quarta-feira, abril 28, 2010

Os Desempregados Que Paguem a Crise

Sócrates 1 e Sócrates 2 reuniram...

Agências de Demolição Nacional

Texto de Daniel Oliveira:

"Quando o bando de saqueadores passa pela aldeia os aldeões entregam-lhe o que têm. Fazem por manter a compostura e a humildade para lhes agradar. Talvez assim partam mais depressa e escolham outra vítima do saque. Assim se comportam os Estados perante os salteadores da modernidade.

Primeiro foi a Grécia. Agora é Portugal. O Reino Unido, com uma situação económica que esteve, em termos relativos, pior do que a nossa, manteve-se, mesmo depois da falência quase generalizada dos seus bancos, com a sua avaliação intocável. Porque será? Porque é um jogo mais pesado. O facto da correcção dos ratings da Grécia e de Portugal serem feitos no mesmo dia encaixa na narrativa que foi construída. Quem tem dúvidas que estas notações fazem parte dos ataques especulativos às dívidas dos países mais frágeis da União vive num Mundo de fantasia – não há fé mais ingénua do que a fé no equilíbrio purificador do mercado.

Dirão que exagero. Que as agências de rating não inventam a realidade. Falso. A realidade não precisaria delas quando falamos de contas que são públicas e auditadas, como são as dos Estados (recordo que em Portugal não houve, ao contrário do que aconteceu com a Grécia, encobrimentos oficiais do défice). Os números estão aí para quem os queira analisar.

Estas agências constroem narrativas para os especuladores (ou, na melhor das hipóteses, em vez de darem informação rigorosa, limitam-se a devolver aos mercados a sua própria histeria, acabando por criar, através das suas previsões, aquilo que anunciam). E isso basta para que o virtual se torne real. Os especuladores só querem saber se na realidade virtual em que jogam terão ganhos. Como percebemos com o que nos levou a esta crise financeira internacional, enquanto for possível alimentar o jogo for desmentido no jogo a realidade não interessa para nada.

Dirão que exagero. Que as agências de notação são competentes e que se não fossem deixariam de ser ouvidas pelos investidores. Falso. Devo recordar que a mesma Standard & Poor’s, que agora corrige em baixa o rating português, foi obrigada, a quando do começo da crise, a corrigir num só dia a notação de mais de 90 activos financeiros ligados ao imobiliário. Tinha falhado em todos. Porque o jogo obrigava a alimentar a ilusão. Como falhou na AIG e na Lehman Brothers.

Vale a pena recordar que foram estas agências que só se aperceberam da catástrofe financeira do Dubai quando ela chegou aos jornais. Que deram uma excelente nota à Islândia na véspera do país ter entrado em falência. Que avaliaram com um triplo A o que agora chamamos de activos tóxicos. E aí estão a dar conselhos aos investidores sobre a credibilidade das contas dos Estados.

Dirão que, mesmo assim, a vida é como é e devemos fazer sacrifícios para lhes agradar. Elas querem sangue. O discurso sacrificial diz bem ao ponto a que deixámos que o capitalismo financeiro, que nada produz, nos levasse. Mas, ainda assim, nada chegaria para contrariar a profecia. As mesmas agências que já ameaçavam cortes no rating se o PEC não fosse suficientemente austero também ameaçavam cortes no rating se ele não apostasse para o crescimento económico. E ameaçavam cortes no rating se prometêssemos as duas coisas e tal não fosse credível, coisa que nunca poderia ser. Somos uma carta marcada a quem só resta esperar pela sua sorte.

Dirão que exagero. Que as agências de rating são independentes. Falso. Elas dependem dos investidores que têm dinheiro empatado no jogo. Elas estão dependentes de vários interesses no mercado que lhes pagam os serviços. No dia em que a Europa decidir, como já prometeu, avançar com uma estrutura dependente do Banco Central Europeu que possa ser árbitro e não apenas agente, talvez haja um contrapeso neste jogo viciado.

Entretanto, com uma Europa cega e disposta a ver as suas aldeias (todas da periferia – porque será?) a serem saqueadas sem uma reacção à altura, teremos de aceitar resignados o triunfo da política da aparência – tem de parecer que vai haver sangue -, do capitalismo financeiro improdutivo e da acção sem rosto dessa entidade etérea à qual chamamos “os mercados”. Tudo é virtual menos os estragos que a os salteadores deixam à sua passagem.

Há dois anos todos os políticos juraram, perante a irresponsabilidade dos negócios financeiros imobiliários, em que estas agências tiveram o papel de promover lixo tóxico, que alguma coisa teria de mudar. Também essa vontade era uma ilusão. Os aldeões continuam entregues aos caprichos dos saqueadores."

