sábado, maio 31, 2008

O Eterno Retorno...o futuro a Deus pertence...


Manuela Ferreira Leite foi eleita hoje líder do Partido Social Democrata. O lamentável estado em que se encontra o PSD, ganhou hoje uma luz ao fundo do túnel, com a vitória eleitoral da ex-ministra da educação e das finanças de Cavaco e Silva.

O partido que mais partido demonstrou estar nos últimos anos na oposição democrática não vai deixar escapar a oportunidade de se "unir" em torno da luta pelo poder.

Ferreira Leite sabe qual a receita que os portugueses querem ouvir neste momento. Sabe que a sua imagem de respeitabilidade, de seriedade e de autoridade terá que ser temperada com o discurso sobre o social e com uma atenção caritativa e paternalista para com os mais pobres e desfavorecidos.

Ferreira Leite sabe também, que o descontentamento das classes medias com Sócrates atingiu os limites do suportável. Ferreira Leite sabe, que a crise económica veio para ficar e de nada serve a atitude de sobranceria face às dificuldades económicas dos portugueses.

Ferreira Leite sabe que a "verdadeira" esquerda, o PC, o Bloco de Esquerda e o que ainda resta de "esquerda" no partido que se diz socialista vai retirar a maioria absoluta a Sócrates. Ferreira Leite sabe que o discurso em direcção ao combate às desigualdades, à pobreza e ao apoio às pequenas e medias empresas pode ajudar a roubar os votos de Sócrates ao "centro", onde o eleitorado é mais volátil.

Ferreira Leite vai continuar a seguir as políticas neoliberais, pintando-as com tonalidades caritativas e de apoio social. Os portugueses, esses, em Ferreira Leite vão acreditar. Em Sócrates, com o mesmo caminho político, já ninguém acredita.

O PS, esse, atravessará a sua crise mais profunda de sempre. Sem ideologia que o sustente, com a derrota dos "pragmáticos", nada de bom se augura no futuro.

As tristes figuras da batalha política interna a que nos remeteu nestes últimos anos o PSD vão ser "socializadas".

A responsabilidade é do governo de Sócrates e do rebanho que o seguiu de olhos fechados.
É caso para dizer, com uma maioria absoluta dada de mão beijada pelo povo, com o objectivo claro de correr com Santana Lopes do governo, não havia necessidade...

Como diz Jorge Coelho "há muita falta de memória nos políticos e na política"...o povo, é que em época de crise, não se esquece...o futuro próximo o dirá...

sexta-feira, maio 30, 2008

Retratos da cidade de Loulé: Da sátira do abate de árvores

Homenagem ao Ti Manel da Motosserra...


"O vaiceniga, moço que percebe bués de agricultura arvores e cenas dessas, fez este graffiti búé loco em homenagem ao tio dele manel da motosserra. O ppl curte porque tem boas cores e mostra a preocupação que o vaiceniga tem em relação ao ambiente. Vejam os cabrões dos pássaros que só cagam tudo o que está por baixo. É muito bem mandar abaixo aquelas arvores que alem de sujar a rua com as folhas, é um albergue para a passarada que suja os BMW e Mercedes da cidade e assim melhora o ambiente. Boa vaice"

Publicada por Lord batan
In http://gangdolc.blogspot.com/

Os pássaros...sujam a rua...os BMW...e os Mercedes...assim melhora o ambiente...

Bom fim de semana

quinta-feira, maio 29, 2008

A voz do povo: Isso é progresso...

Covardemente fizeram isso aí... essa matança


Imagem video colocada no You Tube em Dezembro de 2007

"Um grupo de ativistas ambientais formado por jornalistas, professores, servidores públicos, políticos, tentou evitar que a prefeitura derrubasse uma árvore nativa com mais de 100 anos em Maringá (PR). O jornalista Ângelo Rigon passou mais de três horas em cima da árvore e só desceu depois de um "acordo" anunciado pela Polícia Militar Força Verde de que o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) resolveria a polémica no dia seguinte. Bastou todos irem embora, que a prefeitura voltou e derrubou a árvore."
in http://www.youtube.com/watch?v=J3xrrGmz9yI&feature=related

E nós por cá?

quarta-feira, maio 28, 2008

Guantanamo: A mentira como estratégia política de manipulação das massas

Jamais o Governo Português tomou conhecimento dos voos da CIA...



A voar e o Governo a ver...e a omitir...



Governo admite até Dezembro 56 voos de e para Guantánamo

"De Julho de 2005 até Dezembro de 2007, passaram por Portugal 56 voos que seguiram caminho ou vinham da polémica base norte-americana de Guantánamo. A confirmação foi recebida na semana passada, no Parlamento, pelo deputado comunista Jorge Machado, através de uma listagem que lhe foi remetida pelo Ministério das Obras Públicas - responsável pelo controlo do tráfego aéreo nacional.

Tendo em conta os últimos voos dessa lista, datados de 28 de Dezembro de 2007, "a única conclusão possível é que subsiste a utilização do espaço aéreo português sem qualquer tipo de controlo", disse Jorge Machado ao JN.

A lista oficial, a primeira que chega ao Parlamento português, quase dois anos após o início da polémica, parece confirmar alguns dados denunciados pelos deputados do PCP, mas também por eurodeputados como a socialista Ana Gomes.

Primeiro, que a esmagadora maioria dos voos em causa são militares - assim o refere a nota do Ministério das Obras Públicas, justificando com isso a ausência de controlo da carga, passageiros e missão de cada um desses voos. Depois, confirma ainda a passagem, nesse período, de cinco aviões pela base das Lajes e de um outro, civil, por Santa Maria.

Neste último caso, a referência do avião é conhecida de vários relatórios, nomeadamente do inquérito feito pelo próprio Parlamento Europeu, sendo insistentemente apontado como um voo CIA. Quanto aos outros 55 apontados, percebe-se pelas referências usadas que têm várias origens muitos (os RCH) são militares americanos; outro (um KA) é do Kuwait; e até aparece um SVA, não reconhecido pelas fontes ontem contactadas pelo JN.

Há, na lista oficial que agora chega aos deputados, outra polémica não resolvida a questão da fiscalização de cada voo. É que o Governo garante nos documentos não ter "qualquer informação" sobre os ditos voos, por serem militares. Mas há quem garanta - como fez o ex-ministro dos Negócios Estrangeiros Freitas do Amaral na Assembleia, em Dezembro de 2005 - que qualquer voo militar que passe por espaço aéreo português tem que ter uma autorização do Ministério dos Negócios Estrangeiros ou do Ministério da Defesa, com a caracterização do que transporta.

"Se o Governo não os fiscalizou foi porque não quis", acusa o deputado comunista. "Deviam ter sido feitas inspecções, até porque havia fortes indícios de que transportavam prisioneiros" para Guantánamo", conclui."

Fonte: JN

http://aiporto.blogspot.com/2008/05/governo-admite-at-dezembro-56-voos-de-e.html

Sem mais palavras...

terça-feira, maio 27, 2008

Quem vos avisa amigo é...

Porque fecha os olhos o governo de Sócrates ao agravamento das desigualdades sociais em Portugal?



Mário Soares avisou hoje o PS para olhar com a devida atenção para o agravamento das desigualdades sociais, para a pobreza persistente em Portugal e para o descontentamento crescente das classes médias.

No mesmo dia, Sócrates, falava a um grupo de fiéis seguidores do partido, que o escutavam com a reverência de sempre, e jurava a pés juntos que se está a fazer um "alarme social" e a falar de fome sem razão aparente para isso.

Manuela Ferreira Leite, a próxima Primeira Ministra de Portugal, também neste fértil dia de afirmações iluminadas de sabedoria política, afirmou sobre o mundo do trabalho e do emprego que já não faz sentido falar de "precariedade" das relações laborais porque tudo hoje é "precário". Portanto, nem vale a pena discutir isso a que o bom povo chama de "precariedade".

Assistimos, assim, num só dia, à recusa dupla da realidade. Sócrates continua a viver no seu mundo de fantasia, qual Alice no País das Maravilhas, Ferreira Leite, "naturalizou" desta forma a precariedade e assume a sua "inevitabilidade" social.

Soares, o "Velho do Restelo", com certeza "caduco" aos olhos desta gente, aconselhou a fortalecer o Estado e a não entregar a riqueza aos privados. Avisou também, porque amigo é, que o PS a continuar assim contribuirá inevitavelmente para a subida eleitoral do PC e do Bloco de Esquerda.

Os actuais dirigentes do partido que se intitula socialista e que mais à direita se situa em Portugal, exceptuando talvez, sim, talvez, o PP de Paulo Portas, já nem aos interesses do partido atendem. O partido, irremediavelmente, está entregue aos interesses do grande capital.

Como nos faz o favor de relembrar Sócrates, depois dos sindicatos, o seu grande "inimigo" agora é a "esquerda". Esses ideólogos do passado que não o compreendem...

O rebanho, esse, põe a manutenção do poder e dos lugares em primeiro lugar...

E a política partidária, essa, caminha suicidariamente para o abismo...

Depois vem-se chorar leite derramado com a retórica de que os jovens não têm interesse na política...porque haveriam de ter?

segunda-feira, maio 26, 2008

No lugar da árvore...fez-se luz...

No lugar da árvore...


...fez-se luz


Loulé, Maio de 2008

Passagem da Idade das Trevas à Idade da Luz...

Caminhamos assim em direcção ao progresso...e ao desenvolvimento...sustentável...

Boa semana

domingo, maio 25, 2008

Retratos da Cidade: As Horas de São Francisco

25 de maio de 2008 - 15h33m - Hora de Verão


O relógio marca 14h33m - Hora de Inverno

O tempo perguntou pro tempo
quanto tempo o tempo tem
O tempo respondeu pro tempo
que o tempo tem tanto tempo
quanto tempo o tempo tem

Largo de São Francisco. Freguesia de São Sebastião.

A modernização tecnológica parou na hora de Inverno. Há algumas semanas que o tempo deixou de perguntar pro tempo quanto tempo o tempo tem.

Agradece-se a quem tanta destreza demonstrou em encolher dezenas de metros a cidade em causa própria possa agora restituir o tempo de Greenwich aos habitantes da freguesia com alguma celeridade.

