terça-feira, abril 29, 2008

Nas vésperas de Maio: A precarização geral do trabalho

Manifestação de jovens contra a precariedade no trabalho

Lisboa, Março de 2007



Trinta e quatro anos após o 25 de Abril de 1974 e daquela que foi das maiores manifestações de sempre na sociedade portuguesa, em Maio do mesmo ano; só em Lisboa manifestaram-se mais de meio milhão de pessoas, assistimos actualmente, ao maior ataque aos direitos dos trabalhadores, conquistados com sangue, suor e lágrimas ao longo da história do movimento operário.

Nunca, nenhum governo em Portugal, antes deste, de direita, com o nome de socialista, comandado sob a batuta de José Sócrates, levou tão longe o ataque àquilo que se denomina de "privilégios adquiridos".
O nível de vida baixa de dia para dia para as "classes" trabalhadoras, o poder de compra reduz-se e os preços da alimentação básica sobem, sim, também devido à crise internacional, mas sobretudo pela aplicação prática e cega das políticas de inspiração neoliberal tão do agrado do capital, levadas a cabo por este governo.

O desemprego cresce, e é tido na cabeça dos nossos governantes como uma "inevitabilidade" necessária à reconstrução do paradigma económico que infelizmente ainda temos, assente em mão de obra barata e intensiva e que se resolverá na cabeça de tão ilustres mentes, quando chegarmos à nova economia do conhecimento.

A precarização geral do trabalho graça um pouco por todo o lado. O governo não consegue atacar o problema dos "falsos" recibos verdes e procura a resolução do problema, dando benesses aos empresários, "legalizando" e legitimando, esta autêntica chaga social.

Os jovens, uma das categorias sociais mais afectadas pelo desemprego, sobretudo os mais desqualificados escolar e profissionalmente, adiam eternamente o seu futuro e nada mais lhes resta do que o refúgio imediato nos prazeres mundanos da vida.

Do lado do patronato mais conservador, por vezes sem decoro e vergonha, chega-se a propor a "liberalização" dos despedimentos. As novas alterações do código do trabalho propõem a inadequação ao posto de trabalho, com a "inadaptação" subrepticiamente enfiada neste pacote, como forma de facilitação do despedimento dos trabalhadores.

Os sindicatos, travam uma luta desigual pela dignificação do trabalho e da vida profissional de homens e mulheres. Carvalho da Silva, líder da CGTP, é um dos últimos heróis de uma "resistência" quase já em todo o lado rendida à ideologia neoliberal.

O governo, esse, namora os poderosos, ajusta-se às suas vontades e cola o social ao seu discurso, numa mera perspectiva paliativa e de remendo dos estragos do capitalismo selvagem.

O trabalho, teimosamente, continua a ser fonte central da identidade dos indíviduos e é, paradoxalmente, cada vez mais, na mente dos governantes e do patronato, uma mera mercadoria com valor de troca no mercado capitalista global.

Mais do que nunca, festejar Maio como data simbólica, é dar força a quem trabalha. Se o capital e os seus vassalos políticos atribuem a designação de "conservadores" a quem luta pela manutenção dos direitos dos trabalhadores, estes sabem que sob a capa desta retórica discursiva, que acusa os que "resistem" à mudança, de "Velhos do Restelo", esconde-se um neoconservadorismo que tem como objectivo último a precarização geral das relações laborais.

Festejar Maio, é hoje, mais importante do que nunca!

Nas véspera do 1º de Maio: Celebrar o trabalho pela música

Madredeus ao vivo cantam o valor trabalho



Maio, maduro Maio

Maio maduro Maio, quem te pintou
Quem te quebrou o encanto, nunca te amou
Raiava o sol já no Sul
E uma falua vinha lá de Istambul

Sempre depois da sesta chamando as flores
Era o dia da festa Maio de amores
Era o dia de cantar,
E uma falua andava ao longe a varar

Maio com meu amigo quem dera já
Sempre no mês do trigo se cantará
Qu’importa a fúria do mar,
Que a voz não te esmoreça vamos lutar

Numa rua comprida El-rei pastor
Vende o soro da vida que mata a dor
Anda ver, Maio nasceu,
Que a voz não te esmoreça a turba rompeu

Letra de José Afonso

domingo, abril 27, 2008

Retratos da Cidade: À espera do Juízo Final

Maduras aguardam a hora




Maduras aguardam a hora

Maduras aguardam a hora
Não são tidas, nem achadas
Serenas, secas ou molhadas
Respeitando a fauna e a flora

Anos de vida e anos de dor
À escuta de vozes, outras
Ouvem estórias de intriga e amor
Não tendo culpa, nem ódio
De mentes humanas e loucas

Não sabem se vão, nem sabem se ficam
Sabem que nada fizeram para não ficar
Nem Deus, nem os homens, lhes explicam
O porquê de tanto ódio a destilar

Não, não são modernas
Mas são vivas e de vida sabem
São tão antigas como ameaças hodiernas
São tão belas que encantam a respirar

Esperam desesperadamente, desesperadas
Pelos arbítrios da razão humana
Disfrutam cada dia, enamoradas
Até ao dia do Juízo Final

Autoria: João Martins

sábado, abril 26, 2008

O desinteresse dos jovens na política e a escolha de Raúl Pinto para a toponímia da cidade

Raúl Pinto: Mestre na Arte da Propaganda

"Porque a propaganda política não se deve confinar às notas oficiosas que dizem: ”Tantos Contos para Bairros Sociais!”, ”Tantos Contos para Melhoramentos Rurais!”, ”Tantos Contos para Reconstrução de Monumentos!”.
Esta propaganda do Estado, nua e crua, não impressiona a mentalidade geral do povo, porque, infelizmente, a cultura do mesmo não acompanhou o avanço material da Nação. E, em geral, o jornal não chega até ao povo do campo, da serra e do mar. Há que fazer propaganda política em ambiente mais rasteiro, mais junto do povo, digamos, mais demagogicamente. E isto porque as armas de traição, vemo-nos obrigados, para não sucumbir, a sacrificar princípios que reputamos de puro ideal.
É preciso dizer ao povo: “Olha, o governo deu tantos contos, desses, tantos são para fazer a fonte de tal, porque à frente do Governo está o Sr. Dr. Oliveira Salazar que quer que todos os povos tenham a sua fonte. Outros tantos são para a escola de tal porque o Sr. Dr. Salazar quer que todos saibam ler, etc..”. A propaganda política é, por assim dizer, o elo que liga o governado à governação. Sem ela, há governantes e governados, mas entre uns e outros há o vácuo.
Dir-se-á, como obviar a isso? Criando elementos de ligação. Quais? As Câmaras Municipais. Mas elas sempre existiram, objectar-se-á, e nada fizeram? É verdade."
Raul Pinto

http://estudossobrecomunismo2.wordpress.com/2005/06/22/propaganda-anticomunista-em-loule-1947/

Imaginem que levam a sério a indignação de Cavaco e Silva (tem andado noutro mundo) e preocupados em fomentar uma educação política e democrática nos vossos filhos, deparam-se com a oportunidade magnífica de lhes explicar quem foi Raúl Pinto, para a partir daqui lhes passarem a importância dos ideais democráticos.

Os senhores deputados da Assembleia Municipal que aprovaram por unanimidade o nome de tão ilustre democrata, terão noção do quanto estão a fazer para a valorização da democracia e do interesse dos jovens pela política?

Do lado do PSD, ninguém já se admira com a "coisa", nem isso espanta o comum dos mortais que por cá habita, pois nunca como hoje desde 25 de Abril de 1974 a propaganda foi levada tão a sério. E do lado do PS, o que terá levado a tamanha distração? Ignorância política? Trocas toponímicas no jogo dos implicítos?

Fica por explicar este momento absurdo da democracia Louletana.

Retratos da Cidade: Street Race na Periferia de Loulé

Alguém anda preocupado com isto?



Há perto de quatro anos, subia eu de automóvel a antiga Ladeira do Rato, vindo de Quarteira para Loulé; tendo ao meu lado a minha mulher grávida, quando me deparo com a situação dramática de me ver entre dois pilotos de Fórmula 1, desses que usam as estradas públicas para se deliciarem nos seus prazeres da vida.

