A minha Lista de blogues

sexta-feira, março 14, 2008

Para mais tarde recordar: Sobre o abate de árvores um pouco por todo o lado

Abate de árvores em Loulé

Avenida José da Costa Mealha
Loulé, 14 de Março de 2008

Têm os Humanos direito de fazer isto aos Não Humanos?



Ser velha é razão suficiente?



No início do terceiro milénio a Avenida ainda era assim


Na era do Aquecimento Global...

Um novo pecado mortal...segundo a Igreja Católica.

Boa Páscoa

quinta-feira, março 13, 2008

Ainda o governo, os sindicatos e o clima anti-sindical: Escreve, quem sabe do que fala

Sobre o clima anti-sindical



Sindicalismo e conflitualidade

"Perante as profundas mudanças que vêm ocorrendo no mundo do trabalho (fragmentação, flexibilização, precariedade, etc), num contexto geral de desfiliação e individualismo, o movimento sindical vem enfrentando crescentes dificuldades. Enquanto o capital opera numa escala global, os sindicatos habituaram-se a agir numa lógica nacional ou sectorial (por vezes corporativa) da qual precisam de sair.

Historicamente, o sindicalismo foi o grande movimento da sociedade industrial, mas hoje continua amarrado a esse modelo e não se adaptou às exigências da sociedade pós-industrial da era da globalização. Precisa de alianças com novas formas de acção colectiva. Os novos movimentos sociais, por exemplo – embora menos estruturados e mais voláteis – são experiências de grande criatividade e impacto, em especial no uso que fazem das novas tecnologias e meios comunicacionais.

No pós-25 de Abril de 1974 a mobilização dos trabalhadores foi excepcional mas idealista e romântica. A partir de então a concertação social favoreceu a institucionalização dos sindicatos e os seus dirigentes foram-se afastando das bases. Hoje, porém, com a intensificação da precariedade e do individualismo, tende a crescer a desconfiança em relação à classe política e aos sindicatos, principalmente entre os sectores mais precários (e mais jovens), devido também ao clima de pressão e autoritarismo empresarial que se instalou.

Em relação à CGTP, a influência do PCP tem de facto servido de travão à renovação, mas a sua posição dominante na central beneficia do escasso envolvimento de outras forças partidárias. E é óbvio que a renovação não está no BI mas sim no diagnóstico, no discurso e nas práticas. Requer a reinvenção das formas de acção e de articulação com os sectores do chamado sub-emprego ou empregos atípicos e com outros movimentos sociais.

Na actual conjuntura é visível o divórcio entre o Governo e o eleitorado (que lhe deu a maioria). A sua fraca sensibilidade social, o défice de diálogo com os sindicatos, a estagnação económica com a crescente perda de poder de compra, o bloqueio das carreiras, o agravamento das desigualdades sociais, etc, conduziram ao enquistamento social e despoletaram a onda de contestação em curso.

Importa, portanto, não confundir estas grandes manifestações com manipulações político-partidárias. São protestos que traduzem um real descontentamento das pessoas e uma incapacidade do Governo para conquistar para as reformas os sectores sociais por elas atingidos (e que deveriam ser os seus protagonistas). As mudanças impostas em sectores como a Saúde e a Educação – desde logo, na forma – fazem tábua rasa à prática de diálogo e negociação que é apanágio da esquerda e do PS. Há uma postura anti-sindical por parte deste Governo, o que só contribui para agudizar os conflitos laborais".

Elísio Estanque, Sociólogo da Universidade de Coimbra. Março de 2008

Retirado do blogue Boa Sociedade

quarta-feira, março 12, 2008

Logo, desde o início: Dividir para reinar

Torre de Babel - A confusão das Línguas




A Torre de Babel

Naquele tempo a humanidade falava uma única língua, e todos usavam as mesmas palavras. Mas, a certa altura, puseram-se a caminho, saindo do oriente, e chegaram a uma planície da Mesopotânia, onde se fixaram. Disseram então uns para os outros: "Vamos fazer tijolos e cozê-los no forno!" Os tijolos serviam-lhes de pedra e o betume fazia as vezes da argamassa. Depois disseram: "Agora, vamos construir uma cidade com uma grande torre, que chegue até ao céu, pois temos que ficar famosos, antes que tenhamos de nos dispersar pelo mundo.
O Senhor desceu, para ver a cidade e a torre que os homens estavam a construir e disse então para consigo: "Eles são um só povo e falam todos a mesma língua.
Agora, puseram-se a fazer isto e, depois, ninguém mais os impedirá de fazerem aquilo que se lembrarem de fazer.
Vou mas é lá em baixo confundir as suas línguas de modo que eles não se entendam uns aos outros." E desta forma, o Senhor, os dispersou por todo o mundo e eles desistiram de construir a cidade.
Por isso, aquela cidade ficou a chamar-se Babel, porque foi lá que Deus confundiu as línguas da humanidade e foi de lá que os dispersou por todo o mundo.

In Génesis 11. A Torre de Babel.

A Bíblia - Uma das grandes obras primas da Humanidade.

segunda-feira, março 10, 2008

Os professores e a Ministra: Ver por detrás da cortina de fumo

José Madureira Pinto, sociólogo da Universidade do Porto, expõe no Público de Domingo, 9 de Março de 2008, com uma extraordinária clarividência porque falham as reformas educativas.