Muito obrigado.

Da recusa política do crescimento das desigualdades sociais

Porque recusa o governo de Sócrates os números do crescimento das desigualdades sociais em Portugal?



"A nossa relação com o mundo exterior passa não só pelos media informacionais, mas também pelos nossos sistemas de ideias, que recebem, filtram e triam o que nos fornecem os media. Quando não temos opinião formada ou preconceito prévio, somos extremamente abertos às informações. Quando não possuímos estrutura mental ou ideológica capaz de a assimilar ou inscrever, a informação transforma-se em ruído. Em contrapartida, quando dispomos de ideias firmes e definitivas, somos muito acolhedores para todas as informações que as confirmem, mas muitíssimo desconfiados para com as que as contrariem.

Mais ainda, somos capazes de resistir às informações não conformes com a nossa ideologia, recebendo essas informações não como informações. mas sim como logros ou mentiras. Como se sabe há muito tempo, mas se está sempre a esquecer, os espíritos individuais (e por seu intermédio as ideologias colectivas) são muito capazes de resistir aos media quando estes difundem não só ideias, mas também informações contrárias às suas convicções e crenças profundas.

Assim, os filmes de actualidades e as emissões de rádio da ocupação alemã tiveram influência quase nula sobre as opiniões e as esperanças dos Franceses. Estes viam apenas mistificações nas enormes massas de prisioneiros e nas destruições de tanques russos apresentadas nos écrans (...) Os Alemães que quiseram ignorar a existência dos campos nazis ignoraram-na, e em 1945 as populações alemãs receberam como mentiras de propaganda as imagens e os relatos dos campos da morte; os Franceses que quiseram ignorar a tortura na Argélia ignoraram-na. Durante um ano implorei à minha amiga C. que lesse O Arquipélago do Gulag. Não tinha tempo, mas encontrava vagar para ler Guattari e Lacan.

Deste modo, consegue-se não ver o que toda a gente vê, deixa-se de ver o que se continua a ver (saturação) ou olha-se para outra coisa (diversão), mesmo quando temos todas as informações à nossa disposição. Quase poderia formular esta lei psicosocial: Uma convição bem firme destrói a informação que a desmente."

Edgar Morin, As Grandes Questões do Nosso Tempo, Lisboa, Notícias Editorial, 1997, pp. 29-30.

PS: O reforço a bold é de minha autoria.

sexta-feira, maio 23, 2008

Memórias da Cidade: Revisitar o primeiro livro de António Aleixo

Dono de coisas que não sabia...

Francisco Fanhais canta Sei que pareço um ladrão


O primeiro livro de António Aleixo

"Acaba de fazer sessenta e cinco anos que o primeiro livro de António Aleixo – Quando Começo a Cantar – começou a ser vendido, pelo próprio, nas ruas e estabelecimentos de Loulé. Era um domingo. Domingo de Páscoa que, nesse ano de 1943, aconteceu a 25 de Abril, último dia do ano em que pode calhar. Para o poeta, aquele dia foi também de festa e de ressurreição. Ressurreição da esperança numa vida melhor e numa assistência cuidada para a filha que, em casa, agonizava tuberculosa. Assim esse livro se vendesse – como se esperava..., e muitas das suas aflições quotidianas poderiam ser ultrapassadas, pelo menos temporariamente.

Embora o seu amargo realismo o levasse, depois, a desabafar: Se o meu livro se consome, pode-me cobrir de glória; mas depois a minha história dirá que morri de fome. O livrinho, de sessenta e poucas páginas, nascera de uma ideia do dr. Joaquim Magalhães, desde logo acatada pelo autor, e era, mui justamente, dedicado à memória de José Rosa Madeira, o arqueólogo e relojoeiro de Ameixial, estabelecido em Loulé – e entretanto falecido – a quem António Aleixo ficara a dever a sua participação nos Jogos Florais promovidos pelo Ginásio Clube de Faro, em 1937, onde conhecera aquele [1] de quem diria depois: Por me ver ao abandono, e ouvindo a minha poesia, disse-me que eu era dono de coisas que não sabia.

José Rosa Madeira tinha sido também o primeiro coleccionador de quadras de António Aleixo, e fora ele quem fornecera umas folhas dactilografadas com duas ou três dezenas dessas composições, as quais vieram a constituir o núcleo primitivo do Quando Começo a Cantar. Este abria com um pequeno prefácio de Joaquim Magalhães, no qual, o já “secretário” do poeta conseguira encaixar a quadra: Quem nada tem, nada come; e ao pé de quem tem comer, se alguém disser que tem fome,comete um crime sem querer – quadra que, prudentemente, não tinha sido inserida no corpo principal; e fechava com outra que, mais tarde, daria o título à Obra Completa do nosso poeta: ESTE LIVRO QUE VOS DEIXO E QUE A MINHA ALMA DITOU VOS DIRÁ COMO O ALEIXO VIVEU, SENTIU E PENSOU.

Contando com as duas já referidas, o primeiro livro de António Aleixo era constituído por 113 quadras (distribuídas três a três por cada página), quatro quintilhas, cinco sextilhas e duas composições em décimas, subordinadas a motes, sendo o primeiro do próprio Aleixo, dedicado à prisão de Manuel Domingos Louzeiro, o “quadrilheiro” de Salir, capturado, não havia muito tempo: lá vai preso o ladrão que em toda a parte apar’cia; contam-se mais de um milhão de roubos que ele fazia. [2] O segundo era um mote alheio [3] – «Nunca amanhece em meu peito, / e eu ando nesta cegueira. / Acorda me, ó meu amor, / senão sonho a vida inteira!» – que António Aleixo glosou em quatro décimas, como as demais, de estrutura tradicional, mas onde já utiliza uma linguagem e desenvolve conceitos completamente inusitados em poetas da sua estirpe.

Quando, naquele dia 25 de Abril, o livrinho do poeta-cauteleiro começou a circular em Loulé, ainda cheirava a tinta do prelo, pois tinha acabado de ser impresso na Tipografia União, de Faro, aos 14 de Abril de 1943. A edição era do Círculo Cultural do Algarve e custara 1600$00, quantia conseguida graças ao apoio financeiro da Junta de Província, presidida pelo Dr. José do Nascimento, colega do Dr. Joaquim Magalhães, no Liceu de Faro.

A tiragem foi de 1100 exemplares. Contava-se, certamente, com a venda de mil, destinando-se os restantes a ofertas pessoais e à Imprensa. Esta – do Algarve ao Porto, passando pelo Alentejo, Lisboa e Coimbra – não podia ter sido mais prestante do que foi, reconhecendo a qualidade da obra e o mérito do autor, em notas de simpática referência, aliás, mais do que merecidas.

Julião Quintinha por exemplo, no Diário do Alentejo, asseverava que (o autor do livro) «era certamente muito mais poeta filosófico que poeta popular» e que no «livro agora editado (…) encontro algumas das mais perfeitas quadras que tenho lido nos últimos tempos». O livrinho foi assim, desde a primeira hora, um êxito, tanto de crítica, como de público. Em Loulé, onde Aleixo era uma figura popular, admirado e estimado por quase toda a gente, e contava com verdadeiros amigos, as vendas ultrapassaram as expectativas. Em poucos dias, vendeu para cima de 300 exemplares.

O preço de cada um (não impresso na capa) era de 7$50 (sete escudos e cinquenta centavos, ou seja um pouco menos que quatro cêntimos actuais). Mas raros compradores – se é que algum o fez – se limitaram a pagar essa quantia que, diga-se em abono da verdade, naquele tempo não era de pequena monta, pois dava para comprar três pães de quilo e era igual ou superior a metade de um dia de salário dum trabalhador comum.

Dez e vinte escudos foram os valores que a maior parte dos compradores deram pelo livrinho; com 50$00, também alguns pagaram, recusando a demasia…e houve mesmo quem pagasse 100$00 por um exemplar. Em Faro, foi também António Aleixo quem começou a venda do seu livro, mas só no dia 2 de Maio, ou seja, no domingo seguinte, aquando da inauguração de uma exposição de pintura e desenho de artistas algarvios, no Círculo Cultural do Algarve, onde estava representado outro artista louletano, o arquitecto e caricaturista Manuel Maria Laginha.

Mas aí é de registar que os livreiros da cidade – os únicos, além do autor, que se encarregaram da venda do livro – prescindiram da sua comissão, em benefício do poeta, de resto o mais necessitado. Um mês depois, António Aleixo não cabia em si de contente: «Até me parece que vivo noutro planeta» – declarou numa entrevista. Já tinha, entretanto, conseguido vestir os filhos; também conseguira pagar «umas dívidas de aflição – que me pesavam» – segundo disse. Sempre eram «nove bocas lá em casa» e às vezes, «o pão é necessidade que pode mais que o resto». Felizmente «tenho tido amigos que me têm valido» – acrescentou, com visível gratidão. Mas temendo já as consequências de tamanha felicidade, logo acrescentou: Traz-me num desassossegoo alívio à minha cruz; ando tal qual o morcego ao deparar com a luz. Dois meses bastaram para se esgotar a edição desse primeiro livrinho do popular poeta louletano.

E dois anos se passaram até surgir a segunda obra do autor – Intencionais – também editada pelo Círculo Cultural do Algarve, em 1945. Agora, volvidos sessenta e cinco anos, é de toda a justiça recordar o dia e as circunstâncias em que António Aleixo apresentou na “sua terra” o seu primeiro livro – Quando Começo A Cantar – e lembrar a razão que o poeta apresentou para o título que escolheu: Quando começo a cantar, eu bem quisera agradar; mas nem sempre sou capaz: só quando o coração canta,a minha pobre garganta faz o que nem sempre faz. "

[1] Professor Joaquim Magalhães.[2] Este tema foi depois, no princípio dos anos 70, musicado, cantado e gravado (ainda existem os discos) por dois cantores de intervenção bem conhecidos: José Manuel Osório e Adriano Correia de Oliveira.[3]
Da autoria do poeta algarvio, Victor Castela.
Ezequiel Ferreira
http://www.infoalternativa.org/cultura/cultura053.htm

Post de Francisco Trindade no blogue ANOVIS ANOPHELIS.

http://franciscotrindade.blogspot.com/2008/05/o-primeiro-livro-de-antnio-aleixo.html

As prisões da miséria: Do Estado Social ao Estado Penal

Loïc Wacquant - Sobre a ideologia securitária



A obra do sociólogo Loïc Wacquant é fundamental para percebermos as dinâmicas sociais das sociedades contemporâneas.

