"João Eduardo Martins, professor na Universidade do Algarve, explica este ressentimento na sociedade algarvia através de vários fatores, entre eles, as crises que abalam os portugueses há duas décadas e meia e que afetaram fortemente a região.
"Durante a crise da troika, o desemprego no Algarve, em fevereiro de 2013, chegou a atingir 19% da população, fazendo estourar o setor da construção civil", explica o sociólogo. "Foi um período que afetou muito a sociedade portuguesa e com particular intensidade a região do Algarve. Depois veio uma ligeira recuperação, muito ténue e a seguir logo uma pandemia", recorda.
A pandemia de Covid-19 afetou sobretudo o turismo, a principal atividade económica da região, quando fecharam hotéis e restaurantes.
"A seguir veio a guerra na Ucrânia, a inflação e o aumento do custo de vida, com salários na região do Algarve que são abaixo da média nacional", adianta. No entender do sociólogo, há ainda fatores como a sazonalidade - que leva muitas pessoas a ficarem no desemprego no inverno -, os baixos salários e o abandono escolar - que, no Algarve, é maior do que no resto do país - que ajudam a explicar o descontentamento e a intenção de votar numa alternativa que nunca esteve no poder.
Fatores que explicam também o facto de muitos jovens alinharem no discurso de André Ventura de que "são sempre os mesmos há 50 anos" . "Se pensarmos no caso da juventude, ela só viveu em crise", reforça João Martins.
"Temos neste momento jovens com 20 e poucos anos que não conheceram verdadeiramente períodos áureos de crescimento económico, foram vivendo em crises históricas e estruturais enormes ao longo da sua vida", acrescenta."
https://www.tsf.pt/politica/artigo/por-que-vota-o-algarve-em-andre-ventura-e-no-chega/
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