Entalado entre os dois Alain Prost's, tive que manter o sangue frio, para não ser atropelado por nenhuma das duas inteligências, que por pouco, não me retiraram a vida e a toda a minha família mais próxima.

O video colocado no You Tube tem a data de 4 de Outubro de 2007. Últimamente, é com relativa frequência que me cruzo com carros ditos adaptados, prontos a fazer corridas e a pôr em perigo a vida do cidadão comum.

Alguém no concelho está atento a este fenómeno? Não sei que dimensões o mesmo terá, se será excepção ou prática habitual, mas pelo risco implícito, aqui deixo o meu alerta...

Retratos da Cidade: A Propaganda




"O termo "propaganda", quando surge pela primeira vez em França, não possui uma conotação pejorativa. Foi utilizado, no século XVII, pelo papa Gregório XV, que reuniu uma congregação "para a propagação da fé" (de propaganda fide): a palavra designa, então, a acção de propagar uma doutrina religiosa e englobará, posteriormente, aquando da Revolução Francesa, a difusão das ideias políticas. Segundo parece, será apenas no século XX que a palavra tomará uma acepção mais negativa e servirá para descrever a acção destinada a convencer a opinião pública, através de todos os meios de persuasão disponíveis, a apoiar um partido político ou um governo. Segundo a definição proposta por Guy Durandin, a propaganda tem, desde logo, por objectivo exercer uma influência sobre as pessoas, "quer seja para as fazer agir de determinada forma (...), quer seja, pelo contrário, para as tornar passivas e as dissuadir de se oporem a certas acções, levadas a cabo pelo poder ou um por um grupo antagonista".
Contrariamente ao que muitas vezes se pensa, a propaganda política, tal como a entendemos actualmente, não surgiu num regime autoritário, mas provém directamente da democracia."

Rémy Rieffel, Sociologia dos Media, 2003, Porto Editora, p.59.

sexta-feira, abril 25, 2008

25 de Abril de 1974: 34 anos depois

25 de Abril de 1974 - Cerco ao Quartel do Carmo



Nasci em Abril de 1970, no ano em que Salazar Morreu. Portugal era um país pobre, atrasado e rural. Estavamos a quatro longos anos de pôr fim a um regime que castrou o seu povo. Os anos 60, tinham sido o período de maior crescimento económico da história portuguesa. A guerra em África atingia os limites do insuportável. O turismo, essa magnifica invenção social, dava os seus primeiros passos no Algarve. As classes médias cresciam e elevavam as suas aspirações, principalmente na capital. Os imigrantes já desde os anos 60 tinham descoberto outros mundos e outras vidas, uma boa parte em França. Marcelo Caetano, fazia a sua renovação na continuidade, mantendo o possível da ordem autoritária do regime e fazendo aberturas naquilo onde era impossível manter como até ali. Em Março de 1974, a revolta das Caldas dá um sinal forte do que viria a acontecer em Abril. A revolução transformou por completo a sociedade portuguesa, mas também foi consequência dessas tranformações invisíveis que já a antecediam com intensidade.
Hoje, vivemos numa sociedade infinitamente melhor. Já não há polícia política. Os partidos estão instalados na vida democrática, também eles muito tempo foram proibidos. Os sindicatos, mesmo fracos e detestados, tentam fazer o seu papel. A globalização entra-nos pela casa dentro e podemos viajar por todo o mundo a preços cada vez mais acessíveis. A censura deixou de existir. A autoridade é facilmente discutível. A sexualidade é cada vez mais livre e a imprensa escrutina muito mais o poder. Acabou-se o respeitinho só pelo respeitinho e as relações na família são muito mais democráticas e negociadas. As mulheres entraram em massa no mercado de trabalho, emanciparam-se, já podem usar biquini e assustam muitos homens com a revolução que fizeram nos costumes. O divórcio já não é proibido e pode-se até casar e divorciar a partir da internet. Um mundo outro, definitivamente melhor...mas o mundo actual não é o melhor dos mundos...mas isso fica para outro post...até lá...que viva o 25 de Abril!

quinta-feira, abril 24, 2008

Nas Vesperas da Revolução: As senhas através da música

Cantar a Liberdade


E Depois do Adeus - Paulo de Carvalho




Grândola Vila Morena



"O que acontece mais frequentemente é que um povo, que havia suportado sem se queixar e como se não sentisse as leis mais opressivas, as rejeita violentamente a partir do momento em que o seu peso se aligeira (...) o mal pacientemente suportado como inevitável torna-se insuportável a partir do momento em que se concebe a ideia de lhe escapar (...) é certo que o mal se torna menor, mas a sensibilidade também se tornou mais viva".

Alexis de Tocqueville, L'Ancien Régime et la Revolution, publicado em 1856.

quarta-feira, abril 23, 2008

Porque hoje é dia Mundial do Livro: Livros da minha vida

O Conde de Abranhos de Eça de Queiroz

"Têm alguns espíritos ávidos de inovação, ainda que no fundo sinceramente afeiçoados aos princípios conservadores, sustentado que o sistema da Sebenta (como na jovial linguagem lhe chama a mocidade estudiosa) é antiquado. Eu considero, porém, a Sebenta como a mais admirável disciplina para os espíritos moços. O estudante, habituando-se, durante cinco anos, a decorar todas as noites, palavra por palavra, parágrafos que há quarenta anos permanecem imutáveis, sem os critícar, sem os comentar, ganha o hábito salutar de aceitar sem discussão e com obediência as ideias preconcebidas, os princípios adoptados, os dogmas provados, as instituições reconhecidas. Perde a funesta tendência - que tanto mal produz - de querer indagar a razão das coisas, examinar a verdade dos factos; perde, enfim, o hábito deplorável de exercer o livre exame, que não serve senão para ir fazer um processo científico a venerandas instituições, que são a base da sociedade. O livre exame é o princípio da revolução. A ordem o que é? A aceitação das ideias adoptadas. Se se acostuma a mocidade a não receber nenhuma ideia dos seus mestres sem verificar se é exacta, corre-se o perigo de a ver, mais tarde, não aceitar nenhuma instituição do seu país sem se certificar se é justa. Teriamos então o espírito da revolução, que termina pelas catástrofes sociais!
Hoje, destruído o regime absoluto, temos a feliz certeza de que a Carta liberal é justa, é sábia, é útil, é sã. Que necessidade há de examinar, discutir, verificar, criticar, comparar, pôr em dúvida? O hábito de decorar a Sebenta produz mais tarde o hábito de aceitar a Carta. A sebenta é a pedra angular da Carta! O Bacharel é o gérmen do Constitucional." (pág.43).

Ler é Poder!

terça-feira, abril 22, 2008

Nas vésperas de Abril: Proibido proibir a discussão

Da discussão nasce a luz

Salazar - Discurso - 10 anos do 28 Maio



"Não discutimos Deus e a virtude. Não discutimos a pátria e a sua história. Não discutimos a autoridade e o seu prestígio. Não discutimos a família e a sua moral. Não discutimos a glória do trabalho e o seu dever."

Um regime que castrou um povo.

