A minha Lista de blogues

sábado, novembro 07, 2009

O novo governo: impressões digitais

1. Na noite em que Sócrates perdeu a maioria absoluta, o novo (?) governo deu o mote através do seu ministro Maquiavel, Augusto Santos Silva. Ainda os votos não estavam contados na sua totalidade e já Santos Silva apelava à "responsabilidade" da oposição. A partir de agora, tudo o que fizer ou não fizer e decidir ou não decidir, o governo, cabe à oposição o ser responsável por tal coisa. O governo de Sócrates, é especialista, em colocar as coisas, de cabeça para baixo.

2. Depois apareceu o grande líder em cena e decretou: Meus senhores, a partir de agora, decreto, que temos que passar a "negociar". E mais vos digo, negociar significa, os senhores fazerem, precisamente, aquilo que eu quero, que os senhores façam. O conceito de negociação, que tradicionalmente significou que as partes discutem e decidem a partir dos pontos de vista que cada um defende, ganhou uma nova significação semântica. Negociar, agora, significa, adaptação ao ponto de vista do mais bem colocado nas assimétricas relações de poder. Um pouco à maneira do conceito antropológico de assimilação.

3. Novo governo. Novos actores. Continuação das mesmas políticas. A arrogância governativa da maioria absoluta tem dificuldade em se adaptar às novas circunstâncias. Os tempos que aí estão são tempos difíceis. Coitados dos portugueses. Da nova equipa governativa há uma facto fundamental. Os ministérios dos negócios e do poder são controlados pelos políticos. Coisas de menor importância como o Ambiente, o Trabalho e Solidariedade Social, e de novo, a Cultura, são entregues a ministros de pouco peso. A leitura faça-a quem a quiser fazer. Há os que concentram o poder e os que executarão, em função, do poder, que os outros lhes concederem.

4. Em termos ideológicos a matriz dominante neoliberal continua de corpo e alma. Na apresentação do programa de governo Luís Amado já deixou claro. O PCP e o BE são partidos "geneticamente contrapoder" (qualquer coisa como se até em regimes comunistas o PCP optasse por fazer oposição a si próprio). O PSD é o partido da instabilidade. O CDS é aquele com quem o PS se pode governar. E aproveitou para "decretar" onde pode o CDS "negociar". O PS para agir em coerência (palavra estranha para este partido) deveria ser aconselhado a mudar de nome. É o que ainda resta, ao partido, que se diz socialista.

5. Nem tudo é mau no reino da macacada. Estou convicto que o parlamento sai dignificado e disso mesmo deu sinal a elevação da discussão do programa governamental. Desde logo porque a qualidade dos seus actores melhorou. Manuela Ferreira Leite esteve ao seu melhor nível. José Manuel Pureza tem condições para vir a ser um líder parlamentar de excelência. Pacheco Pereira é indiscutivelmente uma mais valia nacional. Miguel Vale de Almeida vai ser uma personagem de quem muita gente vai ouvir falar. Não tenho dúvidas que estes e muitos outros que agora chegaram podem melhorar a qualidade da democracia parlamentar (excluía aqui a deputada do PCP, licenciada em relações internacionais, que considera que o Goulag deve ter sido uma "experiência" interessante). Sócrates não gosta. Mas Portugal precisa. Para que a face oculta da nação se torne cada vez mais transparente.

sexta-feira, novembro 06, 2009

Da Avaliação de Desempenho

Os professores e os alunos sabem que a avaliação é das questões mais delicadas do processo de ensino-aprendizagem. E sabem que 0. 025 valores podem gerar uma tempestade. Avaliar, quer queiramos, quer não queiramos, não consegue deixar de ser um acto de julgar. E ninguém convive em paz com um julgamento percepcionado como injusto. Os melhores Gestores de Recursos Humanos, também sabem bem, que pior do que não ter nenhum sistema de avaliação de desempenho, é implementar, um sistema de avaliação de desempenho, que fabrica injustiças, consideradas, injustas. Se isso acontecer a empresa arrisca-se a entrar em convulsão.

Ora leiam lá esta notícia da página 2 do Público de hoje, com especial atenção para o último parágrafo:

"José Sócrates defendeu ontem que "seria irresponsável suspender a avaliação quando 48 mil a 49 mil docentes já foram avaliados"; os partidos da oposição, os sindicatos e as associações de professores contra-argumentam que ter em conta as classificações deste primeiro ciclo é que será "irresponsável" e "injusto".

