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terça-feira, março 23, 2010

Exposição Sobre o Abate de Árvores no Concelho de Loulé

Loulé Abate Alameda de Tílias no Dia da Árvore



Texto retirado da Associação Árvores de Portugal

É uma espe­ci­a­li­dade algar­via. Enquanto o país inteiro planta árvo­res no 21 de Março, Loulé abate-as (ver vídeo).

Dezas­seis tílias foram aba­ti­das este fim-de-semana na Praça da Repú­blica. A inter­ven­ção foi anun­ci­ada numa nota de imprensa pou­cos dias antes de come­çar o abate. Em vários blo­gues da cidade (...) deu-se conta do que estava anun­ci­ado, sem se sus­pei­tar que iria come­çar logo no Sábado seguinte, prolongando-se os tra­ba­lhos para o Domingo, 21 de Março. Como é óbvio, e dada a quase total falta de infor­ma­ção, por parte da Câmara Muni­ci­pal de Loulé (CML), as opi­niões, tanto dos auto­res como dos lei­to­res des­tes espa­ços, onde me incluo, foi de cons­ter­na­ção e revolta.

Loulé tem um longo his­to­rial no que res­peita a abate de árvo­res com pouca ou nenhuma infor­ma­ção pres­tada aos cida­dãos, quer na sede de con­ce­lho, quer em Quar­teira, o que cons­ti­tui um ter­reno fér­til para a des­con­fi­ança das pes­soas. Para pio­rar a situ­a­ção, na notí­cia do jor­nal Bar­la­vento On-line pode ler-se:


Após uma aná­lise dos ser­vi­ços téc­ni­cos da autar­quia, no pro­jecto foi con­tem­plada tam­bém a subs­ti­tui­ção das árvo­res, já que a mai­o­ria está doente

não se refe­rindo qual­quer estudo rea­li­zado por espe­ci­a­lis­tas em arbo­ri­cul­tura ou pato­lo­gia vegetal.

Ape­sar de alvo de algu­mas crí­ti­cas, por parte de comen­tá­rios anó­ni­mos, a Árvo­res de Por­tu­gal só hoje mani­festa a sua posi­ção, pois ape­nas no dia de ontem, segunda-feira, 22 de Março, nos foi pos­sí­vel obter as infor­ma­ções e opi­niões dos res­pon­sá­veis da CML, neste caso do Vice-Presidente da autarquia.

Afi­nal, as dezas­seis árvo­res foram ava­li­a­das por uma empresa de arbo­ri­cul­tura, per­fei­ta­mente habi­li­tada para rea­li­zar este tipo de tra­ba­lho, ao con­trá­rio do que foi noti­ci­ado. Coloca-se ime­di­a­ta­mente a prin­ci­pal ques­tão: por­que não foram infor­ma­dos os muní­ci­pes deste facto? É a pri­meira vez que o actual exe­cu­tivo muni­ci­pal recorre a uma empresa espe­ci­a­li­zada em arbo­ri­cul­tura, pois nos ante­ri­o­res casos de aba­tes o acon­se­lha­mento téc­nico ficou a cargo de um enge­nheiro agró­nomo, da Direc­ção Regi­o­nal de Agri­cul­tura do Algarve. Incri­vel­mente, nada disto foi vei­cu­lado para os canais de infor­ma­ção, locais ou regi­o­nais, ou da pró­pria câmara, como é o caso do bole­tim municipal.

Con­sul­tei o rela­tó­rio de ava­li­a­ção do estado das árvo­res, pro­du­zido pelos téc­ni­cos da empresa e com data de 17 de Novem­bro de 2009, e as reco­men­da­ções para cada um dos exem­pla­res nele cons­tan­tes. Doze das dezas­seis tílias teriam que ser aba­ti­das devido a pro­ble­mas sani­tá­rios (podri­dões de ori­gem micó­tica, mai­o­ri­ta­ri­a­mente) e bio­me­câ­ni­cos, prin­ci­pal­mente ao nível da parte aérea (das per­na­das e ramos). O sis­tema radi­cu­lar não apre­sen­tava pro­ble­mas de maior.

