terça-feira, setembro 30, 2008

O capitalismo ao contrário: Pode o dinheiro do povo salvar a banca?

Congresso não aprova a salvação da banca pelo povo



O capital financeiro anda a circular pelo mundo completamente tresloucado. Ao gesto de um simples clique de um rato de computador, levantar enormes quantidades de dinheiro de uma instituição bancária, no Japão, na Grécia, ou em França e depositar grandes quantidades de dinheiro, segundos depois, no Panamá, na Suiça, ou nos off-shores da Madeira, tornou-se o acto mais vulgar e banal no mundo dos grandes investidores.

A economia financeira, anda completamente desgovernada (como opção política clara à escala internacional, há que dizê-lo) e sem qualquer ligação com a economia "real". Anunciam-se falências e as acções sobem na bolsa, despede-se em massa e as acções sobem na bolsa, inventam-se negócios fictícios e as acções sobem na bolsa, anucia-se a crise alimentar à escala mundial e as acções sobem na bolsa, anuncia-se o hiperendividamento das populações e as acções sobem na bolsa, contratam-se gestores das grandes empresas, com salários inimaginários e as acções sobem na bolsa. O mundo "virtual" fez esquecer o mundo "real" e descobrimos agora, estupefactos, com a crise do subprime nos EUA, que o mundo "real" não deixou de existir.

Nos últimos trinta anos o receituário neoliberal foi claro. Organização Mundial de Comércio, Banco Mundial, Fundo Monetário Internacional, o FED dos EUA, o Banco Central Europeu e os Bancos Centrais nacionais do Ocidente, todos, mas todos mesmo, foram beber à mesma cartilha, qual livro único de um país ditatorial. Desmantelamento do Estado e livre iniciativa dos mercados. Crença exarcebada, qual dogma religioso, de que os mercados tendem para o "ajustamento perfeito", entregues a si próprios, sem qualquer tipo de regulação. Sansões e avisos para os governos que tenham o "atrevimento" de travar os negócios do capital à escala global. Redução abrupta nas "despesas" com a saúde, com a educação e nos apoios sociais, na generalidade dos países, com raríssimas excepções. Privatização do oxigénio e da água. Recusa de qualquer regulação dos mercados por parte do poder político. Crença no primado da economia e das finanças sobre a política. O dinheiro e os mercados como senhores do mundo.

O dogma da redução do défice, para níveis arbitrários, sem qualquer base científica credível, levou ao aumento da pobreza, da exclusão social e das desigualdades sociais à escala global e a um recuo claro nos direitos sociais, tão arduamente "conquistados" (sim conquistados e não adquiridos como enunciam hipocritamente os neoconservadores) pelas populações ao longo da história da humanidade, com muito sangue, suor e lágrimas. Regredimos socialmente por toda a Europa, na Saúde, na Educação, na Segurança Social, nos Direitos do Trabalho e do Emprego, na prática da Democracia e na Sustentabilidade Ambiental. O planeta e uma boa parte da sua biodiversidade está em risco.

Margaret Teacher, a conhecida "dama de ferro" e uma das profetas contemporâneas do neoliberalismo, chegou ao poder nos anos 80 do século passado e afirmou taxativamente que só existiam "indivíduos" e não existia isso da "sociedade". Ronald Reagan defendeu que os governos não se deviam meter "nisso" a que todos hoje chamamos "economia" (como se existisse economia separada da sociedade). O Deus Mercado ganhou, portanto, o estatuto de Zeus no Olimpo e a Intervenção Estatal o rótulo do Demónio.

A injecção massiva de capital por parte do Estado, nos EUA e na Europa, na banca e nos seguros, a nacionalização de algumas grandes instituições financeiras, a nacionalização do "prejuízo", como alguém lhe chamou, cá pelas nossas paragens, é uma das maiores ironias do nosso tempo.

Não deixa de ser irónico que não exista dinheiro para manter unidades de saúde no interior do país abertas. Não deixa de ser irónico que não exista dinheiro para investir no ensino superior e na educação em geral. Não deixa de ser irónico que não exista dinheiro para dar dignidade às miseras pensões de reforma que a nossa população usufrue. Não deixa de ser irónico que não exista dinheiro para "descongelar" os salários da função pública e para elevar o mísero salário minímo nacional. Não deixa de ser irónico, os milhares de milhões que rapidamente aparecem para salvar o grande capital das grandes asneiradas que por aí andou a fazer e que rebentou com as instituições. Não deixa de ser irónico...apesar de, se calhar, ter mesmo que ser necessário, sob pena de corrermos o risco de batermos no fundo.

Regulação política precisa-se...e novos agentes políticos também. O endeusamento do mercado já mostrou no que dá...e de certeza que não dá razão aos Pedros Passos Coelhos que por aí abundam. O ministro Pinho parece que descobriu hoje isso.



segunda-feira, setembro 29, 2008

Das chuvas urbanas

Inundações no Algarve

http://videos.sapo.pt/lPZ0gy2emqjJMILfzN90

Porque será que me lembro todos os anos de Gonçalo Ribeiro Teles e dos seus alertas após as célebres cheias em 1967 na cidade de Lisboa?

Para quem não se recorda:

"O regime salazarista não permitia grandes oportunidades de livre expressão. Em 1967, aquando das chuvas torrenciais e cheias de Lisboa, Gonçalo Ribeiro Telles, para espanto de muita gente, foi à televisão explicar a calamidade e apontar o dedo à má política de urbanização de Lisboa. A desarborização das bacias hidrográficas, a proliferação de habitações em situações de risco nas cabeceiras de linhas de água e em leitos de cheias – e sobretudo a falta de condições urbanísticas condignas nos então “bairros de lata” fazia com que milhares de lisboetas vivessem proletarizados. Foi um choque nacional. Era a primeira vez que se debatia abertamente, e sem qualquer limitação, problemas que a ditadura então silenciava."

in http://www.realistas.org/modules/news/article.php?storyid=2

Desde 1967...foi há... 41 anos...

Nota: Os destacados a blod são de minha autoria.

Para mais tarde recordar: Das árvores da cidade

Loulé - Parque Municipal

Nota: Clique na imagem para ampliação

Porque será que nós temos
Na frente, aos montes, aos molhos,
Tantas coisas que não vemos
Nem mesmo perto dos olhos?

António Aleixo

Esclarecimento: Este absurdo abate já foi feito há alguns anos atrás e "isto" é o que resta como testemunho histórico do que foi outrora uma senhora árvore.

sábado, setembro 27, 2008

Do Casamento dos Homossexuais: A homofobia protegida pelo Estado

Pessoas como todas as outras casaram...



Começo este post, por relembrar ao políticos de todas as cores, o artigo 13 da Constituição da República Portuguesa (Princípio da Igualdade) que diz o seguinte:

1. Todos os cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais perante a lei.

2. Ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual.

A discussão sobre o casamento dos homossexuais, não tem, portanto, discussão. Trata-se tão só de garantir um direito fundamental consagrado constitucionalmente. O primeiro ministro da Nação, que se gaba a olhos vistos do socialismo moderno e da sua adesão aos novos valores pós-materiais, para utilizar uma expressão do sociólogo Inglehart, afinal não tem tempo para colocar o "problema" na sua agenda. Sim, porque a política já não se faz a partir das necessidades e dos problemas sentidos pelas populações, mas da "agenda" do senhor primeiro ministro.

As mentes homofóbicas e o conservadorismo anacrónico ainda presentes em larga escala na sociedade portuguesa fazem temer e tremer os políticos quanto aos votos que poderiam não receber.