Para este autor, o Estado Penal está a substituir progressivamente o Estado Social. A ideologia e as políticas neoliberais apelam à progressiva retirada do Estado nos domínios onde este introduz alguns princípios de justiça social e de redestribuição da riqueza acumulada pelo sistema capitalista. A pressão neoliberal leva à diminuição dos direitos na saúde, na educação, no trabalho social, na segurança social e no apoio às populações mais desfavorecidas.

Face a redução de direitos sociais e à precarização geral das relações laborais, o aumento da pobreza, da miséria e das desigualdades sociais são as causas que conduzindo ao sentimento de insegurança estão a ser depois combatidas pela ideologia securitária e pelo surgimento do que o autor designa de Estado Penal.

A mão direita do Estado substitui assim a mão esquerda do Estado. Diminuem os orçamentos Estatais com o social e cresce a parte dos orçamentos ligados ao policiamento, à militarização, construção de prisões, assim como os gastos Estatais com dispositivos de segurança, câmaras de vigilância, mecanismos de controlo social tipo bilhete de identidade genético e outros que tais.

Crescem os gastos com os mecanismos de controlo social da miséria crescente provocada pela redução do Estado Social e aparece um negócio chorudo ligado à segurança privada das populações, sobretudo a dos insiders, aqueles que gozam de todos os "privilégios" que a sociedade lhes oferece. Habitação, trabalho certo e bem remunerado, direitos sociais garantidos e boa qualidade de vida.

Wacquant diz-nos que a ideologia securitária e as políticas de "tolerância Zero" começaram nos EUA e se estão progressivamente a espalhar por todos os países da Europa.

A miséria, as desigualdades sociais e as desordens associadas à pobreza são agora resolvidas com a prisão das populações mais pobres.

Nos EUA há uma clara sobrerepresentação de afroamericanos e hispânicos encarcerados quando comparados com as maiorias brancas.

A obra principal de Loïc Wacquant intítula-se As Prisões da Miséria e é recomendável a todos os que exercem cargos políticos assim como a todos os jornalistas e trabalhadores sociais em geral.

Pode fazer download do livro em
http://mijsgd.ds.iscte.pt/textos/Prisoes_da_Miseria_WACQUANT_Loic.pdf

É que vem aí a caminho a ideologia securitária...e aqui em Loulé já começou...


quinta-feira, maio 22, 2008

Retratos da Cidade: A cidade é um chão de palavras pisadas

Loulé, ano de 2008 D.C.
Urbanização Expansão Sul


A cidade é um chão de palavras pisadas

A cidade é um chão de palavras pisadas
a palavra criança a palavra segredo.
A cidade é um céu de palavras paradas
a palavra distância e a palavra medo.

A cidade é um saco um pulmão que respira
pela palavra água pela palavra brisa
A cidade é um poro um corpo que transpira
pela palavra sangue pela palavra ira.

A cidade tem praças de palavras abertas
como estátuas mandadas apear.
A cidade tem ruas de palavras desertas
como jardins mandados arrancar.

A palavra sarcasmo é uma rosa rubra.
A palavra silêncio é uma rosa chá.
Não há céu de palavras que a cidade não cubra
não há rua de sons que a palavra não corra
à procura da sombra de uma luz que não há.

Poema de José Carlos Ary dos Santos

Moral da estória:

1. Não basta ter cão...é preciso saber tê-lo...

Questões para reflexão:

1. Terá isto relacionado com saúde pública?
2. A organização sócio-espacial da cidade não deverá ser pensada numa lógica de prevenção destas situações?

Bom feriado

Post Scriptum: Cuidado com aquilo que pisam...

quarta-feira, maio 21, 2008

O Mundo ao Contrário: Tristes Democratas

Porquê?

Avenida José da Costa Mealha - Maio de 2008




Em Loulé abate-se as árvores da cidade e o protesto quase não se faz ouvir...

...onde se faz ouvir...ataca-se o direito contitucional de protestar...


"A Estradas de Portugal ainda não divulgou o relatório técnico que comprova que as árvores centenárias, abatidas a seu mando na EN 349-3, estavam irremediavelmente doentes e que, desta forma, constituíam um perigo para os automobilistas.
Provavelmente, a administração da empresa considerará que tal será um desperdício de tempo e dos preciosos recursos financeiros da empresa. Vai daí, decidiu aplicar esses preciosos recursos num processo contra a Quercus, relativamente a um protesto desta associação ambientalista contra o abate de sobreiros e de azinheiras, durante a construção do IC 3 e do IC 9."
In Blogue Sombra Verde

Vale a pena ler a notícia na globalidade:

Estradas de Portugal senta Quercus no banco dos réus

"O presidente da associação ambientalista Quercus, Hélder Spínola, e o presidente do Núcleo da Quercus do Ribatejo e Estremadura, Domingos Patacho, vão ser julgados no Tribunal de Tomar, pela acção de protesto que realizaram em Julho de 2006 contra as obras do IC9. A primeira sessão do julgamento está marcada para quarta-feira, 21 de Maio, às 14h30.

Os dois responsáveis estão acusados de quatro crimes cometidos através da imprensa, uma vez que a E.P considera que os protestos e declarações dos ambientalistas aos meios de comunicação social causaram danos na imagem da empresa. A acção judicial prende-se com os factos ocorridos a 29 de Julho de 2006, aquando da construção do traçado do IC9-Alburitel/Tomar e do sublanço IC3 Carregueiros/Tomar.

Na ocasião, vários membros da associação ambientalista estiveram presentes no local a participar numa acção de protesto contra as obras de construção do traçado. O protesto foi objecto de várias reportagens televisivas, tendo sido entrevistados Hélder Spínola, na qualidade de presidente da Quercus, e Domingos Patacho, enquanto representante do Núcleo da Quercus do Ribatejo e Estremadura.

Este último envergava uma t-shirt com o desenho de uma caveira e declarou às televisões que a obra que decorria “era ilegal” porque foi aprovada sem ter sido cumprido “o procedimento de impacto ambiental”. O responsável disse ainda que a EP “não tinha autorização para proceder ao abate de sobreiros e azinheiras”, salientando que não estavam contra a obra mas contra a maneira ilegal como consideravam que a EP estava a actuar.

Já Hélder Spínola referiu que o traçado “era o pior em termos de conservação de natureza” e que a empresa pública “não foi sensível” aos argumentos dos ambientalistas. A EP critica ainda o facto da Quercus ter adulterado em cartazes a sigla EP atribuindo-lhe o significado de “Estragos de Portugal – Entidade Prevaricadora do Estado”, considerando que tal situação lhes causou danos altamente lesivos no nome e imagem.

A empresa pública considera que a acção ultrapassou “todo e qualquer limite de manifestação. No boletim electrónico da associação ambientalista foi publicado um artigo a 29 de Abril, com o título “A verdade inconveniente para a Estradas de Portugal”, onde os ambientalistas rejeitam as recentes críticas do presidente da EP, Almerindo Marques, aquando da inauguração do troço e reforçam a ideia de que a obra avançou no terreno “sem ter a devida autorização para abate e conversão dos povoamentos de azinheiras e sobreiros até Novembro de 2006”.

Na nota, assinada pela Direcção Nacional da Associação, os ambientalistas apontam que desde Novembro de 2005 que a associação tomou uma posição firme devido ao facto deste sublanço do IC9 atravessar um local proposto para “Sítio de Importância Comunitária da Rede Natura 2000, Sicó-Alvaiázere”.

Os ambientalistas insistem que o mesmo foi construído “sem que tivesse sido cumprida a legislação ambiental nacional e comunitária”, considerando ainda que existiam alternativas de localização que não foram ponderadas."

Alguém se lembra do nome de Almerindo Marques, aquele que foi habilmente (re) colocado da Administração da RTP para a administração das Estradas de Portugal? Perguntem ao José Rodrigues dos Santos. Ele sabe...

Serviço Público...Quem é este João Nunes?



Caro leitor do Macloulé leia e delicie-se...

... porque também de prazer se faz a leitura.

Uma Carta de Qualidade

Voz de Loulé de 15 de Maio de 2008
Carta ao Director


...Quem é esse João Nunes? - Em resposta ao artigo do sr. Bruno Inácio do dia 15 de Abril de 2008