Via: http://arrastao.org/sem-categoria/os-aldeoes-e-os-saqueadores/

sábado, abril 24, 2010

36 Anos de Abril

Como estamos hoje portugueses, 36 anos depois da Revolução de Abril? Resposta difícil a uma pergunta de contornos mal definidos. A vastidão globalizante que enforma uma pergunta deste tipo só pode ter como resultado uma igual resposta vaga. Mas vale a pena dizer qualquer coisinha sobre o assunto. O Portugal pobre e honrado de Salazar está em vias de extinção. O país rural, pobre e analfabeto mudou totalmente a sua faceta. As habitações dos portugueses na sua maioria já não têm ratoeiras e ratos. Já não há retretes nas cozinhas. Os pés descalços, andam agora, mais ou menos, confortavelmente calçados. Já não se vai à boleia para a praia de Quarteira. Raramente se cospe para o chão e os dentes dos portugueses sofreram uma considerável melhoria. O desmancho passou a interrupção voluntária da gravidez e a pouca criançada que hoje vem ao mundo tem quase cem por cento garantida a sua sobrevivência. Somos hoje mais altos e temos melhor saúde. A minha avô já não diz que vem aí a PIDE para me conseguir meter em casa e os turistas já não olham para nós como europeus de terceira categoria. Os livros da Gina já não fazem sensação e a censura oficial já não tem cartas de alforria. Já não há partido único e vão diminuindo os "chefes" de família. Elas já não precisam de autorização para casar e os isqueiros já não precisam de licença. Um romântico beijo de namorados no Jardim dos Amuados já não dá visita ao posto e as reguadas da minha professora primária seriam hoje uma violência. Acabou-se a autoridade que não se discute e as crianças ganharam direito a existir. A passagem pela guerra de África ou pelo exilío no estrangeiro ficou para os armazéns da memória e a emigração a salto para França já faz parte da história. Aprende-se mais e melhor e a ignorância em massa foi à vida. TV Cabo, Vodafone, computador, wirless, i-pad, youtube, magalhães e internet são o pão nosso de cada dia. Quase toda a gente tem televisão, carro, telemóvel, frigorifico, torradeira e máquina de lavar. Muitos têm casa própria e poucos dispensam o centro comercial. Vive-se mais tempo e com maior qualidade de vida. Viaja-se mais e mais barato. Sentimo-nos mais europeus. Temos o sentimento de fazer parte do globo. Abril abriu-nos a porta ao mundo. Abril foi um dia feliz. Mas a pobreza não se foi embora de todo. As desigualdades ainda escandalizam. A corrupção grassa no aparelho de Estado e nas autarquias. Os partidos políticos perderam o crédito. A economia arrasta-se. O aparelho produtivo tem dificuldades na sua reconversão. A imigração explodiu mas a emigração ainda é maciça. A cidadania apesar de crescer, é ainda diminuta. O desemprego e o precariado instalaram-se na estrutura societal. A incerteza coartou a capacidade de fazer futuro e o medo traz consigo a insegurança. Instala-se o descrédito e hipoteca-se a esperança e a "globalização" e os "mercados" ameaçam com a bancarrota. Novos tempos com novos graves problemas. Não precisamos de um novo Abril. Precisamos de mais Abril. Democratizar a democracia. Diminuir as desigualdades. Reduzir a pobreza. Tornar justo o sistema de justiça. Igualizar as oportunidade sociais. São as utopias realistas que fazem o mundo andar para a frente. Portugal precisa urgentemente de utopias realistas. E de políticos capazes de as estimular.

36 Anos de Abril

Nas Vésperas de Abril



"Faltam cinco minutos para as vinte e três horas. Convosco, Paulo de Carvalho com o Eurofestival 74, E Depois do Adeus..."

Eu tinha quatro anos e nove dias. Obrigado a todos os que fizeram de forma directa ou indirecta a Revolução de Abril. Se há coisa que tenho a certeza é que há um Portugal antes e um Portugal depois de Abril. E esse Portugal do depois é infinitamente melhor...

sexta-feira, abril 23, 2010

Nas Vésperas de Abril

Não discutimos coisa nenhuma...este foi o ponto de partida para o caminho que agora fazemos...

quinta-feira, abril 22, 2010

Exposição Sobre o Abate de Árvores no Concelho de Loulé

Parque Municipal de Loulé

21 de Abril de 2010

Descubra as diferenças:






Hoje dia 22 de Abril, é Dia da Terra. Em Loulé continuam os abates de árvores. Agora no Parque Municipal de Loulé. Não há manifestos ao Presidente da República, uma dezena de Associações Brasileiras, Blogosfera, Almargem, Associação de Árvores de Portugal, artistas plásticos, Blocos de Esquerda e cidadãos que resistam. A fúria arboricida é incontrolável.

quarta-feira, abril 21, 2010

A Ciência do Vaticano



"Numerosos psicólogos e psiquiatras demonstraram que não havia relação entre celibato e pedofilia, mas muitos comprovaram, e me disseram recentemente, que há uma relação entre homossexualidade e pedofilia".
Cardeal Tarcisio Bertone

É sempre interessante ver a religião a invocar a ciência para justificar os desvarios que também ocorrem entre gente que manipula os bens da salvação religiosa. Não se precisava é de ir ao ponto de fazer uma apropriação "científica" tão tresloucada. É que nada do que é dito tem credibilidade científica e produzir à pressão uma crença em nome da ciência não faz nada bem à legitimidade da Igreja Católica.

