sábado, agosto 31, 2013

Noite Branca Em Contexto De Vidas Negras

Hoje a Noite é branca em Loulé. Em véspera de eleições temos mais uma afirmação de poder desmesurada por parte de um certo império louletano em vias de derrocada. Uma oposição à altura já tinha exigido uma auditoria às contas da Câmara Municipal de Loulé para saber onde e como se ganha o nosso dinheiro. Ficariamos assim a saber, por exemplo, quanto custa a Noite Branca e quando custariam as Actividades de Educação-Extracurriculares que segundo consta, este ano, não vai haver dinheiro para elas.

sexta-feira, agosto 30, 2013

A Exploração De Petróleo No Algarve

A exploração de petróleo no Algarve já contratualizada entre multinacionais estrangeiras e o Estado Português (mais um negócio ruinoso para o Algarve, para Portugal e para os Portugueses) está completamente ausente da campanha autárquica algarvia. É óbvio que a vir a acontecer esta exploração na costa algarvia todos os partidos políticos da esquerda à direita e a comunicação social em geral são cúmplices da transformação da região do Algarve numa região petroquímica. Aproveito para especular que estas coisas também não se fazem sem corrupção à mistura. Eu pessoalmente não vejo a hora de fazer turismo de qualidade numa plataforma petrolífera a meia dúzia de metros da Ria Formosa.

quarta-feira, agosto 28, 2013

Ladrões de Vidas

A revista Visão publicou o artigo de opinião, da autoria do filósofo José Gil, intitulado "O roubo do presente" que se transcreve de seguida.

"Nunca uma situaç
ão se desenhou assim para o povo português: não ter futuro, não ter perspetivas de vida social, cultural, económica, e não ter passado porque nem as competências nem a experiência adquiridas contam já para construir uma vida. Se perdemos o tempo da formação e o da esperança foi porque fomos desapossados do nosso presente. Temos apenas, em nós e diante de nós, um buraco negro.

O «empobrecimento» significa não ter aonde construir um fio de vida, porque se nos tirou o solo do presente que sustenta a existência. O passado de nada serve e o futuro entupiu.

O poder destrói o presente individual e coletivo de duas maneiras: sobrecarregando o sujeito de trabalho, de tarefas inadiáveis, preenchendo totalmente o tempo diário com obrigações laborais; ou retirando-lhe todo o trabalho, a capacidade de iniciativa, a possibilidade de investir, empreender, criar. Esmagando-o com horários de trabalho sobre-humanos ou reduzindo a zero o seu trabalho.

O Governo utiliza as duas maneiras com a sua política de austeridade obsessiva: por exemplo, mata os professores com horas suplementares, imperativos burocráticos excessivos e incessantes: stresse, depressões, patologias border-/ine enchem os gabinetes dos psiquiatras que os acolhem. É o massacre dos professores. Em exemplo contrário, com os aumentos de impostos, do desemprego, das falências, a política do Governo rouba o presente de trabalho (e de vida) aos portugueses (sobretudo jovens).

O presente não é uma dimensão abstrata do tempo, mas o que permite a consistência do movimento no fluir da vida. O que permite o encontro e a intensificação das forças vivas do passado e do futuro - para que possam irradiar no presente em múltiplas direções. Tiraram-nos os meios desse encontro, desapossaram-nos do que torna possível a afirmação da nossa presença no presente do espaço público.

Atualmente, as pessoas escondem-se, exilam-se, desaparecem enquanto seres sociais. O empobrecimento sistemático da sociedade está a produzir uma estranha atomização da população: não é já o «cada um por si», porque nada existe no horizonte do «por si». A sociabilidade esboroa-se aceleradamente, as famílias dispersam-se, fecham-se em si, e para o português o «outro» deixou de povoar os seus sonhos - porque a textura de que são feitos os sonhos está a esfarrapar-se. Não há tempo (real e mental) para o convivio. A solidariedade efetiva não chega para retecer o laço social perdido. O Governo não só está a desmantelar o Estado social, como está a destruir a sociedade civil.

Um fenómeno, propriamente terrível, está a formar-se: enquanto o buraco negro do presente engole vidas e se quebram os laços que nos ligam às coisas e aos seres, estes continuam lá, os prédios, os carros, as instituições, a sociedade. Apenas as correntes de vida que a eles nos uniam se romperam. Não pertenço já a esse mundo que permanece, mas sem uma parte de mim. O português foi expulso do seu próprio espaço continuando, paradoxalmente, a ocupá-lo. Como um zombie: deixei de ter substância, vida, estou no limite das minhas forças - em vias de me transformar num ser espetral. Sou dois: o que cumpre as ordens automaticamente e o que busca ainda uma réstia de vida para os seus, para os filhos, para si.