Sugere-se a leitura com a devida atenção. No meio de tanta poeira e nevoeiro em torno das coisas da educação é sempre bom haver alguém com a lucidez necessária na análise destas questões.

José Madureira Pinto - Política educativa: uma estranha coerência

"Com conteúdos e qualidade muito diversos, as medidas de política educativa do actual Governo manifestam, em qualquer caso, um princípio unificador bastante preciso: retirar direitos ("privilégios", no entendimento dos responsáveis governamentais), poder e auto-estima aos professores dos ensinos básico e secundário. Intrigado com esta estranha coerência, terminava José Gil a sua coluna na Visão de 21 de Fevereiro com a seguinte interrogação: "Nisto tudo, porquê tanto ódio, tanto desprezo, tanto ressentimento contra a figura do professor?"

Procurando contribuir para responder à pergunta, direi que a atitude governamental em causa, para se poder apresentar com tanta convicção e coerência, teve de basear-se em alguns equívocos, que passo a tentar enunciar.

O primeiro equívoco consiste em admitir que a sociedade portuguesa oferece aos jovens condições homogeneamente favoráveis de acesso e de relacionamento com a escola, tornando por isso fácil e padronizável a acção pedagógica. Partindo deste equívoco, o corolário político extraído pela actual equipa ministerial foi o de que os alegados maus resultados obtidos no sistema educativo português são directamente imputáveis aos seus protagonistas mais salientes: os professores e os órgãos de gestão das escolas.

A verdade é que, para sustentar tal posição, é preciso acreditar que: a sociedade portuguesa não é marcada por fortes desigualdades económico-sociais; é estatisticamente irrelevante a proporção de crianças e jovens a viverem em situação de pobreza ou em famílias com horizontes de emprego precários; não há défices de instrução e de literacia muito elevados entre a população adulta, portanto entre os pais de muitos alunos que hoje frequentam a escola; não há falta de tempo nem de preparação de muitos encarregados de educação para o acompanhamento escolar dos filhos; não há espaços residenciais estigmatizados nem formas de socialização desviantes a eles associadas; não há diluição de factores de motivação para o trabalho escolar induzidos pelo consumismo e por ilusões de ascensão social difundidas no campo dos media e das indústrias culturais e de lazer; não há carências nem falta de coordenação entre instituições de apoio social às populações e grupos escolares mais desfavorecidos; não há desmotivação dos jovens para o prosseguimento de estudos por falta de perspectivas profissionais valorizadoras das aprendizagens escolares; não há pressão para a saída precoce da escola em direcção a postos de trabalho precários e muito pouco qualificados (em Portugal ou até em Espanha); etc.

O segundo equívoco é, em grande medida, uma projecção do primeiro no modo de conceber o quotidiano concreto das escolas e desdobra-se, também ele, em múltiplas crenças: os equipamentos escolares têm sempre grande qualidade; as turmas reais têm a dimensão que lhes atribuem as "médias" oficiais; é estável, transparente e coerente a malha de regulamentação das actividades lectivas de iniciativa governamental (raramente avaliadas, aliás) a que os professores têm de se adaptar; não há alunos com dificuldades acumuladas nas turmas; há acompanhamento permanente a esses alunos por parte de equipas pluridisciplinares devidamente preparadas e estáveis; há muito tempo disponível no horário dos professores para se relacionarem com os colegas, para prepararem conscienciosamente as aulas e para se encontrarem consigo próprios no quadro de estratégias de autoformação consistentes e estimulantes; a sala de aula é um espaço de transmissão da mensagem pedagógica sem resistências nem dissidências por parte dos receptores, e onde a indisciplina é pontual e passageira; não há sofrimento nem forte incidência de burnout entre os docentes; etc.

Assumidas estas ficções sobre a sociedade portuguesa e as suas escolas concretas, basta que se assuma também o pressuposto (individualista/subjectivista) segundo o qual a acção dos professores depende exclusivamente de qualidades e intenções que lhes são "próprias", e não sobretudo, como acontece na prática social em geral, da estrutura de limitações e oportunidades com que se confrontam - basta que se assumam aquelas ficções e este pressuposto para se começar a acreditar, e depois a jurar, que os problemas da escola portuguesa começam e acabam na inabilidade, preguiça, "corporativismo", desleixo, desinteresse dos professores, responsabilizando-os publicamente por isso.

Foi esta a armadilha intelectual em que se deixou cair a equipa ministerial, quase desde o momento em que iniciou funções. Daí à hostilização sistemática dos professores, habilmente mediada pelo ataque às suas estruturas sindicais, não foi senão um passo. (...) Numa altura em que os teóricos da organização e gestão empresarial defendem cada vez mais a importância do envolvimento e participação criativa dos trabalhadores (encarados como actores "reflexivos"), desconfiando dos que teimam em racionalizar e controlar os comportamentos no espaço do trabalho sem ter em conta a pluralidade e riqueza das suas dimensões humanas, a obsessão "gestionária" do Governo no modo de conceber a actividade docente (actividade relacional por excelência) tem o seu quê de anacrónico - e pode vir a ter consequências muito negativas, se não forem revistos alguns dos seus fundamentos e modos de concretização."
Sociólogo; professor da Universidade do Porto.
[Público, 9 de Março de 2008]

domingo, março 09, 2008

O Aquecimento Global: Um problema do "estrangeiro"

Hello... Any body home?

