opinadores esquecerão tudo e voltarão aos velhos hábitos. E o preço de subestimar esta crise é alto: será não ter solução para a próxima.
Enquanto isso, a nossa situação continua injusta quanto já era: os que se sacrificaram pelas reformas são agora sacrificados pelo desemprego; os que se endividaram estão com a corda na garganta. Em Portugal, temos das famílias que mais pagam para ter os filhos na universidade, mas os jovens doutores ou engenheiros acabam a atender telefonemas no call center. Assim nunca daremos a volta por cima.
A sua demissão, caro eleitor, não sobressalta os líderes. Eles acham que têm a situação sob controlo e que as boas decisões já estão tomadas. Eu, pelo contrário, acho que um sobressalto só lhes faria bem: não vejo como sairemos da crise de forma satisfatória, se esta situação de base se mantiver. Quem tem razão? Pode ser que sejam eles, e eu não. Nesse caso, é simples. Vá votar noutro (ou noutra). Não vote em mim: prove-me que estou enganado.


in http://jornal.publico.clix.pt/magoo/noticias.asp?a=2009&m=05&d=25&uid=&id=307685&sid=58824

Rui Tavares é Historiador e candidado do Bloco de Esquerda às Eleições Europeias

José Sócrates ataca-se a si mesmo...

José Sócrates ataca os partidos de direita...

Leituras...

A empresa à escuta...

Nesta obra, Michel Crozier, reputado sociólogo francês das organizações, refere como prioridade fundamental ao bom funcionamento de uma empresa ou organização, a escuta activa dos seus membros, independentemente das suas categorias sociais de pertença no interior das mesmas. Um intervenção informada, seja ela numa empresa, numa ONG, ou num partido político, terá tudo a ganhar se as suas chefias se apoiarem no conhecimento do modo de pensar e agir dos seus colaboradores e participantes. Para Crozier todos os sistemas colectivos são ao mesmo tempo sistemas de relações sociais e sistemas profundamente eivados de relações de poder. Só com uma escuta activa e uma construção conjunta da acção colectiva podem as organizações percorrer com eficácia e eficiência os caminhos da mudança social acelerada.

terça-feira, maio 26, 2009

Ameaça Nuclear...

Ivy Mike - 1952



Passaram 57 anos desde que o Ivy Mike, primeiro teste nuclear com bomba de hidrogénio, realizado com sucesso pelos EUA aconteceu. Antes já tinhamos assistido ao horror de Hiroxima e Nagasaki e seguiu-se no pós guerra a era de "equilíbrio de terror" em que o facto de cada um dos lados da barricada, saber que o outro lado o poderia destruir, evitou o pior. EUA e URSS respeitaram-se mutuamente apesar de em determinados momentos da História Mundial a tensão entre as partes ter feito temer o pior. No Iraque, de Saddam Husseim, estou convencido de que se existissem realmente as armas de destruição maciça que afinal não passavam de uma "montagem televisiva" e que constituiram a mentira política do século, o Iraque nunca teria sido atacado. Esta é provavelmente a leitura que faz o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-il. O facto de cada um dos Estados não confiar no vizinho do lado impede o desarmamento nuclear à escala global. Evoluímos extraordinariamente em termos científicos e tecnológicos. Ainda temos um caminho muito longo pela frente na aprendizagem da convivência pacífica entre os povos.

O Estado a Que Isto Chegou...

Confundir o Estado com o partido...

«Pintaram os bairros sociais mas esqueceram-se de dizer que o dinheiro é do Estado, é do PS.»

Elisa Ferreira, a candidata que só vai ao Parlamento Europeu "dar o nome".

Ver aqui: http://jn.sapo.pt/paginainicial/interior.aspx?content_id=1226299

Ainda o PS Loulé e a Secção de Quarteira

A opinião de João Lopes - Jurista e ex-militante PS:

Boas caros leitores
Administrador deste interessante blogue

Já que como foi referido aí em cima, não me foi permitido efectuar mais comentários sobre a notícia publicada no designado blogue Calçadão de Quarteira, não sei porquê, quando a selecção da publicação dos comentários é sempre da responsabilidade dos administradores, aqui vos deixo o meu parecer sobre o tema.

Como jurista e ex-militante do Partido Socialista da secção de Santarém, e actualmente a residir em Quarteira, gostaria de deixar junto de vós algumas considerações sobre esta decisão jurídica por parte da Federação PS Algarve.

Tal decisão compreende-se, partindo do princípio de que, a alegada reclamação por parte do PS Quarteira terá sido feita com base no artigo 91 ponto 1 alínea a) e não verificação do ponto 2 do referido artigo, dos estatutos do partido Socialista. É perfeitamente normal que a decisão tenha sido a que agora foi estipulada.

No entanto, tal não significa que a escolha do candidato do PS para Quarteira irá ser efectuada segundo a alínea a) anteriormente referida, ou seja, através da Assembleia Geral da secção do PS Quarteira.

Esta situação actual, verifica-se na medida em que a Comissão Política de Concelhia do PS, terá negligenciado numa primeira fase, do ponto de vista jurídico uma "resolução fundamentada, aprovada por maioria de 2/3 dos membros presentes".

Bastará novamente à Comissão Política de Concelhia voltar a convocar os seus membros para a eleição do candidato para Quarteira, fundamentando devidamente a sua decisão e obtendo a tal maioria de 2/3, para que o candidato (ou qualquer outro candidato para outra qualquer Assembleia de Freguesia do concelho) seja oficialmente o candidato do PS à Assembleia de Freguesia.

A ideia defendida pelo secretariado do PS Quarteira, de ser a secção base de residência a decidir o seu candidato, só poderá verificar-se, quando por parte da Comissão Política de Concelhia existir a intenção e vontade para que tal assim suceda. Simplesmente porque estatutariamente a CPC, pode sempre superar nesta matéria de escolha de candidatos qualquer secção base existente.

São estas as "regras" do jogo. São estes os Estatutos existentes.

A ideia que fico, perante esta situação, é a de que:

1º A CPC, foi ingénua do ponto de vista formal num primeiro momento, contribuindo também para que esta situação se verifica-se;

2º A secção do PS de Quarteira, entrou definitivamente em ruptura com a sua CPC, o que não é muito positivo para o Partido em geral no Concelho e para a própria secção em termos futuros;

3º O candidato inicialmente apontado pela CPC, o sr. Ezequiel Tomás, será no fim deste processo o candidato do PS (a menos que o próprio decida obviamente desistir ), tal como inicialmente apontado;

4º Políticamente, quem melhor sairá de todo este processo será o próprio candidato, o sr. Ezequiel Tomás e os adversários políticos PSD no caso.

Falha a CPC numa primeira rectificação de candidatura, a qual só é emendada à posteriori.

Falha a Secção do PS Quarteira, porque iniciou uma luta sem medir todos os desenvolvimentos da mesma e ao declarar uma guerra com a sua CPC, coloca-se a si mesmo e ao PS Loulé numa situação não muito positiva em termos de imagem para o exterior.

Grato pela atenção que queiram dispensar, mas não resisti a desmontar todo o cenário que nos é colocado pela frente.

A continuação de um bom trabalho de intervenção cívica!