Sem presente, os portugueses estão a tornar-se os fantasmas de si mesmos, à procura de reaver a pura vida biológica ameaçada, de que se ausentou toda a dimensão espiritual. É a maior humilhação, a fantomatização em massa do povo português. Este Governo transforma-nos em espantalhos, humilha-nos, paralisa-nos, desapropria-nos do nosso poder de ação. É este que devemos, antes de tudo, recuperar, se queremos conquistar a nossa potência própria e o nosso país."

terça-feira, agosto 27, 2013

sábado, agosto 24, 2013

Loulé Sai À Rua - Cartão Vermelho Ao Governo PSD/CDS Nas Eleições Autárquicas

Porque nos indignamos com o roubo das reformas de quem trabalhou toda uma vida. Porque nos indignamos com o roubo dos salários. Porque nos indignamos com o brutal aumento de impostos que não resolveu nenhum problema da dívida. Porque nos indignamos com os cortes aos doentes e desempregados. Porque nos indignamos com a destruição do Serviço Nacional de Saúde, com a destruição da escola pública e com a destruição do sistema de protecção social dos portugueses. Porque nos indignamos com a corrupção que nos assalta, seja na forma do BPN, dos Swaps ou dos submarinos do Portas. Porque não aceitamos mais assistir impávidos e serenos à destruição das nossas vidas, dos nossos filhos e dos nossos avós. Porque não aceitamos ser ratos de laboratório de um governo que governa para os credores e volta as costas ao seu povo. Porque somos gente. Dia 29 de Setembro vamos sair à rua para votar em massa e exercer o nosso dever cívico de votarmos livremente em quem quisermos de modo a darmos um rotundo cartão vermelho ao Governo PSD/CDS. Adere, partilha, divulga! Comparece nesta mega manifestação dia 29 de Setembro de 2013. Diz não à barbárie!
 

Dor

Ainda me dói o pescoço do apertão que o fascistóide do PSD me deu hoje. Vida dura esta de viver numa terra cercada de fascistóides por todo o lado.

Sacríficios Para Quem Seus Ladrãozecos De Vidas De Meia Tigela?


sexta-feira, agosto 23, 2013

E portanto, agredido

E pronto, aconteceu. Ao contar os catorze elementos em exposição em pleno centro de Loulé e ao constatar o facto de serem do partido dos ladrões que nos assaltam diariamente fui agredido por um indivíduo que não gostou e suponho simpatizante do PSD. Amanhã voltarei ao local do crime para continuar a adorar a exposição digna do Mosteiro dos Jerónimos.

terça-feira, agosto 20, 2013

Monumental Vaia A Pedro Passos Coelho Em Quarteira Censurada Por Quase Toda A Imprensa Portuguesa

A maior vaia desde que Pedro Passos Coelho é Primeiro-Ministro de Portugal não foi transmitida pelas imprensa portuguesa (TV's e Jornais) o que indicia que o controlo governativo dos media na ERA da Troika é quase total. Aqui fica o vídeo amador do acontecimento (que tinha que ser obrigatoriamente notícia pelo facto político relevante de que se trata para a vida política nacional). Uma vergonha de jornalismo. Como escreveu Nuno Ramos de Almeida no jornal "i" de hoje, um jornalismo que se suicída.
 

quinta-feira, agosto 15, 2013

Viver Habitualmente

"Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai; um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional, reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta. (...)"

Guerra Junqueiro

quarta-feira, agosto 14, 2013

A Festa Do Pontal É A Festa Do Povo, Passos Coelho Estás Demitido! Todo O Teu Governo É Um Esgoto A Céu Aberto!

