Do Sofrimento à Distância
Mais uma tragédia de início de milénio. Desta vez no Chile...
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No dia que os políticos ouvirem os técnicos neste rectângulo à beira mar plantado e no dia em que uma boa parte dos estudos científicos encomendados não fiquem depois na gaveta a fervilhar em bolor, nesse mesmo dia, Portugal dará um enorme salto civilizacional.

Pacheco Pareira escreve no seu blogue sobre a conivência de uma boa parte dos jornalistas com a situação gerada pelo governo de Sócrates no controlo sobre os meios de comunicação social. Não poderia estar mais de acordo. Por cá, pelo concelho de Al-‘Ulyã e arredores, tem sido deplorável o silêncio editorial de uma boa parte dos jornais e dos jornalistas da nossa praça, face ao maior ataque desde a revolução de Abril, à autonomia relativa do campo jornalistico. Sinal de conivências e de um jornalismo que tem muito que caminhar face às suas múltiplas dependências.
Mas as dependências, as conivências, as cumplicidades e os anestésicos de que vos quero voltar a falar são aqueles que se encontram no interior do partido socialista. O silêncio de uma boa parte daqueles que participaram na revolução de Abril é intolerável. Os "boys" que fizeram carreira nas juventudes partidárias, completamente desideologizados, e à espera da "sua vez" nos lugares do poder, sendo já de si lamentável este seu comportamento, ainda se poderia compreender a sua fidelidade incondicional. A sua estrutura e consciência política não lhes permite mais sonhos do que este simples pragmatismo na luta pelo seu status social. Mas de todos aqueles que sempre falaram em nome da liberdade, esperava-se muito mais. O seu silêncio é aterrador.
Estou a ler "O livro negro do comunismo". É fascinante perceber como perante o assassínio institucionalizado em massa, a crença ideológica e a loucura pela manutenção e conquista do poder silenciam todos aqueles que se esforçam para não ver o que é óbvio, pois são parte interessada na estória. De resto, o crime contra a humanidade que foi Auschwitz-Birkenau, para além de ter sido cometido por uma boa parte da inteligência de topo da altura, só foi possível com a conivência e o silêncio quase generalizado do povo alemão. É claro que estes são dois exemplos que não são comparáveis no seu horror e terror com o que está por cá a acontecer com a liberdade de imprensa. Mas não deixa de ser comparável na cegueira colectiva no interior do partido socialista. Honre-se as pouquíssimas excepções. Quando o partido socialista acordar deste pesadelo, vamos ver aquilo que resta. A situação presente não augura nada de bom para o futuro.
PS: Ver aqui o texto de Pacheco Pereira sobre o comportamento dos jornalistas: http://abrupto.blogspot.com/
Nota de Imprensa
O Bloco de Esquerda (BE) de Loulé realizou, na passada 6ª feira, uma sessão pública para apresentação do balanço dos 100 dias de intervenção autárquica. Recorde-se que o BE de Loulé elegeu, nas últimas eleições autárquicas, um deputado para a Assembleia Municipal de Loulé (AML), em apoio do qual se constituiu um grupo de trabalho autárquico que tem vindo a desenvolver uma intervenção política, alvo de discussão na referida sessão.
Aos aderentes, amigos e representantes da comunicação social presentes, o Bloco fez o ponto de situação das acções desenvolvidas em cada uma das áreas, propostas como compromisso eleitoral junto dos munícipes louletanos:
1. Exigência de maior rigor e transparência na gestão municipal: através da solicitação de parecer público sobre a eventual incompatibilidade das funções dos presidentes de Junta nomeados para o Gabinete de Apoio Pessoal do Presidente da Câmara; através de requerimento a solicitar a apresentação, na AML, dos documentos empresariais e financeiros das Empresas Mistas InfraLobo, InfraQuinta e InfraLago, da Empresa Municipal LC Global e da Empresa Intermunicipal Parque das Cidades, com vista ao estudo da sua racionalização e adequação municipal e à poupança de custos aos munícipes.