Hoje, ainda, assinar uma simples petição, pode gerar um pavor em alguns de "nós"...porque "eles", um dia, podem prejudicar-nos...ou porque podemos precisar "deles", um dia, mais tarde..."eles", essa entidade estranha, distante e abstracta.

segunda-feira, abril 21, 2008

22 de Abril - Dia da Terra

Fazer de todos os dias o Dia da Terra


Foto: Loulé, Abril de 2008

Relatório de Desenvolvimento Humano 2007-2008

Contributo especial de Gro Harlem Brundtland

Presidente da Comissão Mundial do Desenvolvimento Sustentável

Ex-Primeira Ministra da Noruega

"O nosso futuro comum e as alterações climáticas

O desenvolvimento sustentável está quase a atingir as necessidades das gerações presentes sem comprometer a capacidade das gerações futuras em atingir as suas próprias capacidades. Mais do que isso, trata de justiça social, igualdade e respeito pelos direitos humanos das gerações futuras. Passaram duas décadas sobre o privilégio que tive em presidir à Comissão Mundial para o Ambiente. O Relatório que surgiu do nosso procedimento teve uma mensagem simples apreendida no título – O Nosso Futuro Comum. Afirmámos que a humanidade estava a ultrapassar os limites de sustentabilidade e a diminuir os recursos ecológicos mundiais
de um modo que podia comprometer o bem-estar das gerações futuras. Também foi claro que a maior parte da população mundial teve uma pequena participação no uso excessivo dos nossos limitados recursos. No centro dos problemas identificados estava a desigualdade nas oportunidades e na distribuição. Hoje precisamos de reflectir detalhadamente sobre as alterações climáticas. Mas há mais alguma demonstração poderosa do que significa viver em insustentabilidade? O Relatório de Desenvolvimento Humano 2007/2008 demonstra o que descreve como ‘orçamento de carbono’ para o século XXI. Tendo em atenção as melhores ciências climáticas, essa provisão estabelece o volume de gases com efeito de estufa que podem ser emitidos sem causar alterações climáticas perigosas. Se continuarmos na nossa trajectória actual de emissões, as estimativas de carbono para o século XXI expirarão em 2030. Os nossos padrões no consumo de energia traduzem vastas dívidas ecológicas que serão herdadas pelas gerações futuras – dívidas que não conseguirão pagar. As alterações climáticas são uma ameaça sem precedentes. De forma imediata, é uma ameaça para as populações mais pobres e mais vulneráveis do mundo: estão ainda a viver com as consequências do aquecimento global. No nosso mundo, profundamente dividido, o aquecimento global está a aumentar as disparidades entre ricos e pobres, negando às pessoas a oportunidade de melhorar a sua vida. Olhando para o futuro, as alterações climáticas colocam riscos de uma catástrofe ecológica. Devemos aos pobres e às gerações futuras a actuação para resolver e parar urgentemente as alterações climáticas perigosas. A boa notícia é que não é demasiado tarde. Ainda temos oportunidade, mas sejamos claros: o relógio está a trabalhar e o tempo está a esgotar-se. As nações ricas devem mostrar liderança e conhecimento da sua responsabilidade histórica. Os seus cidadãos deixam as maiores pegadas de carbono na atmosfera terrestre. Além disso, possuem as capacidades financeiras e tecnológicas necessárias para fazerem reduções breves e profundas nas emissões de carbono. Isto não significa que a mitigação tenha de ser suportada pelo mundo rico. Na verdade, uma das prioridades mais urgentes é a cooperação internacional na transferência tecnológica para permitir que os países em desenvolvimento façam a transição para sistemas de energia com baixas emissões de carbono. Hoje, as alterações climáticas estão a ensinar-nos o duro caminho de algumas lições apontadas no Nosso Futuro Comum. A sustentabilidade não é uma ideia abstracta. É encontrar um balanço entre as pessoas e o planeta – um balanço que trate, hoje, dos grandes desafios da pobreza e proteja os interesses das gerações futuras. "(Relatório de Desenvolvimento Humano, pág.59)

Cabe ao Estado, às autarquias, às empresas, às organizações ambientais, às ONG's e aos cidadãos, sim, é um desafio que só pode ser vencido com cada um de nós, a responsabilidade de assegurar a qualidade de vida às gerações futuras e a sobrevivência do Planeta Terra.

Mude de vida e ajude os outros a mudar de vida!

domingo, abril 20, 2008

Nas véspera de Abril: Opiniões Sobre o Estado da Democracia Portuguesa

António Barreto, Público de 20 de Abril de 2008

Excerto do artigo "Os Inimigos da Democracia"

"(...) É uma velha teoria, tão velha quanto falsa: Os inimigos da democracia (e da liberdade repúblicana, como alguns gostam de dizer) são os fascistas, os comunistas, várias espécies de extremistas, os fundamentalismos religiosos, os plutocratas, os monárquicos, às vezes os capitalistas, eventualmente os sindicatos e quase sempre os anarquistas. Por outras palavras, os inimigos da democracia são os que estão fora da democracia. Os que não participam directamente, os que não beneficiam do sistema e os que querem sobrepor os interesses próprios ao "bem comum" ou à sociedade aberta e plural. Portugal, durante as últimas décadas ( e quem sabe se nas primeiras do século xx), é uma demonstração interessante da falsidade desta "tese". Se excluirmos as tentativas de alguns militares e do PCP, nos anos da revolução de 1974 e 1975, quem ameaçou a democracia foram sempre os democratas. Por incurável demagogia. Por má gestão. Por incapacidade de decisão. Por adiamento de reformas e iniciativas. Por sobreposição dos interesses partidários e pessoais aos problemas do país. Por lutas intestinais inúteis e perniciosas. Por desmedida ambição de algumas pessoas. Por um grosseiro partidarismo. Por uma irreprímivel vaidade de alguns dirigentes. Pela complacência perante a corrupção, a fraude, a irregularidade e o expediente. A derrota de Menezes, em si, é um facto menor da vida portuguesa. As pertubações do PSD já nem surpreendem. Mas o mal que estes episódios fazem à política nacional e à democracia é grave. Os partidos e a vida democrática devem estar, em Portugal, no mais baixo do apreço público. Descrença, desconfiança e desprezo são sentimentos que não faltam na população. Se quiserem encontrar os verdadeiros inimigos da democracia, não é preciso ir muito longe: basta começar pelos partidos e pelos políticos democráticos".

Palavras e frases chave: Partidocracia, descrédito dos partidos, sobreposição de interesses partidários e pessoais aos problemas do país, complacência face à corrupção e à fraude, desligitimação do sistema democrático.

Retratos da cidade: Raízes da História Ambiental da Cidade

Arrancando as árvores da cidade


No lugar da árvore

No lugar da árvore. No lugar do ouvido.
No lugar do chão. Unidade crepitante
no silêncio aberto no trânsito. Tronco, calma
bomba indeflagrável, dádiva da identidade.

António Ramos Rosa

sábado, abril 19, 2008

Nas vésperas de Abril: É proibido proibir o beijo

Solta-se o beijo



Como eram os beijos antes da Revolução dos Cravos?

"No Verão de 1973, a menos de um ano da queda do regime, a polícia, nas cidades, e a GNR, na província, ainda detinham e puniam com coima, qualquer cidadão mais fogoso, que beijasse o seu par, diante de transeuntes. Os turistas manifestavam o seu carinho mais à vontade, mas podiam ser postos na fronteira, se a guarda considerasse que estavam a abusar da tolerância face aos estrangeiros.

O beijo na boca, entre cidadãos de sexo oposto, era qualificado de acto exibicionista atentatório da moral. E se sublinhamos, aqui atrás, de "de sexo oposto", é porque qualquer contacto fisíco homossexual constituía um crime muito mais grave e um beijo "à Hollywood", na via pública, entre dois homens, ou duas mulheres, seria caso para processo em tribunal, com penas de prisão a doer. Mas isso estava fora de questão. Não se viviam tempos propícios à saída do armário como é bom de ver. A homossexualidade era proíbida, para além de ser considerada uma doença mental, tratada em manicómio.

Levado para a esquadra, ou para o posto da GNR, o deliquente beijoqueiro era identificado, autuado em pelo menos 57 escudos (um valor variável, em função de critérios que hoje nos escapam; há quem tenha pago 60, 80, 100), e passava invariavelmente pela cadeira do agente-graduado-em-barbeiro, de onde saia de cabeça rapada, máquina zero. A polícia parecia ter um prazer secreto em dar cabo de cabelos "à Beatle", mais tarde "à hippie".

(...) ficou célebre a portaria nº 69035 da Câmara Municipal de Lisboa, datada de 1953, que, ainda há pouco tempo, circulou no correio electrónico nacional e que, sim, podemos garantir, existiu; não, não é gozo.

Dado verificar-se à época "o aumento de actos atentatórios à moral e aos bons costumes, que dia a dia se têm vindo a verificar nos lougadouros públicos e jardins, e, em especial, nas zonas florestais, Montes Claros, Parque Silva Porto, Mata da Trafaria, Jardim Botânico, Tapada da Ajuda e outros" determinava à polícia e aos guardas florestais "uma permanente vigilância sobre as pessoas que procurem frondosas vegetações para a prática de actos que atentem contra a moral e os bons costumes."