João Lopes

segunda-feira, maio 25, 2009

As Trapalhadas do PS Loulé

Lê-se e não se quer acreditar. Existe um revolta democrática nas bases da estrutura do PS Loulé, em Quarteira. Parece que desde o início um conjunto de militantes manifestou o seu descontentamento pela escolha de um homem, Ezequiel Tomás, em detrimento de uma mulher, Hortense Morgado. É claro que ser homem ou mulher não é aqui a origem do descontentamento. Quando muito poderia ser a origem da escolha dos homens das estruturas do partido. Não conheço os candidatos, mas o que certamente posso constactar é uma autêntica incapacidade de perceber as sensibilidades dos militantes do partido face à escolha do candidato à Junta de Freguesia de Quarteira. Aparentemente, os tiques do centralismo partidário, que a nível nacional se traduzem no eu é que sei e no posso, quero e mando invadiram toda a oligarquia do partido que se diz socialista. Em vez de uma democrática auscultação às bases do partido, para a partir daí se gerarem consensos negociados em torno do melhor candidato/a, opta-se por decidir unilateralmente, de cima para baixo, sem a escuta activa dos militantes que lhe dão vida. Os partidos, estruturas vitais ao funcionamento da democracia são no seu funcionamento interior profundamente anti-democráticos. Agora a porca torceu o rabo. Já tinha ficado a sensação de grande hesitação na escolha do candidato à Câmara Municipal de Loulé, de que resultou a escolha relativamente "tardia" do nome de Joaquim Vairinhos. Agora é a direcção distrital que pressionada pelos militantes de Quarteira desautoriza a escolha da distrital do PS em Loulé. Numa altura em que Loulé precisava de uma oposição à altura para combater alguns evidentes tiques de arrogância resultantes de muitos anos no poder por parte de Seruca Emídio, era mesmo o que PS precisava era de fragilizar os seus candidatos. Saúde-se os militantes de base em Quarteira pela sua crença numa candidata feminina. Neste caso, ninguém pode acusá-la de ser um mero preenchimento de cota. São as bases que o exigem. É de lamentar que quando são os homens do partido a reconhecer o mérito numa candidata mulher, sejam as masculinas estruturas de topo que aparentemente a rejeitam. Reinventar o PS local precisa-se. Um PS que não seja um mero seguidor acrítico das estruturas nacionais é o que se deseja. Até porque já ninguém acredita em José Sócrates.

Ver fonte aqui: http://www.regiao-sul.pt/noticia.php?refnoticia=94783

domingo, maio 24, 2009

Rotinas e Máscaras...



Bom começo de semana...

As Palavras e as Coisas

Eleições Europeias

Título de Imprensa:
"Sócrates e Zapatero confiantes na vitória da esquerda"

Eu também estou confiante numa vitória da esquerda. E desejoso de ajudar a correr com a direita neoliberal do governo de Sócrates. Fascinante como a palavra esquerda pode ser hoje abastardada desta maneira. Com Zapatero temos um centro esquerda moderado. Com Sócrates temos políticas neoliberais de direita. Não soubessemos nós que por detrás das palavras estão as coisas. E se as palavras contam muito, as coisas contam muito mais.

Visões da União Europeia


Ilda Figueiredo em Entrevista ao jornal Sol em 22/05/2009

Excertos de entrevista

Será possível a UE funcionar de outra maneira, com 27 países?

Subjacente a essa pergunta está a ideia de só há uma via. Não aceito isso! A História do pensamento único devia estar arrumada. Basta ir à América Latina para ver como estão a ser construídas novas formas de cooperação entre Estados.

O que devia servir de exemplo?

Aprender-se como é possível manter a soberania e cooperar na base da igualdade de direitos entre Estados. Os líderes da UE estão a tentar avançar com uma integração capitalista, federalista e militarista nas costas dos povos. A França e a Holanda disseram não à dita Constituição Europeia, e eles mudaram-lhe o nome, tiraram-lhe o hino e a bandeira e chamaram-lhe Tratado de Lisboa. Depois foi a Irlanda, e mesmo assim insistem. Esta democracia de chantagem, tenham paciência, não estou de acordo com ela.


Essa falta não fica resolvida agora? Bastaria os portugueses voratem noutros partidos...

Não, não fica resolvida. O Tratado de Lisboa implica grave perda de soberania para Portugal e isso nenhum partido tem o direito de o fazer sem ouvir o povo português. mas o povo não se faz ouvir só nas eleições e não fica parado. Foi o que aconteceu por exemplo com os professores, com os agricultores...a lista é enorme. Vamos ter um crescendo de tensões sociais.

Nestes dez anos, é justo dizer-se que se identifica cada vez menos com a UE?
Identifico-me com uma Europa Social, dos povos e dos trabalhadores, que está longe de ser construída, nem há dez anos nem hoje. Mas continuo a lutar por ela.




sábado, maio 23, 2009

Obrigado Dr. Seruca Emídio

Assinale a resposta correcta:

Manuel Pinho foi agraciado com a medalha de ouro da cidade de Loulé porque:

1. Decretou o fim da crise em Portugal antes de ela pôr o país à beira da bancarrota.

2. Fez mais pela papa maizena do que Seruca Emídio pelas rotundas sustentáveis do concelho de Loulé.

3. Aconselhou os asiáticos a investir em Portugal porque por cá os salários de miséria são uma vantagem competitiva de excelência.

4. Passeou com a Catherine Denauve nas profundezas das minas do sal gema e adorou ouvir da sua boca que nós por cá ainda somos uns bons exóticos selvagens.

5. Nadou na mesma piscina do campeão olímpico de natação.

6. Inventou o Allgarve, que tira a barriga da miséria às elites algarvias e promove a sua boa vontade cultural.

7. PS e PSD comem todos da mesma papa.

8. O edil local perdeu a vergonha.


Nota: Apenas uma resposta está correcta.

...El Tratado de Lisboa para dar mais eficácia à Europa...

Som. Um, dois. Som. Som. Um, dois. Som...

http://tsf.sapo.pt/PaginaInicial/Portugal/Interior.aspx?content_id=1241965

Portunhol



Neoliberal Sócrates apoia socialista Zapatero em...castelhano...

Mudar de vida...

Ele andou por aqui...

http://www.correiomanha.pt/noticia.aspx?contentid=47518225-6899-4BEB-98FA-44A87E89254F&channelid=2D0C4A01-C6C3-42F3-975B-FF6BAB100E7F

sexta-feira, maio 22, 2009

MMG e MP na TVI



Sem comentários...

Ps: Obrigado ao comentador que informou do video no Youtube.

TVI: Jornal Nacional de 22 de Maio de 2009

Acabei de ver o combate de boxe na TVI, no Jornal Nacional, entre o peso médio Manuela Moura Guedes e o peso pesado Marinho Pinto. Marinho Pinto pôs KO Manuela Moura Guedes. A apresentadora foi ao tapete no fim do último round. Perdeu a TVI e perdeu o jornalismo português. Deprimente...vejam, vejam, porque contado não tem graça. E ninguém acredita...

O bom jornalismo de investigação que a TVI faz é descredibilizado pelo estilo (?) Moura Guedes.

