Santana Lopes, juntou a razão à emoção e recusou-se a continuar a entrevista da SIC Notícias realizada pela jornalista Ana Lourenço.
Poderia ser mais uma birra emocional do ex-primeiro ministro de Portugal, mas é sobretudo uma lufada de ar fresco na arrogância mediática com que os jornalistas televisivos tratam uma boa parte dos cidadãos-audiência de que necessitam.
Os media colonizaram o espaço público e a arena política e social. Só existe quem aparece, e aparecer é mais importante do que ser.
A chave da existência social está colonizada pelo poder mediático.
Karl Popper já tinha avisado que a televisão poderia ser um perigo para a democracia e Bourdieu vai mais longe e defende que o pouco que se pode dizer na televisão deveria ser altamente negociado nas suas condições de utilização da palavra.
Os jornalistas, na maior parte das vezes, dão, e tiram a palavra, a quem querem, quando querem e nas condições que querem.
O caso Maddie foi um caso escandaloso de "jornalismo de sarjeta", para utilizar um termo celebrizado pelo Ministro Augusto Santos Silva, em que a maior parte das notícias sobre o desaparecimento da criança foram baseadas em não acontecimentos.
A máxima que nos diz que o cão que mordeu o homem não é notícia, mas o homem que mordeu o cão certamente que já o é está claramente ultrapassada. O que prevalece como paradigma é a máxima "se o jornalista mordeu o homem e o cão" então temos notícia e podem crer que em nome da sacrossanta audiência, o jornalista morde as canelas de ambos.
Demasiadas vezes, jornalistas consagrados, em vez de escutarem os entrevistados, impedem que os mesmos exponham o seu racíocio até ao fim, não permitindo aos teleespectadores perceber o ponto de vista do entrevistado.
Um exemplo claro destas tristes situações é o programa prós e contras, onde a jornalista-estrela, coloca as questões, responde em vez do entrevistado, tira-lhe a palavra quando lhe apetece e não se inibe a produzir em massa juízos de valor, que dizem mais dos preconceitos e estereótipos que lhe vão na alma sobre os problemas em análise, do que esclarecem o teleespectador.
O "Incidente" com Santana Lopes seria uma excelente oportunidade dos media se pensarem a si próprios e partir para novos mecanismos reguladores, que travassem a escalada de sensacionalismo.
E isto é tanto mais importante para os próprios media, porque depois, não têm que se queixar das "ingerências" governativas no "controlo" dos meios de comunicação social.
Vale a pena relembrar que a blogosfera foge ao controlo da palavra mediática oficial e até isso deveria fazer repensar as práticas jornalisticas em vigor, pois o controlo dos cidadãos sobre a qualidade do jornalismo profissional é maior do que nunca.
É que o critério audiências não justifica tudo e nem sequer talvez garanta a sustentabilidade a médio e longo prazo das empresas de comunicação.
Bom fim de semana
A minha Lista de blogues
sexta-feira, setembro 28, 2007
O Poder dos media, a crise da democracia e a atitude de Santana Lopes
Faço da vida um caminho em que a felicidade está nas pequenas grandes coisas que o mundo nos permite desfrutar.
"Carpe Diem"
domingo, setembro 23, 2007
A Crise de Inteligência Política e o Falhanço das Reformas Governativas
Michel Crozier, conhecido sociólogo francês das organizações há muito que nos esclareceu sobre o assunto. A sociedade não muda por decreto.
Por muitas boas leis que se façam e com as melhores intenções políticas, a law in books em Portugal tem uma distância abíssal da law in action.
A realidade social e as práticas sociais não se resolvem somente com boas soluções legislativas. Nenhuma lei por si só impele os cidadãos a mudarem as suas práticas, os seus hábitos e os seus costumes.
Mas as reformas também não se fazem à martelada.
Nenhuma reforma, mudança social ou processo de inovação é possivel de fazer com êxito, sendo aplicada de cima para baixo, ou de fora para dentro, impondo-se aos actores sociais nas organizações, aquilo que os nossos governantes consideram ser bom para as pessoas (e que as mesmas não consideram bom para elas) e o "bom" caminho de "racionalização", de "eficácia" e de "eficiência".
Nem sempre aquilo que aprioristicamente achamos que é bom para os outros é aquilo que os outros consideram bom para eles. Se acham mau não há reforma que resista.
Não se fazem reformas sem as pessoas e muito menos contra as pessoas.
Quando as reformas são feitas à "paulada", como o faz o actual governo socrático, o mais frequente para justificar o insucesso dos resultados das mesmas, é dizer, que o governo não é eficaz a comunicar a sua mensagem e as suas boas decisões (seria um mero problema de eficácia comunicativa), ou então, alegar que são os interesses corporativos que "resistem" às boas mudanças impostas por tão sábia decisão ministerial.
O resultado está à vista.
Os professores altamente descontentes pelas atitudes e discursos da senhora ministra da educação.
Os utentes e os profissionais de saúde a protestar na rua contra a destruição do sistema nacional de saúde.
Os jornalistas num coro de protestos contra a coartação da liberdade de informação.
Os magistrados descontentes com a reforma do processo penal.
Os funcionários públicos culpabilizados pela crise do Estado temem que o seu lugar profissional esteja ameaçado.
Os militares, sobretudo os sargentos reclamam da degradação das suas condições laborais.
As classes médias e as classes populares altamente penalizadas com o "esforço" e o "sacrifício" que lhe é constantemente pedido estão afogadas pelo crescente endividamento e pela baixa do seu nível de vida e sem predisposição para mais sacrifícios.
Tudo se passa como se as reformas pudessem ser feitas sem as pessoas. E ainda menos se percebe quando elas são feitas contra as pessoas.
Se os próprios interessados e aqueles que serão objecto da execução das mudanças não participarem nessas mesmas mudanças que se lhes pede que efectuem, qual o sentido dessas reformas?
Bom resto de fim de semana
Por muitas boas leis que se façam e com as melhores intenções políticas, a law in books em Portugal tem uma distância abíssal da law in action.
A realidade social e as práticas sociais não se resolvem somente com boas soluções legislativas. Nenhuma lei por si só impele os cidadãos a mudarem as suas práticas, os seus hábitos e os seus costumes.
Mas as reformas também não se fazem à martelada.
Nenhuma reforma, mudança social ou processo de inovação é possivel de fazer com êxito, sendo aplicada de cima para baixo, ou de fora para dentro, impondo-se aos actores sociais nas organizações, aquilo que os nossos governantes consideram ser bom para as pessoas (e que as mesmas não consideram bom para elas) e o "bom" caminho de "racionalização", de "eficácia" e de "eficiência".
Nem sempre aquilo que aprioristicamente achamos que é bom para os outros é aquilo que os outros consideram bom para eles. Se acham mau não há reforma que resista.
Não se fazem reformas sem as pessoas e muito menos contra as pessoas.
Quando as reformas são feitas à "paulada", como o faz o actual governo socrático, o mais frequente para justificar o insucesso dos resultados das mesmas, é dizer, que o governo não é eficaz a comunicar a sua mensagem e as suas boas decisões (seria um mero problema de eficácia comunicativa), ou então, alegar que são os interesses corporativos que "resistem" às boas mudanças impostas por tão sábia decisão ministerial.
O resultado está à vista.
Os professores altamente descontentes pelas atitudes e discursos da senhora ministra da educação.
Os utentes e os profissionais de saúde a protestar na rua contra a destruição do sistema nacional de saúde.
Os jornalistas num coro de protestos contra a coartação da liberdade de informação.
Os magistrados descontentes com a reforma do processo penal.
Os funcionários públicos culpabilizados pela crise do Estado temem que o seu lugar profissional esteja ameaçado.
Os militares, sobretudo os sargentos reclamam da degradação das suas condições laborais.
As classes médias e as classes populares altamente penalizadas com o "esforço" e o "sacrifício" que lhe é constantemente pedido estão afogadas pelo crescente endividamento e pela baixa do seu nível de vida e sem predisposição para mais sacrifícios.
Tudo se passa como se as reformas pudessem ser feitas sem as pessoas. E ainda menos se percebe quando elas são feitas contra as pessoas.
Se os próprios interessados e aqueles que serão objecto da execução das mudanças não participarem nessas mesmas mudanças que se lhes pede que efectuem, qual o sentido dessas reformas?
Bom resto de fim de semana
Faço da vida um caminho em que a felicidade está nas pequenas grandes coisas que o mundo nos permite desfrutar.
"Carpe Diem"
sexta-feira, setembro 14, 2007
Porque não defende o governo português os direitos humanos?
O governo de Sócrates e o Presidente Cavaco não recebem o prémio Nobel da Paz, Dalai Lama, conhecido pelas suas posições como defensor dos direitos humanos, da paz e da liberdade religiosa.
Supondo com elevada ingenuidade que a China nada teria a ver com estas decisões, quais os motivos que fundamentam a recusa da visita do grande líder Tibetano?