Os professores reclamam duas coisas distintas. Por um lado, que o actual modelo de avaliação seja suspenso, não se iniciando na prática (com a entrega dos objectivos individuais, que as direcções das escolas calendarizaram para Dezembro ou Janeiro) o segundo ciclo de avaliação (relativo a este e ao próximo ano lectivo). Em relação ao primeiro ciclo avaliativo, que termina a 31 de Dezembro, pedem que a classificação não seja tida em conta para a progressão na carreira e para os concursos.
Sustentam este segundo pedido na disparidade de critérios seguidos por cada uma das escolas. Um exemplo: se nalgumas as direcções se recusaram a avaliar os docentes que não entregaram os objectivos individuais, noutras os professores puderam entregá-los em Agosto, depois de concluído o período a avaliar, havendo ainda casos de colegas que foram avaliados sem os terem apresentado, sequer."

in http://jornal.publico.clix.pt/noticia/06-11-2009/injusto-e-suspender-ou-nao-suspender-18166733.htm

Elevar o Gosto

O Mare e Tu - Andrea Bocelli & Dulce Pontes



Um óptimo fim de semana para todos!

quinta-feira, novembro 05, 2009

Socorro! Não Há Algarvios No Governo

Li hoje nas Quintas do Algarve e fiquei deveras preocupado. Não há algarvios no Governo da Nação...e não há pretos, homossexuais, prostitutas e toxicodependentes na vereação da Câmara de Loulé...que horror!

Ciganos: Nomadas?

Há uns tempos atrás, o Helder Raimundo, do blogue Contrasenso, colocava esta questão, remetendo para um interessante estudo do Antropólogo André Correia e fez-me regressar a meados dos anos noventa e a revisitar o meu relatório de investigação de final de licenciatura. Intítulava-se "O conflito social no bairro da Casinha: Etnicização e auto-etnicização de uma população minoritária". E nas páginas 26 e 27 escrevia eu assim: "Quanto à localização espacial onde se situam os ciganos, estes habitam clandestinamente um terreno paralelo ao parque de campismo, situado no lado oposto à habitação do bairro, cujo proprietário é a Câmara Municipal de Évora; constatando-se uma visível segregação entre a zona habitacional de população não cigana e dos ciganos ali instalados. Constata-se também a existência de duas situações distintas; em que por um lado, habitam ali permanentemente os ciganos sedentários e por outro lado, existem os nómadas, que se instalam temporariamente, em vésperas de feiras e mercados, nos arredores de Évora, ou quando estão de passagem para outras localidades do Alentejo em que se realizam também mercados e feiras. Quanto aos sedentários denota-se por parte destes uma forma de apropriação do espaço através da construção de barracas existindo naquele local um número total de nove. Quanto aos nómadas, a sua apropriação do espaço, faz-se através de tendas, dependendo o número destas, ali naquele terreno, do número de nómadas que ali estão acampados. As tendas são constituidas de lona, de plástico, e ainda de papelão, suspensas pela colocação de paus no interior das mesmas. Constatámos também a inexistência de infra-estruturas tais como água, luz eléctrica e condições higiénico-sanitárias. Quanto aos sedentários são quarenta e nove, segundo dados da Câmara Municipal de Évora, portanto estando estes ali a viver permanentemente, constituindo sete familias. Quanto ao número de nómadas, depende sobretudo dos mercados e feiras ocorrentes, mas segundo o nosso informante-chave da Câmara Municipal, chegam a estar nos dias de maior afluência, tantos como os sedentários. Os ciganos sedentários situam-se naquele terreno há catorze anos e o seu aparecimento naquele bairro deve-se ao uso daquele terreno para feiras de gado em que eles vinham participar, transacionando gado, permanecendo posteriormente naquele local, em definitivo, optando pela sedentarização. Anteriormente à vida sedentária, também nomadizavam, como nos relata o nosso informante cigano: "a gente nunca viviamos certo, tá a ver, era hoje aqui e depois iamos para outro lado está a ver, andávamos sempre assim, quando andávamos com carroças, agora já não, como já temos carros e coisas; quando viemos para aqui, ainda andemos com carroças, de carro e besta tá a ver, hoje estávamos aqui, amanhã podiamos estar em Montemor, depois em Arraiolos, andávamos assim e há catorze anos para cá vivemos aqui, nunca mais abalámos daqui, prontos"."

