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domingo, julho 06, 2008

Retratos da cidade de Loulé: Olhar o Mundo

Olhar a cidade...

...e entrar na alma dos homens...



Embora os meus olhos sejam
Os mais pequenos do mundo
O que importa é que eles vejam
O que os homens são no fundo.

António Aleixo

Boa semana

4 comentários:

  1. Com os avanços e recuos das sociedades, Aleixo lá vai continuando sempre actual, embora o Mundo de hoje já não seja o mesmo dos anos 30 e 40.
    Grande poeta a que todos gostamos de chamar o nosso poeta ! Boa semana. Palma

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  2. Pois é Palma, o "mundo" de Aleixo sempre actual.

    Nem o Bandarra foi tão certeiro.

    Cumprimentos.

    Camila

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  3. À pois pois, o Mundo não é realmente o mesmo daquela época. No tempo do Aleixo, não havia tanto desleixo. No tempo do Aleixo, protestava-se, levávamos na corneta e íamos presos. Hoje protestamos e ninguém nos liga nenhuma. Resta-me a consolação de ler os seus poemas, e sonhar que um dia, se transformem em realidade. Utopia? Cumprimentos.

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  4. Mote

    O meu pai já foi pintado
    C´o pincel do meu avô,
    E c´o pincel do meu pai
    Pintado também já estou.

    Glosas

    Fazendo inveja aos pintores
    Que pintam qualquer boneco,
    Meu avô tinha um caneco
    Com tinta de várias cores;
    Pintou filhos cantadores
    Como eu - que já canto o fado,
    Pintou um muito engraçado
    Que era o meu tio Manel;
    E com o mesmo pincel
    O meu pai já foi pintado.

    Pintou de noite e de dia,
    A pintura não perdeu.
    Pintou para um tio meu
    O caneco da minha tia;
    Já pinta a filha Maria
    Como a mãe dela pintou,
    E pinta porque arranjou,
    Para pintar um marido
    Que tem um pincel parecido
    C´o pincel do meu avô.

    O Aleixo,para pintar,
    Só pinta grandes programas;
    Pinta leitos ,pinta camas,
    Coisinhas de se admirar
    A gente tem de levar
    O pincel p´ra onde vai,
    E da algibeira não sai
    P´ra lhe não porem defeito.
    Eu trago um que foi feito
    Com o pincel do meu pai.

    Gosto de fazer pinturas
    Quando sai coisa distinta;
    Havendo caneco e tinta
    Por pincel não há procuras,
    Pinto de noite às escuras,
    Pintar,ninguém me ensinou,
    Foi Deus que assim me dotou
    P´ra pintar a qualquer hora;
    Eu pintei muito e agora
    Pintado também já estou.

    António Aleixo

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