Nota de imprensa à comunicação social
 
Portimão, 13 de agosto de 2013
 
Assunto: Vigília na festa do Pontal
 
A Comissão de Utentes da Via do Infante congratula-se com o êxito das acções anti-portagens que levou a efeito no passado fim-de-semana na Aldeia da Coelha e na Manta Rota, junto às residências de férias de Passos Coelho e de Cavaco Silva. Esta jornada de luta fechou com “chave de ouro”, quando a Comissão de Utentes, com o apoio dos veraneantes, procedeu ao julgamento e condenação do governo PSD/CDS, pelo facto de ter implementado as portagens no Algarve e as graves consequências destas que se abateram sobre a região. A Comissão de Utentes deplora e acha lamentável a atitude, tanto do Presidente da República, como do primeiro – ministro, o facto de se terem recusado a receber pessoalmente alguns elementos desta Comissão, que apenas pretendiam fazer a entrega de uma carta aberta e de outros documentos, os quais, no entanto, acabaram por ser entregues, de acordo com indicações por parte das autoridades presentes nos respectivos locais. Tanto Passos Coelho, como Cavaco Silva, refugiados nos seus retiros dourados de férias - ao contrário da esmagadora maioria dos utentes e demais populações, que não têm a possibilidade de gozar férias devido ao agravamento das suas condições de vida – estão fora da realidade e ignoram a tragédia social e económica que se abateu sobre o Algarve, em grande parte devido à imposição das portagens na Via do Infante. Tal como foi agendado pela Comissão de Utentes, as iniciativas e ações pela suspensão das portagens irão continuar neste verão. Assim, no próximo dia 16 de Agosto, a partir das 19.00 horas, a Comissão de Utentes marcará presença na festa do Pontal, realizando uma vigília na praia e calçadão de Quarteira – pela abolição das portagens e em memória de todas as suas vítimas. A Comissão de Utentes endereça convite a todos aqueles que se queiram associar a mais uma ação de protesto – pacífico. No mês de Setembro outras iniciativas contra as portagens irão ocorrer, cujos pormenores serão divulgados oportunamente. A luta não pode parar! A luta irá continuar até à abolição definitiva das portagens no Algarve. Desde já se agradece a v/presença e a divulgação desta nota de imprensa nos v/órgãos de comunicação social.
 
Com os nossos cumprimentos.
 
A Comissão de Utentes da Via do Infante

terça-feira, agosto 13, 2013

segunda-feira, agosto 12, 2013

Bombo e Pandeireta Acordaram Passos Coelho Na Manta Rota

 
Depois de acamparem junto à casa de férias do Presidente da República, em Albufeira, uma dezena de pessoas protestaram ontem contra as portagens, na Manta Rota, onde o primeiro-ministro, Passos Coelho, está a gozar férias. Os elementos da Comissão de Utentes da Via do Infante fizeram questão de acordar Pedro Passos Coelho ao som de bombo, pandeireta e megafone, ao mesmo tempo que exigiam a sua demissão. Os manifestantes tentaram entregar uma carta aberta ao primeiro-ministro com as razões do protesto. No entanto, a GNR impediu que entrassem na rua junto à casa de férias de Passos Coelho, ao contrário do que acontecia com turistas e trânsito automóvel, que circulavam sem restrições. Ainda tentaram furar o cordão da GNR, mas sem sucesso. "No ano passado já tínhamos tentado entregar uma carta ao primeiro-ministro e não conseguimos, mas vamos tentar outra vez", afirmou João Vasconcelos, da Comissão de Utentes. Os manifestantes exibiam cartazes a pedir a demissão do Governo e o fim das portagens na autoestrada algarvia. "Vamos continuar a lutar até à suspensão das portagens, que estão a destruir o Algarve, a economia da região e a provocar um caos de trânsito na EN125, que está com filas intermináveis devido à fuga de automobilistas da Via do Infante para não pagarem portagens", lamentou José Domingos, outro dos elementos da Comissão de Utentes, que participou no protesto.

Fonte: http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/nacional/politica/bombo-e-pandeireta-acordaram-passos