Ver aqui:
http://200.188.178.144/ver_noticia/37902/

Ambivalências, contradições e desorientações autárquicas

25 de Abril de 2010

Jogo da Democracia - Assembleia Municipal de Loulé

Tema em debate:
"Ambiente e Alterações Climáticas"



O que é fascinante nos complexos e atribulados tempos em que vivemos é perceber como os mesmos são atravessados por ambivalências, tensões e contradições dos mais variados tipos. Loulé é um laboratório social interessantíssimo e as decisões da autarquia local um verdadeiro estudo de caso. A mesma autarquia que manda abater as 16 Tílias na Praça da República em pleno dia da árvore mobiliza agora as crianças das escolas do concelho, no âmbito das comemorações do 25 de Abril, para discutir o tema do "Ambiente e das Alterações Climáticas". É caso para dizer, "faz o que eu te digo, mas não faças o que eu faço". Estas injunções paradoxais levadas ao extremo podem levar um indivíduo à loucura. Às vezes pensamos que é somente ignorância ambiental, outras vezes, pensamos que é apenas um barco à deriva sem o minímo de orientação estratégica e outras vezes ainda, pensamos se não estaremos perante uma intenção provocatória que mais não revela do que uma autêntica irresponsabilidade na gestão do bem público que é pertença de cada um de nós. Qualquer que seja o motivo destas dissonâncias ambivalentes elas não deixam de nos fazer pensar.

Ver aqui: http://calcadaodequarteira.blogspot.com/2010/04/jogo-da-democracia.html

terça-feira, abril 20, 2010

Erupção Histórica

Eyjafjallajökull



Não é nova a actividade vulcânica desta dimensão. O que é novo é a capacidade bloqueadora de um simples fenómeno "natural" face à sociedade global. Numa era que que as teias de interdependencia se intensificaram, a avaria de uma pequena peça da engrenagem entope o sistema global. E que ninguém pense que não é afectado. Eu perdi o estábulo habitual e tive que andar de malas às costas. O rombo na economia um pouco por todo o lado, não veio, nesta altura do campeonato, nada em boa altura.

sábado, abril 17, 2010

O País de Sócrates



Primeiro estranha-se. Depois entranha-se. O país de Sócrates atingiu um nível de conforto com os sucessivos escândalos que envolvem o ainda Primeiro Ministro Sócrates, que mais escândalo, menos escândalo, isso já não aquece, nem arrefece, a alma dos portugueses. Instalou-se o pântano e reina a indiferença.

Tivessemos por cá a brasileira Cidinha Campos e não falariamos do leite e das crianças que mamam, mas sim dos mamões que à conta do dinheiro dos contribuintes vão levar o país à bancarrota. Parece anedota, mas não é. Três administradores no âmbito do negócio Taguspark estão acusados do crime de corrupção em torno do apoio de Luís Figo a José Sócrates em vésperas das eleições ganhas pelo PS (?) de Sócrates, mas o homem que recebeu o dinheiro nada tem que ver com o assunto e o principal beneficiário (como sempre) continua imaculado na sua virgindade. Para quem domina o labirinto Kafkiano das teias da justiça tudo isto pode fazer algum sentido. Para o comum dos observadores, que nada percebe de leis, mas que tem um sentido apurado de justiça, isso não faz sentido nenhum. O pântano do sistema judicial atola-se em simultâneo com o pântano político em que o país se atolou.

Primeiro estranha-se. Depois entranha-se. A seguir instala-se a indiferença e já nada importa independentemente do que vier a acontecer. Cavaco e Silva está concerteza preocupado com as cinzas vulcânicas que o incomodam do regresso de Praga e Jorge Sampaio deve ter recalcado nas profundezas do inconsciente os motivos pelos quais destítuiu Santana Lopes.

Hoje já é difícil refazer a lista dos casos que levantam suspeição sobre José Sócrates. Como o próprio aconselha. Era bom que os jornais nacionais fossem investigar a sua infância. Que raio importa uma licenciatura terminada a um Domingo? Domingo não faz parte dos sete dias da semana? Que raio importa usar o título de engenheiro, quando se é apenas licenciado em engenharia? Não vale isso tudo a mesma coisa? Que raio importa aprovar uma dezenas de magnificos projectos de engenharia civil na Guarda quando se exerce a função de deputado nacional? Mas isso por acaso faz escassear a papa maizena de que todos dependemos para desenvolver o país?

Mas que raio importa que o Freeport tenha sido plantado em pleno estuário do Tejo a escassas horas do fim de um governo em que se vai desocupar o cargo de Ministro do Ambiente? Isso não se faz um pouco por todo o lado? Mas que raio importa que se utilizem capitais públicos para controlar empresas privadas de comunicação social? Não é isso uma das boas práticas na democracia Venezuelana?

Que importa se o ajuste directo beneficia empresas privadas na usurpação de capitais públicos? Não é tudo isso apenas uma bela forma de racionalizar as boas práticas de gestão? Porquê tanto barulho na compra do apoio do Luís Figo, com dinheiros públicos para que Sócrates ganhe eleições? Figo não disse que temos que votar em Sócrates porque este é honesto, trabalhador e enérgico?

E é assim, de triste "caso" em triste "caso" que o país já fala de bancarrota. E é assim, que a "verdade" deixou de se distinguir da "mentira" e que aconteça o que acontecer, já nada importa que aconteça. Um dia, "isto" vai dar para o torto e nesse mesmo dia, constataremos, que o monopólio da indignação, estava do lado errado da estória. Nesse dia vamos todos dizer em voz alta"manso é a tua tia!". Mas nesse mesmo dia, o leite que sobrar, do leite que foi roubado às crianças, pode já não ser suficiente para assegurar a nossa sobrevivência.