"...Quem é esse João Nunes? Deve ter sido a frase mais ouvida nos gabinetes da Câmara de Loulé, logo após a publicação de um artigo que eu escrevi sobre as obras de requalificação de Querença.
Pouco habituados à crítica, logo procuraram encontrar o responsável de tamanha audácia. Imagino que depois de várias reuniões em que participam os melhores investigadores policiais do mundo descobriram finalmente o autor do polémico artigo. Os principais responsáveis pelo projecto não quiseram dar a cara, por isso a resposta coube a um jovem de 25 anos, natural e residente em Querença de nome Bruno Inácio.
O seu artigo está cheio de preconceitos, velhos chavões e recalcamentos, passa ao lado das questões fundamentais e acaba em insultos pessoais. A parte mais emocionante do texto é quando num brilhante acto de dedução científica o sr. Bruno desmascara o Dr. João Nunes, que nas suas palavras se resume a um pseudo intelectual, hipócrita, burguês, citadino, lírico, que gosta de chouriças assadas e que passa duas a três horas por semana deliciado a ver velhinhos agachados a apanhar alfarrobas...brilhante!!!
O meu primeiro impulso foi ignorar esta provocação, (que no fundo só serve para desviar as atenções para aquilo que realmente interessa), mas como presumo que o senhor Bruno tem aspirações a ser o próximo presidente da Junta de Freguesia de Querença e por achar que está a ser mal orientado, deixo aqui algumas recomendações para a sua carreira política.
Devia moderar a sua linguagem. Quem leu o seu artigo percebe facilmente que evitou falar dos edifícios alterados ou do dinheiro que em vez de ser gasto em obras de saneamento ou para melhorar a qualidade de vida das populações é utilizado em obras de fachada. Ao invés de contrapor com argumentos válidos, tenta antes descredibilizar o autor de uma forma insultuosa, fazendo crer que se trata de um burguês citadino que desconhece as dificuldades da vida do campo.
Apontei vários erros que considero que foram cometidos nas obras de requalificação. Ser da cidade ou de Querença tem alguma relevância para o caso?
- O senhor Bruno fala constantemente em nome do povo de Querença e do interior, como se as suas palavras reflectissem o sentimento geral da população, mas existem muitos moradores em Querença (talvez a grande maioria) que não gostaram do resultado final das obras de requalificação, e as suas opiniões são tão válidas quanto a sua. Dizer que só os autarcas têm o direito moral e legitimidade de opinar é não só uma afirmação pouco democrática, como passa um atestado de invalidez mental a todos os que discordam dos senhores.
- A imagem que dá dos turistas da cidade que visitam Querença é ofensiva. Se as obras de requalificação tiveram como única finalidade atrair mais visitantes à povoação, as palavras preconceituosas que o sr. Bruno utiliza para descrever os citadinos que se deslocam a Querença levam qualquer um a recear o tipo de recepção que irá ter. Não está por isso a prestar um bom serviço a Querença.
- Quando se gosta preserva-se! Não faz sentido dizer que se gosta muito de um lugar para depois alterar ou destruir o que gostamos. O património de um povo é aquilo que lhe dá identidade: As pedras, as plantas e os animais que de uma forma tão desdenhosa o sr. Bruno refere no seu artigo são uma herança de todo o povo de Querença e não pertença de um grupo reduzido de pessoas que passam pelo poder de quatro em quatro anos e que depois já ninguém se lembra que existem.
...A cruz de pedra, a igreja, os velhos caminhos de pedra, as árvores centenárias são todos testemunhos do passado de que eu me orgulho, forma mantidos inalterados pelos seus antepassados durante séculos, para que as gerações seguintes pudessem usufruir dos objectos que eles achavam importantes. Ao alterar ou destruir sem um motivo válido esse património, estão a privar os meus filhos e os meus netos da sua herança cultural, e não haja dúvidas de que não existe desenvolvimento sustentado que não tenha como base o respeito pela herança patrimonial e cultural, basta olhar para os países desenvolvidos da Europa que souberam a par do progresso económico preservar os seus monumentos.
- Posso garantir que os "pseudo intelectuais" citadinos não vão comer chouriças no largo da igreja, nem perdem o seu tempo a escrever sobre uma aldeia do interior algarvio que não lhes diz nada. De facto o esquecimento que o poder central tem tido em relação ao interior deste país tem permitido os mais variados atentados paisagísticos e ambientais. Existem autarcas que a coberto desse mesmo esquecimento têm cometido excessos e abusos de todo o tipo. Fizeram das suas autarquias verdadeiras coutadas privadas onde reinam sem oposição. Munidos de uma arma chamada "obra de interesse público" lá vão semeando estradas e rotundas nos terrenos privados dos outros sem terem de prestar contas a ninguém. Para eles não existem impedimentos à construção ou problemas de saneamento básico.
- Por fim tenho de fazer um reparo a algo que deixou transparecer no seu texto, parece que para o senhor Bruno o trabalho no campo é algo pouco digno e que só apanha alfarrobas e amendoas quem não sabe ou não pode fazer outra coisa. Porém o que torna alguém digno é a sua postura perante a vida e não os bens materiais ou o emprego que ocupa.
A visão redutora que revela sobre a vida do campo é compreensível para uma geração que teve que sair do interior para procurar outras condições de vida na cidade, mas hoje o acesso às novas tecnologias e os meios de comunicação permitem a um jovem do campo ter as mesmas oportunidades do que um jovem da cidade.
- Há uns anos atrás a apanha da alfarroba era uma das principais actividades em Querença, mas a sua idade de 25 anos leva-me a suspeitar que nunca na vida se debruçou para apanhar uma alfarroba.
A minha idade permitiu-me assistir ao desenvolvimento do litoral algarvio. Praias de sonho viraram autênticos pesadelos de caos urbanístico, fruto da ganância e da ambição desmedida.
A visão que o sr. Bruno qualifica de catastrófica tem por base a minha experiência de vida. Muitos dos erros cometidos há trinta anos atrás são hoje responsáveis por problemas de saneamento com consequências por vezes graves para a vida das populações do litoral e zonas ribeirinhas. Não gostaria de ver uma repetição do que aconteceu no litoral ocorrer no interior. Infelizmente o critério usado nas obras de requalificação e o discurso dos responsáveis não são um bom prenuncio para o futuro de Querença. A minha única esperança reside na capacidade do ser humano de aprender com os erros cometidos, e esperar que um dia o desenvolvimento local seja respeitador da natureza e do património."

Carta publicada no Jornal A Voz de Loulé de 15 de Maio de 2008.

Digno dos escritos de Eça de Queiroz e com a sabedoria de um Gonçalo Ribeiro Teles.

Caro João Nunes, é para mim um orgulho, um prazer e uma honra saber que temos pessoas com a sua valia no Concelho de Loulé...o meu muito obrigado, a minha reverência e minha sincera homenagem à sua clareza e consistência de pensamento sobre as necessidades dos locais da aldeia de Querença.

O Macblogue agradece

segunda-feira, maio 19, 2008

Porque incomoda tanto a blogosfera?

José Socrates e a Blogosfera



1. A blogosfera contribui em todo o mundo para o alargamento do debate público democrático. A democracia nunca mais será a mesma depois da invenção da blogosfera. Os blogues fizeram rebentar a explosão da palavra e da opinião no espaço da polis. Neste sentido, contribuem decisivamente para o aprofundamento do debate democratico.

Há blogues para todos os gostos e feitios. Há blogues de culinária, blogues de poesia, blogues de literatura, blogues de ciência e tecnologia, blogues de economia, blogues de desporto, blogues de sexo, blogues de religião, blogues de jornalistas, blogues de políticos, blogues de partidos, blogues apartidários e blogues de cidadãos anónimos que escrevem sobre tudo e sobre nada. O espaço Agora da antiga polis grega voltou agora sob a forma virtual.

Há também os blogues que incomodam e os blogues que nada parecem incomodar. Dentro dos blogues que nada incomodam, podemos incluir, com raras excepções, os blogues de poesia, culinária, literatura e outros que tais. Dentro dos blogues que incomodam, os de política ocupam o primeiro lugar. Os políticos e os homens dos partidos vão ter que perceber rapidamente como lidar com a tomada da palavra pelos cidadãos na esfera pública e não é com certeza com censura que a sua relação com os cidadãos vai melhorar.

Olhar para o que se passa nos EUA pode ser uma óptima experiência de aprendizagem. Até as grandes empresas multinacionais já olham com atenção para a blogosfera. Em vez de ser sentida como um incómodo pelos poderes instituidos, a blogosfera deveria ser encarada como uma oportunidade de ouro na elevação da educação política dos cidadãos. Não se queixa o Presidente da República da frágil participação política dos portugueses?

2. Para quem sabe um pouco da história dos media, sabe que nenhum media novo veio substituir e aniquilar os antigos. A rádio não substituiu os jornais, a televisão não substituiu a rádio, a internet não substituiu a televisão, a blogosfera não substituirá os jornais. Cada suporte mediático de distribuição da palavra escrita e oral complementou o suporte anterior mas nunca o esvaziou completamente nas suas funções comunicacionais.

Isso quer dizer que é tolice pensar que os blogues irão acabar com o jornal de papel. O mesmo não é dizer que os tradicionais jornais nacionais, regionais e locais não vão ter que se adaptar à sociedade informacional e em rede e aos novos consumidores virtuais.

A maior parte dos cidadãos de hoje, querem ser parte do teatro da vida, querem participar nas decisões que lhes dizem respeito, querem ser consultados nas decisões que afectam a sua qualidade de vida, querem expressar as suas vozes, pois isso é a salvaguarda da sua identidade.

Os media tradicionais terão que evoluir para a interactividade, terão que dar voz à pluralidade de pontos de vista que circulam no espaço publico e social, terão que recusar dar voz apenas ao poderosos e à versão oficial e institucional da vida social.

Se não o fizerem, estarão condenados na sua sobrevivência, pois os cidadãos de hoje são mais exigentes, mais atentos, mais escolarizados e mais questionadores da ordem social. Se se persistir em dar apenas as versões oficiais das vozes do dono, a importante função social dos media locais em breve entrará em vias de extinção.

É claro que a blogosfera precisa de ser regulada nos excessos e abusos, sobretudo, sob a esfera do anonimato. Mas as leis não existem para isso?

Voltarei ao assunto dos media com um texto sobre as vozes do dono.

Abraço!

domingo, maio 18, 2008

Retratos da História Ambiental da Cidade: Porquê?

Avenida José da Costa Mealha - Maio de 2008



A Voz dos Cidadãos - Discursos recolhidos a partir dos comentários aos posts do Macloulé.

"Resistam, cidadãos de Loulé!"
Amigos da Rua Gonçalo de Carvalho - Porto Alegre.

"Que maravilha a Rua Gonçalo Carvalho. Será que a nossa Avenida não podia ser hoje uma mini maravilha dessas? A nossa Rua Ancha, a do Arquivo Histórico, era das ruas de Loulé que eu adorava. Aquela vegetação era para mim como um familiar. Talvez porque andei por ali na escola e brinquei à sombra daquelas árvores em tardes lindas da minha infância..."
L.

"É espectacular!! Parece que estamos numa floresta em vez da cidade! Quem me dera de haver uma rua daquelas aqui! De certeza que no calor do verão dava mesmo jeito para dar um pouco de frescura à cidade..."
S.

"Como já escrevi antes, esta luta tem que sair da "internet" e da "blogosfera" e vir para a rua. Como? Não sei, mas de alguma forma as pessoas têm que ser arrastadas para esta luta. Colocando alguns cartazes nas ruas de Loulé, montando uma banca com a ajuda de voluntários para recolher assinaturas, etc. Como já disse ao X.Z., naquilo que puder ajudar, contem com o meu apoio a 100%. Se for preciso, no tempo livre que tenha, também me alisto para tentar a recolha dessas assinaturas. O exemplo que vem de Porto Alegre tem que nos inspirar e dar força..."
P.