PS: Assim que o video tiver disponível (se ficar disponível) coloco aqui o espectáculo no macloulé.

quinta-feira, maio 21, 2009

Nas Quintas Do Algarve

Eles são os donos das Quintas no Allgarve. Ocupam o espaço que deveria ser ocupado por quem não está interessado em propaganda, em vender gato por lebre ou fazer caça ao voto. Mas o jornalismo no Algarve (com raras e saudáveis excepções) também não se quer distinguir pela independência face aos donos das quintas. Muito menos escrutinar as opções e o trabalho político desses mesmos donos . Percebe-se. Num país que lê pouco e que é frágil do ponto de vista da cidadania, mais vale jogar pelo seguro e estar do lado de quem nos pode trazer algumas vantagens. Os donos das quintas agradecem.

Mas desenganem-se aqueles que lêem os donos das quintas, se pensarem que vão ali ver reflectidos os problemas das populações e da vida de cada dia. Nas quintas, nem uma palavrinha sobre o desemprego. Nada sobre a grave crise ambiental. O estado da Saúde das populações não é para ali chamado. O desigual acesso à justiça não faz parte daquele mundo. O futuro adiado dos jovens não é problema de quinta. E muito menos a pobreza crescente e a exclusão social que se entranha em redor de cada uma das quintas.

Nas Quintas, só acedem os problemas tidos como "nobres". Nas Quintas, já lá foi o Algarve Chefs Fórum e a maravilhosa gastronomia olhanense. Nas Quintas, já lá foram os devaneios religiosos católicos do presidente que governa as joias da coroa. Nas Quintas, já lá foi o reabilitado edifício-sede da Câmara Municipal de Vila Real de Santo António. Nas Quintas, já lá estiveram os blogues, esses novos instrumentos subversivos que corroem a democracia. Nas Quintas, já lá esteve a auto-propaganda da obra concluída, através do palácio de Estói. Nas Quintas, problema social não entra. A Quinta é o reino do auto-elogio.

As Quintas, no Allgarve. em geral, são um óptimo veículo de propaganda política. São de borla, recorrem a um meio de difusão com impacto a nível nacional. Dão provavelmente jeito a quem concorre na selva do mercado jornalistico e ainda permitem constactar que os autarcas pouco ou nada têm para nos dizer. Entre as Quintas do Algarve e os documentos de propaganda oficial emitidos pelas Câmaras Municipais a diferença aproxima-se de zero.

Veja aqui um exemplo dos sinais do tempo com este exemplo de Quinta:
http://quiosquedacamila.blogspot.com/2009/05/habemus-papam.html

Il Cavaliere no país dos corruptores sem corrompidos...

http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1365575

Que besta de povo vota nesta besta?

quarta-feira, maio 20, 2009

Visões da Europa

Empregos britânicos para trabalhadores britânicos...



O nacionalismo reemerge com força em época de globalização económica. Nívelar por baixo foi uma frase lúcida. Europa neoliberal é do que efectivamente se trata. A expansão do capital à escala do planeta está-se nas tintas para os direitos dos trabalhadores. Bela directiva esta, a dos trabalhadores destacados. Depois queixam-se os políticos da "indiferença" dos povos face à construção Europeia.

terça-feira, maio 19, 2009

O Estado Sou Eu...

A loira de excepção Camila chama a atenção para a miséria dos partidos em Portugal e no Brasil aqui http://quiosquedacamila.blogspot.com/2009/05/todos-diferentes-todos-iguais.html;

José Saramago e Daniel Oliveira abordam o cavalheirismo dos deputados britanicos aqui
http://caderno.josesaramago.org/2009/05/13/corrupcao-a-inglesa/

e aqui
http://arrastao.org/sem-categoria/a-democracia-em-accao/;

mas a cereja em cima do bolo está mesmo é aqui;
http://aeiou.expresso.pt/marido-de-ministra-britanica-via-filmes-porno-a-conta-dos-contribuintes=f506121

Bom resto de semana de trabalho!


A Minha Homenagem





O melhor da sua geração...

Sociedade Excludente...



O desemprego em Portugal aproxima-se dos dois digitos. O desemprego de massa passou a ser parte "natural" do capitalismo flexível. Por detrás de cada dado estatístico vive uma pessoa com um drama na vida.

Si Dios Fuera Mujer

Mario Benedetti (1920-2009)



Poema de Mario Benedetti – nascido em Paso de los Toros (Uruguai) em 14 de setembro de 1920, falecido ontem em Montevidéu.

Via
http://goncalodecarvalho.blogspot.com/

segunda-feira, maio 18, 2009

A Europa tão longe e aqui tão perto

É sabido que há muito boas razões para nos preocuparmos com as eleições europeias. Noticiava o jornal Sol deste fim de semana que 60% da legislação nacional obedece a Bruxelas. Embora a deusa Europa pareça estar "lá longe", ela verdadeiramente entra na vida diária e quotidiana de cada um de nós. Recebemos, à luz das directivas europeias, milhões de euros, para plantar girassóis (as famosas plantações de girassídio) e destruir a nossa capacidade produtiva agrícola nacional. Trocámos e emprestámos ovelhas, cabras, vacas e outros desgraçados animais, para receber os sempre apetecíveis "fundos comunitários". Trocamos terra produtiva, de oiro alimentar, por jipes de quatro rodas que aumentaram o nosso status social e nos fizeram passear na Ovibeja, cheios de orgulho nacional. Jogámos fora fruta, em quantidades massivas, para não ultrapassar as cotas de produção dos mercados, definidas pelos eurocratas. Melhorámos as nossas práticas ambientais por imposição e pressão "externa" de alguns dos melhores deputados europeus. Passámos a apostar e a valorizar um pouco mais a formação profissional dos trabalhadores nas nossas empresas e metemos ao bolso uma outra parte da aplicação dessas mesmas verbas. Trocámos o escudo de muitas dezenas de anos, pelo euro, que temos a impressão de ter ajudado a encarecer o nosso nível de vida. Investimos com dinheiro da europa na construção de autoestradas e outras que tais e afundámo-nos nessas mesmas auto-estradas à procura do fio do horizonte no negro alcatrão. Perdemos uma parte da nossa soberania nacional e os instrumentos financeiros e monetários de gestão da crise económica e social, ficando na dependência e nas mãos do Banco Central Europeu não eleito democraticamente e que nos desgraça as prestações da casa ainda por pagar. Destruímos a nossa frota de pesca, para nos banharmos a nado na maior zona marítima europeia, que é a portuguesa. Aplicámos fundos na reestruturação de muitas das empresas nacionais e desperdiçámos outros tantos, noutras, que faliram de forma indecentemente fraudulenta. Passámos a sobrepor, à nossa identidade nacional, a identidade europeia, embora muitos de nós sejam, ainda e apenas, da freguesia de São Sebastião na "vila" de Loulé. Passámos a ver-nos como próximos dos países mais desenvolvidos da europa e do mundo e adoptámos comportamentos de ricos com salários de gente pobre. Circulamos livremente na Europa sem necessidade de passaporte e abrimos as portas cá em casa, ao médico russo que nos salvou a vida, à ucraniana da pastelaria que nos serve o nosso café preferido, ao moldavo que nos fez a vivenda sem recibos de cor alguma, ao espanhol que nos trará o virus da gripe A e à prostituta romena que ataca na avenida das jóias da coroa. Passámos a ter que deixar de comer a bela carne de porco à saída da matança e os chouriços feitos na casa da vizinha. Fazemos mais férias pela europa fora e temos agora um corpo político internacional, de políticos europeus, que não conhecemos, mas a quem podemos treinar a nossa "maledicência" tão odiada pelo porreiríssimo europeu Sócrates. Inventámos o "cherne" à maneira portuguesa e servimos de mordomos de guerras criminosas às ordens do senhor Bush. Temos um Tratado da Europa, que é bom, porque é de Lisboa e uma Estratégia que de Lisboa já só lhe resta é mesmo o nome. Por tudo isto e muito mais, dia 7 de junho, não podemos ficar em casa. É que se não formos nós até à montanha, a montanha entra de rompante pela nossa casa a dentro. Dia 7 de Junho, é tempo de deixar de ser porreiro, pá!