Tam­bém é refe­rido, para vários exem­pla­res, que estes pro­ble­mas se deviam a inter­ven­ções desa­jus­ta­das como, por exem­plo, podas mal exe­cu­ta­das e rola­gens. Esta parte do rela­tó­rio é par­ti­cu­lar­mente sig­ni­fi­ca­tiva, pois reforça a culpa, ainda que indi­recta, da autar­quia neste triste epi­só­dio, uma vez que foram as inter­ven­ções mal con­du­zi­das, no pas­sado, que leva­ram a este des­fe­cho no presente.

As res­tan­tes 4 árvo­res neces­si­ta­vam de dife­ren­tes graus de inter­ven­ção, nome­a­da­mente de podas de redu­ção da copa e de remo­ção de ramos doen­tes, no sen­tido de pro­te­ger as pes­soas e bens. Assim, os auto­res do docu­mento afir­mam que não lhes repug­na­ria o abate da tota­li­dade dos indi­ví­duos. A opção final da CML por esta solu­ção, segundo o Vice-Presidente da autar­quia, deveu-se ainda ao facto de estas árvo­res irem ficar fora do ali­nha­mento das outras que vão ser plan­ta­das, aquando da requa­li­fi­ca­ção do Praça. A subs­ti­tui­ção das árvo­res aba­ti­das será em número igual e da mesma espé­cie, mas num ali­nha­mento dife­rente, ficando mais afas­ta­das das facha­das dos edi­fí­cios. A minha opi­nião pes­soal, quanto aos moti­vos apre­sen­ta­dos para o abate des­tes 4 exem­pla­res em con­creto, é que difi­cil­mente são sufi­ci­en­tes para jus­ti­fi­car tal opção. Teria sido pre­fe­rí­vel a opção de con­ser­var estas árvo­res, com as inter­ven­ções míni­mas neces­sá­rias para garan­tir a sua con­ser­va­ção, pelo menos até ao desen­vol­vi­mento das novas árvo­res que vão ser plan­ta­das. Este facto refor­ça­ria ainda a men­sa­gem que a autar­quia ape­nas teria aba­tido árvo­res com gra­ves pro­ble­mas de sus­ten­ta­ção, garan­tindo a con­fi­ança das pes­soas nos deci­so­res téc­ni­cos e políticos.

Fica ainda a ques­tão da data esco­lhida que, qual acto de supremo humor negro, coin­ci­diu com a Dia da Árvore. A jus­ti­fi­ca­ção que me foi avan­çada prende-se com ques­tões de trân­sito (menor ao fim de semana) e com o facto de a requa­li­fi­ca­ção do espaço ter iní­cio na pró­xima semana. Na minha opi­nião, a faci­li­dade com que se tomou esta opção não res­peita, de forma alguma, a sen­si­bi­li­dade das pes­soas e parece indi­car total desin­te­resse por essa questão.

A ver­dade é que, ainda que todo o apres­sado pro­cesso possa ter sido feito na maior boa fé, a CML será sem­pre cul­pada de vários “peca­dos”, a saber:

1) Não infor­mou, nem pre­pa­rou, a popu­la­ção da sua cidade (excepto numa reu­nião com os comer­ci­an­tes da Praça) para o abate de árvo­res que mar­ca­ram a infân­cia e a vida de milha­res de pes­soas (em tem­pos havia, inclu­si­va­mente, uma escola pri­má­ria neste local); basta con­sul­tar os blo­gues refe­ri­dos no iní­cio deste texto, para com­pre­en­der a fun­da­men­tada indig­na­ção de várias pes­soas que, de um dia para o outro, e sem qual­quer expli­ca­ção, viram desa­pa­re­cer árvo­res que fize­ram parte das suas vidas durante vários anos.