2. Defesa dos direitos sociais e melhoria da qualidade de vida: através da proposta de desagravamento e isenção das taxas fiscais no concelho e a sua transferência para investimentos destinados a equipamentos e fundos sociais, destinados aos sectores mais desfavorecidos do concelho; através da recomendação para identificação dos prédios degradados e devolutos, há mais de um ano no concelho, com vista à mitigação do problema da falta de habitação condigna.
3. Proposta de um desenvolvimento sustentável e participado: através de sugestões e recomendações na discussão pública dos Planos de Urbanização de Quarteira Norte/Nordeste e de Vilamoura XXI e de questionamentos ao governo sobre projectos como a Quinta da Ombria e o Aterro Sanitário do Sotavento, e ainda de questionamento à Câmara sobre a localização do empreendimento IKEA; através de proposta de integração, no Plano Director Municipal de Loulé, do interesse de criação de uma reserva natural de âmbito local na foz da Ribeira do Almargem.
Durante o ano de 2010 o Bloco de Esquerda de Loulé pretende consolidar as propostas e acções já desenvolvidas, e ainda avançar com a proposta de instalação do Provedor Municipal e do Conselho Municipal de Juventude. Pretende, ainda, realizar um conjunto de discussões públicas dedicadas a temas de interesse municipal como ‘o desenvolvimento económico-social do concelho’ e ‘o papel do turismo na economia do concelho’. E, ainda, desenvolver uma campanha de estímulo à participação cidadã na revisão do Plano Director Municipal de Loulé, com vista a uma maior coesão territorial.
Loulé, 15 de Fevereiro de 2010
A Comissão Coordenadora Concelhia de Loulé
Ver aqui a fonte: http://loule2009.blogspot.com/2010/02/balanco-dos-100-dias-de-intervencao.html
A 'central' do Governo
"A história da tal ‘central’ de propaganda do Governo pode parecer uma brincadeira, mas não é: nos últimos anos o Governo de José Sócrates usou meios públicos para fazer propaganda e campanha eleitoral. Quais? Assessores, chefes de gabinete, membros do Governo usaram o seu tempo, pago pelo erário público, instalações do Estado, meios informáticos públicos e informação privilegiada para fins de combate político. Como o CM demonstra nesta edição, o Governo alimentou blogues de campanha eleitoral daquela forma, mas também outros que antes e depois do tempo de eleições continuaram a ser a barriga de aluguer de argumentários e documentos pré-fabricados. Há preparação para responder a questões difíceis, por exemplo com perguntas e respostas sobre o caso BPN, ou manipulação de números sobre o investimento público, como o TGV. É tudo à vontade do freguês... Para quem ainda há menos de 15 dias enalteceu os valores da ética republicana este é um caso politicamente desastroso e de uma legalidade muito duvidosa. A utilização de meios do Estado, pagos pelos contribuintes, não consta de nenhum manual de história como um dos ‘valores’ do dito ideal republicano. O pagamento aos serventuários com as habituais benesses de nomeação para cargos também não. Mas com tal Governo tudo é possível..."
Eduardo Dâmaso in Correio da Manhã de 17/02/2010
Ps: Não é o Sol, nem o Público, nem a TVI, nem o Expresso, nem a Manuela Moura Guedes, nem o Jornal Nacional de Sexta-Feira, nem o bloguer Balbino Caldeira, nem o professor Charrua, nem o Mário Crespo, nem o Moniz, nem o Marcelo de Sousa e nem tem nada que ver com os quatro milhões de contos que financiam os jornais na Madeira e que a transformam num jardim. O Eduardo Dâmaso é provavelmente mais um "problema" que precisa de "solução". Já não é um problema de respiração. É de asfixia. Aqui pelo concelho de Loulé, eles também andam por aí...
Há por aí alguns blogues da situação que me fazem lembrar o Ministro da Informação do Iraque, Mohammed Saeed Al-Sahhaf. Já as tropas americanas estavam dentro de Bagdad e o Ministro da Propaganda continuava a anunciar o inferno americano.
Ver aqui: http://ssebastiao.wordpress.com/2010/02/12/sol-em-dia-chuvoso/;
aqui: http://asvozesdosoutros.blogspot.com/2010/02/ainda-liberdade-liberdade-liberdade-e.html;
Para: Presidente da Assembleia da República, Dr. Jaime Gama
O primeiro-ministro de Portugal tem sérias dificuldades em lidar com a diferença de opinião.