O problema na época, há quase quinze anos já era, o da intolerância racial. Querendo fixar-se, numa boa parte das vezes, o que acontece, é que são obrigados a nomadizar. Os ciganos continuam a ser na sociedade portuguesa, "os outros", aqueles com quem nunca casariamos os nossos filhos e filhas. Aqueles que só "aceitamos" se tiverem bem longe, de "nós".

Este é o post do Helder do Contrasensos:


Ciganos: Nómadas?

A ideia de que os ciganos são eternamente nómadas está posta de parte há muito tempo. Surgida da diáspora desta etnia, fugida de genocídios por toda a Europa - e em particular ao holocausto nazi - a ideia ganhou foros de romantismo nos nossos tempos, habituados a vê-los escorraçados de terras e barracas, dos campos e das periferias das cidades. O antropólogo André Correia desfaz esta ideia, num estudo apresentado em Beja.
Ler mais aqui: http://reapnimprensa.blogspot.com/2009/10/ciganos-entre-tolerancia-e-expulsao-no.html


Ver aqui: http://contrasensus.blogspot.com/2009/10/ciganos-nomadas.html

quarta-feira, novembro 04, 2009

Os Blogues do Concelho e o Presidente da Junta de Freguesia de São Sebastião

Caro senhor Presidente da Junta de Freguesia de São Sebastião. Não me arrogo de representar a voz dos blogues do Concelho de Loulé, mas não posso deixar de me arrogar a representar a mim mesmo. E não posso deixar de repudiar veementemente as suas palavras na tomada de posse do novo mandato para a Junta a que vossa excelência preside, no que toca à blogosfera concelhia. Saiba vossa excelência que vivemos em democracia e que felizmente, ou infelizmente, conforme o entendimento que as boas almas têm da mesma, a liberdade de expressão, é um dos bens mais preciosos que a revolução dos cravos nos permitiu a nós, cidadãos comuns, disfrutar. Já se percebeu que o senhor com as suas já frequentes referências à blogosfera louletana não prima propriamente por morrer de amores pela crítica pública e pelo livre escrutínio da forma de exercício do poder político. A blogosfera não é mais do que um suporte utilizado pelos cidadãos para manifestarem a sua opinião em relação à forma como é gerida a coisa pública. Tem razão o senhor quando se queixa de possíveis injúrias realizadas no espaço blogosférico, mas para isso existem as leis e os tribunais e o senhor deve agir em conformidade e não partir para a "censura" da blogosfera do concelho. Saiba que tenho todo o direito de opinar políticamente e a minha opinião em relação à sua gestão da freguesia é muito desfavorável. Para mim, o senhor será sempre o presidente de São Sebastião do tempo em que a cidade encolheu. Não lhe fica nada bem na tomada de posse a sua referência negativa à blogosfera louletana. Apenas revela a sua enorme dificuldade em fazer face à crítica pública. Pode imprimir mais esta página e juntar às já centenas da sua colecção. No dia que alguém fizer a História desta época, da Freguesia de São Sebastião, estará concerteza perante uma boa base documental para compreensão de um determinado modo de governação.

Com os melhores cumprimentos
João Martins

PS: O tempo e a energia que vossa excelência dispensa a reagir à blogosfera louletana, podia, por exemplo, dispender em zelar pelo acerto das horas dos relógios públicos (sim, públicos) da freguesia. É que pelo terceiro ano consecutivo (sim, o terceiro) as horas não acertam com a hora de Inverno e para sua informação e conhecimento, a hora já mudou há perto de uma semana.

A Araucária

Ver aqui o post que enviei para o sítio das Árvores de Portugal.

http://www.arvoresdeportugal.net/2009/11/a-araucaria/

terça-feira, novembro 03, 2009

Claude Lévi-Strauss - 1908/2009



Morreu um dos grandes monstros sagrados da Antropologia Mundial. Um dos nomes maiores do estruturalismo francês. Morre numa época em que o actor se emancipou das estruturas sociais. Deixa uma obra imensa, que legará para sempre, a todos os cientistas sociais. Paz à sua alma.