Entretando, a minoria homossexual, enquanto minoria silenciosa, vai continuar a ver espezinhados os seus direitos, a viver na clandestinidade, a existir rodeada de estigmas e preconceitos e condenada à invisibilidade política e social.

A função política do combate ao homofobismo, essa, com excepção do Bloco de Esquerda e pouco mais, é mandada às calendas e o exemplo brilhante do socialismo de Zapatero nesta questão (que não deixou de ganhar as últimas eleições por isso) é completamente ignorado.

Felizmente, para além das concepções políticas retrógadas em relação à homossexualidade, há uma lado da sociedade portuguesa que é cada vez mais favorável à aplicação dos direitos fundamentais na sua totalidade. Uma reportagem brilhante sobre o assunto na televisão portuguesa esta semana, punha especialistas a falar sobre a matéria e recordava que a Associação Americana de Psiquiatria não encontra nenhuma evidencia cientifica que permita dizer que os pais e mães homossexuais eduquem os seus filhos melhor ou pior que os pais e mães heterossexuais.


Portanto, até aqueles que dizem à boca cheia, casamento sim, adopção, é que, concerteza não, estão redondamente enganados. A Juventude Socialista está de parabéns pela sua causa e Manuel Alegre mostrou que até os grandes democratas só vêem certos lados da democracia. Infelizmente, é historicamente conhecido, que as gerações mais velhas têm dificuldade em escutar os mais jovens. Os jovens são por definição, na mente dos mais velhos, "o futuro", e o presente, tem que ser dominado, por quem já domina.

Entretanto, neste burgo à beira mar plantado, vai vencendo o preconceito e a discriminação.


Em França e mais particularmente em Paris, já era possível há alguns anos atrás o Presidente da Câmara ser homossexual. Diferenças de "evolução" civilizacional, é claro...com muita pena minha...

sexta-feira, setembro 26, 2008

Do Endividamento das Famílias Portuguesas

Segundo João Salgueiro...

...a culpa é dos Portugueses


Nota: Clique em cima da imagem para uma leitura mais clara do texto.

Eu diria...também é responsabilidade dos Portugueses...também é...

...e dos bancos?

quinta-feira, setembro 25, 2008

Curiosidades da Cidade

Paradoxos...

Loulé - Avenida José da Costa Mealha


Um paradoxo é uma declaração aparentemente verdadeira que leva a uma contradição lógica, ou a uma situação que contradiz a intuição comum. Em termos simples, um paradoxo é "o oposto do que alguém pensa ser a verdade". A identificação de um paradoxo baseado em conceitos aparentemente simples e racionais tem, por vezes, auxiliado significativamente o progresso da ciência, filosofia e matemática.

A etimologia da palavra paradoxo pode ser traçada a textos que remontam à aurora da Renascença, um período de acelerado pensamento científico na Europa e Ásia que começou por volta do ano de 1500. As primeiras formas da palavra tiveram por base a palavra latina paradoxum, mas também são encontradas em textos em grego como paradoxon (entretanto, o Latim é fortemente derivado do alfabeto grego e, além do mais, o Português é também derivado do Latim romano, com a adição das letras "J" e "U"). A palavra é composta do prefixo para, que quer dizer "contrário a", "alterado" ou "oposto de", conjungada com o sufixo nominal doxa, que quer dizer "opinião".

http://pt.wikipedia.org/wiki/Paradoxo

quarta-feira, setembro 24, 2008

Chavez no seu melhor

Porque as práticas ditatoriais não têm cor...



Expulso por "ofensa" às instituições venezuelanas.

O amigo Chavez...

terça-feira, setembro 23, 2008

Conhece-te a ti mesmo

Yo soy yo y mis circunstancias...



Não sou esperto nem bruto,
Nem bem nem mal educado:
Sou simplesmente o produto
Do meio em que fui criado

António Aleixo

segunda-feira, setembro 22, 2008

Dia Europeu das Cidades Sem Carros

Mudar as cidades para mudar de vida



É certo que um dia sem carros não resolve por si só o problema da poluição provocada pelo automóvel e que tanto mal faz ao ambiente, à nossa saúde e à algibeira.

Contudo, somos de opinião que é papel central dos poderes públicos estimular os cidadãos e sensibilizá-los para a importância da alteração das suas práticas sociais e ambientais em direcção a uma maior qualidade de vida e a uma cidade cada vez mais sustentável.

Aqui ficam algumas sugestões que todos conhecemos mas que nunca é demais relembrar :

1. Ande a pé o mais possivel. Evite fazer percursos curtos deslocando-se no seu automóvel.

2. Use a bicicleta a pedal como meio de transporte privilegiado. O seu colestrol vai agradecer.

3. Se tem mais colegas de trabalho com quem pode repartir o percurso, junte-se aos mesmos e levem só um veículo. Utilize um sistema rotativo. Sai mais barato.

4. Use a rede de transportes públicos. Exija dos poderes públicos que melhorem a rede de transportes públicos da sua cidade.

5. Utilize veículos electricos. São menos poluentes.

6. É preciso retirar o trânsito automóvel dos centros das cidades.

7. É muito importante a construção de vias pedonais, ciclovias e calçada em condições que permite a circulação em patins sem risco de acidente. Nas cidades do centro da Europa dá gosto ver a juventude a circular de patins.

8. Percepcione o problema ambiental como um problema global que só pode ser resolvido com a participação de cada um de nós.

9. Utilize gasolina sem chumbo e certifique ecologicamente o seu automóvel. Coloque um catalizador que filtre uma boa parte da poluição emitida.

10. Em viagens longas, prefira o comboio. Permite-lhe render o seu tempo a trabalhar durante o percurso. O tempo é um recurso escasso e um bem demasiado precioso para desperdiçá-lo a conduzir. O Alfa Pendular está a ganhar cada vez mais adeptos. E faz bem ao bolso. Garanto-vos.

11. Sensibilize os seus amigos e conhecidos. Deixe que as crianças e jovens o influenciem. Eles vão um passo à frente na adesão aos valores ambientais.

12. O Estado, as empresas, as autarquias, as ONG's, as organizações políticas internacionais, as escolas, os cidadãos. Todos não são demais para mudar um estilo de vida que evidentemente todos sabemos que já é insustentável.

13. Avance com outras boas sugestões. Todas as ideias são bem vindas.

14. Mude os seus hábitos e práticas diárias. É mais fácil ter boas sugestões do que mudar comportamentos. Começe por si, que eu prometo um esforço cada vez maior para começar por mim. As novas gerações merecem um futuro melhor.

domingo, setembro 21, 2008

O Arboricida

Loulé, Primavera de 2008

Aqui há tempos atrás a Júlia chamou a atenção do Pedro do Blogue Sombra Verde para as palavras de João Dubraz, escritor do século XIX, natural de Campo Maior. São palavras com 141 anos, mas ainda bem actuais. Deliciem-se pois...

De título bem sugestivo: “Tipos Contemporâneos – O Arboricida”

“O arboricida nasce como nasce o poeta e o estafador de rimas, o orador e o falador secante, o guerreiro e o poltrão, o homem de Estado e o caturra político, o progressista e o rotineiro, o activo e o indolente, o talentoso e o parvo. Ainda nas fraldas infantis, nos braços da mãe ou da ama-de-leite, já os instintos destruidores do arboricida se revelam contra toda a planta que se assemelhe a árvore. "(…) Decorrido o tempo, o menino tornou-se réu de diversos crimes desta espécie durante as férias das suas tarefas escolares. Por vezes arrepelou as plantas dos canteiros do quintal paterno, atribuindo o estrago ao sujo esgravatar dos gatos.

