segunda-feira, fevereiro 28, 2011

Desajustamentos

Bom debate no Prós e Prós de hoje. Sobre a "geração à rasca". O negócio é a relação entre as oportunidades objectivas e as aspirações subjectivas. É a grande questão da frustração relativa. É só ler Bourdieu. Juntamente com a precarização estrutural do trabalho e a incapacidade de fazer futuro, resulta numa enorme decepção colectiva. A situação pode ser explosiva.

Adenda: Vale a pena sublinhar que os "jovens" que estão a participar no programa são os jovens universitários. Os menos privilegiados e sem voz não estão lá. E esses estão claramente em piores lençóis.

Idiotias

Vocês sabem como é que se enchia o Cine-Teatro Louletano com cinema de fim de semana? Vou-vos dizer. Com um ciclo de cinema para crianças. Assim género Toy Story estão a ver. Experimentem e terão uma surpresa agradável. Mas sem divulgação não vale. É batota.

Elevar o Gosto

Protesto Dia 19 De Março: Diz Não Às Portagens Na Via do Infante

Eu vou lá estar. Já não é só uma questão da introdução de portagens ser prejudicial à economia do Algarve, nem sequer só o risco da probabilidade de aumentar o número de acidentes, feridos e mortos na Rua Nacional 125. É uma questão de dignidade pessoal, de amor próprio. É que ainda não me considero uma passadeira rolante.

domingo, fevereiro 27, 2011

O Contributo da Banca Portuguesa na Produção da Miséria Colectiva

Segundo um post do blogue Calçadão de Quarteira, os bancos preparam-se para cobrar 1 euro e 50 centimos por cada levantamento nas caixas multibanco. Sugiro que em protesto toda a gente levante o seu dinheiro dos bancos. Absolutamente incrível. Os bancos, que foram um dos grandes responsáveis pela crise brutal que agora passamos, que foram salvos da bancarrota com o dinheiro dos contribuintes, avançam agora com a pretensão de mais exploração da vida alheia. Não é só imoral, é também de uma tremenda indecência. Vou voltar a levantar novamente dinheiro ao balcão. E sugiro que toda a gente o faça.

Ver mais aqui:

Homofobia no Banco de Trás do Autocarro

Há alguns dias atrás vinha eu de Lisboa para o Algarve em viagem de autocarro e atrás de mim um jovem passageiro com pouco mais de vinte anos telefonava a uma amiga. Como a viagem era de noite, no meio do silêncio era impossível não ouvir a conversa e uma boa parte da conversa rezava assim: "No outro dia estava na minha casa em Lisboa e fui passear o cão, sabes o que é que eu vi? Nem queiras saber. O mundo está perdido. Dois brasileiros de fato de xadrez e bonézinho na cabeça entraram no supermercado de mãos dadas. O mundo está perdido. E aos beijos no meio da rua. Entraram no supermercado de mão dada, com a maior descontração do mundo, fizeram as comprinhas e sairam na maior, como se não fosse nada com eles, aos beijinhos, com crianças por ali a ver e tudo. O mundo está perdido. Que grandes paneleiraços!" Rezava assim a história e eu não pude deixar de me lembrar que escolas portuguesas impediram de avançar uma campanha de sensibilização contra a homofobia. Há uma mudança positiva na sociedade portuguesa nas últimas décadas que já permitiu que o parlamento português aprove leis onde os homossexuais podem constituir matrimónio, mas a sociedade não muda por decreto e ainda há um longo caminho a percorrer.

sábado, fevereiro 26, 2011

Sobre as Portagens Na Via do Infante

"A introdução de portagens na Via do Infante vai prejudicar fortemente a economia do turismo e da região"

Vitor Neto, Presidente do NERA no jornal O Algarve

sexta-feira, fevereiro 25, 2011

Os Novos Vencidos

Novo blogue Louletano, com uns curtos meses de existência, mas com algumas interessantes postagens que têm a ver com a vida de todos nós. O Domingos Pereira anima a coisa e a coisa tem sido bem animada. Bem vindo à real virtual vida.

