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quinta-feira, dezembro 09, 2010

Vai a Democracia Resistir ao Capitalismo?



Milhares de estudantes um pouco por toda a Europa protestam contra a mercadorização da educação. Controladores aéreos em Espanha vão ser presos pelo protesto massivo contra a retirada de direitos sociais. Ameaças de morte ao mentor do Wikileaks por ter divulgado factos abusivos por parte dos Estados ocidentais que atentam contra a democracia e os direitos humanos. Há um traço comum a todos estes factos aparentemente fragmentados e dispersos um pouco por todo o lado. O capital, carente da sua legitimidade democrática, une-se à escala transnacional, concertando estratégias de manutenção do poder. O protesto massivo das populações aparentemente não dá em nada e é a corrosão da democracia a opção última dos governos conservadores (de esquerda e de direita) que nos desgovernam um pouco em toda a Europa. Temo que esta estratégia não dê bons resultados. A repressão social vai certamente crescer e o que vai resultar destes focos de explosão social um pouco por todo o lado é aquilo que esperamos ainda estar cá para ver. Se não for a democracia a saída, a coisa vai ser dura.

quarta-feira, dezembro 08, 2010

O IKEA, a Democracia e a Pequena Burguesia Política Local Anestesiada

A vinda do IKEA para o Parque das Cidades merece o estatuto de case study das dinamicas actuais do capitalismo global em toda a sua complexidade e da sua relação com uma certa corrosão da democracia e dos valores democráticos.

Face a uma das maiores crises da história do capitalismo global, os políticos locais, ansiosos pela atracção de "investimento externo" (?), encostam a democracia à parede, e convertem-se hipocritamente em actores centrais da gestão do "mercado". Nada de problemático haveria na defesa da sociedade de mercado, se isso não significasse, como significou aqui em Loulé, um verdadeiro atropelo à democracia e um desvirtuar claro das regras do mercado.

Recordemos os factos. O IKEA como actor transnacional da economia global estudou o mercado e concluiu que aqui havia potencial de acumulação de mais valia. O que quer dizer que a centralidade "exigida" é aquela que lhe permite chegar a um maior número de consumidores. Até aqui nada de anormal, se considerarmos que funcionamos num mercado livre (será?) pelo facto de pertencermos ao espaço económico da União Europeia. As empresas existem e são para gerar lucro e criar riqueza. Quem pensar o contrário ainda não percebeu o mundo em que vivemos. É, portanto, legitimo que assim seja.

Os atropelos à democracia começam quando o IKEA compra terrenos agrícolas (e este é o verdadeiro problema e não vale a pena desvalorizar a questão a dizer que lá só se podiam plantar nabos) e espera que a autarquia Louletana, pela mão do Dr. Emídio, autorize a respectiva urbanização de terrenos não urbanizáveis. Duas coisas atropelam a democracia aqui e não sei mesmo até que ponto não atropelam a legalidade democrática. Primeiro, nenhum actor económico gasta milhões de euros em terrenos agrícolas não urbanizáveis sem saber quantos euros vai lá colher. Em segundo lugar, o dr. Emídio, para evitar problemas legais, comprometeu-se a alterar o PDM, como o próprio assumiu publicamente, para que o problema dos "terrenos agrícolas" pudesse ser "ultrapassado". Assim ninguém corre o risco de ser acusado de favorecimento político. As leis da República já tiveram melhores dias. A democracia portuguesa também.

Para meu espanto, como reagiu a burguesia política local do centrão? Foi à missa do negócio. Há uma vereadora, que agora é independente do partido socialista, que rezou o pai nosso ao dr. Emídio. O ex-candidato de São Sebastião, do PS, de quem muito gosto, também independente, realçou a "coragem" do sr. Presidente do Concelho e ouve gentinha do PS que ficou ofendidíssima por o negócio não ter ido para outro lado. A Quercus de início fez barulho e ali para os lados de um dos principais dirigentes da Almargem ficámos a saber que o ambiente é um bom negócio. Vai sobrando, para nossa sanidade mental, como quase sempre, um deputado do Bloco de Esquerda. E assim o capitalismo vai corroendo a democracia. E não tinha que necessariamente ser assim.

Adenda final: Adoro as bandeirinhas da cidade de Loulé ao lado das bandeirinhas do Modelo e do Continente, no espaços comerciais do Modelo e do Continente. Evidente sinal dos tempos.

terça-feira, dezembro 07, 2010

Dois mil empregos ou oito mil desempregados?

"A Associação Comercial da Região do Algarve (ACRAL) vê com “preocupação” a construção de mais uma grande superfície e alerta que a criação de emprego pelo grupo Ikea fará oito mil desempregados no comércio tradicional regional (...) a criação de uma nova grande superfície no Algarve preocupa a ACRAL.

“Acredito que os dois mil postos de trabalho que o Ikea diz que vai criar no Algarve terá um impacto de oito mil desempregados no comércio tradicional da região para além dos 24 mil desempregados que já existem”, disse João Rosado, em entrevista à Lusa. João Rosado cita um estudo feito pela Universidade Católica, a pedido da Confederação do Comércio Português em 2004, que indica que por cada posto de trabalho criado numa nova grande superfície são extintos quatro no comércio local”. O presidente da ACRAL refere,por exemplo, que muitas Pequenas e Médias Empresas de Loulé que se dedicam ao setor do móvel, nomeadamente em Almancil e Boliqueime, vão ressentir-se com a nova grande superfície.