"1º - Mão na mão 2$50»

2º - Mão naquilo 15$00»

3º - Aquilo na mão 30$00»

4º - Aquilo naquilo 50$00»

5º - Aquilo atrás daquilo 100$00»

6º - Parágrafo único - Com a língua naquilo 150$00 de multa, preso e fotografado.»

António Costa Santos, Proibido, Lisboa, Editora Guerra e Paz, 2007.

Bom fim de semana

sexta-feira, abril 18, 2008

Retratos da cidade: Poder e renovação estética do património ambiental

Avenida José da Costa Mealha

Antes de Abril de 2008


Avenida José da Costa Mealha

Em Abril de 2008


É razoável o abate arbóreo desta avenida da cidade de Loulé?

"- Numa cidade do Brasil as pessoas saíram à rua devido ao corte de árvores promovido pela prefeitura local. Por cá, este tipo de iniciativas continuam a ser "ficção científica"! "

Pode ver a notícia em;

http://gazetaonline.globo.com/noticias/minutoaminuto/local/local_materia.php?cd_matia=425009&cd_site=843

Retirado do blogue:

http://sombra-verde.blogspot.com/

Assine a petição pelo esclarecimento do abate das árvores da cidade em:

http://www.petitiononline.com/qc2008qc/petition.html



quinta-feira, abril 17, 2008

A arte da proibição

Proibido fazer revoluções

25 de Abril de 1974




"O escritor Manuel da Fonseca contava que assistira, pela mão de sua mãe, à chegada a Lisboa dos militares golpistas de 28 de Maio de 1926, e que a senhora, incomodada com o banzé das tropas, desabafou: - Deviam fazer uma lei a proibir revoluções!

Os sucessores de Gomes da Costa ouviram-na, decerto, porque, desse Maio em diante, até um dia de Abril, quarenta e oito anos depois, por decreto, por postura, por regulamento, tudo foi proibido - claro, as revoluções e vários livros do filho, Seara do Vento, Cerro Maior, O Fogo e as Cinzas, por exemplo.

Começava então um tempo, acrescentado em 1933 com a entronização de Salazar e do "Estado Novo", em que o Direito teve muito poucas áreas de indiferença, metendo o nariz em tudo, sem balança, nem venda. Já nos esquecemos de muitas proibições, mas, durante meio século, não se pôde ouvir certas rádios, nem ler certas palavras, nem casar com uma enfermeira, nem beber Coca-Cola, nem andar de bicicleta ou usar um isqueiro sem licença. Não se pôde, não se pôde, não se pôde.

E o clima de proibição sistemática, abarcando tudo, mas tudo, dos mais inofensivos comportamentos aos mais subversivos panfletos, levou a que, com o tempo, nem fosse necessário produzir uma lei para proibir, por exemplo, a entrada de uma senhora de cabeça descoberta numa igreja."

António Costa Santos, Proibido, Lisboa, Editora Guerra e Paz, 2007.

Nas vésperas de Abril: Vozes da resistência

Cantigo Negro pela voz de Maria Bethânia



José Régio (1901-1969)

Cantigo Negro

"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!


José Régio, pseudônimo literário de José Maria dos Reis Pereira, nasceu em Vila do Conde em 1901. Licenciado em Letras em Coimbra, ensinou durante mais de 30 anos no Liceu de Portalegre. Foi um dos fundadores da revista "Presença", e o seu principal animador. Romancista, dramaturgo, ensaísta e crítico, foi, no entanto, como poeta. que primeiramente se impôs e a mais larga audiência depois atingiu. Com o livro de estréia — "Poemas de Deus e do Diabo" (1925) — apresentou quase todo o elenco dos temas que viria a desenvolver nas obras posteriores: os conflitos entre Deus e o Homem, o espírito e a carne, o indivíduo e a sociedade, a consciência da frustração de todo o amor humano, o orgulhoso recurso à solidão, a problemática da sinceridade e do logro perante os outros e perante a si mesmos.

in http://www.releituras.com/jregio_cantico.asp

quarta-feira, abril 16, 2008

Retratos da Cidade: Saudável, velha ou pronta para abater?


Qual a razão do arboricídio: Teremos direito a esclarecimento?

Se acha que as árvores da cidade são assunto que lhe diz respeito pode assinar a petição no final do texto.

Obrigado.

Alguns Blogues Louletanos e Cidadãos Subscritores dirigem a presente petição ao Excelentíssimo Presidente da Câmara Municipal de Loulé,Doutor Sebastião Francisco Seruca Emídio.

Excelência;

Os cidadãos louletanos, preocupados com a qualidade presente e futura da vida neste Concelho, encontraram em alguns blogues de Loulé um estímulo para se dirigirem a Vossa Excelência e declarar-lhe com o respeito que o seu cargo merece, que consideram estar esta cidade a afastar-se perigosamente das preocupações mundiais de salvaguarda da qualidade ambiental do ar e de poupança dos recursos esgotáveis, como a água.

Acrescentam ainda que no contexto em que a União Europeia, o Governo Português e os demais agentes da sociedade civil portuguesa conjugam esforços para reduzir as emissões de carbono para a atmosfera com impacto nas alterações climáticas, consideram estes cidadãos que as intervenções realizadas pela autarquia que Vossa Excelência dirige tem vindo a assumir uma forma nefasta nos espaços arborizados do Concelho de Loulé, ignorando as preocupações anteriormente referidas e os esforços das escolas, das famílias e dos indivíduos com consciência ambiental.

Assim, solicitam os subscritores da presente petição:

1º Que a Câmara Municipal clarifique a fundamentação técnica que determinou o corte das árvores da Avenida José da Costa Mealha, Rua Sacadura Cabral (antiga Rua Ancha) e Praça da Republica, em especial na zona fronteira ao renovado Mercado Municipal.

2º Que a Câmara tenha em relação aos espaços verdes (especialmente em relação às árvores ornamentais), um maior grau de exigência, atribuindo a sua gestão e/ou manutenção a empresas especializadas em arboricultura ou promovendo a formação profissional dos seus jardineiros, porque como Vossa Excelência terá certamente conhecimento, nem todos os jardineiros municipais tal como os seus congéneres que profissionalmente exercem funções nos inúmeros viveiros de plantas, possuem formação técnica especializada para podar árvores ornamentais, mesmo que muitos deles possam ter conhecimentos na poda de árvores de fruto.

3º Que a Câmara Municipal garanta a plantação de árvores em quantidade equiparada às que mandou abater.

4º Que torne públicas as razões que encontrou para justificar a acção que levou a efeito na Avenida, Praça e Rua mencionadas sem que dessa intervenção resultasse qualquer debate público e que junto dos moradores tem vindo a suscitar alguma indignação.

Estando certos que Vossa Excelência não desprezará estas magnas preocupações, ponderando e satisfazendo aquilo que lhe é solicitado a bem da sustentabilidade ambiental e responsabilidade social da autarquia, fazendo de imediato cessar todas as acções que apenas visam a renovação estética das artérias mais movimentadas das cidades de Loulé e de Quarteira, no caso, as mais necessitadas dos préstimos da arborização adulta e consolidada. Apresentando os melhores cumprimentos.

(os subscritores)

A Petição que pode ser subscrita em:
http://www.petitiononline.com/qc2008qc/petition.html

segunda-feira, abril 14, 2008

Devem os Jornalistas homenagear os Políticos e os Políticos distinguir os Jornalistas?

Há muito tempo que não me lembrava de sonhar enquanto dormia. Esta noite tive daqueles sonhos em que acordamos a meditar sobre as maravilhas do inconsciente e sobre o que ocorre enquanto recarregamos baterias da dureza da vida.

Sonhei que o Washington Post, o Los Angeles Times e o USA Today tinham atribuído, em homenagem a George W. Bush, a distinção de político do ano, nos EUA, pela sua justa dedicação ao povo americano e pelo seu amor ao desenvolvimento da Humanidade.