Os interesses de Estado e a a real politick não podem ser sustentandos por uma visão política míope que reduz as relações internacionais aos grandes interesses económicos.
O silêncio político sobre a violação dos direitos humanos na China, à luz da miragem miraculosa do crescimento económico de dois digitos é uma clara hipócrisia ao nível das relações internacionais.
É claro que seria do interesse dos empresários portugueses entrarem na China, sobretudo os grandes empresários, mas também é fortemente penalizante para as pequenas empresas portuguesas que não têm a capacidade de produzir e colocar produtos no mercado a preços que resultam da nova escravidão do terceiro milénio.
Aos trabalhadores europeus não interessa a não denúncia da violação dos direitos humanos na China, pelo contrário é uma óptima justificação para o capital manter os salários dos portugueses num nível miserável.
Como vou explicar ao meu filho porque recusou o Governo Português e o Presidente da República a visita do Prémio Nobel da Paz?
Bom fim de semana e sê bem vindo Dalai Lama.
Supondo com elevada ingenuidade que a China nada teria a ver com estas decisões, quais os motivos que fundamentam a recusa da visita do grande líder Tibetano?
Os interesses de Estado e a a real politick não podem ser sustentandos por uma visão política míope que reduz as relações internacionais aos grandes interesses económicos.
O silêncio político sobre a violação dos direitos humanos na China, à luz da miragem miraculosa do crescimento económico de dois digitos é uma clara hipócrisia ao nível das relações internacionais.
É claro que seria do interesse dos empresários portugueses entrarem na China, sobretudo os grandes empresários, mas também é fortemente penalizante para as pequenas empresas portuguesas que não têm a capacidade de produzir e colocar produtos no mercado a preços que resultam da nova escravidão do terceiro milénio.
Aos trabalhadores europeus não interessa a não denúncia da violação dos direitos humanos na China, pelo contrário é uma óptima justificação para o capital manter os salários dos portugueses num nível miserável.
Como vou explicar ao meu filho porque recusou o Governo Português e o Presidente da República a visita do Prémio Nobel da Paz?
Bom fim de semana e sê bem vindo Dalai Lama.
Faço da vida um caminho em que a felicidade está nas pequenas grandes coisas que o mundo nos permite desfrutar.
"Carpe Diem"
segunda-feira, setembro 10, 2007
Os chineses, o pequeno comércio e a demagogia política no seu esplendor
A política tem destas coisas. A necessidade de votos faz com que por vezes os actores políticos não resistam e resvalem para a demagogia pura e dura.
Maria José Nogueira Pinto, a "zezinha", como a rotulam alguns jornais nacionais, quer "expulsar" as lojas chinesas da Baixa Lisboeta.
Para a "independente" ex-partido popular, os chineses têm o seu lugar, mas é num bairro tipo chinatown, pois isto de ocupar o espaço daquilo que é dos lisboetas, para além de lhe retirar votos, com certeza, também arruína o pequeno comércio local.
O alimentar dos sentimentos xenófobos começa por vezes nestas "boas intenções" políticas. É claro que não é o comércio dos chineses o principal problema do pequeno comércio.
Em época de globalização económica e num contexto de livre comércio incentivado pelos governos Europeus, não podemos ter dois pesos e duas medidas. Livre comércio para "nós" e proteccionismo face aos "outros".
É pela denuncia do abuso dos direitos humanos que se deve seguir caminho e por aí pouco se ouvem as vozes dos políticos europeus.
E nós por cá, em Loulé, não ouvimos tantas vezes que os chineses "dão cabo do negócio"?
Espero que os políticos locais nunca caiam nesta tentação demagógica, pois contexto favorável não lhes falta.
Abraços interculturais
Maria José Nogueira Pinto, a "zezinha", como a rotulam alguns jornais nacionais, quer "expulsar" as lojas chinesas da Baixa Lisboeta.
Para a "independente" ex-partido popular, os chineses têm o seu lugar, mas é num bairro tipo chinatown, pois isto de ocupar o espaço daquilo que é dos lisboetas, para além de lhe retirar votos, com certeza, também arruína o pequeno comércio local.
O alimentar dos sentimentos xenófobos começa por vezes nestas "boas intenções" políticas. É claro que não é o comércio dos chineses o principal problema do pequeno comércio.
Em época de globalização económica e num contexto de livre comércio incentivado pelos governos Europeus, não podemos ter dois pesos e duas medidas. Livre comércio para "nós" e proteccionismo face aos "outros".
É pela denuncia do abuso dos direitos humanos que se deve seguir caminho e por aí pouco se ouvem as vozes dos políticos europeus.
E nós por cá, em Loulé, não ouvimos tantas vezes que os chineses "dão cabo do negócio"?
Espero que os políticos locais nunca caiam nesta tentação demagógica, pois contexto favorável não lhes falta.
Abraços interculturais
Faço da vida um caminho em que a felicidade está nas pequenas grandes coisas que o mundo nos permite desfrutar.
"Carpe Diem"
domingo, setembro 02, 2007
O poder da palavra. Um país, dois sistemas: até quando?
Não há ditaduras boas e outras más, sejam elas de direita ou de esquerda.
O regime fascista de Mussolini, o Nacional Socialismo de Hitler, o comunismo de Estaline ou de Mao, todos eles, sem excepção, cometeram atrocidades e violaram brutalmente os direitos humanos básicos e a dignidade humana dos seus povos.
A China actual é, nos últimos anos olhada com uma certa "admiração" por alguns intelectuais jornalistas da nossa praça, sobretudo situados no campo do jornalismo económico; devido aos seus fantásticos níveis de crescimento económico de dois digitos, que chegam à fantástica cifra de mais de 10% ao ano.
Convém não esquecer, que para além do apetecível mercado de milhões de consumidores potênciais, o que gera ainda mais "admiração" às forças económicas do capitalismo ocidental, ansiosas por se expandir para oriente, a China continua a violar barbaramente os direitos humanos tão valorizados nos países que se apelidam de "civilizados".
Para além de mão de obra escrava, que sem dúvida ajuda a suportar as suas exportações a preços imbatíveis pelas democracias ocidentais, é bom não esquecer episódios como o massacre da Praça de Tianamem, na capital Pequim, e a vergonhosa limitação à liberdade de expressão e às liberdades em geral que a ditadura chinesa continua a perpetuar.
A última novidade censória é de uma capacidade criativa fantástica. Tráta-se de controlar o incontrolável, o admirável novo mundo do espaço virtual global.
Polícias virtuais procuram informação e opiniões subversivas à ordem política e moral do regime, nos mais diversos sítios on-line, exercendo sansões às opiniões consideradas dissidentes.
Trata-se de uma barbaridade anacrónica das sociedades de modernidade avançada, pois nenhuma força política conseguirá controlar o que dizem os seus cidadãos no espaço virtual.
Nem quero pensar nas atrocidades que estarão a ser cometidas pelo regime chinês à entrada do terceiro milénio.
Um país dois sistemas. Até quando?
E se de repente o gigante chinês de desmorona?
Um capítulo a ver nos desenvolvimentos futuros do circo mundial global.
Ps: E se os governos europeus denunciassem devidamente as violações de direitos humanos à escala mundial? Uma boa parte dos trabalhadores chineses certamente agradeceriam.
Abraços cibernautas
O regime fascista de Mussolini, o Nacional Socialismo de Hitler, o comunismo de Estaline ou de Mao, todos eles, sem excepção, cometeram atrocidades e violaram brutalmente os direitos humanos básicos e a dignidade humana dos seus povos.
A China actual é, nos últimos anos olhada com uma certa "admiração" por alguns intelectuais jornalistas da nossa praça, sobretudo situados no campo do jornalismo económico; devido aos seus fantásticos níveis de crescimento económico de dois digitos, que chegam à fantástica cifra de mais de 10% ao ano.
Convém não esquecer, que para além do apetecível mercado de milhões de consumidores potênciais, o que gera ainda mais "admiração" às forças económicas do capitalismo ocidental, ansiosas por se expandir para oriente, a China continua a violar barbaramente os direitos humanos tão valorizados nos países que se apelidam de "civilizados".
Para além de mão de obra escrava, que sem dúvida ajuda a suportar as suas exportações a preços imbatíveis pelas democracias ocidentais, é bom não esquecer episódios como o massacre da Praça de Tianamem, na capital Pequim, e a vergonhosa limitação à liberdade de expressão e às liberdades em geral que a ditadura chinesa continua a perpetuar.
A última novidade censória é de uma capacidade criativa fantástica. Tráta-se de controlar o incontrolável, o admirável novo mundo do espaço virtual global.
Polícias virtuais procuram informação e opiniões subversivas à ordem política e moral do regime, nos mais diversos sítios on-line, exercendo sansões às opiniões consideradas dissidentes.
Trata-se de uma barbaridade anacrónica das sociedades de modernidade avançada, pois nenhuma força política conseguirá controlar o que dizem os seus cidadãos no espaço virtual.
Nem quero pensar nas atrocidades que estarão a ser cometidas pelo regime chinês à entrada do terceiro milénio.