Sobre o abate de árvores um pouco por todo o lado

Uma Verdade Inconveniente



E se fizessemos uma campanha de plantação de alguns milhares de árvores nas Terras de Loulé?

Seria uma política do passado ou virada para o futuro? E seria um custo ou um investimento?

Hello... any body home?

sexta-feira, março 07, 2008

Os sindicatos...são estruturas fundamentais da democracia portuguesa...e cruciais para o desenvolvimento económico e social do país

A Liberdade Sindical em Portugal



Os sindicatos são organizações cruciais para a regulação das leis laborais, do mundo do trabalho e do emprego e para o atingir de objectivos como maior justiça social e mais desenvolvimento económico e social.

Nos países Nórdicos, onde os sindicatos são elementos cruciais da negociação colectiva e actores colectivos respeitados e escutados, isto não tem impedido o alto desenvolvimento económico e social destes países.

Em Portugal, numa visão retrogada para a democracia, instalou-se a ideia que os sindicatos são apenas corporações de interesses prejudiciais ao desenvolvimento económico.

Visão sem qualquer fundamento empírico, uma vez que é a crispação social resultante da ausência de diálogo social e da busca de soluções participadas e relativamente consensuais que é efectivamente prejudicial ao avanço económico e social da nação.

O actual governo, que se diz socialista, detesta os sindicatos e vê nos mesmos um mero obstáculo à implementação das suas "boas" políticas, que desta forma condenadas ao insucesso, são depois justificadas no seu falhanço, pela incapacidade de "explicação" e de uma "boa" comunicação por parte dos responsáveis pela aplicação das reformas. Foi assim com Correia de Campos, vai ser assim com Maria de Lurdes Rodrigues , vai continuar a ser assim, porque o ethos governativo carateriza-se por fazer orelhas moucas.

André Freire, politólogo do ISCTE explicava,com extraordinária lucidez, em Outubro de 2007, o clima anti-sindicalista:

Num artigo recente demonstrei que, na Europa, a ancoragem social das orientações ideológicas dos eleitores radica não só nas suas pertenças de classe e nível de religiosidade, mas também nas suas atitudes face às organizações representativas das duas grandes clivagens que tradicionalmente têm estruturado a divisão esquerda-direita.

Ou seja, os eleitores de esquerda têm atitudes bastante mais positivas face aos sindicatos; os de direita têm atitudes bastante mais positivas face à Igreja e às grandes empresas. E a história política ilustra claramente o relacionamento (relações orgânicas, alianças, etc.) dos partidos situados em cada um dos quadrantes ideológicos com as organizações referidas.

Por isso, muitas pessoas, nomeadamente socialistas, se espantam com o clima anti-sindical que este Governo tem criado. Nas comemorações do 5 de Outubro, Dia Mundial do Professor, o Presidente declarou que "a figura do professor deve ser 'prestigiada e acarinhada' (...) (DN, 6/10/07)". Terá sentido que os professores não têm sido "prestigiados" e "acarinhados"... Provavelmente sim. Mas o primeiro-ministro viu naquelas palavras "uma palavra de incentivo ao Governo" (DN, 6/10/07)".

Já os responsáveis pela "Educação" e "Ciência, Tecnologia e Ensino Superior" faltaram às comemorações... Terão interpretado de forma diversa o discurso? Alguns comentadores acharam que sim... O primeiro-ministro "fez questão de distinguir os professores dos sindicatos (DN, 6/10/2007)". Começam aqui os episódios recentes da saga anti-sindical. Mas há vários antecedentes: por exemplo, desde que este Governo está em funções, já foram instaurados processos a 22 dirigentes da CGTP (Expresso, 13/10/07), etc, etc.

A 6/10, o primeiro-ministro visita Montemor-o-Velho e depara-se com uma manifestação de "dezenas de sindicalistas (...) que se deslocaram para protestar (...) contra as declarações do primeiro-ministro no dia do professor (...) (PÚBLICO, 8/10/07)". Sócrates terá sido apupado e declarou que se tratava de protestos conduzidos pelo PCP e que este "(...) confunde o direito de se manifestar com o direito de insultar (Idem)". Entretanto, a GNR "afastou os manifestantes (...) e apreendeu-lhes as bandeiras e as faixas" (Expresso, idem) e instaurou mais três queixas contra sindicalistas: faltava a autorização do Governo Civil. Ilustres constitucionalistas consideram, todavia, que o direito fundamental à manifestação não deve carecer de autorização (Francisco T. da Mota, PÚBLICO, 20/10/07).

Dois dias depois, o primeiro-ministro desloca-se a uma escola da Covilhã e depara-se com uma manifestação de sindicalistas indignados, nomeadamente, com o facto de antes disso dois polícias à paisana se terem deslocado a um sindicato (SPRC), numa atitude que foi interpretada como intimidatória. Segundo São José Almeida, "os agentes foram enviados ao sindicato com base num fax enviado pela segurança do primeiro ministro (PÚBLICO, 13/10/07)".

