terça-feira, fevereiro 25, 2014

A Aliança do PS Com A Direita Radical Portuguesa

A escolha de Francisco Assis como cabeça de lista do PS à eleições europeias clarificou, para já, o posicionamento político de António José Seguro. Pressionado por um ultimato feito no Congresso do PSD, Seguro, a reboque da agenda mediática dos seus adversários políticos, sentiu a necessidade de revelar o nome que já teria sido decidido há algum tempo. Pode Assis vir dizer que a questão do timing é secundária, que ninguém acredita nele: quem tem decidido a agenda têm sido os partidos do Governo, e, na actual democracia mediática em que vivemos, isso é decisivo. Mas, mais importante do que o embaraço momentâneo, são as ideias de Assis e o seu lugar no PS. Candidato derrotado por Seguro, antigo deputado ao parlamento europeu, Assis tem vindo, nos últimos anos, a colocar-se no centro absoluto do PS, personificando a facção socialista que prefere claramente aproximações aos partidos de direita. A sua candidatura é a do "bloco central" e "estruturante da esquerda portuguesa". Esta afirmação pode parecer uma mera provocação ao sectarismo que existe à sua esquerda, mas na realidade torna óbvio o que talvez fosse turvo para alguns. Define o PS enquanto partido de poder, do "bloco central" de que farão parte PSD e CDS, o que não é nada de novo - o PS assinou o memorando da troika com a direita, e, acima de tudo, aprovou o tratado orçamental já sob a liderança de Seguro. O tratado orçamental limita, de forma evidente, o tipo de políticas que serão tomadas pelos Governos que se seguirão. Ao impôr um limite muito estreito ao défice - 0,5% de défice estrutural - na prática o tratado evita que se possam implementar políticas keynesianas de aumento do investimento público em tempo de crise, perpetuando em letra de lei o austeritarismo germânico. O PS, acreditamos todos, saberá o que fez. E o que fez foi, na verdade, recolocar-se mais à direita no espectro político, aproximando-se - e tornando-se praticamente indestinguível - do PSD e do CDS. Por outro lado, Assis esclarece de que modo o PS olha para os partidos à sua esquerda, respondendo às variadas tentativas de convergência ensaiadas nos últimos tempos. O actual PS "estrutura-se" assim em torno da direita e de políticas liberais, não-keynesianas. À esquerda, nenhum dos partidos defende este tipo de políticas. Nem o BE - cada vez mais fechado num socialismo estatal -, nem o PCP, fiel à velha ortodoxia. Resta o LIVRE, que por enquanto existe apenas como ideia. E o LIVRE sabe agora por onde tem de ir, se quiser ser chamado ao poder depois das próximas legislativas: em direcção ao centro, contrariando a ideologia social-democrata (não confundir com o PSD) que está nos seus princípios fundadores. Os dados estão lançados - escolher um político inteligente como Francisco Assis tem as suas vantagens. Enquanto Seguro navega entre premências do PSD e soundbytes vazios e pouco assertivos, Assis define o seu espaço e o do PS. É verdade que há pouco que distinga Paulo Rangel e Francisco Assis; já o sabíamos do programa semanal onde ambos aparecem. Mas o tiro de partida da candidatura foi bastante esclarecedor. Se Assis conseguirá conquistar votos com esta estratégia, será duvidoso - os votos que ganhar ao PSD e ao CDS certamente serão perdidos à esquerda. E os abstencionistas nunca irão votar num candidato que afirma orgulhosamente pertencer ao "bloco central". O tal que tem governado o país desde sempre, trazendo-nos onde nos trouxe.

Por Sérgio Lavos, aqui:

segunda-feira, fevereiro 24, 2014

Câmara Municipal De Loulé Censura Protesto Político Dos Cidadãos

Hoje cometi o enorme crime de colar dois cartazes na porta da Câmara Municipal de Loulé. Um deles tinha a fotografia de Passos Coelho e dizia: "PSD/CDS - Clube Dos Ladrões, RUA!" e o outro com a fotografia de António José Seguro dizia "Não Votem Neste Palerma - O Parvo Assinou A Regra De Ouro E Defende A Austeridade". Devem ser duas armas perigosas, estas, do papel, a fita cola e um bocado de tinta vertida em papel porque de imediato um funcionário municipal dos serviços de protecção e vigilância da CML recebeu ordens e compareceu no local para arrancar os cartazes nas minhas barbas enquanto eu cantava o Grândola Vila Morena. É um edifício oficial? Sim. Mas não me consta que uma folha A4 em papel impressão e fita cola sejam ainda armas de destruição maciça ou possam fazer da minha pessoa um vândalo. Trata-se de pura censura política? Obviamente que sim.

domingo, fevereiro 23, 2014

Funcionário Da Câmara De Loulé Recebe Ordens Para Perseguir Mensagens Políticas Dos Cidadãos Que Protestam


As fotos comprovam o funcionário da Câmara Municipal de Loulé a arrancar os cartazes do protesto contra o Governo PSD/CDS e António José Seguro da porta da Câmara Municipal de Loulé. É importante que se averigue quem dá estas ordens de perseguição às mensagens políticas dos cidadãos que se manifestam em Loulé.


