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sábado, maio 07, 2016

Portagens: Lamentável Manual Do Engano e Da Dissimulação (Um Texto Genial De Um Político Que Considero Execrável)

Dedo na Ferida| por Cristóvão Norte
  1. Factos
Na última campanha eleitoral, a posição de cada forca política era clara e categórica: PSD, PS e CDS        defenderam a manutenção das portagens, não obstante se terem comprometido a reduzir o preço das mesmas. O BE e o PCP a abolição;
  • O PCP e o BE estiveram um mês a negociar com o PS um compromisso político para assegurar uma alternativa de Governo. Do que se sabe, as portagens não foram matéria de discussão, logo foi natural não estarem previstas no acordo. Tal não deixa de ser invulgar quando faziam dessa questão a trave mestra dos seus programas para o Algarve e apresentaram dezenas de projetos no passado sobre o tema;
     
  • Em linha com os compromissos eleitorais, todos os partidos formalizaram propostas na Assembleia da República sobre as ex-SCUTS. Novidade nos projetos, por comparação com a campanha eleitoral, apenas o facto do PSD propor a suspensão de portagens na A22 durante a execução das obras na EN125, e do CDS, pelo mesmo motivo, requerer uma redução de 50 % no valor a cobrar. É notório que as obras redobraram de intensidade nos últimos meses e público que foi anunciado que pelo menos um troço de 10 km na EN-125 estará encerrado durante dois meses para obras;
     
  • O Governo já tinha anunciado que iria proceder a uma redução do valor das portagens no interior e Algarve.
     
  • Na medida em que eram de antemão conhecidas as posições dos partidos, e que PS, PSD e CDS não viabilizariam as propostas de BE e PCP, a questão essencial era saber se seriam aprovadas as propostas de suspensão da cobrança durante as obras na EN 125;
     
  • Estavam em discussão 14 projetos de lei e de resolução, uns relativos às ex-SCUT em conjunto, outros, do BE e PCP, cujo objeto era cada uma das vias. 
  1. Como não perder a cara e enganar os cidadãos? Mais simples do que parece.
  • Votar favoravelmente tudo e o seu contrário, desde que a proveniência da proposta não seja a oposição. Os deputados do BE e do PCP conseguiram a improvável façanha de votar a favor da abolição e votar a favor da redução, no que foram acompanhados pelos deputados do PS dos círculos eleitorais a que as propostas diziam respeito. No caso do Algarve esforçaram-se e fizeram mais: a favor da abolição, a favor da redução e contra a suspensão das portagens durante as obras na EN125. Notável.

  • O truque é mais ou menos assim, no que respeita ao PS: os deputados do círculo eleitoral do qual respeita essa proposta votam a favor da abolição, matéria em que acompanham o BE e o PCP. Nas demais, votam contra, tal qual a posição esmagadora do seu partido. É tipo carrossel: votação sobre a A22, os deputados do PS Algarve votam pela abolição, os deputados da A23, A25 e os demais votam contra. Sentam-se os do Algarve, entra a proposta da A23 e lá se levantam os tipos de Castelo Branco e assim sucessivamente. É uma grosseira mistificação que radica numa mentira. Não querem que as propostas passem, mas fazem de conta que sim! O resultado é que as propostas são chumbadas, quem diria…

  • Entra a proposta do PSD, a tal que propõe a suspensão durante as obras, mas que também propõe a redução e a revisão do sistema de cobranças nas fronteiras. Agora ficam todos sentados. Olham para o lado, chumba-se e pronto, e porque fica bem lá vem pela voz dos deputados do PS Algarve um rotundo e tonitruante anúncio que o voto trará uma declaração, a apresentar no prazo de 5 dias;
     
  • Depois, vem a proposta do PS, a mais modesta e menos ambiciosa. Para o Algarve, como para as demais ex- SCUT, tem prevista a redução. O PCP e o BE votam a favor ( nem queria acreditar! Só me vinha a imagem do João Vasconcelos e do homem do bombo a perseguirem políticos ao longo dos anos), o PSD e CDS abstêm-se. A proposta – a tal mais modesta e menos ambiciosa – é a que passa. São uns heróis, o dia acabou em bem.
     
  • E o twist final – aquele só ao alcance das desmedidas almas políticas – passa por enviar uma nota de imprensa a dizer que o PSD e o CDS não acompanham o PS na redução das portagens. Classe!
 
