segunda-feira, outubro 31, 2011

Imagens do Protesto de 15 de Outubro - Lisboa XLVII



É preciso muita poesia. Contra o fascismo financeiro austeritário. Contra a ideologia do empobrecimento como factor de (sub) desenvolvimento. Contra a política da direita radical de retirada brutal de direitos económicos e sociais. Contra os novos espíritos fascistas que nos querem fazer crer que já não conta a democracia. É preciso muita poesia. Camões, Pessoa, Florbela, Aleixo, Bocage e tantos outros. E poesia é coisa que não nos falta para fazer frente ao novo monstro que ameaça destruir as nossas vidas.

Foto: João Martins

Imagens do Protesto de 15 de Outubro - Lisboa XLVI

15 Outubro, Lisboa/October 15, Lisbon

domingo, outubro 30, 2011

Imagens do Protesto de 15 de Outubro - Lisboa XLV



Fizeram-se apelos à greve geral deixando os sindicatos com pouca margem de manobra para decidir outras alternativas. Os sindicatos responderam positivamente ao apelo com o anúncio de nova greve geral a 24 de Novembro de 2011 e manifestações de rua em parceria com os movimentos sociais mais diversos e o apoio dos principais partidos de esquerda, Bloco de Esquerda e Partido Comunista Português.

Foto: João Martins

Imagens do Protesto de 15 de Outubro - Lisboa XLIV



Rejeita-se o que está e apela-se à mudança.

Foto: João Martins

Imagens do Protesto de 15 de Outubro - Lisboa XLIII



Operários do protesto produzem criativamente as palavras de ordem da indignação.

Foto: João Martins

sexta-feira, outubro 28, 2011

Imagens do Protesto de 15 de Outubro - Lisboa XXXVIII



Foto: João Martins

Imagens do Protesto de 15 de Outubro - Lisboa XXXVII



Não somos mercadorias nas mãos dos banqueiros. Pois não. Mas os nossos salários, os subsídios de Natal e de Férias e o empobrecimento geral da maioria da população são agora para "ajudar" a banca. Se os bancos são grandes demais para falir então são grandes demais para existir como privados e devem ser nacionalizados. Se têm uma dimensão capaz de destruir a economia de um país então devem estar sob supervisão das autoridades públicas em nome do interesse público. Se querem continuar privados então assumam os riscos face aos lucros mas também face aos prejuízos. Os pobres e remediados não têm que empobrecer para salvar os senhores banqueiros e os accionistas privados que arriscaram o seu dinheiro. Que empobreçam os banqueiros.

Foto: João Martins

quinta-feira, outubro 27, 2011

Imagens do Protesto de 15 de Outubro - Lisboa XXXVI



Está marcada para 24 de Novembro a próxima manifestação da ‘Plataforma 15 de Outubro’. A data escolhida coincide com o dia da Greve Geral Nacional convocada pelas centrais sindicais de forma a dar força a uma luta à qual a própria ‘Plataforma 15 de Outubro’ apelou para que fosse convocada em Assembleia Popular, em frente ao Parlamento, no passado dia 15 de Outubro.

Esta manifestação pretende tornar cada vez mais robustas as formas de protesto no combate à destruição da Democracia, à regressão social que representa o roubo de direitos de quem vive do seu trabalho e à austeridade brutal que corrói a sociedade portuguesa.

A manifestação prevista para 24 de Novembro será levada a cabo em diálogo directo com as centrais e os diferentes sectores sindicais, tendo também em conta a sua convocatória a toda a sociedade civil.

Daqui: http://www.15deoutubro.net/pagina-inicial/1-docs/597-ci10-25out.html

Foto: João Martins

Imagens do Protesto de 15 de Outubro - Lisboa XXXV



Foto: João Martins

Imagens do Protesto de 15 de Outubro - Lisboa XXXIV



Questionaram-se as privatizações de sectores públicos essenciais à vida colectiva da Nação que provavelmente vão ser feitas ao preço da banana e empobrecem escandalosamente o país e a socialização dos prejuízos da banca que atingem hoje contornos indecorosos...e o jogo ainda não acabou...

