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segunda-feira, setembro 14, 2009

A Voz dos Outros

Garcia Pereira - PCTP/MRPP

http://tv1.rtp.pt/antena1/index.php?t=Legislativas-2009---Entrevista-a-Garcia-Pereira-PCTPMRPP.rtp&article=1231&visual=11&tm=16&headline=13

No diagnóstico, totalmente de acordo com a visão económica de Garcia Pereira.

Dia 27 de Setembro - Eleições Legislativas

Se é asfixia não é democrática e se é democrática não está asfixiada

Não sei muito bem o que é isso de "asfixia democrática". Presumo mesmo que toda a asfixia é autocrática e toda a democracia só o pode ser se não tiver asfixiada. Ora o que também sei é que vivemos numa democracia. Ponto final. Mesmo que essa democracia seja de baixa intensidade, ninguém pode dizer que esteja em causa o regular funcionamento das instituições democráticas, sob pena de ao dizê-lo, correr o risco, de não saber o que está a dizer.

Mas há que reconhecer esta simples coisa. Uma coisa é a democracia formal. Outra completamente diferente são as práticas, mais ou menos democráticas, prevalecentes nessa democracia. E aí a democracia portuguesa é certamente uma democracia de baixa intensidade. Não só porque o poder político não vê com bom olhos a democratização da democracia através da implementação de formas de democracia participativa, como também, a cidadania na sociedade portuguesa deixa, ainda, muito a desejar. Muitos anos de ausência de liberdade, deixaram consigo, uma cultura da obediência, de apatia e de não questionamento das coisas da vida em sociedade, em detrimento dos espíritos livres, participativos e inconformados.

Posto isto, é preciso dizer que do que agora nos queixamos, tem que ver com uma cultura governativa, a do governo de Sócrates, que ficou refém de uma frágil concepção do que é a democracia e a prática da governação democrática. Desde que se cumpra a lei (quando não dá, até jeito, atropelá-la, em nosso favor) isso é sinal, pensa este governo, que a democracia está cumprida.

E isso tem sido extremamente danoso à democracia portuguesa nos últimos quatro anos. Foi assim que se pôs o professor Charrua de castigo na escola. Foi assim que se atacaram vozes críticas como o Professor Balbino Caldeira, processando o blogue Do Portugal Profundo. Foi assim que se processaram nove jornalistas e vários jornais de uma assentada. Foi assim que se eliminou (o termo é mesmo este) o Jornal Nacional da TVI do mapa da mediocracia portuguesa. Foi assim que se tentou o controlo subtil dos meios de comunicação social.

Foi assim que se atacou os sindicatos de uma forma nunca vista desde o 25 de abril de 1974. Foi assim que se processaram judicialmente manifestantes que se insurgiram contra as políticas governativas. Foi assim que o medo se foi progressivamente instalando numa boa parte das instituições da sociedade portuguesa. Foi assim que a crítica política foi, sem o mais pequeno bom senso, da parte do Primeiro Ministro de Portugal, ajectivada de "maledicência", "bota-abaixismo" e "negativismo". E foi assim que surgiu esta coisa da "asfixia democrática".

Democratizar ainda mais a democracia é urgente. Uma democracia reduzida aos seus aspectos meramente formais, corre o risco, de aos poucos, deixar de o ser. Se caminha para a asfixia, deixa de ser democracia. Se é uma verdadeira democracia, ninguém anda cá a falar de asfixia. É tudo uma questão de valorização das liberdades. E você? Valoriza a liberdade?

domingo, setembro 13, 2009

O meu voto vai para a Severn...Sem Hesitações.

Elevar o Gosto

Andrea Bocelli & Sarah Brightman - Time To Say Goodbye



Para todos, aqueles que ainda têm a sorte de o ter, uma boa semana de trabalho!

A Política da Maledicência

Ver aqui: http://ssebastiao.wordpress.com/2009/09/13/analogia-psicopata/

De como o primeiro ministro contagiou, de cima a baixo, quase todos, os fiéis do partido...