Um país dois sistemas. Até quando?
E se de repente o gigante chinês de desmorona?
Um capítulo a ver nos desenvolvimentos futuros do circo mundial global.
Ps: E se os governos europeus denunciassem devidamente as violações de direitos humanos à escala mundial? Uma boa parte dos trabalhadores chineses certamente agradeceriam.
Abraços cibernautas
Faço da vida um caminho em que a felicidade está nas pequenas grandes coisas que o mundo nos permite desfrutar.
"Carpe Diem"
sábado, agosto 25, 2007
Terrorismo Jornalistico ou Jornalismo de Sarjeta: Um marco histórico do movimento ambiental português
Não utilizo aqui a expressão "jornalismo de sarjeta" no sentido que lhe deu à meses atrás o Ministro Augusto Santos Silva, quando atribuiu tão belo atributo à capacidade de produzir notícias que não eram do interesse da acção governativa do qual era parte interessada.
O sentido que lhe atribuo é de jornalismo de fraca qualidade, comprometido com os poderes económicos dominantes, que não consegue observar os factos para além das versões oficiais ou oficiosas fornecidas pelos poderes instituídos e fracamente independente dos poderes de que cada vez mais depende.
Vem isto a proposito do Movimento Verde Eufémia e da sua contestação à produção de milho transgénico, através da invasão da propriedade de um agricultor em Silves, com o objectivo de destruição deste organismo geneticamente modificado.
Não concordo com os métodos utilizados pelos manifestantes, tal como não concordo com a lamentável cobertura jornalistica de alguns jornalistas conceituados da nossa praça, em alguns jornais de elevado prestígio nacional, deste acontecimento.
Que o Ministro da Administração interna apelide o acto de Ecoterrorismo já pouco me espanta.
O que me parece de todo discutível, é que um movimento que se assume como altamente político e de recusa clara de um tipo de alimentação que é tudo menos consensual, nos campos político, económico, científico e na opinião pública dos cidadãos, seja severamente criticado pelos jornais nacionais, dos quais destaco o editorial do Expresso, revelando este, um espírito acrítico fantástico, perante um problema que vai ser central no novo milénio.
Diz-nos o editorial do Expresso:
Título da notícia:
Os Ecofascistas estão entre nós
Excertos da notícia:
"É uma frase feita dizer-se que não se pode dar a liberdade por assegurada. Mas não pode mesmo. O ataque de um pequeno e insignificante grupo de radicais ao mais célebre campo de milho transgénico em Portugal tem o condão de nos lembrar disso mesmo: que o totalitarismo, a intolerância, o desprezo pela propriedade individual e outras marcas próprias dos fascismos de direita e esquerda estão presentes e se mascaram de diversos modos, se movem por diversas causas".
Vejamos agora o que nos diz Gualter Batista, o membro do movimento que aceita falar dos acontecimentos no mesmo Jornal Expresso de 25 de Agosto de 2007:
Pergunta o jornalista do Expresso:
"Concorda que é ilícita a invasão da propriedade privada?"
Responde Gualter Batista:
"Numa primeira análise. Mas foi uma destruição simbólica de uma quantidade miníma de milho. Não foi uma acção violenta, porque não implicou ameaça à integridade física de uma pessoa ou de um ser vivo. Nós tinhamos um objectivo político: repor a ordem democrática, moral e ecológica de um Algarve Livre de Transgénicos. Não foi uma brincadeira de uns miúdos. Estamos a falar de política séria. Somos pessoas politicamente muito activas".
Mas o "jornalismo de sarjeta" não se fica por aqui. Consegue ir mais longe.
Assim, no mesmo editorial podemos ainda ler para nosso espanto:
"Não há qualquer - uma só - prova científica de que o milho transgénico (da qualidade que é autorizado em Portugal e na Europa) seja pernicioso para a saúde. O que está em causa para os radicais é uma questão de fé, um facto em que acreditam sem provas racionais, e não mais que isso".
Para espanto meu na página 3 do mesmo jornal, quando passamos do "jornalismo de sarjeta" para jornalismo de qualidade, podemos ler no artigo informativo dos jornalistas Carla Tomás e Maria Barbosa:
"Os transgénicos são perigosos para a saúde?
Não há provas de que sejam nocivos mas também é impossível afirmar que não há riscos. De um lado da balança pesa a produtividade e um menor recurso a pesticidas. Do outro o receio dos efeitos que terão no organismo humano ou animal - mais de 80% do cereal vai para a ração de aves e gado. Não há registo de doenças provocadas pelo consumo de um transgénico mas para os detractores as consequências só serão visíveis dentro de anos".
Pois é, caros senhores do "jornalismo de sarjeta", não há evidência científica que o consumo de organismos geneticamente modificados seja prejudicial à saúde. O problema é que também não há evidência científica do contrário, ou seja, de que o consumo de OGM não seja prejudicial à saúde e nestas condições deveria prevalecer o Principio da Precaução.
O interesse de um qualquer governo nacional deveria ser o de defesa das suas populações e da saúde dos seus cidadãos. O dos jornalistas deveria ser o da defesa da "verdade" jornalistica.
Neste caso, uns e outros, optaram pela defesa dos grandes interesses económicos, que se movem por detrás da introdução de um tipo de alimentação, que ainda não sabemos verdadeiramente as consequencias que terá sobre a saúde das populações.
Pela defesa de um Algarve Livre de Transgénicos e por uma agricultura biológica de qualidade
Ps: Os reforços a bold são da nossa autoria.
Abraços ecológicos sustentáveis
O sentido que lhe atribuo é de jornalismo de fraca qualidade, comprometido com os poderes económicos dominantes, que não consegue observar os factos para além das versões oficiais ou oficiosas fornecidas pelos poderes instituídos e fracamente independente dos poderes de que cada vez mais depende.
Vem isto a proposito do Movimento Verde Eufémia e da sua contestação à produção de milho transgénico, através da invasão da propriedade de um agricultor em Silves, com o objectivo de destruição deste organismo geneticamente modificado.
Não concordo com os métodos utilizados pelos manifestantes, tal como não concordo com a lamentável cobertura jornalistica de alguns jornalistas conceituados da nossa praça, em alguns jornais de elevado prestígio nacional, deste acontecimento.
Que o Ministro da Administração interna apelide o acto de Ecoterrorismo já pouco me espanta.
O que me parece de todo discutível, é que um movimento que se assume como altamente político e de recusa clara de um tipo de alimentação que é tudo menos consensual, nos campos político, económico, científico e na opinião pública dos cidadãos, seja severamente criticado pelos jornais nacionais, dos quais destaco o editorial do Expresso, revelando este, um espírito acrítico fantástico, perante um problema que vai ser central no novo milénio.
Diz-nos o editorial do Expresso:
Título da notícia:
Os Ecofascistas estão entre nós
Excertos da notícia:
"É uma frase feita dizer-se que não se pode dar a liberdade por assegurada. Mas não pode mesmo. O ataque de um pequeno e insignificante grupo de radicais ao mais célebre campo de milho transgénico em Portugal tem o condão de nos lembrar disso mesmo: que o totalitarismo, a intolerância, o desprezo pela propriedade individual e outras marcas próprias dos fascismos de direita e esquerda estão presentes e se mascaram de diversos modos, se movem por diversas causas".
Vejamos agora o que nos diz Gualter Batista, o membro do movimento que aceita falar dos acontecimentos no mesmo Jornal Expresso de 25 de Agosto de 2007:
Pergunta o jornalista do Expresso:
"Concorda que é ilícita a invasão da propriedade privada?"
Responde Gualter Batista:
"Numa primeira análise. Mas foi uma destruição simbólica de uma quantidade miníma de milho. Não foi uma acção violenta, porque não implicou ameaça à integridade física de uma pessoa ou de um ser vivo. Nós tinhamos um objectivo político: repor a ordem democrática, moral e ecológica de um Algarve Livre de Transgénicos. Não foi uma brincadeira de uns miúdos. Estamos a falar de política séria. Somos pessoas politicamente muito activas".
Mas o "jornalismo de sarjeta" não se fica por aqui. Consegue ir mais longe.
Assim, no mesmo editorial podemos ainda ler para nosso espanto:
"Não há qualquer - uma só - prova científica de que o milho transgénico (da qualidade que é autorizado em Portugal e na Europa) seja pernicioso para a saúde. O que está em causa para os radicais é uma questão de fé, um facto em que acreditam sem provas racionais, e não mais que isso".
Para espanto meu na página 3 do mesmo jornal, quando passamos do "jornalismo de sarjeta" para jornalismo de qualidade, podemos ler no artigo informativo dos jornalistas Carla Tomás e Maria Barbosa:
"Os transgénicos são perigosos para a saúde?
Não há provas de que sejam nocivos mas também é impossível afirmar que não há riscos. De um lado da balança pesa a produtividade e um menor recurso a pesticidas. Do outro o receio dos efeitos que terão no organismo humano ou animal - mais de 80% do cereal vai para a ração de aves e gado. Não há registo de doenças provocadas pelo consumo de um transgénico mas para os detractores as consequências só serão visíveis dentro de anos".