Ver aqui:
http://osnovosvencidos.blogspot.com/

quinta-feira, fevereiro 24, 2011

Este País Não É Para Parvos

A gente lê e não acredita. A gente sabe que os partidos políticos são fundamentais à democracia e que sem partidos é difícil actualmente conceber uma ideia de democracia, mas a gente pasma com tanta indigência política e é nestas alturas que apetece subscrever essa petição que por aí circula apelando à mobilização de um milhão de pessoas na Avenida com o nome de Liberdade exigindo a demissão de toda a classe política. O PSD, esse novo partido neoliberal do ultraliberal Passos Coelho, encontrou uma proposta de solução para resolver a precariedade estrutural da geração que já foi rotulada de "rasca" e que agora é (auto) designada de "parva". Permitir trabalho a prazo sem contrato e com base no contrato verbal. Assim uma espécie de institucionalização legal da economia paralela. Tem razão José Manuel Pureza, o líder parlamentar do Bloco de Esquerda. Trata-se do regresso ao século XIX. Mas não se trata só disso. É um puro caso de indigência política. Não proporia demitir toda a classe política. Mas para aí dois terços não fazia mal a ninguém.

Comissão de Utentes da Via do Infante

A ser verdade o que é relatado no blogue Calçadão de Quarteira que amanhã vai ocorrer uma reunião entre autarcas algarvios e o governo para discutir a localização dos pórticos na Via do Infante então a Comissão de Utentes e os algarvios acabam de ser traídos pelas costas pelos seus pretensos representantes máximos. Verdadeiros actores num teatro de sombras. Inqualificável. Como é possível ter uma reunião num dia com os membros do governo para manifestar o desagrado dos algarvios e no dia seguinte estar sentado à mesa com esse mesmo governo a discutir a localização dos pórticos da Via do Infante? Não há diferenças no conteúdo de ambas as reuniões? Tudo se equivale? Tudo Vale?

Ver mais aqui:
http://calcadaodequarteira.blogspot.com/2011/02/com-plataforma-ou-sem-plataforma.html

quarta-feira, fevereiro 23, 2011

Hoje é dia do Zeca



Uma homenagem que o Zeca não hesitaria em fazer a todos os que morreram na luta pela liberdade no mundo árabe...

Pórticos Na Via Do Infante

Já se iniciou a construção de pórticos na Via do Infante. O governo deve estar com medo que se faça por aí outro Forum daqueles onde se avançam muitas teorias explicativas para a desgraça que nos vai cair em cima e onde não se decide coisa nenhuma. Uma verdadeira falta de respeito do governo pelos algarvios, é o que é. Mas talvez os representantes máximos dos algarvios, esses seres humanos sempre responsavelmente responsáveis também não se dêem muito ao respeito. Sinal mais, teve sempre a Comissão de Utentes da Via do Infante. Se não fosse ela ninguém tinha mexido uma palha, ou o rabo, sei lá. Às vezes ele está muito gordo e custa muito a mexer. Lá vamos todos encavalitarmo-nos na Rua Nacional 125. O destino dos pobres, que para uma minoria de privilegiados é sempre bom circular de estrada larga.

Adenda: Alguém que explique ao Engenheiro Macário Correia que as reinvindicações dos algarvios são de recusa total do pagamento de portagens e essa condição da "requalificação" da 125 é treta para algarvio ver. Exige-se firmeza e honestidade. Estamos todos fartos de artistas da política.

segunda-feira, fevereiro 21, 2011

Da Líbia Com Amor



Depois da Tunísia, do Egipto, da Jordânia, do Bahrain, a Líbia. E continuam os protestos no Iémen, em Marrocos, na Argélia, no Irão. Os ditadores estão em mais lençóis. E por todo o lado ouvem-se as palavras de ordem. Liberdade, democracia, dignidade. A religião não mora aqui.

domingo, fevereiro 20, 2011

A Aposta

Vou-vos contar uma história pessoal. Por motivos familiares vou com o meu filho Pedro, que há pouco tempo fez seis anos, frequentemente a Almancil. A quinhentos metros do apeadeiro de Almancil, apostamos sempre se a cancela da passagem de nível por onde passa o comboio está aberta ou está fechada. Eu aposto sempre que está fechada e o Pedro aposta sempre que está aberta (eu deixo sempre o Pedro escolher). Há mais de dois anos que nos divertimos neste jogo. O Pedro ganha sempre a aposta.