Pedido De Esclarecimento Aberto Ao Dr. Vítor Aleixo, Presidente Da Câmara Municipal de Loulé

Este Domingo, 23 de Fevereiro de 2014 fui fazer um protesto para a porta da Câmara Municipal de Loulé, com dois cartazes. Um deles tinha a fotografia de Passos Coelho e dizia: "PSD/CDS - Clube Dos Ladrões, RUA!" e o outro com a fotografia de António José Seguro dizia "Não Votem Neste Palerma - O Parvo Assinou A Regra De Ouro E Defende A Austeridade". Um funcionário da Câmara Municipal de Loulé fardado com a farda dos serviços de vigilância da Câmara Municipal de Loulé, que se identificou com o nome de João Nascimento veio com a carrinha da autarquia e arrancou os cartazes. Era imperativo Dr. Vítor Aleixo saber quem deu a ordem a este funcionário para perseguir os cidadãos que protestam contra a austeridade e a destruição das suas vidas porque senão resta a conclusão que depois das perseguições feitas em Loulé por parte do PSD-Loulé aos cidadãos do concelho é agora o PS-Loulé sob a responsabilidade do Presidente Vítor Aleixo a fazer perseguição política a quem protesta. Fica ao seu critério apurar responsabilidades Senhor Presidente. Aos partidos da oposição já nem solicito nada que isso não vale a pena.

Os melhores cumprimentos, Senhor Presidente.

O Coliseu Da Vergonha

O ar de felicidade daquela gente no Coliseu dos Recreios é qualquer coisa de abjecto para a maior parte da população portuguesa que hoje vê as suas vidas destruídas. A distância da vida dos políticos à vida real dos portugueses é abissal.

sexta-feira, fevereiro 21, 2014

Gente Pequena Que Se Faz Grande

O Dr. Hugo Nunes, provavelmente, a mente mais liberal e iluminada que está dentro do executivo municipal da CML (recorde-se que foi um fiel boy de Sócrates num governo com o neoliberalismo entranhado dentro de si) anunciou à imprensa regional que o Conselho de Loulé "deseja ter maior visibilidade internacional". Gente pequena que se faz grande nunca pensará pequeno e é de bom tom que tenha um pensamento agigantado, internacional, em tempos de globalização faz sempre bem, pensar global. Vai daí aparece a vender a ideia que "Loulé quer ser cidade europeia do desporto em 2015". Não lhe ocorrerá sequer por um minuto que em tempos de catástrofe e de bancarrota em que reformados e trabalhadores em geral estão a ser vandalizados nos seus salários e reformas, em que a miséria e a fome alastram e em que os nossos melhores conhecidos se suicidam, a projecção da imagem "internacional de Loulé" não se faz com o dinheiro do PS e muito menos com o dinheiro do PSD, o que quer dizer que sobra o dinheiro que os contribuintes estão a deixar de ter. Nem por um momento vi escrito em parte alguma quanto custará esta candidatura a ser aprovada, a uma autarquia fortemente endividada. O que é preciso é lançar a imagem de Loulé no mundo que isto de pensar em grande não é coisa de gente pequena. O Bloco de Esquerda, como quase sempre, assiste a estas coisas impávido e sereno. Seja nas podas desastrosas do património arbóreo da cidade, na aprovação dos hipermercados do concelho ou em qualquer outra obra megalómana que arruina o dinheiro dos contribuintes. Tudo boa gente. Em Loulé é tudo gente da mesma família. Tudo gente de boas famílias.

Sobre A Miséria Dos Sindicatos E Dos Partidos De Esquerda: Um Exemplo De Luta, Os Estivadores

"Finalmente, esta greve não foi feita para marcar calendários eleitorais, nem como válvula de escape do descontentamento dos trabalhadores. O Sindicato dos Estivadores é independente da UGT e da CGTP e isso manteve-o longe da estratégia de rebaixar as lutas ao fortalecimento dos partidos da oposição, à ideia de uma saída eleitoral para as questões laborais. Ao fim de 40 anos de democracia-representativa, é por demais óbvio que os direitos laborais nunca foram aí conquistados mas aí, sim, perdidos. O tema é tabu, mas não podemos deixar de abordá-lo — o sindicalismo em Portugal não é, maioritariamente, sequer um sindicalismo reformista clássico, muito virado para lutas corporativas e de sector, ele é uma correia de transmissão da estratégia eleitoral dos partidos políticos e essa estratégia eleitoral, que oferece a quimera de que é nas eleições de 4 em 4 anos e não nos locais de trabalho que se muda a vida, tem sido uma estratégia suicidária. A outra, esta, foi vencedora. Sem glorificação agigantada, esta vitória tem de ser celebrada." 

Raquel Varela, aqui: 

quinta-feira, fevereiro 20, 2014

A Campanha De Difamação A Fernando Tordo Nas Redes Sociais e Agora Nos Media Convencionais

Um nojo esta gente que apoia este governo e que se presta a estas campanhas de difamação. Vale tudo. Eu só não emigro porque não posso deixar cá os meus velhos e as minhas crianças porque também eu não suporto o país em que esta coisa se transformou. Irrespirável. Há muita boa gente cúmplice do estado a que isto chegou. 

Loulé Sai De Novo À Rua A 25 de Abril de 2014

A Troika decretou a austeridade perpétua e o bom povo português submete-se e cruza os braços. Informa-se que está em preparação uma grande manifestação para o dia 25 de Abril de 1974 em Loulé para dizer de novo basta. Querem-nos resignados mas não lhes daremos esse prazer. O evento é aberto a todos. Boa noite.

Homenagem A Um Vivo Morto



Eu sei que é costume homenagear os mortos e não os vivos. Aqui fica a minha devida homenagem ao Fernando Tordo, em vida.

Alternâncias


Futuro sequestrado. País irrespirável. Gente muito, muito indecente.

quarta-feira, fevereiro 19, 2014

A Grande Canalhice Do Partido Associalista

O líder do PS lembrou na conferência do "Economist" que defendeu a "regra de ouro" da disciplina orçamental. E que, em 2012, não demonstrou "a mínima hesitação em votar o Tratado Orçamental Europeu".