Noutras vezes, encaminhou a mão do irmãozinho para que este faça diante de tidos o que ele próprio receia fazer. Mas, o que sobretudo o atrai é a pequena árvore pública por que roça ao ir para a escola, pois que a vê frágil, apoiada por uma cana, tão maneira, tão sedutora! Daria o mais predilecto dos seus brinquedos para medir a sua força com a resistência que a estaca oferece. Porém, o medo impede-o de tentar. Dizem-lhe na escola que irá para a cadeia onde dão açoites aos meninos que ousem fazer aquilo que ele tanto deseja. E, todavia, o pequeno facínora, que já teme a penalidade e só perante ela recua, apenas orça pelos dez anos! …

Atormentado pela fatal arboricida mania, mas satisfazendo-a sempre que pode, passou o agora adulto arboricida, anos e anos. Inúmeros têm sido os seus malefícios, tantos e tais quantos os que lhe tornou fácil a sua impunidade. Fez-se cínico. Não oculta já, por vezes até exagera, a má paixão que o domina. Desenraíza, abate ou mutila por toda a parte, conforme o capricho do momento. Transformou a bengala em arma ofensiva que, na sua mão, se transformou em instrumento destruidor. Se passeia num jardim, não se pode suster sem decepar alguma vergôntea ou ramo inofensivo: degola sem piedade a flor que se alteia. E, com tão criminosa existência, atingiu os vinte anos sem rugas, sem cabelos brancos e sem remorsos! …

O hábito do crime endurece mais e mais este tiranete sui generis. A impunidade reduplicou-lhe a ousadia. Abalar pequenas árvores que orlam as praças e caminhos, quebrar-lhes as vergônteas, matá-las impiedosamente, são passatempos de insípida vulgaridade. Como os Átilas, os Napoleões e outros tiranos, sonha com campos juncados de mortos: as selvas devastadas e os campos espezinhados deliciam-lhe o pensamento. Quando viaja, se alguma vez, com gesto desdenhoso procura a árvore copada para sob ela conciliar o sono à sua sombra, que sonho pensais que o faz sorrir e arquejar suavemente? … O de imaginar que o seu viçoso dossel foi presa das chamas ou que os seus ramos são desfeitos contra as rochas pelo desbastador do mato, ou que, por acção do carvoeiro, viu transformar-se em carvão o que antes fora planta com vida.

Para o arboricida, é terrível acordar vendo incólume a árvore habitante do belo vale. Então, o raivoso tirano evoca as tradições de Nero e diz, parodiando o que aquela fera sanguinolenta terá dito ao ver a cidade de Roma que ardia:
Se eu pudesse reunir num só tronco todos estes parasitas que a terra alimenta, pediria a Deus que me desse um braço bastante forte para os aniquilar de uma vez.

Inspiraram-me estas ideias que acabo de expor, um passeio pela estrada de Campo Maior a Elvas. Havia há pouco tempo, junto ao hortejo dos herdeiros de Vaz Touro, uma superfície de uns cinquenta centiares de terra, coberta toda de choupos, plantados pelo condutor Caldeira quando fez a estrada. Em terra tão pobre de arvoredo como é Campo Maior, a vista pousava deliciosamente naquele pequeno oásis. O que julga o leitor que fui encontrar? … Vi uma hecatombe lastimosa: vi quase todas as árvores abatidas … provavelmente para restituir o mesquinho terreno à cultura de aveia ou cevada! Os cadáveres lá estavam ainda, mutilados e em montão, quase escondidos a um canto do lugar do suplício. Considerei-os por alguns instantes com dor de alma. Via ali a obra de um tugue* de nova espécie. Quem é? Como se chama? Não sei. Que importa o nome do arboricida, se o seu malefício é já irreparável!”

* No seu blogue, Francisco Galego esclarece que "tugue" tem origem na palavra inglesa thug, a qual designa os elementos de uma extinta associação religiosa indiana de estranguladores.

In Blogue Sombra Verde
http://sombra-verde.blogspot.com/2008/08/o-culto-arboricida.html


sexta-feira, setembro 19, 2008

Para mais tarde recordar: O Estádio-Escola

Esta infra-estrutura, concebida com a ambição megalómana de potenciar os grandes eventos desportivos de natureza futebolistica, num contexto sócio-histórico em que todos os clubes da região ocupavam campeonatos de nível secundário, terciário e distrital e em que o número de adeptos que assistem aos jogos destas equipas, na maior parte das vezes, não chega a um milhar de pessoas, vai servir no ano de 2008-2009 para salas de aula do ensino básico.

São cerca de 130 alunos, divididos por seis salas, que vão ter um ano escolar "diferente" com o funcionamento das suas aulas no 1º andar da bancada nascente do Estádio Algarve.

Segundo o presidente da Autarquia Louletana, Seruca Emídio, "trata-se uma situação provisória, que se irá prolongar até ao final do ano mas que está a ser bem acolhida e a motivar os alunos que agora podem dizer que têm aulas no Estádio".

Não sei se ria, não sei se chore...

Ps: O reforço a bold é de minha autoria.

quinta-feira, setembro 18, 2008

Do socialismo de rosto pragmático

As Novas Fronteiras não foram uma táctica eleitoral...



José Sócrates, provavelmente cansado das acusações de autoritarismo e de grande promotor da "claustrofobia democrática", recuperou o "debate" interno no interior do partido que se diz socialista e procura também o apoio dos "independentes" numa clara demonstração de "indole democrática" e de abertura do partido à sociedade. As eleições aproximam-se. É preciso abrir Novas Fronteiras e diminuir as fronteiras do agravamento das desigualdades sociais, presumo eu.

Vai daí e juntou as tropas nas suas diversas facções do interior do partido, para ilustrar a pluralidade de ideias e causas que abundam no mesmo. A Fundação Res Pública junta assim a «esquerda democrática, o trabalhismo e a democracia liberal», «a esquerda moderna, o socialismo e a social-democracia» e o «centro-esquerda», representados por Augusto Santos Silva, António Vitorino e José Sócrates. Num exercício tão doloroso quanto estenuante para descobrir as diferenças destas três facções do partido só descobri semelhanças. Crença no neoliberalismo económico, actualmente em riscos de falência como ideologia hegemónica à escala global, excesso de pragmatismo, elevada dose de tecnocracia e adesão incondicional à ideologia do fim das ideologias. De uma verdadeira cultura de debate democrático só uns ligeiros restos de ADN. Imagino que Manuel Alegre e Helena Roseta ficarão para aí situados à esquerda da extrema esquerda.

Na abertura do Forum Da Grande Discussão Democrática, Sócrates, fez questão de mostrar ao que vinha e as suas nobres afirmações democráticas logo indiciaram o que toda a gente já sabia. Disse o grande Líder da Nação: "Quem acha que pode fazer política de forma negativa, apenas dizendo mal e entregando-se à maledicência, verdadeiramente não está com vontade de servir a política, nem de servir o seu País".
Ora aqui está a essência do verdadeiro democrata. Sem maledicência, que é assim que se deve estar na política. Desde que todos concordem com as ideias do Grande Líder, claro está.