2) Não publi­cou os resul­ta­dos da ava­li­a­ção rea­li­zada a estes exem­pla­res, de forma a faci­li­tar a con­sulta por qual­quer pes­soa, o que teria per­mi­tido uma dis­cus­são mais escla­re­cida e fun­da­men­tada desta inter­ven­ção (o que é, inclu­si­va­mente, nefasto para a pró­pria ima­gem des­tes res­pon­sá­veis). Dis­cus­são da qual, por exem­plo, pode­ria ter resul­tado a opção de pou­par os 4 exem­pla­res refe­ri­dos que não apre­sen­ta­vam perigo imi­nente de queda. A autar­quia mani­fes­tou uma estra­nha pressa na rea­li­za­ção da acção, o que impe­diu a dis­cus­são do pro­cesso e o evi­tar do mal-estar gene­ra­li­zado entre boa parte da opi­nião pública louletana.

3) No fundo, e para con­cluir, na minha opi­nião, os deci­so­res téc­ni­cos e polí­ti­cos desta câmara mani­fes­ta­ram grande sobran­ce­ria rela­ti­va­mente às pre­o­cu­pa­ções dos seus pró­prios muní­ci­pes. A pressa e falta de escla­re­ci­men­tos, o supremo mau gosto na data esco­lhida, leva­ram à trans­mis­são de uma pés­sima men­sa­gem de dese­du­ca­ção ambi­en­tal com danos, even­tu­al­mente irre­pa­rá­veis, na capa­ci­dade dos muní­ci­pes acre­di­ta­rem, de futura, na boa von­tade de qual­quer inter­ven­ção da CML nos espa­ços ver­des da cidade.

Na entre­vista com o Vice-Presidente da autar­quia, e como é nosso hábito em várias situ­a­ções como esta, fiz ques­tão de dei­xar algu­mas suges­tões, aco­lhi­das com inte­resse, prin­ci­pal­mente no que refere à infor­ma­ção e pre­pa­ra­ção das popu­la­ções para situ­a­ções deste tipo. As câma­ras muni­ci­pais pos­suem vários supor­tes de infor­ma­ção, aos quais recor­rem com frequên­cia e que seriam de toda a uti­li­dade para vei­cu­lar estas infor­ma­ções, nome­a­da­mente os bole­tins muni­ci­pais, pági­nas Web e imprensa local, entre outros.

Seria exce­lente que esta situ­a­ção pudesse ser­vir como um caso de refle­xão para outras loca­li­da­des do país, onde cons­tan­te­mente as pes­soas são con­fron­ta­das com aba­tes e podas de todos os tipos, em grande parte injus­ti­fi­ca­das e não fun­da­men­ta­das tec­ni­ca­mente, sem a mais mínima infor­ma­ção por parte de quem decide.

Ver a fonte aqui:
http://www.arvoresdeportugal.net/2010/03/loule-abate-alameda-de-tilias-no-dia-da-arvore/#more-2303

5 comentários:

  1. Uma Câmara sem escrupulos ? Infelizmente ao longo destes anos que Seruca Emídio está a frente dos destinos de Loulé temos constactado que é uma pessoa pouco sensível mas no que se refere a ganhar votos aí a sensibilidade surge à flor da pele.
    Digamos que nos calhou na rifa desde há 9 anos este rebuçado envenenado. O que se seguirá ? M.B.M.I

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  2. Jorge Silva Santana5:22 da tarde

    A minha solidariedade para com a luta que o macloule tem desenvolvido contra o abate de árvores em Loulé. Confesso que não me sinto totalmente convencido com as justificações do vice-presidente da câmara. E somente dadas após a intervenção da Associação de Árvores de Portugal. Como se os munícipes não existissem. Simplesmente lamentável!!!

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  3. Caro Jorge

    Relativamente à justificação para o abate de doze das tílias, eu próprio verifiquei o parecer individualizado patente no relatório, não tendo qualquer motivo para duvidar para seriedade da empresa que o realizou.

    No que refere às outras quatro, a nossa opinião está patente no texto.

    João
    Obrigado pela referência ao texto.

    Abraço,
    Miguel Rodrigues

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  4. João,

    Reforço as palavras de agradecimento do Miguel pela publicidade à nossa tomada de posição.

    Abraço.

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  5. Miguel Rodrigues: obrigado pelo esclarecimento. Fiquei sem dúvidas!!!

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