Jornal i, 19 de Fevereiro de 2014

Saída Limpa Ou Política Suja?

A saída limpa de que por aí se fala deve ser isto. A destruição do que resta do Estado Social e do pouco que sobra da dignidade das nossas vidas. Falo daqueles que ainda não emigraram obviamente. Tudo vai bem porque parece que deixou de haver por aí uma qualquer predisposição para a indignação colectiva. Aliás, as forças, à esquerda e à direita, que pressionam para ficarmos quietinhos e caladinhos são de uma dimensão significativa. 

terça-feira, fevereiro 18, 2014

Tudo Gente Boa, Tudo Gente Séria, Tudo Gente De Boas Famílias


A Traição Da Esquerda

Enquanto a população deste maravilhoso cantinho é assaltada e vai regredir para níveis de exploração do século xix, há grupos que escolheram passar o seu tempo a discutir.  Nas páginas dos jornais e nos sites das várias formações de esquerda, nomeadamente o Bloco e o Livre, encontram-se atarefados numa animada polémica. O resto da população está mergulhada na destruição do país pela política de direita, mas a nossa extrema-esquerda está concentrada numa disputa fundamental e a praticar o popular desporto de ver quem tem a pilinha maior. Vamos aterrar no planeta Terra. Vivemos em plena revolução de direita: no fim deste processo todo o trabalho deixará de ter direitos. Toda a gente vai ser precária e mal paga. As reformas serão mais tarde e simbólicas. O Serviço Nacional de Saúde será muito pior e apenas para os indigentes. O ensino superior será um luxo para ricos. Todas as empresas públicas serão entregues, a preço de saldos, a monopólios privados, muitos deles estrangeiros. O pequeno e incipiente Estado social português, em relação aos seus congéneres europeus, não existirá. Os trabalhadores trabalharão ainda mais horas que o resto dos europeus e receberão ainda menos que eles. Daqui a um par de anos os salários reais terão sido reduzidos mais de 30%. Os pobres serão mais pobres e os ricos ainda mais ricos. Portugal reforçará a sua liderança dos países mais desiguais da Europa e do mundo. No termo deste período, os trabalhadores e os reformados terão pago milhares de milhões de euros do buraco financeiros dos grandes bancos. Ficarão por pagar, pelos seus filhos e netos, os negócios, de mais de 60 mil milhões de euros, feitos com esses mesmos grupos financeiros, como as parcerias público-privadas e os swaps. Água e energia estarão totalmente nas mãos dos privados. Aos pobres poderá ser cortado o acesso à água para beber. Terão uma vida mais curta e difícil: os mais novos terão de emigrar, os mais velhos não vão conseguir sobreviver com as suas reformas e não terão acesso a nenhum emprego. A maioria da população fará ganchos para empresas lucrativas que pagarão muito abaixo do salário mínimo. Os sindicatos perderão grande parte da sua força. Ser sindicalizado é o primeiro passo para ser despedido. E como não há trabalhadores com emprego estável, e são residuais aqueles que têm estabilidade no sector público, os sindicatos vão desaparecendo. A nossa dívida, superior a 130% do PIB, é impagável. Vamos ser esmifrados durante mais de 50 anos para a pagar e no fim ainda não estará liquidada. Teremos gerações sacrificadas. Os actuais governantes e os próximos, que se propõem cumprir as políticas neoliberais da troika, terão empregos garantidos nos grandes grupos económicos e financeiros, como tiveram os anteriores ministros da Economia, das Finanças e das Obras Públicas. Este é o cenário que está à vista. À esquerda, contra a política da troika, exige-se que resista, mas sobretudo que a derrote. Parafraseando um político britânico, "quando o país esperava que a extrema-esquerda crescesse, ela engordou". Precisamos de acções que dêem poder às pessoas e que recusem guerras sectárias e unam na acção todos aqueles que se opõem à política de austeridade sobre a população e de enriquecimento dos muito ricos. É preciso criar alternativas a este desastre. Visivelmente elas passam por uma democracia em que o poder está nos cidadãos e não nos poderosos, mas também por uma prática partidária que consiga ver para além dos umbigos dos dirigentes da extrema-esquerda. 

Por Nuno Ramos de Almeida 

Os Ignorantes, Os Indiferentes e Os Sacanas

Um povo triste que não percebe o que lhe reserva o seu destino, foi capturado pela finança e pelos partidos políticos e que está condenado à fome e à miséria.

segunda-feira, fevereiro 17, 2014

Diz-me Com Quem Te Sentas À Mesa Dir-te-ei Quem És


É claro que há sempre o argumento, é a função institucional, e tal. Mas também há a outra opção que é recusar sentar-se ao lado de quem não tem mais nada para nos oferecer do que austeridade perpétua.

domingo, fevereiro 16, 2014

Poucochinho, Logo Existo

O debate sobre a falência dos socialistas europeus, ninguém no PS o quer fazer

Ontem, na "Quadratura do Círculo", António Costa intimava Seguro a ter um resultado excelente nas europeias - a pena de "ganhar poucochinho" seria a de nas legislativas fazer "uma coligação poucochinha e fraquinha". Nada mais certo, mas a grande resposta aos problemas de António Costa veio do militante do CDS António Lobo Xavier: "Quem partilha estas ideias tem de fazer um pouco mais do que agitar-se em vésperas de eleições e dizer que o secretário-geral não presta. Faz parte dos deveres de militância assumir uma ruptura leal e franca." Esta é a magna questão.
Há nesta história toda do "posicionamento" do PS uma sucessão de "poucochinhos" que não irão contribuir um avo para uma mudança de políticas que se impõe. O consenso sobre a fraqueza da liderança de António José Seguro não é difícil e é verdade que o processo das europeias é mais um contributo para acentuar a fragilidade. Mas os chamados "críticos" nem têm uma alternativa consistente a apresentar (quem?, outra vez o Costa?) nem sequer se entendem num programa mínimo entre si - o maralhal que se juntou para levar Costa em ombros, e falhou, ia dos elementos mais à esquerda aos mais à direita dentro do PS, entre os quais há divergências profundas em várias matérias. Era um entendimento forjado numa pessoa, mas não num programa. Essa mixórdia de temáticas acabou tristemente num abraço cínico e num acordo de treta entre Seguro e Costa.