Na audição parlamentar do ministro da Administração Interna, Paulo Rangel (PSD) declarava que, com as suas atitudes anteriores, o primeiro-ministro teria "incitado" os polícias a irem ao sindicato (cito de memória). Seja como for, é errado ver os episódios da Covilhã como um caso isolado: eles inscrevem-se num clima anti-sindical recorrente suscitado pelas acções e omissões de vários membros do Executivo e são, primeiro, inaceitáveis do ponto de vista das liberdades democráticas e, segundo, estrategicamente erradas para um partido que ainda se chama socialista... Mais estranho ainda é o silêncio ensurdecedor da famosa ala esquerda, excepção feita a Alegre.

A tentativa de associar os protestos sindicais exclusivamente aos comunistas, mesmo os que são promovidos pela CGTP, não é nova e é errada, como evidenciou, por exemplo, a manifestação com cerca de 200 mil pessoas em 18/10/07. Na educação, há uma frente de 14 sindicatos a contestar as políticas do Governo, entre eles a FNE/UGT. E estas atitudes são uma ofensa a todos os membros da "tendência socialista" da CGTP.

Segundo um estudo de Augusto Santos Silva, do conjunto dos militantes do PS sindicalizados, a divisão por centrais é a seguinte: 29,5%, UGT, e 16,8%, CGTP. E devemos também atentar nos artigos de Manuel Maria Carrilho acerca da necessidade de renovar e apostar mais nas políticas para a qualificação (DN, 24-26/9/07): "Tudo feito com o máximo de abertura, conquistando a adesão dos agentes e dos destinatários dessas políticas, sem o que - não haja ilusões! - nenhuma reforma tem verdadeiro sucesso."

É óbvio que, na educação superior e não superior, o PS não está a conseguir mobilizar os agentes, muito pelo contrário. Vejam-se as cartas de leitores no PÚBLICO, as petições sobre o novo regime jurídico das universidades, a contestação do CRUP às políticas de Gago, etc, etc. Uma nota sobre os "insultos". Sinceramente, exceptuando talvez a utilização de palavrões, não sei bem o que isso é. E não vejo como é que isso pode ser usado para limitar o direito de manifestação sem se comprimirem liberdades fundamentais.

Na dia da Hispanidad (12/10), em Barcelona, os ultradireitistas queimaram retratos do vice-presidente do governo catalão e líder da Esquerda Republicana da Catalunha, Josep Carod Rovira; em Lleida, os independentistas queimaram fotografias do Rei Juan Carlos [El Pais, 13/10/07). Não consta que alguém se tenha indignado ou movido um processo judicial. Insultos? É apenas a expressão de divergências políticas em democracia, que por vezes é mais radical.

Quando manifestantes chamam mentirosos a governantes que não estão a cumprir promessas eleitorais isso é um insulto ou apenas a utilização de linguagem vulgar para lhes lembrar que não estão a honrar os compromissos?

Não será a ideia do respeitinho demasiado salazarenta?

André Freire Professor de Ciência Política (ISCTE)
"Público", 22/10/2007

É significativo que mais de 30 anos após o 25 de Abril de 1974 tenhamos a notícia da primeira prisão de um sindicalista por manifestação espontânea "ilegal".


"Primeira sentença por manifestação ilegal pós-Abril A 16 de Janeiro deste ano, João Serpa fica a saber que nas instalações do Sindicato da Construção Civil do Sul tinha sido entregue uma notificação para se apresentar no Tribunal de Oeiras no dia seguinte. Não sabia do que se tratava. Quando chegou ao Tribunal de Oeiras apercebeu-se de que ia ser presente a julgamento, acusado de ter participado numa manifestação ilegal de trabalhadores da Pereira da Costa, em Janeiro de 2005, um caso que pensava estar encerrado há muito tempo. Assim, sem ter sido notificado ao longo de meses, sem ter levado consigo testemunhas, nem tão pouco um advogado contratado, João Serpa teve a defendê-lo um advogado oficioso. Acabou condenado. A 24 de Janeiro, quando foi lida a sentença - 75 dias de prisão remíveis a multa..."
in http://aov.blogs.sapo.pt/88945.html

Bom fim de semana

quinta-feira, março 06, 2008

Populistas e Demagogos: Categorias discursivas actualmente dominantes na luta político-partidária

Gordo, forte, populista e demagogo




1. "CDS-PP diz que avaliação professores é «perversa», Sócrates acusa Portas de «total demagogia». O líder do CDS-PP classificou hoje como «perverso e absurdo» o novo sistema de avaliação de professores, com o primeiro-ministro a recusar as críticas e a acusar Paulo Portas de «total demagogia»".
in http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Politica/Interior.aspx?content_id=80254