Eurojust: a cabala, a campanha negra e a conspiração...

O presidente do Eurojust vai ter que decidir se demite o presidente do Eurojust...

Ver aqui...http://aeiou.expresso.pt/freeport-lopes-da-mota-tem-toda-a-legitimidade-para-continuar-na-presidencia-do-eurojust-mne-luis-amado=f515273

Para Sócrates é o Procurador Geral da República que deve decidir da demissão ou não...

Ver aqui...http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Nacional/Interior.aspx?content_id=1231211

Cavaco e Silva brinca aos políticos...

Ver aqui...http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?showComment=1&id=1380676&idCanal=12

O PGR que disse que não havia pressões avança para processos disciplinares...

Ver aqui...http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1380179&idCanal=12

E a Dona Justiça afunda-se a si própria...

Ver aqui...http://acertodecontas.blog.br/wp-content/uploads/2008/04/justica-1.jpg



domingo, maio 17, 2009

A Procuradora

- Judite Sousa: "Já localizaram o primo do primeiro ministro?"
- Candida Almeida: "Sim, sabemos onde está".
- Judite de Sousa: "E pode dizer-nos onde?".
- Candida Almeida: "Não posso, senão ele foge".

In Jornal Expresso de 16 de Maio de 2009 escrito por Ricardo Costa, pág.36.

Maio 68

A Poesia Está na Rua...

sábado, maio 16, 2009

As Joias da Coroa

A véspera dos actos eleitorais são sempre muito interessantes de observar e são períodos férteis em afirmações políticas que têm tanto de espantoso quanto de desfasamento da realidade da vida de todos os dias. Seruca Emídio, é um desse génios abençoados por um par de lunetas que só fazem ver as partes do mundo social que dá um grande jeito visualizar.

Disse o conhecido médico da sociedade que Almancil a par de Quarteira é uma das jóias da coroa. Imagino que o principado seja o LC e que Loulé seja o reino da coroa.

Acontece que as minhas "lunetes" impedem-me de ver a realidade contada pelas "lunetes" do príncipe do abençoado reino de taifa. Quarteira continua um dos maiores horrores urbanísticos construído pelos políticos louletanos (excepção feita ao Calçadão, uma das poucas intervenções feitas ao arrepio do desordenamento urbanístico das últimas décadas), e a pobreza e a "exclusão" social são marcas bem visíveis quando se passeia na rua, especialmente em época dita "baixa".

A pesca já era, a industria não existe, o comércio definha, o turismo é de "pé descalço" e os prédios estendem-se agora em direcção ao Norte, para desgraçarem o pouco que poderia ser "requalificado". Ao falar em joia da coroa, deve o senhor presidente estar a falar dos construtores civis ou das novas rotundas, que com toda a certeza, são agora, ambientalmente sustentáveis.

Por ironias do destino, tenho assentado arraiais nos últimos tempos em Almancil. Depois de ler as afirmações do senhor presidente, na imprensa local, tenho tentado limpar sistematicamente as lentes dos meus óculos e continuo sem avistar as joias da coroa.

Seruca Emídio deve provavelmente estar a falar das riquezas e fortunas milionárias da Quinta do Lago e de Vale de Lobo, algumas delas conseguidas sabe-se lá à custa de quê, porque dos passeios que tenho feito por Almancil, as joias, se as há, só de imitação barata. No centro de Almancil abundam, em massa, homens e mulheres emigrantes de Leste (em quantidades decrescentes diga-se de passagem) sendo que a corpo visto (o corpo fala como sabemos) a maioria são pobres, vivem em casas sobreocupadas, trabalham no mais explorado dos explorados mercados laborais, a construção civil; e conseguem uma integração que se pode considerar, subordinada. A miséria, o alcoolismo, o urbanismo desqualificado, o abandono e o insucesso escolar, as baixas qualificações escolares e profissionais, a droga, são aquilo que efectivamente marca o centro da vila de Almancil.

Nisto, Almancil e Quarteira, assemelham-se como falso ouro e prata. As joias, de Quarteira, com certeza estão em Vilamoura. E as joias, de Almancil, foram apropriadas pela Quinta do Lago e por Vale do Lobo. Mas provavelmente devo estar enganado. Vou continuar a limpar os óculos. E senão passar a ver joias na coroa, vou pedir emprestadas, as "lunetes", do senhor presidente. Afinal, é sempre o ponto de vista que faz a realidade. Tudo depende do ponto de vista. E da sujidade das "lunetes"...

Loulé Tem Orgulho No Continente...


Sem mais palavras por agora...pela importância e pela gravidade do assunto voltaremos a ele em breve.

sexta-feira, maio 15, 2009

No Lugar da Árvore a Rotunda

Quarteira, ano 2009

Avenida Francisco Sá Carneiro

No lugar da árvore...


Foto: Macloulé

A rotunda...

Foto: Calçadão de Quarteira

Uma sociedade que abate as poucas árvores que lhe restam para construir rotundas, num universo de betão, é uma sociedade que vive ainda no passado. E diz tudo sobre uma determinada concepção de "desenvolvimento"...

O Retorno do Recalcado: Indícios? Sinais? Evidências? Novos Tempos?

"O parlamento italiano aprovou nesta quarta feira a legislação que criminaliza a imigração ilegal, prevendo penas de prisão para quem alugar casa a imigrantes ilegais. A ONU e o Vaticano consideram tratar-se de uma violação do direito internacional e mesmo os apoiantes de Berlusconi estão divididos nesta matéria.

Criação de milícias populares que colaborem com a polícia, multas até dez mil euros aos imigrantes indocumentados e penas de prisão que podem atingir os dez anos a quem alugar casas a imigrantes não legalizados são algumas das medidas previstas na lei que criminaliza a imigração ilegal e que o parlamento italiano aprovou nesta quarta feira."


Via http://arrastao.org/

quinta-feira, maio 14, 2009

Titanic: 14 de Abril de 1912

Um acidente que fez História. A fé e a crença no progresso, na ciência e na tecnologia começava a ser posta em causa...



O RMS Titanic foi um navio transatlântico da Classe Olympic operado pela White Star Line e construído nos estaleiros da Harland and Wolff em Belfast, Irlanda. Na noite de 14 de abril de 1912, durante a sua viagem inaugural, chocou com um iceberg, e afundou duas horas e quarenta minutos depois, na madrugada do dia 15 de abril de 1912. Até o seu lançamento em 1912, foi o maior navio de passageiros do mundo.