Sonhei ainda, que o The Times e o The Independent, atribuíram o prémio de homem político da década a Tony Blair, pela sua nobre causa em defesa da democracia à escala mundial e pelo apoio dado nesse sentido ao governo dos EUA na guerra do Iraque.

Sonhei também, que os jornais, Le Monde, Le Figaro e o Liberation, distinguiram Nicolas Sarkozy, como figura política do milénio, pela sua excelente intervenção musculadíssima nos bairros ditos "difíceis" dos suburbios de Paris e que tanto contribuiu para a qualidade da democracia na sociedade Francesa.

Sonhei depois que, em Portugal, a Entidade Reguladora para a Comunicação Social tinha, em conjunto com o Jornal Público, o Correio da Manhã e o Diário de Notícias, por unanimidade, decidido atribuir ao Primeiro Ministro, José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa, a distinção de governante do século XXI, pelas suas qualidades como negociador, como promotor de consensos alargados e como homem digno e de honra no cumprimento da palavra, assim como das suas promessas eleitorais.

O sonho terminou, ou, pelo menos, de mais nada me recordo e passei a ter que me relacionar com a realidade.

Essa, dramaticamente, ultrapassa o pior dos sonhos sobre as relações de interdependência entre políticos e jornalistas. Se a interdependência sempre existiu, o que para mim é motivo de pasmo é a visibilidade da ultradependência. Aquilo que se "normalizou" e que ninguém já questiona chegou ao ponto dos jornalistas premiarem os políticos e os políticos premiarem os jornalistas, nas barbas indiferentes dos eleitores consumidores.

Sim, estou a falar do facto de a Associação dos Órgãos de Comunicação Social do Algarve (ASORGAL) ter considerado Seruca Emídio autarca algarvio do ano.

Poderia até ser outro o distinguido e até podia o autarca ser do PCP (coisa que sinceramente dúvido que pudesse acontecer), o que se lamenta é que os jornalistas nem se questionem sobre isto.

Conseguir-se-á fazer oposição assim? E ganhar eleições não será mais fácil para os distinguidos?

Não estaremos perante uma das perversões das regras básicas da democracia que é a necessidade de relativa independência dos órgãos de comunicação social face ao poder político?

Pelo menos todos percebemos porque não ouve qualquer pedido de esclarecimento da imprensa local sobre o massivo abate de árvores na cidade de Loulé.

Não se trata só de ausência de cultura ambiental...não é só disso que se trata...

Ps: Inicialmente o título do post não começava por Devem os Jornalistas mas sim por Podem os Jornalistas...achou-se por bem alterar pois pelos vistos poder podem...aquilo que não sei é se devem.

domingo, abril 13, 2008

Blogue Sombra Verde solidariza-se contra o abate de árvores na cidade de Loulé: Os blogues Louletanos agradecem



Texto retirado do blogue Sombra Verde

Pelas árvores de Loulé

"No seguimento do continuado abate de árvores na cidade de Loulé, situação que se arrasta desde o ano passado sem que a autarquia apresente qualquer justificação, decidiu um grupo de cidadãos promover uma petição em defesa do património arbóreo desta cidade algarvia.

O que se pretende é bem simples, nomeadamente que a autarquia explicite a fundamentação técnica para o abate destas árvores, que reponha as árvores abatidas e que entregue a manutenção das árvores a técnicos credenciados em arboricultura.

Convido os leitores da Sombra Verde a juntarem-se a esta causa dos louletanos, que é no fundo uma causa de todos aqueles que lutam pela dignificação da forma como as árvores são tratadas nos municípios portugueses."



Loulé agradece a solidariedade do Sombra Verde.

Pode assinar a petição aqui:
http://www.petitiononline.com/qc2008qc/petition.html

e ainda nos blogues,
http://ssebastiao.wordpress.com/,
http://quiosquedacamila.blogspot.com/,
http://umsonhochamadomatilde.blogspot.com/
http://sombra-verde.blogspot.com/

As árvores ganham mais vida e as futuras gerações também.

Os pobres cada vez mais pobres e os ricos cada vez mais ricos: Esta também é uma das múltiplas faces da globalização

Solidariedade Global: Reinventar a Ordem Global Precisa-se

We are the world



Há mais de 23 anos, em 28 de janeiro de 1985, 45 dos maiores nomes da música popular, reuniram-se, para gravarem juntos "We Are the World". A música rendeu milhões, o que possibilitou os EUA ajudar os mais necessitados do continente africano, numa campanha ímpar até então de solidariedade à escala global.

Mais de vinte anos passados e após milhares de declarações políticas de boas intenções, inúmeras cimeiras entre os países do Ocidente e os mais diversos países africanos e múltiplas conferências a proclamarem a indispensabilidade de uma maior justeza na repartição da riqueza à escala mundial, os resultados estão à vista.

As desigualdades entre o Norte desenvolvido e rico e o Sul dito em "vias de desenvolvimento" e pobre, agravam-se, criou-se o denominado "Quarto Mundo" no interior dos próprios países mais ricos do Ocidente e o fosso entre ricos e pobres também aqui tem vindo a alargar-se.

Nunca como hoje a consciência das assimetrias sociais e as desigualdades de riqueza e poder foram tão visíveis e nunca como hoje a distância abíssal entre os discursos e as práticas políticas dos nossos líderes da governação foi tão evidente. A fome, essa, continua a expandir-se por todo o globo terrestre.

Este artigo foi publicado no WSWS, originalmente em inglês, no dia 29 março 2008.

"O Programa Mundial de Alimentação (WFP, da sigla em inglês) da Organização das Nações Unidas (ONU) alertou que o aumento no preço dos alimentos em todo o mundo provocará uma redução na sua capacidade de alimentar as populações famintas e subnutridas.

Em um pronunciamento no último mês em Roma, onde fica a sede do WFP, o diretor executivo do Programa, Josette Sheeran, declarou “nossa capacidade de atender às pessoas está sendo reduzida justamente no momento em que a demanda está crescendo... Nós estamos vendo uma nova face da fome, em que as pessoas estão sendo privadas do mercado de alimentos. Situações que antes não eram urgentes, agora o são.”

Em uma nota à imprensa, o WFP declarava que para realizar seu trabalho durante o ano corrente, seriam necessários 3,5 bilhões de dólares, meio bilhão a mais do que foi estimado no ano passado. Estes recursos estão destinados a projetos aprovados para alimentar 73 milhões de pessoas em 78 países ao redor do mundo. A nota destaca que estes recursos são para projetos de alimentação já planejados e não incluem situações emergenciais imprevistas que podem surgir.

A nota à imprensa ressalta ainda que as populações mais pobres do planeta terão que gastar uma porção cada vez maior de seu mísero orçamento em alimentação. O WFP alerta que essas populações serão obrigadas a comprar menos comida, ou comidas menos nutritivas, ou terão que se apoiar em auxílios externos.

A lista dos países mais afetados inclui o Zimbabue, Eritréia, Dijibouti, a Gâmbia, Togo, Chad, Camarões, Nigéria e Senegal, todos no continente africano. Serão afetados também o Haiti, Myanmar, Yemen e Cuba.

Segundo o WFP, entre os fatos que estão pressionando o aumento no preço dos alimentos estão o aumento do preço do petróleo e o crescimento da demanda por alimentos, especialmente por carne, na China e na Índia. O aumento da demanda nestes países é resultado do rápido crescimento de seu poder econômico.

Entretanto, os acontecimentos relacionados às mudanças climáticas também tiveram um papel importante no aumento dos preços, além de outro fator que está em operação no mercado: o crescimento do uso das terras de cultivo para a produção de biocombustíveis."

In http://www.wsws.org/pt/2008/apr2008/port-a01.shtml

Ps: Chama-se a atenção que contínua em tempo útil a assinatura da petição contra o abate de árvores na cidade de Loulé. Pode consultar o texto da petição no post abaixo deste.

Pode assinar a petição aqui http://www.petitiononline.com/qc2008qc/petition.html

e ainda nos blogues http://ssebastiao.wordpress.com/, http://quiosquedacamila.blogspot.com/, http://umsonhochamadomatilde.blogspot.com/ e http://sombra-verde.blogspot.com/

Agradece-se a solidariedade especial do blogue Sombra Verde a quem se recomenda desde já a visita.