terça-feira, abril 13, 2010

Exposição Sobre o Abate de Árvores no Concelho de Loulé

A Arte saiu à rua

Sábado, 10 de Abril de 2010. Duas semanas depois da Câmara Municipal de Loulé levar a cabo o abate das árvores na Praça da República no dia 21 de Março, dia da Árvore, um grupo de artistas plásticos levava a cabo uma exposição que nos põe a pensar sobre o mundo social em que vivemos. Como podemos ver na imagem em cima, para além das flores e de todos os acessórios associados ao ritual funerário, uma balança assinala o desiquilíbrio dos seus dois pratos, mostrando a diferença entre os valores cimento, estética e dinheiro, por um lado e por outro lado, o valor "natureza" desprezado pela autarquia local, representado pelo tronco da Tília Cordata. A arte como forma de representação do mundo, para além de um veículo de criação, sempre foi uma forma de intervenção no mesmo. A representação da História de Espanha nunca mais foi a mesma a seguir ao "Guernica" de Pablo Picasso. A história da relação da autarquia com o abate de árvores ficará para sempre imortalizada a partir da manifestação artística ocorrida neste dia às portas da Câmara Municipal de Loulé, da Assembleia Municipal, da Casa da Cultura, do Instituto Dom Afonso III, e da sede concelhia do Partido Socialista local. A partir do dia da Árvore de 2010, a estátua do poeta Aleixo "ganhou" um novo enquadramento ambiental. Ao fundo da Praça da República, a estátua do Doutor Bernardo Lopes, assistiu a tudo isto em silêncio.

Nota: A foto é copiada do blogue Sebastião.

Ver aqui: http://ssebastiao.wordpress.com/2010/04/10/consternacao-e-espanto/

Exposição Sobre o Abate de Árvores no Concelho de Loulé

Loulé, Abril de 2010

O Parque Municipal de Loulé já não é assim...



As grandes questões de fundo...

Arquitectura paisagista: que futuro?

Por Elsa Severino, Arquitecta paisagista

O curso de arquitectura paisagista foi fundado em Portugal em 1941, no Instituto Superior de Agronomia, por Francisco Caldeira Cabral; foi ‘O Mestre da Paisagem’, conforme título da pequena, mas preciosa biografia, publicada neste mesmo jornal, a propósito das comemorações do centenário do seu nascimento. Formou muitas gerações de arquitectos paisagistas, leccionando em Portugal e um pouco por todo o mundo, sendo, ainda hoje, uma referência a nível internacional. Os fundamentos da arquitectura paisagista (título de uma obra sua) foram amplamente divulgados, tanto ao nível académico como nos diversos meios políticos e institucionais.

Desde então, várias gerações de arquitectos paisagistas contribuíram para levar a mensagem e fazer valer uma nova ‘ordem’ paisagística, assente nos valores perenes do território.

A mensagem foi ouvida e lida, mas foi aplicada? A disciplina, aparentemente tão na ordem do dia, estará completamente enraízada no ‘panorama’ português e na legislação que regulamenta as várias actividades? Diremos que não.
Quanto à legislação, aconteceu o maior ataque ao bom desempenho dos arquitectos paisagistas, com a publicação em Diário da República, da Portaria n.º 1379/2009.

Qual a dramática conclusão a que chegamos, após análise da mesma? Para as obras de maior relevância e complexidade, no âmbito do paisagismo, o director de obra ou da fiscalização nunca poderá ser um arquitecto paisagista; só pode ‘coadjuvar’. Já nas obras de menor importância, o arquitecto paisagista, graças à generosidade do legislador, pode fiscalizar e dirigir a obra, não sendo no entanto obrigatória a sua participação.

São pormenores, pensarão alguns; outros dirão que, em época de forte crise económica, qual a importância destes factos?
Pois estes ‘pormenores’ são gravíssimos e lesam em muito o âmbito da nossa profissão.

O texto da portaria é um sinal claro dos tempos: um gigantesco retrocesso na avaliação e dignificação da arquitectura paisagista e da sua importância em muitos domínios da nossa actividade. Importância?

O ordenamento da paisagem urbana e rural é um dos fundamentos da nossa profissão. A sua desvalorização contribui para um agravamento das condições ambientais, com graves repercussões económicas e sociais, além duma clara diminuição na qualidade de vida de todos nós.

Inevitavelmente sofremos o efeito de catástrofes naturais, com tendência para um sério agravamento na intensidade e frequência. Se somarmos a esta tendência um contínuo desrespeito pela paisagem, uma vezes por ignorância, tantas outras por razões meramente especulativas, caminhamos para um futuro muito sombrio.

Inexplicavelmente continuamos a alienar para a construção civil solos de elevada qualidade, construímos em leitos de cheia, não respeitando o livre curso das linhas de água, não tratamos das matas, sofrendo ano após ano o efeito devastador dos fogos; não investimos na educação ambiental, não valorizamos os espaços verdes, como uma ‘arte de ordenar o espaço exterior em relação ao homem’.

Ao limitarmos, premeditadamente ou não, a intervenção da arquitectura paisagista, comprometemos todo um equilíbrio entre o Homem e a Natureza.

Esta «profissão do nosso tempo, bem marcada com a preocupação do bem comum, defende a primazia dos valores espirituais sobre os económicos, das soluções permanentes sobre a estreita visão do actual, sem antes nem depois...», assim pensou e escreveu Francisco Caldeira Cabral, o nosso mestre da paisagem.