Brincadeiras de Mau Gosto

Parece que aqui por Loulé o dr. Emídio e os organizadores do Carnaval de Loulé resolveram brincar à crise e com a crise. Segundo consta na imprensa local o tema do Carnaval gira em torno da crise económica e social. Uma brincadeira de mau gosto. Quando a crise económica rebentou à escala mundial e quando em Portugal já se adivinhava o que aí viria o dr. Emídio desvalorizou uma proposta do Bloco de Esquerda local no sentido de criar uma estrutura de apoio aos que iriam sentir os maiores efeitos da dita cuja. A insensibilidade social dos políticos locais face ao contexto de catástrofe social instalada nunca me apanhou de surpresa.

Brincar à crise e com a crise é não perceber que a crise económica e social significa o maior número de desempregados de sempre na região do Algarve e do concelho de Loulé. Significa não perceber que a condição de desempregado é a de alguém que está com fortes probabilidades de reduzir a estima de si uma vez que é socialmente definido pela negativa. Significa não perceber que isso pode significar não ter dinheiro para comer com dignidade ao longo de todo o mês. Significa não perceber que isso pode significar não dar aos nossos filhos aquilo que é essencial para os mesmos crescerem com dignidade e harmonia. Significa não perceber que isso pode significar que mais desemprego pode levar ao aumento das situações de pobreza. Significa não perceber que isso constrói uma sociedade mais desigual, logo mais injusta e logo com menos decência para a vida democrática.

Brincar com a desgraça dos outros, significa não perceber que isso pode significar, sobretudo, desdém pelos outros. Bem sei que a direita instalada nos Paços do Concelho irá dizer de sua justiça que brincar com a crise económica e social ajuda o povo a esquecer as amarguras da vida quotidiana. Bem sei que o decoro não é aquilo que mais tem caracterizado a máquina de propaganda do dr. Emídio, que tanto preza festas, festinhas e festões não importa de que cor. Bem sei que tem jorrado rios de dinheiro no laboratório experimental de urbanismo local em que se tornou a cidade de Loulé, em que a "requalificação" do Largo de São Francisco é o mais despudorado exemplo. Mas também sei que brincar com a miséria dos outros, quando essa miséria ainda por cima tem responsáveis políticos, não dá dignidade a ninguém, nem a coisa nenhuma.

Elevar o Gosto

Judicializar a política não é uma solução política

É obvio que judicializar a política do governo não é solução para coisa nenhuma e à velocidade que funcionam os tribunais em Portugal isso só serviria para legitimar os autores da ideia na sua "defesa" dos interesses do Algarve, adiando a resolução do problema. Só o protesto massivo de rua pode provocar alguns efeitos. O resto são historietas.

sábado, fevereiro 19, 2011

António Aleixo


Mentiu com habilidade,
fez quantas mentiras quis,
Agora fala verdade,
ninguém crê no que ele diz.

Nota: A foto foi copiada do blogue Louletania e não é do dia de hoje. O poeta nasceu em Vila Real de Santo António a 18 de Fevereiro de 1899 e faleceu em Loulé a 16 de Novembro de 1949.

sexta-feira, fevereiro 18, 2011

Obviamente Demito-o



Que me desculpe o post em baixo mas este surgiu depois e é bem mais importante...

Eleitores Sem Número

Para ser sincero nunca gostei de ser tratado por um número. Como não me considero uma abstração despersonalizante ao serviço dos poderes de um qualquer Estado, sempre tive problemas com as mentes legalistas e burocráticas. Por vezes, quando me perguntam pelo número de contribuinte, fico sempre com um ar aparvalhado a olhar para tão zeloso funcionário, apetecendo-me perguntar de imediato se sua excelência sabe a quantidade de números e outros símbolos que tais que tenho que decorar para poder funcionar no dia a dia.