O naufrágio resultou na morte de mais de 1.500 pessoas, hierarquizando-a como uma das piores catastrofes marítimas de todos os tempos. O Titanic provinha de algumas das mais avançadas tecnologias disponíveis da época e foi popularmente referenciado como "inafundável" - na verdade, um folheto publicitário de 1910, da White Star Line, sobre o Titanic, alegava que ele fora "concebido para ser inafundável". Foi um grande choque para muitos que, apesar da tecnologia avançada e experiente tripulação, o Titanic ainda afundou com uma grande perda de vidas humanas. Os meios de comunicação social sobre o frenesim de vítimas famosas do Titanic, as lendas sobre o que aconteceu a bordo do navio, as mudanças resultantes do direito marítimo, bem como a descoberta do local do naufrágio em 1985 por uma equipa liderada pelo Dr. Robert Ballard fizeram a história do Titanic persistir famosa desde então.

http://pt.wikipedia.org/wiki/RMS_Titanic

A Europa em Debate: Miguel Portas na Antena 1

http://www.miguelportas.net/blog/2009/05/14/antena-1-flor-pedroso-entrevista-miguel-portas/

quarta-feira, maio 13, 2009

Os Deputados da Nação: De Políticos Profissionais a Profissionais da Política

Os deputados portugueses são verdadeiros profissionais, sempre à espera de nova eleição

Uma investigadora de ciência política traçou um retrato dos parlamentares portugueses. E diz que há um claro divórcio entre os cidadãos e os partidos.
Homem, entre os 40 e os 50 anos, com qualificações superiores, preferencialmente na área do Direito, com estatuto económico-social privilegiado, filiado no partido há longos anos. Acrescente-se que espera ser reeleito, e para isso cumpre à risca disciplinas, como a de voto, que demonstram a sua lealdade ao partido. Se não se encontra na Assembleia da República neste momento é porque está no Governo, noutro cargo político ou porque aguarda ser incluído nas listas das próximas legislativas.


Este é apenas um esboço do retrato elaborado por Conceição Pequito Teixeira, docente e investigadora do Instituto de Ciências Sociais e Políticas, que ontem lançou o livro O Povo Semi-Soberano. Partidos e Recrutamento Parlamentar em Portugal. A autora tentou traçar o perfil dos candidatos e deputados ao Parlamento nacional desde os anos 70 até 2002, saber como os partidos escolhem as listas que levam às eleições. Como são os órgãos centrais e os líderes nacionais dos partidos - são hoje "autênticas 'empresas políticas'" -, que escolhem os candidatos, optam sempre por pessoas que já estão no partido, mais velhas, habitualmente juristas, funcionários públicos e professores, e com experiência prévia na actividade política. Metade já foram mesmo deputados, o que demonstra a baixa rotatividade. Entre 1976 e 2002, a taxa de rotatividade baixa da direita para a esquerda: o mais renovador é o CDS-PP (61 por cento) e o PCP é o menos (42 por cento).

Mas a autora vai mais longe: em vez de serem 'políticos profissionais', os deputados "tendem a tornar-se cada vez mais 'profissionais da política', fazendo da sua actividade mais uma 'carreira' do que uma 'vocação', encarando-a mais como uma 'colocação' num determinado cargo do que como um serviço à 'causa pública', sendo o seu principal objectivo manterem-se na política a todo o custo". Por outro lado, para além do recrutamento dos candidatos ser feito a grande distância dos cidadãos, aqueles que os eleitores votam para defenderem os seus interesses no Parlamento acabam por não ser os que depois lá se sentam. Os dados compilados permitem perceber que em média, em cada legislatura, são substituídos cerca de três quartos dos deputados eleitos. Ou seja, a representação dos cidadãos na magna assembleia é "fictícia e fraudulenta", acabando por contribuir para a descredibilização dos partidos e dos governos.

A solução não estará na mudança da lei eleitoral, mas sim no modo de funcionar dos partidos. Conceição Teixeira diz que nos últimos 25 anos "muito pouco mudou nos partidos políticos", que insistem em se manter afastados da sociedade civil. Essa redoma faz com que continue a persistir um certo "antipartidarismo cultural" que, embora sempre tenha estado associado aos cidadãos com menos recursos, de mais idade e de meios rurais, está agora a alastrar às camadas jovens e instruídas. O défice de confiança nos partidos, que se traduz sempre nos habituais altos níveis de abstenção, poderá ser amplamente testado este ano, diz a investigadora. "Há um claro divórcio litigioso: os cidadãos já não querem nada com os partidos."

Jornal Público, Quarta-feira 13 de maio de 2009

Ver aqui: http://jornal.publico.clix.pt/magoo/noticias.asp?a=2009&m=05&d=13&uid=&id=306210&sid=58646

terça-feira, maio 12, 2009

Para o ano é que é...


Europa em discussão: Segunda Parte do Prós e Contras da RTP do Governo...

Segunda parte a terminar para lá das 00h40m. Destaque para Vital Moreira: "Considero antidemocrático referendar o Tratado de Lisboa". Nada a que já não estejamos habituados...a mísera taxa de execução do QREN quando a grande maioria dos actores económicos vivem em sufoco também é um bom motivo de destaque e um magnífico hino à incompetência do governo PS. Aguente aí. Não se vá embora. A Fátima volta já...00h45m... eu vou mesmo à deita. Tenho que me levantar às 5h30m. Amanhã à noite vejo o resto na Internet. A sétima maravilha do mundo...

Ver aqui a terceira parte pela madrugada a dentro:
http://www.miguelportas.net/blog/

segunda-feira, maio 11, 2009

RTP do Governo Promove Debate Sobre a Europa...

Intervalo do Prós e Contras da RTP do governo e do debate a 13 sobre a Europa. Do pouco que se pode dizer num debate a treze, destaque para a moderadora. Fatima Campos Ferreira detesta a crítica ao governo. A oposição apenas está autorizada a fazer propostas. Nada de críticas. O consensualismo do Estado Novo está bem presente na RTP do governo. O conflito é tido por disfuncional. Aqui ainda não se descobriram as funções e as potencialidades políticas do conflito social. Não se pode dizer nada para lá do que é pensável pelo centrão dos interesses. A não ser que se tenha um estatuto elevado. É o caso de Miguel Portas que é ouvido com respeito. Laurinda Alves está no filme errado. Lembrou-se de citar Kennedy: Não perguntes ao País o que este pode fazer por ti, pergunta antes o que podes fazer tu pelo teu país. Neoliberalismo puro e duro. Desta vez em estado inconsciente. Os candidatos da extrema esquerda e da extrema direita, Partido Nacional Renovador e MRPP bem poderiam ser do mesmo partido dado a concordância com que aqui se apresentam. O candidato do PPM conseguiu dizer que Portugal é o país mais rico da Europa. Nuno Melo reclama com Fátima Campos Ferreira, que não o deixa falar. O tempo em televisão é dono de um regime ditaturial. Em televisão nada se consegue dizer. A televisão quer audiências e share, não debates esclarecedores. O debate começou às 22h45m. A segunda parte começa perto da meia-noite. Amanhã é dia de trabalho.

Acompanhe o resto do debate aqui: http://www.miguelportas.net/blog/

Para onde foi o colar de pérolas?

Antes...


Depois...