          3. Conclusões
  • BE e PCP abdicaram do que defenderam desde 2011. Deixaram cair a luta pela abolição. Nenhum espírito se convence que depois de votarem a favor da redução possam exigir a abolição no quadro desta legislatura. Não convenceram o PS pela abolição, o PS é que os persuadiu no caminho da redução;
     
  • Aquilo que muitos sempre defenderam não tem aprovação parlamentar, a suspensão do pagamento até requalificação da EN 125 teve a sua oportunidade e caiu por terra, pois a proposta de suspensão foi chumbada por PS, PCP e BE;
     
  • Tanta discussão, mas ainda ninguém sabe qual será a redução, a tal que o PS proferia que deveria ter caracter imediato e ascender a 50 %, pois tinham um estudo- jamais visto- que diziam demonstrar que assim não haveria perda de receita para o Estado;
     
  • Este não foi um episódio sério, nem pouco mais ou menos. Eles não sabem, mas as pessoas notam.
 
Cristóvão Norte, Deputado PSD

quarta-feira, janeiro 30, 2008

O dia do aniversário da cidade como instrumento de propaganda política

1. A comunicação política não pode substituir a política que verdadeiramente influência a vida real das populações.

2. Deve o dia do aniversário da cidade servir para cortar fitas, assinar protocolos, autos de consignações e anúnciar obras públicas e requalificações ainda por fazer?

3. Estaremos perante meras estratégias de comunicação da política ou perante um poderoso aparelho de propaganda com a conivência de alguns meios de comunicação social locais?

4. Estarão as agências de comunicação tão do agrado do dr. Filipe Menezes já altamente profissionalizadas também em Loulé?

5. Não estaremos perante estratégias subtis de "manipulação" (ponho entre aspas não vá o diabo tecê-las) dos cidadãos locais com o objectivo de retirar vantagens eleitorais futuras?

6. E se comemorássemos o aniversário da Cidade com eventos culturais que envolvessem a participação dos cidadãos?

São questões que deixo para reflexão sobre a política cá do burgo.

Para aqueles com mais paciência para os meus "enfadonhos" textos deixo-vos um artigo do António Barreto escrito no Público do último Domingo intítulado "A Arte de Mentir"

A arte de mentir

Por António Barreto

TÊM VÁRIAS DESIGNAÇÕES. Assessores. Conselheiros. Encarregados de relações com a imprensa. Agentes de comunicação. Ou, depois do choque tecnológico, Press officers e Media consultants. Sem falar nos conselheiros de imagem. Povoam os gabinetes dos ministros, dos secretários de Estado, dos directores gerais, dos presidentes e dos gestores. Vivem agarrados aos telemóveis, aos BlackBerries, às Palms e aos computadores.

Falam todos os dias com os administradores, directores e jornalistas das televisões, das rádios e dos jornais. Dão, escolhem, programam e escondem notícias. Mostram aos políticos e aos gestores o que é do interesse deles. Planificam a informação. Calculam os efeitos e contam as referências feitas na imprensa. Tratam da imagem, compram camisas para os seus mestres, estudam-lhe as gravatas, preparam momentos espontâneos, formulam desabafos, encenam incidentes e organizam acasos. Revelam a intimidade que se pode ou deve revelar.

Calculam os efeitos negativos de uma decisão sobre os impostos, que articulam com as consequências positivas de um aumento de pensões. A fim de contrabalançar, colocam o anúncio de Alcochete logo a seguir ao do referendo europeu. Fazem uma planificação minuciosa das inaugurações. Escrevem notícias com todos os requisitos profissionais, de modo a facilitar a vida aos jornalistas. Mentem de vez em quando. Exageram quase sempre.

Organizam fugas de imprensa quando convém. Protestam contra as fugas de imprensa quando fica bem. Recompensam, com informação, os que se conformam. Castigam, com silêncio, os que prevaricaram. São as fontes. Que inundam ou secam.

OS JORNAIS PARECEM-SE UNS COM OS OUTROS. As notícias são quase iguais. As agendas das redacções são gémeas. Salva-se, desta uniformidade, aqui e ali, quem assina o que escreve. Os noticiários das televisões têm agendas iguais. E alinhamentos de notícias também. Os directos, grande vício da televisão portuguesa, são iguais em todos os canais.