http://www.ionline.pt/iopiniao/socialistas-versao-poucochinho

sábado, fevereiro 15, 2014

Nova Carta Dos Médicos A Pedro Nunes - Situação de Ruptura No Centro Hospitalar do Algarve

« Exmo. Senhor 

Presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar do Algarve 
Dr. Pedro Nunes 
Algarve, 7 de Fevereiro de 2014 

 Assunto: Situação de Rutura no Centro Hospitalar do Algarve 

 No seguimento de recentes declarações prestadas por Vexa. aos meios de comunicação social, os Médicos do Centro Hospitalar do Algarve vêm por este meio repudiar vivamente as V. afirmações, que consideramos desajustadas e caluniosas. Recordamos que, na carta dirigida a Vexa. em 6 de Janeiro do corrente ano, a grande maioria dos Médicos Assistentes Hospitalares alertava para a situação de rutura vivida no Centro Hospitalar do Algarve, desde há alguns meses – e que põe em risco a assistência médica à população algarvia – e, pedia que a V. atitude para com os profissionais de saúde, considerada autocrática e pouco dialogante, se alterasse. O episódio recente ocorrido no Serviço de Cardiologia, em que se constatou a incapacidade de marcação de exame programado por falta de material clínico, veio comprovar os nossos piores receios. Infelizmente, situações similares têm ocorrido noutros serviços e noutras especialidades, com consequências graves para a Saúde no Algarve. Consideramos inaceitável a V. atitude para com os Médicos desta Instituição que muito – e há muito tempo – têm dado à Região Algarvia. Consideramos que as afirmações recentes de Vexa., apelidando de “burra, tonta e pateta” uma Médica desta Casa, e “tontos” os Médicos do Serviço de Cardiologia, são extensíveis a todos nós, pelo que repudiamos vivamente que o Presidente do Órgão de Gestão do CHA assuma publicamente essa opinião injuriosa, ao invés de assumir as suas próprias responsabilidades,inerentes ao cargo. Consideramos ainda a V. atitude insultuosa para toda a população da Região do Algarve, quando afirma que “no Algarve nada é normal” e acrescentamos que não é decerto “normal” que o Presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar do Algarve teça esse tipo de considerações. Lamentamos ainda que a Direção Clínica e a Direção do Internato Médico deste Centro Hospitalar não se pronunciem relativamente às opções de gestão que têm sido assumidas, nem relativamente às injúrias dirigidas aos profissionais de saúde desta Instituição. Já tínhamos anteriormente alertado, por dever Moral e profissional, para a situação da Saúde Hospitalar da Região e temos a certeza de estar a contribuir para o sucesso da Missão deste Centro Hospitalar. Consideramos estar perante uma verdadeira crise institucional e esperamos que Vexa. lhe ponha termo de forma ajustada. 

 Sem outro assunto, 

 Os Médicos do Centro Hospitalar do Algarve»

3 de Março - Burro Algarvio Na Lapela - Em defesa do SNS no Algarve

Na sequência do cordão humano que perto de um milhar de residentes no Algarve levou a cabo a exigir a demissão do Administrador do Centro Hospitalar do Algarve, Dr. Pedro Nunes e do Ministro da Saúde, Paulo Macedo e atendendo ao facto das denúncias de falta de material básico para o exercício digno da medicina, falta de medicamentos (até para doentes oncológicos), encerramento de serviços e especialidades médicas na região, utentes a quem é pedido que comprem o material corrente para levar para o hospital,uma gestão hospitalar baseada no medo e na ameaça e agora, a última cereja em cima do bolo, profissionais de medicina humilhados pela gestão do Centro Hospitalar do Algarve, rotulados publicamente de "burros" e "tontos" pelo Dr. Pedro Nunes e em solidariedade com os médicos que foram no exercício das suas funções trabalhar de "burro na lapela", apela-se aos utentes e cidadãos em geral que se juntem em protesto Segunda-Feira, dia 3 de Março, pelas 15 horas, para entregar uma petição que circula pela internet assinada já por quase duas centenas de pessoas onde se volta a exigir a demissão do Presidente do Conselho de Administração, Dr. Pedro Nunes e do Ministro da Saúde, Dr, Paulo Macedo. Porque não se pode gerir o Centro Hospitalar do Algarve em confronto com utentes, médicos, sindicatos, autarcas e até, pasme-se, com o actual bastonário da Ordem dos Médicos, estes cidadãos consideram que a solução para a melhoria dos serviços de saúde da região do Algarve passa inevitavelmente pela saída de Pedro Nunes e Paulo Macedo. Não há outra alternativa.

sexta-feira, fevereiro 14, 2014

O Dr. Pedro Nunes É O Novo Galileu Galilei, Só Que Desta Vez Ao Contrário

Mais do que duplica o número de médicos a denunciar a situação de ruptura no Centro Hospitalar do Algarve. Dr. Pedro Nunes, tem que se ir embora. Optou por seguir cegamente a política destrutiva da Troika, do Governo e do Dr. Paulo Macedo, desrespeitando toda a gente, utentes e profissionais de saúde, agora aguente-se.  