2. "Candidato do Bloco às presidenciais critica “demagogia do Governo com faltas dos professores".
Francisco Louçã acusa Valter Lemos de ter perdido mandato como vereador por faltas injustificadas
Francisco Louçã afirmou hoje que "o Governo está a ir pelo mau caminho ao escolher a demagogia no relatório sobre faltas dos professores", quando o actual secretário de Estado da Educação, “enquanto vereador na Câmara de Penamacor, cessou funções por ter excedido o número de faltas injustificadas".
Ainda no tema Educação, Louçã acusou o Governo de "escolher a demagogia, ao publicar um relatório incompleto sobre as faltas dos professores". "Nenhum professor deve faltar sem justificação, mas o Governo faz um truque de mágica. O Ministério da Educação soma os doentes e as grávidas, que demoram a ter professor de substituição, na conta das faltas da caixa registadora da demagogia", argumentou o dirigente do Bloco de Esquerda".
in http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1239492&idCanal=58

3. "Na visita de uma delegação do PCP ao Centro de Saúde da Amora, Jerónimo de Sousa sublinhou «o claro exemplo da demagogia e da mentira do discurso governamental sobre a oferta de melhores serviços de saúde, nomeadamente de urgência, com o processo de reestruturação em curso".
in http://www.pcp.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=31194&Itemid=1

4. "Cavaco alerta para risco de demagogia estatística. Falando na sessão de abertura do 56.º congresso do International Statistical Institute (o mais importante organismo internacional nesta área), em Lisboa, o Presidente insistiu nos alertas sobre o correcto uso de números estatísticos. "As estatísticas são, por vezes, usadas com fins demagógicos, o que todos sabemos poder ser conseguido através da manipulação dos resultados e da deturpação da informação recolhida", frisou. Uma "arma" nada despicienda: "As estatísticas são um instrumento poderoso de conhecimento da sociedade, essenciais à tomada de decisão, à definição e avaliação de estratégias e até ao próprio debate político." "
in http://dn.sapo.pt/2007/08/23/nacional/cavaco_alerta_para
_risco_demagogia_e.html

5. "O presidente do PSD, Luís Filipe Menezes, acusou hoje o primeiro-ministro de, “numa lógica quase estalinista”, ter-se indignado com algo “que não aconteceu”, aludindo a declarações sobre a morte de dois bebés a caminho do hospital.
“É insuportável a forma demagógica, populista, como o senhor primeiro-ministro está a fazer política em Portugal”, afirmou, acrescentando ter visto domingo José Sócrates “indignado porque a oposição estaria a utilizar a desgraça decorrente da morte de duas crianças infelizes [em Anadia e Viseu], em circunstâncias ainda por apurar”".in http://www.luisfilipemenezes.com/2008/01/21/menezes-acusa-socrates-de-se-indignar
-com-uma-coisa-que-nao-aconteceu/

6. "Até agora só houve um avanço palpável: a redução do prazo médio de pagamento aos fornecedores". A acusação foi feita pelo deputado municipal do Partido Socialista, Hugo Nunes, em relação ao relatório de gestão das Contas de Gerência de 2003, durante a Assembleia Municipal de Loulé, decorrida na passada segunda-feira, 26 de Abril.
Este deputado acusou, aliás, o executivo louletano, presidido pelo social-democrata Seruca Emídio, de estar a enganar os munícipes em relação à redução da dívida camarária (que teria passado de 3,5 milhões para 2 milhões de contos em 2003). Neste sentido, Hugo Nunes garantiu que, em 2001, a câmara devia mais de 28 milhões de euros; em 2002, a dívida já era superior a 33 milhões de euros e, no ano passado, este valor manteve-se superior a 30 milhões de euros. Portanto, "era bom que deixassem essa demagogia, principalmente porque os valores que apresentam não são os correctos", satirizou".
in http://www.regiaosul.pt/noticia.php?refnoticia=34193

7. "José Graça critica demagogia socialista. O presidente do PSD/Loulé fez uma explicação do estado das contas da autarquia e dos fundos transferidos para a Junta de Freguesia de Almancil. “O dinheiro transferido para as juntas de freguesia obedeceu, neste mandato, a critérios objectivos e que foram claramente explicados atempadamente a todos os presidentes de juntas de freguesia. Não houve neste mandato qualquer tipo de preferência por esta ou aquela junta. As regras são claras e justas”, referiu. Para além de explicar a evolução positiva das dívidas da câmara municipal, a diminuição do seus passivo graças ao aumento das receitas do urbanismo e ao controlo da despesa, falou num caso particular em Almancil: “Quando tomámos posse, o Jardim Público de Almancil, que os responsáveis socialistas reclamam como obra sua, tinha sido pago, do seu custo total, zero euros. É pura demagogia política vir reclamar obra feita”".
in http://www.planetalgarve.net/almancil.php?id=18773

8. "Relativamente aos problemas de insegurança que se têm vivido nas últimas semanas na cidade de Loulé, o executivo da autarquia presidido por Seruca Emídio declarou ser este “um assunto sério demais para ser utilizado da forma simplista e com o argumento político-partidário como foi apresentada pelo PS”.
Em suma, a proposta apresentada pelos socialistas e não aceite pela maioria PSD na resolução do problema é, de acordo com os responsáveis da edilidade, insuficiente para acabar com o flagelo que atinge toda a sociedade portuguesa, e não deverá ser, de forma alguma, utilizado como instrumento político. Nesse sentido, o edil de Loulé relembra ainda que, há uns anos atrás, houve uma manifestação pública em Quarteira sobre o problema da insegurança, numa altura em que o PS era governo e poder político na autarquia, e, no entanto, os sociais-democratas não tiveram um comportamento demagógico como está a acontecer neste momento".
in http://mlking.cm-loule.pt/index.php?option=com_noticias&id=1055

