sexta-feira, setembro 30, 2016

Morreu O Rui

Esta semana morreu o Rui. Sim, o Rui que me pedia todos dias uma moeda de um euro para fazer com ela o que bem lhe apetecia. Há uns poucos anos atrás com a ajuda do facebook e a sensibilidade da autarquia consegui tirá-lo da rua onde dormia. Sem emprego. Sem vida digna desse nome. Com deficiências fisícas claras. O Rui vivia nas margens de uma sociedade que despreza aqueles que não consegue integrar. Desenrascava-se como podia. E todos os dias se levantava da cama para percorrer as ruas da cidade onde existia. Ao frio. À chuva. Ao calor. Ao relento. Quantas vezes não lhe disse nas madrugadas de Inverno quando com ele me cruzava na rua, agasalha-te Rui que o frio não perdoa. Nos últimos tempos disse-me esperar por uma consulta em Lisboa que nunca mais chegava. Não sei se algum dia chegou. Morreu o Rui. Não sei se alguém reparou. É normal que nenhum de nós tenha reparado. Andamos todos demasiado ocupados com as nossas vidas.

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