Mas não posso deixar de constatar a miraculosa capacidade imaginativa do governo ainda em funções. Como algum burocrata distraído se esqueceu de arranjar espaço para o número de eleitor no cartão do cidadão e como as eleições presidenciais últimas foram palco de uma habilidade governativa que impediu milhares de eleitores de exercerem o seu direito ao voto, decidiram suas excelências que se acabe com o número de eleitor. Lá vai o bébé juntamente com a água do banho.

Se com número de eleitor já era um mistério saber com rigor o número de eleitores potenciais nos cadernos eleitorais imagine-se o que será sem número de eleitor. Para quem confunde tecnologia com teocracia talvez não levante nenhum problema. O problema é que a tecnologia sem pessoas é assim como as bolachas Maria com o nome da tia. Esperemos que a confusão não aumente mais ainda.

quarta-feira, fevereiro 16, 2011

Os Consensos da Vergonha Económica

É absolutamente incrível que depois de conhecido o neoliberal "Consenso de Washington" e os seus efeitos destrutivos sobre os direitos sociais e o interesse público, a União Europeia o importe agora, qual correia de transmissão fiel ao dono (O FMI, o Banco Mundial, a OMC e outros poucos que tais), de forma absolutamente acrítica e subjugada aos interesses do grande capital e o transforme hipocritamente em "Consenso de Bruxelas". Os juros da dívida, em Portugal, já ultrapassam largamente os 7% a cinco anos, as políticas austeritárias geradoras de recessão continuam a ser apresentadas como a solução para a "crise" (encarada agora como proveniente de um qualquer Deus que a terá gerado por imprevidência dos seres terrenos) e a submissão do governo socialista e da oposição passista a tudo isto, podem não ter outro fim, a não ser o rótulo de "indisciplinados", "incompetentes" e no limite, depois da declaração de bancarrota, a expulsão da sacrossanta zona euro. Já nem falo da quase morte da democracia. Quando o nosso orçamento e as políticas económicas e sociais são decididas em Bruxelas e com o crivo da Alemanha, para que serve a política?

terça-feira, fevereiro 15, 2011

Este Blogue Diz Não à Introdução de Portagens Na Via do Infante

Vitor Neto, Presidente do Nera - Associação Empresarial da Região do Algarve, clarifica esta semana no Observatório do Algarve, as razões porque deve o Algarve avançar com um rotundo não à introdução de portagens na Via do Infante. A Comissão de Utentes fez (e bem) o seu trabalho de mobilização e de sensibilização. Os principais agentes da região começam a perceber a importância do não. Falta agora o mais difícil. Travar a implementação das portagens até Abril. E isso só se faz com protesto massivo de rua. Todos os outros mecanismos institucionais estão esgotados. Com o governo de Sócrates não há outra maneira. Resta o protesto democrático, pacífico e legítimo. É novamente a Comissão de Utentes aquela que tem que tomar conta do leme e fazer juz ao navegador que dá nome à indispensável via.

Ver aqui:

http://www.observatoriodoalgarve.com/cna/editorial_ver.asp?opiniao=1039

segunda-feira, fevereiro 14, 2011

Mistérios da Cozinha

Não deixa de ser irónico que a cozinha, essa zona da lufa-lufa quotidiana tão querida ao género feminino, quando avança para o topo da hierarquia de prestigio, ela dispense quase por completo as mulheres. Os "chefs" não dão espaço, ou reduzem ao mínimo a participação feminina na cozinha.

We Like Sex Not Bunga Bunga

Ver mais aqui: http://www.dn.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1783241&seccao=Europa

domingo, fevereiro 13, 2011

Rosas Para São Valentim

Amor é fogo que arde sem se ver
É ferida que dói e não se sente
É um contentamento descontente
É dor que desatina sem doer

É um não querer mais que bem querer
É solitário andar por entre a gente
É nunca contentar-se de contente
É cuidar que se ganha em se perder

É querer estar preso por vontade
É servir a quem vence, o vencedor
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?