Foto: João Martins

quarta-feira, outubro 26, 2011

Imagens do Protesto de 15 de Outubro - Lisboa XXXIII



Os media também não escaparam às críticas dos manifestantes do 15 de Outubro. Os canais das televisões pública e privada, em Portugal, não raras vezes, funcionam como instrumentos de legitimação da ideologia dominante e exercem um papel fulcral na manutenção de um sistema altamente desigualitário e opressor de uma grande parte da população portuguesa. Só para dar um exemplo, o programa Prós e "Contras" (contras com aspas) chega a ter Segundas-Feiras em que o lixo tóxico-ideológico provoca indigestões alimentares de alta perigosidade para os organismos vivos.

Foto: João Martins

Imagens do Protesto de 15 de Outubro - Lisboa XXXII



Imagens e palavras de ordem da manifestação de 15 de Outubro de 2011. As fotos são do Paulo Vaz Henriques num excelente trabalho fotográfico.

terça-feira, outubro 25, 2011

Imagens do Protesto de 15 de Outubro - Lisboa XXXI



O líder dos novos fascistas, o ignorante e inconsciente Primeiro Ministro, Pedro Passos Coelho, depois de tomar medidas que contribuiram para o empobrecimento geral das classes trabalhadoras e das classes médias remediadas veio hoje dizer que Portugal só poderá sair desta situação empobrecendo. Se é essa a solução encontrada pelo senhor Primeiro Ministro, proponho uma alternativa. Ocupe-se o Parlamento, faça-se a revolução, corra-se com toda essa gentinha que nos trouxe até aqui que é óbvio que não nos vai tirar daqui e refunda-se uma nova Assembleia Constituinte. Os Islandeses não morreram como povo e nós também não vamos morrer. Empobrecemos sim, mas empobrecemos de forma digna. Talvez esta alternativa nos pusesse a crescer mais depressa do que poderiamos imaginar.

Foto: João Martins

Imagens do Protesto de 15 de Outubro - Lisboa XXX



Os novos fascistas levam a cabo um dos maiores ataques à educação pública desde o 25 de Abril de 1974. O orçamento de Estado para 2012 leva um corte de 1,5 mil milhões de euros nas despesas com educação. Na escola do meu filho mais velho não houve professora colocada na abertura do ano lectivo. Os porteiros/vigilantes das escolas não vão ver renovados os contratos. Os pais fazem abaixos assinados para manter a vigilância das suas crianças pois acham imprescindível para a sua segurança. As actividades extra-curriculares antecipam e andam ali pelo meio das actividades curriculares numa inversão da hierarquia de valores educativos inacreditável, devido à "ausência" de recursos humanos que a Câmara Municipal de Loulé considera concerteza serem uma "despesa" educativa e nos bastidores fala-se que para o ano acabam as actividades extra-curriculares no Concelho de Loulé. Os novos fascistas andam por aí. Quem sabe caro leitor não habita um dentro de si.

Foto: João Martins

Imagens do Protesto de 15 de Outubro - Lisboa XXIX



Pedro Passos Coelho, o ignorante e inconsciente líder do novo fascismo austeritário quer reduzir 38% a 40% da "despesa" pública em duas legislaturas. O cartaz em cima aponta o caminho certo, resistir. E resistir é correr o mais rapidamente com os novos fascistas do poder. A bem do interesse público e do bem comum da humanidade.

Foto: João Martins

domingo, outubro 23, 2011

Imagens do Protesto de 15 de Outubro - Lisboa XXV



O BES não foi à manifestação de 15 de Outubro nem precisaria de ir. Os governos dos países da UE acordaram esta semana na recapitalização da banca naquela que é uma das maiores operações de transferência de rendimentos do trabalho para o capital. Um dos maiores roubos legalizados da história da humanidade. A "recapitalização" vai ser feita com o dinheiro dos contribuintes e Pedro Passos Coelho, o líder dos novos fascistas, já disse que o Estado não quer nacionalizar a banca uma vez que entrará na negociata como um "accionista passivo". Vale a pena insistir na ideia de que se os bancos privados são grandes de mais para falir, eles devem ser considerados grandes demais para existir como privados e devem ser nacionalizados. A privatização dos lucros e a socialização dos prejuízos já não é mais suportável neste contexto de extorção massiva dos recursos públicos pelo fascistas financeiros austeritários. Os banqueiros em nada agradecem o esforço e os sacríficios já insuportáveis dos trabalhadores pobres e das classes médias remediadas.