Imagens que falam por si



Quando em vésperas de eleições autárquicas o dr. Emídio veio para os jornais esclarecer a populaça que era "necessário" rever o PDM, imaginei logo o que estava por aí a vir. Há-de o mar engolir a terra e o dr. Emídio andará concerteza no seu gabinete com água pelas canelas e de calças arregaçadas, a aprovar licenciamentos à beira mar plantados...e a fazer festas das bruxas...

Ver aqui: http://calcadaodequarteira.blogspot.com/2009/11/alterando-planos-de-pormenor.html

Ps: Foto via Calçadão de Quarteira.

O Taxista, a Dona Corrupção e o Sistema de Justiça em Portugal

Acabadinho de chegar a casa. Do longo dia de hoje, destaco a minha viagem de táxi do centro de Lisboa até ao Oriente. O taxista começou por me dizer que tinha transportado uma importante figura da justiça portuguesa. Um juíz. Juíz este, que lhe tinha dito que estava difícil arranjar um táxi em Lisboa. O taxista não se fez rogado e respondeu: "Deixe lá. Não arranjar táxi rapidamente pode não ser grande problema. Grave, grave, é quando não se consegue fazer justiça".

Depois mostrou-me um livro que trazia no banco da frente. A autora era Sofia Pinto Coelho e o livro "As extraordinárias aventuras da justiça portuguesa". Fiquei a saber que o taxista foi convidado para a apresentação do livro e fez questão de lá estar presente: "Era eu lá no meio daquela gente toda importante". Era "eu", lá, no meio, "deles".

Segundo me descreveu, em reacção às críticas ao sistema de justiça que por lá se fizeram, toda a minha gente assobiou para o lado. Quando a culpa é de todos, é sabido que a culpa não é de ninguém. Ouve-se a crítica e pensa-se de imediato que é uma excelente crítica ao vizinho do lado.

Aprendi com o taxista que a Sofia Pinto Coelho é filha da Maria Filomena Mónica. E que na apresentação do livro por lá esteve o António Barreto. Chegado a Oriente lá reforcei as convicções feitas do taxista. O António Barreto tem razão, a justiça é a coisinha pior que temos em Portugal. Fechei a porta do automóvel e pensei para com os meus botões: "O que a gente pode aprender num táxi"!

Esta semana que agora passou regressou em força a mediatização dos sempre "inexistentes" crimes de "colarinho branco" em Portugal. Penso que temos alguns progressos. Não sei se existe hoje mais corrupção do que há quarenta anos atrás. Duma coisa tenho a certeza. A visibilidade social da corrupção é bem maior hoje em dia. Mas o progresso não fica por aqui. Os crimes de colarinho branco já chegam aos tribunais o que quer dizer que já são investigados. E a opinião pública e publicada indigna-se. O que quer dizer que a tolerância face ao fenómeno vai diminuindo. Falta agora o mais difícil. Que os tribunais funcionem e que se apurem culpados e inocentes.

A elevada tolerância à corrupção em Portugal tem uma herança cultural pesada, que não se muda de um dia para o outro. A cunha, as trocas de favores, os "pedidos" a gente de bem, os interesses mais ou menos partilhados e facilitados, as influências que rendem beneficios e vantagens sociais, têm um largo historial na sociedade portuguesa. A indignação pública resultante da visibilidade mediática é uma parte do caminho que falta caminhar.

Um país onde a justiça não funciona e um país que tem a percepção subjectiva de que a corrupção compensa, é um país para sempre adiado. Sem capacidade de fazer justiça, não há democracia que resista. Como dizia alguém numa pastelaria louletana onde costumo tomar o pequeno almoço: "Assim eu também vou fazer falcatrua pois a coisa parece que compensa". E o pior é quando quase todos pensamos assim. O parvo, passa a ser, aquele que cumpre as regras.

segunda-feira, novembro 02, 2009

Elevar o Gosto

Queen - Bohemian Rhapsody



Freddie was the best of your time.

Boa semana de trabalho para todos os que ainda o conseguem manter!

domingo, novembro 01, 2009

Imagens das Terras de Loulé

Queremos ver sempre à distância
o que não está descoberto,
Sem ligarmos importância
ao que está à vista e perto.

António Aleixo