Luís de Camões

Pensar o Mundo III

Fazer da Irresponsabilidade Uma Palavra Gasta É Um Acto Político de Irresponsabilidade

A gente ouve o discurso do grande líder na missa das Novas Fronteiras (sim, é missa, porque efectivamente não há debate) e fica horrorizado com os usos da palavra irresponsabilidade. Irresponsabilidade é apresentar uma moção de censura às políticas de miséria socialista. A não demissão do Ministro da Administração Interna, no seguimento do impedimento do direito ao voto, por parte de milhares de cidadãos, é concerteza um acto de responsabilidade governativa. E o relatório sobre a dita coisa também recorre ao chavão da irresponsabilidade. A determinada altura, são chamados os cidadãos eleitores, para a sua irresponsabilidade. O mecanismo de transformação da vitíma em culpado em todo o seu esplendor é o que mais pode definir um governo responsável. A tamanha criação, nem a imaginação de Saramago lá conseguiria chegar. Saramago imaginou um povo em massa a votar em branco, não acredito que imaginasse uma habilidade governativa que levasse um povo em massa, a votar em nada. Já foi a vez da maledicência, já se passou pelo bota-abaixismo, em determinados momentos chegou-se à conspiração, agora chegou a vez da irresponsabilidade. Grandes democratas. Não dizem, mas fica subentendido, o Bloco de Esquerda, é um partido irresponsável, simplesmente, por existir.

sexta-feira, fevereiro 11, 2011

A Revolução do Povo



Se já é magnifíco assistir ao fazer a história enquanto ela se faz, mais fantástico será participar nela. O povo egípcio, aquele que resistiu heroicamente dezoito dias na praça Tahrir deve ter um enorme orgulho em si próprio. Sem saber o que vem a seguir, ele recusou a opressão e a ditadura e reclamou incessantemente dignidade, liberdade e democracia, arriscando a sua própria vida.

As democracias poderosas do ocidente, como quase sempre, foram confrontadas com a sua enorme hipócrisia. Não tenho dúvidas de que Obama com todas as suas hesitações, devido aos compromissos e interesses instalados no Médio Oriente, geriu o processo como George W. Bush nunca o faria. A União Europeia teve em alguns dos seus líderes declarações vergonhosas.

Em Portugal, o parlamento através do PS e do PSD envergonharam mais uma vez os portugueses rejeitando uma declaração de apoio à luta pela liberdade e pela democracia. Os amigos de Chavez, aqueles que andam frequentemente de mão estendida face à ditadura chinesa, que confraternizam com Kadafi, que se pavoneiam junto dos corruptos de Angola deviam agora corar de vergonha. E se fosse na China?

quinta-feira, fevereiro 10, 2011

Este Blogue Apoia A Moção de Censura Apresentada Pelo Bloco de Esquerda

Já Nem Menino, Nem Moço



Acabadinho de chegar da mais bela cidade do mundo, directamente para o Centro de Saúde de Loulé. Diz o bom senso comum que são pedras na vesícula. Já me avisaram que é melhor viver sem elas do que com elas. Menos de meia dezena de utentes à espera, sinal que a saúde vai alta. Médica de nacionalidade espanhola. A única que por lá habitava. Profissionalismo e simpatia a transbordar os poros. Assim dá gosto frequentar o sistema de saúde público. Um bem precioso a preservar.

quarta-feira, fevereiro 09, 2011

A Encruzilhada do Bloco de Esquerda

Francisco Louçã não quer censurar o governo de Sócrates, mas diz que lá que ele merece, merece. Louçã não quer a direita disfarçada de esquerda de Sócrates, mas também não quer que venha aí o bicho papão da direita de Passos Coelho. Louçã quer vestir a pele do "free rider". Do tipo que sem se implicar na acção, apanha boleia da acção que os outros corajosamente levam a cabo. Então se o Bloco já atravessa uma crise de identidade, assim é que não serve para coisa nenhuma na vida política portuguesa. O carisma de Louçã e as suas ideias progressistas foram uma lufada de ar fresco na democracia portuguesa contribuindo decisivamente para o seu pluralismo. No dia que o Bloco começou a ser acusado de só ser um partido de contrapoder (como se um partido da oposição em democracia não fosse acima de tudo e legitimamente isso) o Bloco achou que deveria, em nome de uma "esquerda grande", chegar "rapidamente" ao poder. Desde o momento do surgimento desse trauma psicanalítico, as alianças políticas de Louçã têm sido um desastre.