Dia 27 de Setembro - Eleições Legislativas

sábado, setembro 12, 2009

Petição Pela Valorização do Pontal

“Petição Pela Valorização do Pontal”

Destinatários: Câmaras e Assembleias Municipais de Faro e Loulé e Parque Natural da Ria Formosa/ICNB

“Petição Pela Valorização do Pontal”

Partilhada pelos concelhos de Faro e Loulé, a Mata do Pontal tem uma área de 627 hectares e constitui um conjunto de ecossistemas de enorme valor natural e paisagístico. Contém uma das maiores manchas florestais de pinhal de uso múltiplo do litoral algarvio e a maior dos concelhos. Constitui igualmente uma das áreas de maior valor natural e paisagístico da orla terrestre do Parque Natural da Ria Formosa (PNRF), compreendendo ecossistemas e uma biodiversidade com valores naturais excepcionais como várias espécies animais e vegetais em grande risco de extinção e algumas únicas a nível mundial, onde se inscreve a Tuberaria Major. Estando inserida no PNRF, partilha com este uma grande sensibilidade ecológica e o respectivo estatuto de protecção internacional através de várias classificações como a de Parque Natural, Zona de Protecção Especial (directiva Aves), Sítio de Interesse Comunitário (directiva Habitats), Convenção de Ramsar (zonas húmidas) e Convenção de Berna (vida selvagem e ambiente).Não obstante a sua importância, esta zona concentra desde há muito em seu redor uma enorme pressão imobiliária, a qual levou já ao desaparecimento de parte da área florestal original para dar lugar a empreendimentos turísticos e campos de golfe. De igual forma, devido a negligências e inércias de vária ordem, a Mata do Pontal continua a ser alvo de acções não compatíveis com os valores naturais em presença, as quais têm contribuído para a sua degradação.Apesar disso, o facto desta área florestal se encontrar ainda num razoável estado de preservação e de apresentar uma fraca ocupação humana, faz dela um espaço natural único, e, sem dúvida, uma área de grande potencial para a conservação da Natureza e desenvolvimento sustentável, através de funções culturais, científicas, de manutenção da saúde, de educação e sensibilização ambiental, de lazer e mesmo económicas para as populações locais, desde que compatibilizadas com os valores naturais em presença. Esta requalificação do espaço natural e a implementação de estruturas com vista à criação de áreas compatíveis com o seu usufruto de forma ambientalmente sustentável pelas populações, vai também constituir uma atracção para as cada vez maiores faixas de turistas que procuram o Turismo de Natureza. A criação e gestão sustentável deste espaço também vai garantir que este recurso ambiental de enorme valor vá permitir o seu usufruto tanto pelas gerações actuais como pelas futuras.Perante os factos acima referidos, vêm os abaixo assinados apelar às entidades referidas que seja criado o Parque Ambiental do Pontal, assegurando desta forma a defesa do interesse público da Mata do Pontal, salvaguardando a valorização dos seus ecossistemas, biodiversidade e paisagens e levando a que a população possa justa e finalmente usufruir em pleno direito de todo o potencial contido neste seu património.
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http://www.peticao.com.pt/pontal

sexta-feira, setembro 11, 2009

Prognósticos só no fim do jogo

http://sic.sapo.pt/online/noticias/portugal2009/sondagem+PS+e+PSD+empatados.htm

PS: Valem o que valem, mas é importante não as jogar fora para o caixote do lixo.

Fundamentalismos e extremismos ideológicos: O Poder de nomeação

Está a ser muito interessante do ponto de vista da luta político-partidária, nestas eleições legislativas, a luta pela imposição de uma definição do lugar ideológico dos adversários políticos. Até ao dia de hoje, Sócrates rotulava toda a oposição, da esquerda à direita, de "negativista" e "bota-abaixista". A crítica política passou a ser definida de "maledicência" e quem não está do lado de Sócrates só pode estar contra Sócrates.

Esta semana as coisas mudaram. Já não se trata de toda a oposição ser "negativista", mas apenas a oposição de "direita". Sócrates procura desta maneira colocar-se a si próprio à "esquerda". A esquerda do PS e em particular o Bloco de Esquerda passou a ser rotulada de "aventureirista", "radical" e "extremista" e o PS de Sócrates quer ganhar para si os louros de partido "socialista moderado".

