A barraca instalada em torno dos exames nacionais do Ensino Secundário é o reflexo máximo da demissão do pensamento pedagógico em torno das questões educativas e da ditadura digital que se foi progressivamente instalando nas escolas e nas universidades. Excluindo desde já o caso dos docentes já falecidos e outros que não estão em escolas e que foram convocados para classificar as provas de exame, a transição digital associada ao Taylorismo escolar na sua expressão máxima está a levar a incompetência do Ministério a níveis raramente vistos. Há docentes que não conseguem aceder a tempo às provas que têm que classificar, há provas que chegam incompletas aos docentes classificadores e há respostas de provas diferentes a passarem pela mesma prova a classificar. Ficámos também a saber que os professores classificadores recebem itens de provas para classificar e nem sequer têm ideia do conjunto da prova realizada por cada aluno. Há também professores a classificar provas que não são da sua área. Pior que isto só na área da saúde o trabalho ultra-especializado dos médicos tarefeiros. Passadas duas décadas do século XXI a escola intensificou a concepção Taylorista do trabalho escolar. Os Tempos Modernos de Chaplin deveria ser de visionamento obrigatório para esta gente que comanda o Ministério da Educação. Um desastre a concepção educativa que por ali vai.
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