quarta-feira, setembro 02, 2015

Comigo Ninguém Ficará Para Trás


"Hoje, dei uma volta pela minha terra natal. Falei aqui, ouvi ali, ouvi mais que falei, e uma perfeita desgraça. Gente sem dinheiro para pagar a água, a luz. Gente que me descreveu o que se comia e como se comia em casa, designadamente com crianças. Então, a gente mais idosa e impotente perante o muro da vida. Por todo o lado, rostos de tristeza com mágoa engolida e necessidades abafadas por vergonha. Uns, depois do primeiro desabafo, não contiveram lágrimas que ficaram paradas. Outros, pensando que eu era indiferente, olharam-me de alto a baixo e percebi que o seu silêncio era de medo, medo de qualquer coisa, medo de perderem qualquer coisa pouca mas mínima, como quem receia perder o mínimo com que conta. Fui tendo a sensação de indícios de um terramoto debaixo dos pés em que ninguém acredita mas que no seu potencial grau 7 na escala social de Richter, já é tarde."
 
Texto lido no facebook de Carlos Albino.
 
PS: Sim, seria desonesto da minha parte dizer que a responsabilidade pela catástrofe é do executivo autárquico num contexto em que se foi "além da Troika"  (com uma enorme responsabilidade do arco da (des) governação) mas de toda a forma foi uma promessa eleitoral, ou estarei enganado? 
 

Sem comentários: