quinta-feira, julho 14, 2016

Entre A Divisão E A Desconfiança, Mais Do Que Julgar É Preciso Compreender

A escritora Lídia Jorge faz na edição de 7 de Julho do Jornal do Algarve uma crítica fortíssima à divisão e desconfiança entre os movimentos ambientalistas, entre os movimentos ambientalistas e os autarcas e entre estes e outros sectores da sociedade na luta contra a exploração de hidrocarbonetos no Algarve. Em nome de uma mítica unidade em torno da causa anti-petróleo apela-se a que o Algarve fale a uma só voz e afirma-se que "esta divisão está a sufocar aquilo que deveria ser um movimento visível, palpável, intenso e unido". Eu diria que mais do que julgar é necessário compreender. Porquê esta divisão e desconfiança? E aqui vale a pena dizer que não contem com o MALP (Movimento Algarve Livre de Petróleo) para falsos unanimismos nem para que confiemos nos políticos e nos autarcas. Quantos de nós, algarvios estamos dispostos a confrontar o governo de António Costa com a necessidade de suspender os contratos de exploração de petróleo no Algarve? Porque razão PS, PCP; PSD e CDS votaram no dia 1 de Julho contra a suspensão dos contratos de exploração de petróleo no Algarve quando tiveram uma oportunidade única de acabar com os contratos? Porquê que os autarcas só entraram na luta depois da expropriação do território do Algarve pelas petrolíferas ser denunciado por pequenos grupos da população (e não nos venham com a história de que não sabiam do que se passava)? Como confiar nas elites políticas e económicas que levaram o pais à ruína? Como confiar nos mesmos políticos (e autarcas) que nos enganaram (e continuam a enganar) a torto e a direito com as portagens na Via do Infante? Mais que julgar, é preciso compreender. Porquê?

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