Boa semana

sábado, abril 12, 2008

Se quer saber da razão do abate de árvores na cidade de Loulé assine a petição: As futuras gerações agradecem



Alguns Blogues Louletanos e Cidadãos Subscritores dirigem a presente petição ao Excelentíssimo Presidente da Câmara Municipal de Loulé,
Doutor Sebastião Francisco Seruca Emídio.

Excelência;

Os cidadãos louletanos, preocupados com a qualidade presente e futura da vida neste Concelho, encontraram em alguns blogues de Loulé um estímulo para se dirigirem a Vossa Excelência e declarar-lhe com o respeito que o seu cargo merece, que consideram estar esta cidade a afastar-se perigosamente das preocupações mundiais de salvaguarda da qualidade ambiental do ar e de poupança dos recursos esgotáveis, como a água.

Acrescentam ainda que no contexto em que a União Europeia, o Governo Português e os demais agentes da sociedade civil portuguesa conjugam esforços para reduzir as emissões de carbono para a atmosfera com impacto nas alterações climáticas, consideram estes cidadãos que as intervenções realizadas pela autarquia que Vossa Excelência dirige tem vindo a assumir uma forma nefasta nos espaços arborizados do Concelho de Loulé, ignorando as preocupações anteriormente referidas e os esforços das escolas, das famílias e dos indivíduos com consciência ambiental.

Assim, solicitam os subscritores da presente petição:

1º Que a Câmara Municipal clarifique a fundamentação técnica que determinou o corte das árvores da Avenida José da Costa Mealha, Rua Sacadura Cabral (antiga Rua Ancha) e Praça da Republica, em especial na zona fronteira ao renovado Mercado Municipal.

2º Que a Câmara tenha em relação aos espaços verdes (especialmente em relação às árvores ornamentais), um maior grau de exigência, atribuindo a sua gestão e/ou manutenção a empresas especializadas em arboricultura ou promovendo a formação profissional dos seus jardineiros, porque como Vossa Excelência terá certamente conhecimento, nem todos os jardineiros municipais tal como os seus congéneres que profissionalmente exercem funções nos inúmeros viveiros de plantas, possuem formação técnica especializada para podar árvores ornamentais, mesmo que muitos deles possam ter conhecimentos na poda de árvores de fruto.

3º Que a Câmara Municipal garanta a plantação de árvores em quantidade equiparada às que mandou abater.

4º Que torne públicas as razões que encontrou para justificar a acção que levou a efeito na Avenida, Praça e Rua mencionadas sem que dessa intervenção resultasse qualquer debate público e que junto dos moradores tem vindo a suscitar alguma indignação.

Estando certos que Vossa Excelência não desprezará estas magnas preocupações, ponderando e satisfazendo aquilo que lhe é solicitado a bem da sustentabilidade ambiental e responsabilidade social da autarquia, fazendo de imediato cessar todas as acções que apenas visam a renovação estética das artérias mais movimentadas das cidades de Loulé e de Quarteira, no caso, as mais necessitadas dos préstimos da arborização adulta e consolidada.

Apresentando os melhores cumprimentos. (os subscritores)

A Petição que pode ser subscrita em:
http://www.petitiononline.com/qc2008qc/petition.html



Pode assinar a petição nos blogues http://ssebastiao.wordpress.com/, http://quiosquedacamila.blogspot.com/, http://umsonhochamadomatilde.blogspot.com/ e http://sombra-verde.blogspot.com/

Agradece-se a solidariedade especial do blogue Sombra Verde a quem se recomenda desde já a visita.

Muito obrigado

sexta-feira, abril 11, 2008

Retratos da cidade: Proprietários da sombra

Nas sombras da cidade



A qualidade de um território é cada vez mais avaliada pela qualidade dos espaços de sociabilidade que põe à disposição dos seus cidadãos.

Numa época de progressivo envelhecimento da população e do aumento populacional no topo da "pirâmide" de idades, numa época de progressiva individualização das relações sociais e de isolamento e "abandono" da população idosa, os jardins, os parques públicos, e os espaços arborizados, com mobiliário adequado, são fundamentais ao aumento da qualidade de vida das pessoas.

As árvores, pela sombra que proporcionam e pela sua contribuição para a melhoria da qualidade do ar nas cidades, exercem uma função social importantíssima no fomento das relações de sociabilidade da população mais idosa.

Deixo-vos com o retrato de alguns dos nossos proprietários da sombra.

Eu sou amigo das cidades com árvores. E você?

quarta-feira, abril 09, 2008

Sobre o abate de árvores na cidade de Loulé: Continua o massacre



Nove de Abril de 2008, sete horas da manhã. Estaciono o carro no início da Avenida José da Costa Mealha, junto ao restaurante Avenida, e preparo-me para tomar a primeira refeição da manhã.

Levanto a cabeça e deparo-me com um cenário dantesco. Fico paralisado pela surpresa e o impacto visual das imagens e olho, boquiaberto, entre o incrédulo e o estupefacto, para o novo cenário de abate de árvores.

A autarquia louletana, após o partido da oposição a ter interpelado sobre as razões que fundamentam a desvastação arbórea do centro da cidade e após um grupo de cidadãos da cidade de Loulé preparar uma petição no sentido de se perceber a fundamentação técnico-científica de tal morticídio, reage à maneira dos estados totalitários.

Antes que a contestação popular cresça, o melhor é começar a derrubar e rápido o que resta de vida vegetal. De preferência, a horas de pouca circulação de população e sem o impacto visual da destruição massiva das árvores que estavam junto à primeira placa a seguir ao coreto.

É lamentavel que os poderes públicos, num acto de espantosa insensibilidade ambiental e por desconhecimento e vale a pena dizê-lo, também por ignorância, tratem desta forma os recursos que são públicos.

É lamentável que, terrível coincidência, após alguns poucos dias de um grupo de cidadãos elaborar uma petição no sentido de obter esclarecimentos sobre a política de abate de árvores na cidade; a resposta tenha sido o derrube imediato de mais árvores na Avenida José da Costa Mealha, algumas dessas árvores aparentemente de excelente saúde.

Lamento que tenha que interpretar este bárbaro acto como a revelação de uma concepção autoritária do exercício do poder.

Dia triste para a cidade de Loulé.



Ps: Lamenta-se ainda que nem uma linha sobre o assunto tenha sido escrita pela comunicação social Louletana...sinal dos tempos e da imprensa que vamos tendo.

Emenda: Apesar de ter sido a pressão dos cidadãos, nomeadamente através da blogosfera, a (re) colocar o problema do abate de árvores na cidade, o Jornal "O Louletano", na edição de 07 de Abril, fez uma cobertura muito séria, com notícia de primeira página e com uma exemplar cobertura do acontecimento em duas páginas interiores do jornal. Sai o jornalismo dignificado e ganham os cidadãos do concelho de Loulé.

segunda-feira, abril 07, 2008

Petição on-line já pode ser assinada



Se gostava de saber a razão do abate de árvores nas Cidades de Loulé e Quarteira e quais as medidas previstas pela autarquia nesta matéria, assine a petição nos blogues Ssebastião e Quiosque da Camila, solicitando ao Sr. Presidente que esclareça os cidadãos do Concelho.

Esta Petição irá ter uma versão em papel que irá ser posta a circular em diversos locais da cidade. Exerça os seus direitos de cidadania, contribua para uma melhor qualidade de vida das futuras gerações.

PS (post scriptum): Ver mais sobre este assunto nos blogs Ssebastião e Quiosque da Camila.

domingo, abril 06, 2008

Retratos da cidade: A festa da Mãe Soberana

Mãe Soberana parada em frente
ao Edifício da Câmara Municipal de Loulé




A reverência do poder religioso ao poder político num Estado laico, repúblicano e, portanto, não confessional.

Loulé, 06 de Abril de 2008, no início do terceiro milénio, a Igreja Católica continua a exercer forte influência sobre o poder político local.

sexta-feira, abril 04, 2008

Retratos da cidade: Arte contemporânea

"Será arte tudo aquilo que eu disser que é arte"
Duchamp

Loulé, 3 de Abril de 2008



Considera-se que a característica essencial do Dadaísmo é a atitude antiarte, Duchamp será o dadaísta por excelência. De facto, por volta de 1915, quando abandona a pintura, assume uma atitude de rompimento com o conceito de arte.

