Há poucas semanas atrás o jornal O Louletano resolveu sair para a rua e mostrar que as notícias não são só feitas da reprodução das versões oficialmente instituídas pelos poderes dominantes e foi entrevistar uma mãe que tinha estado nas célebres filas de cinco dias e cinco noites na Casa da Primeira Infância.
Após uma magnifica maratona, que supera em temporalidade, quaisquer das maratonas de futebol de salão organizadas no nosso pequeno reino de taifa, o que aconteceu a esta mãe e ao seu pequeno rebento? Quais foram ao fim e ao cabo os resultados da espera? Não entrou. E não entrando o seu querido filho, foi a mãe querer saber das razões de tal selecção, uma vez que até era das primeiras da lista.
Pois é. Ficámos a saber através desta boa reportagem do jornal O Louletano (aproveito para dizer, que isto sim, é bom jornalismo) que a criança foi penalizada na ordenação da lista porque a sua mãe estava desempregada e um dos critérios penalizadores é precisamente este.
Ficamos então a saber que se a mãe está desempregada é porque pode cuidar do seu filho em casa, ora tomem lá que já almoçaram, e se pode cuidar do seu filho em casa então irá certamente continuar desempregada. É a chamada dupla descriminação cujo efeito perverso é então o circulo vicioso do desemprego.
Fiquei a saber também, este ano, que a minha criança, na escola onde a matriculei, na minha área de residência (vale sempre a pena esclarecer, não é) não entrou no pré-escolar e que entraram sessenta e nove crianças este ano, estando sessenta e oito já à sua frente na lista do próximo ano lectivo.
Será que este regabofe é para continuar durante muito mais tempo? É que é por aqui que as famílias agradeciam o apoio do Estado e das autarquias. Ou não será assim?
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quarta-feira, agosto 06, 2008
Cinco dias e cinco noites à espera da Primeira Infância
À espera da Primeira Infância...
Faço da vida um caminho em que a felicidade está nas pequenas grandes coisas que o mundo nos permite desfrutar.
"Carpe Diem"
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