Elsa Severino, Arquitecta paisagista
Artigo de opinião do jornal SOL de 09/04/2010

segunda-feira, abril 12, 2010

Exposição Sobre o Abate de Árvores no Concelho de Loulé

A "requalificação" do Parque Municipal de Loulé

Foto de Março de 2010




Vou usar uma expressão típica das classes "médias". Então é assim...vamos lá fazer de conta que nada se passa. Somos todos muito bons nisso. Basta que sejamos todos coniventes nos nossos silêncios, nos implicítos e nos não ditos. O parque está a ser "requalificado" e não a ser "destruído". A novilíngua criada por George Orwell aplica-se aqui na perfeição. O "parque" passou a "jardim". E o "jardim" sofria de "excesso de ensombramento". Nada de espantar numa época em que o "Algarve" passou a "Allgarve". Se tudo muda, a sombra nunca poderia pôr o sol a um canto. É que isso não é nada "moderno". Isso são coisas dos "velhos do restelo".

quinta-feira, abril 08, 2010

Exposição Sobre o Abate de Árvores no Concelho de Loulé

Abate de Árvores a uns escassos centímetros da porta da Assembleia Municipal de Loulé



A sugestão da Carta de Compromisso Ambiental parece-me óptima. Mais cedo do que tarde o problema colocar-se-á em cima da mesa. Um sinal de modernidade.

"É pena que até agora nenhum comentador se tenha referido à oportunidade e necessidade de ser adoptada uma Carta de Compromisso Ambiental!
Esse deverá ser assunto para levar à Assembleia Municipal pelos partidos da Oposição, mas preferencialmente, com a colaboração das Associações e Cidadãos interessados e conhecedores da matéria. Até alguns Departamentos Autárquicos deviam dar o seu contributo resultante do conhecimento “no terreno”…
Sendo o Ambiente algo vasto e com especificidades várias pode o documento ser adoptado por via de “Encartes Temáticos” a serem produzidos em sessões de trabalho abertas aos interessados em contribuir com preocupações e soluções.
De ser considerada a figura do Provedor Municipal de Ambiente a quem competiria zelar pelo cumprimento da Carta de Compromisso, com autoridade e independência.
Vamos lá, contribuam positivamente para que a Cidadania se afirme!"

António Almeida, blogue Sebastião.

Ver aqui: http://ssebastiao.wordpress.com/2010/04/06/t-shirt-oh-mae-e-parque/#comments

Exposição Sobre o Abate de Árvores no Concelho de Loulé

Parque Municipal de Loulé
Abril de 2010


A "Requalificação"

Atenção

Muito Perigo: Excesso de Ensombramento

quarta-feira, abril 07, 2010

Exposição Sobre o Abate de Árvores no Concelho de Loulé

Memórias da cidade

Abate de Tílias na Praça da República



Nesta estória infeliz do abate de Tílias na Praça da República também a Almargem se pronunciou:

Abate de árvores em Loulé

A Associação Almargem considera que os serviços da Câmara Municipal de Loulé responsáveis pelos espaços verdes, têm demonstrado ao longo dos últimos anos, uma confrangedora falta de sensibilidade para as questões do verde urbano. Foi assim em 2008 quando a araucária monumental dos Claustros do Convento do Espírito Santo, um dos ex-libris da cidade, foi podada de forma grotesca. Foi assim, em Novembro do mesmo ano, quando os referidos serviços ignoraram completamente a realização pela Almargem, em Loulé, do debate "Espaços Verdes e Árvores Monumentais", apoiado pela própria autarquia. Foi assim, agora, em plena celebração de mais um Dia Mundial da Floresta, com o corte ostensivo e provocatório de uma dúzia de tílias na Praça da República, mesmo defronte das janelas da Câmara Municipal. Isto para só citar alguns exemplos. A Almargem apela, por isso, ao Presidente Seruca Emídio que chame a atenção dos responsáveis pelos espaços verdes de Loulé, promova a sua mais que necessária reeducação ambiental e cívica e tome a iniciativa de lançar publicamente um debate alargado sobre o futuro dos espaços verdes municipais.

Ver aqui o original: http://www.almargem.org/

Exposição Sobre o Abate de Árvores no Concelho de Loulé

Parque Municipal de Loulé

"A Requalificação"



Se eu estiver certo e requalificar não significar destruir, como se explica que se opte por "requalificar" um parque que é altamente qualificado do ponto de vista ambiental? Quanto custa do ponto de vista económico, ambiental e social esta destruição totalitária?

terça-feira, abril 06, 2010

Exposição Sobre o Abate de Árvores no Concelho de Loulé

Parque Municipal de Loulé

Abril de 2010

Abate de Árvores



Diz-me como tratas as árvores da tua cidade dir-te-ei quem és...

Exposição Sobre o Abate de Árvores no Concelho de Loulé

Parque Municipal de Loulé

"A Requalificação"

Antes...




Depois...

Exposição Sobre o Abate de Árvores no Concelho de Loulé

Parque Municipal De Loulé

Da "Requalificação"

Antes...



Depois...



Comparativamente com os abates de árvores sistemáticos e continuados levados a cabo nos últimos anos no Concelho de Loulé, a verdadeira bárbarie ambiental ocorre neste momento aqui. E são assustadores os silêncios, as conivências e as indiferenças de todas as cores...

segunda-feira, abril 05, 2010

Exposição Sobre o Abate de Árvores no Concelho de Loulé

Parque Municipal de Loulé - A "Requalificação"

Descubra as diferenças:

Antes...



Depois...