Antes...


Depois...

Acabo de chegar à entrada de Loulé como quem vem de Faro. Desta vez tenho dificuldade em ver o colar de pérolas de Manuela. As rugas na expressão da sua face foram disfarçadas com um amontoado de botox. A injunção paradoxal constituída pelas palavras "política" e "verdade" deixou de estar no centro do cartaz. O ar carregado da cor preta foi substituída por tonalidades claras. O casaco de Manuela é agora claro, suave, moderno e juvenil. Os lábios levaram uma pintura cuidada. O cabelo ganhou um aspecto fresco. A envelhecida Manuela deu lugar à rejuvenescida candidata. O sabonete está mais vendável. Centenas (milhares?) de cartazes foram substituídos um pouco por todo o país. O aumento exponencial de dinheiro "vivo" a entrar nos partidos está a ser bem aplicado.

Ando mais umas centenas de metros para a frente. O Nós Europeus, de Vital Sassoom Moreira desapareceu. A crónica de Miguel Esteves Cardoso sobre o cabelo de Vital Moreira, as suas desastradas participações em televisão e as sondagens que dão um resultado de quase empate aos partidos do bloco central de interesses, eclipssaram a figura de Vital Moreira do cartaz. Emerge agora o retorno do recalcado do partido que se diz socialista. O fantasma de Soares saiu para a campanha. O PS que governa à direita, quer ser de esquerda, à força. A lógica de manutenção do poder pelo poder assim o exige. Parece que alguém inicialmente se enganou na data da adesão à União Europeia e os primeiros cartazes sairam com 1986, a data em que efectivamente Portugal entrou na União Europeia.

Podia pensar que o movimento de deslocação do automóvel em que seguia me estava a fazer ver coisas. Podia pensar que a venda de sabonetes afinal não era mais importante do que a política. Podia pensar que entre a política da verdade e a verdade da política não havia qualquer distinção. Mas há e não é pequena. É tudo uma questão de dinheiro "vivo". Bem gasto, por sinal. Não desista. Somos todos precisos...

A Caminho do Estado Penal...

Loïc Wacquant e a penalização da miséria...



Do Estado Social ao Estado Penal...na ordem do dia. Quem quiser traduzir...

Loïc Wacquant é Professor de Sociologia na Universidade de Berkeley.


Ver aqui http://en.wikipedia.org/wiki/Loic_Wacquant

PS: Video repetido aqui no macloulé, mas pela sua importância, podia ser repetido mais dez vezes...e se calhar mesmo assim a mensagem não passa.

domingo, maio 10, 2009

A LePenização da Política Portuguesa

Três actos eleitorais. Uma crise económica de dimensões inéditas. A xenofobia saltou para o discurso eleitoral. Mas as restrições das cotas de imigrantes levadas a cabo pelo governo PS também não indiciam coisa boa...

Concentrados de Problemas Sociais: O Bairro da Bela Vista

Vale a pena colocar a hipótese de o bairro da Bela Vista ser um "concentrado de problemas sociais". As políticas de habitação, as políticas do solo e da gestão dos seus preços que "empurram" certo tipo de populações para certas zonas das cidades (ou a ausência dessas mesmas políticas e partindo do pressuposto que a inacção é uma forma política possível), o desemprego em massa, a pobreza e a "exclusão" social, a morte a tiro de um jovem pela autoritária polícia e a revolta dos restantes jovens são possíveis causas... Como sempre, a maior parte das pessoas, reage às consequências. Mais polícia e mais "segurança" não resolve estes problemas...quando muito suspende-os por uns tempos. Tempos duros adivinham-se. Os "insiders" vão cada vez mais exigir a "penalização" dos "outsiders". Uma sociedade fortemente dual como é a actual sociedade portuguesa e que apregoa os valores democráticos da igualdade de oportunidades e da justiça social não pode ser uma sociedade pacífica. Uma sociedade que promete tudo a todos e que apenas consegue satisfazer as expectativas de alguns poucos é um barril de pólvora pronto a explodir a qualquer momento quando os detonadores estão activados.

A Europa, a Imigração, a Crise Económica e a Xenofobia à Espreita

Via http://arrastao.org/ . Não retiro uma linha ao que está escrito...

Carta Aberta sobre políticas de imigração

“O ano de 2009, ano para o qual está prevista a realização três actos eleitorais, é um momento decisivo para o debate sobre as opções a tomar em temas cruciais como é o caso das políticas de imigração. Mais de um ano após a entrada em vigor da nova Lei de Imigração, as expectativas criadas aquando da sua aprovação não foram cumpridas e, embora a nova lei visasse tentar minorar alguns dos aspectos mais gravosos verificados na anterior, são inúmeras as situações de injustiça com as quais os/as imigrantes se deparam no seu dia-a-dia, das quais destacamos:
- O carácter excepcional e oficioso dos mecanismos de regularização, a exigência de visto de entrada e o rotundo fracasso da política de quotas têm alimentado uma bolsa de indocumentados/as, que neste momento serão de mais de meia centena de milhar;
- Os crescentes entraves colocados ao reagrupamento familiar, à renovação de documentos e os exorbitantes valores das taxas pagas pelos/as imigrantes são outros dos problemas enfrentados.

Estas práticas e políticas em nada favorecem a inclusão dos/as imigrantes na sociedade portuguesa, contribuindo, pelo contrário, para o crescimento trabalho ilegal, para a desumanização das relações de trabalho e para acentuar as desigualdades sociais.

É também com uma enorme preocupação que temos acompanhado as últimas evoluções a nível Europeu. A Directiva de Retorno representa um enorme retrocesso civilizacional que envergonha a Europa. Permitir que uma pessoa (incluindo crianças) possa ficar detida, até 18 meses pelo único “delito” de ter migrado, promover as expulsões, perseguir migrantes, generalizar os centros de detenção, não são passos a seguir se queremos construir uma sociedade mais justa e inclusiva. A adopção formal daquela que foi apelidada por largos sectores da sociedade civil como a “Directiva da Vergonha” em pleno Ano Europeu para o Diálogo Intercultural, e, em particular, nas vésperas das comemorações da Declaração Universal dos Direitos Humanos, é sintoma de um gritante divórcio entre os discursos oficiais e a realidade.

Por outro lado, o Pacto Europeu sobre Imigração e Asilo é o programa político que visa consolidar medidas de criminalização e de desrespeito dos direitos dos/as migrantes, com o reforço e subcontratação do controle das fronteiras, o condicionamento do acesso ao reagrupamento familiar, a dificultação do acesso a vistos e a adopção do “Cartão Azul” (um esquema de recrutamento hiper-selectivo, em função das qualificações). Por fim, o pacto proíbe a realização de processos regularização de carácter generalizado, condenando à clandestinidade os cerca de 8 milhões de indocumentados/as que vivem na Europa e resumindo as suas possibilidades a uma análise “caso a caso”. O documento, instrumento de carácter programático que visa definir as linhas de acção para o próximo ciclo político – 2010 a 2015 -, contribui para consolidar o carácter repressivo na aplicação das políticas desenvolvidas pelos estados membros e condiciona o próximo “Governo” da UE, ainda antes da realização, em Junho, das próximas eleições para o Parlamento Europeu. Por um lado, é mais um entorse da democracia numa Europa virada de costas para os cidadãos; por outro, está a ser um instrumento de afirmação dos sectores mais xenófobos e populistas da Europa.