Em dia próximo a este grande acontecimento para a nação do socialismo de rosto pragmático, saiu a lei que regula os despedimentos na função pública. Um dos muitos motivos que pode levar ao despedimento de um funcionário é a "prática de actos ofensivos das instituições e a princípios constitucionais". Alguém me pode dizer onde começam os actos ofensivos das instituições e se a crítica política entrará neste mundo? Esta frágil e perigosa fronteira para a democracia terá sido alvo de discussão nas Velhas Novas Fronteiras? Se algum dia um funcionário público lhe ocorrer dizer que os sistemas de Saúde ou de Justiça, só para dar um exemplo, são socialmente injustos, ou por acaso, algum professor do secundário voltar a gritar que "está na hora, está na hora, da ministra ir embora" isso caberá no domínio das ofensas e da maledicência que o poderão levar ao despedimento? Era importante que isto fosse esclarecido...

quarta-feira, setembro 17, 2008

Revisitando a História: Em 1929 foi assim

Crise em Wall Street - 1929



Decorria o ano de 1929 em Nova York, correu o boato que os bancos estavam a entrar em falência e a população precipitou-se a levantar o seu dinheiro do banco. Aconteceu aquilo que o sociólogo Raymond Boudon designa de efeitos de agregação ou efeitos de composição. Neste caso um efeito perverso. Não eram realmente os bancos que estavam em regime de falência.

Foi o levantamento massivo de dinheiro por parte dos clientes que deixou os bancos sem condições de responder à crise financeira. A reacção aparentemente racional da parte da população na resposta ao boato foi o que efectivamente fez levar os bancos à falência. Dai a importância de impedir que o "pânico" se instale nos mercados. Na sequência da crise de 1929, grassou a fome, o desemprego e a sopa dos pobres.

Em 1933, estávamos em pleno coração da Europa, com a vitória dos regimes fascistas e outros totalitarismos. Em 1939 rebentava a Segunda Guerra Mundial. O sistema capitalista passava por uma das suas maiores crises à escala global.

terça-feira, setembro 16, 2008

David contra Golias: Quando a dominação hegemónica perde a legitimidade

Quando houver novo governo nos EUA a linguagem voltará ao "normal"...



Segundo Luís Amado, Ministro dos Negógios Estrangeiros de Portugal, nada de novo a leste do paraíso pois estamos perante uma "(...) figura com algum exotismo na expressão da sua linguagem..."

Momento alto na História das Relações Internacionais.

segunda-feira, setembro 15, 2008

De c'roa virginal a fronte ornada

Loulé, Setembro de 2008

Parque Municipal



SONETO DO FALSO MILAGRE

De c'roa virginal a fronte ornada,
Em lúgubres mortalhas envolvida
A beata fatal jaz estendida,
De assistentes contritos rodeada:

Um se tem por já salvo em ter chegada
Ao lindo pé a boca comovida
Outro protesta reformar a vida:
Porém ela respira, e está corada!

Que é santa, e que morreu, com juramentos
Afirma audaz o façanhudo frade
E que prodígios são seus movimentos

O devoto auditório se persuade:
Renovam-se os protestos e os lamentos:
Triste religião! Pobre cidade!

Poesia Erótica de:

Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765-1805)

domingo, setembro 14, 2008

sábado, setembro 13, 2008

Da hierarquia das profissões

Profissões socialmente invisíveis

O seu reconhecimento social é inversamente proporcional à sua importância e utilidade social.

Album de Recordações

Agora que se foi o Estádio...

Nenhum foi estrela de topo mas todos foram produto de uma excelente educação desportiva.


Em cima: Paulo Reis, Xabregas, Campos, Pinto, José Carlos, Valdir, Carlos, Miguel (big foot), Manuel.

Em baixo: Paulo Sebastião, João Carlos, Alex, João Eduardo, Peiroteo, Rui, João Nuno.

Treinador: Vitor Massagista: Sr. Santos.

Ao Domingo jogavamos no São Luís e durante a semana treinavamos no célebre campo da Horta da Areia. Uma vez por semana havia treino na relva. Um luxo no Algarve da altura. Já lá vão vinte e dois anos.

No futebol fiz grandes amizades, no futebol aprendi a ganhar e a perder, no futebol aprendi a trabalhar em grupo, no futebol aprendi a nunca chegar atrasado a nenhum encontro profissional, no futebol desenvolvi a criatividade, no futebol desenvolvi... etc, etc,etc. O futebol, ou qualquer outro desporto colectivo, pode ser um espaço de educação não formal de excelência para o desenvolvimento pessoal e social de um ser humano.

O que o futebol jovem nunca deverá ser é um espaço de criação de falsas expectativas e de produção de frustrações.

A probabilidade de fabricar uma estrela de topo no contexto do futebol Algarvio é um pouco maior que a probabilidade de sair o totoloto a um cidadão português.

E são precisas quantas frustrações?

Ps: Os pais, os técnicos desportivos e os directores dos clubes devem ter um papel primordial na gestão do excesso de expectativas que os miúdos vão criando porque senão a escola vai ficando para trás e as consequências irão aparecer certamente no final da juventude. O desemprego juvenil é enorme actualmente e menor escolaridade significa trajectórias de inserção sócio-profissional mais difíceis e trabalho menos qualificado.

Crescer com o desporto é pois fundamental, criar fábricas de estrelas é certamente aquilo que interessa a quem quer lucrar com as transferências futuras da indústria da bola. E você, quer que o seu filho seja uma estrela?

sexta-feira, setembro 12, 2008

Para mais tarde recordar

Vendido por 14 milhões de euros

O Estádio de São Luís foi mandado construir em 1922 por Manuel Santo (um emigrante regressado dos Estados Unidos) que, levado pelo entusiasmo grande da época, e face à falta de um recinto desportivo digno da cidade de Faro naquela altura, adquiriu um terreno no "espaldão", perto da Igreja de S. Luís, com uma superfície de cerca de 12750 m², para aí edificar o "Santo Stadium" (primeiro nome dado ao estádio, por ser Manuel Santo o seu proprietário).
Os planos da época tinham previstas todas as comodidades possíveis para o público e, além de bancadas, contemplavam paralelamente a construção de camarotes, além de preverem e tomarem medidas para a prática de vários desportos. O estádio previsto foi dos primeiros em Portugal a ser construído com características específicas para o fim em vista.
O "Santo Stadium" abriria as suas portas pela primeira vez ao público em Maio/Junho de 1923, e segundo notícia publicada em 21 de Setembro de 1924, o
Sporting Clube Farense decide em Assembleia Geral, contratar com o proprietário do "Santo Stadium" o arrendamento do campo, para onde seriam transferidos os jogos do clube.
A partir de 1930 passa a designar-se de "Campo de São Luís", em detrimento da antiga designação.
A 25 de Novembro de 1942, o estádio é adquirido por Eusébio Tomás Lopes e quinze anos mais tarde, em 14 de Dezembro de 1957, é lavrada escritura que transfere o estádio para a autarquia municipal, por permuta com outros terrenos.
A
Câmara Municipal de Faro mudou então o nome para "Estádio Municipal de São Luís", unicamente devido à sua posição geográfica.
Em 1960 são inaugurados os balneários novos e electricidade, e em 1971 foi inaugurado o relvado.
Em 1986, a
1 de Abril, a Câmara Municipal de Faro cede ao SC Farense o estádio de São Luís, no dia em que o clube completa 76 anos.
Em 1990 recebeu obras de ampliação e melhoramentos tendo em vista a recepção do
Campeonato Mundial de Juniores de 1991, realizado em Portugal.
Em 1997 foi demolido o peão e construída a "Bancada Nova".

Fonte: Wikipédia

Que maravilha que foi ver jogar o S. C. Farense quando jogava Paco Fortes. Alguém se lembra?

quarta-feira, setembro 10, 2008

O dia em que a realidade ultrapassou a ficção: 11 de Setembro de 2001

Um abalo global



Na sequência de transformações políticas, económicas, sociais e culturais à escala planetária, de que a queda do Muro de Berlim e o fim do Comunismo são fenómenos de primordial importância, o 11 de Setembro de 2001 veio ajudar à fabricação social de um novo inimigo sem rosto. O Império Americano passava a ter como "inimigo" principal uma abstracção virtual, a "guerra ao terror".

