Cavaco e Silva foi à India falar do Portugal do século XXI:
"Um país empreendedor, confiante em si próprio, com fortes padrões de disciplina e estabilidade financeiras"
Público de 13 de Janeiro de 2007
Eça de Queiróz comenta nas Farpas:
"Aproxima-te um pouco de nós, e vê.
O país perdeu a inteligência e a consciência moral.Os costumes estão dissolvidos, as consciências em debandada, os caracteres corrompidos. A prática da vida tem como única direcção a conveniência. Não há princípio que não seja desmentido. Não há instituição que não seja escarnecida. Ninguém se respeita. Não há nenhuma solidariedade entre os cidadãos.
Ninguém crê na solidariedade dos homens públicos. Alguns agiotas felizes exploram. A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inercia. O povo está na miséria. Os serviços públicos são abandonados a uma rotina dormente. O desprezo pelas ideais aumenta em cada dia.
Vivemos todos ao acaso. Perfeita, absoluta indiferença de cima abaixo! Toda a vida espiritual, intelectual, parada. O tédio invadiu todas as almas. A mocidade arrasta-se envelhecida da mesa das secretárias para a mesa dos cafés. A ruína económica cresce, cresce,cresce. As quebras sucedem-se. O pequeno comércio definha. A indústria enfraquece. A sorte dos operários é lamentável. O salário diminui. A renda também diminui.
O Estado é tratado na sua acção fiscal como um ladrão e tratado como um inimigo.
Neste salve-se quem puder a burguesia proprietária de casas explora o aluguel. A agiotagem explora o juro. A ignorância pesa sobre o povo como uma fatalidade. O número de escolas só por si é dramático. O professor é um empregado de eleições. A população dos campos, vivendo em casebres ignóbeis, sustentando-se de sardinha e de vinho, trabalhando para o imposto por meio de uma agricultura decadente, puxa uma vida miserável, sacudida pela penhora: ignorante, entorpecida, de toda a vitalidade humana conserva unicamente um egoísmo feroz e uma devoção automática.
No entanto a intriga política alastra-se. O país vive numa sonolência enfastiada. Apenas a devoção insciente perturba o silêncio da opinião com padres-nossos maquinais.
Não é uma existência, é uma expiação.
A certeza deste rebaixamento invadiu todas as consciências. Diz-se por toda a parte: o país está perdido!
Ninguém se ilude. Diz-se nos conselhos de ministros e nas estalagens. E que se faz? Atesta-se, conversando e jogando o voltarete que de norte a sul, no Estado, na economia, na moral, o país está desorganizado - e pede-se conhaque!
Assim todas as consciências certificam a podridão, mas todos os temperamentos se dão bem na podridão!"
Eça de Queirós, As Farpas, Maio de 1871
Ps: Que cada um faça a interpretação que lhe parecer mais justa.
Bom fim de semana para todos e um abraço especial para o Luisão do Benfica.
A minha Lista de blogues
domingo, janeiro 14, 2007
Retratos de um país à beira mar plantado
Faço da vida um caminho em que a felicidade está nas pequenas grandes coisas que o mundo nos permite desfrutar.
"Carpe Diem"
sexta-feira, janeiro 12, 2007
A arrogância do Estado Português
Não é novidade para ninguém que o Estado Português tem "má fama" e está divorciado dos cidadãos a quem devia servir.
Expressões discursivas como "eles" fazem o que querem, ou ainda, "eles" é que mandam nisto, frequentes na sociedade portuguesa são o sinónimo da percepção dos serviços do Estado como um bem que deveria ser público e ao serviço do interesse geral mas que pratica o contrário do que apregoa.
O Estado Português é extraordinariamente burocratico, excessivamente centralizado, criador de desigualdades sociais e profundamente injusto, desconfia do cidadão, trata-o desumanamente e é reverente para as elites de que é dependente.
Não há vida social que resista, nem projectos de futuro que sobrevivam com a arrogante sobranceria da administração pública portuguesa.
Tendo o designado Estado Providencia chegado tarde a Portugal. Quando se começa a constituir, já os modernos Estados Providencia Europeus mais "avançados" estavam a entrar em crise, nunca chegou a prestar um verdadeiro serviço público ao cidadão.
O Welfare State Português começou a desmantelar-se antes de o ser. As teses neoliberais farão o resto da destruição...
Este mês fui eu a vitíma. Atrasei-me na entrega da declaração de IVA de uma actividade que não tive qualquer lucro em 2006 e que já não exerço, pois "ganhei" 0 euros em todo o ano, e chegou-me uma carta do Ministério das Finanças para pagar 122,25 Euros da respectiva coima.
Sem rendimentos auferidos desta actividade. Com os impostos e a segurança social paga e em dia, respeitantes à minha actividade principal, o Estado Português é assim, não "perdoa" pois a lei é geral e abstrata e o burocrata faz da Lei o seu objectivo de vida.
Não interessa que o cidadão nada deva ao Estado. Não interessa que não exista IVA a pagar. O simples facto de atraso na entrega de uma declaração sem dividas é razão quanto baste para arrecadar um terço do salário mínimo nacional.
Só espero que o "dinheirinho" que o João Vieira Pinto deve ao zeloso Estado tenha a mesma sorte do que o meu (trata-se de uns largos milhões de euros de dívida ao fisco que parece que vão prescrever) e lamento que o critério não seja aplicado aos grandes crimes de colarinho branco em Portugal em que ninguém vai preso, ao contrário das prisões do Norte da Europa.
É que no meu caso tratou-se de um mero esquecimento do prazo de entrega de uma declaração onde não havia impostos a pagar e no caso do "ex-craque" do Sporting parece que até havia paraísos fiscais pelo meio.
Assim não há maneira de acabar com o "nós" e o "eles". Assim, claro que se percebe o porquê do projecto de João Cravinho contra a corrupção não avançar na Assembleia da República.
Enquanto houver cidadãos de "primeira" e de "segunda" na relação com o Estado a confiança no mesmo continuará pelas ruas da amargura.
É que "eles" fazem o que querem! Só me resta pagar a quem de direito, não resmungar muito...e dar baixa da actividade claro...pois ainda corro o risco de ir parar à prisão.
Alguém tem que pagar o salário chorudo do "salvador" das finanças...não se conseguindo cobrar impostos a quem utiliza as off-shore, há que arranjar estratégias junto do bom povo e das classes médias.
Abraços fiscais para todos! E marquem bem na agenda o dia da entrega da declaração de IVA...mesmo que depois se esqueçam de pagar...o importante é entregar!
Expressões discursivas como "eles" fazem o que querem, ou ainda, "eles" é que mandam nisto, frequentes na sociedade portuguesa são o sinónimo da percepção dos serviços do Estado como um bem que deveria ser público e ao serviço do interesse geral mas que pratica o contrário do que apregoa.
O Estado Português é extraordinariamente burocratico, excessivamente centralizado, criador de desigualdades sociais e profundamente injusto, desconfia do cidadão, trata-o desumanamente e é reverente para as elites de que é dependente.
Não há vida social que resista, nem projectos de futuro que sobrevivam com a arrogante sobranceria da administração pública portuguesa.
Tendo o designado Estado Providencia chegado tarde a Portugal. Quando se começa a constituir, já os modernos Estados Providencia Europeus mais "avançados" estavam a entrar em crise, nunca chegou a prestar um verdadeiro serviço público ao cidadão.
O Welfare State Português começou a desmantelar-se antes de o ser. As teses neoliberais farão o resto da destruição...
Este mês fui eu a vitíma. Atrasei-me na entrega da declaração de IVA de uma actividade que não tive qualquer lucro em 2006 e que já não exerço, pois "ganhei" 0 euros em todo o ano, e chegou-me uma carta do Ministério das Finanças para pagar 122,25 Euros da respectiva coima.
Sem rendimentos auferidos desta actividade. Com os impostos e a segurança social paga e em dia, respeitantes à minha actividade principal, o Estado Português é assim, não "perdoa" pois a lei é geral e abstrata e o burocrata faz da Lei o seu objectivo de vida.
Não interessa que o cidadão nada deva ao Estado. Não interessa que não exista IVA a pagar. O simples facto de atraso na entrega de uma declaração sem dividas é razão quanto baste para arrecadar um terço do salário mínimo nacional.