As migrações não são uma realidade nova, são tão antigas como a própria história da Humanidade, mas constituem uma característica fundamental da aceleração do processo de globalização verificado nas últimas décadas. Neste processo, a desregulação dos mercados e o aumento das desigualdades Norte-Sul estiveram na base da direcção e magnitude dos actuais fluxos migratórios. O envelhecimento demográfico e as acentuadas necessidades de mão-de-obra, tornaram o velho continente Europeu num pólo de atracção das migrações. No entanto, e apesar da Europa precisar destes/as migrantes, sempre dominou uma relutância hipócrita em reconhecê-lo. O resultado foi um modelo migratório restritivo que alimentou a migração clandestina e o tráfico humano, e que criou um contingente de mão-de-obra desprovida de direitos, descartável, vulnerável perante a exploração laboral e para trabalhar em sectores pouco atraentes para os europeus, com altos níveis de precariedade e de sinistralidade – uma experiência de resto bem conhecida dos milhões de portugueses/as que emigraram, e ainda o fazem, para todo o mundo.

A Europa, a encarar uma crise económica grave, de resto generalizada a todo o globo, tem usado os/as imigrantes para “explicar” o terrorismo, a insegurança, desemprego, enfim os vários males sociais. Preocupa-nos que hoje, tal como em anteriores crises, sejam eles/as o bode expiatório desta situação e as suas primeiras vítimas. A solução para o impasse requer que se vá à raiz dos problemas.
O direito à residência - sem a qual a existência dos/as imigrantes é relegada a um limbo jurídico que só alimenta a exploração laboral e a exclusão social - é condição sine qua non para uma real inclusão dos/as imigrantes e para a coesão de toda a sociedade. Mas, no caminho rumo a uma cidadania plena, há ainda muito a percorrer. O direito de voto dos/as estrangeiros/as residentes já existe nas eleições autárquicas para os comunitários e os abrangidos pelos acordos de reciprocidade. Esta situação é manifestamente discriminatória, sendo urgente o acesso ao direito de voto pelos imigrantes residentes, em todas as eleições. Deve-se ainda prestar especial atenção à vulnerabilidade acrescida que enfrentam as mulheres migrantes, assim como à realidade de muitos jovens descendentes, os quais, continuam a sofrer os efeitos da guetização e exclusão. Escutemos a insatisfação crescente que se vive nos bairros.

Lançamos um desafio: o de promover um debate sério e construtivo, que envolva uma ampla participação da sociedade civil, incluindo os/as imigrantes. É necessário equacionar políticas que assentem no respeito da dignidade humana e que promovam a igualdade de direitos entre as pessoas, independentemente do lugar onde tenham nascido.”

sexta-feira, maio 08, 2009

Crise? Espere pelo que está para vir...

A Grande Depressão do século XXI: Colapso da economia real
por Michel Chossudovsky

A crise financeira aprofunda-se, com o risco de interromper seriamente o sistema de pagamentos internacional. Esta crise é muito mais séria do que a Grande Depressão. Todos os sectores importantes da economia global são afectados. Relatórios recentes sugerem que o sistema de Cartas de Crédito bem como a navegação internacional, a qual constitui a linha vital do sistema de comércio internacional, estão potencialmente ameaçados. O proposto salvamento bancário sob o chamado Troubled Asset Relief Program (TARP) não é uma "solução" para a crise e sim a "causa" de mais um colapso. O salvamento contribui para um novo processo de desestabilização da arquitectura financeira. Ele transfere grandes quantias de dinheiro público, a expensas dos contribuintes, para as mãos de financeiros privados. Isto leva a uma espiral de dívida pública e a uma centralização do poder bancário sem precedentes. Além disso, o dinheiro do salvamento é utilizado pelos gigantes financeiros para obter aquisições corporativas tanto no sector financeiro como na economia real. Esta concentração sem precedentes de poder financeiro conduz sectores inteiros da indústria e dos serviços, um por um, à bancarrota, o que leva ao despedimento de milhares de trabalhadores. As esferas superiores da Wall Street pairam sobre a economia real. A acumulação de grandes quantias de riqueza monetária por um punhado de conglomerados da Wall Street e seu hedge funds associados é reinvestida na aquisição de activos reais. A riqueza de papel é transformado em propriedade e controle de activos produtivos reais, incluindo indústria, serviços, recursos naturais, infraestrutura, etc.

Continua aqui. Se gosta de ficar preocupado leia até ao fim...
http://resistir.info/chossudovsky/grande_depressao_sec_xxi.html

Interessará este Tratado de Lisboa aos Povos Europeus?

Líderes Europeus festejam a aprovação do Tratado de Lisboa...



Será este um bom Tratado para os europeus que ficaram à margem da sua discussão?

Pode ler o Tratado de Lisboa aqui: http://europa.eu/lisbon_treaty/full_text/index_pt.htm


Ps: Se conseguir...

O Príncipe

Não sei porquê, mas depois da visita ao blogue Quiosque da Camila http://quiosquedacamila.blogspot.com/ apeteceu-me revisitar este post que escrevi em Dezembro de 2007...

O Príncipe

Aqueles que desejam conquistar o favor de algum príncipe costumam apresentar-se-lhe com os bens que mais prezam ou com aqueles que crê em dar-lhe maior prazer. Por isso é frequente vê-los oferecer cavalos, armas, panos de ouro, pedras preciosas e ornamentos semelhantes, dignos de sua grandeza. Desejando, pois, oferecer-me a Vossa Magnificiência com qualquer prova da minha sujeição, não encontrei, entre todas as minhas bagatelas, nada que estime e ame tanto como o conhecimento das acções das grandes personagens, que adquiri pela longa experiência das coisas modernas e pela leitura constante das antigas - conhecimento em que pensei e reflecti demoradamente e com grande cuidado, a fim de o resumir num pequeno volume que envio a Vossa Magnificiência.

Regras que o Príncipe deve seguir para conquistar e manter o poder:

1. O Principe deve, mesmo não percebendo muito de futebol e nem ter uma adoração especial por este desporto, fazer de conta que o jogo da bola é fundamental para a vida da comunidade.

1.1. Se a comunidade onde está inserido tiver vários clubes, deve ter uma forte ligação ao principal clube da terra, introduzir alguns dos seus servos na estrutura directiva do mesmo e injectar o capital financeiro que permita aos fieis da colectividade em questão viver com plena satisfação.

1.1.2. Mas o Príncipe não pode descurar os clubes menores, sob pena de gerar muitos inimigos e muito descontentamento. Deve então, ser suficientemente inteligente para dar a devida importância aos clubes em ascensão, alimentando os seus vícios, sem contudo lhes dar mais importância do que ao clube que mobiliza maior número de votantes. Há que dosear as expectativas imoderadas dos fiéis dos clubes secundários. Dar-lhe a importância quanto baste, para evitar, sobretudo, descontentamentos excessivos.

1.1.3. Convém, por isso, quando as finanças dos clubes secundários e terciários andarem pelas ruas da amargura, abrir temporariamente os cordões à bolsa, para que os súbitos não se passem para o lado dos inimigos.