Foto: João Martins

Imagens do Protesto de 15 de Outubro - Lisboa XXIV



Vem para a rua pode ler-se num dos cartazes de protesto. Nada mais certo. Só a saída em massa para as ruas do país pode evitar que os Chicago Boys à portuguesa transformem o país no Chile de Pinochet. Estão enganados os que dizem que Portugal não é a Grécia. Isso nós sabemos que não é. Mas Portugal está a caminho de se transformar rapidamente e em força no Chile de Pinochet. A receita é a mesma e as consequências não serão provavelmente muito diferentes. Os novos facistas no fim desta história terão sempre a oportunidade de dizer que a culpa é de quem protesta. O tempo é de acção. A inacção vai ter consequências económicas, sociais e políticas desastrosas.

Foto: João Martins

sábado, outubro 22, 2011

Imagens do Protesto de 15 de Outubro - Lisboa XXIII



Depois do Presidente da República ter apelado à necessidade de uma "austeridade digna", o actual líder do Partido que se diz Socialista apela à necessidade de uma "austeridade inteligente". O meu lema na manifestação de 15 de Outubro foi precisamente o de que dignidade não combina com austeridade. Nenhum tipo de fascismo austeritário pode ser inteligente. O PS meteu-se num beco sem saída. Não há austeridade inteligente. Toda a política austeritária é indecente.

Foto: João Martins

Imagens do Protesto de 15 de Outubro - Lisboa XXII



Lisboa, 15 de Outubro de 2011. Junto à rotunda do Marquês de Pombal.

Foto: João Martins

terça-feira, outubro 18, 2011

Imagens dos Protestos de 15 de Outubro - Lisboa XII



Por uma estrutura de desigualdades mais justa.

Foto retirada daqui: https://picasaweb.google.com/precariosinflexiveis/15DeOutubroLisboa?feat=flashalbum#5664096745955699986

Imagens do Protesto de 15 de Outubro - Lisboa XI



Foto: João Martins

Imagens do Protesto de 15 de Outubro - Lisboa X



A desconfiança e o descrédito face ao poder político instalado atingiram um nível que põe em causa a própria crença na legitimidade do regime democrático.

Foto: João Martins

Imagens do Protesto de 15 de Outubro - Lisboa IX



Estou enjoado e entendiado com um certo jornalismo hegemónico que se faz hoje em Portugal. A RTP com este governo está a ultrapassar os limites da indecência na manipulação das consciências. Não há independência jornalistica na RTP. A forma como se colocam as perguntas, os comentadores que se convidam, a forma como se cobre os acontecimentos, tudo isso contribui para um regime jornalistico que nos ajudou a chegar até aqui. Já não suporto mais a pergunta a quem se atreve a pôr em causa o caminho da desgraça: - E qual é a alternativa?

Foto: João Martins

Imagens do Protesto de 15 de Outubro - Lisboa VIII



Foto: João Martins

segunda-feira, outubro 17, 2011

Imagens do Protesto de 15 de Outubro - Lisboa VII



Acabo de ouvir o ministro das finanças dizer novamente que "vivemos acima das nossas possibilidades". Com gente pouco séria a governar o país como vamos sair desta situação? Num país com os salários mais baixos da União Europeia, à excepção da maior parte dos países de Leste, com um nível de desigualdades na repartição da riqueza dos maiores da UE a 27 e com uma taxa de pobreza que atinge valores indecentes no nosso país, como é possível fazer afirmações destas com tamanha ligeireza? De duas uma, ou estamos perante todo um novo programa fascista que se alimenta deste tipo de justificações ou então o Doutor Vitor Gaspar é ignorante e nunca lhe devia ter sido concedido o título de doutorado em economia por qualquer uma das Universidades Portuguesas. Estou inclinado para o primeiro tipo de explicação. Não quero crer que o segundo seja possível...