Só espero que o "dinheirinho" que o João Vieira Pinto deve ao zeloso Estado tenha a mesma sorte do que o meu (trata-se de uns largos milhões de euros de dívida ao fisco que parece que vão prescrever) e lamento que o critério não seja aplicado aos grandes crimes de colarinho branco em Portugal em que ninguém vai preso, ao contrário das prisões do Norte da Europa.
É que no meu caso tratou-se de um mero esquecimento do prazo de entrega de uma declaração onde não havia impostos a pagar e no caso do "ex-craque" do Sporting parece que até havia paraísos fiscais pelo meio.
Assim não há maneira de acabar com o "nós" e o "eles". Assim, claro que se percebe o porquê do projecto de João Cravinho contra a corrupção não avançar na Assembleia da República.
Enquanto houver cidadãos de "primeira" e de "segunda" na relação com o Estado a confiança no mesmo continuará pelas ruas da amargura.
É que "eles" fazem o que querem! Só me resta pagar a quem de direito, não resmungar muito...e dar baixa da actividade claro...pois ainda corro o risco de ir parar à prisão.
Alguém tem que pagar o salário chorudo do "salvador" das finanças...não se conseguindo cobrar impostos a quem utiliza as off-shore, há que arranjar estratégias junto do bom povo e das classes médias.
Abraços fiscais para todos! E marquem bem na agenda o dia da entrega da declaração de IVA...mesmo que depois se esqueçam de pagar...o importante é entregar!
Faço da vida um caminho em que a felicidade está nas pequenas grandes coisas que o mundo nos permite desfrutar.
"Carpe Diem"
quarta-feira, janeiro 10, 2007
A Torre de Pisa em Quarteira: Da incompetência técnica à irresponsabilidade política
Todos sabemos que o turismo de sol e praia já teve melhores dias.
A aldeia global tornou-se demasiado pequena para o comum dos cidadãos e fazer turismo no Algarve Betanizado (e a não muito médio prazo, altamente poluído pela pressão urbanistica e os disparates políticos de "desordenamento" do território) ou ir para um qualquer outro paraíso de sol e praia é apenas uma questão de escolha de catálogo ou de menu turistico.
Face à concorrencia a Câmara Municipal de Loulé com a sua capacidade empreendedora e de inovação esmerou-se na procura de novas formas de turismo cultural.
A Torre de Pisa passou assim a fazer parte do património cultural do concelho de Loulé. O turismo que procura património cultural já incluiu a visita na sua rota turística.
Vejamos a notícia do jornal Púbilco de 06/01/2007:
"Qual torre de Pisa, o edifício Austral, em Quarteira, desviou-se cerca de 30 centímetros da vertical desde a sua construção, há cerca de cinco anos. Será que vai mesmo entrar em colapso ou desafiar as leis da gravidade?"
Teria piada se não fosse uma questão muito séria e se não fosse a vida de muitas famílias que está em jogo nesta triste história.
Lamentável, é ainda sabermos que as fundações da construção assentam numa zona de areias, água e lodo, e que a principal laje que sustenta o edificio tem menos de metade da espessura prevista no projecto da obra.
Lamentável, é sabermos que a água do mar move-se debaixo de muitos dos prédios de Quarteira, que se encontra no mapa das zonas de elevado risco sísmico e que nenhum destes factores foi tido em conta por quem construiu a obra e por quem a aprovou e licenciou.
É mais um excelente exemplo da péssima gestão da relação das autarquias com as empresas de construção civil.
A História já nos ensinou a lição em casos semelhantes. Como sempre a culpa irá morrer solteira.
A câmara vai empurrar a responsabilidade para o construtor que por sua vez vai dizer que tudo foi legal e correctamente aprovado.
O presidente da câmara já disse que provavelmente é caso para tribunais, qual Pôncio Pilatos, e os tribunais por cá...já sabemos...é mais um caso para se arrastar em processo Kaffkiano, até que um dia em idade de reforma aquelas famílias irão ter alguma novidade.
Esperemos que entretanto a Torre de Pisa não caia...em prole da saúde dos moradores...e para gaudio dos turistas culturais
Feliz Ano Novo
João Martins
A aldeia global tornou-se demasiado pequena para o comum dos cidadãos e fazer turismo no Algarve Betanizado (e a não muito médio prazo, altamente poluído pela pressão urbanistica e os disparates políticos de "desordenamento" do território) ou ir para um qualquer outro paraíso de sol e praia é apenas uma questão de escolha de catálogo ou de menu turistico.
Face à concorrencia a Câmara Municipal de Loulé com a sua capacidade empreendedora e de inovação esmerou-se na procura de novas formas de turismo cultural.
A Torre de Pisa passou assim a fazer parte do património cultural do concelho de Loulé. O turismo que procura património cultural já incluiu a visita na sua rota turística.
Vejamos a notícia do jornal Púbilco de 06/01/2007:
"Qual torre de Pisa, o edifício Austral, em Quarteira, desviou-se cerca de 30 centímetros da vertical desde a sua construção, há cerca de cinco anos. Será que vai mesmo entrar em colapso ou desafiar as leis da gravidade?"
Teria piada se não fosse uma questão muito séria e se não fosse a vida de muitas famílias que está em jogo nesta triste história.
Lamentável, é ainda sabermos que as fundações da construção assentam numa zona de areias, água e lodo, e que a principal laje que sustenta o edificio tem menos de metade da espessura prevista no projecto da obra.
Lamentável, é sabermos que a água do mar move-se debaixo de muitos dos prédios de Quarteira, que se encontra no mapa das zonas de elevado risco sísmico e que nenhum destes factores foi tido em conta por quem construiu a obra e por quem a aprovou e licenciou.
É mais um excelente exemplo da péssima gestão da relação das autarquias com as empresas de construção civil.
A História já nos ensinou a lição em casos semelhantes. Como sempre a culpa irá morrer solteira.
A câmara vai empurrar a responsabilidade para o construtor que por sua vez vai dizer que tudo foi legal e correctamente aprovado.
O presidente da câmara já disse que provavelmente é caso para tribunais, qual Pôncio Pilatos, e os tribunais por cá...já sabemos...é mais um caso para se arrastar em processo Kaffkiano, até que um dia em idade de reforma aquelas famílias irão ter alguma novidade.
Esperemos que entretanto a Torre de Pisa não caia...em prole da saúde dos moradores...e para gaudio dos turistas culturais
Feliz Ano Novo
João Martins
Faço da vida um caminho em que a felicidade está nas pequenas grandes coisas que o mundo nos permite desfrutar.
"Carpe Diem"
domingo, dezembro 31, 2006
Disparates de início de milénio ou retrocesso civilizacional?
O fim de mais um ano é sempre uma boa altura para reflectir sobre o que andamos a fazer ao de cima da terra e por baixo das estrelas e também sobre o que não fizemos e deveriamos ou poderiamos ter feito no nosso pequenito planeta.
Quanto a mim vou destacar alguns factos que alguns de nós andaram por cá a fazer e que são um sintoma de que a História não é feita de continuidades lineares e muito menos "evolui" em direcção a uma suposta "superior" civilização Ocidental.
1º disparate do ano - Aconteceu em solo nacional e mais uma vez partiu de um dos nossos autarcas.
Foi na Póvoa do Varzim e a decisão parece ter partido do Vereador que dá pelo nome de Aires Pereira, segundo notícia o jornal Público.
O homem incomodado com os defuntos e a maneira de os sepultar e porque os vivos não têm problemas que o entretenham, decretou a uniformização do culto dos mortos.
Cito o jornal público de 30 de Dezembro que cita as palavras do ex-mo senhor vereador.
Leiam com a devida atenção e pasmem:
"Iguais a nascer, iguais a morrer. Novo cemitério da Póvoa do Varzim muda paradigma no culto dos mortos. Câmara impõe minimalismo histórico, com jazigos estilizados para acabar com "decorações excessivas", assume o vereador. O novo cemitério municipal vai provocar uma alteração radical à forma como os habitantes da Póvoa do Varzim manifestam o seu culto pelos mortos, uma vez que os jazigos vão deixar de ser decorados de acordo com o gosto dos familiares do falecido. Por imposição da Câmara, todos serão cobertos de forma identica "estilizada" - uma lápide com a menção ao morto e um jarro de flores - variando apenas a possibilidade, para os enterramentos católicos, de ser colocada um cruz à cabeceira (...)"
Aí está senhor Vereador e senhor presidente da Câmara da Póvoa do Varzim!!! Isso é a verdadeira igualdade: "iguais ao nascer, iguais a morrer".