Mar Do Algarve Privatizado Com o Acordo Do Partido Associalista

Pronto, já só falta privatizar o oxigénio. Há dias, numa manifestação em defesa do Sistema Nacional de Saúde, o meu intestino grosso deu voltas e voltas quando levantei a cabeça e vi um tal de Miguel Freitas na mesma manifestação que eu, ainda por cima organizada por mim. Não é que o sujeito (objecto?) não tivesse esse legítimo direito. O espanto foi com estas minhas ideias e esta minha acção a pensar que de alguma forma poderia mudar o mundo para melhor, nem que fosse um bocadinho dele só. Às vezes surpreendo-me com a minha ingenuidade.
 
É disto que falo, que tonto que eu sou:

quarta-feira, fevereiro 12, 2014

O Elogio Da Pobreza

A cerimónia dos 50 anos da fábrica Mitsubishi foi o palco para Passos Coelho fazer mais um balanço positivo da ação do Governo e do memorando da troika. Citado pela agência Lusa, o primeiro ministro agradeceu “o apoio da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional” e acrescentou que «ao contrário do que acontecia no passado, estamos hoje a viver mais de acordo com as possibilidades da nossa economia". 

Navegar à Bolina

Um povo sem rumo. Ou vota Passos Coelho. Ou põe gosto no facebook do António José Seguro ou espera pelo Dom Sebastião António Costa. Entretanto, nem se fala de suspensão/renegociação da dívida nem se discute se vale a pena continuar no euro, nem sequer se discute a Europa em véspera de eleições europeias. O costume. Quando chegar a trovoada cada um desenrasca-se como pode.

terça-feira, fevereiro 11, 2014

Ecce Homo

"O grande buraco negro da “oposição” em Portugal, é o PS, que por si só desequilibra toda a “oposição” ao governo. É-o por inacção e por omissão, mas é-o também porque transporta consigo a memória e a responsabilidade da origem da crise, e, por muito que Sócrates fale todas as semanas, este é um adquirido na consciência colectiva. Por isso, o PS é uma espécie de dragão chinês que quase não se mexe, com um enorme rabo-de-palha e com uma cabeça minúscula que só sabe fazer salamaleques, e repetir “como eu disse há meses e então todos me criticaram”… A grande contribuição do PCP para a “oposição” foi ter mantido a CGTP sempre na rua. Sem a CGTP na rua, ou seja sem sindicatos, nem agitação social, mesmo que controlada, estes homens do poder estariam de pedra e cal. Há uma tendência nefelibata para menosprezar o papel dos sindicatos e da “rua”, mas sem eles haveria a calma dos cemitérios que o poder mais deseja." 

segunda-feira, fevereiro 10, 2014

Os Partidos Contra Os Cidadãos

Caros amigos. A questão chave é a seguinte. Os partidos e os sindicatos não estão minimamente virados para o derrube deste governo até às eleições legislativas de 2015. Oportunisticamente, com raras e boas excepções (que são travadas dentro dos próprios partidos por gente que detesta a acção espontânea dos cidadãos fora dos partidos) os partidos querem as pessoas quietinhas e submissas a assistir à catástrofe que destrói as suas vidas. Faço juz às palavras de Nicolau Santos "eu não me conformo". Dia 3, lá estarei à porta do gabinete do Presidente do Conselho de Administração, Dr. Pedro Nunes a pedir a sua demissão. Provavelmente só, mas lá estarei. Quem não se mexe depois não tem legitimidade para dizer que os movimentos de cidadãos são um desfile de políticos. Até dia 3 de Março. 

domingo, fevereiro 09, 2014

Comunicado de Imprensa - Movimento Em Defesa Dos Serviços Públicos De Saúde Do Algarve

O Movimento de Cidadãos Em Defesa Dos Serviços Públicos De Saúde Do Algarve, movimento que organizou o cordão humano nos hospitais de Portimão e Faro, em 1 e 2 de Fevereiro de 2014, vem por este meio reafirmar a sua posição de que o Dr. Pedro Nunes não reúne as condições necessárias nem suficientes para se manter no cargo de Presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar do Algarve, uma vez que se encontra em estado de negação da realidade em relação à degradação acelerada dos serviços de saúde na região. Os relatos de falta de material médico e cirúrgico básico, de falta de medicamentos até para doentes oncológicos, os actos médicos na estrita dependência da burocracia hospitalar, o fecho de serviços e especialidades, as denúncias dos médicos de uma gestão hospitalar baseada na ameaça e no medo, a humilhação e a ofensa aos profissionais de saúde que chega ao ponto de chamar de tontos e burros a profissionais altamente prestigiados, médicos que vão trabalhar de burro na lapela em sinal de descontentamento, configuram um quadro indigno que mancha de forma clara o que de melhor se fez no Sistema Nacional de Saúde desde o 25 de Abril de 1974. Este movimento de cidadãos considera também inaceitável que no mesmo fim-de-semana em que perto de um milhar de pessoas saiu há rua indignada em forma de cordão humano em defesa do sistema público de saúde, a ARS Algarve tenha tido a lata de produzir um comunicado (e com que pressa o fez) a afirmar que a saúde no Algarve está a “melhorar”. O Movimento de Cidadãos Em Defesa Dos Serviços De Saúde Do Algarve informa que está a circular uma petição nas redes sociais a solicitar a demissão do Dr. Pedro Nunes e do Senhor Ministro da Saúde, Dr. Paulo Macedo e apela a que o maior número de cidadãos interessados a assinem. Informa também que está em preparação uma romaria para breve com partida dos mais diversos pontos do Algarve em direcção ao gabinete do Senhor Presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar do Algarve onde será entregue pessoalmente essa petição que está já a chegar às duas centenas de assinantes. Este movimento considera que quando se perdeu a confiança de utentes, médicos, autarcas, sindicatos e do próprio bastonário da Ordem do Médicos não se pode continuar a fazer de conta.
 