Cada vez mais, a informação está previamente organizada, não pelas redacções, não pelos jornalistas, mas pelos agentes e pelos assessores. Quem tem informação manda em quem investiga, escreve e transmite. Grande parte da informação é encenada e manipulada, de acordo com as conveniências.

Há informação reservada para melhores momentos, informação programada para dramatizar, informação inventada para divertir e informação acelerada para consolar. Isto acontece há anos. Em Portugal e no mundo inteiro. Todos os anos, a situação piora. Com Sócrates, refinou. O poderio das organizações de comunicação é avassalador.

A opinião pública não tem meios para escolher e resistir. Só a independência dos jornalistas poderia fazer frente a este domínio inquietante. Mas esta é um bem raro. Até porque os empregos na informação são cada vez mais precários.

A RECENTE POLÉMICA SOBRE AS AGÊNCIAS DE COMUNICAÇÃO, novo episódio numa longa série, mostrou esta actividade no seu pior. As mesmas agências comunicam a favor dos adversários, da política e da economia, da polícia e do ladrão, do governo e da imprensa. Do atirador e do alvo, como disse Pacheco Pereira. Até a Entidade Reguladora para a Comunicação, sem ver os efeitos nefastos, achou por bem ter uma agência a tratar da sua informação.

O governo tem a sua. Luís Filipe Menezes também: em vez de denunciar a prática do governo, quis imitá-lo. Foi preciso Santana Lopes, em momento inspirado, opor-se a este despotismo: “O modo e o conteúdo da comunicação fazem parte do domínio da liberdade absolutamente inalienável de cada deputado”.

LUÍS MARQUES, JORNALISTA HÁ VÁRIAS DÉCADAS e com experiência da redacção, da direcção e da gestão da informação, em jornais e na televisão, fez há poucos anos um pequeno estudo sobre as “agendas” de informação. Chegou a resultados surpreendentes. Contando apenas os grandes órgãos de informação generalistas e nacionais, com exclusão das secções mundanas e outras, havia em Portugal cerca de 1.500 profissionais.

Para os alimentar de informações, os assessores, as agências de comunicação e outros somavam quase 3.000. Quer dizer, por cada jornalista em actividade na informação política e económica, dois profissionais preparavam as agendas e as notícias. É esta gente que inunda as redacções com “factos”, “eventos”, “oportunidades” e “situações”.

Qualquer redacção tem dificuldade em resistir-lhe. Se, às 20.00 horas, o Primeiro-ministro sai de um lar de idosos, entra numa creche ou produz uma declaração espontânea, como pode uma redacção decidir não estar presente? É este exército o responsável por grande parte das “entradas” que, durante a manhã, enchem as agendas das redacções. Num grande canal de televisão, essas entradas podem hoje chegar às 1.000 por dia, enquanto eram cerca de 100 há quinze ou vinte anos.

Na agenda diária da redacção de um canal de televisão, perto de um terço das entradas (mais de trezentas...) é feito directamente pelas agências de comunicação e pelos assessores dos gabinetes e das instituições. Mais ainda, é aquela brigada que, muitas vezes, sobretudo na informação económica, redige as notícias.

Nas redacções, povoadas hoje por jovens estagiários e inexperientes, mas também por seniores preguiçosos, publicar directamente as notícias assim preparadas, ainda por cima por jornalistas e antigos jornalistas treinados, é a solução mais simples. Por isso, é frequente vermos, sem menção de publicidade, notícias económicas absolutamente iguais em vários jornais.

HÁ QUEM PENSE QUE É ISTO A MODERNIDADE. A informação racional da época contemporânea. O sinal da eficácia. O instrumento da transparência. Mas desenganem-se os crédulos. O objectivo dos assessores e das agências de comunicação é sempre o de defender os interesses do autor da informação, nunca do destinatário, do cidadão.

A única preocupação do agente é a de vender o mais possível, nas melhores condições, bens ou ideias, mercadorias ou decisões. Os agentes de comunicação não defendem os interesses dos compradores, dos consumidores ou dos espectadores, mas tão só dos vendedores, dos produtores e dos autores.

Apesar de pagos pelos eleitores, servem para defender os eleitos. Este é o mundo em que vivemos: a mentira é uma arte. Esta é a nossa sociedade: o cenário substitui a realidade. Esta é a cultura em vigor: o engano tem mais valor do que a verdade.
«Retrato da Semana» - «Público» de 27 de Janeiro de 2008

O regresso em força da propaganda à política. E nós por cá? Era bom que andassemos de olho aberto.