Exposição Sobre o Abate de Árvores no Concelho de Loulé

Abril de 2010

"Requalificação" do Parque Municipal de Loulé



"Excesso de ensom­bra­mento em Loulé? No cora­ção do “All­garve”? Há dois pro­ble­mas que observo serem recor­ren­tes nes­tes e nou­tros casos: excesso de dinheiro e falta de accoun­ta­bi­lity. E assim se governa na mais sos­se­gada falta de res­pon­sa­bi­li­dade. Se lhes saísse do bolso, se um dia tives­sem de res­pon­der pelos des­man­dos enquanto autar­cas, não faziam um décimo das asnei­ras. Esta inter­ven­ção não bene­fi­cia o par­que. Se não bene­fi­cia o par­que, não bene­fi­cia as pes­soas. Se não bene­fi­cia as pes­soas é em bene­fí­cio de quem?"
Comentário de José Rui Fernandes no blogue Árvores de Portugal

Ver aqui: http://www.arvoresdeportugal.net/2010/04/preocupante-requalificacao-de-jardim-em-loule/#more-2357

domingo, abril 04, 2010

Exposição Sobre o Abate de Árvores no Concelho de Loulé

Abate de Árvores no Parque Municipal de Loulé

Descubra as diferenças:

Antes...




Depois...



E se se requalificasse a cabeça dos requalificadores?

sábado, abril 03, 2010

Exposição Sobre o Abate de Árvores no Concelho de Loulé

Parque Municipal de Loulé

Urgente "requalificar" - Excesso de Ensombramento




O Miguel Rodrigues, da Associação Árvores de Portugal, descobriu o motivo, pela boca de um técnico "especialista" da Câmara Municipal de Loulé, pelo qual a "requalificação" do Parque Municipal, passo a citar, era urgente e necessária. O parque sofria de "excesso de ensombramento devido a uma grande densidade de arvoredo". E perante um argumento destes a justificar a barbarie que assombra a cidade, o que é que um homem pode fazer? Fugir da sua própria sombra, pois claro. Alguém por aí, dos partidos políticos, é capaz de perguntar ao doutor Emídio e ao senhor presidente da Assembleia Municipal de Loulé, qual é o real perigo desse "excesso de ensombramento" do arvoredo municipal?

Espante-se aqui:

sexta-feira, abril 02, 2010

Exposição Sobre o Abate de Árvores no Concelho de Loulé

Parque Municipal de Loulé

Para mais tarde recordar...


O prefixo (re) da palavra requalificação deveria significar isso mesmo. Dar uma nova qualificação a algo que está desqualificado ou em vias de o estar. Ora a pergunta que podemos colocar, quando olhamos para esta fotografia do Parque Municipal de Loulé, é como é que podemos (re) qualificar uma coisa que é já altamente qualificada? Numa época de desemprego estrutural de massas, numa época em que atravessamos uma crise económica brutal, numa época em que se pedem todos os sacríficios do mundo àqueles que são os sacrificados de sempre, temos autarcas que brincam ao esbanjamento do dinheiro dos contribuintes, em nome da sua grandeza e da miséria de todos nós. E mais uma vez, em nome da destruição bárbara do mais belo património arbóreo da cidade de Loulé. Não há indignação que chegue para tamanha desgraça.

Exposição Sobre o Abate de Árvores no Concelho de Loulé

Loulé, 28 de Março de 2010

Abate de Árvores no Parque Municipal de Loulé




Continua a odisseia arborícida no Concelho de Loulé. Agora no Parque Municipal. Estavam doentes estas árvores? Existem relatórios técnicos que justifiquem estes abates? Sejamos claros e honestos dr. Seruca Emídio. O senhor quer construir uma cidade à sua imagem. Em nome de uma estética desenvolvimentista serôdia escondida por detrás desse palavrão "pós-moderno" que se designa de "requalificação" o senhor mais não quer fazer do que deixar a sua marca na cidade de Loulé. Seria isso perfeitamente legítimo, não fosse o lamentável uso do poder para destruir por toda a cidade e de uma vez por todas aquilo que a inteligência das anteriores gerações legou às gerações actuais. Não dr. Emídio, o senhor não é nenhum protegido pela santa Mãe Soberana, essa mesma que lhe para à porta todos os Domingos de Páscoa, ajoelhando-se aos seus pés. Esta estória mórbida do abate sistemático e continuado das árvores da cidade, quer o senhor queira ou não queira, já está inscrita na história do seu mandato popular.

quinta-feira, abril 01, 2010

Exposição Sobre o Abate de Árvores no Concelho de Loulé

Loulé, Parque Municipal

28 de Março de 2010


E assim, lição por lição,
Que a pouco e pouco aprendemos
De outros – a outros daremos,
Que a muitos outros darão!

António Aleixo

Exposição Sobre o Abate de Árvores no Concelho de Loulé

Entrega do Manifesto pelas Árvores do Concelho de Loulé ao Presidente da República de Portugal

Obrigado Pedro pela enérgica e competente defesa das árvores de todos nós. As futuras gerações agradecem.

Deixo-vos com a análise, agora mais distanciada, do abate frequente e sistemático, das árvores do Concelho de Loulé pela CML, nos últimos anos, análise essa, levada a cabo pelo Pedro Santos, Presidente da Associação Árvores de Portugal.

"A
17 de Maio de 2007 publicava, aqui na Sombra Verde, o primeiro texto dedicado ao abate de árvores no concelho de Loulé.