Movimento Em Defesa Dos Serviços Públicos De Saúde Do Algarve

O Bloco De Esquerda Em Loulé É Um Mero Apêndice Do Partido Que Se Diz Socialista

Segundo dizem na internet foi aprovado por unanimidade pelos partidos da esquerda à direita o novo Hipermercado em Quarteira com o parecer positivo do Bloco de Esquerda, inclusive. Eu sei que é muito chato e muito incomodativo para muito boa gente estar a escrever isto mas o Bloco de Esquerda em Loulé mais parece um apêndice dos interesses do PS que por sua vez faz de conta que se quer demarcar de António José Seguro e da coligação que nos enterra. Isto começa a ganhar contornos de indecência. Os partidos políticos em Loulé, "esquerda" incluído (com raras excepções de algumas pessoas, muito poucas aliás) apropriaram-se claramente dos recursos públicos e mais não são do que máquinas de distribuição de lugares, posições e estatutos. Uma tristeza.

sábado, fevereiro 08, 2014

Associalistas Sem Vergonha

“Será mais fácil fazer aliança com uma direita que, entretanto, se terá livrado da tentação neoliberal que hoje marca claramente a actual maioria” 

Francisco Assis, Partido Socialista

Demita-se Dr. Pedro Nunes, Senhor Administrador Da Troika

"Nos últimos meses, têm-se sucedido os relatos de casos de falta de medicamentos, de material médico e cirúrgico, ou de outros consumíveis hospitalares, alguns tão básicos como pensos rápidos para quem faz análises ao sangue ou almofadas para os doentes. Há mesmo situações relatadas de falta de medicamentos para doentes de cancro, ou de alimentação intravenosa e drogas para doentes críticos internados na Unidade de Cuidados Intensivos. Mas têm faltado também fraldas descartáveis, material de sutura, agulhas, gaze, lençóis e roupas para os internados, etc, etc. A lista de denúncias é longa. Esta semana, ficou a saber-se que, por falta de cateteres e stents no Hospital de Faro um doente de Monchique que sofreu um enfarte voltou para casa sem que um exame importante, um cateterismo, pudesse ser feito. Que voltasse depois, disseram-lhe." 

 Ler o excelente artigo de Elisabete Rodrigues aqui: 

Utopia Realista

Arnaut defende eleições antecipadas e governo de esquerda. Falta agora o partido socialista converter-se à esquerda. António José Seguro quando leu isto deve-se ter engasgado com as torradas do pequeno almoço. Os fiéis (e até gente do BE) que se orgulham de ser socialistas e andam por aí (a gente às vezes até pasma) a por "gosto" na página do facebook do António José Seguro, também. 

sexta-feira, fevereiro 07, 2014

Burros Há Muitos Seu Palerma!

"O mal-estar é cada vez mais evidente e, segundo apurou o Sul Informação, a grande maioria dos médicos do CHA (nos três hospitais) foram hoje trabalhar ostentando fotografias de burros algarvios na lapela. À hora de reunião do Conselho Distrital, ainda havia fotografias destas espalhadas nas mesas da delegação de Faro da OM."

http://www.sulinformacao.pt/2014/02/declaracoes-de-pedro-nunes-ao-sul-informacao-valem-lhe-inquerito-disciplinar-da-ordem/

Os Presidentes De Câmara Socialistas Estão A Ser Coniventes Com As Políticas Assassinas De Paulo Macedo

Errado. Devia ser "Câmaras Algarvias pedem a demissão de Pedro Nunes e do Ministro da Saúde Paulo Macedo". Não basta o bode expiatório do Pedro Nunes ir embora (apesar de ser fundamental, está mais que visto que é um agente da Troika) porque o problema são as políticas assassinas do senhor Ministro e do seu governo. 

Ver tudo aqui:

quarta-feira, fevereiro 05, 2014

Há Médicos Burros No Centro Hospitalar Do Algarve?

«A médica que escreveu isso na nota de alta deve ser novita, porque eu nem a conheço, e, desculpe-me a palavra, é burra. E é tonta, porque nem imagina a responsabilidade que vai assumir. Imagine que, por azar, o doente tem um enfarte, morre e a família vai para tribunal. A administração tem os documentos todos em como o material existe e o hospital está aprovisionado para 30 dias, por isso quem escreveu aquilo é que seria responsável»

Pedro Nunes, Administrador do Centro Hospitalar do Algarve
 

Demissão do Administrador do Centro Hospitalar do Algarve e do Ministro da Saúde Paulo Macedo - Em Defesa do Serviço Nacional de Saúde

Demissão do Administrador do Centro Hospitalar do Algarve e do Ministro da Saúde Paulo Macedo - Em Defesa do Serviço Nacional de Saúde 

Para: Ex.mo Senhor Presidente Da República; Ex.ma Senhora Presidente da Assembleia da República; Ex.mos Senhores Deputados da Assembleia da República 