Para sustentar a preocupação da ACRAL sobre o nascimento de mais uma nova grande superfície, João Rosado recorda um outro estudo, realizado pela Direção Regional de Economia do Algarve, a dar conta de “um excesso de grandes superfícies no Algarve” desde 2006/2008. (...) Também em Loulé, mas no eixo Loulé/Quarteira, está equacionado um projecto da Auchan, denominado "Alegro Algarve", representando um investimento de 400 milhões de investimento e quatro mil postos de trabalho direto numa área total de 40 hectares."

Ver original aqui:
http://www.regiao-sul.pt/noticia.php?refnoticia=110799

Para ver como a crise económica nos torna a todos mais submissos ver aqui:
http://ssebastiao.wordpress.com/2010/12/07/meu-caro-dr-seruca-emidio/

As boas mentes dirão logo: Submissos não...responsáveis...

segunda-feira, dezembro 06, 2010

Perspectivas Sobre as Portagens na Via do Infante

"Já a 9 de Setembro, o secretário de Estado das Obras Públicas, Paulo Campos, veio ao Algarve dizer que "a população dos municípios do Algarve vai beneficiar destas isenções e descontos" para as populações num raio que ascende aos 20 quilómetros” (coitados dos que moram em Aljezur, Alcoutim ou Cachopo).

E fê-lo em resposta clara a algumas atitudes do PS regional de contestação à introdução de portagens na Via do Infante. Estava clara a determinação do Governo e não compreender isso é ingenuidade. O líder do PSD também ousou protestar Algarve, apelando a 3 de Outubro às forças vivas algarvias para se "concertarem urgentemente” e definirem uma plataforma de luta contra a introdução de portagens na Via do Infante à semelhança daquela que foi criada em 2004. Todavia, de imediato, um dos seus líderes, Miguel Relvas, veio ao Algarve dizer de viva voz para se calarem, em sintonia com o PS. Pronunciaram-se contra de modo claro o Bloco de Esquerda e o PCP. A Assembleia da AMAL compreendeu a questão e também declarou a sua recusa em aceitar a medida do governo. Também movimento independente “Cidadãos com Faro no Coração” (CFC), liderado pelo ex-presidente da câmara de Faro, José Vitorino, anunciou a adesão à indignação contra a introdução de portagens na Via do Infante, considerando que “com esta acção de protesto, é dada expressão positiva ao sentimento da revolta dos algarvios”, acrescentando que as portagens “seriam desastrosas” numa região com a economia debilitada e enorme desemprego”, repudiando “a condenável subordinação da comissão executiva da AMAL – Comunidade Intermunicipal do Algarve aos poderes do Terreiro do Paço” e denunciando que “eram contra as portagens e agora aceitam-nas, mas fazem ainda pior: procuram boicotar acções de pressão e luta perfeitamente legais, como são os buzinões, marchas lentas e outras formas de sensibilização”,

O PS alinhou com a posição do governo, contra a AMAL e tem vindo a propor em diversas Assembleias Municipais a aceitação da medida do governo. O presidente da AMAL, Macário Correia, contrariamente ao que a própria Assembleia havia deliberado, conciliou, ou procurou manobrar entre os pingos da chuva, mas agora vem a terreno numa posição de firme recusa de que se aceite o pagamento das portagens. Perdemos tempo, mas mais vale tarde do que nunca. Saúdo a sua tomada de posição e apelo a que, em consonância com a própria posição da Assembleia da AMAL, se junte à Comissão de Utentes, que se afirma aberta, ou de algum outro modo contribua para engrossar a onda de protestos e reforce com a sua influência um movimento popular de recusa da introdução de portagens. Também ao PCP, que decidiu fazer a luta no campo parlamentar, apresentando um projeto lei contra a introdução das portagens, que sabia de antemão que ia ser derrotado pelos “votos da aliança PS, PSD e CDS-PP”, se apela ao reforço da unidade popular, engrossando o movimento e se junte aos resistentes da Comissão de Utentes. Aqui é que está verdadeiramente a frente da luta. Tudo o resto é inconsequente! "

* Militante do BE

José Manuel do Carmo *
00:18 sábado, 04 dezembro 2010

Ver o original aqui:
http://www.regiao-sul.pt/noticia.php?refnoticia=110855

Sem Eira Nem Beira

Crise Económica, Crise da Democracia

Por André Freire, no Jornal Público de 29 de Novembro

Clique aí em cima: Boa leitura ...

