sábado, setembro 30, 2017

Lógicas De Exclusão Numa Escola Punitiva

Esta semana passei-me numa reunião de pais na escola. Se quiserem "saltou-me a tampa" ou dito de outra maneira "perdi as estribeiras", o que no mundo que actualmente corre não é muito difícil. A coisa passou-se no seguimento da directora de turma do Pedro ter anunciado a ordem escolar emanada superiormente de que os alunos que tinham perdido a chave dos cacifos da escola ficariam sem o cacifo. Isto passa-se num agrupamento TEIP (Território Educativo de Intervenção Prioritária). É o conceito de integração que defende a escola. Quem decide destas coisas é provavelmente um ser humano perfeito. Nunca perdeu coisa nenhuma, sempre cumpriu todas as suas obrigações, atingiu o máximo de virtudes públicas e tem a distinção máxima nas virtudes privadas. E a consequência lógica disso é exigi-lo a todas as crianças dos 10 aos 15 anos de idade que habitam o lado de dentro dos muros da escola. Quem não cabe nesta definição de perfeição tem os dias contados. Que a escola não cumpra as suas obrigações, como contratar pessoal para vigiar e dinamizar os espaços de recreio do megaagrupamento; que o meu filho seja agredido todos os anos e logo também neste primeiro dia de aulas, isso não interessa nada. O estatuto do aluno logo resolve o assunto. Está lá previsto, a contraordenação aos pais mal comportados que não cabem na definição da boa sociedade. A escola multa, portanto os pais (e estes tudo consentem). Estará para breve a descoberta de vida em Marte? É que as coisas estão difíceis na sobrevivência por aqui na Terra.

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