 Na sequência do abaixo assinado levado a cabo por 183 dos 220 médicos especialistas dos hospitais de Faro, Lagos e Portimão onde se denúncia a situação inaceitável de "falta de medicamentos e de material de uso corrente tais como seringas, agulhas e luvas" e de uma constatação por uma boa parte dos autarcas algarvios de uma "degradação dos cuidados de saúde" muito grave na região do Algarve, os cidadãos desta região, em apoio aos profissionais do serviço público de saúde exigem a demissão do Presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar do Algarve, Dr. Pedro Nunes e do Ministro da Saúde, Dr. Paulo Macedo. Porque é inadmissível que em nome de uma qualquer paranóia austeritária se ponham em causa a prestação de cuidados de saúde e em algumas situações a própria vida das pessoas os cidadãos do Algarve exigem que seja resposta imediatamente a normalidade nas unidades de saúde da região. Os susbscritores da petição entendem assim que os senhores deputados da Assembleia da República devem exigir a demissão imediata do Conselho de Administração do Centro Hospitalar do Algarve e do Senhor Ministro da Saúde. Exigem também um mudança radical nas políticas de saúde que neste momento estão a destruir vidas humanas inocentes através dos cortes brutais levados a cabo pelo Governo de Pedro Passos Coelho. De igual modo, no exercício de direitos legalmente consagrados, solicitam à Assembleia da República que decida discutir esta matéria, propondo ao Governo que se demita para que se dê lugar a eleições antecipadas e seja reposta a dignidade na vida dos cidadãos do nosso país. 

 Os signatários 

terça-feira, fevereiro 04, 2014

Cartão Vermelho Ao Governo E A António José Seguro

Arménio Carlos quase acertou quando apelou a um cartão vermelho ao governo PSD/CDS nas eleições europeias. Porque a campanha forte vai ser cartão vermelho ao governo e a António José Seguro. Está desde já prometido.

segunda-feira, fevereiro 03, 2014

Vai-te Embora Pedro

Cordão Humano frente à entrada principal do Hospital de Faro - Domingo, dia 02-02-2014. Foi entregue um ramo de flores funebre ao Dr. Pedro Nunes a exigir a sua demissão do Conselho de Administração do Centro Hospitalar do Algarve, a exigir a demissão do Ministro da Saúde Paulo Macedo e do Primeiro-Ministro Pedro Passos Coelho. O ramo de flores dizia "Vai-te embora Pedro" e foi assinado por várias dezenas de pessoas.

Até Amanhã Camaradas! É Isto, Nada Mais Do Que Isto, Qualquer Cordão Humano O Confirma

É já um lugar-comum, mas um dos benefícios adquiridos pela direita em Portugal é a incapacidade da esquerda em se unir e convergir em estratégias que assegurem a conquista do poder. O assunto é até motivo de riso, de tão previsível. E a cada nova tentativa para provocar uma dinâmica de unidade à esquerda proliferam os comentários irónicos, manifestando descrédito. Esta situação confirmou-se esta semana com a assunção, por parte do BE, da sua indisponibilidade para integrar um movimento unitário de candidatura às eleições europeias (PÚBLICO 28/01/2014). O coordenador João Semedo anunciou que este partido irá candidatar-se em lista própria, que será encabeçada pela eurodeputada Marisa Matias. Uma decisão que levou ao abandono da direcção do BE da antiga deputada Ana Drago. Foi assim rejeitada a proposta feita por 65 promotores do Manifesto 3D, que integra uma série de personalidades de esquerda actualmente sem partido, mas que, na sua maioria, já militaram em organizações políticas. Uma proposta de convergência que passava pela constituição de uma lista comum de independentes e de partidos de esquerda, nomeadamente, o BE e o partido Livre, que vive hoje o seu congresso fundador. O BE é um partido cuja fundação, ocorrida para se candidatar às europeias de 1999, foi precisamente um dos poucos momentos em que, à esquerda, foi possível eleger deputados à Assembleia da República, unificando num só partido-movimento o PSR, a UDP e a Política XXI, o nome que o MDP adoptou quando nele entraram os membros da Plataforma de Esquerda, associação que agregou ex-militantes do PCP. Mas neste momento o BE sofre do problema comum aos partidos de esquerda em Portugal: a incapacidade para se unir a organizações rivais em torno de propostas para a sociedade e de um programa de governo. Ora, esta incapacidade não se deve a questões de protagonismo e de vaidade pessoal dos dirigentes e das personalidades de esquerda, por muito que esta explicação possa ser fácil de usar. O problema é mais profundo, existe em Portugal mesmo antes do 25 de Abril e tem a ver com a matriz das organizações políticas à esquerda do PS. Um modelo organizativo político que tem como referência em Portugal o PCP, que passa pelo funcionamento de acordo com as regras do centralismo democrático ou próximas dele, e que vive da ideia de se constituir em partido de vanguarda revolucionária que conduzirá à emancipação libertadora do povo, os trabalhadores, os operários, consoante o léxico nas diferentes épocas. O vanguardismo político próprio das forças que bebem no modelo de acção política leninista concretizou-se historicamente no chamado "frentismo político", através de movimentos unitários de Frente Popular. Conduzidos pelo Movimento Comunista Internacional, estes movimentos em Portugal foram liderados pelo PCP. Esta concepção vanguardista tem, desde os anos 40 do século XX, em Álvaro Cunhal o principal teorizador, mesmo antes de este ser eleito secretário-geral do PCP em 1961. Como bem explica João Madeira, na sua recente História do PCP (Edições Tinta da China), esse modelo frentista em que o PCP era a força dominante, foi seguido em praticamente todos os movimentos unitários de oposição à ditadura de Oliveira Salazar. Assim como é esta a concepção vigente no PCP ao manter a CDU, por menor que esta coligação surja, quando comparada com movimentos como o MUNAF ou o MUD. A questão é que em democracias que vivem na era da globalização e da comunicação imateralizada é difícil, senão mesmo impossível, funcionar como partidos de vanguarda. Assim como é impossível organizar movimentos democráticos e transversais hoje em dia com forças que persistem em considerar-se como vanguardas e se vêem como as detentoras da via correcta e da verdadeira linha justa para a condução das massas, num mundo em que estas subsistem enquanto eleitores, contribuintes, consumidores, utentes, etc. Hoje em dia parece difícil, senão mesmo impossível, haver quem pense que existem massas para conduzir. E a ideia de vanguarda política surge desfasada na era da comunicação de massas. Mas o que é facto é que, mesmo que não o assumam e até nem disso tenham consciência, os dirigentes dos partidos à esquerda do PS estão impedidos de convergirem pelo facto de se considerarem a si mesmos e à sua organização como a verdadeira vanguarda, como os detentores da via única, da linha justa, e que por isso devem ser eles a força dominante e motriz de qualquer solução de esquerda. E assim continuam a falar sozinhos e longe de poderem aspirar a exercer ou influenciar directa e pragmaticamente o poder – prolongando a presunção mítica de que, um dia, serão eles que irão conduzir as massas, quais messias anunciados e redentores.