O Bloco é um partido que surgiu de várias fragmentações minoritárias no continuo da esquerda e cresceu com alguma sustentabilidade à custa da qualidade das propostas políticas de Louçã e de mais três ou quatro extraordinários políticos carismáticos (Fernando Rosas, Miguel Portas, João Semedo, Ana Drago e mais um ou outro). Suspeito que se o Bloco não redefinir a estratégia política dos últimos tempos (e não está a conseguir fazê-lo uma vez que as últimas intervenções de Louçã têm sido desastrosas) arrisca-se a ser o partido do táxi de Paulo Portas. E Portugal precisava de mais do que isso.

Pensar o Mundo I

terça-feira, fevereiro 08, 2011

Arqueologia do Socialismo

Existe a Ana Benavente, o Manuel Maria Carrilho, o João Cravinho e poucos mais. Aqui por Loulé existem dois ou três e o resto converteu-se ao neoliberalismo como bem diz esta semana a Ana Benavente. Muitos deles sem saberem muito bem o que é isso, digo eu. No fundo, o que predomina é o modo clubista de ser no partido. E o clube do momento é o socralismo.

Sobre o novo leninismo no seu pior ver aqui:

segunda-feira, fevereiro 07, 2011

Estudar Faz Bem à Saúde

"Um doente numa aldeia do Alentejo está mais longe de um hospital do que alguém a viver no centro de Lisboa. Porém, as grandes desigualdades na saúde têm mais a ver com a classe social a que se pertence do que ao local geográfico onde se vive, revela a investigação do sociólogo Ricardo Antunes. O estudo encontrou diferenças de longevidade de mais de dez anos entre os mais ricos e escolarizados e os mais pobres e com menos instrução.

O autor do estudo Classes Sociais e a Desigualdade na Saúde foi tentar conhecer "as histórias de vida" através de processos clínicos de uma amostra de 1935 pessoas. O investigador do Centro de Investigação e Estudos de Sociologia (CIES), do Instituto Universitário de Lisboa, escolheu pessoas que morreram em 2004, num hospital de Beja e noutro de Lisboa, o que acabou por lhe dar um retrato de uma geração portuguesa que nasceu por volta das décadas de 1920 a 1930 e morreu com cerca de 70 a 80 anos. E as disparidades na doença e na morte são muitas.

A grande conclusão do seu estudo, que foi financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia, é que "a classe é mais importante que a geografia para explicar desigualdades em saúde". Comparando a longevidade dos chamados profissionais técnicos e de enquadramento - categoria que inclui as profissões mais qualificadas e que exigem licenciatura, como professores, advogados, e engenheiros -, com a dos operários, constata-se que a diferença de tempo de vida é, em média, de 13,8 anos em Lisboa e 11,5 em Beja. Isto significa que os mais ricos e qualificados viveram, em média, mais de uma década do que os mais pobres e com menos qualificações. Enquanto os profissionais técnicos e de enquadramento estudados viveram, em média, 82 anos, os operários ficaram-se pelos 68,8 anos."

Ver mais aqui:
http://jornal.publico.pt/noticia/07-02-2011/ricos-vivem-mais-dez-anos--do-que-pobres-21233584.htm