Pois é, caros senhores do "jornalismo de sarjeta", não há evidência científica que o consumo de organismos geneticamente modificados seja prejudicial à saúde. O problema é que também não há evidência científica do contrário, ou seja, de que o consumo de OGM não seja prejudicial à saúde e nestas condições deveria prevalecer o Principio da Precaução.
O interesse de um qualquer governo nacional deveria ser o de defesa das suas populações e da saúde dos seus cidadãos. O dos jornalistas deveria ser o da defesa da "verdade" jornalistica.
Neste caso, uns e outros, optaram pela defesa dos grandes interesses económicos, que se movem por detrás da introdução de um tipo de alimentação, que ainda não sabemos verdadeiramente as consequencias que terá sobre a saúde das populações.
Pela defesa de um Algarve Livre de Transgénicos e por uma agricultura biológica de qualidade
Ps: Os reforços a bold são da nossa autoria.
Abraços ecológicos sustentáveis
Faço da vida um caminho em que a felicidade está nas pequenas grandes coisas que o mundo nos permite desfrutar.
"Carpe Diem"
quinta-feira, agosto 16, 2007
A quem beneficiam as actuais políticas económicas do governo que se diz socialista?
Notícia do Diário Economico de 14 de Agosto de 2007
"Portugal agrava fosso entre ricos e pobres para o pior nível europeu. O fosso entre ricos e pobres atingiu uma dimensão inédita.
As diferenças salariais entre administradores e restantes trabalhadores podem explicar o agravamento das desigualdades.
"Portugal não pode continuar a ser um dos países europeus em que a pobreza e a desigualdade entre os que trabalham é maior". A afirmação consta do programa do Governo, mas os mais recentes dados estatísticos sugerem que o País detém e vai continuar a deter aquele que é um dos recordes menos cobiçados do mundo desenvolvido.
Contrariando a tendência europeia, Portugal é hoje não apenas o "campeão", mas também o Estado-membro da União Europeia onde as disparidades de rendimento mais se acentuaram nos últimos anos"
Para além de as desigualdades na distribuição do rendimento se terem agravado ficamos também a saber que somos os mais mal pagos da UE a 15.
Continuemos a leitura do Diário Económico:
"Os números europeus, que mostram também que os portugueses são os mais mal pagos da União Europeia a 15, indicam que as contas da água, luz e gás se contam entre os serviços mais baixos e as telecomunicações entre os mais caros, de acordo com o ‘Jornal de Negócios’.
Com efeito, os preços das telecomunicações são, em média, dois por cento superiores aos dos restantes países da União Europeia a 15.
Ou seja, apesar de conseguirem comprar os produtos mais baratos, o que é uma vantagem, os portugueses têm salários percentualmente ainda mais baixos, o que significa que não podem fazer grandes poupanças com base no desfasamento registado pelo Eurostat (o organismo responsável pelas estatísticas da União Europeia).
Para agravar as condições dos portugueses, a carga fiscal tem vindo a crescer. O organismo de estatísticas da União Europeia conclui que a carga fiscal portuguesa atingiu os 35,3 por cento em 2005, quando dez anos antes se encontrava nos 31,9 por cento. Fazendo as contas aos valores do PIB divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), a preços do ano passado, esta variação representa um aumento de 5,2 mil milhões de euros.
Contudo, a avaliar pelo último Boletim da Primavera do Banco de Portugal, a carga fiscal terá aumentado 37 por cento em 2006.
Apesar do aumento, a carga fiscal em Portugal é inferior à média da União Europeia (39,6 por cento), mas é a décima mais elevada dos 27.
Também no que diz respeito ao salário mínimo, as estatísticas europeias não mostram o melhor. Segundo os últimos dados do Eurostat, divulgados em Julho, 5,5 portugueses em cada cem recebem o salário mínimo nacional, o que coloca Portugal, com 437 euros, a meio da tabela de 18 países da União Europeia.
O Luxemburgo lidera a tabela com 1503 euros por mês, encontrando-se a Letónia em último lugar, com um salário mínimo de 129 euros".
O patronato e os actuais actores dominantes no campo político e económico, também alegam frequentemente a impossibilidade económica de uma mais justa repartição do rendimento.
Desmistifiquemos esse argumento com a ajuda da informação públicada no site
http://resistir.info/portugal/desigualdades.html#asterisco :
Argumento muito habitual no discurso governamental e patronal é que não se pode aumentar os salários porque a massa salarial já é incomportável tendo em conta a riqueza produzida.
Os dados oficiais do Banco de Portugal que estão disponíveis no "site" deste organismo mostram claramente que os baixos salários que vigoram no nosso País têm provocada uma profunda desigualdade na repartição da riqueza produzida em Portugal.
Os dados mostram um claro e rápido agravamento da repartição da riqueza crida em Portugal nos últimos anos.
Como se sabe , o valor do Produto Interno Bruto dá precisamente o valor da riqueza que é criada em cada ano num país, o qual é depois repartido pelos diversos intervenientes no processo produtivo.
De acordo com os dados que foram publicados pelo próprio Banco de Portugal, em 1973, portanto no ano anterior à Revolução de Abril , a parte do rendimento nacional que os trabalhadores portugueses recebiam sob a forma de "Ordenados e Salários " representava apenas 47,4% do Produto Interno Bruto. Em 1974, com a Revolução de Abril, essa parte subiu para 52,5%, tendo atingido em 1975 o maior valor de sempre, que foi 59% do PIB. A partir deste ano, a parte que cabe aos trabalhadores começou a decrescer atingindo em 1995 apenas 35% do PIB segundo dados do Banco de Portugal, e ,no ano 2002, menos de 37% segundo uma estimativa feita com base em dados do Banco de Portugal, portanto um valor bastante inferior ao que se verificava mesmo antes do 25 de Abril.
Por outro lado, o chamado "Excedente Bruto de Exploração" , ou seja, os lucros brutos têm aumentado. Em 1975, representava apenas 24,3% do Produto Interno Bruto, enquanto em 1995 já atingia os 39,8% , ou seja, um valor superior ao verificado mesmo antes de 25 de Abril – em 1973 representava 37,1% - como provam os dados publicados pelo Banco de Portugal".
Contrariamente ao que afirma o discurso governamental e patronal, existe criação riqueza em Portugal, o que sucede é que ela está cada vez mais mal distribuída.
Que tal o regresso do "verdadeiro" partido socialista ao governo? A justiça social assim o reclama e os cidadãos agradecem.
"Portugal agrava fosso entre ricos e pobres para o pior nível europeu. O fosso entre ricos e pobres atingiu uma dimensão inédita.
As diferenças salariais entre administradores e restantes trabalhadores podem explicar o agravamento das desigualdades.
"Portugal não pode continuar a ser um dos países europeus em que a pobreza e a desigualdade entre os que trabalham é maior". A afirmação consta do programa do Governo, mas os mais recentes dados estatísticos sugerem que o País detém e vai continuar a deter aquele que é um dos recordes menos cobiçados do mundo desenvolvido.
Contrariando a tendência europeia, Portugal é hoje não apenas o "campeão", mas também o Estado-membro da União Europeia onde as disparidades de rendimento mais se acentuaram nos últimos anos"
Para além de as desigualdades na distribuição do rendimento se terem agravado ficamos também a saber que somos os mais mal pagos da UE a 15.
Continuemos a leitura do Diário Económico:
"Os números europeus, que mostram também que os portugueses são os mais mal pagos da União Europeia a 15, indicam que as contas da água, luz e gás se contam entre os serviços mais baixos e as telecomunicações entre os mais caros, de acordo com o ‘Jornal de Negócios’.
Com efeito, os preços das telecomunicações são, em média, dois por cento superiores aos dos restantes países da União Europeia a 15.
Ou seja, apesar de conseguirem comprar os produtos mais baratos, o que é uma vantagem, os portugueses têm salários percentualmente ainda mais baixos, o que significa que não podem fazer grandes poupanças com base no desfasamento registado pelo Eurostat (o organismo responsável pelas estatísticas da União Europeia).
Para agravar as condições dos portugueses, a carga fiscal tem vindo a crescer. O organismo de estatísticas da União Europeia conclui que a carga fiscal portuguesa atingiu os 35,3 por cento em 2005, quando dez anos antes se encontrava nos 31,9 por cento. Fazendo as contas aos valores do PIB divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), a preços do ano passado, esta variação representa um aumento de 5,2 mil milhões de euros.
Contudo, a avaliar pelo último Boletim da Primavera do Banco de Portugal, a carga fiscal terá aumentado 37 por cento em 2006.
Apesar do aumento, a carga fiscal em Portugal é inferior à média da União Europeia (39,6 por cento), mas é a décima mais elevada dos 27.