Foi o primeiro de vários textos, dedicados não apenas a questionar o porquê desses abates, como também a denunciar podas abusivas, como a que sofreu
a araucária do Convento do Espírito Santo, que marcava o perfil da cidade. Passados 3 anos, e muitas dezenas de árvores abatidas, são muitas as perguntas que continuam sem resposta.

Por exemplo, no texto que cito, de Maio de 2007, questionava qual tinha sido a entidade técnica responsável pela análise do estado fitossanitário das árvores abatidas, nesse caso, na Avenida José Mealha.

Neste espaço de tempo, a Câmara Municipal de Loulé (CML), que se saiba, nunca deu qualquer justificação aos seus munícipes para o abate destas e de muitas outras árvores. Nunca explicou se existe algum plano para os espaços verdes da cidades, planeado e executado por técnicos credíveis ou se, pelo contrário, as intervenções vão sendo pensadas e executadas em cima do joelho, ao sabor de uma maré destrutiva, servindo um ideal estético de contornos arboricidas.

Há cerca de 3 semanas, e tendo por base a busca de motivos para uma intervenção no Parque Municipal, mais uma de contornos muito duvidosos, o Miguel Rodrigues, que comigo pertence aos quadros directivos da Árvores de Portugal, teve ocasião de questionar um responsável da Divisão de Projectos, da CML, sobre os motivos para todos estes abates.

Nenhum documento, se é que algum existe, nos foi dado a conhecer que pudesse fundamentar, de alguma forma, estas intervenções nos espaços verdes do concelho. Apenas a informação, algo vaga, que a CML solicita, previamente a este tipo de intervenções, o parecer de um engenheiro agrónomo.

Estudos para cada uma das árvores abatidas? Bom, se os há, não nos foram mostrados e continuamos, e provavelmente continuaremos sempre, sem saber se haveria motivos para cortar estas árvores.

Claro que a conversa do Miguel Rodrigues ocorreu antes de imaginarmos a surpresa , de muito mau gosto, que a CML tinha reservado para a véspera e para o próprio Dia da Árvore: o corte de 16 tílias, no coração da cidade!

Uma vez mais, e após mais esta ocorrência, o Miguel Rodrigues, em nome da Árvores de Portugal, deslocou-se à CML, em busca da verdade. Desta vez, foi, inclusivamente, recebido pelo próprio Vice-Presidente da autarquia. Deste modo, foi possível saber que para este caso, e apenas para este, foi pedido um estudo a uma empresa de arboricultura, ou seja, a uma empresa com técnicos e equipamentos próprios para fazer o diagnóstico do estado fitossanitário de árvores ornamentais.

O Miguel Rodrigues consultou o estudo, que faz, não uma análise global das tílias, mas uma análise individualizada do estado fitossanitário, para cada um dos exemplares em causa. Ficou-se a saber, deste modo, que, das 16 árvores cortadas, 12 apresentavam sérios riscos para a segurança de pessoas e bens.

Como já escrevi anteriormente, a CML pode, e deve, ser criticada neste caso das tílias, da Praça da República, pelos seguintes factos:

a) Não divulgou os resultados do estudo, permitindo que as pessoas pudessem ter questionado, de forma directa, os próprios autores do documento em causa, de forma a compreenderem os riscos envolvidos caso se tomasse a opinião de preservar as tílias;

b) Deste modo, a decisão de cortar as árvores foi mantida em segredo, com o intuito óbvio de não criar polémicas, como se isso fosse mais importante que os sentimentos das pessoas face a estas árvores. As pessoas deveriam ter sido informadas e preparadas para a inevitabilidade deste desfecho.

c) Pelo contrário, optou-se pela arrogância do "quero, posso e mando", com o supremo mau gosto, quase a roçar a provocação, do corte das árvores ter ocorrido no fim-de-semana em que se celebrava, precisamente, o Dia da Árvore.

d) Por último, a autarquia não explicou, e continua sem explicar, os motivos porque decidiu, adicionalmente, abater 4 tílias que não apresentavam qualquer perigo para a segurança dos transeuntes.

No entanto, o pormenor mais significativo do dito relatório é quando o mesmo sublinha que, se não tivesse sido a incorrecta manutenção destas árvores, com podas desadequadas, não se teria chegado ao estado de degradação que ditou a necessidade de proceder ao corte destes exemplares.

Percebe-se melhor agora o incómodo da CML em divulgar este estudo técnico, pois no mesmo está escrito, preto no branco, a sua culpa neste desfecho. Se as árvores não podiam ser salvas foi porque a autarquia delas não soube cuidar.

Curiosamente, no tal texto de Maio de 2007, perguntava precisamente: "Para além de todas as questões ambientais inerentes a estes abates, será que uma correcta gestão do património arbóreo não seria também proveitosa para o erário público?" Dito por outras palavras, se as árvores fossem tratadas com profissionalismo, ao longo dos anos, não seria necessário, às câmaras municipais, proceder sistematicamente ao seu abate e substituição por novos exemplares, como neste caso de Loulé. Para além dos custos ambientais e paisagísticos, poupava-se o dinheiro dos contribuintes.

Claro que o corte destas 16 tílias, dada a sua idade e localização, acabou por ter um impacto muito maior do que o corte das dezenas de exemplares, no concelho, que o precedeu. Mas o pior deste caso é que, uma vez que a CML, no passado, nunca deu explicações aos seus munícipes sobre os cortes de árvores no concelho, agora que existe um estudo tecnicamente credível, muitas pessoas recusam-se a aceitar os resultados do mesmo.