Pessoal da Póvoa do Varzim, desculpem lá, mas tenho que perguntar: Estão todos a dormir? Quem elege esses senhores? Não serão essas práticas altamente totalitárias por parte do poder autárquico sobre aquilo que há de mais intimo na privacidade de cada cidadão?
Melhor só a determinada altura o partido comunista de Mao Zedong na China que só permitia relações sexuais entre os camaradas à Sexta-feira em cada semana.
2º disparate do ano - A condenação à morte de Saddam Hussein e a sua plena aprovação pela administração Norte-Americana.
Será uma condenação por enforcamento própria dos valores que apregoam as democracias ocidentais? Já agora que se nomeie um carrasco e que se decapite o homem na praça pública. E que a população saia em massa para a rua a aplaudir.
Já foi assim que se fez justiça mas o retorno do recalcado parece estar a ressurgir.
Valha-nos a posição tomada pelos representantes da União Europeia. Ao menos isso...
3ºdisparate do ano - A Associação de Juízes no seu perfeito juízo... Quando um homossexual agride violentamente outro homossexual no espaço doméstico isso não é considerado violência doméstica.
Claro que os nosso juízes também sobrem de homofobia social.
E que tal uma cadeirinhas de Antropologia, de Sociologia ou de História da Vida Sexual nos cursos de Direito? Não fazia nada mal e tinhamos uma justiça mais informada e logo mais justa...Enfim, batam há vontade os que são homossexuais que os juízes estão do vosso lado. Não há outra interpretação possível da lei...
4º disparate do ano - Quase ninguém reparou e o facto passou despercebido, mas o Congresso Norte-Americano aprovou este ano quase por unanimidade total, percorrendo os partidos à direita e à esquerda do espectro partidário, um MURO QUE SEPARA OS EUA DO MÉXICO DE APROXIMADAMENTE 1100 KM.
Já não me espanta tão barbara decisão. Espanta-me sim, é a total apatia social face a esta questão. Onde para a cidadania?
Abraços e feliz Ano Novo.
João Martins
Quanto a mim vou destacar alguns factos que alguns de nós andaram por cá a fazer e que são um sintoma de que a História não é feita de continuidades lineares e muito menos "evolui" em direcção a uma suposta "superior" civilização Ocidental.
1º disparate do ano - Aconteceu em solo nacional e mais uma vez partiu de um dos nossos autarcas.
Foi na Póvoa do Varzim e a decisão parece ter partido do Vereador que dá pelo nome de Aires Pereira, segundo notícia o jornal Público.
O homem incomodado com os defuntos e a maneira de os sepultar e porque os vivos não têm problemas que o entretenham, decretou a uniformização do culto dos mortos.
Cito o jornal público de 30 de Dezembro que cita as palavras do ex-mo senhor vereador.
Leiam com a devida atenção e pasmem:
"Iguais a nascer, iguais a morrer. Novo cemitério da Póvoa do Varzim muda paradigma no culto dos mortos. Câmara impõe minimalismo histórico, com jazigos estilizados para acabar com "decorações excessivas", assume o vereador. O novo cemitério municipal vai provocar uma alteração radical à forma como os habitantes da Póvoa do Varzim manifestam o seu culto pelos mortos, uma vez que os jazigos vão deixar de ser decorados de acordo com o gosto dos familiares do falecido. Por imposição da Câmara, todos serão cobertos de forma identica "estilizada" - uma lápide com a menção ao morto e um jarro de flores - variando apenas a possibilidade, para os enterramentos católicos, de ser colocada um cruz à cabeceira (...)"
Aí está senhor Vereador e senhor presidente da Câmara da Póvoa do Varzim!!! Isso é a verdadeira igualdade: "iguais ao nascer, iguais a morrer".
Pessoal da Póvoa do Varzim, desculpem lá, mas tenho que perguntar: Estão todos a dormir? Quem elege esses senhores? Não serão essas práticas altamente totalitárias por parte do poder autárquico sobre aquilo que há de mais intimo na privacidade de cada cidadão?
Melhor só a determinada altura o partido comunista de Mao Zedong na China que só permitia relações sexuais entre os camaradas à Sexta-feira em cada semana.
2º disparate do ano - A condenação à morte de Saddam Hussein e a sua plena aprovação pela administração Norte-Americana.
Será uma condenação por enforcamento própria dos valores que apregoam as democracias ocidentais? Já agora que se nomeie um carrasco e que se decapite o homem na praça pública. E que a população saia em massa para a rua a aplaudir.
Já foi assim que se fez justiça mas o retorno do recalcado parece estar a ressurgir.
Valha-nos a posição tomada pelos representantes da União Europeia. Ao menos isso...
3ºdisparate do ano - A Associação de Juízes no seu perfeito juízo... Quando um homossexual agride violentamente outro homossexual no espaço doméstico isso não é considerado violência doméstica.
Claro que os nosso juízes também sobrem de homofobia social.
E que tal uma cadeirinhas de Antropologia, de Sociologia ou de História da Vida Sexual nos cursos de Direito? Não fazia nada mal e tinhamos uma justiça mais informada e logo mais justa...Enfim, batam há vontade os que são homossexuais que os juízes estão do vosso lado. Não há outra interpretação possível da lei...
4º disparate do ano - Quase ninguém reparou e o facto passou despercebido, mas o Congresso Norte-Americano aprovou este ano quase por unanimidade total, percorrendo os partidos à direita e à esquerda do espectro partidário, um MURO QUE SEPARA OS EUA DO MÉXICO DE APROXIMADAMENTE 1100 KM.
Já não me espanta tão barbara decisão. Espanta-me sim, é a total apatia social face a esta questão. Onde para a cidadania?
Abraços e feliz Ano Novo.
João Martins
Faço da vida um caminho em que a felicidade está nas pequenas grandes coisas que o mundo nos permite desfrutar.
"Carpe Diem"
terça-feira, dezembro 19, 2006
Câmaras Municipais, autarcas e licenças de construção
Moro na cidade de Loulé há 36 anos e tenho acompanhado atentamente o crescimento da cidade.
Actualmente moro à saída para Faro na urbanização das Portas do Céu.
Como cidadão da cidade de Loulé, como eleitor que deveria confiar nos eleitos locais venho questionar neste espaço de democracia virtual como é possível que na Avenida Parque das Cidades junto à bomba de gasolina na saída para Faro seja possível construir vários blocos de apartamentos que cercam os depósitos de combustível?
É possível que isto aconteça? Não há riscos para a saúde destas populações que ali irão habitar?
E os riscos de uma explosão estão salvaguardados? Não foram as bombas de gasolina recomendadas legalmente para a periferia das cidades?
Quem autoriza a licença destas construções? Chama-se a isto ordenamento territorial das cidades?
O senhor Presidente da Camara de Loulé tem conhecimento destas construções? E se tem conhecimento acha que construir a 5 metros da bomba de gasolina é uma boa aposta no ordenamento urbanístico da cidade?
Sabemos que Loulé cresceu nos últimos anos e que a pressão demográfica foi acompanhada da pressão urbanistica. Mas acordar de manhã, abrir a janela e respirar o chumbo libertado pelo combustivel automóvel terá alguma coisa a ver com o conceito de qualidade de vida?
E as autarquias não terão um papel na gestão equilibrada do crescimento das cidades?
Dá que pensar...e nunca sabemos quais os critérios que levam à aprovação de determinadas construções e à rejeição de outras.
Fica a ideia do reino da arbitrariedade.
Abraços e boas festas
Actualmente moro à saída para Faro na urbanização das Portas do Céu.
Como cidadão da cidade de Loulé, como eleitor que deveria confiar nos eleitos locais venho questionar neste espaço de democracia virtual como é possível que na Avenida Parque das Cidades junto à bomba de gasolina na saída para Faro seja possível construir vários blocos de apartamentos que cercam os depósitos de combustível?
É possível que isto aconteça? Não há riscos para a saúde destas populações que ali irão habitar?
E os riscos de uma explosão estão salvaguardados? Não foram as bombas de gasolina recomendadas legalmente para a periferia das cidades?
Quem autoriza a licença destas construções? Chama-se a isto ordenamento territorial das cidades?
O senhor Presidente da Camara de Loulé tem conhecimento destas construções? E se tem conhecimento acha que construir a 5 metros da bomba de gasolina é uma boa aposta no ordenamento urbanístico da cidade?