Também no que diz respeito ao salário mínimo, as estatísticas europeias não mostram o melhor. Segundo os últimos dados do Eurostat, divulgados em Julho, 5,5 portugueses em cada cem recebem o salário mínimo nacional, o que coloca Portugal, com 437 euros, a meio da tabela de 18 países da União Europeia.
O Luxemburgo lidera a tabela com 1503 euros por mês, encontrando-se a Letónia em último lugar, com um salário mínimo de 129 euros".
O patronato e os actuais actores dominantes no campo político e económico, também alegam frequentemente a impossibilidade económica de uma mais justa repartição do rendimento.
Desmistifiquemos esse argumento com a ajuda da informação públicada no site
http://resistir.info/portugal/desigualdades.html#asterisco :
Argumento muito habitual no discurso governamental e patronal é que não se pode aumentar os salários porque a massa salarial já é incomportável tendo em conta a riqueza produzida.
Os dados oficiais do Banco de Portugal que estão disponíveis no "site" deste organismo mostram claramente que os baixos salários que vigoram no nosso País têm provocada uma profunda desigualdade na repartição da riqueza produzida em Portugal.
Os dados mostram um claro e rápido agravamento da repartição da riqueza crida em Portugal nos últimos anos.
Como se sabe , o valor do Produto Interno Bruto dá precisamente o valor da riqueza que é criada em cada ano num país, o qual é depois repartido pelos diversos intervenientes no processo produtivo.
De acordo com os dados que foram publicados pelo próprio Banco de Portugal, em 1973, portanto no ano anterior à Revolução de Abril , a parte do rendimento nacional que os trabalhadores portugueses recebiam sob a forma de "Ordenados e Salários " representava apenas 47,4% do Produto Interno Bruto. Em 1974, com a Revolução de Abril, essa parte subiu para 52,5%, tendo atingido em 1975 o maior valor de sempre, que foi 59% do PIB. A partir deste ano, a parte que cabe aos trabalhadores começou a decrescer atingindo em 1995 apenas 35% do PIB segundo dados do Banco de Portugal, e ,no ano 2002, menos de 37% segundo uma estimativa feita com base em dados do Banco de Portugal, portanto um valor bastante inferior ao que se verificava mesmo antes do 25 de Abril.
Por outro lado, o chamado "Excedente Bruto de Exploração" , ou seja, os lucros brutos têm aumentado. Em 1975, representava apenas 24,3% do Produto Interno Bruto, enquanto em 1995 já atingia os 39,8% , ou seja, um valor superior ao verificado mesmo antes de 25 de Abril – em 1973 representava 37,1% - como provam os dados publicados pelo Banco de Portugal".
Contrariamente ao que afirma o discurso governamental e patronal, existe criação riqueza em Portugal, o que sucede é que ela está cada vez mais mal distribuída.
Que tal o regresso do "verdadeiro" partido socialista ao governo? A justiça social assim o reclama e os cidadãos agradecem.
Faço da vida um caminho em que a felicidade está nas pequenas grandes coisas que o mundo nos permite desfrutar.
"Carpe Diem"
domingo, agosto 12, 2007
Quem quer REN ou RAN quando se tem PIN?
Os PIN (Projectos de Interesse Nacional) são um miraculado instrumento de usurpação e de saque do território nacional por parte de alguns interesses privados poderosos de âmbito nacional e internacional.
É claro que todo o investimento é bem vindo, desde que criador de riqueza, seja ele de âmbito nacional ou estrangeiro.
O que não me parece de todo legítimo é que para que esse investimento se realize, seja necessário a "violação" das zonas do território consideradas Reserva Ecológica Nacional ou Reserva Agricola Nacional.
Ou há zonas do território nacional que são consideradas de interesse nacional e respeitadas por todos, independemente dos dinheiros envolvidos nessas negociatas de ocasião, ou não há.
Inventar situações de excepção para construir em zonas protegidas é da mais elementar falta de bom senso quanto ao exemplo a ser dado por qualquer governo em termos de políticas de ordenamento sustentado do território.
Estou completamente de acordo com Miguel de Sousa Tavares com as suas críticas aos PIN, pois esta invenção governativa só vai agravar o já bárbaro desordenamento do território no litoral Algarvio.
Proponho que ao contrário dos PIN (Projectos de Interesse Nacional) se inventem os TIN (Territórios de Interesse Nacional), conceito inovador, que significaria que há zonas do território nacional que são do interesse de todos os cidadãos portugueses e que por isso mesmo não são transacionaveis por quaisquer milhões de euros, pertença de quaisquer interesses privados contrários ao interesse nacional.
Vejamos o que diz Miguel de Sousa Tavares em artigo do Expresso de 11 de Agosto de 2007 intitulado "Somos um país extraordinário":
"O primeiro ministro foi ao Algarve anunciar mais sete megaprojectos imobiliário-turísticos, os quais, segundo o eng.º Macário Correia, determinaram o adiamento da entrada em vigor do PROTAL, o plano de ordenamento do território aprovado pelo próprio governo: é que, à luz das normas do plano, e se este já estivesse em vigor, os projectos não poderiam ser aprovados, nem como PIN. Assim, movido pelas melhores intenções, o Governo dispõe-se a pôr alguma ordem no "desenvolvimento" do Algarve. Mas, movido por ainda melhores intenções, trata primeiro de aprovar aquilo que possa contrariar as suas próprias leis. Na ria de Alvor, uma das raras paisagens naturais ainda preservadas de Portugal, o primeiro ministro deleitou-se a ouvir sete empresários chegarem-se sucessivamente ao microfone para elogiar a grande compreensão demonstrada pelo governo em prol do "desenvolvimento".
E imaginando já uma paisagem PIN, semeada de hotéis, golfes, vivendas e milhares de camas, onde antes só havia verde, Redes Natura, "habitats" protegidos por directivas europeias e "obstáculos" quejandos, José Sócrates contemplou este Portugal do futuro e, embevecido pela sua visão, exclamou: "Haverá sempre quem faça críticas, mas é disto que o país precisa!"
No coments!!!
Pois eu discordo e critíco. Um verdadeiro "desenvolvimento" que não signifique meramente "crescimento" económico, e que é a concepção saloia de "desenvolvimento" que ainda domina em Portugal, nos campos político e económico da vida social, só pode ser atingido, quando a Reserva Ecológica Nacional e a Reserva Agricola Nacional não forem instrumentos de apropriação do capital de zonas do território largamente apetecíveis pelo seu valor patrimonial paisagistico.
É dos TIN (Territórios de Interesse Nacional) que nós precisamos, isto, se não queremos fazer do conceito de Desenvolvimento Sustentável um slogam vazio e oco que apenas legitima o Crescimento Económico Insustentável.
Abraços sustentáveis
É claro que todo o investimento é bem vindo, desde que criador de riqueza, seja ele de âmbito nacional ou estrangeiro.
O que não me parece de todo legítimo é que para que esse investimento se realize, seja necessário a "violação" das zonas do território consideradas Reserva Ecológica Nacional ou Reserva Agricola Nacional.
Ou há zonas do território nacional que são consideradas de interesse nacional e respeitadas por todos, independemente dos dinheiros envolvidos nessas negociatas de ocasião, ou não há.
Inventar situações de excepção para construir em zonas protegidas é da mais elementar falta de bom senso quanto ao exemplo a ser dado por qualquer governo em termos de políticas de ordenamento sustentado do território.
Estou completamente de acordo com Miguel de Sousa Tavares com as suas críticas aos PIN, pois esta invenção governativa só vai agravar o já bárbaro desordenamento do território no litoral Algarvio.
Proponho que ao contrário dos PIN (Projectos de Interesse Nacional) se inventem os TIN (Territórios de Interesse Nacional), conceito inovador, que significaria que há zonas do território nacional que são do interesse de todos os cidadãos portugueses e que por isso mesmo não são transacionaveis por quaisquer milhões de euros, pertença de quaisquer interesses privados contrários ao interesse nacional.
Vejamos o que diz Miguel de Sousa Tavares em artigo do Expresso de 11 de Agosto de 2007 intitulado "Somos um país extraordinário":
"O primeiro ministro foi ao Algarve anunciar mais sete megaprojectos imobiliário-turísticos, os quais, segundo o eng.º Macário Correia, determinaram o adiamento da entrada em vigor do PROTAL, o plano de ordenamento do território aprovado pelo próprio governo: é que, à luz das normas do plano, e se este já estivesse em vigor, os projectos não poderiam ser aprovados, nem como PIN. Assim, movido pelas melhores intenções, o Governo dispõe-se a pôr alguma ordem no "desenvolvimento" do Algarve. Mas, movido por ainda melhores intenções, trata primeiro de aprovar aquilo que possa contrariar as suas próprias leis. Na ria de Alvor, uma das raras paisagens naturais ainda preservadas de Portugal, o primeiro ministro deleitou-se a ouvir sete empresários chegarem-se sucessivamente ao microfone para elogiar a grande compreensão demonstrada pelo governo em prol do "desenvolvimento".
