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sexta-feira, dezembro 31, 2010

Feliz Ano Novo



O blogue macloule deseja a todos os que aqui espreitam de vez em quando um feliz Ano Novo com votos de muitos momentos de felicidade, muita saúde e muito carinho humano!

quinta-feira, dezembro 30, 2010

Memórias de Fim de Ano



1. No momento em que escrevo estas palavras, o capitalismo atravessa uma das maiores crises cíclicas da sua História. Em resultado de politicas económicas desastrosas para uma boa parte da população mundial, inspiradas desde há algumas décadas pela ideologia neoliberal, o desemprego graça, a miséria alastra, as classes médias empobrecem e o nível de vida das populações entra numa escalada recessiva de difícil inversão no curto prazo à escala ocidental. Na sequência dos desvarios dos mercados financeiros, politicamente incentivados nas últimas décadas, no sentido da sua desregulação, o capital financeiro acumulou lucros como nunca foi capaz historicamente de o fazer, ao mesmo tempo que a economia real se afundava e que a sociedade degradava a sua capacidade de fazer futuro. A resposta à crise, assente em políticas austeritárias, é, entretanto, levada a cabo pelos mesmo actores que mais contribuiram para a produção da crise e com as respostas do mesmo tipo das que nos conduziram até aqui. O tempo é fértil para o triunfo de uma das ideologias legitimadoras da dominação mais potentes dos tempos actuais. A transformação da vitíma em culpado. Como os neoliberais acham sempre que a solução "é fazer mais com menos" e que é preciso "cortar", "emagrecer", "deixar de viver acima das possibilidades", "baixar salários", "poupar no estado social" e promover a "ideologia meritocratica" na qual "cada cidadão deve dar o melhor de si", a incapacidade dos indivíduos resolverem os problemas da sua vida só pode ser coisa da sua "responsabilidade". Está desempregado devia ter apostado na sua formação. Está doente, devia ter apostado na prevenção. Tem insucesso escolar, os seus pais deviam ter cuidado da sua educação. A substituição da ideologia da responsabilidade pela ideologia da responsabilização é um dos mais poderosos mecanismos de dominação social das sociedades contemporaneas. O contexto está aí para a reforçar. Para além deste mecanismo temo que a insegurança social resultante do medo e da incerteza face ao futuro acentue aquilo que alguns estudiosos do social têm vindo a alertar. A substituição do estado social pelo apelo a mais estado penal. Se não se resolve o problema da pobreza e dos pobres então que se prendam os pobres. É assim que já se faz nos EUA.

2. Mas os tempos actuais levantam também desafios inéditos aos governos à escala mundial, nacional, regional e local. Como referiu em tempos Daniel Bell, os Estados nacionais tornaram-se demasiado pequenos para fazer face aos grandes problemas do mundo e ao mesmo tempo eles são demasiado grandes para fazer face aos pequenos problemas diários com que se defronta a vida quotidiana das pessoas. E os desafios são enormes. Não é só a crise económica e financeira. Mas é o gigantesco problema que colocam as alterações climáticas com reflexos directos ou indirectos na capacidade de fazer desenvolvimento, na pobreza, nas desigualdades sociais e na degradação ecológica progressiva do nosso planeta. É a gigantesca questão social que coloca ao ocidente o envelhecimento progressivo da sua população. É um modelo de sociedade com um modelo de desenvolvimento económico assente no desemprego estrutural e na precarização estrutural do trabalho que coarta a capacidade de fazer futuro, pois que está assente numa lógica de curto prazo. São as novas doenças civilizatórias assentes no modo de vida ocidental. É o risco de falência do Estado Providência tal como o conhecemos até há muito pouco tempo sem se vislumbrar ainda que novas formas de solidariedade societal o poderão substituir. É o risco de novas guerras de forte dimensão resultantes da escassez relativa um pouco por todo o mundo. É a corrosão da democracia pelo capitalismo financeiro. A lista de desafios com que nos defrontamos é infindável. Trata-se de fazer e refazer o mundo com o mundo que temos debaixo dos nossos pés. Uma condição essencial para isso é a refundação do político. Não só do funcionamento dos partidos políticos mas também da relação dos cidadãos à democracia. É preciso portanto democratizar a democracia. A política não pode de maneira nenhuma ficar prisioneira dos grandes poderes económicos. Sob pena de debaixo do chavão democracia passarmos a viver outra coisa qualquer. É sempre bom relembrar que à porta de Auschwitz estava lá escrito "O trabalho liberta".