Sabemos que Loulé cresceu nos últimos anos e que a pressão demográfica foi acompanhada da pressão urbanistica. Mas acordar de manhã, abrir a janela e respirar o chumbo libertado pelo combustivel automóvel terá alguma coisa a ver com o conceito de qualidade de vida?
E as autarquias não terão um papel na gestão equilibrada do crescimento das cidades?
Dá que pensar...e nunca sabemos quais os critérios que levam à aprovação de determinadas construções e à rejeição de outras.
Fica a ideia do reino da arbitrariedade.
Abraços e boas festas
Faço da vida um caminho em que a felicidade está nas pequenas grandes coisas que o mundo nos permite desfrutar.
"Carpe Diem"
sexta-feira, dezembro 15, 2006
Capitalismo Natalício: Sobre a obrigação de dar, receber e retribuir
O Natal está aí. Data religiosa por excelência desde o início da era cristã tem vindo a ser progressivamente reapropriada pela sociedade de consumo, tendo como simbolo máximo as novas catedrais religiosas, vulgo Shopping Center.
Um estudo divulgado esta semana revelava que o stress dos portugueses dispara nesta época.
Aqui apresento algumas razões possíveis para isso:
- Há aqueles que não querem oferecer quaisquer prendas por não terem dinheiro para as comprar. Para estes o sistema nervoso dispara quando alguém lhes oferece alguma coisa. A obrigação de retribuir deixa-os à beira de um ataque de nervos.
- Há os outros que não se querem esquecer de ninguém e perdem horas infinitas da sua vida a elaborar listas de prendas até ao último pormenor.
- Há aquela espécie que só descansa quando oferece prendas de valor superior às que recebeu ou não fosse isso um verdadeiro sinal de distinção.
- Há ainda os que ficam fora de si a tentar descobrir a prenda que imaginam que faria a realização dos outros. De tanto pesquisar o resultado é a incapacidade de nada escolher.
- Há os que desesperam pois o dinheiro não chega para tudo e têm que escolher os eleitos a serem prendados. Os que irão ficar de fora da lista é que não irão gostar nada da festa.
- Há os que correm todas as lojas para oferecer as prendas mais baratuchas possível. As lojas dos chineses agradecem e o tempo perdido nas filas de compras são um verdadeiro teste de paciência chinesa.
- Há ainda aqueles que durante todo o ano só sabem trabalhar. Quando chega esta altura do ano vêem tanta agitação há sua volta que ficam mais agitados que aqueles que os rodeiam.
- Há os que ficam à espera de ver de quem recebem prendas. Depois das ofertas recebidas lá vão as prendinhas para quem não se esperava oferecer nada.
- Há a situação deveras cómica dos que oferecem prendas a pessoas de quem não gostam. Acto de que se arrependerão durante todo o ano seguinte. O caso das prendinhas aos patrões é muitas vezes disto exemplo.
- Os judeus, os muculmanos e outros que tais têm o ritmo cardiaco menos acelerado. Se não se incomodarem com o pai natal criado pela coca-cola reagem com tranquilidade e indiferença a tanta agitação.
- Os ateus oscilam entre os que ficam felizes com tanta euforia que até esquecem que são ateus e os que ficam irritados com alegria dos outros e sobretudo por receberem prendas sem saberem bem porquê.
Enfim, é a obrigação de dar, de receber e de retribuir.
De toda a forma é sempre uma data em que as pessoas andam mais simpáticas. Um simples Feliz Natal faz muitas vezes com que todo o stress consumista do mundo perca todo o sentido.
Abraços e Feliz Natal são os votos de um ateu que oferece e recebe prendas nesta data fascinante.
João Martins
-
Um estudo divulgado esta semana revelava que o stress dos portugueses dispara nesta época.
Aqui apresento algumas razões possíveis para isso:
- Há aqueles que não querem oferecer quaisquer prendas por não terem dinheiro para as comprar. Para estes o sistema nervoso dispara quando alguém lhes oferece alguma coisa. A obrigação de retribuir deixa-os à beira de um ataque de nervos.
- Há os outros que não se querem esquecer de ninguém e perdem horas infinitas da sua vida a elaborar listas de prendas até ao último pormenor.
- Há aquela espécie que só descansa quando oferece prendas de valor superior às que recebeu ou não fosse isso um verdadeiro sinal de distinção.
- Há ainda os que ficam fora de si a tentar descobrir a prenda que imaginam que faria a realização dos outros. De tanto pesquisar o resultado é a incapacidade de nada escolher.
- Há os que desesperam pois o dinheiro não chega para tudo e têm que escolher os eleitos a serem prendados. Os que irão ficar de fora da lista é que não irão gostar nada da festa.
- Há os que correm todas as lojas para oferecer as prendas mais baratuchas possível. As lojas dos chineses agradecem e o tempo perdido nas filas de compras são um verdadeiro teste de paciência chinesa.
- Há ainda aqueles que durante todo o ano só sabem trabalhar. Quando chega esta altura do ano vêem tanta agitação há sua volta que ficam mais agitados que aqueles que os rodeiam.
- Há os que ficam à espera de ver de quem recebem prendas. Depois das ofertas recebidas lá vão as prendinhas para quem não se esperava oferecer nada.
- Há a situação deveras cómica dos que oferecem prendas a pessoas de quem não gostam. Acto de que se arrependerão durante todo o ano seguinte. O caso das prendinhas aos patrões é muitas vezes disto exemplo.
- Os judeus, os muculmanos e outros que tais têm o ritmo cardiaco menos acelerado. Se não se incomodarem com o pai natal criado pela coca-cola reagem com tranquilidade e indiferença a tanta agitação.
- Os ateus oscilam entre os que ficam felizes com tanta euforia que até esquecem que são ateus e os que ficam irritados com alegria dos outros e sobretudo por receberem prendas sem saberem bem porquê.
Enfim, é a obrigação de dar, de receber e de retribuir.
De toda a forma é sempre uma data em que as pessoas andam mais simpáticas. Um simples Feliz Natal faz muitas vezes com que todo o stress consumista do mundo perca todo o sentido.
Abraços e Feliz Natal são os votos de um ateu que oferece e recebe prendas nesta data fascinante.
João Martins
-
Faço da vida um caminho em que a felicidade está nas pequenas grandes coisas que o mundo nos permite desfrutar.
"Carpe Diem"
domingo, novembro 26, 2006
Quando a Cultura é o parente pobre da política
A Cultura anda pelas ruas da amargura no nosso país.
Os orçamentos para a política cultural do país são praticamente inexistentes.
Os "profissionais" das artes e do espectáculo estão fortemente precarizados e com dificuldades de sobrevivencia.
A Festa da Música vai fechar para obras.
O Ballet da Gulbenkian foi extinto porque tido por muito "gastador".
O Rivoli foi entregue aos privados. Os Ruis Rios das nossas autarquias encaram a cultura como "mero" despesismo e cortam os apoios e financiamentos que a permitiam ainda respirar.
Ora a cultura é "só" a alma de um povo.Não há povo sem cultura.
Seja ela "erudita" ou "popular", de "elite" ou de "massas", a cultura é aquilo que permite a uma sociedade ou uma comunidade construir a sua identidade.
O Estado tem um papel social fundamental no desenvolvimento cultural dos povos e numa época em que a escola é acusada de reproduzir as desigualdades sociais reproduzindo no seu interior sobretudo os valores culturais da cultura burguesa, é ao Estado e às autarquias que cabe um papel de distribuidor cultural sobretudo da cultura dita erudita, que é aquela à qual as classes sociais mais desfavorecidas não têm acesso através da sua socialização familiar.
Se numa boa parte das nossas famílias não há o habitus de ir ao teatro, ao cinema, à ópera, ao museu, aos espectaculos de dança ou de música clássica.
Se na escola as artes são praticamente inexistentes no interior dos curriculos escolares. Quem teria a grande função de igualizar as oportunidades sociais de acesso aos bens culturais mais valiosos?
Só tenho um resposta. O Estado tem que ver as coisas da cultura como um investimento nas pessoas e não como uma mera despesa como é habitual constatarmos.
Numa altura em que o capitalismo predador reduz todas as esferas da vida social ao económico e à busca incessante do lucro (até a religião não escapa à mercadorização da vida social) vale a pena perguntar:
Mozart teria lugar no nosso mundo? Teria existência social? Seria "lucrativo"?
Miguel Ângelo teria pintado a Capela Sistina? Esta maravilha do mundo teria sido criada no nosso tempo?
