terça-feira, setembro 08, 2015

O Carro De Jagrená, Descontrolado, Em Alta Velocidade

Hoje dei comigo a pensar que é muito interessante que algumas das mesmas pessoas que invocam a globalização para justificar, por exemplo, a instalação de uma multinacional como o IKEA junto da sua porta e o discurso associado de que não se pode impedir o "progresso" e a "modernização" são muitas vezes das primeiras a indignar-se com a entrada de refugiados do outro lado do mundo junto das suas casas. A globalização do capital parece ter em muitos casos um maior grau de legitimidade e aceitação social do que a globalização da circulação humana de pessoas, sobretudo quando elas são estranhas e estão associadas à pobreza e ao subdesenvolvimento. Num mundo global e extraordinariamente desigual, o movimento, a mobilidade, a inquietude, a incerteza e as contradições são a norma. A grande questão é como construir em conjunto uma coabitação socialmente e culturalmente pacífica. E isso passa por diminuir as brutais desigualdades sociais à escala mundial e redistribuir de forma mais justa a riqueza. A alternativa à construção de uma sociedade mais justa são mais guerras e mais muros. É também por isso que a Europa da austeridade ou arrepia rapidamente caminho ou fará cada vez mais parte deste sério problema.

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