E imaginando já uma paisagem PIN, semeada de hotéis, golfes, vivendas e milhares de camas, onde antes só havia verde, Redes Natura, "habitats" protegidos por directivas europeias e "obstáculos" quejandos, José Sócrates contemplou este Portugal do futuro e, embevecido pela sua visão, exclamou: "Haverá sempre quem faça críticas, mas é disto que o país precisa!"
No coments!!!
Pois eu discordo e critíco. Um verdadeiro "desenvolvimento" que não signifique meramente "crescimento" económico, e que é a concepção saloia de "desenvolvimento" que ainda domina em Portugal, nos campos político e económico da vida social, só pode ser atingido, quando a Reserva Ecológica Nacional e a Reserva Agricola Nacional não forem instrumentos de apropriação do capital de zonas do território largamente apetecíveis pelo seu valor patrimonial paisagistico.
É dos TIN (Territórios de Interesse Nacional) que nós precisamos, isto, se não queremos fazer do conceito de Desenvolvimento Sustentável um slogam vazio e oco que apenas legitima o Crescimento Económico Insustentável.
Abraços sustentáveis
Faço da vida um caminho em que a felicidade está nas pequenas grandes coisas que o mundo nos permite desfrutar.
"Carpe Diem"
sábado, agosto 04, 2007
Socialismo Moderno e Flexinsegurança
O actual governo do partido dito socialista é claramente seguidista das orientações mais extremas do neoliberalismo em quase todas as esferas da vida social.
A privatização e a destruição do Serviço Nacional de Saúde; a privatização da educação, a precarização geral do trabalho, a privatização dos sistemas de protecção social, o incentivo à criação dos "extraordinários" instrumentos de "desordenamento" do território que são os PIN's, são medidas políticas de sentido único claramente favoráveis aos interesses do capital e dos grandes interesses económicos que comandam as políticas socialistas.
A flexigurança é mais uma "invenção" social à medida dos interesses dominantes emanados das orientações neoliberais da União Europeia e que se inserem numa estratégia global de precarização do trabalho por parte dos agentes dominantes da ordem económica mundial.
Vejamos o que diz sobre o assunto um dos mais conceituados sociólogos portugueses da actualidade, em artigo da revista Visão de 2 de Agosto de 2007, intitulado "Flexinsegurança".
Passo a citar:
"Vivemos um tempo em que a estabilidade da economia só é possível à custa da instabilidade dos trabalhadores, em que a sustentabilidade das políticas sociais exige a vulnerabilidade crescente dos cidadãos em caso de acidente, doença ou desemprego.
Esta discrepância entre as necessidades do "sistema" e a vida das pessoas nunca foi tão disfarçada por conceitos que ora desprezam o que os cidadãos sempre prezaram ou ora prezam o que a grande maioria dos cidadãos não tem condições de prezar.
Entre os primeiros cito o emprego estável, pensão segura e assistência médica gratuita. De repente, o que antes era prezado é agora demonizado: a estabilidade do emprego torna-se rigídez nas relações laborais; as pensões transformam-se na metáfora da falência do Estado; o serviço nacional de saúde deixa de ser um benefício justo para ser um custo insuportável.
(...) No dominío das relações laborais está a emergir uma variante do conceito de autonomia. Chama-se flexigurança.
Trata-se de aplicar entre nós um modelo que tem sido adoptado com êxito num dos países com maior protecção social da Europa, a Dinamarca.
Em teoria trata-se de conferir mais flexibilidade às relações laborais sem pôr em causa a segurança do emprego e do rendimento dos trabalhadores. Na prática, vai aumentar a precarização dos contratos de trabalho num dos países na Europa onde, na prática, é já mais fácil despedir.
Não vai haver segurança de rendimentos, porque, enquanto o Estado providência da Dinamarca é um dos mais fortes da Europa, o nosso é o mais fraco; porque o subsídio de desemprego é baixo e termina antes que o novo emprego surja; porque o carácter semiperiférico da nossa economia e o pouco investimento em ciência e tecnologia vai levar a que as mudanças de emprego sejam, em geral, para piores, não para melhores empregos; porque a percentagem de trabalhadores portugueses que, apesar de trabalharem, estão abaixo do nível de pobreza, é já a mais alta da Europa; porque o factor de maior vulnerabilidade na vida dos trablhadores, a doença, está a aumentar através da política de destruição do Serviço Nacional de Saúde levada a cabo pelo ministro da saúde; porque os empresários portugueses sabem que os acordos de concertação social só são "obrigados" a cumprir as cláusulas que lhes são favoráveis, deixando incumpridas todas as restantes com a cumplicidade do Estado.
Enfim, com a flexigurança que, de facto, é uma flexinsegurança, os trabalhadores portugueses estarão, em teoria, muito próximos dos trabalhadores dinamarqueses e, na prática, muito próximos dos trabalhadores indianos".
Triste Socialismo!!! Com estas políticas, todos percebemos o acordo de concertação estratégica entre o primeiro ministro Sócrates e o Presidente Cavaco.
Há aberrações políticas que de tão inquestionáveis valem a pena ser questionadas.
Abraços carnavalescos de Verão.
A privatização e a destruição do Serviço Nacional de Saúde; a privatização da educação, a precarização geral do trabalho, a privatização dos sistemas de protecção social, o incentivo à criação dos "extraordinários" instrumentos de "desordenamento" do território que são os PIN's, são medidas políticas de sentido único claramente favoráveis aos interesses do capital e dos grandes interesses económicos que comandam as políticas socialistas.
A flexigurança é mais uma "invenção" social à medida dos interesses dominantes emanados das orientações neoliberais da União Europeia e que se inserem numa estratégia global de precarização do trabalho por parte dos agentes dominantes da ordem económica mundial.
Vejamos o que diz sobre o assunto um dos mais conceituados sociólogos portugueses da actualidade, em artigo da revista Visão de 2 de Agosto de 2007, intitulado "Flexinsegurança".
Passo a citar:
"Vivemos um tempo em que a estabilidade da economia só é possível à custa da instabilidade dos trabalhadores, em que a sustentabilidade das políticas sociais exige a vulnerabilidade crescente dos cidadãos em caso de acidente, doença ou desemprego.
Esta discrepância entre as necessidades do "sistema" e a vida das pessoas nunca foi tão disfarçada por conceitos que ora desprezam o que os cidadãos sempre prezaram ou ora prezam o que a grande maioria dos cidadãos não tem condições de prezar.
Entre os primeiros cito o emprego estável, pensão segura e assistência médica gratuita. De repente, o que antes era prezado é agora demonizado: a estabilidade do emprego torna-se rigídez nas relações laborais; as pensões transformam-se na metáfora da falência do Estado; o serviço nacional de saúde deixa de ser um benefício justo para ser um custo insuportável.
(...) No dominío das relações laborais está a emergir uma variante do conceito de autonomia. Chama-se flexigurança.
Trata-se de aplicar entre nós um modelo que tem sido adoptado com êxito num dos países com maior protecção social da Europa, a Dinamarca.
Em teoria trata-se de conferir mais flexibilidade às relações laborais sem pôr em causa a segurança do emprego e do rendimento dos trabalhadores. Na prática, vai aumentar a precarização dos contratos de trabalho num dos países na Europa onde, na prática, é já mais fácil despedir.
Não vai haver segurança de rendimentos, porque, enquanto o Estado providência da Dinamarca é um dos mais fortes da Europa, o nosso é o mais fraco; porque o subsídio de desemprego é baixo e termina antes que o novo emprego surja; porque o carácter semiperiférico da nossa economia e o pouco investimento em ciência e tecnologia vai levar a que as mudanças de emprego sejam, em geral, para piores, não para melhores empregos; porque a percentagem de trabalhadores portugueses que, apesar de trabalharem, estão abaixo do nível de pobreza, é já a mais alta da Europa; porque o factor de maior vulnerabilidade na vida dos trablhadores, a doença, está a aumentar através da política de destruição do Serviço Nacional de Saúde levada a cabo pelo ministro da saúde; porque os empresários portugueses sabem que os acordos de concertação social só são "obrigados" a cumprir as cláusulas que lhes são favoráveis, deixando incumpridas todas as restantes com a cumplicidade do Estado.
Enfim, com a flexigurança que, de facto, é uma flexinsegurança, os trabalhadores portugueses estarão, em teoria, muito próximos dos trabalhadores dinamarqueses e, na prática, muito próximos dos trabalhadores indianos".
Triste Socialismo!!! Com estas políticas, todos percebemos o acordo de concertação estratégica entre o primeiro ministro Sócrates e o Presidente Cavaco.
Há aberrações políticas que de tão inquestionáveis valem a pena ser questionadas.
Abraços carnavalescos de Verão.
Faço da vida um caminho em que a felicidade está nas pequenas grandes coisas que o mundo nos permite desfrutar.
"Carpe Diem"
quarta-feira, julho 25, 2007
Ensaio sobre a lucidez: A crise de legitimidade da democracia representativa
Revisitando os resultados das últimas eleições intercalares em Lisboa a mais forte conclusão que um analista não tendencioso pode tirar é a da crise de legitimidade da democracia representativa.