Bush usou o 11 de Setembro para legitimar uma frágil vitória eleitoral que só viria a acontecer verdadeiramente por decisão judicial.

A seguir veio o ataque ao Afeganistão em nome da "guerra ao terror" e mais tarde viria a introdução do conceito de "guerra preventiva". Seguiu-se o Iraque, guerra de que Portugal foi ilustre hospedeiro, na Cimeira dos Açores, através do Governo de José Manuel Durão Barroso, hoje presidente da Comissão Europeia. Assistimos na construção da decisão de atacar o Iraque à mentira do século, com imagens que hoje se sabem fabricadas, mostradas nas televisões de todo o mundo e legitimadas pela credibilidade de Collin Powell.

O Iraque foi o que se sabe; e todos sabemos como começa uma guerra, mas nenhum de nós sabe como ela acaba. A fabricação da mentira resultou em largos milhares de vítimas, entre elas, inúmeros "danos colaterais", o mesmo é dizer, milhares de inocentes que ficaram sem vida, sem família, sem filhos, sem tudo e mais alguma coisa.

As teorias da conspiração instalaram-se por todo o lado e o que verdadeiramente sucedeu talvez ninguém venha a saber. O mundo à escala global, esse, ficou, sem dúvida alguma, mais perigoso.

Entretanto, para Portugal, nem tudo foi mau, porque Durão Barroso foi para presidente da Comissão Europeia. Isto disse o próprio. Isto é a Real Politick.


Neste dia estava em Faro, na Escola de Hotelaria e uma colega de trabalho recebeu uma mensagem de telemóvel que dizia assim: "Começou a Terceira Guerra Mundial".

terça-feira, setembro 09, 2008

Da mercadorização da vida Humana


Saúde: do serviço ao negócio

Publicado na Visão em 28 de Agosto de 2008
Boaventura Sousa Santos

"O modo como está a ocorrer a transformação da saúde, de serviço público em negócio lucrativo, é escandaloso, inconstitucional e certamente violador do direito dos cidadãos à saúde. O que se passa é caso único nos países de desenvolvimento comparável ao nosso. Alguns exemplos bastarão para dar conta da gravidade da situação. Recentemente a Ministra da Saúde convocou todos os directores de serviços públicos de procriação assistida, no sentido de lhes criar as condições financeiras e humanas para aumentar significativamente a oferta pública destes serviços. Todos, excepto um, recusaram a oferta, sob vários pretextos e por uma só razão: todos eles dirigem serviços privados de procriação assistida e não queriam que os serviços públicos lhes fizessem concorrência. Outro exemplo, ainda mais perturbador. Um determinado hospital público decidiu aumentar a oferta de serviços especializados para corresponder às solicitações crescentes dos cidadãos. Pois viu esta decisão contestada nos tribunais pelo sector empresarial hospitalar com o fundamento de que, ao expandir os serviços públicos, se estavam a pôr em causa as legítimas expectativas do sector privado quanto à sua expansão e lucratividade. Apesar de um tal propósito bradar aos céus, há juristas de renome dispostos a dar pareceres eloquentes a favor dos queixosos e só nos resta esperar que os nossos tribunais façam uma ponderação de interesses à luz do que determina a Constituição e decidam correctamente. Terceiro exemplo. Contra o parecer da Ministra da Saúde, o Ministro das Finanças autorizou um acordo entre um hospital privado, pertencente ao Grupo Espírito Santo, e a ADSE, com o objectivo de, com o novo fluxo de doentes, viabilizar um hospital em dificuldades. O dinheiro gasto nesse acordo não poderia ter sido aplicado, mais eficazmente, na expansão dos serviços públicos? A ironia da história é que, pouco tempo depois, os jornais anunciavam em primeira página que os utentes da ADSE estavam a ser preteridos no referido hospital por a ADSE pagar pior. Estes três exemplos são ilustrativos do ataque cerrado que está a ser sujeito o SNS e do poder político que o sector privado já adquiriu entre nós. A actividade empresarial no domínio da saúde é uma actividade legítima, mas deixará de o ser se interferir com o direito à saúde gratuita constitucionalmente consagrada. Imagina-se que a Polícia Judiciária pudesse ser accionada em tribunal por, ao desenvolver os seus serviços de investigação, estar a violar as legítimas expectativas dos detectives particulares. A destruição do SNS esteve até agora a cargo dos governos do PSD e do Ministro Correia de Campos. Perante o levantamento dos cidadãos, o governo procurou mudar de curso e a actual ministra parece ser uma honesta defensora do SNS. Terá poder? Os sinais não são animadores porque as medidas a tomar são drásticas. Primeiro, os directores de serviços hospitalares devem estar em regime de exclusividade, não só pelo tempo que devem dedicar ao serviço, mas para evitar conflitos de interesses. Até agora, sempre que o Governo tentou, deixou-se atemorizar pelo medo de perder os melhores. Não há que ter esse medo, já que dispomos de muitos profissionais competentes e dedicados. É preciso acabar com a figura do director de serviços que não dirige o serviço e é apenas o chefe dos médicos. Segundo, é urgente repor e valorizar as carreiras médicas para não criar incertezas desmoralizadoras. Terceiro, leva dez anos a formar um médico num sistema público: não faz sentido que, ao fim desses anos, o sistema privado se aproprie de todo esse investimento e o transforme em lucro. Os médicos deveriam ser obrigados a ficar no serviço público por um período razoável. Quarto, devem aprofundar-se as formas de contratualização nos serviços públicos – desde que não passem pelas parasitárias empresas de fornecedores de médicos (onde desaparece a responsabilidade pelo acto médico) – para permitir a redução das listas de espera, como aconteceu recentemente em oftalmologia. Quinto, não há nenhuma razão para que uma lâmpada num sistema de imagiologia leve mais tempo a substituir no sistema público que no sistema privado. Se, num dado momento, o SNS não tiver condições para garantir a saúde de todos os cidadãos, pode comprar serviços médicos aos serviços privados, mas, no espírito da Constituição, isso só pode ocorrer se não puder expandir os seus próprios serviços públicos. Os casos atrás mencionados mostram que pode e quer. Ainda vamos a tempo?"

segunda-feira, setembro 08, 2008

Nem Sinais de Negro: Nem Vestígios de Ódio...

A vida não tem cor...



Lágrima de Preta

Encontrei uma preta
que estava a chorar
pedi-lhe uma lágrima
para a analisar

Recolhi a lágrima
com todo o cuidado
num tubo de ensaio
bem esterilizado

Olhei-a de um lado
do outro e de frente
tinha um ar de gota
muito transparente

Mandei vir os ácidos
as bases e os sais
as drogas usadas
em casos que tais

Ensaiei a frio
experimentei ao lume
de todas as vezes
deu-me o qu'é costume

Nem sinais de negro
nem vestígios de ódio
água (quase tudo)
e cloreto de sódio

Poema de António Gedeão

domingo, setembro 07, 2008

Memória Ambiental da Cidade: Para mais tarde recordar...

Loulé, 30 De Agosto de 2008

Avenida José da Costa Mealha

Protegê-las, agasalhá-las; tratá-las como seres vivos que são...

As Árvores

Eu espero, sim, que essas árvores cresçam. Adormeço com elas todas as noites, embalado pela sua sombra. Lembro-as de memória, sobre a relva verde. Lembro as suas folhas, caindo de noite. Mesmo as que ainda não vi, eu espero que cresçam, que me esperem, que me abriguem nesse dia em que mais precisarei delas, ouvindo o ruído do mar não muito longe. Tenho, a cada minuto, saudades dessas árvores.