Foto: João Martins

Imagens do Protesto de 15 de Outubro - Lisboa VI

Manifestação dos indignados em Lisboa



Nada ficou como era na história da vida política portuguesa...

Imagens do Protesto de 15 de Outubro - Lisboa V



Foto: João Martins

domingo, outubro 16, 2011

Imagens do Protesto de 15 de Outubro - Lisboa IV



No meio de um mar de gente, um indignado, que já não suporta mais o fascismo financeiro austeritário.

Foto retirada daqui:
http://ephemerajpp.wordpress.com/2011/10/15/manifestacoes-dos-%e2%80%9cindignados%e2%80%9d-lisboa-15-de-outubro-de-2011/

Imagens do Protesto de 15 de Outubro - Lisboa III



Ocupação da escadaria da Assembleia da República.

Foto: João Martins

Imagens do Protesto de 15 de Outubro - Lisboa II



Foto: João Martins

Imagens do Protesto de 15 de Outubro - Lisboa I


Hoje foi um dia histórico. Um pouco por todo o mundo os cidadãos sairam à rua num acto fabuloso de cidadania contra a globalização do fascismo financeiro austeritário. Eu estive em Lisboa, ali juntinho à Assembleia da República e por momentos pensei que a coisa ia ser mesmo ocupada. Fiquei sinceramente com a sensação que a vinda no futuro de um novo pacote de austeridade vai provocar uma guerra junto à casa da democracia. Ou o sistema político arranja maneira de ir ao encontro das expectativas dos cidadãos ou a hipótese da revolução atravessa hoje a linha do horizonte da democracia (?) portuguesa.

Foto: João Martins

quinta-feira, outubro 13, 2011

Sábado, 15 de Outubro: Contra o Fascismo Financeiro Austeritário

Levanta-te, ergue-te, indigna-te. Exerce a tua cidadania. Sábado, 15 de Outubro de 2011. O braço é do Pedro que tem seis anos.

O Feitiço e o Feiticeiro ou os Efeitos de Querer Ter o Bolo e Comê-lo...Todo...Devorá-lo...

Na sua coluna no The New York Times, o Prémio Nobel da Economia saúda o movimento Ocupar Wall Street, afirmando que “podemos, finalmente, estar a assistir ao surgimento de um movimento popular que, ao contrário do Tea Party, está irritado com as pessoas certas”.

Isto porque, diz o economista, “a acusação dos manifestantes de que Wall Street é uma força destrutiva, económica e politicamente, é totalmente correcta”.

Krugman recorda que a história das desgraças económicas dos EUA começou quando os banqueiros se aproveitaram da liberalização para criar enormes bolhas especulativas através de empréstimos temerários. O segundo acto ocorreu quando as bolhas estouraram, mas os contribuintes resgataram os banqueiros, em troca de muito poucos compromissos, e ao mesmo tempo que os trabalhadores comuns e correntes continuavam a pagar as consequências dos pecados dos banqueiros.

Finalmente, “os banqueiros mostraram a sua gratidão voltando-se contra as pessoas que os salvaram, e oferecendo o seu apoio – e a riqueza que continuaram a possuir, graças ao resgate – aos políticos que prometeram manter os impostos baixos e para eliminar os tímidos regulamentos criados no rescaldo da crise”.

Diante destes factos, “como é possível não aplaudir os manifestantes por finalmente tomarem partido?”

Tudo aqui:
http://www.esquerda.net/artigo/krugman-apoia-ocupar-wall-street

quarta-feira, outubro 12, 2011

Dia 15 de Outubro, Indigna-te: Contra o Fascismo Financeiro Austeritário



Por uma globalização contra-austeritária. Por um mundo melhor. Contra todo o tipo de inevitabilidades. Porque uma sociedade mais justa é possível. Eu vou estar lá, na rotunda do Marquês. Indignado.