O ready-made é uma manifestação ainda mais radical da sua intenção de romper com o fazer artístico, uma vez que se trata de apropriar-se do que já está feito: a escolha de produtos industriais, realizados com finalidade prática e não artística (urinol de louça, pá, roda de bicicleta), elevados à categoria de obra de arte. Nesses casos, está implícito também o propósito de chocar o espectador (o artista, o crítico, o amador de arte).

Não por acaso, Duchamp afirmaria mais tarde que "será arte tudo o que eu disser que é arte" - ou seja, todo acervo artístico que nos foi legado pelo passado só é considerado arte porque alguém assim o disse e nós habituamo-nos a admiti-lo. Donde se conclui que La Gioconda, de Da Vinci, ou O Enterro do Conde de Orgaz, de El Greco, não seriam mais arte do que um urinol ou uma pá de lixo. Essa tese explicita-se quando Duchamp acrescenta uma barbicha e um bigode àquela obra-prima de Da Vinci.
Obtido em "http://pt.wikipedia.org/wiki/Ready_made"

quinta-feira, abril 03, 2008

Afinal, há mais vida para além dos eucaliptos

O partido socialista local juntou-se, e bem, aos poderes do principado louletano, numa moção de indignação face ao poder central, socialista de seu nome e direitista nas políticas que põe em prática.

Se a indignação do PS local é um gesto de dignidade política, reivindicando o cumprimento de mais uma promessa que o governo de Sócrates teima em não cumprir, a construção da circular Norte de Loulé; para quem anda atento a estas coisas da política, este gesto não pode deixar de ser visto numa lógica de estratégia e táctica político-partidária face à proximidade das eleições legislativas de 2009.

O PS local sabe, pois mais vale acordar tarde do que nunca, que o descontentamento popular com o governo de Sócrates atingiu limites que o seguidismo político voluntário é incapaz de tolerar.

É à luz dos acontecimentos políticos nacionais que melhor podemos compreender este acto de solidariedade com a população louletana e esta aliança temporária com o PSD Loulé.

Porque também vêem televisão, têm acesso a banda larga de alta velocidade e lêem a imprensa nacional e internacional, os homens e mulheres do PS local sabem o que se passou em França, onde nas eleições autárquicas, os candidatos do partido de Sarkozy, mesmo demarcando-se claramente das políticas e da personagem do seu líder, não evitaram o terramoto eleitoral localizado.

Porque a política é feita de ideias e convições, só se lamenta, que a fuga dos eucaliptos não se tenha dado mais cedo. Subiam os candidatos nas considerações dos eleitores de esquerda e a oposição local era sem dúvida mais forte e logo, maior defensora dos interesses dos cidadãos locais.

Mas como diz o ditado popular, mais vale tarde do que nunca...e Loulé bem precisa.

quarta-feira, abril 02, 2008

Democracia ou Oligarquia?

O atletismo é um parente pobre nas considerações públicas dos políticos em geral. Como não tem a visibilidade social do futebol, que movimenta massas, e portanto, não dá acesso directo a um elevado número de potenciais votantes, os apoios escasseiam, e só a dedicação e o amor à prática da modalidade, faz com que os seus praticantes promovam a dignidade que este desporto merece.

De vez em quanto, ficamos espantados, com as poucas medalhas que recebemos no palco do desporto internacional, de onde saltam nomes para a praça pública que não conheciamos de lado nenhum. Para isso acontecer, face à massiva falta de apoios aos homens destes desportos "menores", são horas e horas contínuas de sacrifício e de treino, pois só assim se pode ultrapassar as frágeis condições de exercício da modalidade e o frágil reconhecimento social.

Pratiquei desporto amador mais de vinte anos nos mais diversos clubes e associações a sul do país.

Não posso deixar de mostrar indignação face à situação denunciada pelo blogue Calçadão de Quarteira. Em nome do amor à causa do desporto, isto nunca poderia ter acontecido:

"Relativamente ao e-mail que ontem publicámos, enviado por um amigo nosso, depois de uma série de consultas, estamos em condições de poder relatar o que se passou na sessão de câmara que se realizou em Quarteira, no dia 26 de Março





Artur Domingos, um já antigo atleta de gabarito foi, durante vários anos, treinador de atletismo no Quarteirense. A certa altura, porém, as relações entre ele ou entre a secção de atletismo e a direcção do Quarteirense ter-se-ão deteriorado a tal ponto que o treinador terá preferido abandonar o clube.

Sabe-se que, muitas vezes, as relações de afecto que se estabelecem entre os treinadores das chamadas «modalidades pobres» e os seus atletas fortalecem-se de tal forma que, ao sair o treinador, os atletas preferem segui-lo para outros clubes.

Neste caso, Artur Domingos não foi para outro clube: porque o artigo 46º da Constituição da República Portuguesa diz que “os cidadãos têm o direito de, livremente e sem dependência de qualquer autorização, constituir associações, desde que estas não se destinem a promover a violência e os respectivos fins não sejam contrários à lei penal”, o treinador preferiu rodear-se dos seus pupilos e criar a sua própria agremiação.

Nasceu, deste modo, o Centro Desportivo de Quarteira, clube que mantém em actividade nada menos que sete dezenas de atletas federados e mais uns quantos não federados.

Ora, um clube de atletismo não faz sentido se não tiver condições para treinar, a menos que a sua única modalidade seja a corrida de fundo, em estrada.



O Estádio Municipal de Quarteira tem uma pista de tartan e Artur Domingos, convicto de que a letra da Constituição da República é para ser cumprida, porque esta, no seu artigo 70º, diz que “os jovens gozam de protecção especial para efectivação dos seus direitos económicos, sociais e culturais, nomeadamente (…) d) Na educação física e no desporto”, e acrescenta que “o Estado, em colaboração com as famílias, as escolas, as empresas, as organizações de moradores, as associações e fundações de fins culturais e as colectividades de cultura e recreio, fomenta e apoia as organizações juvenis na prossecução daqueles objectivos”, por várias vezes procurou ir, com os jovens que treina, utilizar a pista.
Com grande espanto, tem-lhe sido vedada essa utilização e, por isso, Artur tem, repetidamente, dirigido à autarquia um pedido de audiência que, sistematicamente, tem sido ignorado.


Para pôr as coisas em pratos limpos, Artur Domingos, munido de toda a documentação, foi assistir à reunião da Câmara, mas, apesar das suas repetidas afirmações de que não pretende qualquer subsídio mas apenas a utilização de um bem público, o presidente da Câmara, de forma pouco coerente, ter-lhe-á sugerido que a sua saída do Quarteirense se destinou apenas a ir mamar na teta do subsídio autárquico e que o Quarteirense poderá sempre receber quem pretenda fazer atletismo.

Paulo Bernardo, vereador com o pelouro do desporto, por sua vez, terá por várias vezes tentado confundir o treinador (e a assistência?) dizendo que a Câmara só atribui subsídios aos clubes que têm «utilidade pública».

De nada serviram as insistentes afirmações de Artur, repetindo até à exaustão que nunca pediu qualquer subsídio. Paulo Bernardo fingiu (?) que não percebeu.

Mas o pior ainda estava para vir: a certa altura José João Guerreiro, presidente do Quarteirense pediu a palavra e falou, falou, falou, numa clara tentativa de humilhação do treinador, a quem chegou a acusar… de que a sua mulher trabalhou para o Quarteirense e recebia até «uma pequena quantia»… "

Não conheço o antigo atleta em causa e amante desta nobre modalidade. Não podia deixar de mostrar a minha solidariedade. Tenho pena...da forma como o desporto é tratado quando não é institucionalmente organizado e passível de controlo social e político.