Gaudi teria tido as dezenas de anos para construir a Sagrada Família?
Vivaldi teria composto as Quatro Estações?
Quem financiaria estes criadores não estando garantido o sucesso inicial em termos "lucrativos"?
Pode a cultura medir-se no número de espectadores e no lucro auferido à maneira de uma fita de Holywood?
Ps: Parabéns à Câmara de Loulé pelo esforço que parece estar a fazer na dinamização do Cine Teatro Louletano.
Sendo claramente insuficiente no desenvolvimento cultural da população louletana é justo dizer que parece haver um esforço para conseguir uma programação cultural interessante com alguma continuidade. A esquerda não fez melhor enquanto foi poder na autarquia.
Abraços culturais e bom fim de semana para todos vós.
João Martins
Os orçamentos para a política cultural do país são praticamente inexistentes.
Os "profissionais" das artes e do espectáculo estão fortemente precarizados e com dificuldades de sobrevivencia.
A Festa da Música vai fechar para obras.
O Ballet da Gulbenkian foi extinto porque tido por muito "gastador".
O Rivoli foi entregue aos privados. Os Ruis Rios das nossas autarquias encaram a cultura como "mero" despesismo e cortam os apoios e financiamentos que a permitiam ainda respirar.
Ora a cultura é "só" a alma de um povo.Não há povo sem cultura.
Seja ela "erudita" ou "popular", de "elite" ou de "massas", a cultura é aquilo que permite a uma sociedade ou uma comunidade construir a sua identidade.
O Estado tem um papel social fundamental no desenvolvimento cultural dos povos e numa época em que a escola é acusada de reproduzir as desigualdades sociais reproduzindo no seu interior sobretudo os valores culturais da cultura burguesa, é ao Estado e às autarquias que cabe um papel de distribuidor cultural sobretudo da cultura dita erudita, que é aquela à qual as classes sociais mais desfavorecidas não têm acesso através da sua socialização familiar.
Se numa boa parte das nossas famílias não há o habitus de ir ao teatro, ao cinema, à ópera, ao museu, aos espectaculos de dança ou de música clássica.
Se na escola as artes são praticamente inexistentes no interior dos curriculos escolares. Quem teria a grande função de igualizar as oportunidades sociais de acesso aos bens culturais mais valiosos?
Só tenho um resposta. O Estado tem que ver as coisas da cultura como um investimento nas pessoas e não como uma mera despesa como é habitual constatarmos.
Numa altura em que o capitalismo predador reduz todas as esferas da vida social ao económico e à busca incessante do lucro (até a religião não escapa à mercadorização da vida social) vale a pena perguntar:
Mozart teria lugar no nosso mundo? Teria existência social? Seria "lucrativo"?
Miguel Ângelo teria pintado a Capela Sistina? Esta maravilha do mundo teria sido criada no nosso tempo?
Gaudi teria tido as dezenas de anos para construir a Sagrada Família?
Vivaldi teria composto as Quatro Estações?
Quem financiaria estes criadores não estando garantido o sucesso inicial em termos "lucrativos"?
Pode a cultura medir-se no número de espectadores e no lucro auferido à maneira de uma fita de Holywood?
Ps: Parabéns à Câmara de Loulé pelo esforço que parece estar a fazer na dinamização do Cine Teatro Louletano.
Sendo claramente insuficiente no desenvolvimento cultural da população louletana é justo dizer que parece haver um esforço para conseguir uma programação cultural interessante com alguma continuidade. A esquerda não fez melhor enquanto foi poder na autarquia.
Abraços culturais e bom fim de semana para todos vós.
João Martins
Faço da vida um caminho em que a felicidade está nas pequenas grandes coisas que o mundo nos permite desfrutar.
"Carpe Diem"
sábado, outubro 28, 2006
A farsa dos rankings
A divulgação por parte de alguns jornais nacionais dos rankings das escolas secundárias a partir exclusivamente dos resultados dos exames nacionais é uma autêntica farsa nacional.
Farsa, desde logo, porque os rankings são lançados em bruto, ou melhor, à bruta, pois como sabem os cidadãos mais atentos (que infelizmente não são muitos) não se pode comparar aquilo que não é comparável.
Não é comparavel, desde logo, porque os resultados dos exames são descontextualizados em relação à composição social das escolas e ao nível socioeconomico das famílias.
Não é comparável, porque as assimetrias sociais e territoriais transportadas para o interior das escolas não são levadas em conta na análise.
Não é comparável, porque as escolas privadas que aparecem no topo do ranking têm uma composição social claramente favorecida.
Não é comparável, porque as escolas de territórios desfavorecidos e em dificuldade ("problemáticas" como dizem os políticos e os jornalistas)não podem produzir os mesmos resultados das escolas das zonas favorecidas de Lisboa.
Não é comparável, pois comparar as escolas do litoral urbano e com elevado nível de vida, com as escolas do interior rural e com um nível de vida miserável é como comparar a performance de um Ferrari com a de um Mini-Morris dos anos sessenta.
Vale a pena desmistificar alguns questões em relação ao sucesso escolar para não iludirmos as populações e agravarmos ainda mais as desigualdades sociais face à escolarização:
1. Existe um consenso na comunidade cientifica de sociólogos da educação que o capital económico e sobretudo o capital cultural das famílias são quase determinantes no sucesso escolar dos filhos.
Digo quase, porque não havendo uma relação determinista, sabemos hoje que quanto maior o capital económico e cultural das famílias maior a propabilidade que os seus filhos têm de repetir, ou de abandonar precocemente a escola, ter melhores resultados escolares e escolher vias de escolarização que são prestigiadas e prestigiantes em termos dos destinos sociais futuros a atingir.
2. Directamente correlacionado com isto, sabemos também, que a composição social das escolas medida pelo perfil do seu público condiciona fortemente os resultados escolares. Quer isto dizer que numa escola de classes médias e superiores os alunos têm vantagens sobre os alunos de escolas de composição social desfavorecida.
3. Existem estudos que indicam que os próprios professores "fogem" das escolas com composição social desfavorecida como quem foge da lepra, o que quer dizer que os "melhores" professores vão leccionar para as "melhores" escolas agravando ainda mais as desigualdades.
4. Os próprios resultados do ranking, feitos em bruto e à bruta, mesmo descontextualizados evidenciam claramente as assimetrias sociais face à escolarização e alguns factores que contribuem para a forte diferenciação e deigualdade de resultados.
Podemos constatar, com raras excepções, que as escolas do litoral estão em clara vantagem sobre as escolas do interior.
Podemos constactar que as escolas das grandes metropoles estão sobrerepresentadas nas escolas com melhores resultados em detrimento das escolas da provincia.
Podemos constactar que as escolas em meio rural e no interior do país (com raras excepções) têm piores resultados nos exames.
Podemos constatar que as escolas ditas "problemáticas" aparecem quase todas em posições pouco prestigiantes.
Enfim, nada disto seria problemático se as escolas pior classificadas não ficassem estigmatizadas negativamente, "culpabilizando-se" subtilmente os maus resultados com o "mau" trabalho dos professores.
Não seria problemático se os paizinhos não saissem a correr para matricular os filhos nas "boas" escolas que são aquelas que estão no topo do ranking.
Não seria grave se as determinantes sociais não fossem ocultadas e se não fosse a "ideologia do dom" que é agora usada pelos professores das "boas" escolas. O bom resultado não é julgado pela composição social favorecida dos alunos mas sim pelo bom trabalho com os seus alunos.
Viva a mentira social!
Para terminar, gostava de dizer que poderia concordar com os rankings desde que estes fossem devidamente contextualizados com variaveis de caracterização socio-económica (como tentou fazer o ministro David Justino) e desde que isso contribuisse para os pais fazerem as suas escolhas de forma mais informada e equitativa (sabendo que os pais estão em situação clara de desigualdade face à escolha dependendo da suas distãncia cultural à escola).
Lamento é que "conceituados" jornalistas da nossa praça e não posso deixar de referir o director do jornal o público, sejam cegos (porque é de cegueira e de ignorância que se trata) na análise que fazem dos resultados do ranking em prole da sua ideologia que defende a mercadorização pura e dura da educação portuguesa.
Pelo lugar que ocupam e pela responsabilidade que têm como opinion makers no espaço público e estando este hoje largamente colonizados pelso media, estes senhores deviam ser seriamente penalizados pois condicionam negativamente a vida de muitas famílias e beneficiam claramente algumas delas!