O Ingresso do Pedro No 1º Ciclo do Ensino Básico V

Hoje o Pedro teve uma professora nova. Este ano já conheceu três professoras. Estamos em 12 de Outubro de 2011. Recordemos o trajecto. Primeiro dia de aulas não havia professora colocada e apareceu por lá uma senhora professora para "desenrascar" a turma. Foi depois colocada (com relativa rapidez é preciso dizê-lo) uma professora que estava em final de gravidez. Ontem a professora pôs baixa e foi substituída já por uma professora de apoio educativo que "vai fazer de" professora titular de turma até a professora do Pedro voltar. No final do primeiro ciclo, com este ritmo, o Pedro pode vir a conhecer por aí umas doze professoras. Apresentado o problema ao director do agrupamento que resposta obtive? A garantia de estabilidade pedagógica é assim como sair o euromilhões. Eu que sou um defensor da escola pública como é que consigo manter esta crença? É que se como o senhor director diz me sair o euromilhões eu ponho-o de imediato numa escola privada. Tenho um pequeno problema. É que eu nem sequer jogo.

segunda-feira, outubro 10, 2011

Tudo o que é sólido dissolve-se no ar: O capitalismo também?

Zizek na acampada de Wall Street



Durante o crash financeiro de 2008, foi destruída mais propriedade privada, ganha com dificuldades, do que se todos nós aqui estivéssemos a destruí-la dia e noite durante semanas. Dizem que somos sonhadores, mas os verdadeiros sonhadores são aqueles que pensam que as coisas podem continuar indefinidamente da mesma forma.

Não somos sonhadores. Somos o despertar de um sonho que está a transformar-se num pesadelo. Não estamos a destruir coisa alguma. Estamos apenas a testemunhar como o sistema está a autodestruir-se.

Todos conhecemos a cena clássica do desenho animado: o coiote chega à beira do precipício, e continua a andar, ignorando o facto de que não há nada por baixo dele. Somente quando olha para baixo e toma consciência de que não há nada, cai. É isto o que estamos a fazer aqui.

Estamos a dizer aos gajos de Wall Street: “hey, olhem para baixo!”

Em Abril de 2011, o governo chinês proibiu, na TV, nos filmes e em romances, todas as histórias que falassem em realidade alternativa ou viagens no tempo. É um bom sinal para a China. Significa que as pessoas ainda sonham com alternativas, e por isso é preciso proibir este sonho. Aqui, não pensamos em proibições. Porque o sistema dominante tem oprimido até a nossa capacidade de sonhar.

Vejam os filmes a que assistimos o tempo todo. É fácil imaginar o fim do mundo, um asteróide destruir toda a vida e assim por diante. Mas não se pode imaginar o fim do capitalismo. O que estamos, então, a fazer aqui?

Deixem-me contar uma piada maravilhosa dos velhos tempos comunistas. Um fulano da Alemanha Oriental foi mandado para trabalhar na Sibéria. Ele sabia que o seu correio seria lido pelos censores, por isso disse aos amigos: “Vamos estabelecer um código. Se receberem uma carta minha escrita em tinta azul, será verdade o que estiver escrito; se estiver escrita em tinta vermelha, será falso”. Passado um mês, os amigos recebem uma primeira carta toda escrita em tinta azul. Dizia: “Tudo é maravilhoso aqui, as lojas estão cheias de boa comida, os cinemas exibem bons filmes do ocidente, os apartamentos são grandes e luxuosos, a única coisa que não se consegue comprar é tinta vermelha.”

É assim que vivemos – temos todas as liberdades que queremos, mas falta-nos a tinta vermelha, a linguagem para articular a nossa ausência de liberdade. A forma como nos ensinam a falar sobre a guerra, a liberdade, o terrorismo e assim por diante, falsifica a liberdade. E é isso que estamos a fazer aqui: a dar tinta vermelha a todos nós.

Existe um perigo. Não nos apaixonemos por nós mesmos. É bom estar aqui, mas lembrem-se, os carnavais são baratos. O que importa é o dia seguinte, quando voltamos à vida normal. Haverá então novas oportunidades? Não quero que se lembrem destes dias assim: “Meu deus, como éramos jovens e foi lindo”.