Francisco José Viegas

O Homem que Mordeu o Cão

Reproduzo hoje um post do Daniel Oliveira do Blogue Arrastão de supremo interesse para jornalistas, políticos e para todos os cidadãos em geral. Deixo também a sugestão de leitura do livrinho de Karl Popper que considero muito actual. Pedia alguma paciência para lerem o post do Daniel Oliveira até ao fim devido à sua extensão. Garanto que vale a pena. Boa leitura.

Televisão: Um Perigo para a Democracia...um livro a não perder

Sugestão de leitura: Televisão: Um Perigo Para a Democracia

Sobre a comunicação social nas democracias modernas: À atenção dos senhores jornalistas...

Post de Daniel Oliveira:

"A criminalidade violenta aumentou em relação ao primeiro semestre do ano passado. Mas o ano passado foi o melhor dos últimos seis anos. Ou seja, olhando para a frieza dos números, nem o aumento em relação ao ano passado, nem a comparação com os restantes anos explica esta onda mediática. Ela é explicada por o que aconteceu na Quinta da Fonte, no BES e no assalto à carrinha da Prosegur. E, já agora, pelo facto deste ano não ter havido incêndios.
Nada disto reduz a gravidade dos crimes cometidos. Apesar de, como podem ver no vídeo, terem chegado aos telejornais notícias que em momentos normais nem às páginas de crime de um jornal sensacionalista chegariam. É um dado importante para perceber a forma como comunicação social se comporta em momentos de alarme social.

O debate sobre a comunicação social, os jornalistas e as manipulações acabam invariavelmente em teorias da conspiração. E acabam mal. Imaginam-se empresários a dar ordens, políticos a decidir alinhamentos, tenebrosos grupos a mexer os cordelinhos para calar uma notícia e fazer sair outra. Não negando que há interferências externas ilegítimas, grande parte do que se passa com a comunicação social de hoje resulta de uma dinâmica própria, no quadro da ética deste século: a ética do entretenimento, em que a televisão é a rainha.
Na era da televisão, falar de jornalismo ficando pela imprensa ou pondo a imprensa no centro do debate seria um absoluto disparate. A imprensa pode dar o conteúdo, pode até lançar cada tema, mas é a televisão que marca o ritmo e o ar de cada tempo. E esta é uma das principais características do jornalismo que hoje temos: é marcado pela televisão.

O jornalismo televisivo vive, antes de mais, segundo as regras da televisão e só depois segundo as regras do jornalismo. Tem o ritmo frenético da televisão e aproxima-se o mais que pode da ficção das telenovelas. Precisa de criar narrativas próprias. E, como as telenovelas, para ter mercado cria mercado. Cria necessidade e ansiedade. E quando submerge o país na sua própria narrativa, dá as pessoas mais do mesmo até esgotar o filão. Depois, o consumo será, como é quase sempre, compulsivo: se as pessoas estão com medo, dá-se-lhes pânico (é o que se fez com a criminalidade), se as pessoas estão animadas dá-se-lhe euforia (foi o que se fez com o Euro 2004 ou Expo), se as pessoas estão desanimadas dá-se-lhe a depressão (foi o que se começou por fazer com os Jogos Olímpicos). E assim cria uma sociedade maníaco-depressiva, que salta da euforia para o desânimo absoluto.
Dois bons exemplos são recentes: o da insegurança e o das medalhas nos Jogos Olímpicos.
Cada onda mediática começa com um pequeno ou grande facto que, por alguma razão, afecta as pessoas. Foi o caso da Quinta da Fonte (que envolvia ciganos, ciganos com plasmas, a desordem e o caos e imagens próximas do que conhecemos de filmes de acção). A essa história juntou-se o assalto ao BES (com imigrantes, insegurança e outro enredo aproximado ao da ficção televisiva). Tínhamos duas histórias excelentes para que a onda ganhasse grandes proporções. O assalto à carrinha da Prosegur já só serviu para manter a onda para lá do que seria normal (...)

Mas a televisão tem uma capacidade impossível de contrariar: transformar a excepção em regra, o receio em medo, a indignação em histeria. É a repetição de dezenas de casos de assaltos (e dezenas de assaltos acontecem no pais há anos, todos os dias), que cria esta realidade.
O caso dos Jogos Olímpicos é também interessante. E atípico, pelo seu desfecho. Os maus resultados e as primeiras declarações desastradas dos atletas tinham tudo para resultar: a metáfora de um país falhado, preguiçoso (quer é dormir de manhã e diz que a culpa foi dos outros). É assim que o país, em plena crise económica e de confiança, se sente. A história era por isso boa e os jornalistas pegaram. E foi só continuar o enredo. Insistir com os atletas inexperientes na relação com os media e esperar que se espalhassem ao comprido. E depois procurar reacções aos seus disparates. A do Presidente do Comité Olímpico e a de Vanessa Fernandes foram as mais conseguidas para ajudar a continuar a narrativa.
Só que no fim, neste caso, as coisas mudaram sem que disso se estivesse à espera. As medalhas vieram e até foi a melhor participação de sempre nos Jogos Olímpicos. Os actores ficaram sem personagens. E de repente o presidente do COP já não ia embora. E de repente o editor de desporto da SIC descrevia Vanessa Fernandes, que antes tivera o papel de competente e corajosa por criticar a má conduta dos seus colegas, como alguém que era imponderada e pouco solidária. Os jornalistas montaram o guião, Vanessa Fernandes aceitou o seu papel e depois eram os próprios jornalistas a atira-la borda fora e a dar-lhe uma outra personagem, bem menos simpática. Avaliação do que eles próprios fizeram? Nenhuma.

Os jornalistas não são profissionais autónomos. Cada vez mais proletarizados, não criam um discurso próprio. Apenas repetem discurso já legitimado. Têm de ser objectivos. Mas, na realidade, apenas existem métodos de trabalho rigorosos. A objectividade é uma ficção. É, na realidade, a normalização do discurso dominante. E esta assunção do discurso dominante acaba em auto-censura. Sem autonomia, o jornalista pode ser mais facilmente tendencioso para se aproximar desse discurso do que para se aproximar da sua própria posição.
Recentemente, com o crescente peso da opinião nos jornais (e até na televisão), os colunistas transformaram-se num dos principais instrumentos de legitimação do discurso que os jornalistas adoptam. A maioria dos colunistas limita-se a repetir o discurso hegemónico, transformando-o em senso comum. Eles são a opinião pública. Fora disso teremos, quanto muito, opiniões privadas.

No caso da insegurança, foram os colunistas que, transformando ideologia em senso comum, fizeram a agenda. A propósito da Quinta da Fonte, os temas escolhidos foram os apoios sociais e a falta de autoridade do Estado. Podia ter sido os bairros de realojamento. Não foi, porque quem domina os espaços de opinião tem um posicionamento ideológico. E rapidamente os jornalistas adoptaram este ponto de vista nos trabalhos que foram fazendo. No caso das medalhas foi o país que não trabalha, que é pouco exigente, que vive na balda. Podia ter sido a falta de apoio aos desportos com menos praticantes.
Porque usa o senso comum, o jornalista apenas confirma o consenso. Fora do consenso, estará no campo da sua opinião pessoal, do jornalismo com causas, tendencioso, pouco objectivo.