Um abraço e votos para que um dia a Escola Secundária de Loulé seja um dia a primeira do ranking...seria sinal que já não havia por lá pobres.
Farsa, desde logo, porque os rankings são lançados em bruto, ou melhor, à bruta, pois como sabem os cidadãos mais atentos (que infelizmente não são muitos) não se pode comparar aquilo que não é comparável.
Não é comparavel, desde logo, porque os resultados dos exames são descontextualizados em relação à composição social das escolas e ao nível socioeconomico das famílias.
Não é comparável, porque as assimetrias sociais e territoriais transportadas para o interior das escolas não são levadas em conta na análise.
Não é comparável, porque as escolas privadas que aparecem no topo do ranking têm uma composição social claramente favorecida.
Não é comparável, porque as escolas de territórios desfavorecidos e em dificuldade ("problemáticas" como dizem os políticos e os jornalistas)não podem produzir os mesmos resultados das escolas das zonas favorecidas de Lisboa.
Não é comparável, pois comparar as escolas do litoral urbano e com elevado nível de vida, com as escolas do interior rural e com um nível de vida miserável é como comparar a performance de um Ferrari com a de um Mini-Morris dos anos sessenta.
Vale a pena desmistificar alguns questões em relação ao sucesso escolar para não iludirmos as populações e agravarmos ainda mais as desigualdades sociais face à escolarização:
1. Existe um consenso na comunidade cientifica de sociólogos da educação que o capital económico e sobretudo o capital cultural das famílias são quase determinantes no sucesso escolar dos filhos.
Digo quase, porque não havendo uma relação determinista, sabemos hoje que quanto maior o capital económico e cultural das famílias maior a propabilidade que os seus filhos têm de repetir, ou de abandonar precocemente a escola, ter melhores resultados escolares e escolher vias de escolarização que são prestigiadas e prestigiantes em termos dos destinos sociais futuros a atingir.
2. Directamente correlacionado com isto, sabemos também, que a composição social das escolas medida pelo perfil do seu público condiciona fortemente os resultados escolares. Quer isto dizer que numa escola de classes médias e superiores os alunos têm vantagens sobre os alunos de escolas de composição social desfavorecida.
3. Existem estudos que indicam que os próprios professores "fogem" das escolas com composição social desfavorecida como quem foge da lepra, o que quer dizer que os "melhores" professores vão leccionar para as "melhores" escolas agravando ainda mais as desigualdades.
4. Os próprios resultados do ranking, feitos em bruto e à bruta, mesmo descontextualizados evidenciam claramente as assimetrias sociais face à escolarização e alguns factores que contribuem para a forte diferenciação e deigualdade de resultados.
Podemos constatar, com raras excepções, que as escolas do litoral estão em clara vantagem sobre as escolas do interior.
Podemos constactar que as escolas das grandes metropoles estão sobrerepresentadas nas escolas com melhores resultados em detrimento das escolas da provincia.
Podemos constactar que as escolas em meio rural e no interior do país (com raras excepções) têm piores resultados nos exames.
Podemos constatar que as escolas ditas "problemáticas" aparecem quase todas em posições pouco prestigiantes.
Enfim, nada disto seria problemático se as escolas pior classificadas não ficassem estigmatizadas negativamente, "culpabilizando-se" subtilmente os maus resultados com o "mau" trabalho dos professores.
Não seria problemático se os paizinhos não saissem a correr para matricular os filhos nas "boas" escolas que são aquelas que estão no topo do ranking.
Não seria grave se as determinantes sociais não fossem ocultadas e se não fosse a "ideologia do dom" que é agora usada pelos professores das "boas" escolas. O bom resultado não é julgado pela composição social favorecida dos alunos mas sim pelo bom trabalho com os seus alunos.
Viva a mentira social!
Para terminar, gostava de dizer que poderia concordar com os rankings desde que estes fossem devidamente contextualizados com variaveis de caracterização socio-económica (como tentou fazer o ministro David Justino) e desde que isso contribuisse para os pais fazerem as suas escolhas de forma mais informada e equitativa (sabendo que os pais estão em situação clara de desigualdade face à escolha dependendo da suas distãncia cultural à escola).
Lamento é que "conceituados" jornalistas da nossa praça e não posso deixar de referir o director do jornal o público, sejam cegos (porque é de cegueira e de ignorância que se trata) na análise que fazem dos resultados do ranking em prole da sua ideologia que defende a mercadorização pura e dura da educação portuguesa.
Pelo lugar que ocupam e pela responsabilidade que têm como opinion makers no espaço público e estando este hoje largamente colonizados pelso media, estes senhores deviam ser seriamente penalizados pois condicionam negativamente a vida de muitas famílias e beneficiam claramente algumas delas!
Um abraço e votos para que um dia a Escola Secundária de Loulé seja um dia a primeira do ranking...seria sinal que já não havia por lá pobres.
Faço da vida um caminho em que a felicidade está nas pequenas grandes coisas que o mundo nos permite desfrutar.
"Carpe Diem"
domingo, outubro 15, 2006
A crise acabou. A vida do ministro confundida com a vida do comum dos portugueses
Manuel Pinho no auge da histeresis.
A crise acabou! Agora só precisamnos de saber qual vai ser a velocidade do crescimento económico.
Não há pachorra para este tipo de barbaridades.
Num país com dois milhões de pobres. Num país em que as classes médias estão a perder poder de compra e a baixar o seu nível de vida. Numa época em que o desemprego atinge contornos dramáticos. Em que as desigualdades não param de crescer.
Quase na mesma hora em que milhares de professores descem as ruas de Lisboa assim como uma boa parte dos funcionários públicos.
Na mesma altura em que direitos sociais conquistados com muito sangue, suor e lágrimas são atacados como nunca desde o 25 de Abril.
Numa altura em que a saúde vai ser semi-privatizada e quem não tiver dinheiro vai morrer mais rapidamente. Em que a segurança social vai no sentido da privatização e a maioria da população arrisca-se a não recebê-la; o ministro Pinho transporta o seu óptimo nível de vida, que talvez nunca tenha tido situação pessoal tão boa, para a história de vida da maioria dos portugueses.
A crise acabou...já não há pachorra!!!
Nem o Conde de Abranhos celebrizado por Eça de Queirós diria tamanho disparate.
Como o poder cega!
abraços e que se vá depressa a crise e já agora...
...que nunca mais volte...
A crise acabou! Agora só precisamnos de saber qual vai ser a velocidade do crescimento económico.
Não há pachorra para este tipo de barbaridades.
Num país com dois milhões de pobres. Num país em que as classes médias estão a perder poder de compra e a baixar o seu nível de vida. Numa época em que o desemprego atinge contornos dramáticos. Em que as desigualdades não param de crescer.
Quase na mesma hora em que milhares de professores descem as ruas de Lisboa assim como uma boa parte dos funcionários públicos.
Na mesma altura em que direitos sociais conquistados com muito sangue, suor e lágrimas são atacados como nunca desde o 25 de Abril.
Numa altura em que a saúde vai ser semi-privatizada e quem não tiver dinheiro vai morrer mais rapidamente. Em que a segurança social vai no sentido da privatização e a maioria da população arrisca-se a não recebê-la; o ministro Pinho transporta o seu óptimo nível de vida, que talvez nunca tenha tido situação pessoal tão boa, para a história de vida da maioria dos portugueses.
A crise acabou...já não há pachorra!!!
Nem o Conde de Abranhos celebrizado por Eça de Queirós diria tamanho disparate.
Como o poder cega!
abraços e que se vá depressa a crise e já agora...
...que nunca mais volte...
Faço da vida um caminho em que a felicidade está nas pequenas grandes coisas que o mundo nos permite desfrutar.
"Carpe Diem"
quarta-feira, outubro 04, 2006
O Muro da vergonha do Ocidente
A globalização intensificou as relações de interdependência à escala global. Nas sociedades contemporaneas a rede é a palavra chave. Queiramos ou não todos estamos conectados.
O capital financeiro circula à velocidade do som ao click do botão direito do rato. O capital económico abandona zonas do globo onde sente que os custos de produção não geram as mais valias que as grandes multinacionais acham aceitavel do ponto de vista da lógica do lucro.
Atentados terroristas em determinadas zonas do mundo são possíveis de ser visualizados em toda a "aldeia global" no exacto momento em que ocorrem até pelo habitante da aldeia mais remota do Casaquistão.