9. "União Européia está pronta para conferir ao Brasil o estatuto de "parceiro estratégico privilegiado". A informação foi dada à Folha pelo próprio presidente da Comissão Européia, o ex-primeiro-ministro português José Manuel Durão Barroso, para quem esse status é uma "necessidade", porque o Brasil "é uma potência econômica e, política e culturalmente, é cada vez mais interessante".
A parceria estratégia significa, por exemplo, reuniões de cúpula entre as duas partes com certa freqüência, um diálogo político mais estruturado e, também, "mecanismos mais ambiciosos de cooperação econômica, de cooperação cultural e também nas grandes questões globais", explica o político.
Durão Barroso, ressalvando que falava a título pessoal, e não como presidente da Comissão, criticou, sem citá-los nominalmente, líderes latino-americanos que "confirmam a visão estereotipada que há sobre a América Latina, sobre o caudilhismo -de direita ou de esquerda-, sobre o populismo, sobre a exploração demagógica dos sentimentos do povo por mensagens simplistas"".
in http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=20787024

10. "Além de lhe vaticinar um futuro político, Júdice não se coibiu de tecer comentários sobre o perfil de Marinho Pinto. “Isto não me surpreende. Eu disse que ele ia ser assim. Ele é um Mussolini, um Chávez, é um populista e demagogo.” Mais: “É um homem inteligente, provocador, corajoso, tem uma tribuna magnífica, ele é um incontinente, não se vai calar, não vai provar nada, mas isso é irrelevante para os descontentes.”
A avaliar pelo caminho seguido por Marinho Pinto, Júdice acredita que em 2011, “pela primeira vez”, vai haver um candidato “populista, gordo, forte”, à esquerda. E não será Francisco Louçã, do Bloco de Esquerda, “que tem voz de cana rachada”, nem Miguel Portas (BE), que “não tem postura para ser populista”, ou mesmo Jerónimo de Sousa, líder do PCP, “que é prudente como todos os ortodoxos comunistas”".
in http://www.correiodamanha.pt/noticia.asp?idCanal=0&id=276635

Estamos apenas perante uma infíma amostra dos usos da demagogia e do populismo.

Sempre que as opiniões são contrárias às defendidas por cada actor político, cá vai disto...populismo e demagogia.

Bom resto de semana




Lugares da minha vida...

Passeio de Gondola em Veneza


Música na Praça de São Marcos


Máscaras e trajes no carnaval de Veneza

terça-feira, março 04, 2008

Podem os partidos políticos ser estruturas democráticas? Robert Michels e a lei de ferro da oligarquia

Robert Michels, sociólogo Italiano, ficou célebre em 1976, com a divulgação da Lei de Ferro da Oligarquia dos Partidos.

"A oligarquia significa o governo por poucos. De acordo com Michels, quanto maior e mais burocratizada se torna uma organização, maior é o grau de poder concentrado nas mãos de um pequeno grupo de pessoas em posições elevadas. Michels baseou a sua tese no desenvolvimento do Partido Social Democrata na Alemanha, o qual estava explicitamente comprometido com ideais de participação das massas nas decisões políticas.

O partido estava a tornar-se a principal força da política alemã daquele período (...) O seu próprio sucesso trouxe o aumento da burocracia interna, enquanto o partido crescia em tamanho.

Michels tentou provar que o poder real estava a ser monopolizado crescentemente pelos que no topo dirigiam a burocracia do partido - uns poucos funcionários superiores.

Ironicamente, o Partido Social Democrata tinha vindo a ser dominado por uma pequena clique, exactamente da mesma maneira que os partidos conservadores aos quais se opunha. Todas as grandes organizações, de acordo com Michels, mostram as mesmas tendências.

A governação por poucos é simplesmente um aspecto inevitável da natureza burocrática das grandes organizações. Se o argumento for válido, as consequências são graves para quem quer que defenda a participação democrática. O próprio Michels foi progresivamente abandonando os ideais socialistas que outrora defendia.

Tal como Weber, Michels identificou uma fonte genuína de tensão nas sociedades modernas entre as tendências no sentido da burocracia, por um lado, e o desenvolvimento da democracia, por outro. A democracia das massas só pode existir se existir eleições regulares e organizações partidárias bem desenvolvidas, mas isto provoca o avanço da burocracia, porque tem que haver funcionários a tempo inteiro que supervisionem ou administrem os partidos.

Pressupõe-se que a democracia envolva a participação das massas no sistema político; no entanto, o crescimento dos partidos democráticos conduz ao desenvolvimento de grandes máquinas partidárias burocratizadas dominadas por cliques de líderes."
In Anthony Giddens, Sociologia, Lisboa, FCG, 1997, pp. 355-356.

A lei férrea da oligarquia de Michels, é quando uma pequena elite tende a criar os mecanismos que a eternizam no poder.