Geralmente, pensa-se que quem ganha com cada onda mediática é responsável por essa onda mediática. E assim nascem rebuscadas teorias da conspiração. Geralmente é bem mais simples: quem tem a ganhar com um ambiente de histeria aproveita o momento em que o debate é impossível. Foi assim nos EUA depois do 11 de Setembro, é assim em Portugal em vários momentos. Ninguém acredita que as empresas de segurança privada, a Associação Sindical de Juízes, com todos os seus aliados contra as alterações ao Código do Processo Penal, ou o CDS têm força para criar uma onda destas dimensões. Apenas surfaram nela.
O momento é propício porque nele estão anuladas as condição para um debate em que a contra-corrente tenha espaço: existe o que existe na televisão e não há números ou argumentos que destruam o que aparece na televisão. A cor e o som da realidade televisiva são muito mais fortes do que a cor e o som da realidade. Quem disser qualquer coisa de diferente, mesmo que seja a mais básica das evidências, é esmagado. E neste ambiente de histeria todos os interesses aproveitam para ganhar a sua parte.

O ambiente de histeria e a sua utilização por quem tenha a ganhar alguma coisa com ele é especialmente grave quando sabemos que os jornalistas têm hoje poucas ou nenhumas condições de investigação. Aliás, a sua falta de autonomia para definir o seu próprio discurso também resulta disto mesmo: da proletarização das formas de produção nas empresas de comunicação. São cada vez mais os jornalistas sem vínculo, cada jornalista produz várias peças por dia, enchendo chouriços sem tempo para fazer um trabalho rigoroso. É a rapidez na produção e o tom apelativo dos trabalhos, mais do que a qualidade e do que o rigor, que são valorizados.
É nestas circunstâncias, em que os jornalistas estão vulneráveis a todo o tipo de manipulações e em que a histeria e o puro entretenimento se instalam no lugar da informação rigorosa, que os poderes públicos são obrigados a reagir às ansiedades dos cidadãos.

Na última onda mediática (outros existiram e outras existirão), o Procurador e os juízes tentaram conseguir alguns ganhos para a sua imagem e alguns recuos nas alterações à lei e Cavaco tentou fazer o papel que reservamos para o Chefe de Estado (a voz do consenso nacional). Mas mais graves foram as reacções do governo e das policias. Elas são um excelente exemplo dos perigos que vivemos na era do jornalismo do entretenimento. O ritmo é de tal forma alucinante, a opinião pública é de tal forma volátil e as ondas mediáticas são de tal forma esmagadoras que as reacções dos poderes públicos só podem ser irresponsáveis.
Na melhor das hipóteses essa reacção tenta apenas agir na aparência das coisas, sem grandes consequências a longo prazo. É o caso da acção policial na Quinta do Mocho, Quinta da Fonte e Bairro da Arroja. Apesar de nada terem a ver com os crimes que estão a ser noticiados, os poderes públicos, reagindo às notícias, reservaram para os moradores daqueles bairros um papel: são os outros, são o perigo, são os suspeitos do costume. Não espanta, por isso, que no meio da histeria ninguém se indigne com o facto de bairros inteiros serem transformados em palco de uma exibição de força que tem como única função, como a própria porta-voz da PSP confessa, aparecer na televisão.

Noutros casos tomam-se decisões de fôlego. Foi o que o governo fez nas mudanças às regras da prisão preventiva. E é o que se faz imensas vezes: muda-se a lei, mudam-se politicas, de forma anárquica e incoerente, para responder à pressão mediática de cada momento.
A verdade é que nas sociedades democráticas os tribunais, os políticos ou as policias não podem ser insensíveis à pressão mediática. Mas o ritmo televisivo e as mudanças de humor que a pressão mediática cria são incompatíveis com a racionalidade a que estão obrigados. Ou se cria uma realidade paralela que apenas actua na aparência ou, mais grave, destruímos todas as bases de um sistema institucional democrático, que exige ponderação e coerência.

Concluindo este post enorme: o jornalismo do espectáculo, que acompanha o ritmo da televisão e tende a ser obsessivo, que não tem autonomia e que está vulnerável a todo o tipo de manipulações, é um dos fenómenos mais perigosos das democracias modernas. As nossas sociedades estão dependentes de jornalistas frágeis perante as fontes e perante a construção de discursos hegemónicos, sem capacidade de investigar e presos à lógica do entretenimento. Tendo um poder imenso, os jornalistas não têm, na realidade, poder nenhum. Manipulam consciências, sem terem poder sobre a agenda que impõem. São, por isso mesmo, manipuladores manipulados."

in http://arrastao.org/

Post copiado do Blogue Arrastão de Daniel Oliveira.

PS: Escusado será de dizer que concordo na totalidade com o autor do post. Alguns dos sublinhados a bold são de minha responsabilidade.

sexta-feira, setembro 05, 2008

Da Paranóia Securitária

1. Um espectro paira sobre a nação: o espectro do securitarismo. Presidente da República e Procurador Geral, políticos de esquerda e direita, do centro e de lugar nenhum; jornalistas de "sargeta" e de "rigor", jornais, rádios e televisões; professores e administradores de bomba de gasolina, mulheres e homens de Portugal, jovens e idosos, "etnias" de todas as cores, todos sem excepção, estão de acordo sobre o seu senso comum eivado de bom senso. Existe uma "onda" de insegurança que alastra Portugal.

2. Uma "onda" ou uma "vaga", supõe-se que rebenta e se desfaz para não mais voltar. Voltará outra "vaga" ou outra "onda" sobre outras formas ondulares. Assim o queiram os media, peritos na criação de vagas e em ampliação de "ondas". Foi assim com o "arrastão", que afinal não o foi. Foi assim com a "vaga" de incêndios que varreram Portugal e que felizmente já se foram (?). Foi assim com a "onda" de violência nas escolas que felizmente hoje está em maré tranquila, eu diria mesmo que já não existe. Foi assim com a onda gigante que ia devorar as terras algarvias e que afinal não passou de um efeito de ilusão de óptica.

3. Já decidi! Não compro mais o Correio da Manhã e o jornal O Crime. Desde o início deste verão que só vejo a TVI. Depois passei também a ver a SIC e depois a RTP1 e é o que basta para andar assustado. De repente, mediaticamente, o crime ganhou foro de distinção. Vende bem, assusta as populações, faz mexer os políticos e até as leis são feitas por resposta imediata, qual reflexo pavloviano, à mediatização da coisa mediatizada. Nada como o bom senso político para reproduzir o senso comum mediático. De nada serve dizer que a criminalidade violenta aumentou em relação ao primeiro semestre do ano passado mas que o ano passado foi o melhor dos últimos seis anos. Não vale, não vale de nada, as categorias de percepção das mentes assustadas e das mentes que pretendem vender sustos só ouvem aquilo que o seu cérebro lhes permite ouvir. As estatísticas, dizem logo, valem o que valem, e o que verdadeiramente conta são os tiros que a TVI mostra à hora do jantar, de preferência certeiros na cabeça dos ladrões, que é isso que agrada os espectadores "inseguros".

4. Pois eu estou preocupado com outro tipo de inseguranças. E essas não passam muito nos telejornais, nem sequer no jornal do parlamento; e paradoxalmente até podem nem dar muitos votos hoje em dia. Estou preocupado com a insegurança no emprego. Tenho medo dos despedimentos em massa feitos arbitrariamente pelas multinacionais. Estou preocupado com o desemprego estrutural sem solução à vista, com a precarização do trabalho em forma massificada , com a manutenção de velhas formas de pobreza e a invenção social de novas formas de pobreza. Estou preocupado, deixa-me inquieto, inseguro diria mesmo, com o facto de sermos o segundo país com mais desigualdade na Europa. Isto deixa-me cada vez mais inseguro. Quem sabe um dia vem aí uma "onda" de insegurança em relação à geral precarização do trabalho e ao medo que crescentemente se vive hoje em dia no interior das empresas e organizações. Assim os media o queiram.

