quinta-feira, julho 21, 2016

Carta A Marcelo - Loulé, 21 de Julho de 2016

(Carta a ser entregue pelo MALP amanhã em Loulé ao Senhor Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa - Para conhecimento público)
 
Exmo Senhor Presidente da República
Professor Doutor Marcelo Rebelo de Sousa

O Algarve está em risco. As elites económicas e políticas entregaram à revelia do seu povo o território do Algarve às indústrias petrolíferas. Os Governos anteriores do PS e do PSD assinaram contratos de prospecção e exploração de petróleo e gás com empresas petroquímicas como a GALP, a ENI, a REPSOL, a PARTEX e a PORTFUEL sem as populações serem consultadas numa espécie de mariscada à beira mar a que deram nomes como Lagosta, Lagostim, Sapateira ou Caranguejo, num conjunto de negociatas que são um verdadeiro insulto às populações. A gravidade do assunto é de tal ordem que pensamos que é a paz social no Algarve que está verdadeiramente ameaçada. A prospecção e exploração de petróleo e gás no Algarve tem graves consequências ambientais, é totalmente incompatível com o turismo, vai destruir as nossas belas praias, contaminar as águas do mar e representa um verdadeiro saque ao território nacional. A região do Algarve foi expropriada ecologicamente e é o futuro das jovens gerações que está hipotecado. A situação é ainda mais preocupante quando o actual Primeiro-Ministro António Costa já afirmou que os contratos já assinados com as petrolíferas são para cumprir e que o senhor Secretário de Estado da Energia já defendeu explicitamente que a exploração de gás em mar é para avançar, num exercício de total desrespeito pela vontade das populações, de incompetência política, como se fosse possível governar contra tudo e contra todos. O actual governo suportado pelas esquerdas prometeu-nos um tempo novo e acaba por derramar petróleo e gás em cima das nossas vidas. Não há como recuperar a confiança nos políticos com maldades deste nível. Para além disto o senhor Secretário de Estado da Energia afirmou há poucos dias que os autarcas do Algarve sabiam e foram consultados sobre a maioria dos contratos de exploração de petróleo e gás já assinados. A máxima desconfiança entre representantes e representados está instalada. Ou o senhor Secretário de Estado da Energia mente e de facto os autarcas nunca foram informados e consultados sobre a exploração de hidrocarbonetos no Algarve ou os autarcas estão a mentir às populações e a situação atinge então contornos alarmantes em relação à qualidade da nossa democracia. Senhor Presidente da República, pronunciaram-se já publicamente rejeitando a exploração de hidrocarbonetos em mar e em terra no Algarve a Comunidade Intermunicipal do Algarve (AMAL), o Conselheiro Regional do Algarve, Associações de Empresários, Associações de Hoteleiros, Associações do mundo da Cultura, Associações Ambientais de todo o país e os movimentos sociais e diversos colectivos que lutam de forma determinada por um Algarve Livre de Petróleo e Gás. O Senhor Primeiro-Ministro de Portugal não pode tomar decisões contra a vontade da maioria das populações de toda uma região. Neste momento reina a fúria, a raiva, e uma onda de descontentamento que não é salutar à nossa vida colectiva conjunta. Reina a mentira, a manipulação e a tentativa de enganar as populações do Algarve. A mensagem que aqui deixamos nesta carta é clara. Não estamos dispostos a assistir impávidos e serenos à destruição ecológica do território do Algarve. Não queremos a prospecção de petróleo e gás na região do Algarve. Queremos que o governo actual cancele imediatamente os contratos já assinados com as petrolíferas uma vez que consideramos que a geração dos nossos filhos têm o mesmo direito da usufruir da beleza das praias algarvias tal como o Senhor Presidente da República usufruiu nos tempos passados e as usufrui nos tempos de hoje quando está de férias no Algarve. Comer Lagosta no Gigi com sabor a petróleo não é o Algarve que queremos no futuro.

P'lo Movimento Algarve Livre de Petróleo
João Eduardo Martins

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