1. Desde logo porque o grande "vencedor" do dia foi a abstenção. Uns largamente preocupantes 63%. Este é sem dúvida o dado socio-político mais significativo.
2. Constatou-se também que os candidatos "dissidentes" dos partidos, os auto-denominados independentes, dos Movimentos "Lisboa com Carmona" e "Cidadãos por Lisboa" de Helena Roseta conseguiram aproximadamente 32% dos votos.
3. O candidato vencedor tem menos votos que os dois movimentos de dissidentes juntos (29,54%).
4. O candidato do PSD fica reduzido à infima expressão eleitoral de 15,74%.
5. Os pequenos partidos, à excepção do Bloco e do PCP que tiveram ligeiras quebras mas cuja tendência é de estabilidade na expressão eleitoral, ficaram reduzidos a pó.
6. Facto extraordinário e relativamente ignorado pelas análises politico-partidárias e mediatico-jornalisticas, a percentagem de votos nulos e em branco atingiu valores de uma expressão assinalável. O total de votos em branco (2,32%) e nulos (1,58%) ultrapassa o total de votos do CDS/PP (3,70%) e o total da soma de votos de todos os pequenos partidos sem representação parlamentar (PCTP/MRPP (1,59%); P.N.R (0,77%); PND (0,71%); MPT (0,54) e PPM (0,38%).
A profecia de Saramago no seu Ensaio sobre a Lucidez teve aqui uma pequena manifestação.
Não há dúvidas sobre o afastamento dos eleitores em relação aos eleitos e dos cidadãos em relação à politica partidária.
A partidocracia reduziu a democracia portuguesa à descrença na política, nos partidos e à capacidade dos mesmos como factor de transformação social da vida dos cidadãos.
O fenómeno é complexo e as causas são múltiplas mas há um factor que é evidente. A prática política dos actuais actores políticos e o fechamento dos partidos políticos sobre si "rebentou" com a legitimidade dos mesmos na condução da vida dos cidadãos.
A política reduziu-se ao económico. São os grandes interesses económicos que traçam o rumo da política económica e social. A política económica deixa pouco ou nenhum espaço para as diferenças que poderiam distinguir direita e esquerda.
A mediatização da vida política e o governo pelas "sondagens" reduziu a política a chavões bons para vender sabonetes, não se discutindo e debatendo as grandes questões de fundo; os políticos tornaram-se profissionais em busca da sua sobrevivência e dos lugares políticos e sociais mais vantajosos para os seus destinos pessoais.
Se há decadas atrás jogar no benfica era a referência de todo o jogador profissional que ali chegava, agora o Benfica é uma rampa de lançamento para os melhores clubes da Europa. A política seguiu os passos do futebol, veja-se o caso Durão Barroso.
A política nacional tornou-se um trampolim para os apetecíveis cargos a nível europeu.
A distância que vai da intriga política, da disputa e trocas de lugares, da visão e da mundivisão dos principais actores políticos em relação à realidade da vida quotidiana e dos problemas dos portugueses é abissal.
O primeiro ministro Sócrates (o tal que detesta os blogues e o que por lá se diz) deu hoje uma entrevista na SIC. É fascinante como a lógica de manutenção do poder faz recusar a realidade que temos pela frente. Entrou-se numa fase é que é preciso ser imune à critíca, em que é preciso acreditar nas suas "verdades" e em si próprio. Dentro em breve tornar-se-á necessário acreditar nas "mentiras" (ponho entre aspas não vá o diabo tecê-las) que se vão auto-produzindo...o pior é que quando isso acontece, é o fim de um ciclo político aquilo que se anuncia...e a seguir virá coisa melhor?
PS: Não quero deixar de dizer para não passar por velho do restelo que a política é a mais nobre das artes...O pior não é a política. São as práticas políticas actuais.
Abraços democráticos
1. Desde logo porque o grande "vencedor" do dia foi a abstenção. Uns largamente preocupantes 63%. Este é sem dúvida o dado socio-político mais significativo.
2. Constatou-se também que os candidatos "dissidentes" dos partidos, os auto-denominados independentes, dos Movimentos "Lisboa com Carmona" e "Cidadãos por Lisboa" de Helena Roseta conseguiram aproximadamente 32% dos votos.
3. O candidato vencedor tem menos votos que os dois movimentos de dissidentes juntos (29,54%).
4. O candidato do PSD fica reduzido à infima expressão eleitoral de 15,74%.
5. Os pequenos partidos, à excepção do Bloco e do PCP que tiveram ligeiras quebras mas cuja tendência é de estabilidade na expressão eleitoral, ficaram reduzidos a pó.
6. Facto extraordinário e relativamente ignorado pelas análises politico-partidárias e mediatico-jornalisticas, a percentagem de votos nulos e em branco atingiu valores de uma expressão assinalável. O total de votos em branco (2,32%) e nulos (1,58%) ultrapassa o total de votos do CDS/PP (3,70%) e o total da soma de votos de todos os pequenos partidos sem representação parlamentar (PCTP/MRPP (1,59%); P.N.R (0,77%); PND (0,71%); MPT (0,54) e PPM (0,38%).
A profecia de Saramago no seu Ensaio sobre a Lucidez teve aqui uma pequena manifestação.
Não há dúvidas sobre o afastamento dos eleitores em relação aos eleitos e dos cidadãos em relação à politica partidária.
A partidocracia reduziu a democracia portuguesa à descrença na política, nos partidos e à capacidade dos mesmos como factor de transformação social da vida dos cidadãos.
O fenómeno é complexo e as causas são múltiplas mas há um factor que é evidente. A prática política dos actuais actores políticos e o fechamento dos partidos políticos sobre si "rebentou" com a legitimidade dos mesmos na condução da vida dos cidadãos.
A política reduziu-se ao económico. São os grandes interesses económicos que traçam o rumo da política económica e social. A política económica deixa pouco ou nenhum espaço para as diferenças que poderiam distinguir direita e esquerda.
A mediatização da vida política e o governo pelas "sondagens" reduziu a política a chavões bons para vender sabonetes, não se discutindo e debatendo as grandes questões de fundo; os políticos tornaram-se profissionais em busca da sua sobrevivência e dos lugares políticos e sociais mais vantajosos para os seus destinos pessoais.
Se há decadas atrás jogar no benfica era a referência de todo o jogador profissional que ali chegava, agora o Benfica é uma rampa de lançamento para os melhores clubes da Europa. A política seguiu os passos do futebol, veja-se o caso Durão Barroso.
A política nacional tornou-se um trampolim para os apetecíveis cargos a nível europeu.
A distância que vai da intriga política, da disputa e trocas de lugares, da visão e da mundivisão dos principais actores políticos em relação à realidade da vida quotidiana e dos problemas dos portugueses é abissal.
O primeiro ministro Sócrates (o tal que detesta os blogues e o que por lá se diz) deu hoje uma entrevista na SIC. É fascinante como a lógica de manutenção do poder faz recusar a realidade que temos pela frente. Entrou-se numa fase é que é preciso ser imune à critíca, em que é preciso acreditar nas suas "verdades" e em si próprio. Dentro em breve tornar-se-á necessário acreditar nas "mentiras" (ponho entre aspas não vá o diabo tecê-las) que se vão auto-produzindo...o pior é que quando isso acontece, é o fim de um ciclo político aquilo que se anuncia...e a seguir virá coisa melhor?
PS: Não quero deixar de dizer para não passar por velho do restelo que a política é a mais nobre das artes...O pior não é a política. São as práticas políticas actuais.
Abraços democráticos
Faço da vida um caminho em que a felicidade está nas pequenas grandes coisas que o mundo nos permite desfrutar.
"Carpe Diem"
sexta-feira, julho 13, 2007
As consequências económico-sociais da ideologia neoliberal
"O neoliberalismo é o paradigma político definidor da economia dos nossos tempos, tendo como referência políticas e procedimentos que permitem que uns poucos interesses privados controlem o mais possível a vida social, por forma a maximizar o seu lucro pessoal.
Inicialmente associado a Reagan e a Margareth Thatcher, o neoliberalismo foi, ao longo das últimas décadas, a orientação dominante adoptada pelos partidos políticos situados ao centro, por muita da esquerda tradicional bem como pela direita no que se refere a opções de política económica global. Estes partidos e as políticas por eles desenvolvidas são representantes dos interesses imediatos de investidores extremamente poderosos e de umas quantas corporações cujo número não ascende a cem.
À parte alguns académicos e membros da comunidade dos negócios, o termo neoliberalismo é mal conhecido e pouco usado pelo cidadão comum, especialmente nos Estados Unidos. Ali, muito pelo contrário, as iniciativas neoliberais são caracterizadas como políticas de livre mercado, encorajadoras da livre empresa e da liberdade de escolha dos consumidores, premiando a liberdade pessoal e a iniciativa empresarial e destruindo o peso morto que constitui um governo incompetente, burocrático e parasita, o qual nada poderá fazer de bom, mesmo que seja esse o seu objectivo, coisa que raramente acontece.