sábado, agosto 10, 2013

Carta Aberta Lida À Porta Da Casa De Cavaco Silva Na Aldeia BPN

Ex.mo Senhor Presidente Da República,
Dr. Aníbal Cavaco Silva
Nós, os utentes da Via Do Infante, estamos aqui, pela terceira vez à sua porta, na Aldeia BPN, a exigir que o senhor demita este governo em quem não confiou há muito pouco tempo atrás e convoque eleições antecipadas para que venha um novo governo que elimine de vez as portagens na Via do Infante.
Não há uma única razão válida para manter as portagens em funcionamento. A economia do Algarve definha. O desemprego bate níveis recorde do ponto de vista histórico. O turismo é prejudicado. Os cidadãos foram empurrados para o inferno da EN 125. Os acidentes nesta rua urbana dispararam e ocorrem quase todos os dias.
Desde a introdução de portagens já morreram nesta estrada quase sessenta pessoas. A estrada está em péssimas condições. Não foi requalificada ao contrário das mentiras e das promessas dos políticos do centrão. A qualidade de vida e a mobilidade dos algarvios degrada-se. O Estado fez mais um negócio ruinoso com esta PPP rodoviária. A concessionária enche os bolsos. A Via Do Infante está paga com os dinheiros europeus. A EN 125 não é alternativa à Via Do Infante pois foi esta que foi construída para ser alternativa à EN 125.
Perante isto, só há uma solução. Não há outra alternativa. Rasgar o contrato PPP da Via do Infante. Se estamos perante um negócio altamente lesivo do interesse público, que o mesmo é dizer do interesse do Estado Português e dos bons usos do dinheiro dos contribuintes portugueses, é mesmo de um crime de lesa pátria aquilo de que se trata. Num contexto em que o Governo CDS/PSD deixou de ser pessoa de bem. Em que com a maior imoralidade e falta de ética na política se quebra quase todos os dias o contrato social com os portugueses, violando despudoradamente a Constituição da República. Num contexto em que se roubam literalmente salários, pensões de reforma, subsídios de férias, subsídios de desemprego e pasme-se até os subsídios de doença, não se percebe do porquê da sacralidade dos contratos ruinosos das PPP’s rodoviárias.
Sabemos bem que o senhor Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, já não é o Presidente de todos os portugueses. É cada vez mais evidente que a sua preocupação é proteger os credores, os especuladores, os banqueiros, a Troika da senhora Merkel e do seu comparsa Barroso, os negócios corruptos dos submarinos, dos swaps, do BPN, da SLN e tantos outros que tais. Sabemos inclusivamente que o Senhor Presidente da República é o presidente menos apreciado pelos portugueses de todos os presidentes desde o 25 de Abril.
Mas também sabemos que não esquece as suas origens ou não fosse o Conde de Abranhos de Eça de Queirós o seu livro preferido. E que nascido e criado na Vila de Boliqueime, a poucos metros da EN 125 sabe que a razão está do nosso lado. Faça-se portanto, gente, Senhor Presidente e tome a decisão de que todos estão à espera. Demita o Governo de Pedro Passos Coelho para que se criem condições para um Algarve Livre de Portagens e se recupere a decência na vida pública portuguesa. Ao contrário do que lhe quiseram fazer crer, nós sabemos que o senhor Presidente não é nenhum palhaço mas já não temos a mesma certeza, pelos motivos referidos em cima, de que os palhaços não seremos nós.
Faça-se gente Senhor Presidente.
A Comissão De Utentes Da Via Do Infante
 

Aldeia da Coelha, Os Palhaços Somos Nós


Protesto, dia 9 de Agosto de 2013, à porta da casa de férias de Aníbal Cavaco Silva a exigir a demissão do Governo de Pedro Passos Coelho.

quinta-feira, agosto 08, 2013

Gráfico À Prova Da Propaganda Que Aí Vem De Novo No Pontal


Briefings

A ideia dos briefings do Secretário de Estado Pedro Lomba e do Ministro Poiares Maduro têm por detrás o pressuposto governativo de que o problema não são as más políticas (essas serão sempre boas obviamente) mas sim a má explicação das boas políticas (tratar-se-ia de um mero problema de comunicação). Ora, como de facto as políticas são de desastre, não há boa explicação que resista à realidade dos factos. Resta a propaganda e se mal feita, resta o desastre da boa explicação do que é em princípio inexplicável. De resto, parece-me uma excelente ideia.

Da Loucura Como Boato

Duas notas quase pessoais. A primeira: - Hoje acampado em frente à Câmara Municipal de Loulé ouvi um apito de automóvel e era o candidato Helder Relvas que apitando do alto do seu jipe pequeno-burguês típico do homem que veio do monte para a cidade me gritou da janela da referida viatura "és um campeão". A segunda: - Um familiar meu chegou do estrangeiro e telefonou para outro familiar meu a perguntar o que se passava comigo que ouviu dizer que tinha enlouquecido. Tendo perdido o emprego, separado da mulher, sobraria a loucura pois parece que falava sozinho de braços abertos para a porta da CML. Bate tudo certo, não bate?

terça-feira, agosto 06, 2013

Riem-se Da Sua Cara

Escrevo estas linhas numa aldeia ribatejana de fim de estrada, onde só se escuta a camioneta da carreira, até ao dia em que acabarem com isso também. E, no entanto, até aqui os ouço. Riem-se na minha cara. Riem-se na cara de todos os intelectuais, bem intencionados, politizados desde a nascença, que passaram a vida a dizer aos amigos: «Sabes o que era bom, para mudar o mundo?» - «Abrir uma editora», «abrir um jornal», «abrir uma universidade», «criar um partido», «fundar um centro de estudos».