"Difícil luta esta entre pragmáticos e conservacionistas! Porque será que as questões estéticas são melhor acolhidas que as da salvaguarda da vida florestal? O Homem sempre no primado das decisões visando a redução dos pequenos incómodos e nunca vendo que se está matando aos poucos excluindo os elementos regeneradores do ar que respira! Existem, nesta intervenção de modernização, vítimas colaterais: A terceira idade (os donos da sombra) que são dali retirados como aconteceu com o Largo de S. Francisco!!!
É bom que não se esqueça o antes e o depois da intervenção neste Largo e ficar com uma ideia aproximada daquilo que acontecerá na Avenida."
SA.

"Caro J.: - Obrigado pelos seus elogios e não desistam da vossa luta, pelo bem de Loulé e das suas árvores. O que vocês pedem é bem simples e mais do que justo. Pedir que uma câmara justifique tecnicamente o abate de dezenas de árvores e que tenha uma gestão profissional do seu património arbóreo são "exigências" mais do que razoáveis. Aliás, nem sequer deveriam ser "exigências", tal deveria ser uma prática corrente de todas as autarquias."
P.

"Caro J.: - Tomei a liberdade de copiar o seu texto para o 'Calçadão'. Todos juntos não seremos demais... mas contra a força, parece não surtirem os argumentos... No meu post acrescentei: - Sabemos que na reunião pública realizada em Quarteira, no período antes da ordem do dia, o executivo foi questionado, por alguém do público, sobre o abate de árvores na Avenida Costa Mealha. Foi respondido, pelo vice-presidente da Câmara, que o troço onde as árvores já tinham sido substituídas, está muito mais bonito – o que “toda a gente” reconhece e afirma. Para além disso, acrescentou que cada uma das árvores foi “analisada individualmente”, por técnicos credenciados, o que permitiu verificar, "cientificamente", que estavam, quase na totalidade, doentes e ocas por dentro. Por sua vez, o presidente da autarquia encerrou a questão, dizendo que, se essas árvores não fossem substituídas agora, teriam de o ser no prazo máximo de dez anos. As fotos do MAC Loulé, que aqui juntamos, são elucidativas: “Toda a gente” pode ver o efeito “lindo” que foi conseguido na estética da avenida; e o corte limpo da árvore é uma prova da “doença” da árvore abatida…Primeiro, foi em Quarteira, agora, em Loulé… Que tem esta gente que gere o município contra as árvores?!!!"
C.

"Caro concidadão:- Felicito-o pela escolha do tema. De resto ele tem sido recorrente nos vários blogues do nosso concelho. Os blogues são a única parte, quase, da opinião local publicada, que ousa fazer algum ruído, que para surpresa de muita gente nem baixinho ecoa na rua. Tenho acompanhado com muita atenção a fúria à solta contra o verde protagonizada pela Câmara e o que me surpreende é que não ouço um protesto, um grito, uma porra, uma merda, nada, nada que me faça acreditar que a vida ceifada nas árvores não fora já antes abafada na consciência das pessoas. Muito triste. Em que comunidade vivemos nós? Desiludido, mas ainda não em deserção, envio-lhe um abraço de apoio por este justíssimo combate...

Z.

São vozes que gostariam de ser escutadas.

Porquê?

sábado, maio 17, 2008

Arte e competência: A reencarnação do talento

Diego Armando Maradona

O melhor de todos os tempos



Rapidez de pensamento, destreza de movimentos, capacidade de drible, potência muscular, rapidez de execução, perfeição técnica, controlo da relação espaço-tempo, visão de jogo, coragem, confiança em si, gosto pelo risco, inteligência cognitiva e emocional, genialidade, gestão das competências, eficiência, eficácia. O maior génio de todos os tempos.

Lionel Messi - Alguns anos depois - descubra as diferenças



Rapidez de pensamento, destreza de movimentos, capacidade de drible, potência muscular, rapidez de execução, perfeição técnica, controlo da relação espaço-tempo, visão de jogo, coragem, confiança em si, gosto pelo risco, inteligência cognitiva e emocional, genialidade, gestão das competências, eficiência, eficácia.

A diferença maior é ser contra o Getaffe. Mas não deixa de atingir a perfeição.

Bom fim de semana!

sexta-feira, maio 16, 2008

A descida do Louletano Desportos Clube

Antes que me acusem de ser uma das partículas de gentinha que nunca atravessa as portas do estádio que ficou famoso por ter endividado os munícipes de Loulé por dezenas de anos esclareço o seguinte:

1. Fui atleta federado do Louletano D.C., praticante de futebol, nos escalões infantis, iniciados, juvenis, juniores e séniores. A minha vida está claramente marcada pelos anos que passei no clube.

No Louletano D.C. me fiz homem, no Louletano D.C. fiz grandes amigos, no Louletano D.C. encontrei directores desportivos magníficos, no Louletano D. C. apanhei líderes e treinadores que me marcarão pela vida fora.

No Louletano D. C. aprendi a respeitar os outros, no Louletano D. C. aprendi que a vida é feita de vitórias e derrotas, no Louletano D. C. aprendi a viver e trabalhar em grupo. No Louletano D. C. aprendi a competir saudavelmente, no Louletano D. C. aprendi a ser pontual e nunca chegar atrasado a nenhum encontro na minha vida. No Louletano D. C. aprendi a ser resiliente e resistente às dificuldades dos maus momentos da minha existência social. No Louletano D.C. aprendi que o desporto é uma escola de vida.

Serve este primeiro esclarecimento, a quem queira ser esclarecido, que essa magnífica instituição e organização desportiva que é o Louletano me merece o máximo respeito do mundo.

2. Isso não significa, que não tenha um espírito crítico sobre a vida do clube e o que por lá vai acontecendo e que os homens que dirigem os seus destinos sejam imunes à crítica. Mal iria o país e o futebol (e em que estado é que ele está?) quando os adeptos do Sport Lisboa e Benfica, do Sporting Clube de Portugal ou do Futebol Clube do Porto, não utilizassem o seu direito democrático de opinião para reflectir sobre o trabalho realizado nos seus clubes.

Isto tudo, para dizer, que há tempos atrás, ao assistir a um jogo das camadas jovens do Louletano, no velho campo número 2 (onde há mais de vinte anos iniciei a prática da modalidade) fiquei horrorizado com o que lá assisti. Pontapé para o ar, pois não pode ser de outra maneira e muita luta corpo a corpo entre duas equipas do nacional de juvenis.

Ninguém se pode tornar competente numa modalidade, a jogar nos pelados terceiros mundistas, de há dezenas de anos. Mais tarde vim a ler no jornal Carteia, que os pais dos atletas jovens de um clube do concelho, estavam bastante descontentes com as condições para a prática da modalidade que eram concedidas aos seus filhos.

Não vale a pena incutir nas crianças e jovens que praticam uma qualquer modalidade desportiva, que um dia vão ser craques, se estes continuarem a treinar, nestes magnifícos campos sem relva, chamados de pelados. Mais vale dizer logo aos miúdos que nunca sairão jogadores de futebol, pois assim ajusta-se desde o começo, as suas expectativas irrealistas, à realidade da vida social e não se lhes gera frustrações poderosas e por vezes trágicas para as suas vidas.

3. E assim chego onde já viram que quero chegar. A equipa sénior do Louletano não pode voltar a cair nos erros do passado e entrar em loucuras como as que fez nas últimas épocas, pois a maior parte do seu orçamento sai do dinheiro dos contribuíntes e esses já estão a pagar a magnifíca factura resultante desse magnífico investimento que foi a construção do estádio do Algarve.

Se o orçamento da equipa de futebol sénior do Louletano era dos maiores da sua série e se os objectivos passavam pela subida de divisão e o resultado foi o oposto do esperado (não, não ficou em quarto ou em quinto, desceu de divisão) não é legitimo que se questione o trabalho de quem comanda os destinos do clube? Afinal, o dinheiro do orçamento do L.D.C não vem do bolso dos contribuintes na sua maior parte?

É bom que se resfreiem as expectativas irrealistas de algumas pessoas ligadas ao Louletano D.C. que mais não fazem que prejudicar o clube a médio, longo prazo, e em nada contribuem para a sua sustentabilidade.

Quantos titulares tem a actual equipa sénior provenientes dos seus escalões de formação?

Alguém se lembra dos derbys entre o Louletano e o Campinense onde se defrontavam o Barriga e o Clara? Estão aí de regresso...

Pois...eu lembro-me. E lembro-me também que nem só de futebol vive o desporto.

Alguém por aí quer levar o Louletano D.C. à primeira divisão nacional? Pois...eu também queria...

Assinado: Partícula de Gentinha. Um convencido fazedor de opinião.

quinta-feira, maio 15, 2008

Exemplos de vida: Em defesa da mais bela rua do mundo

Rua Gonçalo de Carvalho - Porto Alegre - Brasil

A mais bela rua do mundo


Rua considerada Património Ambiental e Ecológico de Porto Alegre


Recebi esta mensagem dos Amigos da Rua Gonçalo de Carvalho.

Resistam, cidadãos de Loulé!

A mais bela rua do mundo só existe porque homens e mulheres de Porto Alegre lutam por ela.

Visite o site e fique maravilhado!

http://goncalodecarvalho.blogspot.com/

Aproveite para ver também a referência que os Amigos da Rua Gonçalo de Carvalho fazem ao blogue Sombra Verde a quem aproveitamos para dar novamente os parabéns pela sua causa na defesa do património arbóreo mundial. O blogue Sombra Verde chegou por bons motivos ao outro lado do mundo.

http://sombra-verde.blogspot.com/2008/04/orgulhoso-nos-meus-alunos.html





quarta-feira, maio 14, 2008

Ainda o abate de árvores no concelho de Loulé: Há algum tempo atrás em Quarteira

Sobre o abate das árvores no concelho

Quarteira

Avenida Carlos Mota Pinto


Há tempos atrás, foi em Quarteira. Para aumentar os lugares de estacionamento automóvel, esse magnifíco símbolo de "modernização" citadina, cometeu-se a barbaridade do abate de perto de 200 árvores.

Também em Quarteira, não sabemos o motivo das árvores abatidas, porque ninguém se dignifica a explicá-lo.