Lembrem-se que a nossa mensagem principal é: temos de pensar em alternativas. A regra quebrou-se. Não vivemos no melhor mundo possível, mas há um longo caminho pela frente – estamos confrontados com questões realmente difíceis. Sabemos o que não queremos. Mas o que queremos? Que organização social pode substituir o capitalismo? Que tipo de novos líderes queremos?

Lembrem-se, o problema não é a corrupção ou a ganância, o problema é o sistema. Tenham cuidado, não só com os inimigos, mas também com os falsos amigos que já estão a trabalhar para diluir este processo, do mesmo modo que quando se toma café sem cafeína, cerveja sem álcool, gelado sem gordura.

Vão tentar transformar isto num protesto moral sem coração, um processo descafeinado. Mas o motivo de estarmos aqui é que já estamos fartos de um mundo onde se reciclam latas de coca-cola ou se toma um cappuccino italiano no Starbucks, para depois dar 1% às crianças que passam fome e fazer-nos sentir bem com isso. Depois de fazer outsourcing ao trabalho e à tortura, depois de as agências matrimoniais fazerem outsourcing da nossa vida amorosa, permitimos que até o nosso envolvimento político seja alvo de outsourcing. Queremo-lo de volta.

Não somos comunistas, se o comunismo significa o sistema que entrou em colapso em 1990. Lembrem-se que hoje os comunistas são os capitalistas mais eficientes e implacáveis. Na China de hoje, temos um capitalismo que é ainda mais dinâmico do que o vosso capitalismo americano. Mas ele não precisa de democracia. O que significa que, quando criticarem o capitalismo, não se deixem chantagear pelos que vos acusam de ser contra a democracia. O casamento entre a democracia e o capitalismo acabou.

A mudança é possível. O que é que consideramos possível hoje? Basta seguir os média. Por um lado, na tecnologia e na sexualidade tudo parece ser possível. É possível viajar para a lua, tornar-se imortal através da biogenética. Pode-se ter sexo com animais ou qualquer outra coisa. Mas olhem para os terrenos da sociedade e da economia. Nestes, quase tudo é considerado impossível. Querem aumentar um pouco os impostos aos ricos? Eles dizem que é impossível. Perdemos competitividade. Querem mais dinheiro para a saúde? Eles dizem que é impossível, isso significaria um Estado totalitário. Algo tem de estar errado num mundo onde vos prometem ser imortais, mas em que não se pode gastar um pouco mais com cuidados de saúde.

Talvez devêssemos definir as nossas prioridades nesta questão. Não queremos um padrão de vida mais alto – queremos um melhor padrão de vida. O único sentido em que somos comunistas é que nos preocupamos com os bens comuns. Os bens comuns da natureza, os bens comuns do que é privatizado pela propriedade intelectual, os bens comuns da biogenética. Por isto e só por isto devemos lutar.

O comunismo falhou totalmente, mas o problema dos bens comuns permanece. Eles dizem-nos que não somos americanos, mas temos de lembrar uma coisa aos fundamentalistas conservadores, que afirmam que eles é que são realmente americanos. O que é o cristianismo? É o Espírito Santo. O que é o Espírito Santo? É uma comunidade igualitária de crentes que estão ligados pelo amor um pelo outro, e que só têm a sua própria liberdade e responsabilidade para este amor. Neste sentido, o Espírito Santo está aqui, agora, e lá em Wall Street estão os pagãos que adoram ídolos blasfemos.

Por isso, do que precisamos é de paciência. A única coisa que eu temo é que algum dia vamos todos voltar para casa, e vamos voltar a encontrar-nos uma vez por ano, para beber cerveja e recordar nostalgicamente como foi bom o tempo que passámos aqui. Prometam que não vai ser assim. Sabem que muitas vezes as pessoas desejam uma coisa, mas realmente não a querem. Não tenham medo de realmente querer o que desejam. Muito obrigado.