5. Tenho também medo desta paranóia securitária. Não vejo ninguém "inseguro" com a criação de um superpolícia na dependência de Sócrates, nem vejo ninguém "inseguro" com a "chipagem" da sociedade agora em forma de matrícula, um dia mais tarde em forma sabe-se lá de quê.
No fundo, no fundo, aquilo que me mete mais "medo" e me deixa verdadeiramente "inseguro" é tanta segurança à minha volta nos discursos de senso comum sobre a "insegurança". Isso é que verdadeiramente me deixa preocupado...

Bom fim de semana.

Da reciclagem arbórea...

Loulé, Agosto de 2008

Dos restos mortais das árvores da cidade...

Em qual das cores do ecoponto deve ser colocado o "lixo" arbóreo?

Junto ao papel e cartão, junto do vidro ou junto dos plásticos?

Agradece-se a resposta correcta.

Obrigado.
.

quinta-feira, setembro 04, 2008

O Armistício?

Do símbolo da paz...

Armistício é a ocasião na qual as partes de um conflito armado concordam com o fim definitivo das hostilidades. É o instante anterior ao tratado de paz. A palavra deriva do latim: arma (arma) e stitium (parar).
Um
cessar-fogo refere-se ao fim temporário de combates entre as partes geralmente em um período limitado de tempo em determinado território. Geralmente o cessar-fogo é necessário para a negociação de um armistício.
O armistício é um
modus vivendi, diferente de um acordo de paz, que pode levar meses ou anos para ser assinado. O armistício da Guerra da Coréia de 1953 é um exemplo cujo tratado de paz só foi assinado em 4 de outubro de 2007.
O
Conselho de Segurança das Nações Unidas geralmente tenta impor o cessar-fogo, sendo os armistícios negociados posteriomente entre as partes conflitantes, sem a imposição de termos pelas Nações Unidas.

in http://pt.wikipedia.org/wiki/Armist%C3%ADcio

quarta-feira, setembro 03, 2008

Recordar o Katrina agora que se foi o Gustav

Ha três anos foi assim...



Efeitos sócio-económicos do furacão Katrina

Quando o Furacão Katrina destruiu os diques de Nova Orleães, houve um sofrimento humano e danos físicos em larga escala. À medida que o nível das águas das inundações diminuía, colocava a descoberto as graves vulnerabilidades associadas aos elevados níveis de desigualdades sociais já existentes. Os danos causados pelas inundações sobrepuseram-se a uma cidade dividida, assim como as alterações climáticas se irão sobrepor a um mundo dividido. Dois anos após a tragédia, as desigualdades continuam a travar a recuperação. Situada na Costa do Golfo do México dos Estados Unidos, Nova Orleães está numa das zonas de furacões de alto risco do mundo. Em Agosto de 2005; as protecções contra inundações, que atenuavam este risco, foram destruídas, com consequências trágicas. O Furacão Katrina retirou cerca de 1500 vidas, deslocou 780000 pessoas, destruiu ou danificou 200000 casas, danificou as infra-estruturas da cidade e traumatizou a sua população. O furacão causou impacto nas vidas de algumas das pessoas mais pobres e vulneráveis da nação mais rica do planeta. As taxas de pobreza infantil, anteriores ao fenómeno Katrina, em Nova Orleães, constavam entre as mais altas nos Estados Unidos, com uma criança, em cada três, a viver abaixo do limite da pobreza. As provisões para a saúde eram limitadas, com cerca de 750 000 pessoas sem cobertura de seguro. O Furacão Katrina seleccionou incisivamente as suas vítimas nas áreas mais desvantajosas da cidade. Os distritos mais pobres sofreram as consequências. Os danos causados pelas inundações cruzavam-se com as profundas desigualdades raciais (taxas de pobreza entre pessoas de raça negra três vezes mais altas do que entre as de raça branca). Estima-se que 75 % da população residente em bairros inundados era de raça negra. Duas das mais pobres e vulneráveis comunidades da cidade, Lower Ninth Ward e Desire/Florida, foram totalmente devastadas pelo Katrina. As imagens do sofrimento humano em Nova Orleães foram transmitidas em todo o mundo, uma vez que a cidade se tornava no centro das atenções da imprensa internacional. Porém, à medida que as pessoas se preparavam para reconstruir as suas vidas, após a retirada das câmaras, as desigualdades existentes anteriores ao furacão surgiam como uma barreira à recuperação. O sector da saúde fornece um exemplo chocante. Muitas instalações de saúde do sistema de rede de segurança que recebiam os mais pobres ficaram danificadas pelo Furacão Katrina, com o Charity Hospital, que fornecia a maioria dos cuidados médicos a este sector – urgência, intermédio e geral – ainda encerrado. Enquanto se aplicava um programa de isenção da Medicaid, para proporcionar uma cobertura temporária a todas as pessoas evacuadas sem seguro, as suas regras de elegibilidade restringiam os títulos para famílias de baixo rendimento sem crianças, conduzindo a um substancial número de pedidos indeferidos. O Congresso e a Administração demoraram 6 meses para autorizar uma provisão de US$ 2 mil milhões para a Medicaid cobrir os custos de saúde não segurados. Uma pesquisa conduzida pela Kaiser Family Foundation, 6 meses após a tempestade, revelou que muitas pessoas não tinham capacidade para manter tratamentos já existentes ou aceder aos cuidados necessários para lidar com as suas novas condições. Em entrevistas domiciliárias, mais de 80% dos inquiridos identificaram a necessidade de mais provisões de saúde alargadas e melhoradas como um desafio vital para a cidade. Dois anos depois, o desafio mantém-se. Dos muitos factores que impedem a recuperação social e económica de Nova Orleães, o sistema de cuidados de saúde poderá constituir o mais importante. Apenas um dos sete hospitais gerais estão em estado de funcionamento normal; dois estão em funcionamento parcial e quatro permanecem encerrados. O número de camas de hospital, em Nova Orleães, sofreu uma quebra de dois terços. Existem, actualmente, menos 16 800 empregos do sector médico, menos 27%, em comparação com o período anterior à tempestade, em parte devido à escassa oferta de enfermeiros e outros profissionais de saúde. Há duas importantes lições a retirar do Furacão Katrina e que exercem uma influência significativa nas estratégias das alterações climáticas. A primeira é a de que os elevados níveis de pobreza, marginalização e desigualdade criam uma predisposição para que os riscos se convertam em vulnerabilidades em massa. O segundo é a de que as políticas públicas são importantes. As políticas que proporcionem direitos de saúde e provisões habitacionais podem facilitar uma recuperação rápida, enquanto que a falta de direitos poderão gerar o efeito contrário.

In RELATÓRIO DE DESENVOLVIMENTO HUMANO 2007/2008 p. 81

terça-feira, setembro 02, 2008

Da Miséria do Mundo e dos Contrastes Sociais

Loulé, 30 de Agosto de 2008

Sábado de Manhã


Nota: Clique em cima da imagem para uma melhor leitura.

Colocado na mesa do café enquanto lia Pedagogia do Oprimido de Paulo Freire. Ironias do destino... e das políticas económicas neoliberais...

No dia em que a noite se faz branca para alguns, para outros, é a escuridão diária em busca de uma luz ao fundo do túnel.

segunda-feira, setembro 01, 2008

Recordações de Férias: Recomenda-se...

Em Agosto: Vá para fora cá dentro...

... para uma cidade maravilhosa


Cidade dos Poetas



Lisboa Menina e Moça



Sem filas de espera, com uma oferta diversificada e com a tranquilidade necessária.