Esta dificuldade tem sido evidenciada ao longo dos últimos 5 anos, em sucessivos episódios, todos eles documentados. Desde o condicionamento das entrevistas que lhe são feitas, passando pelas interferências nas equipas editoriais de alguns órgãos de comunicação social, é para nós evidente que a actuação do primeiro-ministro tem colocado em causa o livre exercício das várias dimensões do direito fundamental à liberdade de expressão.
A recente publicação de despachos judiciais, proferidos no âmbito do processo Face Oculta, que transcrevem diversas escutas telefónicas implicando directamente o primeiro-ministro numa alegada estratégia de condicionamento da liberdade de imprensa em Portugal, dão uma nova e mais grave dimensão à actuação do primeiro-ministro.
É para nós claro que o primeiro-ministro não pode continuar a recusar-se a explicar a sua concreta intervenção em cada um dos sucessivos casos que o envolvem.
É para nós claro que o Presidente da República, a Assembleia da República e o poder judicial também não podem continuar a fingir que nada se passa.
É para nós claro que um Estado de Direito democrático não pode conviver com um primeiro-ministro que insiste em esconder-se e com órgãos de soberania que não assumem as suas competências.
É para nós claro que este silêncio generalizado constitui um evidente sinal de degradação da vida democrática, colocando em causa o regular funcionamento das instituições.
Assistimos com espanto e perplexidade a esse silêncio mas, respeitando os resultados eleitorais e a vontade expressa pelos portugueses nas últimas eleições legislativas, não nos conformamos. Da esquerda à direita rejeitamos a apatia e a inacção.
É a liberdade de expressão, acima de qualquer conflito partidário, que está em causa.
Apelamos, por tudo isto, aos órgãos de soberania para que cumpram os deveres constitucionais que lhes foram confiados e para que não hesitem, em nome de uma aparente estabilidade, na defesa intransigente da Liberdade.
Promotores do Manifesto:
Ana Margarida Craveiro
Manuel Falcão
Vasco M. Barreto
Rui Tabarra e Castro
Henrique Raposo
Adolfo Mesquita Nunes
Luís Rainha
Laura Abreu Cravo
Manuel Castelo-Branco
Paulo Morais
Gabriel Silva
Tiago Mota Saraiva
Alexandre Borges
João Gonçalves
Rui Cerdeira Branco
João Miranda
Nuno Miguel Guedes
Fernando Moreira de Sá
Vasco Campilho
Nuno Gouveia
Carlos Nunes Lopes
Sérgio H. Coimbra
Maria João Marques
Hélder Ferreira
Manuel Castro
Alexandre Homem Cristo
Henrique Burnay
Carlos Botelho
André Abrantes Amaral
Francisco Mendes da Silva
Carlos M. Fernandes
João Moreira Pinto
João Vacas
Jacinto Moniz Bettencourt
José Gomes André
Afonso Azevedo Neves
Ricardo Francisco
Sofia Rocha
Miguel Noronha
Pedro Pestana Bastos
Raquel Vaz-Pinto
Manuel Pinheiro
Nuno Branco
Carlos do Carmo Carapinha
João Condeixa
Carlos Pinto
Luís Rocha
Rodrigo Adão da Fonseca
Gisela Neves Carneiro
Nuno Pombo
Rui Carmo
Os signatários
Pode assinar aqui: http://www.peticaopublica.com/?pi=P2010N1213
É absolutamente inacreditável que o Presidente da República Portuguesa, Aníbal Cavaco e Silva, não se pronuncie sobre as relações entre o governo de Sócrates e a comunicação social. É absolutamente inacreditável que a liberdade de imprensa, um valor basilar em qualquer democracia civilizada, seja tratada como uma telenovela, como se nada estivesse a acontecer. É absolutamente inacreditável que os Alegres, os Soares e os Sampaios deste mundo, assistam a tudo isto, no mais incrível dos silêncios. Há alturas na vida em que os favores, as dependências e as conivências, deixam de ter valor de troca. E já chegámos a esse ponto.