Um Comunicado Insultuoso Da ARS do Algarve Às Populações Do Algarve

O Movimento de Cidadãos Em Defesa da Saúde Do Algarve considera insultuoso para as populações do Algarve que no mesmo fim-de-semana em que os utentes do sistema de saúde, autarcas, representantes dos mais diversos partidos políticos e representantes do sindicato nacional dos enfermeiros se juntam num cordão humano em protesto pela degradação acelerada do sistemas de saúde público do Algarve, a ARS Algarve, emita um comunicado onde tem a lata e o descaramento de dizer que os cuidados de saúde do Algarve melhoraram nos últimos 3 anos. Este movimento de cidadãos apelas aos autarcas e aos representantes dos partidos políticos para que retirem consequências da mobilização e da revolta popular demonstrada nas ruas com esta situação e não se limitem a aparecer junto das populações do Algarve a dar entrevistas para a televisão. A total falta de respeito evidenciada por Pedro Nunes, pelo Presidente da ARS Algarve neste último comunicado e do Ministro da Tutela Paulo Macedo levanta a possibilidade deste movimento de cidadãos avançar com uma acampada à porta do Conselho de Administração do Hospital de Faro a exigir a sua demissão. Em breve faremos seguir um comunicado para a imprensa nacional sobre este assunto. Não brinquem aos joguetes políticos com as populações e muito menos quando está em causa a sua saúde. 

 Ver o insultuoso comunicado da ARS Algarve aqui:


Entre A Partidocracia E A Cidadania: Um Trajecto Difícil


Ninguém imagina a dificuldade que é exercer a cidadania fora da vida partidária. Da esquerda à direita com raras e boas excepções os partidos preferem súbitos a cidadãos de corpo inteiro. Experimentem tomar a iniciativa para organizar um simples cordão humano e vão ver os incómodos e o mau estar que por aí causam. E claro, preparem-se para os ataques e para as tentativas de desmobilização. A maior parte desta gente que anda dentro dos partidos (estruturas organizadas fundamentais à democracia tal como a conhecemos) não entende coisa nenhuma do mundo em que hoje vivemos. Querem-nos quietos, submissos e habituados. Uma estranha concepção de sociedade.

Boa noite para todos aqueles que aqui nos visitam.


sábado, fevereiro 01, 2014

Um Cordão De Dignidade Humana Em Defesa Do Serviço Nacional De Saúde

Portimão hoje. Uma enorme massa de dignidade humana em luta contra a destruição de um dos bens públicos mais preciosos e uma das maiores conquistas de Abril. O Sistema Nacional de Saúde. Para os louletanos de ressalvar a presença muito digna do Senhor Presidente da Câmara de Loulé, Vítor Aleixo, assim como alguns representantes do PS-Loulé que em dia de comemorações na cidade se deslocou a Portimão para se juntar ao cordão humano. Não se pode criticar aquilo que se julga não estar certo e nos momentos em que estamos perante comportamentos muito dignos, ignorá-los. Como cidadão organizador deste cordão humano registo com muito agrado o facto da sociedade civil se ter mobilizado e por um momento raro a esquerda se ter unido em torno de uma causa. 

Em Defesa Do Serviço Nacional de Saúde, Na Rádio Renascença

"O Movimento de Cidadãos pela Defesa dos Serviços Públicos de Saúde do Algarve organiza no sábado um cordão humano em Portimão e, no domingo, uma caravana automóvel na Estrada Nacional 125 para pedir a demissão do ministro da Saúde. O Movimento de Cidadãos, constituído por um grupo de 15 pessoas, informa que as acções de luta pretendem denunciar a "degradação acelerada na região" do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e, ao mesmo tempo, servir para pedir a demissão do ministro da Saúde, Paulo Macedo, e do presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar do Algarve (CHA), Pedro Nunes." 

De Vez Em Quando Entro Em Crise Existêncial e Lembro-me Desta Passagem De Guerra Junqueiro

"Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai; um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional, reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta. [.] 

Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima, descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira a falsificação, da violência ao roubo, donde provem que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro [.] 

 Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; este criado de quarto do moderador; e este, finalmente, tornado absoluto pela abdicação unânime do País. [.] A justiça ao arbítrio da Política, torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas; Dois partidos [.] sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes, [.] vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos, iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero, e não se malgando e fundindo, apesar disso, pela razão que alguém deu no parlamento, de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar."  

Guerra Junqueiro, "Pátria", 1896.