Via: http://www.esquerda.net/artigo/zizek-na-acampada-de-wall-street

domingo, outubro 09, 2011

A Política Fascista No Protesto Contra A Introdução De Portagens No Algarve


Alguns tiranos do governo central decidiram portajar uma via que é estruturante da vida económica e social do Algarve e que vai agravar o nível e a qualidade de vida de toda uma região. Consciente das regras da democracia e dos direitos legítimos de manifestação e protesto aderi ontem mais uma vez à manifestação convocada pelos movimentos sociais do Algarve. Fui dos que vinha a circular no fim da manifestação. A confusão instalada no trânsito a isso me obrigou. Sensivelmente em frente ao Patacão enquanto circulava à velocidade de trinta kilómetros por hora (não podia andar mais depressa) mantendo as distâncias que a lei aconselha do carro da frente, surge um polícia na berma da estrada a mandar-me acelerar o carro e a ameaçar com o registo de matrícula, não sabendo eu se este agente do austeritarismo registou ou não a "não infracção" não cometida. O que sei é que isto ultrapassa em muito as regras instituídas de um Estado dito de Direito e da dita ainda democracia. Tinha quatro anos quando se deu o 25 de Abril de 1974 e é com uma enorme amargura que sinto hoje na pele algumas das piores práticas do Estado Fascista em que o Estado Português se está a tornar. Se a multa chegar, não pago. Levem-me preso. Terei muito gosto.

sábado, outubro 08, 2011

Protesto Contra As Portagens: Entrada de Faro e Acesso Ao Aeroporto Entupidos


Hoje foi dia de protesto contra os partidos fascistas que estão no poder. Segundo o ministro Relvas a introdução de portagens é uma questão de rigor. Para os manifestantes no protesto trata-se de uma medida com consequências muito negativas para a economia e a sociedade algarvias, para a mobilidade das populações e com possíveis consequências dramáticas ao nível dos acidentes rodoviários. O Algarve está de luto. E podemos todos agradecer aos Macários, aos Botas, aos Serucas Emídios e outros serviçais da região que mais não fazem do que pôr os interesses partidários e as suas carreiras à frente dos interesses das populações que era suposto representarem. Eu vou resistir. E resistir é não passar por lá. E de cada vez que fôr obrigado a passar e pagar vou fazer questão de reclamar e fazer lembrar que aos fascistas se deve o agravamento da qualidade de vida da generalidade da população algarvia.

sexta-feira, outubro 07, 2011

Dia 08 de Outubro O Protesto Sai à Rua


Dia 08 de Outubro os algarvios saiem de novo à rua contra as portagens na Via Do Infante. É preciso dizer não às políticas reacionárias de quem nos governa. Os cidadãos pagam. O Algarve regride económica e socialmente. O negócio é desastroso para o Estado. Quem ganha com as portagens na Via do Infante?

Ver mais aqui: http://pt-br.facebook.com/pages/Algarve-Portagens-na-A22-N%C3%83O/146137288757421

quinta-feira, outubro 06, 2011

Do Fascismo Financeiro Austeritário III



Enquanto se anunciam cortes brutais na educação, na investigação e nos apoios sociais, a chanceler Merkel prepara as populações para a "recapitalização" dos bancos. O fascismo financeiro austeritário chega desta vez quase ao limite da espoliação máxima. O austeritarismo recessivo despejado em cima dos povos serve para injectar somas inimagináveis de dinheiro na banca através dos Estados. A era sacrificial é também do ponto de vista moral de uma imoralidade indescritível. Entretanto, na Grécia, o movimento contra-austeritário remete para as calendas da história os planos austeritários de uma qualquer Troika. O vídeo em cima mostra a ocupação dos activistas gregos de um dos ministérios da tutela governamental.

Dia 08 de Outubro O Protesto Sai à Rua


Dia 08 de Outubro os algarvios saiem de novo à rua contra as portagens na Via Do Infante. É preciso dizer não às políticas reacionárias de quem nos governa. Os cidadãos pagam. O Algarve regride económica e socialmente. O negócio é desastroso para o Estado. Quem ganha com as portagens na Via do Infante?