Louçã não demorou a reagir e a procurar redefinir a visão do mundo que o PS de Sócrates quer fazer passar por "verdade". O Partido socialista de Sócrates é "fundamentalista". Fundamentalista na forma como promove a precarização do trabalho, na forma como recusa o combate eficaz à corrupção e, presumo, fundamentalista na forma como faz os seus "negócios".

Sócrates quer impôr o rótulo de "extremista" a Louçã e este busca, de imediato, a redefinição do seu lugar ideológico. A ideologia regressou como terreno de luta política. Os línguísticas sabem bem destas coisas. A "realidade" tida como "objectiva" é o resultado das lutas pela imposição da "realidade" tida como mais legítima. Este é o poder da nomeação. E pode fazer toda a diferença, as palavras que nomeiam a realidade, nas coisas por elas nomeadas . Não me parece nem que Sócrates seja "fundamentalista", nem que Louçã seja "extremista". Mas em política, mais importante do que o ser, é o parecer.

quinta-feira, setembro 10, 2009

11 de Setembro de 2001



Há factos que marcam a História e as estórias de quem vive o dia a dia do planeta terra. Tinha trinta e um anos de idade. Nunca mais esqueci o sítio onde estava, quando uma colega minha recebeu uma mensagem por sms, de um amigo, que lhe escrevia, a dizer, estar a começar a terceira guerra mundial. Estava em Faro. Em formação na Escola de Hotelaria. Fez-se uma pausa nos trabalhos. No primeiro café ali perto, assisti, estupefacto, ao embate do segundo avião. O primeiro tinha, já, acabado de embater numa das Twin Towers. O sentimento foi de estupefação e angústia. Ninguém percebeu de imediato o que se estava a passar. Geoge W. Bush veio mais tarde censurar inequivocamente os ataques terroristas e declarar a Guerra ao Terror. A America ganhava um novo inimigo, agora sem rosto, depois da derrocada do comunismo lhe ter esvaziado a sua maior oposição externa. Até hoje, ninguém sabe muito bem o que aconteceu. As teorias da conspiração dispararam. Bin Laden, procurado, vivo ou morto, nunca chegou a aparecer. Quem já desapareceu, foi mesmo, George W Bush. Este desaparecimento último, foi, talvez, um pequeno passo atrás na vida de Bush. Mas foi, com toda a certeza, um enorme passo para toda a Humanidade. Neste dia, a realidade, ultrapassou, largamente, a ficção.

Memórias de Infância

Loulé - Largo de São Francisco

A Escola Primária da D. Dorila

Aqui neste edificío aprendi a ler, a escrever e a contar. Não havia Magalhães. O quadro era de ardósia, preto. A régua era de madeira e estalava. Os alunos eram um espécie de receptáculos passivos do saber reproduzido pela professora. A resposta às questões por esta colocada, tinham que estar correctas, sob pena de sanção. Os dedos no ar indicavam que só se falava com autorização professoral. Os rios, as montanhas e as passagens de nível de Portugal eram para saber na ponta da língua. A professora mandava, os alunos obedeciam. A autoridade não se discutia. O medo estava omnipresente na sala de aula. A socialização direccionava-se para a ordem, para a obediência e para o não questionamento do que quer que fosse. Qualquer vestígio de uma cultura de participação e de estímulo à criatividade não entrava sequer no espaço do pensável . O regime de Salazar pertectuava-se também através do sistema de ensino. Foi essa herança que aqui fui encontrar. Apesar disto tudo e à luz do contexto da época, considero que a D. Dorila foi uma excelente professora. Era assim a escola "paga" do Largo de São Francisco. Aqui fiz a minha quarta classe. Só depois veio a escola pública. E de São Sebastião "emigrei" para a Campina de Cima. As escolas e a sua localização no espaço urbano davam, nos dias de hoje, pano para mangas, em termos da sua discussão. Mas isso não entra neste post.