Riem-se, porque eles um dia disseram: «Sabem o que é preciso, para fazer política a sério?» - «Abrir um banco». E a partir daí foi só rir.
Riram-se na sua cara quando fundaram o BPN, como uma espécie de Herdade da Coelha das instituições financeiras, um lugar confortável para quem tinha estado no PSD e no governo do Professor Cavaco.
Riram-se quando concederam a filhos e esposas empréstimos de milhões que não tinham intenções de jamais reembolsar. Riram-se quando ex-ministros criaram empresas fictícias para comprar acções do próprio banco.

Riram-se, talvez de nervoso muidinho, quando as coisas começaram a correr mal. Há um mail em que procuram apressadamente novos membros do Conselho: «Este, que é do PS», «aquele, que é amigo do primeiro-ministro». Os tempos tinham mudado as caras em São Bento, era preciso acautelar as coisas.

Riram-se quando o banco foi à falência. De alívio. Foi você que pagou a conta e eles, bem, desde que não fossem apanhados a matar alguma velhota, tudo haveria de correr bem.

Riem-se na cara de todos os adeptos que passam três horas em frente à TV a discutir um penálti mal marcado. Afinal, um lucro de 150% em ações compradas com dinheiro do vendedor e vendidas outra vez ao mesmo é que é «limpinho, limpinho, limpinho». Mesmo quando se é presidente do Conselho Superior, como o ministro Rui Machete, não há nada para estranhar. Você, quando acha 25 euros na algibeira onde pensava ter só 10 euros, estranha? E se forem 25 milhões? E se tiver mais meia dúzia de conselhos para presidir?
Eles riem-se na cara da classe média, da classe baixa e até da classe alta. Eles não têm medo da luta de classes, porque eles acham isso fora de qualquer cogitação: eles estão para lá de qualquer classe. No mundo deles, há regras especiais que são só para eles. Por isso riem-se de cada pedido de demissão: sabem que a oposição nunca se vai entender para mais do que pedir a demissão.

Riem-se na sua cara, quem quer que você seja. Riem na cara da aposentada de Bragança, do funcionário público de Coimbra, do rapper da Brandoa, do comerciante falido do Porto, do desempregado e do emigrado e do pós-graduado que procura um bilhete low-cost para vir a casa. Riem-se na cara dos que tiveram que mudar de país por não mudar o país. Riem-se na cara dos que mudaram para o outro país, o país do Facebook, o país dos manifestos e petições, o país do «eles são todos iguais», o país da indignação na expectativa.

Riem-se na cara do intelectual bem intencionado que nem sabe sentir raiva direito e que, por causa dos livros de História, tem prurido em escrever «eles» e «nós».

Afinal, eles sempre souberam que havia eles e nós.

Rui Tavares, Público, 5 de Agosto de 2013

O Bandalho É Aquele Que Tem Direitos E Abusa Deles

Entrevista de José Gil a Mário Crespo. Não, o louco não sou eu. A maior parte é que perdeu qualquer noção de decência. Tornaram-se indignos de si próprios.

Cultivando a Memória, Para Que Ela Não Se Apague



3 de Agosto de 2012. O Governo PSD/CDS quis encerrar os serviços básicos de urgência em Loulé mas não o conseguiu levar a cabo porque a população louletana levantou a sua voz em massa para o impedir. Hoje, nos primeiros dias de Agosto de 2013 as urgências continuam abertas embora as taxas moderadoras sejam impensáveis à luz do que deveria ser um serviço público de saúde e as condições dos profissionais não sejam as melhores. Fica a proposta, de resto já falada noutros meios de constituição de uma comissão de utentes na defesa dos serviços de saúde do concelho de Loulé para que se assegure a saúde da população louletana a níveis dignos.

segunda-feira, agosto 05, 2013

Nem Uma Bufa, Nada

Este é um país estranho em que um ministro das finanças no último dia antes de fugir do Governo faz sair um despacho em que afecta a quase totalidade das verbas da Segurança Social à dívida pública portuguesa e ninguém dá por isso. Nem uma simples bufa. Nada.

domingo, agosto 04, 2013

As Coisas São Como São

Estamos em Agosto, o mês que em tempos idos era chamado de "silly season", o mês das questões fúteis, sem interesse nenhum, ocupando o prime time televisivo. Mas os tempos mudam. Passou o irrevogável mês de Julho de 2013, o mês de todos os perigos, quando Portugal decidiu suspender durante pelo menos dois anos a democracia.
 