As Promessas de Sócrates

As promessas desta semana de Sócrates de que não vai haver despedimento de funcionários públicos trazem água no bico. Depois de mais uma cimeira europeia de resultados "históricos" com o eixo franco-alemão a decretar o caminho sem reverso de mais austeridade e menos democracia, com o claro consentimento tácito e explícito daqueles que vão ser os mais prejudicados pelas decisões agora tomadas, Sócrates manipula mais uma vez o jogo das expectativas da população portuguesa. Ele sabe que antes de chegar aos despedimentos massivos à maneira Inglesa e Irlandesa, é provável que tenha que dar primeiro o passo no sentido de mais cortes de salários e pensões, quem sabe também reduções e cortes nos subsídios de Natal e décimo terceiro mês e só numa fase posterior poderá chegar a vez dos despedimentos em massa. Nesta fase que se segue, ele já está a preparar as populações para o "estão a ver, nós cortamos mais salários, pensões e outros direitos sociais, mas não despedimos ninguém". A vitória vai ser declarada por não termos chegado ainda ao abismo. Se chegar a hora dos despedimentos na função pública, o mundo mudará sempre que for preciso aos interesses dominantes do socralismo e o discurso manipulador sobre as massas passará a ser o que melhor servir nesse preciso momento. Entretanto, vai ganhando tempo, numa caminhada de loucura destrutiva que, por enquanto, só interessa ao próprio. Digo por enquanto, porque levanto a hipótese de chegar o dia, de que nem ao próprio servirá de coisa nenhuma. Ao mesmo tempo os bancos em Portugal vão somando lucros. E até há quem diga, do alto da sua sabedoria que a Alemanha e a Europa estão fazer a coisa certa. É claro que quem afirma uma coisa destas de forma tão ligeira só pode estar do lado da pequena minoria dos que ganham fortunas com a austeridade que defendem dever ser imposta aos outros. É que o jogo está a ser devastador para a maior parte da população portuguesa. E isso é uma evidência difícil de ser negada. Por muito que os discursos ideológicos disfarçados de neutralidade técnica o queiram fazer crer.

domingo, fevereiro 06, 2011

O Cinema de Regresso a Loulé



Depois de uns curtos longos anos sem qualquer equipamento cultural digno desse nome, Loulé voltou hoje a ter cinema no Cine-Teatro Louletano. Da antiga sala nada resta. Ficou a autenticidade reservada para o seu aspecto exterior. A nova sala tem um estilo moderno, confortável e uma excelente qualidade acústica. Loulé volta a ter um equipamento cultural na cidade digno desse nome.

A estreia cinematográfica foi para o brilhante documentário de João Canijo "Fantasia Lusitana". O filme relata a neutralidade portuguesa durante a segunda guerra mundial e o contraste entre o mundo de felicidade produzido ideologicamente pelo regime de Salazar e Carmona e as percepções de espanto e incredulidade dos refugiados da guerra que passavam por Lisboa, com tão ingrata felicidade. O documentário é um documento histórico fenomenal. Está quase tudo lá do Portugal de Salazar. A pobreza e a miséria, o analfabetismo, a exaltação da Nação, o culto e a adoração ao chefe de Estado. Portugal representado ideologicamente como uma nação fundamental aos destinos do mundo. Uma excelente escolha portanto.

Na plateia menos de uma dezena de lugares estavam ocupados. O preço dos bilhetes, três euros, é um preço mais que acessível, falta fazer com que a oferta cultural gere mais procura cultural. Para já, o começo, ao nível da oferta, é prometedor. Há que manter o nível e jogar habilidosamente entre a democratização dos gostos culturais e a sua sempre necessária elevação. A cultura é daqueles investimentos que talvez não se traduza de forma imediata em muitos votos eleitorais. Mas as actuais e futuras gerações ficarão eternamente agradecidas se sentirem que alguém está atento ao seu sempre indispensável engrandecimento cultural.

sábado, fevereiro 05, 2011

Ser Parvo ou não ser Parvo: Eis a Questão



O sucesso mediático da música "Parva que sou", de resto, em minha opinião, uma das menos conseguidas melodias do jovem e brilhante grupo, merece reflexão. A música, se é um alerta legítimo da expressão do brutal desconforto juvenil face a um contexto de desemprego estrutural, precarização geral do trabalho e da ausência de oportunidades de fazer futuro, é, em simultâneo, portadora de uma mensagem errada. É que os "parvos" são precisamente aqueles que não investem na sua escolarização. Ao contrário do que nos querem vender alguns dos profetas da desgraça, estudar compensa. Mais anos de escolarização (sobretudo escolarização de nível superior) permitem auferir melhores rendimentos ao longo da vida, profissões mais qualificantes e de maior estatuto social, protecção maior face ao desemprego, menor tempo de espera por novo emprego, mais capacidade cidadã, mais oportunidades de mobilidade social ascendente, etc, etc, etc. É caso para dizer, parvos são os outros, aqueles a quem não lhes é dado a oportunidade de serem parvos. Para esses a parvoice que resta é o emprego desqualificado, o desemprego, o biscate, a forte probabilidade de cair em trajectórias desviantes. Esses não são só "parvos". Esses estão condenados muitas vezes a inexistir. São, na sua maior parte, os que caiem na categoria dos "Nem, Nem". Nem estudam, nem trabalham, deambulam. A escola sofre pois assim desta enorme ambivalência tão típica das sociedades modernas. Mais escolarização já não é mais um passaporte para o melhor dos mundos. Sem ela, a vida é uma desgraça vivida pela negativa. Esta é a tragédia.