A guerra do Iraque pode ser assistida em directo e on-line e os próprios militares vão acompanhando os desenvolvimentos da mesma pela televisão sabendo através desta primeiro que das suas chefias as consequências das suas acções no terreno.
As relações sociais, amorosas e conjugais atravessam todas as fronteiras do globo terrestre através das novas tecnologias da informação e da comunicação.
Os governos caiem ao sabor de mensagens de sms e das capacidades fantásticas da comunicação via satélite, quem não se recorda da recente queda de José Maria Aznar aqui na vizinha Espanha e paradoxo dos paradoxos numa era em que as desigualdades sociais se agravam quase à mesma velocidade com que o crescimento da riqueza dos mais poderosos atinge valores históricos inigualáveis eis que os povos que querem partir dos seus territórios abandonando as suas raízes à procura de melhores condições de vida atraidos pela ilusão do modo de vida "Ocidental" são impedidos de o fazer.
O muro de mil e cem kilómetros que o senado norte-americano aprovou quase na sua totalidade!!! para impedir os emigrantes mexicanos de entrarem nos EUA são um retrocesso histórico absolutamente inacredítável na história, cultura e nos valores ditos ocidentais.
A democracia tem destas coisas. Sendo um outorgação legal ela é incrivelmente imoral. A rejeição do "outro" como forma de assegurarmos o nosso bem estar e segurança social infelizmente está aí para legitimar as novas atrocidades sociais.
Primeiro começamos por rejeitar a cultura do outro e um dia descobriremos que à sempre algum "outro" para nos rejeitar a nós.
O capital financeiro circula à velocidade do som ao click do botão direito do rato. O capital económico abandona zonas do globo onde sente que os custos de produção não geram as mais valias que as grandes multinacionais acham aceitavel do ponto de vista da lógica do lucro.
Atentados terroristas em determinadas zonas do mundo são possíveis de ser visualizados em toda a "aldeia global" no exacto momento em que ocorrem até pelo habitante da aldeia mais remota do Casaquistão.
A guerra do Iraque pode ser assistida em directo e on-line e os próprios militares vão acompanhando os desenvolvimentos da mesma pela televisão sabendo através desta primeiro que das suas chefias as consequências das suas acções no terreno.
As relações sociais, amorosas e conjugais atravessam todas as fronteiras do globo terrestre através das novas tecnologias da informação e da comunicação.
Os governos caiem ao sabor de mensagens de sms e das capacidades fantásticas da comunicação via satélite, quem não se recorda da recente queda de José Maria Aznar aqui na vizinha Espanha e paradoxo dos paradoxos numa era em que as desigualdades sociais se agravam quase à mesma velocidade com que o crescimento da riqueza dos mais poderosos atinge valores históricos inigualáveis eis que os povos que querem partir dos seus territórios abandonando as suas raízes à procura de melhores condições de vida atraidos pela ilusão do modo de vida "Ocidental" são impedidos de o fazer.
O muro de mil e cem kilómetros que o senado norte-americano aprovou quase na sua totalidade!!! para impedir os emigrantes mexicanos de entrarem nos EUA são um retrocesso histórico absolutamente inacredítável na história, cultura e nos valores ditos ocidentais.
A democracia tem destas coisas. Sendo um outorgação legal ela é incrivelmente imoral. A rejeição do "outro" como forma de assegurarmos o nosso bem estar e segurança social infelizmente está aí para legitimar as novas atrocidades sociais.
Primeiro começamos por rejeitar a cultura do outro e um dia descobriremos que à sempre algum "outro" para nos rejeitar a nós.
Faço da vida um caminho em que a felicidade está nas pequenas grandes coisas que o mundo nos permite desfrutar.
"Carpe Diem"
sábado, setembro 23, 2006
O papa e o Islão
Todas as religiões são exclusivistas, fechadas sobre si mesmas e recusam os dogmas que não entram nos seus dogmas de fé.
Ser cristão implica não professar a religião muçulmana, ser muculmano significa não aderir às crenças religiosas dos judeus e ser budista implica que não se seguem os principios do protestantismo calvinista.
Estes mundos sociais exclusivistas não implicam que a visão do "outro" como "ele" não permita a convivência pacífica.
A tese absurda sobre a "guerra de civilizações" entre o "Ocidente" e o "Oriente" à força de tanta enunciação discursiva na palavra de muitos pseudo intelectuais do mundo dito Ocidental ainda se torna numa profecia auto-realizadora. Tanto se deseja que aconteça que ela corre o risco de se tornar real.
O Papa Bento XVI esqueceu-se de vestir o papel social de Papa e por momentos interpretou o seu papel na pele de cardeal Ratzinger.
É que se as interpretações intelectualistas do Islão são permitidas ao cardeal Ratzinger, ao papa Bento XVI trata-se de brincar com o fogo quando numa passagem claramente infeliz se rotula a religião islamica de culto do belicismo e da Jihad.
Estudos históricos sobre o mundo islâmico revelam um percurso histórico de elevada tolerãncia religiosa e de elevada convivencia pacífica nas mais variadas partes do mundo entre o Islão e outras comunidades religiosas.
Sabendo que como papa as suas palavras são armas de fogo, ou de paz, que podem salvar, ou destruir milhares de vidas, Bento XVI teria que ter mais cuidado nas suas reflexões e intrusões na cultura do "outro"...sob pena de no actual contexto deitar gasolina num barril de pólvora.
Como alguém em tempos diria...não havia nexessidade.
Abraços a todo o pessoal.
Ser cristão implica não professar a religião muçulmana, ser muculmano significa não aderir às crenças religiosas dos judeus e ser budista implica que não se seguem os principios do protestantismo calvinista.
Estes mundos sociais exclusivistas não implicam que a visão do "outro" como "ele" não permita a convivência pacífica.
A tese absurda sobre a "guerra de civilizações" entre o "Ocidente" e o "Oriente" à força de tanta enunciação discursiva na palavra de muitos pseudo intelectuais do mundo dito Ocidental ainda se torna numa profecia auto-realizadora. Tanto se deseja que aconteça que ela corre o risco de se tornar real.
O Papa Bento XVI esqueceu-se de vestir o papel social de Papa e por momentos interpretou o seu papel na pele de cardeal Ratzinger.
É que se as interpretações intelectualistas do Islão são permitidas ao cardeal Ratzinger, ao papa Bento XVI trata-se de brincar com o fogo quando numa passagem claramente infeliz se rotula a religião islamica de culto do belicismo e da Jihad.
Estudos históricos sobre o mundo islâmico revelam um percurso histórico de elevada tolerãncia religiosa e de elevada convivencia pacífica nas mais variadas partes do mundo entre o Islão e outras comunidades religiosas.
Sabendo que como papa as suas palavras são armas de fogo, ou de paz, que podem salvar, ou destruir milhares de vidas, Bento XVI teria que ter mais cuidado nas suas reflexões e intrusões na cultura do "outro"...sob pena de no actual contexto deitar gasolina num barril de pólvora.
Como alguém em tempos diria...não havia nexessidade.
Abraços a todo o pessoal.
Faço da vida um caminho em que a felicidade está nas pequenas grandes coisas que o mundo nos permite desfrutar.
"Carpe Diem"
domingo, setembro 03, 2006
O novo espírito do capitalismo
O capitalismo como sistema económico, político e social é um sistema que se baseia desde sempre na exploração do homem pelo homem.
Karl Marx, o teórico por excelência da análise do sistema capitalista pôs a nu o confronto entre o capital e o trabalho e a fabricação de mais valias a partir da exploração do proletariado como a essência que produzia a dominação dos capitalistas.
Em jeito de profecia Marx protagonizava o fim da história com a revolução do proletariado e a abolição da sociedade de classes.
Marx falhou redondamente a sua análise onde a sua interpretação científica (brilhante para a época) cedeu lugar às suas pretenssões ideológicas.
Mas se Marx passou de moda, sendo olhado de "lado" mesmo no interior das Universidades (pelo menos daquelas mais comprometidas e dependentes do poder do capital) o sistema teórico de Marx continua fundamental para percebermos os sistemas sociais em que vivemos e sobretudo o capitalismo tal como ele hoje se manifesta.
Afinal ainda nos dias de hoje constatamos que as classes sociais são como as bruxas "não sei se elas existem mas que as há...há".
Afinal, as desigualdades crescem como nunca nas últimas décadas.
Afinal, a concentração de riqueza do capital atinge valores nunca atingidos na nossa história.