A obra de Michels ajuda-nos a perceber o fechamento dos partidos sobre si próprios, as lógicas e estratégias de perpetuação dos políticos no poder, o divórcio dos cidadãos da vida partidária e o crescimento um pouco por todo o lado de novos movimentos de cidadãos fora das estruturas partidárias.

A Lei de Ferro da Oligarquia dos Partidos

segunda-feira, março 03, 2008

Karl Marx e Friederich Engels e o Manifesto do Partido Comunista: Homens e obras que mudaram o mundo

Porque há obras que são cruciais ao actual entendimento do mundo

...mesmo que o mundo já seja outro...

Karl Marx e Friederich Engels - O Manifesto do Partido Comunista



MANIFESTO DO PARTIDO COMUNISTA

"Anda um espectro pela Europa - o espectro do Comunismo. Todos os poderes da velha Europa se aliaram para uma santa caçada a este espectro, o papa e o tsar, Metternich e Guizot, radicais franceses e polícias alemães.
Onde está o partido de oposição que não tivesse sido vilipendiado pelos seus adversários no governo como comunista, onde está o partido de oposição que não tivesse arremessado de volta, tanto contra os oposicionistas mais progressistas como contra os seus adversários reaccionários, a recriminação estigmatizante do comunismo?

Deste facto concluem-se duas coisas.

O comunismo já é reconhecido por todos os poderes europeus como um poder.

Já é tempo de os comunistas exporem abertamente perante o mundo inteiro o seu modo de ver, os seus objectivos, as suas tendências, e de contraporem à lenda do espectro do comunismo um Manifesto do próprio partido.

Com este objectivo reuniram-se em Londres comunistas das mais diversas nacionalidades e delinearam o Manifesto seguinte, que é publicado em inglês, francês, alemão, italiano, flamengo e dinamarquês.

I - Burgueses e Proletários

A história de toda a sociedade até aqui é a história de lutas de classes.
Homem livre e escravo, patrício e plebeu, barão e servo, burgueses de corporação e oficial, em suma, opressores e oprimidos, estiveram em constante oposição uns aos outros, travaram uma luta ininterrupta, ora oculta ora aberta, uma luta que de cada vez acabou por uma reconfiguração revolucionária de toda a sociedade ou pelo declínio comum das classes em luta.

Nas anteriores épocas da história encontramos quase por toda a parte uma articulação completa da sociedade em diversos estados [ou ordens sociais], uma múltipla gradação das posições sociais. Na Roma antiga temos patrícios, cavaleiros, plebeus, escravos; na Idade Média: senhores feudais, vassalos, burgueses de corporação, oficiais, servos, e ainda por cima, quase em cada uma destas classes, de novo gradações particulares.

A moderna sociedade burguesa, saída do declínio da sociedade feudal, não aboliu as oposições de classes. Apenas pôs novas classes, novas condições de opressão, novas configurações de luta, no lugar das antigas.
A nossa época, a época da burguesia, distingue-se, contudo, por ter simplificado as oposições de classes. A sociedade toda cinde-se, cada vez mais, em dois grandes campos inimigos, em duas grandes classes que directamente se enfrentam: burguesia e proletariado."

in http://www.dorl.pcp.pt/images/classicos/manifesto%20ed%20avante%2097.pdf

Ninguém compreenderá as sociedades capitalistas de hoje sem ler a obra de Marx.

As classes são como as bruxas...elas andam por aí...sob novas formas claro...mas andam algures por aí...

domingo, março 02, 2008

Génesis: Uma das mais belas criações literárias

No Centro do Tecto da Capela Sistina



O primeiro livro impresso: A Bíblia

Génesis

Capítulo 1

No princípio criou Deus os céus e a terra. A terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo, mas o Espírito de Deus pairava sobre a face das águas. Disse Deus: haja luz. E houve luz. Viu Deus que a luz era boa; e fez separação entre a luz e as trevas. E Deus chamou à luz dia, e às trevas noite. E foi a tarde e a manhã, o dia primeiro. E disse Deus: haja um firmamento no meio das águas, e haja separação entre águas e águas. Fez, pois, Deus o firmamento, e separou as águas que estavam debaixo do firmamento das que estavam por cima do firmamento. E assim foi. Chamou Deus ao firmamento céu.

E foi a tarde e a manhã, o dia segundo. E disse Deus: Ajuntem-se num só lugar as águas que estão debaixo do céu, e apareça o elemento seco. E assim foi. Chamou Deus ao elemento seco terra, e ao ajuntamento das águas mares. E viu Deus que isso era bom. E disse Deus: Produza a terra relva, ervas que dêem semente, e árvores frutíferas que, segundo as suas espécies, dêem fruto que tenha em si a sua semente, sobre a terra. E assim foi.

A terra, pois, produziu relva, ervas que davam semente segundo as suas espécies, e árvores que davam fruto que tinha em si a sua semente, segundo as suas espécies. E viu Deus que isso era bom. E foi a tarde e a manhã, o dia terceiro. E disse Deus: haja luminares no firmamento do céu, para fazerem separação entre o dia e a noite; sejam eles para sinais e para estações, e para dias e anos; e sirvam de luminares no firmamento do céu, para alumiar a terra.

