terça-feira, maio 27, 2014

Proscrito, Pelo Senhor Presidente Da Câmara Municipal de Loulé

1.Hoje de manhã recebi um telefonema em que a realidade ultrapassou a minha imaginação. Um pouco à imagem daquela realidade que sempre nos espanta quando ultrapassa aquilo que só pensávamos imaginável nos filmes de ficção cientifica em que as personagens centrais se moviam nos contextos da ex-união soviética. Era o senhor Presidente da Câmara Municipal de Loulé que me fez questão de dizer directamente ao telefone que devido ao facto de eu ter, em seu entender, ultrapassado as fronteiras por si estabelecidas num protesto que fiz sobre uma decisão arbitrária e prepotente do executivo socialista e portanto, demonstrando a sua solidariedade com o Vereador e Vice-Presidente, Hugo Nunes, não me receberia no dia a seguir como eu pretendia e tinha marcado na sua agenda.
 
Agradeci o telefonema e esclareci que eu mesmo estive para desmarcar o encontro pois se nada espero deste executivo na resolução dos problemas dos cidadãos e dos meus problemas particulares era tempo perdido deslocar-me à CML para falar com quem gere os destinos das pessoas. É que eu também tenho fronteiras que foram claramente ultrapassadas por este executivo e não falo do facto do senhor vice-presidente não ter sido capaz de desmentir, por não querer ser cínico, que houve uma concertação do aparelho do PS/Loulé, quando o senhor vereador ainda aspirava a ser vice, para me deixarem abandonado e desesperado à porta da escola quando era a qualidade da escola pública que estava em jogo, apenas por mero calculismo eleitoralista.
 
Não, não falo disso. Falo do senhor vereador responsável pelo lixo me ter mandado resolver o problema do contentor do lixo à minha porta, para tribunal. Falo do austeritarismo desse mesmo vereador e da incapacidade lastimável de ouvir o problema dos cidadãos (esta semana aconteceu mais um episódio com a esplanada em frente ao snack bar "O Chafariz" de bradar aos céus, o café da irmã do outro, que por mero acaso sou eu) e da sua incapacidade aceitar o protesto legitimo dos cidadãos.
 
Falei com o senhor presidente de Junta de Freguesia e o senhor Vice-Presidente a quem disse que se a localização do contentor do lixo é "inevitável" também é "inevitável" que eu proteste 365 dias por ano. Se os políticos locais à imagem dos nacionais estão habituados ao jogo da mentira eu faço questão de levar a minha palavra muito a sério.  
 
Falo ainda das ameaças veladas do vereador Hugo Nunes de criminalizar quem protesta ou mesmo os avisos latentes do "põe-te a pau ou ainda levas por aí uma carga de porrada". Não há tolerância que resista a isto e portanto, de fronteiras estamos falados que quem levou com o lixo imposto autoritariamente à janela da minha cozinha fui eu.
 
2. Mas já que o senhor presidente não me recebe fazendo claro juz à leitura que eu já tinha feito de isto ser uma governação ao serviço do partido e dos amigos do partido aqui deixo em exposição escrita as questões que lhe ia apresentar de forma breve.
 
2.1 - Urgências e Centro de Saúde Loulé - Como cidadão do Concelho exigir que a autarquia eleita pelo povo tudo faça para que os serviços de urgência não encerrem e que funcionem a 100% com a maior qualidade. Referir ainda que os preços actuais das taxas moderadoras contribuem para que as pessoas comecem a ganhar "preferência" pelo serviços privados de saúde. Não adianto muito mais sobre esta preocupação pois a autarquia parece estar a reagir o que é de louvar.
 
2.2. Escola pública - Saiu um relatório esta semana da OCDE que aponta para o facto dos exames do 4º ano terem um forte potencial de exclusão. O que quer dizer que ter turmas do 1º ciclo com 26 alunos em nada favorece a possibilidade dos alunos mitigarem esta situação e conseguirem obter bons resultados escolares. Com uma direcção de agrupamento legalista (cumprir a lei e ordens emanadas superiormente acima de tudo sob medo de sansões), com um presidente da APEC pouco sensível a estes problemas e uma vereação da CML que não ouve os cidadãos resta-me este desabafo blogosférico e rezar para que o meu filho não seja muito prejudicado face a estas políticas educativas de barbárie. Valha-me a Santa Mãe Soberana.
 
2.3.  Portagens na Via do Infante - Depois de João Vasconcelos da CUVI ter entregue ao PS a constituição de uma plataforma anti-portagens através do senhor presidente da comunidade intermunicipal do Algarve nada mais foi avançado no sentido de se caminhar para a abolição das portagens. O que tem o senhor presidente da Câmara Municipal de Loulé a dizer sobre isso num concelho cuja vida dos munícipes e empresas é fortemente afectada por esta questão.
 
2.4. Exploração de petróleo no Algarve - Qual é a posição do senhor presidente da Câmara Municipal de Loulé sobre a exploração de petróleo na costa do Algarve, algo que em breve pode avançar nas costas da população algarvia e que provocará uma mudança abrupta no paradigma de desenvolvimento da região com impactos ambientais e de saúde pública de consequências imprevisíveis para a vida das pessoas?
 
2.5. Lamentar por fim a forma como a autarquia trata alguns dos cidadãos do Concelho de Loulé como lixo. De forma prepotente e autoritária com o mais completo desrespeito pelos cidadãos e com uma enorme incapacidade de ouvir os seus anseios é com enorme espanto que assisto ao delapitar de um capital de esperança na mudança de que eram portadores uma parte das pessoas que residiam no concelho de Loulé. No fim desta triste história não se queixe de quem protesta agora senhor presidente. Não diga que ninguém o avisou. "Ó menina, ó menina, não venha para aqui com essas coisas que eu tenho coisas mais importantes a resolver". Não diga que não foi avisado senhor presidente. O irmão da outra bem lhe quer.

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