As coisas são como são. Se é verdade que, desde que a troika aportou a este jardim à beira-mar plantado, a nossa soberania não passa de letra morta constitucional, ainda nos fomos entretendo, durante dois anos, com a possibilidade de que, através da lei e dos actos formais democráticos, poderíamos continuar a ter a ilusão de decidirmos o nosso destino. Mas o mês passado deitou por terra essa ilusão. Ao aceitar um Governo que, em qualquer outra situação normal, teria caído, Cavaco Silva chamou a si os destinos do país e decidiu colocar um ponto final, de uma vez por todas, nas regras que regem o estado de direito, a começar por eleições ou pela possibilidade de alternância democrática. Foi uma escolha. Uma escolha que os portugueses aceitaram passivamente - e não adianta afirmarem em inquéritos de opinião que nada mudou com o "novo Governo", a verdade é que preferimos ir a banhos do que ir para a rua lutar pela decência democrática. Tudo mudou, a começar pela possibilidade de termos mão no nosso próprio destino - e nada fizemos para recusar a suspensão decidida por Cavaco Silva.
 
Chegados a este ponto, tudo é, de facto, possível. Os comentadores ainda se surpreendem - ou fingem surpreender-se - com as sucessivas notícias que vão chegando dos palácios do poder, mas a verdade é que o povo está suficientemente anestesiado para achar qualquer coisa que aconteça normal. É normal aceitarmos antigos dirigentes do banco responsável pelo maior roubo aos contribuintes de que há memória como ministros; é normal termos uma ministra a mentir sucessivamente no parlamento e nas televisões, contradizendo-se a cada declaração pública; é normal termos um secretário de Estado que propôs negócios ruinosos ao Governo português vir a ocupar um lugar que decide sobre o destino a dar esses negócios. Tudo é normal, tudo é possível, porque decidimos aceitar a suspensão da democracia. A partir do momento em que um Governo morto e enterrado continua a governar contra o nosso interesse, é perfeitamente natural que ele se sinta em roda livre para fazer o que muito bem entende com o erário público.
 
Não tenhamos dúvidas: não nos devemos surpreender por terem ido para o Governo pessoas com responsabilidades no BPN, pessoas que tentaram vender contratos "swap" para mascarar dívida pública, pessoas que disseram em público desconhecerem os negócios da Ongoing com o Estado. Ninguém esperaria o contrário. Neste momento, ninguém com um mínimo sentido de decência e integridade pessoal aceitaria um convite para ser membro deste Governo. É normal que as recusas de convites de possíveis governantes se tenham multiplicado. A conclusão evidente é que apenas gente sem moral, desonesta ou carreirista almeje alçar-se ao pote. Neste momento, apenas membros da quadrilha, pessoas envolvidas em negócios obscuros ou com uma dissonância cognitiva tão acentuada que acham que pertencer a este Governo traz alguma mais valia à carreira aceitariam ser ministros, secretários de estado ou até assessores do executivo.
 
Este é um Governo que se governa a si próprio e zela pelos interesses do grande capital e do sector financeiro. Tudo é realmente aceitável, nada é surpreendente. Valerá a pena que os media percam tanto tempo a investigar e a revelar as ligações perigosas dos actuais governantes? Se todo e qualquer crime não terá castigo - e Portugal tem uma longa tradição de inimputabilidade dos políticos -, de que servem os jornais que denunciam a corrupção e a mentira em que está enredada a quadrilha que nos governa? Acabe-se com a imprensa, acabe-se com as denúncias, ninguém se importa. Acoitados ao poder, os mentirosos, os criminosos e os corruptos tratam da sua vida. É este o melhor dos mundos. 
 
Por Sérgio Lavos, aqui: http://arrastao.org/2872477.html
 

sábado, agosto 03, 2013

Algarve Na Manta Rota - CUVI Vai À Porta Da Casa De Férias Do Coelho

Os utentes da Via do Infante apelam a todos os cidadãos residentes no Algarve e em férias que se juntem em protesto Domingo, dia 11 de Agosto de 2013 à porta da casa de férias de Pedro Passos Coelho a exigir a sua demissão. Porque as portagens no Algarve estão contribuir para a ruína da economia da região. Porque este Governo está a destruir o país. Porque esta gente não nos representa, não lhes daremos descanso enquanto não se irem embora. Junta-te! Domingo, logo pela manhã na Manta Rota.