E assim foi. Deus, pois, fez os dois grandes luminares: o luminar maior para governar o dia, e o luminar menor para governar a noite; fez também as estrelas. E Deus os pôs no firmamento do céu para alumiar a terra, para governar o dia e a noite, e para fazer separação entre a luz e as trevas. E viu Deus que isso era bom. E foi a tarde e a manhã, o dia quarto. E disse Deus: Produzam as águas cardumes de seres viventes; e voem as aves acima da terra no firmamento do céu.

Criou, pois, Deus os monstros marinhos, e todos os seres viventes que se arrastavam, os quais as águas produziram abundantemente segundo as suas espécies; e toda ave que voa, segundo a sua espécie. E viu Deus que isso era bom. Então Deus os abençoou, dizendo: Frutificai e multiplicai-vos, e enchei as águas dos mares; e multipliquem-se as aves sobre a terra. E foi a tarde e a manhã, o dia quinto. E disse Deus: Produza a terra seres viventes segundo as suas espécies: animais domésticos, répteis, e animais selvagens segundo as suas espécies.

E assim foi. Deus, pois, fez os animais selvagens segundo as suas espécies, e os animais domésticos segundo as suas espécies, e todos os répteis da terra segundo as suas espécies. E viu Deus que isso era bom. E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; domine ele sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu, sobre os animais domésticos, e sobre toda a terra, e sobre todo réptil que se arrasta sobre a terra. Criou, pois, Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.

Então Deus os abençoou e lhes disse: Frutificai e multiplicai-vos; enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todos os animais que se arrastam sobre a terra. Disse-lhes mais: Eis que vos tenho dado todas as ervas que produzem semente, as quais se acham sobre a face de toda a terra, bem como todas as árvores em que há fruto que dê semente; ser-vos-ão para mantimento. E a todos os animais da terra, a todas as aves do céu e a todo ser vivente que se arrasta sobre a terra, tenho dado todas as ervas verdes como mantimento. E assim foi. E viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom. E foi a tarde e a manhã, o dia sexto.

Capítulo 2

Assim foram acabados os céus e a terra, com todo o seu exército. Ora, havendo Deus completado no dia sétimo a obra que tinha feito, descansou nesse dia de toda a obra que fizera. Abençoou Deus o sétimo dia, e o santificou; porque nele descansou de toda a sua obra que criara e fizera. Eis as origens dos céus e da terra, quando foram criados.

No dia em que o Senhor Deus fez a terra e os céus não havia ainda nenhuma planta do campo na terra, pois nenhuma erva do campo tinha ainda brotado; porque o Senhor Deus não tinha feito chover sobre a terra, nem havia homem para lavrar a terra. Um vapor, porém, subia da terra, e regava toda a face da terra. E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou-lhe nas narinas o fôlego da vida; e o homem tornou-se alma vivente.

Então plantou o Senhor Deus um jardim, da banda do oriente, no Éden; e pôs ali o homem que tinha formado. E o Senhor Deus fez brotar da terra toda qualidade de árvores agradáveis à vista e boas para comida, bem como a árvore da vida no meio do jardim, e a árvore do conhecimento do bem e do mal. E saía um rio do Éden para regar o jardim; e dali se dividia e se tornava em quatro braços. O nome do primeiro é Pisom: este é o que rodeia toda a terra de Havilá, onde há ouro; e o ouro dessa terra é bom: ali há o bdélio, e a pedra de berilo.

O nome do segundo rio é Giom: este é o que rodeia toda a terra de Cuche. O nome do terceiro rio é Tigre: este é o que corre pelo oriente da Assíria. E o quarto rio é o Eufrates. Tomou, pois, o Senhor Deus o homem, e o pôs no jardim do Édem para o lavrar e guardar. Ordenou o Senhor Deus ao homem, dizendo: De toda árvore do jardim podes comer livremente; mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dessa não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás.

Disse mais o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma ajudadora que lhe seja idônea. Da terra formou, pois, o Senhor Deus todos os animais o campo e todas as aves do céu, e os trouxe ao homem, para ver como lhes chamaria; e tudo o que o homem chamou a todo ser vivente, isso foi o seu nome. Assim o homem deu nomes a todos os animais domésticos, às aves do céu e a todos os animais do campo; mas para o homem não se achava ajudadora idônea.

Então o Senhor Deus fez cair um sono pesado sobre o homem, e este adormeceu; tomou-lhe, então, uma das costelas, e fechou a carne em seu lugar; e da costela que o Senhor Deus lhe tomara, formou a mulher e a trouxe ao homem. Então disse o homem: Esta é agora osso dos meus ossos, e carne da minha carne; ela será chamada varoa, porquanto do varão foi tomada. Portanto deixará o homem a seu pai e a sua mãe, e unir-se-á à sua mulher, e serão uma só carne. E ambos estavam nus, o homem e sua mulher; e não se envergonhavam.

Boa semana

sábado, março 01, 2008

Geneticamente contra o poder

Futuro Ministro de uma coisa um pouco vaga: O Mar



Mar Português

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quere passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.

Fernando Pessoa