Ver mais aqui:
http://pt-br.facebook.com/pages/Algarve-Portagens-na-A22-N%C3%83O/146137288757421

terça-feira, outubro 04, 2011

A Economia Explicada Às Crianças



Palavras chave: Desigualdades Sociais; Desigualdade na Distribuição da Riqueza; Emagrecimento das Classes Médias; Economia Política Contra-Austeritária.

Dia 08 de Outubro O Protesto Sai à Rua


Dia 08 de Outubro os algarvios saiem de novo à rua contra as portagens na Via Do Infante. É preciso dizer não às políticas reacionárias de quem nos governa. Os cidadãos pagam. O Algarve regride económica e socialmente. O negócio é desastroso para o Estado. Quem ganha com as portagens na Via do Infante?

Ver mais aqui: http://pt-br.facebook.com/pages/Algarve-Portagens-na-A22-N%C3%83O/146137288757421

segunda-feira, outubro 03, 2011

Os Produtores de Inevitabilidades

Macário Correia , Mendes Bota e o Dr. Emídio, aqui pelos reinos do Algarve, a propósito da introdução de portagens na Via do Infante, têm vindo a querer convencer as populações que têm que comer as "inevitabilidades" decretadas pelo Dr. Passos Coelho. O PSD vende-nos a "inevitabilidade" da bondade de ir "mais longe que a Troika". O PS está amarrado à "inevitabilidade" da "vinculação" do acordo com a Troika. O afável (não sei que adjectivo será o mais pertinente) Presidente Silva, pede agora, pasme-se, aos portugueses para "não desistirem" de não se sabe do quê, provavelmente não desistirem de sofrer da doença "inevitável" originada pelos abençoados sacrifícios. Jerónimo de Sousa veio hoje denunciar, e bem, esta "operação resignação", qual apelo totalitário à paixão do sofrimento. E aqui o blogue macloulé faz questão de relembrar as boas almas que o "inevitável" é evitável. O discurso da "inevitabilidade" mais não é do que uma estratégia dos poderes instituídos para evitar a inevitabilidade (sem aspas) das populações mudarem este estado de coisas. Vai uma aposta em como o "inevitável" é evitável? Dadas as actuais circunstâncias isso é inevitável. É o ar do tempo.

Dia 08 De Outubro O Protesto Sai à Rua


Dia 08 de Outubro os algarvios saiem de novo à rua contra as portagens na Via Do Infante. É preciso dizer não às políticas reacionárias de quem nos governa. Os cidadãos pagam. O Algarve regride económica e socialmente. O negócio é desastroso para o Estado. Quem ganha com as portagens na Via do Infante?

Ver mais aqui: http://pt-br.facebook.com/pages/Algarve-Portagens-na-A22-N%C3%83O/146137288757421

domingo, outubro 02, 2011

Da Globalização Austeritária À Globalização Anti-Austeritária



Ao mesmo tempo que a globalização austeritária percorre uma parte importante do globo terrestre a globalização contra a austeridade percorre o mesmo caminho. Hoje em Inglaterra milhares de pessoas moveram-se em protesto contra o austeritarismo. Ontem em Portugal centenas de milhares de pessoas sairam à rua recusando o fascismo financeiro austeritário. Há duas semanas que o movimento "Occupy Wall Street" recusa a espolição financeira à escala global. Passados duas semanas os media pressionados pela realidade e sobretudo pela divulgação da mesma nas redes sociais lá fizeram a sua cobertura no telejornal. Há silêncios e atrasos que dizem mais do que mil palavras.

Occupy Wall Street



O que esta crise financeira pôs a nú é a clara identificação dos expoliadores à escala mundial. Por um lado os Estados a pagarem os desvarios da banca sobre a célebre fórmula dos "bailouts", por outro lado, a política como instrumento ideológico de legitimação dos interesses do capital financeiro. Se sempre tive as minhas reservas sobre a determinação da infraestrutura sobre a superestrutura (e continuo a tê-las) no actual contexto, uma boa parte do poder político à escala europeia mais não é do que uma caixa de marionetes reflexo do poder do dinheiro. Se as pessoas na rua se movimentam como verdadeiros actores no verdadeiro sentido da palavra, as marionetes não passam hoje de uns autênticos serviçais à maneira dos servos da Idade Média.