Toda uma geração de técnicos de relações públicas financiada pelas corporações desenvolveu esforços e conseguiu emprestar a estes termos e ideias uma aura sagrada. Daí resulta que as afirmações que produzem raramente necessitam ser demonstradas, sendo antes invocadas como factor de racionalização que cobre áreas que vão desde a redução dos impostos sobre a riqueza ou o abandono de determinadas regulamentações ambientais até ao desmantelamento de programas de educação pública ou de segurança social.
Na verdade, qualquer actividade que possa interferir sobre o domínio da sociedade pelas corporações torna-se imediatamente suspeita, pois pode interferir com o funcionamento do livre mercado, considerado como o único distribuidor de bens e serviços racional, justo e democrático. No máximo da sua eloquência, os apóstolos do neoliberalismo, enquanto actores por conta de uns quantos endinheirados, surgem como defensores dos pobres e do ambiente e como estando a prestar um enorme serviço à comunidade.
As consequências económicas destas políticas tiveram praticamente os mesmos resultados idênticos onde quer que tenham sido aplicadas: um aumento maçico da desigualdade social e económica; um assinalável incremento da forte depêndencia das nações e dos povos mais pobres do mundo; um desastre ambiental global; uma economia global instável, e uma bonança sem precedentes para os ricos"
Robert McChesney in Chomsky, Noam (1999) Neoliberalismo e Ordem Global. Critica do Lucro.
Neoliberalismo e Ordem Global é um livro a não perder e uma critíca devastadora, daquele que foi considerado um dos maiores intelectuais do séc.XX, às consequências económicas e sociais do neoliberalismo.
E você, já viu passar por aí a ideologia neoliberal?
Abraços e bom fim de semana
Inicialmente associado a Reagan e a Margareth Thatcher, o neoliberalismo foi, ao longo das últimas décadas, a orientação dominante adoptada pelos partidos políticos situados ao centro, por muita da esquerda tradicional bem como pela direita no que se refere a opções de política económica global. Estes partidos e as políticas por eles desenvolvidas são representantes dos interesses imediatos de investidores extremamente poderosos e de umas quantas corporações cujo número não ascende a cem.
À parte alguns académicos e membros da comunidade dos negócios, o termo neoliberalismo é mal conhecido e pouco usado pelo cidadão comum, especialmente nos Estados Unidos. Ali, muito pelo contrário, as iniciativas neoliberais são caracterizadas como políticas de livre mercado, encorajadoras da livre empresa e da liberdade de escolha dos consumidores, premiando a liberdade pessoal e a iniciativa empresarial e destruindo o peso morto que constitui um governo incompetente, burocrático e parasita, o qual nada poderá fazer de bom, mesmo que seja esse o seu objectivo, coisa que raramente acontece.
Toda uma geração de técnicos de relações públicas financiada pelas corporações desenvolveu esforços e conseguiu emprestar a estes termos e ideias uma aura sagrada. Daí resulta que as afirmações que produzem raramente necessitam ser demonstradas, sendo antes invocadas como factor de racionalização que cobre áreas que vão desde a redução dos impostos sobre a riqueza ou o abandono de determinadas regulamentações ambientais até ao desmantelamento de programas de educação pública ou de segurança social.
Na verdade, qualquer actividade que possa interferir sobre o domínio da sociedade pelas corporações torna-se imediatamente suspeita, pois pode interferir com o funcionamento do livre mercado, considerado como o único distribuidor de bens e serviços racional, justo e democrático. No máximo da sua eloquência, os apóstolos do neoliberalismo, enquanto actores por conta de uns quantos endinheirados, surgem como defensores dos pobres e do ambiente e como estando a prestar um enorme serviço à comunidade.
As consequências económicas destas políticas tiveram praticamente os mesmos resultados idênticos onde quer que tenham sido aplicadas: um aumento maçico da desigualdade social e económica; um assinalável incremento da forte depêndencia das nações e dos povos mais pobres do mundo; um desastre ambiental global; uma economia global instável, e uma bonança sem precedentes para os ricos"
Robert McChesney in Chomsky, Noam (1999) Neoliberalismo e Ordem Global. Critica do Lucro.
Neoliberalismo e Ordem Global é um livro a não perder e uma critíca devastadora, daquele que foi considerado um dos maiores intelectuais do séc.XX, às consequências económicas e sociais do neoliberalismo.
E você, já viu passar por aí a ideologia neoliberal?
Abraços e bom fim de semana
Faço da vida um caminho em que a felicidade está nas pequenas grandes coisas que o mundo nos permite desfrutar.
"Carpe Diem"
terça-feira, julho 03, 2007
Festival MED: Loulé está de parabéns
O seu a seu dono. O festival MED de Loulé no seu quarto ano de existência é um autentico sucesso de promoção e de divulgação cultural. Bem idealizado, bem organizado e com boa qualidade musical.
Aproxima as culturas numa época em que a islamofobia tem tendência a acentuar-se. Apoia-se na diferença, fomenta a interculturalidade, dá a conhecer o que de bom se faz noutras partes do mundo.
Loulé precisava de um evento assim. Aliás, precisava de quatro ou cinco deste género ao longo do ano.
A cultura é crucial ao desenvolvimento económico e social de um povo. Eleva o gosto, desenvolve o espírito, democratiza as oportunidades sociais.
Os cidadãos algarvios sofrem claramente uma forte desigualdade social face ao acesso à cultura comparativamente com as grandes metrópoles do país. Os grandes espectáctulos culturais não vêm à provincia.
O financiamento das actividades culturais é muito insuficiente. O desconhecimento da cultura "erudita" da maior parte da população aumenta as desigualdades sociais face à fruição das obras culturais.
Loulé foi nos primeiros seis meses de 2007 um autêntico deserto cultural. O festival MED foi o canto do cisne da cultura louletana.
Está de parabéns o municipío louletano pela "invenção" deste invento.
Falta agora dar consistência à política cultural da cidade. Sabemos que os recursos são escassos e que a cultura não dá votos mas é também por aqui que se elevam os gostos culturais da população Louletana.
É preciso um maior apoio à criação de clubes de teatro, de música, de leitura, de pintura, etc.
Fazer da vivência da cultura uma forma de vida.
A escola ganharia, os resultados escolares melhoravam e os cidadãos agradeciam .
O público do festival MED vem sobretudo da pequena burguesia citadina, com maior capital cultural que a maioria da população Algarvia.
É preciso arranjar uma estratégia para inculcar o gosto pelas coisas da cultura às populações que mais distanciadas estão da mesma e que se encontram sobretudo nas classes populares.
Só democratizando o acesso à cultura estaremos perante uma verdadeira politica cultural digna desse nome.
Sabemos que não dá votos e que os efeitos só se vêm no longo prazo, mas para isso é que servem os políticos.
Parabéns à organização do festival.
Aproxima as culturas numa época em que a islamofobia tem tendência a acentuar-se. Apoia-se na diferença, fomenta a interculturalidade, dá a conhecer o que de bom se faz noutras partes do mundo.
Loulé precisava de um evento assim. Aliás, precisava de quatro ou cinco deste género ao longo do ano.
A cultura é crucial ao desenvolvimento económico e social de um povo. Eleva o gosto, desenvolve o espírito, democratiza as oportunidades sociais.
Os cidadãos algarvios sofrem claramente uma forte desigualdade social face ao acesso à cultura comparativamente com as grandes metrópoles do país. Os grandes espectáctulos culturais não vêm à provincia.
O financiamento das actividades culturais é muito insuficiente. O desconhecimento da cultura "erudita" da maior parte da população aumenta as desigualdades sociais face à fruição das obras culturais.
Loulé foi nos primeiros seis meses de 2007 um autêntico deserto cultural. O festival MED foi o canto do cisne da cultura louletana.
Está de parabéns o municipío louletano pela "invenção" deste invento.
Falta agora dar consistência à política cultural da cidade. Sabemos que os recursos são escassos e que a cultura não dá votos mas é também por aqui que se elevam os gostos culturais da população Louletana.
É preciso um maior apoio à criação de clubes de teatro, de música, de leitura, de pintura, etc.
Fazer da vivência da cultura uma forma de vida.
A escola ganharia, os resultados escolares melhoravam e os cidadãos agradeciam .
O público do festival MED vem sobretudo da pequena burguesia citadina, com maior capital cultural que a maioria da população Algarvia.
É preciso arranjar uma estratégia para inculcar o gosto pelas coisas da cultura às populações que mais distanciadas estão da mesma e que se encontram sobretudo nas classes populares.
Só democratizando o acesso à cultura estaremos perante uma verdadeira politica cultural digna desse nome.
Sabemos que não dá votos e que os efeitos só se vêm no longo prazo, mas para isso é que servem os políticos.
Parabéns à organização do festival.
Faço da vida um caminho em que a felicidade está nas pequenas grandes coisas que o mundo nos permite desfrutar.
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