Retirado do blogue Calçadão de Quarteira
in http://calcadaodequarteira.blogspot.com/2008/04/fazer-atletismo-em-quarteira.html

A arte e a ciência da poda ou a ausência dela no concelho de Loulé: A poda camarária

Algumas notas sobre as árvores ornamentais em meio urbano




As árvores ornamentais dos jardins, parques e ruas dos aglomerados urbanos são fonte de saúde e beleza. Proporcionam sombra, odores balsâmicos (como as Tílias, por exemplo, quando floridas), repouso para o espírito. Desempenham ainda importantes funções orgânicas, mais ou menos conhecidas de todos, como a produção de oxigénio.


As árvores ornamentais em meio urbano têm ainda grande importância na retenção de poeiras e partículas de poluição, na absorção de ruídos, na retenção de água no solo, na redução do impacto da chuva sobre o solo, ou como abrigos para aves insectívoras e outros pequenos animais, aves e mamíferos. As árvores de folha caduca desempenham também o papel de reguladores térmicos - cobertas de folhas durante o Verão, filtram os raios solares e amenizam o ambiente; durante o Inverno, deixam passar a luz e o calor do Sol através dos seus ramos despidos, retendo calor no solo e nos edifícios circundantes durante mais tempo.


As árvores, quando plantadas as espécies adequadas, nos locais adequados e bem cuidadas, acabam por contribuir para dar aos parques, jardins, e até pequenos recantos em que se encontram, boa parte da personalidade e do ambiente peculiar desses locais. Em inúmeras localidades do nosso país, as árvores ornamentais são submetidas pelos serviços camarários, a "podas" sistemáticas e violentas, que as desfiguram e enfraquecem. Deve ressalvar-se, antes de mais, que estas práticas nada têm a ver com poda.


A poda, tanto das árvores e arbustos de fruto, como das ornamentais, é uma arte e uma técnica sujeita a princípios sustentados em bases científicas. Esta mal chamada "poda" visa, pretensamente, dar um ar de "limpeza" e um aspecto "cuidado" às árvores alvo destes maus tratos.A "poda camarária" - uma espécie de "vandalização institucional" dos arvoredos do domínio público - é feita normalmente com serrotes de grandes dimensões, quando não à moto-serra, apropriados para decepar os ramos mais grossos das árvores.


(...) Nenhum argumento técnico, muito menos estético, pode justificar este massacre anual dos arvoredos públicos. A "poda camarária" é apenas um mau hábito, rotineiro e como todos os hábitos deste tipo, não tem nenhuma explicação. Estas chamadas "podas" arruínam as árvores. O corte da maior parte da copa, como é habitual fazer-se, priva a árvore das suas reservas nutritivas, acumuladas no Verão anterior, e que lhe permitiriam iniciar novo período vegetativo na Primavera seguinte. As árvores "podadas" rebentam mais tarde que as não “podadas”, com muita dificuldade e produzindo ramos enfezados e deformados.


Outro efeito pernicioso desta "poda" é a morte de parte das raízes que levam a água e os nutrientes minerais para os ramos decepados e deles recebiam, por sua vez, açúcares elaborados pelas folhas. Em consequência, reduz-se a base de sustentação da árvore, que pode cair mais facilmente, sobretudo durante os temporais. Pelos cortes extensos abertos por esta lamentável prática, entram inúmeros fungos causadores de doenças da madeira, que acabam por enfraquecer e até matar as árvores.


As Câmaras municipais, e outras entidades, plantam mal e de modo inadequado, poucas árvores e pouco diversificadas: Tílias, Plátanos, Choupos e ficam-se quase por aí. Como são árvores de grande porte, não são ajustadas a todos os locais. Ou seja, quando as plantam em sítios onde elas, ao crescerem, vêm a não caber, passam depois a vida a cortá-las, a fazer a tal "poda", na tentativa vã de remediarem o erro original de plantação. No entanto, mesmo as árvores plantadas em locais amplos e abertos, onde se poderiam desenvolver à vontade, são objecto do mesmo mau trato.

Por outro lado, deita-se abaixo com a maior das facilidades, esquecendo que o que se corta em poucos minutos, levou dezenas de anos, quando não séculos, a criar.

No fundo, as autarquias gastam dinheiro a plantar árvores para depois as irem matando lentamente, pela prática de uma "poda" isenta de quaisquer regras técnicas e objectivos racionais. Em face deste panorama, que sentido podem ter as declarações de boas intenções quanto à educação ambiental, o "Dia da Árvore", os belos folhetos sobre o ambiente e todo o discurso "ambientalista" que está na moda (porque dá votos)?

Apesar do que acima fica dito, são de ressalvar e saudar as excepções do costume, entre as quais podemos incluir, dum modo geral, a Câmara do Porto. Esta tem vindo, desde há uns 10 ou 15 anos, pelo menos, uma atitude mais racional e deixou de praticar estas tais "podas".

Se estas chamadas "podas" são lamentáveis e condenáveis quando feitas pelas autarquias, muito mais o são quando feitas nos espaços de recreio dos estabelecimentos de ensino. Estas situações são vulgares - demasiado - e extremamente perniciosas por aí, aos danos infligidos ao arvoredo, acrescer o impacto deseducativo que têm junto das crianças e jovens que frequentam a escola .

Como, no entanto, não deixo de ter uma inabalável confiança na capacidade humana para reflectir e para corrigir os erros, gostaria de acrescentar à crítica a sugestão de algumas medidas que poderiam ser tomadas para melhorar esta situação:

- plantar espécies de pequeno, médio ou grande porte, adequadas a cada situação e cada local;

- diversificar as espécies dos nossos jardins e ruas, utilizando árvores e arbustos, sobretudo da nossa Flora nacional e local, melhor adaptadas ao meio. Plantar árvores de fruto, como nogueiras, castanheiros ou até variedades regionais de laranjeira, por exemplo.

- acabar de vez com a chamada "poda"; o tempo e o trabalho das pessoas empregues nestas práticas pode ser utilizado com maior proveito na plantação de novas árvores e no tratamento adequado das que já existem.

- respeitar a forma natural das árvores, dada pela Natureza em milhões de anos de evolução e selecção naturais. Para isto, é necessário plantar árvores sãs e sem cortes na sua copa original, (sobretudo sem o habitual atarraque do eixo da árvore, que os nossos "jardineiros" tanto gostam de fazer) e deixá-las crescer, cuidando apenas de as alimentar e amparar, sobretudo enquanto jovens. Qualquer intervenção de corte, deverá ser feita de preferência no Verão, período em que a árvore está em plena actividade, as feridas abertas pelos instrumentos de corte cicatrizam com relativa facilidade e são menores os riscos de infecção das feridas por fungos. No entanto, estas operações devem limitar-se à retirada de ramos secos ou tocos de ramos quebrados por qualquer acidente, pernadas que eventualmente possam tocar em fios eléctricos ou noutras situações a definir criteriosamente.

- promover a educação ambiental e o respeito pela árvore, ser vivo complexo e admirável, que não temos nenhum direito de destruir. Lembro, por exemplo, que um dos objectivos traçados pelo Ministério da Educação para o ensino básico é a educação ambiental. Como poderemos promover a educação ambiental, tendo em conta o apoio que a comunidade deve dar à Escola, se continuamos a dar este tratamento às poucas árvores que existem nas nossas vilas e cidades e este mau exemplo? Por outro lado, é preciso sensibilizar também os mais velhos, sabendo-se que muita gente, por ignorância, embirra com as árvores, e chegam a fazer pedidos ridículos às autarquias, no sentido de as “podar“, deitar abaixo, "porque as folhas, flores e frutos que caem sujam", etc..

Apelo aqui também à constituição e reforço de movimentos de opinião, mesmo informais, que possam intervir activamente na educação para o respeito pela árvore e pela natureza no seu conjunto. Aos interessados pelo tema, sugiro, por fim, a leitura de dois livros excelentes, ambos actualmente disponíveis nas livrarias.

A Árvore em Portugal de Francisco Caldeira Cabral e Gonçalo Ribeiro Teles, Editora Assírio & Alvim, 1999 (um livro excelente e muito esclarecedor, cuja primeira edição data de há 40 anos).

A Poda das árvores ornamentais, FAPAS - Fundo para a Protecção dos Animais Selvagens , Porto »

Texto elaborado por C. Coutinho
Técnico Agrícola

in http://dias-sem-arvores.blogspot.com/2007/03/deixem-nas-crescer.html