Bom Carnaval.

sábado, março 21, 2009

Das Obras Eleitorais

Loulé, ano 2009

Pequenas grandes obras...

Totalmente de acordo. O melhoramento das ruas da cidade só faz bem à qualidade de vida na cidade.

Isto só é necessário em véspera de eleições? Será necessário tomar os eleitores por idiotas? Ficam as questões para reflexão.

domingo, maio 03, 2009

Das Obras Eleitorais

O Coreto de Loulé

Este velho Coreto, abandonado durante anos a fio no centro da cidade de Loulé, foi alvo de atenção, em véspera das eleições de 2009. Lá diz o ditado popular, mais vale tarde do que nunca...pena não haver eleições todos os anos...

segunda-feira, março 09, 2009

Das Obras Eleitorais

Loulé, ano 2009

Castelo de Loulé

É do interesse público nacional que o património local seja preservado tal como fez a CML com o castelo de Loulé.

O que é dispensável é que os politicos que nos governam continuem a tratar os cidadãos como meros eleitores.

O castelo precisa de ser cuidado todos os dias e não apenas em véspera de eleições. Os cidadãos não precisam ser tratados como idiotas que depositam votos nas urnas.

quarta-feira, março 04, 2009

Das obras eleitorais

Loulé, ano 2009

Ano de Eleições


Nota: Clique em cima da imagem para ampliar.

Construindo alguns lugares de estacionamento junto ao parque de estacionamento...

quinta-feira, maio 07, 2009

Das Obras Eleitorais

Loulé, ano 2009

Refazer os passeios em véspera de eleições... é preciso mostrar obra...

sábado, abril 04, 2009

Das obras eleitorais

Quarteira, ano 2009

Avenida Francisco Sá Carneiro

Nota: Foto tirada no início de 2009 quando aconteceu o abate de árvores.

Acabo de passar na Avenida Francisco Sá Carneiro, em Quarteira. É fantástico o que a genialidade dos autarcas lhes permite fazer em véspera de eleições. A avenida parece ter sido objecto de bombardeamento. Descobri também que não é o betão massificado em cima da praia que é o problema. O problema eram as poucas árvores que por ali restavam. É o desenvolvimento à Seruca Emídio no seu esplendor. No final da avenida, a especulação imobiliária vai fazer "deslocar" o parque de campismo para outro lado. Ao fim de mais de trinta anos de confusão entre crescimento e desenvolvimento, ao fim de anos e anos de graves erros urbanísticos persiste-se no mesmo modelo de desenvolvimento. Não se aprendeu nada este tempo todo. Nem se quer tentar aprender. São os autarcas que temos. Nada a fazer.


sexta-feira, setembro 10, 2010

Mobilizemo-nos Pois: O Algarve Não É Uma Rua, Eu Não Voto PS

MOBILIZEMO-NOS CONTRA O PAGAMENTO DE PORTAGENS NA VIA DO INFANTE!

Portagens na Via do Infante a partir de 15 de Abril.

Depois de andarem a ganhar tempo, e a desmobilizar as pessoas está confirmado. Segundo noticias do Público on Line, na Via do Infante vai ser obrigatório pagar portagens a partir de 15 de Abril. Tudo isso sem que as obras na 125 tenham sido feitas, e no caso concreto de Olhão, no sítio programado pelo PDM de Olhão, para passar esse desvio, há vivendas construídas devidamente licenciadas pela C.M.Olhão. Vamos ver o que dizem a isso os presidentes das Câmaras, do PS e do PSD que andaram a papaguear contra as portagens, na via do Infante. O que eu sei é que o P.S. do Algarve sempre foi contra que se pagassem portagens na Via do Infante, aliás, essa foi uma das promessas eleitorais do P.S. Algarve, nas antepenúltimas eleições, para a Assembleia da República. Mas como já é habitual, os partidos fazem da boca cú, sem que os eleitores que confiaram neles os penalizem, nas próximas eleições. Não será hora dos cidadãos se organizarem, em movimentos de cidadania sérios, e de uma vez por todas deixarem de confiarem nesse partidos do poder, que só se servem dos eleitores para conseguirem os tachos para eles e para alimentarem como acontece hoje com enorme rede de tentáculos do gigante Polvo Socialista.

Via:
http://olhaolivre.blogspot.com/