quarta-feira, dezembro 29, 2010

Continuando a Caminhada Para o Abismo

As medidas convergem (quase) todas na mesma direcção. Agora é o ataque aos trabalhadores independentes através do exponencial aumento dos pagamentos para a (in) segurança social. Os desempregados e os reformados que recebem uma miséria a pagarem taxas moderadoras na saúde e os pequenos comerciantes a serem taxados a níveis incomportáveis. O governo de Sócrates é "corajoso". Ele sabe bem onde espezinhar.

A Vida da Rede

Judicializar a crítica do consumidor a partir da rede na era das interconexões é estar a gerir as empresas como na era da minha avó. É não perceber nada do mundo tal qual ele funciona hoje. No mínimo é um atestado de incompetência gestionária passado a si próprio. E era só um telemóvel. Um tiro no pé, portanto.

Nacionalizar as Agências de Rating

Não percebo como é que poderes não democráticos que têm a capacidade de dizimar a vida de milhões de pessoas e de levar Estados inteiros à bancarrota de um momento para o outro, são deixados de rédeas à solta pelos poderes políticos que nos governam (?). A política não deveria servir para alguma coisa?

terça-feira, dezembro 28, 2010

Cancro

Ontem vi uma excelente reportagem, numa televisão portuguesa, sobre o problema dos doentes oncológicos, centrada sobre as questões do cancro do intestino. Senti um misto de medo, com impotência e vulnerabilidade total. Estas são as situações em que a condição humana se defronta e se afronta com a sua vulnerabilidade máxima. Uma política nacional de rastreio é fundamental. Aqui no Algarve também...

Elevar o Gosto

Feelin' Good - Nina Simone

segunda-feira, dezembro 27, 2010

Os Partidos

O melhor contributo que os partidos políticos em Portugal poderiam ter dado à democracia foi mesmo este desta semana de serem os contribuintes sob a forma do "Estado" a pagarem os abusos e as trafulhices dos seus líderes. Era mesmo disto que a democracia portuguesa estava a precisar. Não precisamos discutir sequer a lei do financiamento partidário. Os gastos abusivos dos líderes partidários pagos pelo esforço do trabalho da minha pessoa. Volta modo de produção esclavagista. Estás perdoado.

Calem-se Porra!

Os "mercados" estão por todo o lado. Eles podem ouvir. Caladinhos, que assim é que a democracia funciona bem e é disso que os "mercados" gostam. Oiçam o presidente Silva, que ele é que sabe como é bom uma "imprensa suave", um povo sossegadinho e boas donas de casa como forma de se ser mulher exemplar. Faço uma declaração de interesse. Eu não privo com este homem.

domingo, dezembro 26, 2010

Do Pessimismo Irrealista ao Optimismo Deslumbrante

1. O pessimista irrealista pode ser encarnado na pessoa do ex-ministro Medina Carreira. Por muito que alguém lhe tente explicar que o sistema educativo português teve uma melhoria significativa nas últimas décadas na sociedade portuguesa, ele vai sempre dizer que a educação é uma desgraça e que no seu tempo é que era, pois agora ninguém sabe fazer contas. O dr. Medina Carreira é o protótipo dos profetas da desgraça. Um bom representante da espécie que acha sempre que "no seu tempo é que era". Mesmo que esse tempo tivesse sido o da educação salazarista.

2. O pessimista realista é o tipo que vê as coisas negras como elas efectivamente são e não lhes vislumbra saída. O pessimista realista será o tipo que receia a entrada do FMI pois é possível que tal aconteça e não augura nada de bom com a chegada de tão ilustre visitante. O pessimista realista normalmente é um tipo que não é encarado como boa companhia. As pessoas detestam ouvi-lo.