http://www.ste.org.pt/actualidade/2010/11/Publico29Nov2010_2.pdf

sábado, dezembro 04, 2010

Os Mercados

Os "mercados" devem ser uns tipos obtusos (falo de tipos e não de tipas porque levanto a hipótese dos "mercados" serem hegemonicamente masculinos) com um humor inversamente proporcional aquele bom humor que nos faz rir das coisas mais simples da vida. É que segundo as principais mentes económicas que controlam a tribuna mediática, os mercados "reagem". E nos últimos tempos deu para perceber que eles "reagem" por tudo e por nada. Esta semana ouvia num canal de TV um desses novos profetas da economia a "explicar" que os "mercados" observam o que se passa nos Açores de Carlos César e não "gostam do que vêem". Os "mercados" são uns tipos espertos. Eles gostam de ver os "outros" na miséria mais completa. Os "mercados" devem ter lido Sartre. Eles sabem que "o problema são os outros". Os "mercados" devem também ter lido o poeta Aleixo pois eles fazem das horas amargas lições de filosofia. O Governo dos Açores decide atribuir um subsídio aos funcionários públicos da região para que estes não baixem o seu nível de vida? Os "mercados" reagem. Um qualquer governo da Europa não corta nos salários dos trabalhadores? Os "mercados" reagem. Um qualquer governo nacional hesita na retirada de subsídios de desemprego aos mais miseráveis dos miseráveis? Os "mercados" reagem. As populações fazem greve e exercem os seus direitos consagrados constitucionalmente nos Estados democráticos? Os "mercados" reagem. Um qualquer governo não põe em prática as receitas do FMI e não corta os subsídios de Natal e o décimo terceiro mês? Os "mercados" reagem. As classes médias não reduziram o seu nível de vida e vivem "acima das suas possibilidades"? Os "mercados" reagem. As populações ainda não estão na mais completa miséria e expropriadas dos seus mais elementares direitos sociais? Os "mercados" reagem. A concentração de riqueza nas mãos de uns poucos ainda não atingiu um ponto em que todos os outros estão próximo da geral pauperização? Os "mercados" reagem. Em breve, esse dia, o da proximidade à situação de pauperização geral das condições de vida vai estar próximo e quando o geral empobrecimento das populações permitir um estado de total submissão aos "mercados", os "mercados" deixarão de reagir. Nesse dia seremos todos felizes.

sexta-feira, dezembro 03, 2010

Os Mercados Reagem: As Pessoas Também

Aeroportos Espanhóis parados. Pessoal do controlo aéreo meteu baixa em quantidades próximas dos 70% em reacção a mais medidas austeritárias (autoritárias) do governo espanhol. Eu estou do lado das pessoas. Que se lixem os "mercados".

quinta-feira, dezembro 02, 2010

O Grande Saque Explicado às Crianças

Por Michel Chossudovsky



Alguém por aí se voluntaria para traduzir?

Anular a Crítica



Do "não discutimos...tudo" salazarista, passamos ao "deixem-nos trabalhar" dos anos 80 e 90 Cavaquista, até ao "bota-abaixismo" e à "maledicência" do novo milénio no reino socratino, e chegamos esta semana, na Voz de Loulé , ao "populismo de criticar a classe política" do presidente Cavaco. Uma elite que se procura desesperadamente preservar a si própria anulando a crítica política. Os consensualismos que esta gente nos quer impingir é a melhor maneira de preservar os poderes que fazem de Portugal um dos países mais desiguais da Europa.

quarta-feira, dezembro 01, 2010

Criticar por Criticar a Classe Política

Detesto a classe política que se julga imune à crítica política. A essência da democracia é a crítica política. Ponto final. São estes consensualismos serôdios que nos têm trazido até aqui. Esta é ainda uma das principais heranças do Salazarismo. Está entranhada nas mentes e nos corpos. O Presidente de Boliqueime é o tipo por excelência dessa deplorável espécie. Já não bastava Sócrates e a salazarenta "maledicência". Há, sim, é verdade, um problema grave de qualidade da democracia. Mas isso tem que ver com um dos maiores "déficits" da sociedade portuguesa, o "déficit" de cidadania. Houvesse mais cidadania e não haveria tanto espaço para a mediocridade política. Mas Cavaco não é parte da solução, ele é parte do problema. A má moeda não deixou espaço para a boa moeda também ali para os lados do Palácio de Belém. E eu em mais de quarenta anos de vida vou ter que levar com isso na maior parte da minha já longa existência. Esse é o drama.

Ver mais aqui:
http://sic.sapo.pt/online/noticias/pais/especiais/presidenciais2011/

O Grito do Ipiranga

Traz Outro Amigo Também



As razões invocadas pela Comissão de Utentes da Via do Infante para que as populações residentes no Algarve não sejam empurradas para a EN 125 começam a ser levadas a sério e aí estão os primeiros resultados de uma luta que ainda está no seu começo. A AMAL, pela voz do seu representante máximo Macário Correia apela à mobilização colectiva dos cidadãos do Algarve no manifesto da sua indignação. É da acção colectiva que podem resultar os efeitos práticos de uma maior qualidade de vida na região do Algarve. O Zeca tem razão. Traz outro amigo também. Bom sinal, a escassas horas de se festejar o dia da Restauração da Independência. Isto não tem nada a ver com instrumentalização partidária. E é bom que os partidos se juntem à causa.

Ver mais aqui: http://adefesadefaro.blogspot.com/2010/12/macario-apela-recusa-coletiva-de.html