A "modernização" e o "desenvolvimento" confudem-se com betanização.

Em Loulé atingiu-se a irracionalidade em relação às árvores do concelho

Avenida José da Costa Mealha - Maio de 2008


Mais não posso fazer do que deixar uma mensagem às futuras gerações.

Razões para não abater as árvores de Loulé e do Mundo:

1. As árvores como seres não humanos que são, são seres vivos. E como seres vivos que são, têm direito igual à existência, não podendo ser objecto da arbitrariedade dos belos interesses e prazeres mundanos da vida dos seres humanos. O Homem é também ele natureza (ou não será?) e faz parte de um sistema ecológico que quando degradado afecta fortemente a vida humana e não humana. Se não partirmos de uma visão antropocêntrica do mundo e da vida, só em casos de extrema necessidade para os seres humanos se deve destruir a vida vegetal. O equilíbrio dos ecossistemas assim o exige.

2. Em época de alterações climáticas cujo grande responsável são as emissões de carbono para a atmosfera, as árvores são as grandes regeneradoras do ambiente pois absorvem o carbono e produzem o oxigénio que respiramos.

3. Para os que são pouco sensíveis ao argumento ambiental, saibam que resultante dos acordos assinados por Portugal na sequência do protocolo de Quioto, Portugal, se não respeitar os limites de emissão de carbono para a atmosfera, tal como não está já a cumprir, vai pagar uma factura económica dolorosa devido às chorudas sansões económicas (multas sim) que terá que pagar. É triste que Loulé contribua para isso abatendo as suas árvores. Motivos económicos portanto.

4. A sombra das árvores proporciona espaços de lazer e sociabilidade às populações idosas que se reúnem debaixo das mesmas e são lugares onde se estabelecem relações sociais fundamentais à sua qualidade de vida, em época de redução do espaço público urbano e de individualização progressiva das relações sociais.

5. As árvores retêm as águas das chuvas, evitando as inundações citadinas que quando acontecem são ignorantemente atribuídas a causas divinas.

6. As árvores, segundo estudo científico levado a cabo recentemente, por uma Universidade Americana, parecem diminuir a probabilidade de prevalência da asma nas crianças. Ao contrário das ideias feitas, de senso comum, mais árvores igual a menos asma. Percebe-se, uma vez que diminui a quantidade de carbono, emitido pelos automóveis.

7. As árvores têm um efeito psicológico revigorante pois dão vida à cidade, evitando o cizentismo associado à poluição e ao betão.

Porque abatem as árvores do Concelho de Loulé? Se existe motivo válido porque não explicitá-lo? Sem mais palavras...

terça-feira, maio 13, 2008

Da democracia formal às práticas democráticas: Um longo caminho a percorrer

Democracia Portuguesa é das piores da Europa

"A qualidade da democracia portuguesa está longe de se comparar às melhores democracias europeias. Ao invés, encontra-se bastante abaixo da média, situando-se ao nível de países como a Lituânia e a Letónia, e só acima da Polónia e da Bulgária.

As conclusões são da Demos, uma organização não governamental (ONG) britânica que tem por principal objectivo "pôr a ideia democrática em prática" através, por exemplo, de estudos. A Demos divulgou no final de Janeiro um "top" de avaliação da qualidade democrática em 25 países da UE denominado "Everyday democracy index" (EDI, cuja tradução possível será "index da democracia quotidiana"). Trata-se de uma avaliação sofisticada que envolve mais itens do que o normal em avaliações deste género. O escrutínio não se fica pelos aspectos formais da democracia (eleições regulares, por exemplo).

Vai mais longe, avaliando o empenho popular na solução democrática dos seus problemas e, por exemplo, a qualidade da democracia dentro das relações familiares. Os resultados quanto a Portugal contrastam, por exemplo, com o último Democracy Índex mundial divulgado pela revista britânica The Economist, e relativo a 2007. Nessa tabela (ver DN de 5 de Abril), Portugal aparece classificado em 19º lugar (no mundo), posição que sobe para 12º quando vista apenas entre os 27 países da UE.

No EDI, Portugal está em 21º lugar, ficando apenas à frente da Lituânia, da Polónia, da Roménia e da Bulgária. Vários países que até há poucos anos orbitavam no império soviético encontram-se melhores classificados, segundo este "top" .

O que se passa então com Portugal? (...) de um ponto de um ponto de vista da democracia formal, Portugal fica em 14º lugar, acima de países como a Espanha ou a Grécia ou a Itália. O que puxa a democracia portuguesa para baixo são os outros critérios. Por exemplo: a participação. Aqui a posição portuguesa desce para 19º lugar. Ou seja, as instituições políticas formais estão pouco cercadas de associações cívicas que as escrutinem.

Um aspecto inovador do estudo da Demos é o que avalia também a "democracia familiar". Tenta perceber-se em que países há mais direitos para cada um escolher a estrutura familiar. Entre os 25 países analisados, Portugal ficou em 21º. No cômputo geral, a Demos concluiu o que já se intuía: há um claro padrão geográfico na qualidade das democracias. Os países nórdicos são os melhores. As democracias vão-se fragilizando à medida que se desce no mapa europeu. Os países protestantes tendem a ser mais abertos que os católicos.

Verificou-se, por outro lado, que não há uma relação directa entre a qualidade formal da democracia e a qualidade da democracia quotidiana, que é tanto aquela que se exerce numa assembleia de voto como aquela que se pratica na reunião familiar onde se decidem as férias do Verão."

http://dn.sapo.pt/2008/05/0/nacional/democracia_portuguesa_e_piores_europ.html

E nós por cá, como estamos de democracia nas empresas? Como estamos de democracia nas relações familiares? Como estamos de democracia na relação dos poderes locais com os seus cidadãos? Como estamos de democracia no interior dos partidos políticos? Como estamos ao nível do incentivo às práticas de participação dos cidadãos naquilo que diz respeito à vida da cidade?

Vai restando o direito de voto e pouco mais, o que sendo muito pouco, já não é pouca coisa...mas o caminho faz-se caminhando...e a democracia também...

segunda-feira, maio 12, 2008

Retratos da cidade de Loulé: Discursos e Práticas Ambientais

Das retóricas...


...às práticas ambientais...


A mudar para melhor? As árvores da cidade fazem parte do ambiente?

Tragédias da época em que vivi: Rwanda 1994

O Genocídio silenciado



Abril de 2004. Prestes a fazer vinte e quatro anos de idade. Entre o melhor da juventude e o início da vida adulta, na altura estudante universitário, numa das mais belas cidades alentejanas, assisto pelos ecrãs televisivos a uma das maiores tragédias da história do final do século XX.

Hutus e Tutsis entram num dos maiores conflitos "étnicos" que a humanidade conheceu. Em cem dias os Hutus dizimam a quase totalidade da "étnia" Tutsi.

As forças de paz da ONU, estacionadas no país, recebem ordens de retirada e de evacuação da população branca estrangeira. Sabe-se hoje, que o governo Francês e o governo Belga, tinham informações sobre o massacre que se iria realizar. As populações Tutsis imploraram aos capacetes azuis para não sairem do país, pois sabiam o que lhes estava destinado. Morreram perto de oitocentos mil Rwandeses naquele que foi um dos maiores genocídios da História da Humanidade.

Mais uma vez o Mundo "Ocidental" fechou cobardemente os olhos às necessidades dos pobres povos do dito Terceiro Mundo. Nunca até aí, tinha eu pensado, que tamanha barbaridade ainda seria possível em finais do séc. XX.

Ao fim de cem dias poucos eram os Tutsis que restavam. O objectivo era acabar com a "espécie" para que esta não se reproduzisse.

Aqui fica a minha homenagem às vitímas de um massacre horrendo que a Humanidade nunca deverá esqueçer.



Boa semana.

domingo, maio 11, 2008

Raízes da cidade: Para mais tarde recordar

Raíz de uma das mais belas árvores da Avenida José da Costa Mealha em Loulé


Raízes da minha alma

Raízes, são memórias
Restos, de indignas estórias
São testemunhos e lembretes
Aos senhores dos palacetes

São belas, de tanto horror
São prova de actos de terror
Sob os olhares de quem passa
Lembram os ódios da raça

Tudo se perde, tudo se transforma
Também belas raízes mudam de forma
Deus não quer ficar com a graça
Da culpa bárbara, de tamanha desgraça

Raízes, belas, mesmo cortadas
Sem seiva, do mundo, desconectadas
Chorando, mágoas, de tristeza e de dor
Sem sangue, sem raiva e sem amor

Autoria: João Martins

sábado, maio 10, 2008

A fome e as políticas assassinas: Aquilo que Bob Geldof não disse

O Império da Vergonha



A fome infame

"A fome no mundo é a nova grande fonte de lucros do grande capital financeiro e os lucros aumentam na mesma proporção que a fome. Nos últimos meses, os meses do aumento da fome, os lucros da maior empresa de sementes e de cereais aumentaram 83%. Ou seja, a fome de lucros da Cargill alimenta-se da fome de milhões de seres humanos.

Há muito conhecido dos que estudam a questão alimentar, o escândalo finalmente estalou na opinião pública: a substituição da agricultura familiar, camponesa, orientada para a auto-suficiência alimentar e os mercados locais, pela grande agro-indústria, orientada para a monocultura de produtos de exportação (flores ou tomates), longe de resolver o problema alimentar do mundo, agravou-o.

Tendo prometido erradicar a fome do mundo no espaço de vinte anos, confrontamo-nos hoje com uma situação pior do que a que existia há quarenta anos. Cerca de um sexto da humanidade passa fome; segundo o Banco Mundial, 33 países estão à beira de uma crise alimentar grave; mesmo nos países mais desenvolvidos os bancos alimentares estão a perder as suas reservas; e voltaram as revoltas da fome que em alguns países já causaram mortes. Entretanto, a ajuda alimentar da ONU está hoje a comprar a 780 dólares a tonelada de alimentos que no passado mês de março comprava a 460 dólares.

A opinião pública está a ser sistematicamente desinformada sobre esta matéria para que se não dê conta do que se está a passar. É que o que se está a passar é explosivo e pode ser resumido do seguinte modo: a fome do mundo é a nova grande fonte de lucros do grande capital financeiro e os lucros aumentam na mesma proporção que a fome.