3. O optimista realista é um tipo interessante. Ela não nega a realidade. Sabe inclusive que as coisas estão pretas. Mas sabe também que o mundo é feito todos os dias de múltiplas formas das pequenas e grandes coisas da vida. O optimista realista não é o típico crente na ideologia do progresso. Ele é mais aquele que sabe que são os homens e as mulheres que fazem a História embora muitas vezes não saibam a história que estão em vias de fazer. É o tipo que acredita que a partir do mundo que temos outros mundos são possíveís.

4. O optimista deslumbrado pode ser encarnado na personagem de José Sócrates. O mundo pode estar a desabar à sua volta por todos os lados, que haverá sempre um indicador estatístico ou um qualquer carro eléctrico que o faz transbordar de optimismo. Este tipo de optimista é o optimista perigoso. É aquele que consegue convencer uma boa parte dos que o rodeiam a jogarem-se para o abismo.

5. O tempo precisa urgentemente da espécie optimista realista e de utopias criadoras. Sem as quais a cacofonia da vida quotidiana fica com dificuldade em ganhar sentido. Mas não estou a falar de homens providênciais é claro. Essa foi uma espécie que foi nefasta de mais à história humana. O homem providêncial tem uma adoração especial por "ismos". E isso é tudo o que agora não nos faz falta.

Massagem de Natal

Estava eu tranquilamente a jantar em família, numa saudável confraternização, quando aparece no ecran da tv, o chefe do Socralismo, para mais uma massagem de Natal. Mudei de canal é óbvio. Em dia de Natal devia ser proibido.

sexta-feira, dezembro 24, 2010

Feliz Noite de Natal

1. Começo pelas prendas. A maior dificuldade é sempre a prenda para a esposa. Tenho dificuldade com a escolha dos tamanhos de roupa. Não tenho perícia na escolha do perfurme certo. Não tenho dinheiro para fios de ouro e relógios de prata. Tenho falta daquela intuição e inteligência que é muito feminina. A escolha da prenda para a mulher põe em evidência todas as minhas desastrosas incapacidades. Poderia dizer que isto é assim para todo o universo feminino que me rodeia. Mas não é. Para a sogra vai uma moldura para pôr a fotografia dos netos. Para a mãe um album de fotografias e para a irmã um livro sobre o amor e as relações amorosas no regime de Salazar. A prenda da esposa leva-me todos os anos ao desespero. Nunca consigo estar à altura das expectativas.

2. Comprei a maior parte das prendas no centro de Loulé. Contra todas as más políticas do doutor Emídio sou um consumidor resistente. Tomo pequeno almoço no Avenida e pago parquímetro. Vou comprar jornal à banca e pago parquímetro. Vou almoçar ao Império e pago parquímetro. Vou à loja dos chineses e pago parquímetro. Vou à livraria Caravana e pago parquímetro. Dou uma moeda de um euro ao desfavorecido do costume e pago parquímetro. Resta-me respirar o oxigénio que por enquanto ainda não é sujeito ao pagamento de parquímetro. O cerco à cidade é total. Foi de todo o interesse público a criação dessa empresa semi-privada que gere os parquímetros de Loulé. Pelo menos, para essa espécie de interesse "público" das multinacionais privadas da cidade, levanto a hipótese de ter sido óptimo.

3. Como bom ateu adoro o espírito de Natal. A gente passa pelos amigos, pelos conhecidos e até pelos desconhecidos e tem um enorme prazer em desejar-lhes um "Feliz Natal". Não tenho qualquer dúvida sobre o assunto. Sejamos ateus, agnósticos, judeus, ou Testemunhas de Jeová, o espírito de natal é uma coisa boa. E a noite de Natal em família ainda é coisa que muito prezo. É um gosto ver a criançada feliz com a imaginação criadora dos brinquedos. Uma óptima noite de Natal para todos!