Afinal ,a pauperização da sociedade constatada por Marx traduz-se hoje na pobreza crescente e na "naturalização" da exclusão social.
Afinal o que mudou é que o sistema capitalista numa nova busca de legitimação procura novas legitimidades para que os seus efeitos negativos apareçam como a "ordem natural das coisas".
É assim que nasce uma nova concepção de indivíduo ajustável aos interesses do capital.
Hoje temos que ser obviamente "competentes" - sendo a competência definida como a capacidade "individual" que cada um deve ter ou adquirir por conta própria, à revelia do papel da produção social da sua competência. Desresponsabiliza-se os sistemas socias que produzem desigualdades e legitima-se o valor dos mais "competentes" que por norma são os mais previligiados.
Os desempregados deixam de ser "despedidos" e passam a ser "dispensados" - se no despedimento a culpa é por norma atribuída ao empregador, na "dispensa" a culpa é do trabalhador pois não se "actualizou" como seria de esperar, logo não tem valor como valor de troca no mercado do capital.
Os "trabalhadores" passaram a ser "colaboradores" - A visão dicotómica do conflito de interesses entre capital e trabalho passou para uma visão harmónica do trabalho e do funcionamento das empresas. Ser "colaborador" implica que os interesses são "comuns" e o que é bom para a classe empresarial é óptimo e serve na perfeição o interesse das categorias profissionais intermédias ou da base das organizações. Óptimo sistema ideológico como estratégia de esgotamento dos conflitos e dos interesses conflituais.
O mundo do trabalho e das empresas é o mundo da harmonia social!
Os indíviduos devem ser "flexíveis" - Se o capital é global e circula à escala do planeta à velocidade do som, não vêem os ideologos do sistema como não podem ser os indíviduos flexibilizados e melhor ainda "deslocalizados".
Os indivíduos devem ser também "empreendedores" - Numa época em que o capitalismo entra em crise de legitimidade, em que é possível crescer a economia e simultaneamente crescer o desemprego e o fecho de empresas, é provável que com indivíduos "empreendedores" a culpa dos disfuncionamentos do sistema seja da falta de empreendedorismo, pois o que não pode ser posto em causa é a ideologia neoliberal predadora que substitui políticas de pleno emprego por políticas de pleno interesse do capital.
O capitalismo "naturaliza" também o desemprego como uma "fatalidade" social - O que não falta por aí no nosso sistema mediático são afirmações do género: "São as empresas que criam emprego, isso de criar emprego não é coisa de políticos nem de políticas sociais".
A ignorância neoliberal tem a crença interesseira de que o económico é uma esfera da vida social desligada do político e do social. A divina crença do mercado livre, a funcionar no interesse de todos, adia qualquer tipo de intervenção do Estado pois mais tarde ou mais cedo "os mercados" vão responder...há que esperar... um ano, dois anos, cinco anos, dez anos, trinta anos, cinquenta anos...um dia o interesse pessoal transformar-se-á no interesse geral.
É a profecia de Marx ao contrário!
Mas o sistema capitalista na sua recente modalidade de funcionamento também "corrói o caracter" dos indíviduos. Richard Sennett, sociólogo Norte-Americano, demonstrou na sua obra "A corrosão do carácter" como o novo capitalismo destrói a possibilidade de uma vida pessoal e familiar harmónica, fazendo com que os indivíduos andem uma vida inteira "precarizados", "flexibilizados", à procura de uma carreira que demora em ser estável, pois é a turbulência identitária o que define a personalidade de cada um. O futuro, algures, um dia depois da morte, tratá alguma estabilidade e segurança ontológica.
Boa semana para o pessoal da blogosfera.
João Martins
Karl Marx, o teórico por excelência da análise do sistema capitalista pôs a nu o confronto entre o capital e o trabalho e a fabricação de mais valias a partir da exploração do proletariado como a essência que produzia a dominação dos capitalistas.
Em jeito de profecia Marx protagonizava o fim da história com a revolução do proletariado e a abolição da sociedade de classes.
Marx falhou redondamente a sua análise onde a sua interpretação científica (brilhante para a época) cedeu lugar às suas pretenssões ideológicas.
Mas se Marx passou de moda, sendo olhado de "lado" mesmo no interior das Universidades (pelo menos daquelas mais comprometidas e dependentes do poder do capital) o sistema teórico de Marx continua fundamental para percebermos os sistemas sociais em que vivemos e sobretudo o capitalismo tal como ele hoje se manifesta.
Afinal ainda nos dias de hoje constatamos que as classes sociais são como as bruxas "não sei se elas existem mas que as há...há".
Afinal, as desigualdades crescem como nunca nas últimas décadas.
Afinal, a concentração de riqueza do capital atinge valores nunca atingidos na nossa história.
Afinal ,a pauperização da sociedade constatada por Marx traduz-se hoje na pobreza crescente e na "naturalização" da exclusão social.
Afinal o que mudou é que o sistema capitalista numa nova busca de legitimação procura novas legitimidades para que os seus efeitos negativos apareçam como a "ordem natural das coisas".
É assim que nasce uma nova concepção de indivíduo ajustável aos interesses do capital.
Hoje temos que ser obviamente "competentes" - sendo a competência definida como a capacidade "individual" que cada um deve ter ou adquirir por conta própria, à revelia do papel da produção social da sua competência. Desresponsabiliza-se os sistemas socias que produzem desigualdades e legitima-se o valor dos mais "competentes" que por norma são os mais previligiados.
Os desempregados deixam de ser "despedidos" e passam a ser "dispensados" - se no despedimento a culpa é por norma atribuída ao empregador, na "dispensa" a culpa é do trabalhador pois não se "actualizou" como seria de esperar, logo não tem valor como valor de troca no mercado do capital.
Os "trabalhadores" passaram a ser "colaboradores" - A visão dicotómica do conflito de interesses entre capital e trabalho passou para uma visão harmónica do trabalho e do funcionamento das empresas. Ser "colaborador" implica que os interesses são "comuns" e o que é bom para a classe empresarial é óptimo e serve na perfeição o interesse das categorias profissionais intermédias ou da base das organizações. Óptimo sistema ideológico como estratégia de esgotamento dos conflitos e dos interesses conflituais.
O mundo do trabalho e das empresas é o mundo da harmonia social!
Os indíviduos devem ser "flexíveis" - Se o capital é global e circula à escala do planeta à velocidade do som, não vêem os ideologos do sistema como não podem ser os indíviduos flexibilizados e melhor ainda "deslocalizados".
Os indivíduos devem ser também "empreendedores" - Numa época em que o capitalismo entra em crise de legitimidade, em que é possível crescer a economia e simultaneamente crescer o desemprego e o fecho de empresas, é provável que com indivíduos "empreendedores" a culpa dos disfuncionamentos do sistema seja da falta de empreendedorismo, pois o que não pode ser posto em causa é a ideologia neoliberal predadora que substitui políticas de pleno emprego por políticas de pleno interesse do capital.
O capitalismo "naturaliza" também o desemprego como uma "fatalidade" social - O que não falta por aí no nosso sistema mediático são afirmações do género: "São as empresas que criam emprego, isso de criar emprego não é coisa de políticos nem de políticas sociais".
A ignorância neoliberal tem a crença interesseira de que o económico é uma esfera da vida social desligada do político e do social. A divina crença do mercado livre, a funcionar no interesse de todos, adia qualquer tipo de intervenção do Estado pois mais tarde ou mais cedo "os mercados" vão responder...há que esperar... um ano, dois anos, cinco anos, dez anos, trinta anos, cinquenta anos...um dia o interesse pessoal transformar-se-á no interesse geral.
É a profecia de Marx ao contrário!
Mas o sistema capitalista na sua recente modalidade de funcionamento também "corrói o caracter" dos indíviduos. Richard Sennett, sociólogo Norte-Americano, demonstrou na sua obra "A corrosão do carácter" como o novo capitalismo destrói a possibilidade de uma vida pessoal e familiar harmónica, fazendo com que os indivíduos andem uma vida inteira "precarizados", "flexibilizados", à procura de uma carreira que demora em ser estável, pois é a turbulência identitária o que define a personalidade de cada um. O futuro, algures, um dia depois da morte, tratá alguma estabilidade e segurança ontológica.
Boa semana para o pessoal da blogosfera.
João Martins
Faço da vida um caminho em que a felicidade está nas pequenas grandes coisas que o mundo nos permite desfrutar.
"Carpe Diem"
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