A fome no mundo não é um fenómeno novo. Ficaram famosas na Europa as revoltas da fome (com o saque dos comerciantes e a imposição da distribuição gratuita do pão) desde a Idade Média até ao século XIX. O que é novo na fome do século XXI diz respeito às suas causas e ao modo como as principais são ocultadas. A opinião pública tem sido informada que o surto da fome está ligado à escassez de produtos agrícolas, e que esta se deve às más colheitas provocadas pelo aquecimento global e às alterações climáticas; ao aumento de consumo de cereais na Índia e na China; ao aumento dos custos dos transportes devido à subida do petróleo; à crescente reserva de terra agrícola para produção dos agro-combustíveis.

Todas estas causas têm contribuído para o problema, mas não são suficientes para explicar que o preço da tonelada do arroz tenha triplicado desde o início de 2007. Estes aumentos especulativos, tal como os do preço do petróleo, resultam de o capital financeiro (bancos, fundos de pensões, fundos hedge [de alto risco e rendimento]) ter começado a investir fortemente nos mercados internacionais de produtos agrícolas depois da crise do investimento no sector imobiliário.

Em articulação com as grandes empresas que controlam o mercado de sementes e a distribuição mundial de cereais, o capital financeiro investe no mercado de futuros na expectativa de que os preços continuarão a subir, e, ao fazê-lo, reforça essa expectativa. Quanto mais altos forem os preços, mais fome haverá no mundo, maiores serão os lucros das empresas e os retornos dos investimentos financeiros.
Nos últimos meses, os meses do aumento da fome, os lucros da maior empresa de sementes e de cereais aumentaram 83%. Ou seja, a fome de lucros da Cargill alimenta-se da fome de milhões de seres humanos.

O escândalo do enriquecimento de alguns à custa da fome e subnutrição de milhões já não pode ser disfarçado com as "generosas" ajudas alimentares. Tais ajudas são uma fraude que encobre outra maior: as políticas económicas neoliberais que há trinta anos têm vindo a forçar os países do terceiro mundo a deixar de produzir os produtos agrícolas necessários para alimentar as suas próprias populações e a concentrar-se em produtos de exportação, com os quais ganharão divisas que lhes permitirão importar produtos agrícolas... dos países mais desenvolvidos.
Quem tenha dúvidas sobre esta fraude que compare a recente "generosidade" dos EUA na ajuda alimentar com o seu consistente voto na ONU contra o direito à alimentação reconhecido por todos os outros países.

O terrorismo foi o primeiro grande aviso de que se não pode impunemente continuar a destruir ou a pilhar a riqueza de alguns países para benefício exclusivo de um pequeno grupo de países mais poderosos. A fome e a revolta que acarreta parece ser o segundo aviso. Para lhes responder eficazmente será preciso pôr termo à globalização neoliberal, tal como a conhecemos.
O capitalismo global tem de voltar a sujeitar-se a regras que não as que ele próprio estabelece para seu benefício. Deve ser exigida uma moratória imediata nas negociações sobre produtos agrícolas em curso na Organização Mundial do Comércio.

Os cidadãos têm de começar a privilegiar os mercados locais, recusar nos supermercados os produtos que vêm de longe, exigir do Estado e dos municípios que criem incentivos à produção agrícola local, exigir da União Europeia e das agências nacionais para a segurança alimentar que entendam que a agricultura e a alimentação industriais não são o remédio contra a insegurança alimentar. Bem pelo contrário. "

Artigo de Boaventura Sousa Santos no último número da revista Visão de Maio de 2008.


* Os destaques a bold são de minha autoria.

sexta-feira, maio 09, 2008

Retratos da cidade: Alguém sabe que horas são?

Parque Municipal de Loulé - Maio de 2008


Final de tarde - Hora de Verão


Buraco energético

"Portugal anda em maré de cartões vermelhos. Embora só se fale no do buraco orçamental, há outro mais assustador que não tem sido referido: o buraco energético. É que Portugal conseguiu a proeza de ser o país europeu com menor crescimento do PIB para maior gasto de energia. Ganhámos pois o Óscar do desperdício.

A Agência Europeia do Ambiente revela-o no seu último relatório, onde fica o alerta para as consequências futuras desta situação. E esta situação significa, para já, um aumento exponencial da poluição atmosférica, com consequências visíveis nas emissões de partículas, concentrações de ozono e seus impactos na saúde pública. Mas significa, também, que neste país a irracionalidade energética é tal que equivale à da utilização de uma caixa de fósforos inteira de cada vez que se acende um bico de fogão.

A médio prazo esta insanidade traduzir-se-á em pesadas multas europeias e mundiais. É que a UE, à qual, lembre-se pertencemos, já decidiu fazer cumprir as metas de Quioto. Quer os EUA as subscrevam também, ou não. A ineficiência do sistema energético português vai dar direitinha ao buraço orçamental, via baixa produtividade e via multas.

A energia é uma espécie de argola de união entre economia e ambiente. Se a economia portuguesa sofrer, o ambiente piora e fará, por sua vez, piorar a economia. Se o ambiente em Portugal for protegido, ele fará melhorar a economia portuguesa e esta fará equilibrar as contas públicas. Parece enervante o simplismo desta frase. Mas os factos estão à vista.

Foi o analfabetismo ambiental da cultura dos decisores políticos e dos nossos gestores que fez com que chegássemos à situação dramaticamente caricata de ter ao mesmo tempo uma produtividade do século XIX com uma ineficiência energética recorde no quadro europeu."

in Luísa Schmidt, País (in) sustentável. Ambiente e Qualidade de Vida em Portugal, Lisboa, Esfera do Caos.

Luisa Schmidt é especialista nas questões do ambiente e membro do Observatório do Ambiente.

Diz a autora sobre a obra "As histórias que neste livro se contam são as nossas verdades inconvenientes".

Leitura a não perder, sobretudo para os algarvios. Voltaremos ao tema e ao livro.


quinta-feira, maio 08, 2008

Retratos da Cidade: Descubra as diferenças

Foto publicada no Macloulé, dia 22 de Abril de 2008, Dia da Terra


Foto tirada no início de Maio de 2008



A saga do abate de árvores continua na cidade de Loulé. Agora nas traseiras do Velho Hospital junto à antiga sede do Louletano Desportos Clube.

Descobriu as diferenças?

quarta-feira, maio 07, 2008

Retratos da cidade de Loulé: Menos árvores mais asma? E se assim for...

Plante uma árvore contra a asma

"O que influi mais na ocorrência de asma nas crianças de Nova Iorque? A poluição ou o número de árvores da rua onde vivem? Se escolheu a segunda acertou! Um estudo no Journal of Epidemiology and Community Health diz que, independentemente de outros factores, quanto maior é o número de árvores menor a incidência de asma infantil. Mais precisamente, o número médio de árvores na cidade é de 613 por quilómetro quadrado e, por cada 343 árvores adicionais, os casos de asma diminuem 25 por cento. Os resultados precisam de confirmação, que os cientistas esperam obter quando a câmara finalizar, até 2017, a plantação de um milhão de árvores. "

Jornal Público de 07/05/2008

Avenida José da Costa Mealha - Antes do arborícidio


Avenida José da Costa Mealha - Depois do arborícidio


Afinal, parece que não é só de árvores que se trata, mas da saúde das crianças também...

Alguém quer esperar por certezas definitivas em 2017?

terça-feira, maio 06, 2008

Retratos da cidade de Loulé: O holocausto arboricida quase no fim?

As duas mais belas árvores da Avenida José da Costa Mealha



Dia 06 de Maio - De manhã, ferida, resistia



Dia 06 de Maio - Há tarde, cortadas em fatias



Após o holocausto arboricida cometido há tempos atrás na cidade de Quarteira onde perto de 200 árvores foram derrubadas impunemente, o terrorismo ambiental soma e segue na cidade de Loulé.

Lamenta-se que as associações ambientais da região assobiem para o lado e chutem a bola para canto, para usar uma linguagem na moda.

Assisto desolado, indignado e espantado perante a indiferença citadina!

segunda-feira, maio 05, 2008

Retratos da cidade: Defecações caninas


Nota: Clique em cima da imagem para ampliação.

OS LUSÍADAS - Luís de Camões

Canto I

As armas e os Barões assinalados
Que da Ocidental praia Lusitana

Por mares nunca de antes navegados
Passaram ainda além da Taprobana,
Em perigos e guerras esforçados
Mais do que prometia a força humana,
E entre gente remota edificaram
Novo Reino, que tanto sublimaram;

E também as memórias gloriosas
Daqueles Reis que foram dilatando
A Fé, o Império, e as terras viciosas
De África e de Ásia andaram devastando,
E aqueles que por obras valerosas
Se vão da lei da Morte libertando,
Cantando espalharei por toda parte,
Se a tanto me ajudar o engenho e arte.

Cessem do sábio Grego e do Troiano
As navegações grandes que fizeram;
Cale-se de Alexandro e de Trajano
A fama das vitórias que tiveram;
Que eu canto o peito ilustre Lusitano,
A quem Neptuno e Marte obedeceram.
Cesse tudo o que a Musa antiga canta,
Que outro valor mais alto se alevanta.

* Excerto do canto I dos Lusíadas.

domingo, maio 04, 2008

Retratos da cidade: Para mais tarde recordar

Avenida José da Costa Mealha - 30 de Abril de 2008


Avenida José da Costa Mealha - 30 de Abril de 2008


Avenida José da Costa Mealha - 1 de Maio de 2008


Requiem pelas árvores da cidade

Velha, incómoda e pronta a abater
Sem eira nem beira, perdida
De nada serve ter alma e doer
A fúria dos homens levará de vencida
A seiva que escorre até morrer

Outras virão, ao fim de outras vidas
Menos verdes, mas com certeza, preferidas
Iluminadas, luzidias, descaídas
sem vida, lembrando a morte, descoloridas

Far-se-á luz em horas nocturnas
Cães e mosquitos sairão ao luar
Calores solares em horas diurnas
Nunca mais, verde, será a cor do ar

Indiferentes, as damas, as formas balanceiam
Senhores de si, homens de nariz empinado
Todos, pela luz do sol, se encandeiam
Tudo o que resta, é desterrado
As arvores, essas, cortadas em fatias
Jamais ficarão ao nosso lado.