1.1.4. O Príncipe deve frequentar habitualmente o Estádio do Algarve e deve obrigatoriamente torcer pela vitória dos clubes da terra e simultaneamente chorar as derrotas destes face às equipas adversárias. A vitória dos clubes locais são vitórias do Príncipe, as derrotas são também derrotas do Príncipe.

2. O Príncipe deve também ter um especial fervor pela prática da religião católica.

2.1. Deve promover as iluminações natalícias, se possível rezar o terço nas missas dominicais e deve obrigatoriamente, qual pecado mortal, nunca faltar à festa da Mãe Soberana.

2.2. O Príncipe deve inclusivamente ir em romaria logo atrás da Santa, seguir em passo vigoroso atrás dos Homens do Andor e deve rejubilar com os gritos de "Viva a Mãe Soberana". O Príncipe retirará todas as vantagens de ser dos primeiros a chegar à sagrada capela e deve deixar-se fotografar em pleno esforço a subir a abençoada ladeira.

3. Um aspecto que o Príncipe nunca pode descurar é o da propaganda, ou como hoje se diz, do marketing das cidades e da política.

3.1. O Príncipe deve financiar como puder os principais jornais locais e deve deixar-se fotografar em tudo o que é evento local, mesmo que a sua participação nesses eventos em nada acrescente aos eventos propriamente ditos.

3.2. Se o Príncipe vai ao futebol ao fim de semana deve deixar-se fotografar a dar o pontapé de saída.

3.3. Se o Príncipe vai à Feira da Serra como convidado especial, deve deixar que a sua fotografia se sobreponha aos doces tradicionais da região.

3.4. Se o Príncipe quer desenvolver os meios de comunicação audiovisuais da sua terra amada, deve tomar providências para que se assegure que na direcção de informação de tão importante orgão de propaganda estará um súbito da sua confiança que enaltece esmeradamente as suas virtudes pessoais e morais.

3.5. O Príncipe nunca, mas nunca, deve desprezar os meios de comunicação locais. Enquanto estes se servirem das virtudes do Príncipe, o Príncipe tem a seu lado um dos meios mais importantes de ocultação das suas possíveis fraquezas e um aliado fundamental na manutenção dos poderes do principado.

4. O Príncipe para manter o poder também nunca deve deixar de dar atenção às fracções da população em claro declínio social e a quem esta regressão tanto descontentamento, rancor e raiva pode potencialmente criar em seu desfavor.

4.1. O Príncipe tem que a todo o custo minorar este dano futuro elaborando estratégias preventivas que mitiguem uma possível revolta social.

4.2. O Príncipe mesmo sabendo que não resolve todos os problemas do pequeno comércio, deve fazer de conta que tudo fará para o salvar. Contrata palhaços, acordeanistas, pinta noites de claro e escuro, organiza mercadinhos, dá música às ruas desertas, incentiva o povo para que vá até ao centro da cidade passear.

4.3. O Príncipe deve sempre perceber antecipadamente onde estão os potenciais perigos e ameaças à sua manutenção no poder e deve agir celeremente após o diagnóstico da situação, sob pena de, se deixar crescer a cangrena, já não ir a tempo de a curar.

5. Mas o Príncipe deve também ser apologista do circo para o povo. Este é um método que todos os Príncipes em todos os períodos da História utilizaram. O Príncipe seria incauto em o descurar. Deve combinar-se com as bruxas, trocar as épocas do carnaval, antecipar as datas do Natal e distribuir muitas oferendas à plebe local.

6. O Príncipe deve sobretudo seguir a máxima universal de que os homens hesitam menos em prejudicar um homem que se torna amado do que outro que se torna temido, pois como se deve lembrar o Príncipe, o amor quebra-se, mas o medo mantém-se.

6.1. O Príncipe deve por isso tratar mal a oposição na Assembleia. Deve fazer-se temido pois sabe que assim será mais respeitado. Deve lembrar-se sempre o Príncipe que um líder amado é mais facilmente atraiçoado e que um líder temido é sempre mais raramente desafiado.

7. O principe deve também, apesar de ter compaixão pelos despossuídos de poder, estar sempre do lado dos poderosos.

7.1. Deve cortejá-los e respeitar as suas legítimas ambições e satisfazer ao máximo os seus desejos e aspirações.

7.2. Deve assim facilitar a construção, instituir a ponte com o mundo do futebol, aconselhar-se com os sábios da religião, elogiar o importante trabalho dos homens de opinião, ser seguidista das orientações do partido que esteve na origem da sua criação, escolher com pinças os seus secretários mais fiéis, deve cortejar com sabedoria os senhores feudais que tanto precisam do seu alimento e compaixão.

8. Por último, o Principe nunca deve esquecer, que nos Estados hereditários e habituados à estirpe do seu príncipe a dificuldade em os conservar é muito menor do que nos novos, bastando não transgredir nem violar a ordem dos antepassados e, quanto ao resto, contemporizar conforme os casos que surgirem.

Versão moderna da obra de Maquiavel, O Príncipe.

quinta-feira, maio 07, 2009

A Morte do Circo


Este fim de semana fui ao circo. O circo Dallas esteve em Loulé e não perdi a oportunidade de mostrar ao Pedro os leões, os cavalos, os palhaços, o Noody (que chegou também aos circos), os trapezistas, os músicos e todos os actores e actrizes que fazem a festa do circo. Confesso-vos que para mim foi sofrível aguentar o espectáculo até ao fim, mas as crianças continuam a adorar a magia do circo.

Deu para me aperceber que o circo está moribundo e que os seus "profissionais" sobrevivem com enormes dificuldades. O apresentador que é a figura de referência de todo o espectáculo estava à entrada a cobrar dois euros para as crianças brincarem no insuflável. A trapezista estava à entrada a vender bilhetes. O domador de leões estava à entrada a receber os espectadores. A flexibilidade e a polivalência chegaram também ao circo. As dificuldades são visíveis a olho nú. A última vez que tinha ido ao circo, já há mais de um ano, foi para ver o circo Cardinali. Fiquei muito bem impressionado. Dos melhores circos e dos poucos que ainda conseguem resistir à sociedade global centrada em, cada vez mais, novos consumos culturais.

Hoje li no jornal Público que os deputados da nação (será que não têm mais nada com que se preocupar?) querem propor a proibição dos animais do circo. Parece que há casos de maus tratos e como quase sempre, o livre arbítrio dos deputados da nação funciona como um circo sem rei nem roque. Não se procura fiscalizar os maus tratos pois parece que que os homens e mulheres do circo são indomáveis. Há que jogar logo de uma vez o bébé com a água do banho. Acabe-se com o circo. Como o problema do desemprego já é pequeno, há que mandar mais umas largas centenas de precários mal qualificados, escolar e profissionalmente, para o exército de reserva do capitalismo global.

No mesmo dia, o mesmo jornal Público, tinha como notícia de primeira página que lobbies poderosos da sociedade norte-americana tinham injectado milhões de dólares nos partidos políticos para que estes não tomassem decisões no sentido de regular a especulação do mercado imobiliário sendo esta uma das razões da crise do subprime. É pois com a regulamentação do circo que os deputados se devem preocupar. Viva o Circo!


Ver aqui: http://sic.aeiou.pt/online/noticias/pais/deputados.htm