sexta-feira, fevereiro 04, 2011

Happy Birthday

Enquanto o Miguel, nas vésperas de fazer dois anos fazia os primeiros rabiscos, uma parte significativa do mundo árabe luta massivamente pela liberdade, a União Europeia sugere transformar a democracia numa dividocracia, Portugal vive na eminência da bancarrota, o pai luta para não perder o emprego, os Deolinda cantam que parva que eu sou e os tempos que correm apenas nos dão a certeza que o mais certo é a incerteza. Não sei o que será do futuro, mas sei que ele se faz todos os dias no tempo presente.

quinta-feira, fevereiro 03, 2011

Socialistas e Socralistas

"Há, no entanto, várias maneiras de ver os partidos: o modo clubista, que os vê à imagem das claques de futebol, vibrando cegamente, em todas as circunstâncias, contra todos os adversários. A concepção pretoriana, que os concebe como um organismo de natureza mais ou menos militar, que se destina sobretudo a proteger e perpetuar no poder o chefe e os seus acólitos. E a visão cidadã, que os estimula e respeita como associações de pessoas livres que partilham, de um modo naturalmente controverso, valores idênticos e projectos convergentes para o país.

Estas três dimensões existem, em maior ou menor grau, em todos os partidos. O que os diferencia, para lá da ideologia, é o peso de cada um dos factores. É o que se compreende facilmente se repararmos no facto de as ditaduras se darem bem com os dois primeiros factores, o clubista e o pretoriano, mas mal (muito mal mesmo como se tem visto nestes últimos dias no Egipto) com o terceiro, que aponta para a liberdade dos cidadãos com todas as suas consequências."

Manuel Maria Carrilho

Subscrevo, na íntegra, o artigo de Manuel Maria Carrilho.

Aqui:
http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=1774073&seccao=Manuel%20Maria%20Carrilho&tag=Opini%E3o%20-%20Em%20Foco&page=-1

quarta-feira, fevereiro 02, 2011

Não é Verdade



“Quero elogiar os militares egípcios pelo profissionalismo e pelo patriotismo que tem sido mostrado até aqui …” Barack Obama

Esta imagem pode ferir susceptibilidades. Aconselhamos a clicar apenas a quem tiver coragem de conhecer a realidade brutal no Egipto tal como ela acontece:
http://5dias.net/2011/02/02/i-want-to-commend-the-egyptian-militaries-for-the-professionalism-and-the-patriotism-that-is-shown-this-far-barack-obama/#more-56174

terça-feira, fevereiro 01, 2011

Política da Memória

Bem pode o doutor Emídio mudar o nome do Cine-Teatro Louletano para Cine-Teatro Frutuoso da Silva que para mim será sempre Cine-Teatro Louletano. O doutor Emídio busca a eternidade através do branqueamento da memória dos louletanos. E com a oposição política que existe em Loulé não me admira nada que a manipulação do passado ao serviço da política do presente, faça o seu caminho por diante. Alguém deveria fazer ver ao doutor Emídio que o Cine-Teatro Louletano é o Cine-Teatro dos louletanos. A apropriação política da memória da cidade é uma marca clara desta governação de direita. Vale a pena recuperar as palavras de Sá de Miranda "m'espanto às vezes, outras m'avergonho..."

PS: A foto é copiada do blogue Tia Anica de Loulé

Do Egipto com Amor



O povo excessivamente expremido jamais será vencido...e na Jordânia já há mudança governativa...é assim qualquer coisa como a Nova Era das Revoluções...