Autoria: João Martins

sexta-feira, maio 02, 2008

Maio 68: Alguém se recorda?

Revolta estudantil de Maio de 68: Em luta por uma sociedade melhor




Imaginação ao poder



É proibido proibir.

"O movimento de Maio de 68, com suas manifestações, as suas barricadas e as suas greves, faz parte de uma tradição revolucionária francesa, afirma o historiador Michel Winock, autor dos livros "La fièvre hexagonale: les grandes crises politiques de 1871 à 1968" (sem tradução em português) e "O século dos intelectuais", entre outros.

AFP - O que caracteriza o Maio de 68 francês?

MW - Foi, ao mesmo tempo, uma revolta estudantil; um movimento revolucionário dos pequenos grupos que não estavam unificados; foi uma crise social com um movimento de greve sem precedentes; foi uma crise política; foi, além de tudo isso, uma revolução cultural.

Foi um momento totalmente extraordinário de libertação da palavra.

Podemos dizer que os franceses tomaram a palavra, como os seus avós tomaram a Bastilha, em 1789. Vemos pessoas expressando-se sobre todos os assuntos, nas empresas, na Igreja, até mesmo no Exército. Por toda a parte, há uma espécie de movimento de emancipação, de libertação, cujo denominador comum é um movimento anti-autoritário.

Estamos na antiga França um pouco tradicional, um pouco autoritária e, lá, tudo voa em estilhaços, há a afirmação do indivíduo.

Foi uma festa de libertação individual, mas, ao mesmo tempo, é um movimento coletivo. Cada um tinha a sua solução. É uma das fraquezas do movimento, já que não há um objectivo que possa unificar todas essas pessoas ao redor de uma palavra de ordem.

AFP - O que torna a França diferente dos outros países?

MW - No mundo inteiro, tivemos movimentos estudantis, mas na França, coisa extraordinária, é o conjunto de categorias sociais que é afectado por esse movimento.

Se compararmos com os outros países, perceberemos que a mudança de hábitos aconteceu, no fundo, em todos os países do Ocidente, 1968 é menos uma inovação do que um momento de cristalização, onde todos os problemas da sociedade condensam-se em algumas semanas. Além do mais, isso dá-se sem barricadas, aí está a especificidade francesa.

AFP - Maio de 68 é parte de uma tradição revolucionária francesa?

MW - Claro. Nossa vida política nasceu da Revolução de 1789. A Revolução de 1789 e dos anos que se seguiram instaurou na vida política o conflito praticamente estrutural. Nós estamos num país, que vive há dois séculos sobre esse modelo de confronto permanente. Esse confronto nem sempre resulta em barricadas, mas ele é observável em nossa dificuldade de negociar, de encontrar consensos.

Temos, na França, um culto da revolução. Batemos os recordes mundiais de manifestações. Há mais de mil por ano em Paris. Em que país vemos isso? Em nenhum. É uma herança da história. Na França, o espírito de contestação, de manifestação, está no sangue."


http://ultimosegundo.ig.com.br/cultura/2008/04/15/maio_de_68_na_franca_legado_de"

Nota: A tradução do português do Brasil para português de Portugal é de minha responsabilidade.

quinta-feira, maio 01, 2008

Mais árvores abatidas na cidade de Loulé: No dia 1 de Maio de 2008

Dia 30 de Abril era ainda assim a Avenida José da Costa Mealha

Em frente ao Cine-Teatro Louletano




Trabalhadores festejam o dia 1 de Maio abatendo as árvores da cidade


Continua o filme de terror em torno do brutal abate de árvores na Avenida José da Costa Mealha em Loulé.

Perante este holocausto arboricida, os cidadãos consumidores e eleitores estão maravilhados na sua indiferença.

As associações ambientais sob a capa do discurso do "não podemos ir a todas" e quem sabe, devido à possibilidade de projectos futuros em carta com bons "parceiros", que poderiam ser postos em causa, gerem o seu silêncio.

Os jornais locais com raras excepções não querem saber do assunto.

Consta que gente com poder em São Clemente também não se quer "meter nisso" pois "isso" só dá chatices.

A oposição socialista pressionada pelo descontentamento de alguns cidadãos mais atentos e mais conscientes dos valores ambientais da cidade, já fez levantar a sua voz, e bem, em Assembleia Municipal.

O governo local pode receber todos os prémios e louvores do mundo, do que não se livrará é da decisão de ter cometido o mais tresloucado acto de incúria ambiental sobre o património arbóreo da cidade.

Substituir o verde da cidade para colocar florzinhas nos canteiros, quase da cor do logotipo do marketing local, não será brincar demasiado aos artificialismos ambientais?

Porquê tanto desprezo pelas árvores da cidade?

Quanto custa esta obra? Quanto se paga de horas extraodinárias a quem tem que abater árvores no dia do trabalhador? Não haveria outras prioridades políticas? Os cidadãos contribuintes não mereceriam uma explicação pública?

Perdoem-lhes Senhor, porque não sabem o que fazem.

1 de Maio: Festejar os direitos conquistados e recusar a ideologia dos privilégios adquiridos

Transformações e representações do trabalho




1 de Maio de 1886.

"Manifestação operária em Chicago termina com mortes e detenções. Três anos depois nascia o Dia do Trabalhador.

No século XIX, a pujança da “Revolução Industrial” conduziu à sujeição dos trabalhadores a condições desumanas de laboração. A necessidade de se produzir o máximo ao mais baixo custo não respeitava idades nem sexos. As organizações sindicais eram incipientes e perseguidas pelas autoridades policiais.

Em 1864 é criada a Primeira Associação Internacional dos Trabalhadores, em Londres. A iniciativa surge num contexto de união entre líderes sindicais e activistas socialistas com vista a dar voz às lutas dos trabalhadores e às nações oprimidas. A esta associação se chamou mais tarde a Primeira Internacional Socialista que duraria sete anos. As divisões ideológicas entre as várias facções (sindicalistas, anarquistas, socialistas, republicanos e democratas radicais, entre outras) puseram fim à agremiação, mas deixaram mais explícitas as reivindicações e propostas pelas quais os trabalhadores se deveriam debater. A redução da jornada de trabalho para as 10 horas diárias era uma delas.

Os objectivos saídos desta Internacional tiveram eco no IV Congresso da American Federation of Labor, em Novembro de 1884. As negociações, sucessivamente falhadas com as entidades patronais, fizeram das cidades operárias um barril de pólvora pronto a explodir. Até que, em 1886, no dia 1 de Maio, teve início uma greve geral com a adesão de mais de 1 milhão de trabalhadores em todo o território norte-americano. A reacção a esta paralisação foi violenta.

Na cidade de Chicago a repressão policial foi especialmente dura. Ao quarto dia de manifestações (dia 4 de Maio) explodiu uma bomba entre a multidão matando dezenas de trabalhadores e alguns polícias. Deste incidente resultou a prisão de oito líderes do movimento. Quatro foram condenados à morte por enforcamento e os restantes a prisão perpétua. Em 1890, o Congresso americano vota a lei que estabelece a jornada de oito horas de trabalho e três anos mais tarde, depois da reabertura do processo que levou à condenação dos oito operários, conclui-se que a bomba que explodiu em Chicago tinha sido colocada pela própria polícia.

O luto fortaleceu a luta

Três anos depois da condenação dos que ficaram conhecidos como os “Mártires de Chicago” as repercursões sentiram-se na europa. Assim, em 1889, a Segunda Internacional Socialista decidiu, em Paris, proclamar o 1º de Maio como o Dia do Trabalhador em memória dos que morreram em Chicago.

Curiosos são os títulos de alguns jornais americanos a propósito das manifestações dos trabalhadores. O “Chicago Tribune” dizia na altura: “A prisão e os trabalhos forçados são a única solução adequada para a questão social”. O New York Tribune seguia a mesma linha: “Estes brutos só compreendem a força, uma força que possam recordar por várias gerações”. De sublinhar que nos EUA o chamado Labor Day festeja-se a 3 de Setembro e não a 1 de Maio.

Em Portugal

A decisão da Comuna de Paris, de decretar o 1º de Maio como o Dia Internacional do Trabalhador teve repercursões no nosso país. Diz-nos José Mattoso (in História de Portugal, vol. 5), que houve um reforço da luta do movimento operário português em finais do séc. XIX sendo "em torno da associação e da greve que gravita o próprio movimento operário". Entre 1852 e 1910 realizaram-se 559 greves no nosso país. A subida dos salários, a diminuição da jornada de trabalho e a melhoria das condições de laboração eram as principais exigências dos operários.

Mas, segundo o mesmo autor, o movimento operário alcançava grande força quando "aquelas (associações) a que hoje chamaríamos propriamente «sindicatos» se juntavam com as recreativas, as de socorros mútuos e os centros políticos". Tal ficou demonstrado no 1º de Maio de 1900 que juntou em Lisboa cerca de 40 mil pessoas, numa altura em que "as classes médias ainda viam as organizações de trabalhadores com alguma simpatia".

Durante a I República não se deixou de festejar o Dia do Trabalhador, mas sublinhe-se que um dos primeiros diplomas aprovados, com a instituição do novo regime, dizia respeito ao estabelecimento dos feriados nacionais e destes não constava o dia do trabalhador. Em 1933 é decretada a "unicidade sindical" e o "controle governamental dos sindicatos" esmorecendo um movimento operário que só ganharia novo ânimo na década de 40. Durante o Estado Novo as manifestações no Dia do Trabalho (e não do Trabalhador) eram organizadas e controladas pelo Estado.

O primeiro 1º de Maio celebrado em Portugal depois do 25 de Abril foi a maior manifestação alguma vez organizada no país. Só na cidade de Lisboa juntaram-se mais de meio milhão de pessoas. Para muitos, foi a forma dos portugueses demonstrarem a sua adesão ao 25 de Abril, que uma semana antes restituía ao país a democracia."

in
http://jpn.icicom.up.pt/2004/04/30/o_primeiro_1_de_maio_em_portugal_e_no_mundo_.html

* Os sublinhados são de minha autoria

Bom Maio.