E isto é que é particularmente grave, pois demonstra o divórcio dos cidadãos de quem os representa e governa. Tal só levará a que, no futuro, os cidadãos se distanciem cada vez mais das políticas para a sua cidade, com o efeito agravante de deixar quem manda na autarquia mais livre para implementar os seus desígnios.

Porque, verdade seja dita, a Câmara de Loulé, como qualquer autarquia deste país, sabe que conta com o apoio de uma larga maioria de cidadãos que, independentemente da sua cor política, odeia as árvores e apoia qualquer acto arboricida. É triste, mas tem que ser recordado que, em 2008, o professor António Rocha lançou um
manifesto em defesa das árvores de Loulé que teve 66 assinaturas...sessenta e seis!

É esta passividade e cumplicidade da sociedade civil que alimenta a arrogância de quem manda e que cauciona, por omissão, muitos dos seus actos. No entanto, inconformados com esta situação e prontos a lutar contra o desânimo, um grupo de cidadãos de Loulé decidiu mostrar o seu descontentamento, no passado Sábado, ao Presidente da autarquia, Dr. Seruca Emídio, aproveitando a passagem do Presidente da República, Professor Cavaco Silva, pelo concelho onde nasceu.

Esse grupo de cidadãos, que inclui o António Rocha (autor do blogue
Sebastião), o João Martins (autor do blogue Movimento Apartidário da Cidade de Loulé) e o Hélder Faustino Raimundo (autor do blogue Contra>Senso) decidiu convidar a Associação Árvores de Portugal , na minha pessoa e na do Miguel Rodrigues, a juntar-se a esse protesto simbólico. Aceitámos por ser um protesto em defesa das árvores e por ser um protesto apartidário.

Deste modo, em nome de todos os cidadãos de Loulé, tive ocasião de entregar ao Senhor Presidente da República, o documento que poderão ler, na íntegra, no blogue da
Árvores de Portugal. Uma cópia do mesmo foi, obviamente, entregue igualmente ao autarca de Loulé.

Ao Presidente da República agradecemos a amabilidade que demonstrou em querer ouvir as razões da nossa indignação e, deste modo, ter criado as condições para que as pudéssemos transmitir, na primeira pessoa, ao Presidente da CML. Por seu lado, o Presidente da autarquia, a quem também agradecemos a atenção de nos ouvir, teve o cuidado de prestar algumas justificações mas que, mesmo tendo em conta que aquele não era o momento para conversas exaustivas e demoradas, nos parecem claramente insuficientes:

a) Sobre o facto das tílias terem sido cortadas no Dia da Árvore, foi-nos dito que a urgência desses abates foi ditada precisamente pelo conteúdo do dito relatório técnico. Situação que contestei, pois o relatório foi concluído em Novembro passado. Logo, se os técnicos tivessem descrito uma situação de perigo iminente, o corte deveria ter sido imediato. Como tal não foi feito, presume-se que a necessidade de abater as 12 tílias não era urgente, pelo que o período de tempo que decorreu após a entrega do dito documento deveria ter servido para a sua divulgação/discussão.

b) Precisamente sobre a falta de divulgação deste relatório, o Senhor Presidente da CML esclareceu-nos que o mesmo tinha sido dado a conhecer aos comerciantes da Praça da República. Sem desprimor para os ditos comerciantes, tive ocasião de relembrar o Senhor Presidente da autarquia que estes representam uma ínfima parte dos cidadãos do concelho.

c) Sobre os motivos para todos os outros abates ocorridos, nestes 3 últimos anos, na cidade e no concelho, nada foi dito. Nem sobre a já citada intervenção no Parque Municipal da cidade, que decorre na actualidade.

Deste modo, continuamos sem saber qual a estratégia e a fundamentação, se é que existem, para todas estas intervenções nas árvores e espaços verdes municipais.

Deste modo, e para que esta acção não tenha sido em vão, cabe aos cidadãos de Loulé continuar a pressionar os seus representantes na Assembleia Municipal, de modo a obter as respostas necessárias por parte do Executivo Municipal. É aos louletanos que cabe mostrar o seu descontentamento. Só eles e apenas eles poderão conseguir uma mudança de rumo na forma como estas questões têm sido tratadas, no concelho.

P.S. - Algumas questões adicionais:

1º) A Árvores de Portugal irá manifestar, brevemente, a sua opinião sobre as obras de remodelação no Parque Municipal de Loulé.

2º) A Árvores de Portugal defende que a gestão das árvores ornamentais deve ser feita, em exclusivo, por empresas ou técnicos com formação em arboricultura. Deste modo, a menos que alguém nos prove a falta de idoneidade e de competência técnica da empresa que efectuou a análise das tílias da Praça da República, continuaremos a defender, como credíveis, as conclusões do citado estudo técnico.

3º) A Árvores de Portugal, em conjunto com a Almargem, acordou realizar, num espaço da autarquia, uma palestra sobre espécies invasoras, no próximo dia 16 de Abril. Sobre este assunto, queremos reafirmar que, como é por demais evidente, tal facto não condiciona a nossa isenção e liberdade.Por outro lado, como não confundimos o Executivo Municipal com a autarquia em si, enquanto instituição, não vemos motivos para anular esta iniciativa e privar os louletanos de aceder a uma palestra que nos parece extremamente importante."

Nota: A foto é copiada do blogue Sebastião de António Almeida.